A noite passou rapidamente, não viu quando adormeceu, a manhã veio lhe despertar com um grito da amiga. Grito este de felicidade e alivio, que a muito não ouvia. Abriu os olhos cansada, passando a mão sobre eles percebera as marcas da noite mal dormida, olheiras. Suspirou cansada abrindo a janela do quarto.

Correu para o chuveiro a tomar uma ducha fria, na tentativa frustrada de relaxar e se livrar dos pensamentos da noite passada. A lembrança dele, daquele momento de fraqueza e fragilidade lhe atormentavam, fazendo-a ouvir aquele nome. Fechou o chuveiro tentando captar o nome novamente, mas nada lhe chegou aos ouvidos. Os fios do cabelo cheios de espuma, incapacitando-a de ouvir qualquer coisa de uma forma mais clara. O nome novamente, dessa vez tinha certeza de ouvir. Fechou o chuveiro com raiva, nada além do som da correria das jovens do lado de fora da casa. Crianças que não sabiam o que era uma luta, sorriu ao pensar na ingenuidade que já se perdera nela.

Vestiu-se, novamente as mesmas roupas, cores, tudo igual e antigo, nada de novo ou diferente. Pela raiva desferiu o punho contra o espelho fazendo-o cair em pedaços. Suspirou pesadamente, pobre espelho, suor jogado fora. Saiu para a cozinha a fim de fazer seu segundo desjejum, ao contar com o da noite passada. Os gritos ouvidos bem longe, estava sozinha na vila das amazonas. Novamente.

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Não sabia exatamente se ria ou se chorava por vê-los ali novamente. Apenas um presente de aniversário, sem nada a pedir, só a comemorar, ele disse em sonho. 'Pai', pensou sorrindo ao correr na direção dos jovens que subiam as escadas, armados, feridos, cansados. Mas ainda os mesmos rostos, os mesmos amigos, os de sempre, os seus cavaleiros.

As melenas lilases presas a um coque no alto da cabeça lhe davam um ar oriental imponente e elegante, deveria ter chegado do Japão ainda aquela manhã. As bolsas abaixo dos olhos a se revelarem cansados pela noite mal dormida, os olhos brilhando felizes, passariam se séculos até aquele brilho se perder, pensou a se ver diante dela. Quem sabe poder dizer a primeira vez que a via naquela encarnação. Os olhos a marejarem lentamente antes de vê-la desabar em seus braços, fazendo o jovem se assustar. Os orbes violetas a procurarem desesperadamente por apoio nos amigos à suas costas, apenas sorrisos e discretos dar de ombros, a situação era problema seu e apenas ele poderia resolver.

A jovem ergueu o rosto por cima dos ombros do rapaz, contava os um a um a fim de conferir se realmente estavam todos ali, Áries, touro, dois gêmeos idênticos, parou de contá-los ao perceber a falta de dois. Fechou os olhos perdendo as lagrimas sobre a camisa do jovem. Tinha de perguntar, queria saber, onde estavam...

- Onde eles estão? - Perguntou num tom frio e sofrido. Em bem verdade não tencionava ser seca ou rude em um momento como aquele, mas a dor em não vê-los era forte de mais.

- Não sabemos senhorita. - Respondeu no mesmo tom deixando-a perceber apenas sua dor e preocupação por não estarem ali. - Não estão no limbo isto é fato, seus cosmos estão próximos, pois os sentimos quando chegamos, nada que uma busca não resolva.

- Vou pedir as amazonas para procurá-los. - Foi sua resposta, tencionava sair dali para a arena, mas acabou interrompida por um dos gêmeos, que no estado em que se encontravam, não poderiam ser nunca Saga ou Canon, não os que ela conhecerá.

As roupas rasgadas, revelavam feridas expostas e ainda vermelhas de sangue. O cabelo de um cortado desajeitada até os ombros, e o outro a sustentar uma barba suja de sangue e mal tratada. Mas os olhos ainda eram os mesmos. Os mesmos da batalha das doze casas, os mesmos de um desentendimento entre amigos, os mesmos a virem ou irem da morte.

- Não vamos conseguir descansar até acharmos aqueles dois. - O cheiro do corpo sujo de fato o deixava ainda mais irreconhecível, mas o abraço, o carinho e a dedicação, ainda eram os mesmos. - Deixe-nos fazer isso, por favor; Pediu baixinho e sereno ao pé do ouvido fazendo a jovem relaxar-se completamente.

Não viu exatamente quando adormecera, conhecia aquele cosmo, quente e triste. Sentiu as pálpebras se fecharem lentamente adormecendo. Hipnos ingrato, ainda vou me vingar por isso; Pensou irritada ao sentir um par de braços aninha-la. Novamente o rapaz de orbes violetas, foi à única coisa que viu antes de dormir profundamente.

