Capítulo 2

O pai fechou a porta e disse:

— Garotos, aquí está o café.. Quero que comam enquanto arrumo o carro.

— Você já comeu pai?

Perguntou Dean preocupado.

— Sim. Já tomei café e não podemos demorar. Preciso ir até Hellen. Temos um caso importante!

Os garotos sorriem e voa comer enquanto o pai arruma o resto das coisas para a viagem, como se nada tivesse acontecido.

Algum tempo se passa e fazem o check-out, pegando a estrada. Dean no banco da frente e Sam atrás, ouvindo música e lendo o diário do pai. Haviam muitas coisas interessantes ali, mas o que estava chamando a atenção, eram os olhares de Dean, que pareciam procurá-lo sempre que possível pelo retrovisor. Em palavras mudas, olhou para Dean e perguntou:

— O que foi?

O mais velho entendeu e respondeu com um sorrisinho de lado:

— Nada. Não posso olhar?

Sam baixou o rosto sorrindo. Dean estava mudando e seu irmão mais novo estava percebendo cada diferença.

Não era apenas mais um adolescente.

Talvez fosse as caçadas constantes, ou o fato de ter que sujar suas próprias mãos com a morte. Não importava o motivo, Dean estava ficando diferente.

O celular de John tocou. Quando ele parou no acostamento e desceu para atender, Sam perguntou para Dean:

— Porque me olha tanto?

— Porque você me corresponde.

— Tá jogando comigo?

— Talvez. Por que? Quer jogar?

E nesse momento, John entra no carro sério.

— Mary Winchester que estais no céu! Hellen disse que Jô foi possuída esta noite.

— Ela está bem?

Perguntou seu filho mais novo, aparentemente preocupado.

— Sim. Foi só uma Succubus, mas Bobby fez questão de mandá-la de volta ao "lar"!

— Ele esfaqueou a Jo?

Perguntou Dean segurando o riso.

— Não. Colocaram numa banheira de água benta.

Sam rolou de rir ao imaginar a situação. De primeira estância, John fez cara feia, mas quando se deu conta, já rolava de rir com os filhos.

Pouco depois, deu partida no carro, indo em direção à "casa" de Hellen.

Sam e Dean trocavam olhares pelo retrovisor.

Numa bela hora, John teve que parar para reabastecer e outras coisas. Quando o pai desceu, os garotos permaneceram no carro e Sam cometeu uma ação "sublime". Se aproximou do ouvido de Dean, colando a boca a ele, o fazendo mais sentir que escutar:

— Quanto à sua pergunta Dean, sim, eu quero jogar.

Dean sentiu seu corpo queimar com a atitude do irmão. Se vira para Sam e ficam cara à cara, com apena poucos centímetros de distância.

Os lábios quase se encostando, as respirações ofegantes e um sorriso de lado no rosto do "pequeno Sammy", que foi fechando os olhos e hipnotizando Dean, que também foi se aproximando. Beijaria seu irmão sem problema algum. Porém, o frentista começou à abastecer o carro, tirando-os daquele momento de devaneio, onde, certamente assinariam o contrato com a Dona Morte mais cedo, se John os pegasse.

— Dean...

Disse o mais novo rouco; Dava pra notar sua ofegância de longe.

— Sammy.. — e o tocou a face numa espécie de carinho nada fraternal — Me desculpa... E-eu não sei o que estava fazendo.

Sam sentiu o peito doer.

— Como assim não sabe, Dean?

Dava pra se notar a decepção brilhando no olhar de Sam. "Oh Deus.." Dean estava enrascado. E sinceramente: preferia que fosse com seu pai do que com Sam. Pra consertar isso agora, seria muito difícil...

— Sammy, desculpa! Não é que eu não queria! Mas eu estou com medo do papai pegar a gente! E-eu...

E Sam o cortou.

— Cala Dean! Você fala demais!

E com isso, Dean se calou. John entrou no carro com umas compras e deu partida, seguindo estrada afora.

Continua...