N/A: Acho que eu esqueci de vaisar, mas, eu usei os nomes no original, porque detesto traduzidos (principalmente James), mas usei os apelidos em português, porque acho bem fofinho. E, eu sei que vou acabar matando de tanto esperar as pessoas que ainda estão acompanhando essa fic. Mas entendam que os dois precisam de tempo pras coisas acontecerem.
3. Nunca fiz amantes bebendo leite
A gente ia sempre no mesmo pub. Toda quinta-feira estávamos lá. Nem precisava marcar com Aluado e Rabicho, eles já sabiam que iam nos encontrar no Joe's pub. Era o dia em que nos reuníamos pra dizer besteiras, beber cerveja e comer alguns petiscos. E paquerar, quando alguma mulher tinha coragem de entrar naquele viveiro de baratas.
- Então, vai me explicando essa história antes que os dois cheguem – disse James afrouxando a gravata.
- Não tenho o que explicar. Eu estava te vendo se masturbar, ponto.
- Por que você fez isso?
- Ah, sei lá. Tem que ter um porquê?
- Claro! Você invadiu minha privacidade! – falou tomando um gole grande de cerveja.
- E você estava se tocando no trabalho. Imagine o que o Kent diria se soubesse...
- Isso é chantagem!
- Andou estudando o dicionário? – perguntei arqueando uma sobrancelha e sorrindo.
- Vai se ferrar! Aluado! – disse James se levantando. – E aí?
- Vocês estavam brigando? – ele perguntou se sentando e tirando o paletó.
- Claro que não! – falei, nem sei por quê. - Ei, Rabicho!
- Estavam sim – persistiu Aluado.
- A gente não briga – disse James sorrindo falsamente pra mim.
- Vocês não brigam? Me poupe!
- Nós brigamos, Peter? – perguntou James pro nosso amigo, assim que ele terminou seu pedido.
- Nós dois? – perguntou Rabicho distraído.
- Não, imbecil. Almofadinhas e eu – falou Pontas, rindo.
- Bem...
- Diga a verdade, Rabicho – disse Aluado com um olhar ameaçador.
- Que diferença isso faz? – ele perguntou dando de ombros e jogando uns amendoins na boca.
- É verdade – concordei. – Vamos brindar!
- A quê? – perguntou Aluado erguendo seu caneco.
- Aos Marotos, oras – disse Pontas derramando metade de sua cerveja em mim.
- Aos Marotos – gritamos e batemos nossos canecos num titilar eufórico.
Sabem, eu poderia viver pra sempre daquele jeito. Se me perguntassem quais minhas memórias mais felizes uma delas com certeza seria minhas quintas-feiras com os Marotos. Remus começou a contar sobre seu trabalho (que eu particularmente acho maçante). Peter é muito lerdo pra entender sobre engenharia de computadores, e James, por algum motivo idiota (provavelmente Space War IV) achava tudo muito fascinante. Então comecei a contar pra Peter sobre o flagra que deram em Marlene Mckinnon e eu quando estávamos nos pegando, porque ele havia faltado na quinta-feira passada. Na verdade Peter não está mais aparecendo tanto assim. Ele nem foi ao aniversário de um ano de Harry.
...
Só sobramos James e eu. É sempre assim, sabem? No final ficamos só os dois. Aluado vai fazer suas responsabilidades e Rabicho... bem eu não sei. Ele nunca diz o que vai fazer. E ninguém nunca pareceu se preocupar, apesar de eu achar isso meio suspeito. Sei lá, não custa nada contar pra nós. Nós somos todos parceiros, não é não?
- Vai querer carona? – perguntaram dois James sorridentes.
- Claro. Você acha que vou embora nessa chuva toda? Fora que eu estou completamente bêbado – completei rindo.
Pontas riu também. Vendo - o rir daquele jeito me lembrei dele se masturbando, o que me fez lembrar da revista gay e de toda aquela conversa entranha entre nós, então comecei a rir de novo. E ele estava rindo simplesmente porque estava tão bêbado quanto eu.
- Ei, vocês dois aí – gritou o garçom. – Podem ir dando o fora, o bar fechou.
- Mas são só 11h! – disse Pontas fazendo uma cara de piedade engraçada.
- Vocês vêm aqui toda quinta-feira, será que ainda não aprenderam?
- Ok, ok. Vamos logo, Pontas. A gente arranja outro pub e... e aí nós vamos pra lá toda quinta-feira.
- Que que cê ta falando, cara?
- Shiu! – falei rindo. – É só pra ver se ele...
- Não, eu não vou deixar tomarem mais nenhuma cerveja, ô bonitão. Esse truque é velho, vão caindo fora antes que eu chame a polícia.
- Então é melhor nós irmos, Almofadinhas.
- Eu... vou precisar... – O riso me interrompia toda hora. – ... de uma ajudinha – falei passando o braço ao redor dos seus ombros e me apoiando como podia.
Ele saiu nos arrastando, esperou na chuva eu dar uma mijada no muro e depois fomos caminhando até o carro. Grande amigo... Sua mão grande segurava minha cintura com força e seu cabelo molhado fazia cócegas no meu braço. Quando chegamos no carro me sentei no capô e pedi para irmos assim.
- Não, Sirius, desce daí.
- Mas, cara... pense no quanto seria... – mais gargalhadas.
- Vai amassar meu carro – ele disse com a língua embolada. - E se verem você aí em cima vão me multar.
- Ninguém vai me ver!
- É eu sei, mas... Dá pra entrar logo no carro? A Lily vai me matar.
- Eu só vou entrar porque eu realmente tenho medo da Lily – falei tentando entrar no carro. Bati minha cabeça umas tantas vezes até conseguir me sentar direito.
- Sério?
- O que?
- Que você tem medo da Lily? – perguntou rindo feito um idiota.
- É, e daí? Pelo menos eu ainda não admiti que tenho medo do escuro e que eu já dividi uma garota com outro cara.
- VOCÊ O QUE?
- Por que você tem sempre que gritar? E a garota queria ficar com dois caras ao mesmo tempo e... bem, você sabe como eu sou um pervertido de marca maior – falei, as palavras escapulindo como carneiros saltando cercas.
- E como foi? – ele perguntou, com o mesmo olhar de quando Remus falava sobre informática.
- Não vou dizer que foi cem por cento. Às vezes a gente se tocava e...
- Você e o cara?
- É. E se tocar no sentido literal. Eu não peguei no pau dele!
- Hum.
Ficamos num silêncio bêbado, eu me segurando para não vomitar no tapete do maldito carro do James, ele levantando e abaixando a trava da porta e a chuva tamborilando o teto do carro.
- Bem... sabe... aquela revista gay? – ele disse coçando a nuca.
- Sei.
- Então, quando você me perguntou se eu era gay ou se...
- Você tinha alguma fantasia...
- Isso – falou balançando devagar a cabeça. – Então, eu... queria, um dia, saber como era.
- SÉRIO?
- Cala a boca!
- É só pra você ver o quanto é bom gritar nos ouvidos dos outros. E também porque eu levei um susto realmente grande.
- Mas eu não quero... dar nada. Você sabe, é só como...
- Ativo.
- É.
- Então... liga logo o carro antes que você me ataque.
- Seu imbecil! – ele gritou, rindo e dando a partida. – Você não é tão bonito assim. Pelo menos desse ângulo.
"E eu estive pensando
Nós podemos estar sozinhos?
Nós podemos estar sozinhos?"
