06/07/2008

Bella Lili – Cap.4

Lílian encontrou Snape nos jardins como de costume, ele estava sentado debaixo de uma das árvores que rodeavam o castelo. Sorriu ao vê-lo, recebendo um leve aceno de cabeça como resposta.

-Tudo bom? –perguntou simpática- Não te vi hoje pela escola!

-Eu andei ocupado –Snape segurava um galho e brincava de escrever feitiços na grama. Os cabelos sebosos caíam sobre o rosto e o nariz lhe sobressaía. Os olhos negros encaravam firmemente a grama, conforme escrevia.

-Ocupado com que? –Lílian se estirou, colocando as mãos atrás da cabeça. Snape não respondeu rápido. Após alguns instantes, suspirou cansado.

-Com algumas coisas. E você, o que tem feito?

Lílian ergueu a sobrancelha, estranhando a atitude do amigo, mas não se aprofundou no assunto.

Talvez seja apenas cansaço.

Ou algo mais.

Por que você sempre desconfia de tudo?

Eu não passo da sua consciência.

O que isso significa, afinal?

Que se eu desconfio de alguma coisa, você também desconfia.

-Devolvi alguns relatórios da Monitoria. Achei que McGonagall fosse me beijar de tanta felicidade.

Snape riu, olhando-a pela primeira vez aquele dia.

-Um beijo da McGonagall deve ser algo assustador –ele disse.

Lílian gargalhou e sentou-se, ficando no mesmo nível. Os olhos negros de Snape a observavam, sentia cada detalhe seu ser fotografado pela mente do amigo. Lílian olhou para o Lago, abraçou os joelhos. A brisa fria da noite começara a lhe causar arrepios. Snape passou os braços sobre os seus ombros, tentando lhe aquecer e aquilo a confortou. Encostou a cabeça em seu ombro:

-O que vai fazer quando sair daqui?

-De Hogwarts?

-É.

-Estou estudando para ser uma Auror. E é isso o que eu vou ser –respondeu firme- E você?

Antes que Snape pudesse responder, viram Os Marotos passarem por eles á poucos metros. Tiago a encarou e, por um segundo, Lílian imaginara que ele ficaria enciumado. Mas o garoto nada disse, apenas seguiu o caminho para a Entrada com os amigos.

Você bem que queria Tiago dando um "showzinho" de ciúme.

Lílian sorriu, relembrando do beijo da semana anterior. Desde então, nada mais acontecera, apenas começaram a andar mais juntos e, de vez em quando, se sentarem juntos nas aulas que possuíam em comum. Nesse meio tempo, conversaram sobre inúmeras coisas que Lílian jamais imaginara que Tiago tivesse um pingo de responsabilidade para querer ou para pensar. Aquilo a surpreendera, da mesma forma que sabia que o surpreendera ao mostrar que podia ser uma pessoa doce e nem tanto temperamental.

Sentiu Snape se remexer inquieto e se afastou.

-O que foi?

-Nada –respondeu seco, se levantando.

-Severo –segurou o braço do amigo, impedindo-o de sair andando- O que aconteceu? Eu fiz alguma coisa?

-Você não fez nada Lili. Você nunca seria capaz de fazer algo de ruim.

Lílian o soltou, sem saber o que aquilo significava. Snape saiu, a capa preta e de segunda mão esvoaçando. Lílian o seguiu com os olhos até que o garoto entrasse no castelo, solitário.


-Por favor? –suplicou- Ninguém está vendo, ninguém vai saber!

-Não.

-Eu só preciso pegar o pergaminho que esqueci em cima da mesa! Eu não vou demorar, são dois segundos!

-Aconselho a senhorita a treinar um pouco mais a sua memória.

-Eu não preciso dos seus conselhos, eu preciso é da porcaria do meu pergaminho!

-Sinto muito, mas não posso deixá-la passar. E não ouse começar a cantar de novo ou eu irei chamar Dumbledore!

Sofia revirou os olhos, irritada. É tão difícil deixá-la passar e voltar em menos de um minuto?

Maldita memória.

