8. A amizade perfeita
Sabem, acho que no fim das contas Pontas acabou se acostumando com a culpa. Ih, agora vocês vão pensar: "Meu Deus, eu li essa história até aqui, pra chegar no final e não ter nenhuma lição de moral?" Sinto decepcioná-los, mas, sim, vocês estão completamente certos.
Não é que eu não ache que James e eu somos amantes, mas antes de tudo nós somos amigos. Então, se nós podemos transar quando estamos nos sentindo solitários e isso nos conforta, isso é bom, não? É uma amizade que deu certo.
Antes de encerrar a história, preciso contar dois casos:
O primeiro: Uns dias depois da nossa primeira transa, nós não pudemos nos segurar. Não vou dizer que foi a coisa mais doida que eu já fiz na vida, porque transar atrás de um vaso de plantas é pior, mas foi a coisa mais doida que James fez na vida.
Ele me chamou na sua sala dizendo que tinha que me entregar umas coisas. Eu, obviamente, pensei que fossem documentos. Mas não era pra ser óbvio, e sim pervertido. Pontas me pegou de surpresa e me empurrou contra seu arquivo. Ele já tinha premeditadamente abaixado as persianas e empurrado as coisas de sua mesa pra um canto. Eu não confiava na suposta privacidade que as persianas nos davam (eu mesmo as burlei) mas eu não pude reclamar com sua cabeça no meio das minhas pernas.
Pontas ficou com a marca de um carimbo numa das coxas e eu com o cabelo tão bagunçado quanto o dele. Mas aquela transa foi... ótima. Ele no mínimo tinha sacado que eu tava precisando de uma boa trepada.
O segundo: Foi quando eu finalmente comprei minha moto. Bom, eu já tinha tido uma mas tive que me desfazer. E dessa vez eu comprei a moto mais foda e perfeita, do jeitinho que eu queria. O primeiro a andar na minha garupa foi, claro, Pontas. Eu não falei nada durante toda a manhã, até convidá-lo para almoçar. Ele achou que fôssemos a algum restaurante aqui perto, mas quando ele viu minha moto nem quis saber.
Primeiro ele pediu pra dirigir, o que eu, obviamente, neguei. Depois se contentou em ir na garupa, apertando minha cintura. Na verdade ele disse que ia fingir que era minha garota, e ficou acenando pateticamente para os carros enquanto deslizávamos entre eles.
Eu o levei para um restaurante italiano na margem do Tâmisa. Depois de nos empanturrarmos com massas, fomos direto para o meu apartamento. Era quase sempre lá, claro. Às vezes, num domingo à tardinha, quando Lily estava no seu clube do livro, ou algo chato assim, e Harry dormindo, nós nos arriscávamos na casa deles.
Naquele dia da moto, eu tinha outra surpresa pro Pontas. Nós finalmente trocamos as posições. Ele parecia uma criança feliz e eu fiquei realmente com medo de que ele fizesse alguma atrapalhada. Mas não se preocupem, correu tudo bem, na medida do possível. O que é sacrificar uns dias sem sentar direito pelo prazer do meu melhor amigo?
É disso que eu estou falando. Não é nada imoral ou errado. Eu, como todo mundo sabe, nunca fui muito lá com a cara da monogamia, ainda mais quando os relacionamentos na maioria das vezes são tão descompromissados. Por que, vocês sabem, o Pontas não vai ficar com ciúmes e quebrar o pára-brisas do meu carro com uma barra de ferro se eu arrumar uma namorada. Até porque eu tenho uma moto.
- Adivinha só – diz Pontas entrando na minha sala.
- Que eu me lembre no meu aniversário passado você me deu um tubo de batatas fritas, não uma bola de cristal.
- Aquelas batatas era só brincadeira – ele diz revirando os olhos. – Depois eu te dei a porcaria do cd que você queria.
- E o que você comprou, afinal? – pergunto.
- Pleasurebomb – ele fala e tira a revista de dentro de uma sacola que até agora eu não tinha notado. - Agora não tem mais motivo pra não ler.
- Ah, claro, porque você não grita para o departamento inteiro?
- Até que não é má idéi... – mas eu não o deixo completar. O empurro pelos ombros para a parede mais próxima e lhe tasco um beijo de tirar o fôlego. Calma, as persianas estão abaixadas. Só a camisa fina não o deixa tocar minha pele quando ele enfia as mãos por dentro do meu paletó e geme sensualmente no meu ouvido:
- Pleasurebomb...
Nós caímos na risada e Kent grita conosco, mais uma vez. Acho que, na verdade, Kent foi contratado para brigar com a gente.
- Acho que o Kent mais grita com a gente do que trabalha.
Viu? Diz se não é a amizade perfeita?
"Quando nós vamos ter tempo de sermos apenas amigos?"
N/A: Bom, espero que vocês tenham gostado da história e que ela tenha alegrado pelo menos um pouquinho o dia de vocês. Obrigada especial pra Rapousa, Morg, Nindezinhaaa, Roonil (brigada por me aturar te perturbando pra saber sua opnião sobre cada parágrafo), Moony-sensei, gota gelada e Hokuto.
Ah, e eu esqueci de avisar no começo da fic, e acho que é totalmente inapropriado avisar quando ela já está terminada, mas a fic é UA, pra quem não percebeu.
Mais uma coisa: mais um obrigada pra Raps, que fez uma capa liiiinda e foda pra essa fic. Vejam ela no perfil e quem elogiar ganha um real e um beijo - dela.
