Foi despertando aos poucos daquele "sono forçado", alguém com toda certeza iria se arrepender por aquela situação. E iria começar por aquele que ousara colocar tanto peso em cima de si. Abriu os olhos ainda adormecida, o "peso" ainda doía suas juntas. Com custo percebera onde se encontrava, com a necessidade de procurarem Aioria e Shaka acabaram por deixá-la com o grande mestre, que estava adormecido pela dor e cansaço sentado em uma pilastra caída do 13º templo. Os braços fortes a lhe segurar a cintura delicadamente para que não caísse ou acordasse em busca de confusão. Sem alternativa deixo-se ficar nós braços do rapaz sem resistência.
Observando melhor o jovem, era como em bem lembrado a primeira vez que se encontravam. Certamente que o ocorrido na batalha contra Hades era de fato um encontro, mas prometera a si mesma que esqueceria aqueles tempos tristes que viveram. Sendo assim era aquela a primeira vez que se encontravam e ponto final. Ficou quieta por alguns instantes ao sentir que ele se mexera, deveria tomar mais cuidado ou iria acordá-lo. Pode ouvir um leve ronronar de protesto quando tentou escorregar para o lado e sair de cima dele, não queria que ficasse com mais problemas por causa dela, dor nas costas não era uma coisa saudável, mas a situação era realmente incomoda, sempre que se mexia ele a abraçava mais forte. Suspirou pesadamente irritada, deixou-se ficar encostada nós ombros largos do rapaz e ali ficou ao perceber os olhos divertidos e risos contidos do cavaleiro de libra a poucos metros de distancia.
- Ele não vai deixá-la sair dai tão cedo. - Segurava o rosto em uma das mãos, os olhos fechados em um riso tranqüilo e divertido, falava um tanto quanto alto para estar com alguém que dormia tão perto. - Mesmo tendo um sono pesado o treino deixa ele um pouco mais atento a qualquer tipo de reação que o faça se mexer, mas é péssimo com relação a sons.
Bufou ainda mais nervosa ao perceber que realmente não teria como sair dali sem acordá-lo. O jovem oriental a fitava dos pés a cabeça, agora de olhos abertos parecia ponderar a fazer qualquer tipo de pergunta ou comentário. Sabia ou pensava que assim como ele haviam coisas a serem ditas, explicadas e perguntas a serem feitas, mas sinceramente não via aquela como a hora ou momento adequado para outra coisa se não uma frase presa na garganta de uma menina-mulher a poucas milhas dali.
- Você deveria vê-la sabe Dohko. - Ela respondeu quase num sussurro ainda pelo medo de acordar o jovem que agora jazia com a cabeça levemente encostada na parede, parecia dormir um sono que a muito merecia, tranqüilo e distante no mundo dominado por Morpheu e seus irmãos. Ao perceber o olhar distante e intrigado do jovem voltou-se para ele mais séria. - Sinceramente me pergunto como um cavaleiro de Athena ousa abandonar uma menina sozinha em um lugar vazio e triste como aquele. Em bem verdade ainda pondero como Shiryu se tornou meu cavaleiro e não ela. Bate melhor que você quando "jovem" sabia.
Percebeu então que ali diante de si, mesmo que por instantes não se tratava de Saori, nem de um todo da deusa, sinceramente aquelas palavras frias, em que por vezes preferisse um soco no estomago à suas palavras, não era outra se não Sarah. O brilho nós olhos, o tom de voz, o espírito em si. Ficou parado e surpreso por alguns instantes, mas ainda sentia certo frio na espinha por conta daquele olhar sobre si, recriminador, que por vezes era carinhoso como o de um panda, e que agora nada mais era que um tigre da Índia a espreitar a presa nova e cheia de sangue, que respirava o medo de seu alvo a tão poucos metro de si. Malditos sejam os indianos, porque toda vez são eles os de Virgem.
- Eu... - Queria perguntar-lhe mas as palavras morreram na garganta quando o olhar se intensificou e ela conseguiu por fim desvencilhar-se dos braços do amigo sem nem mesmo faze-lo alterar a respiração. - É proibido a um cavaleiro ...; Ela levantou as sobrancelhas e riu sarcástica, poucos eram em sua época aqueles que respeitavam aquela regra, e ele não era um destes. - Espero que tenha um bom dia senhorita; Saiu rapidamente fazendo uma pequena reverencia a jovem, a desaparecer escadaria abaixo.