Não conseguia decorar as senhas. Isso era um fato muito problemático em sua vida, desde que ingressara em Hogwarts. Desistindo, deu meia-volta e andou em direção as escadas. Desceu até chegar ao Hall de Entrada, logo virando a direita para o Salão Principal. Entrou pelas grandes portas de madeira escura e observou as quatro longas mesas, cada uma com o seu emblema. Viu Bellatrix e Narcisa Black cochichando, Alice e Frank levando uma bronca do Professor Slughorn por estarem de namorico na mesa onde as pessoas almoçavam, Os Marotos na sua habitual algazarra.

Tudo na mais perfeita ordem.

Procurou Lílian, mas não a encontrando, andou em direção há onde um grupinho de alunos estava rindo descontroladamente. Passou por Sirius e Pedro, que contavam piadas, Tiago lhe cumprimentou e, finalmente encontrou Remo.

-Oi –cumprimentou tímida- Posso me sentar?

O garoto a olhou surpreso.

-Claro –ele sorriu.

-Obrigada. Já almoçou?


Lílian encarava a pilha de livros a sua frente entediada.

Não sei nem por onde começar, parabéns Lílian Evans, você é uma jumenta.

Comece pelo de capa preta, o título é sugestivo.

Pegou o livro e leu o título, considerando a dica da consciência. Abriu e observou as páginas amareladas. Podia notar ranhuras e notas de rodapé, provavelmente feitas por algum aluno sem a mínima noção de "cuidado".

Procurou no índice a palavra "Lobisomem". Encontrando, se concentrou e começou a ler, esquecendo as vozes vindas de toda a Biblioteca.

"Um Lobisomem é um ser humano capaz de se transformar em um lobo extraordinariamente feroz. Ativo somente à noite e em época de lua-cheia. Um homem que se torna lobisomem é uma vítima involuntária de genes ruins, de uma maldição ou da mordida de outro lobisomem.

O Lobisomem se alimenta de carne, seja humana ou animal. Por mais que abomine o mal que causa, ele é incapaz de controlar suas ações.

No século XVI, os lobisomens já eram vistos como uma verdadeira ameaça; à medida que a caça às bruxas ganhavam ímpeto em toda a Europa, dezenas de pessoas na França, Alemanha, Suíça e Itália foram presas, julgadas e executadas por serem lobisomens.

A transformação em lobisomem é algo extremamente doloroso, sendo os poucos que sobrevivem á tamanha dor".

Lílian acabava de terminar a leitura quando sentiu algo se movendo atrás de si. Olhou rápido para trás e se assustou ao ver Remo Lupin a encarando.

-Oi Lílian –ele não a deixou responder- Podemos conversar?

Remo se sentou ao seu lado, olhando ao redor, como se quisesse ter certeza que não havia ninguém tentando escutar a conversa.

Lílian o observou: as olheiras, o rosto cansado, os cabelos ralos e claros, ela pode perceber um ou dois fios brancos precoces perdidos ali. Remo era magro, não tão alto quanto Tiago ou Sirius, mas mesmo assim possuía um andar esguio. Ele a olhava apreensivo e ela já sabia qual era o assunto antes mesmo que ele começasse a falar.

-Sofia conversou comigo hoje –o garoto começou a falar com a voz calma e doce- Ela...

Lílian esperou que ele encontrasse as palavras certas. Finalmente, ele se ajeitou melhor no assento e aproximou um pouco mais o rosto, abaixando o tom de voz.

-Ela me contou sobre as suas suspeitas.

Lílian nada falou, podia sentir o medo e a tensão que exalavam do garoto. Observou seu rosto, notou alguns arranhões no fino nariz que ele possuía.

Ele também a olhava, mas de um modo certamente diferente: estava com puro medo estampado no rosto. De repente, Lílian percebeu a gravidade da situação: e se Remo realmente fosse um Lobisomem? Isso era maior do que ela podia imaginar. Um segredo tão bem guardado que ela nunca percebera em sete anos de convivência diária. Lembrou-se das freqüentes mortes na família do garoto, ele estava sempre doente, parecia que todo mês tinha algum problema a resolver e se ausentava...

Sempre na semana de lua-cheia, provavelmente.

