Capítulo 3

O clima estava tenso no carro e John percebeu. Não gostava de ver os filhos daquele jeito, portanto, tratou de tentar arrumar a situação.

— O que está acontecendo?

— Como, pai?

Perguntou Dean, se fazendo de desentendido. John diminuiu a velocidade e olhou para Sam, que devorava um pacote de Snacks. Parecia estar tão nervoso e desajeitado quanto Dean.

— Sam... O que está acontecendo?

— Como assim, pai?

John parou o carro bruscamente e se voltou aos dois filhos.

— Estou percebendo algo estranho, sei que vocês brigaram e não quero saber o motivo. Só não quero saber desse clima tenso aqui. Portanto, tratem de se desculpar um com o outro já!

Ordenou ele. Sam espichou a mão para o outro com uma sobrancelha arqueada. Sinal de puro sarcasmo. John percebeu e deu um tapa leve na nuca do filho. Dean riu e tomou um também.

— Sem sarcasmo, ok?!

Os filhos se olham. Olho no olho. Dean aperta a mão de Sam e joga uma indireta:

— Me desculpa Sammy. Eu não me expressei bem e você entendeu errado o que eu disse... Me perdoa?

Sam já fazendo idéia do que se tratava, respondeu:

— Tudo bem... Eu te entendo... Mas depois temos que conversar direito.

E John se intrometeu:

— Estão falando de que?!

— É que Dean quer que eu seja mulherengo como ele...

— Dean! Seu irmão só tem quinze anos! Deixe-o em paz com isso!

Diz John, dando a conversa encerrada.

Por hora, não havia realmente mais o que falar. O carro seguiu pela Highway velozmente, enquanto a chuva ainda caía e os garotos ainda se manjavam pelo retrovisor.

Dean estava cansado e acabou apagando.

Sam estava na sua frente. Completamente encharcado. Sentiu frio e olhou em volta. Estavam numa floresta. "Novidade" Pensou. Sam veio se aproximando e a cada passo que dava, se despia de uma peça. Quando os lábios se tocaram, Sam estava apenas de cueca. Chovia muito. Dean não resistiu e começou à se despir também. Estava tão duro quanto Sam, e não perderia a oportunidade. Arrancou suas roupas e "caiu matando" enquanto Sam gemia seu nome.

Acordou com um solavanco no colo.

Olhou e estava coberto por uma mochila. A sua mochila.

— Que...

— Tá tudo bem, filho?

Perguntou John.

— Huh... Tá... Tudo bem.

Ainda estavam na estrada . Sam estava corado, provavelmente teria percebido o estado de seu irmão. O carro continuava fazendo 150km/h. Ele sentiu o "tamanho" de seu problema ao se ajeitar no banco. Permaneceu com a mochila sobre si. Olhou para Sam pelo retrovisor e ele sorria. Não um sorriso normal. Um sorriso com algo mais. O sangue de Dean gelou, e ele teve que sibilar:

— Eu disse seu nome?

Percebeu Sam segurar uma risada e devolver:

— Não. Era eu lá?

Dean acenou que sim com a cabeça e viu o rosto de Sam ficar do tom de um tomate. Já estavam de bem novamente.

As horas se passaram com provocações através de espelho, de SMS e etc... Mais cedo ou mais tarde teriam tempo para se resolver. Ou quando parassem para almoçar, ou quando chegassem à casa de Hellen ou a casa de Bobby, se fossem pra lá.

Alguma hora daria para se resolverem. O telefone de John tocou.

— Droga.

Havia um posto de gasolina logo à frente. John estacionou e saiu para atender. Estavam novamente sozinhos. E queriam começar à se resolver logo.

— Sonhou com o que, Dean?

— Você não vai querer saber..

— Já posso imaginar. Eu devo ter te atrapalhado enquanto estava com alguma loira, não é!?

Perguntou Sam sorrindo.

— Não... — Dean se virou para trás e segurou o rosto de Sam entre as mãos — Era você quem eu iria possuir.

Sam variou entre branco-gelo e vermelho-tomate. Arrepiou-se como um gato e Dean pôde perceber.

— Quer ser possuído Sam?

Perguntou Dean se insinuando com uma voz rouca e sensual. Sam permaneceu inerte.

— Quem cala consente?

E sem perceber concordou com a cabeça. Os lábios carnudos de Dean foram se aproximando perigosamente dos de Sam. Quando iam se tocar, Dean percebeu que seu pai se aproximava do carro. Se afastou bruscamente. Sam fez o mesmo.

— Droga!

Praguejou Dean. John entrou no carro com uma cara terrível.

— O que aconteceu?

Perguntou Sam. Dean fez a mesma pergunta e John se viu obrigado à respondê-la:

— Hellen disse que quando Jo estava possuída, disse ter visto um grupo pequeno de Wendigos em uma cidade pequena, um pouco longe da casa de Bobby.

— E é verdade?

Perguntou Dean curioso. Nunca havia enfrentado um Wendigo e mal podia esperar.

— Bobby me confirmou que sim. São mais ou menos cinco.

Cinco Wendigos? Juntos?

Perguntou Sam com aparente desespero. Para sua cabeça, mesmo com o pouco que lera, isso era um tipo de perigo muito acima do sobrenatural.

Seria como enfrentar uma horda do inferno. John deu continuidade ao assunto e a viagem seguiu parcialmente tranqüila. Pararam em um posto para almoçar, e foi lá, naquele banheiro enquanto se arrumavam após escovar os dentes, que uma dúvida atingiu os irmãos Winchester:

— Será que o papai vai nos deixar caçar com ele?

Perguntou Dean esperançoso.

— Creio que não Dean. São cinco Wendigos!

— Então! Vai precisar de nós sim!

— Bom, eu não sei... — Sam abaixou a cabeça — Eu realmente não sei...

John entra no banheiro somente para chamar os filhos. Já havia se arrumado antes deles.

— Vamos garotos... Ainda temos muita estrada pela frente.

Os três pegam a estrada de novo, depois de um almoço perfeito, refrigerante, tortas doces, sorvete e tudo mais.

Os garotos apagam.

Continua...