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"Você é um anjo?"- foram as palavras que ouviu do rapaz antes de este ceder ao peso e a dor que sentia e desmaiando. As palavras não foram absorvidas, na verdade ela tão pouco percebera que se encontrava sem a máscara inexpressiva, ou agarrada as roupas dele a chorar em um desespero silencioso.
Sentiu os quatro rapazes se aproximarem mais rapidamente depois de avistarem o corpo do jovem. Talvez porque seu próprio cosmo estivesse alterado com aquilo tudo e se manifestasse triste em um campo florido. Sinceramente não importava nada disso naquele instante.
- Shi... - O ex-mestre não conseguiu completar o nome, pelo tom de voz também estava machucado e não demoraria muito a desabar de cansaço. Ou talvez fosse o fato de as regras proibirem uma amazona de sair sem a máscara.
- Shina você está bem? - O escorpião tomou a dianteira e continuou a pergunta inacabada pelo jovem. Já havia visto o rosto da amazona uma vez, em bem verdade não chorava ou parecia triste, pelo contrario ela sorria de uma forma angelical e delicada em sono profundo nós braços de Aioria. Prometeram um ao outro não tocar mais no assunto, não que visse algum tipo de problema em um belo sorriso tranqüilo, mas para ela talvez a confusão de ter mais dois na lista de morte X amor fosse de mais.
Ainda não conseguia ouvir com clareza, o que lhe chegou aos ouvidos fora apenas seu nome e o resto não importava. Ainda estava agarrada a ele, ouvia seu coração claramente, sua respiração que aos poucos se acalmava, o ressonar baixo e delicado que era seu sono.
- Shina acho melhor levarmos o Shaka e agora, não sei se ele vai suportar os ferimentos, da última vez que o vimos à queda não foi nada bonita. - Conhecia a voz, o tom delicado da voz daquele que guardava seu signo. Mu estava sentado ao seu lado e em uma tentativa visivelmente frustrada de não ver-lhe o rosto estendia-lhe a peça prateada num pedido mudo e tímido pela face levemente corada.
Os olhos da jovem iam de Mu a Milo, Aldebaran a Saga como se tentasse absorver as coisas ali. Ambos mantinham os rostos sérios e procuravam não olhar para jovem diretamente. Eles não sabem. Pensou ficando um pouco mais séria mas sem voltar a seu velho habito de tentar matar alguém. Um último toque castro na pele alva do jovem a fim de lhe espantar aquelas mexas douradas sobre os olhos azuis, fechados, como sempre. Levantou-se sendo acompanhada por olhares curiosos dos jovens como se o que tivesse feito, fosse algo como um beijo, ou outra coisa mais profunda e completamente contraditória a moça.
- Aldebaran, sei que deve estar ferido, mas se não se importar. - A jovem começou sem nem mesmo se importar em colocar a máscara, o rosto inexpressivo falava por si só, sem demonstrar um pingo de compaixão ou surpresa pelo que estava fazendo ou dizendo. - A vila das amazonas fica atrás das árvores ali adiante, nem você e nem os outros tem condição de levá-lo ao santuário, e sinceramente duvido muito que chegue ainda com vida, ou no mesmo estado delicado de saúde até lá.
As palavras da jovem não tinham aparentemente nenhuma espécie de sentido. Ela, a pior das amazonas, sua esperança sanguinária de destruir os cavaleiros de bronze, estava realmente dizendo aquilo de bom grado, ou estaria prestes a matá-los lenta e dolorosamente por terem visto seu rosto, seu choro, seu lindo rosto de mulher vencida que se reerguia como se aquilo fosse uma coisa que fazia todos os dias. Ela recolocou a máscara e caminhou apressada e precisa até o início a floresta, impaciente esperou que eles a seguissem. O olhar dos outros sobre si, e os dele próprio sem saber como raciocinar a situação, dando-se por fim, vencido ao sentir o cosmo da jovem irritado elevar-se drasticamente. Seguiram assim os cinco para dentro do único lugar onde já mais ousariam procurar por ajuda mesmo em uma situação como aquela.