Descobrira um segredo de proporções enormes e agora não tinha a mínima idéia do que fazer com aquela bomba. Olhou para o garoto e pareceu sentir certa ligação com ele, algo em comum... Afinal, ela também era diferente, também sofrera preconceitos. E mesmo assim, sentiu pena dele.

Sou uma pessoa horrível.

Você não é má, Lílian. Você nem ouviu o que ele ainda tem a dizer.

-Sofia devia aprender a manter a boca fechada –disse.

Remo nada disse. Lílian se levantou, colocando os livros debaixo do braço.

-Remo, me desculpe, eu não tinha o direito de... –ela não soube o que dizer- Me desculpe.

Saiu, sem esperar que o garoto falasse.

Estava no meio do corredor quando o ouviu gritar seu nome. Virou-se e esperou que ele chegasse ao seu encalço.

-Lílian, você não vai...

-Contar para alguém?

-É –respondeu sem jeito.

-Eu nunca faria uma coisa dessas, Remo.

Ele a encarou surpreso. Um brilho surgiu em seus olhos e ele sorriu, agradecido.

-Obrigada Lili.

-É o mínimo que eu posso fazer. E, se precisar de alguma coisa em relação á isso...

Ela não terminou. O se sorriso já falara por si mesma e Remo entendera.


Entrou no Dormitório e encontrou Sofia lendo uma revista bruxa, deitada. Parecia realmente entretida, pois cantava conforme ia virando as páginas.

-Por que você contou ao Remo que eu sabia que ele era um Lobisomem?

-Porque ele não é um Lobisomem –a garota não desviou os olhos da revista ao responder- não é?

-Não, não é.

-Viu? Era só para tirar essa idéia maluca da sua cabeça. Foi por uma boa causa.

Lílian sentiu vontade de pular no pescoço de Sofia, mas nada fez. Pegou a varinha que havia esquecido em cima da cama e saiu, batendo a porta.

As pessoas na Sala Comunal a encararam, assustadas.

-O que foi?! –perguntou irritada.

Desceu as escadas batendo o pé com força.

E se ela contou as "minhas suspeitas" para mais alguém?

Sofia possuía um problema sério: não conseguia manter a boca fechada.

Lílian encontrou Alice e Frank sentados nas poltronas em frente á lareira, tentando se aquecerem do frio que estava lá fora. Discutiam animadamente. Ao notarem a presença da amiga, sorriram e pareceram esquecer-se que brigavam segundos antes.

-Lili, querida! Aconteceu alguma coisa? Suas bochechas estão...

-Da cor do seu cabelo –completou Frank.

-Sofia, aquela jumenta. Nada demais. O que vocês estão fazendo?

Os dois a convidaram a se sentar e mostraram o Profeta Diário daquela manhã. Estava relatando o total de mortes desde o começo dos ataques contra trouxas e nascido-trouxas.

Lílian sentiu um arrepio frio e ruim lhe percorrer a espinha ao ver a quantidade de rostos das pessoas mortas. Elas sorriam, como em fotografias antigas.

-Tudo isso? –perguntou.

-Que eles saibam –continuou Frank- Mas com certeza há mais.

-Que horror –lamentou Alice- Como alguém é capaz de fazer uma coisa dessas?

-Não é apenas uma pessoa, Lice. São várias, vejam –Frank virou a página e mostrou a reportagem que se intitulava Comensais da Morte. Alice e Lílian se aproximaram.

Após ler, Alice se encolheu no colo do namorado.

-E por que isso tudo começou, afinal? –perguntou Lílian- Preconceito?

Frank e Alice se entreolharam, sem saberem o que responder.

-Não é só por isso –uma voz diferente falou, sentado-se ao seu lado- Existem outras coisas envolvidas.

Tiago olhava os amigos, sério.

-Como o que? –Lílian perguntou curiosa.

-Poder. Acredito que tanto poder acaba te cegando, fazendo você esquecer o que afinal é correto e o que é errado.

Ele se ajeitou melhor e sorriu para Lílian, que retribuiu o sorriso.

-No entanto –continuou- Não há como saber de verdade o porquê. Podemos apenas imaginar.

-O que eles têm contra os trouxas, afinal? –Alice agora possuía um olhar firme e os cabelos loiros caíam soltos, dando-lhe um ar angelical.