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Saiu de casa a fim de treinar aquela manhã, assim como todas as outras seria triste e solitária, sentia a falta dele dentro da arena, sempre a lhe ajudar com os novos aspirantes, sempre carinhoso e atencioso, fazia lhe rir algumas vezes, ficar irritada em outras, mas sempre estivera ali perto de si. Não te, ou vê-lo era como se perdesse grande parte de si e seu poder, como Sansão com Dalila, mas ela era o Sansão.

Abriu os olhos mais uma vez para aquela sensação de vazio que a manhã lhe trazia, ao longe via a casa das amigas: June, Shina, até mesmo Shunrei viera viver ali, como ela mesma dissera não há mais nada lá fora para mim; Saori fora compreensiva com ela, perder as duas pessoas que lhe eram mais importantes no mundo. Passou as mãos pelo rosto antes de recolocar a máscara, respirou fundo antes de abrir a porta e dar de cara com ele. Bateu-lhe a porta na cara.

Levou um tempo até ele se recuperar completamente da corrida, estava parado a porta da casa dela, ouvia claramente a respiração dela do outro lado da porta, um suspiro de melancolia, um tom leve de tristeza ao escapar de seus lábios. Não sabia bem o que dizer, nem mesmo como chegara ali, cansado, dolorido, com o nariz quebrado por causa da portada. Devo estar horrível; Bradou mentalmente contra sua aparência.

- Aioria? - A voz doce e delicada lhe chegava bem aos ouvidos, há quanto tempo não esperava para ouvi-la novamente?

- Estou horrível eu sei... - A voz saiu meia tremida, ainda não tinha toda a força de antes, mas esperava sinceramente que ela não reparasse nisso; Ouviu-a chamá-lo novamente, não sabia mais o que dizer, tinha certeza de que ela estava chorando. - Eu sei que eu estou sujo, mas eu precisava-te...

A porta abriu-se novamente e a última coisa que pode sentir antes de ser jogado ao chão era dos finos lábios da amazona tocarem os seus levemente, mais um acidente que um beijo. A jovem gritava seu nome lhe ferindo os ouvidos, agarrada ao peito quase nu pela camisa rasgada chorava compulsivamente lhe partindo o coração. Quanto tempo ficaram ali antes de ser arrastado por um bando de novatas, ou velhas conhecidas junto a ela para o santuário não saberia dizer e nem interessava contanto que pudesse continuar a ver o sorriso dela.

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Saiu em direção ao campo de treinamento, desde que ele morrera que a amiga se tornara fria e mais agressiva com os novatos decidira por ajudá-la. Acabou por ir andando sem rumo, como chegou ali não sabia ao certo, as lembranças eram inevitáveis e vinham como um turbilhão.

... O dia se acabava por entre as montanhas a sua frente, estava sozinha e indefesa. Sim indefesa era apenas uma criança perdida sozinha no coração escuro de uma floresta assustadora...

Caiu de joelhos, sim era fraca, fraca e indefesa. E depois das palavras dele a martelar a cabeça, teve mais certeza ainda de sua fraqueza. Ouvia o som divertido dos pássaros e dos outros bichos da floresta, sons antes tão assustadores que agora ali, lhe pareciam tão reconfortantes por não estar sozinha. Ficou assim por alguns instantes, os cabelos amarrados em um rabo de cavalo no alto da cabeça davam ao rosto prateado e sem sentimentos um ar limpo. Tirou a máscara a fim de respirar mais aliviada, não havia necessidade de usá-las, houvessem ou não homens no santuário depois de muito pensar Saori junto às amazonas que a tanto conheciam as normas e regras reviram alguns conceitos sobre as coisas no santuário, criando novos, excluindo velhos, revendo os necessários a fim de torná-los mais limpos e sem vestígios de duvidas, nem obsoletos.

Foi com grande surpresa e susto que ouviu um estrondo, um barulho alto o suficiente como se algo caísse do céu, as aves se assustaram e os outros animais correram para dentro da floresta, pegou a peça prateada e saiu a passos largos e firmes a fim de averiguar a situação, mas com toda certeza não esperava por aquela surpresa. Alguém, sim, de fato alguém cairá do céu. Será que Zeus depois da noite anterior decidira por tirar um de seus filhos de casa. Ao aproximar-se sentiu o coração dar um pulo em direção a garganta, com se quisesse sair dali em disparada.

Levou um tempo até perceber que se tratava do cavaleiro de Virgem, que deveria estar morto mas respirava fraco e dolorido. Sangue escorriam dos pulsos e do peito a sujar as flores do campo. Sem perceber gritou por seu nome, aflita levou um tempo até perceber que outros cosmos mais conhecidos se aproximavam: Mu, Milo, Saga, Aldebaran. Ajoelhou-se ao lado do jovem, os olhos azuis entre abertos. Tocou-lhe o rosto levemente a fim de espantar uma mecha que lhe caia sobre os mesmos, viu o jovem fechar os olhos e balbuciar palavras sem sentido. Por fim fechar novamente os olhos dessa vez inconsciente.