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Os passos apressados do jovem pelo corredor eram audíveis a metros de distancia, os cabelos azuis esvoaçavam com a brisa fresca que passava por entre as colunas. O terno preto bem alinhado risca de giz, indicava sua irritação. Julian Solo precisa arrumar uma namorada antes que surte dentro da empresa.
Os olhares das senhoritas que passavam sempre direcionados de uma forma devoradora sobre o jovem, ou sobre seu amigo que no momento deveria estar com a jovem sereia a tomar sorvete em algum novo point da garotada. Odiava os point principalmente porque a jovem insistia em lhe tirar do sério e apresentar uma ou outra amiga da faculdade de psicologia. Em sua sincera opinião todo psicólogo precisava de um psicólogo, de um jeito ou de outro. Se não era por clientes de mais e conseqüentemente problemas de mais, eram clientes de mais e problemas de menos. Teriam de achar respostas para seus próprios problemas e conseqüentemente o desequilíbrio mental.
A reunião na noite anterior com a jovem herdeira Kido ainda entalada no pescoço, mimada e irritante, lindamente irritante. A verdade é que ainda sonhava em juntar as duas empresas de uma forma que apenas o nome da sua permanecesse, mas ou casava com ela e tirava ela dos negócios, o que já vira ser impossível, ou comprava a empresa, igualmente impossível.
Chegou à saleta escura onde um homem mais de idade lhe aguardava paciente e pontual. Ambos acenaram com a cabeça e ele lhe indicou novamente a mesma cadeira, novamente o mesmo lado do tabuleiro, novamente o mesmo silencio constrangedor em sua sessão de terapia.
- Cheguei a uma conclusão infame está manhã. - Começou a falar assim que mexeu o cavalo em direção ao bispo do outro lado do tabuleiro.
- Só estou aqui para ouvi-lo senhor Julian, se quiser conversar sobre isso podemos falar a respeito, mas apenas se o senhor quiser. - Ele respondeu a jogada na mesma altura ao lançar sua torre em direção à outra torre.
Ficou calado por algum tempo, sinceramente desde quando fazia terapia, dois, três meses, e nunca dissera nada ao homem, aquilo era tedioso a exceção das partidas pagas de xadrez, contra alguém que nem mesmo era bom o suficiente para perceber um Xeque perfeito.
Fazia terapia por aconselhamento da jovem, o homem a sua frente era calmo, sábio, experiente, e acima de tudo um professor sigiloso e altamente bem conceituado. Livros na estante de seu quarto foram escritos por aquele homem, nunca pensou em realmente conhece-lo de frente, e sinceramente agora não conseguia dizer aquilo que realmente tencionava caso algum dia o encontrasse na rua.
- Não tenho porque estar aqui. - Ele respondeu por fim, devorando o rei com o cavalo em um Xeque-Mate perfeito que deixou o homem, novamente, frustrado. Nunca ganharia de si, em nenhuma partida dentre todas jogadas naqueles dois meses e duas semanas, a completarem exatamente naquela partida, 92 partidas ganhas pelo jovem. - Se eu realmente tivesse algum problema não conseguiria vencer um homem em sua categoria, sete vezes campeão nacional de Xadrez, três livros altamente importantes sobre psicologia e outros tantos em assuntos da área. Todas as vezes que vim aqui você não disse uma única palavra, mas agora me permita dizer o que realmente queria dizer-lhe desde o início dessa coisa ridícula...
- Julian querido está radiante está tarde. - Mal se passaram um quarto de hora desde que começou a falar o que queria com o homem e foi necessário pedir a assistente dele que chamasse a ambulância. Sim, se sentia bem melhor em dizer que aquele homem nem de longe era um escritor descente. - Bom ver que vamos voltar à Grécia com você um pouco mais feliz não é.
A gravata frouxa, os cabelos desgrenhados, um olhar sereno e tranqüilo, sim, ela realmente acreditava que seu "excelente" professor havia dado algum resultado. Não se importava com as mulheres a lhe lançar olhares, sorria radiante para os amigos, e em duas horas estaria voltando ao único lugar que realmente lhe satisfazia mesmo que solitariamente. O santuário marinho.
