Capítulo 4

Sem ver o tempo passar, chegam ao destino: O bar de Hellen e Jo.

John ficou com pena de acordar seus filhos. Já eram cinco da tarde. Era o primeiro dia de férias, então, ele estava dando as horas de sono que perderam de manhã como presente agora.

Quando John entrou, Hellen o recebeu com um abraço repleto de lágrimas e "obrigada por vir". Jo estivera muito mal durante a madrugada.

— Oh John... Não sabe o quanto te esperei...

— Hellen... Tá tudo bem.. Eu já estou aquí...

E se abraçaram muito forte. Seguiram conversando sobre o caso, enquanto no carro, Dean despertava lentamente. Se deu conta que estava no carro e olhou para trás, encontrando Sam adormecido. Se virou para acariciar os cabelos do mais novo e percebeu que ele estava acordando. O fez e ele abriu os olhos lentamente.

— Dean... Onde estamos?

— Eu não sei Sam... O papai nos trancou. Sinal que vai demorar.

Constatou Dean ao notar as portas trancadas. Olhou em volta e reconheceu o lugar:

— Estamos na Hellen.

Sam se levantou num segundo e disse:

— Mas já? Que horas são?

Dean olhou e respondeu:

— São cinco e vinte. Se o papai deixou a gente aqui é porque está tudo bem...

— Olha lá! — o mais novo apontou para uma caminhonete bem familiar — O Bobby tá chegando!

— A coisa tá feia então Sammy...

Dean destravou a porta e saiu do carro, seguido pelo irmão mais novo.

Com muita discrição trancaram o carro e foram até os fundos, por onde entraram e puderam "espionar" a conversa, ou ao menos uma parte dela:

— Bobby! Que bom que veio!

Disse Hellen, o abraçando com lágrimas no olhar. O assunto correu enfadonho até uma parte interessante:

— Então deixo a Jo e o Travis com os garotos?

— Isso Hel. Dean e Travis vão cuidar deles, enquanto eu, você e John vamos nos juntar com os outros para resolver isso logo.

— E onde os deixamos?

Perguntou John. Sabia que não era seguro deixá-los ali, no bar de Hellen.

— Os deixamos em minha casa. Você acha que Dean é capaz de levá-los? Assim pouparemos tempo John.

— Sim, eu acho que sim. Então vamos?

— Vamos.

Responderam Bobby e Hellen em uníssono.

Dean tomou a mão de Sam e pôs-se a correr até o carro. Entraram ofegantes e irritados.

— Como é que pode! Vai nos deixar de fora! Escutou Sam!?

— Claro! E quem diabos é Travis?

— Deve ser namorado da Jo.

— Eu. Não. Acredito! Logo dessa vez ele vai nos deixar de fora! Isso é histórico Dean! São cinco Wendigos no mesmo lugar! Atacando em bando!

Disse Sam irritado. Dean golpeou o painel e se virou para o irmão, dizendo enquanto o olhava nos olhos:

— Daria tudo para estar lá...

— Eu sei Dean... Eu também...

E foram percebendo uma aproximação do carro. Não sabiam quem era quem.

Apenas um par de pessoas loiras com cabelos compridos. Havia uma mala na mão de cada e pareciam estar de mochilas também.

— Que diabos é aquilo?

Dean observou direito e respondeu:

— É a Jo com um cara andrógeno e malas, vindo pra cá.

— Merda! Não estavam mentindo!

— Calma Sam... Tente ser bonzinho, receptivo. Pelo menos vamos ficar na casa de Bobby. E tem uma grande floresta lá perto...

— Sabe muito bem que Bobby já "limpou" a floresta, Dean!

— Não disse nesse sentido.

— Como?

E foram interrompidos por batidas no vidro no lado inverso ao que olhavam.

Eram os três adultos. John explicou tudo à Dean. Bobby lhe entregou a chave e Hellen se despediu de Jo e Travis, o garoto que foi apresentado como primo da filha dela.

Depois de todas as instruções recebidas, os caçadores entraram na caminhonete de Bobby e partiram. Dean cumprimentou tanto Jo como Travis, que já estavam sentados no banco de trás. Sam estava no banco do carona, e percebia Jo chorar recostada no ombro do garoto de longos cabelos loiros, que a abraçava. Ele era bonito. Olhos cinzas, frios, inexpressivos. Acariciava os cabelos de Jo, numa falha tentativa de tranqüilizá-la. Seria mesmo impossível. Como tranqüilizar uma pessoa que fora possuída poucas horas atrás? Impossível.

Dean deu partida no carro e pegaram a estrada indo atrás de Bobby. Todos no mesmo rumo ao menos por enquanto. Na próxima federal, os caçadores dobrariam, deixando seus adolescentes sozinhos.

E foi assim. Quando a caminhonete de Bobby dobrou para o Sul, Dean continuou seu caminho, indo em direção à casa de Bobby.

— Falta muito? — perguntou Sam, já impaciente com os olhares que recebia de Travis pelo mesmo retrovisor em que havia observado seu irmão horas antes. — Tô cansado...

— Eu sei Sam... Falta pouco. É antes da cidade, então devemos estar perto.

— Quando puder parar pelo menos um pouco, eu agradeço.

Dean acelerou. Não sabia por que, mas algo na expressão de Sam o estava deixando irritado. Sabia que tinha algo acontecendo, porém não fazia idéia de que o desconforto de Sam estava sendo causado pelos olhares do primo de Jo.

Quando avistou um posto ao longe, não deixou de alfinetar seu irmão:

— Vamos parar agora, Sammy... Está bom pra você?

Recebeu um olhar fuzilante que retribuiu. Ambos permaneceram com o cenho franzido até estacionarem.

Dean sai do carro e vai até a porta de Sam. Ainda garoava.

— Posso falar com você?

Sam assentiu e saiu do carro, indo com Dean até em baixo de uma árvore. O mais velho se recostou no tronco e disse:

— O que tá pegando que me pediu para parar e ficou de mau humor de repente?

— É-eh... — Sam baixou a cabeça constrangido — E que o primo da Jo tá me secando pelo espelho o tempo todo!

— O que? — Dean falou alto, irritado — Como assim?

— Do mesmo jeito que a gente tava fazendo um tempo atrás... — quando notou que Dean ia sair, provavelmente para deixar seus punhos tirarem satisfação com Travis, o prensou contra a árvore com o próprio corpo — Não Dean... por favor, não vai brigar! Eu posso ter me equivocado!

— Não Sam! Você não se equivocou! Ele estava estranho mesmo! Quase sempre olhando na mesma direção!

— Dean! Acalme-se! Por favor! Já basta de problemas por enquanto! Deixa isso pra lá!

— Eu não quero ele colocando os olhos em você!

E o coração de Sam disparou. Estaria Dean com ciúmes? Será que Dean nutria algum sentimento por ele além de amor fraternal e desejo?

Saiu de suas divagações quando os braços de Dean rodearam sua cintura.

— Não quero que ele te toque Sam...

O mais novo dos Winchesters ficou pasmo. Dean estava com ciúmes!

— Ele não vai me tocar, Dean... E se alguém me tocar, certamente não será ele...

E olhou nos olhos do irmão, fazendo-o entender que Sammy, seu Sammy, só queria uma pessoa: Dean Winchester.

Continua...