Frank deu de ombros, juntamente com Tiago. Quem respondeu foi Lílian:

-Eles acham que somos um erro de percurso.

Os três a olharam surpresos. Pareceram só agora perceberem que Lílian vinha de uma família trouxa.

-Não é isso, Lili –Tiago tentou amenizar.

-Não diga que não é, todos nós sabemos o tamanho do preconceito contra trouxas e nascidos-trouxas. O que essas pessoas, seja lá quem forem, e esse tal de Voldemort não percebem é que existem pouquíssimas famílias sangues-puros hoje em dia. Se eles erradicarem todos os trouxas, como é que faz?

-Eles irão extinguir todo mundo, inclusive a comunidade bruxa, sem perceberem –concluiu Frank devagar- Eu não tinha pensado por esse lado.

-Esse é o poder sobre o qual Tiago falava: ele cega –Lílian encostou a cabeça no ombro do garoto, que passou os braços ao redor de seus ombros, acariciando seus cabelos- Mas devem estar fazendo algo quanto á isso, o Ministério não pode fingir que isso não está acontecendo.

-Com certeza –falou Tiago.

Os quatro não falaram nada por alguns minutos, apenas olhavam os sorrisos alegres das fotos na capa do Profeta Diário. Haviam crianças, algumas ainda bebês. Lílian imaginou que algumas delas nem chegaram a saber que eram bruxas, de fato. Morreram sem saber o porquê. Uma sensação de impotência se alojou sobre o estômago de Lílian, fazendo-a se encolher um pouco. Sentia que os outros também estavam assim.

-Eu queria poder fazer alguma coisa –Alice sussurrou.

Os outros apenas assentiram.


N/a.: Olááááá! Eu não ia postar hoje, mas acabou batendo uma inspiração eeee... Aqui estou! Hahaha... Bom, o capítulo ficou pequeno, eu sei. Mas eu não consigo escrever capítulo grandes, sorry :S. Hãããn... Vamos ver... Ah sim, o Snape apareceu, finalmente! Ele rouba a cena, admitam! :D Não tenho certeza se ele aparecerá mais vezes. Para falar a verdade, eu não sei nada sobre o futuro dessa fic, porque eu escrevo o capítulo no mesmo dia em que eu posto, então é meio que inspiração mesmo, não tenho nada pronto e talz. : )

Então, o que estão achando? Gostando? Odiando? Lendo só por causa do tédio? Escrevam e me contem, vou ficar hiper feliz em saber! ;D

Deixa eu veeeer... Ah, vocês devem estar se perguntando: 'isso é uma fic L/T ou NÃO?', porque eu ainda não escrevi um capítulo de verdade com os dois, não é mesmo? Eu andei pensando nisso e percebi que, antes de mostrar o que TODO MUNDO já sabe (que eles vão ficar juntos e blábláblá) eu gostaria de escrever sobre as relações, as amizades, os problemas, as brincadeiras, etc, entre eles. Isso não significa que eu não vá escrever, que fique bem claro. : ) Mas prometo que no próximo capítulo teremos mais L/T ;D

Boooom, se vcs tiverem perguntas ou, até mesmo sugestões, estou a disposição para ler! Eu já falei que escrevo os capítulos no dia em que eu posto, então eu tenho como ler as críticas, sejam boas ou ruins, e tentar fazer uma fic legal, que vocês curtam e, quem sabe, se identifiquem!

Té mais, pessoas especiais!

Beijos

Ana Clara: Sabe, Ana, eu comecei a escrever fics com uns 13 anos. Passei a publicá-las com uns 14 e, até hoje, tenho fics antiiigas aqui no meu PC, que foram sendo aprimoradas com o passar do tempo. No meu profile aqui no Fanfiction tenho fics e songs que, hoje em dia, acho horríveis. Mas deixo lá, para lembrar que já tive coragem de publicá-las! Escrever é muito bom e acredito que lendo e escrevendo vc consiga melhorar cada vez mais. Tente escrever, vc vai gostar. É uma forma de se esquecer das coisas, tirar o estresse ;D Beijos linda!

Muito obrigada pelas outras garotas que comentaram, por favor, não deixem de darem as suas opiniões!