Cap. 9
O Maravilhoso Baile Confessionário
A situação está ficando insuportável! As princesas estão começando a observar Edward de longe, e não as culpo! Da maneira bruta com a qual ele me tratou ontem, não esperaria nada menos que uma ignorância total no baile planejado por Envy e de autoria do Wrath. Está certo que eu provoquei, mas a idéia central era mesmo irritar e conquistar! Ao menos a idéia do chato do garoto foi boa, porque com o baile posso observar melhor se ele se comporta desta maneira com todas ou só comigo, o que só poderia significar uma coisa: ele sabe que eu sou eu!
- "Estou começando a não falar mais coisa com coisa!..." – remexo a cabeça em círculos.
- Como está indo? – Mei chega de supetão do meu lado. Levo a mão ao coração.
- Meu Deus, Mei, não me assuste assim! Se eu passar mal aqui o plano já era!
- Não, espera! – sorri – Esta seria uma boa idéia! Ai ele poderia te levar no colo até um quarto, então...
- Minha nossa mulher, não fala tanta asneira! "Se ela completasse aquela frase eu ia desmaiar mesmo!"
- Ai, ok... Eu só vim saber quando pretende agir!
- Quando ele sair só. Mesmo não querendo uma noiva, ele precisa cumprimentar até a última mão do salão!
- O que na realidade é lamentável... Mas adivinha o que a Izumi disse.
- Que vocês vão parar de olhar se o meu vestido está bom? – sinto-a parar de mexer na fita da cintura.
- Como você é chata! Igualzinha a ele! – emburro a cara.
- Não precisa acabar comigo! Diz logo o que ela falou...
- Bom... A Sheska saiu contando para todos os criados que você é a preferida do Edward, como o planejado, mas algumas princesas invejosas acham que foi conversa. E para falar a verdade, foi não é?
- Continua Mei, não desvia do caminho! – ela suspira.
- Certo, olha só. De tanto reclamarem, Roy, com seu posto de militar, pediu aos músicos que tocassem melodias mais lentas com o passar da festa para que todas tivessem oportunidade por igual de dançar com ele.
- Mas ele não vai querer dançar, muito menos com alguma delas!
- Ai é que você entra! Precisa fazer com que ele dance com você na frente de todo mundo!
- O quê? – indago, puxando-a e me afastando da multidão – Está louca? Estão loucos?
- Mas este é o plano Winry! – cochicha – Se você conquistá-lo na versão de condessa vai poder reaver o trono para a sua mãe! Ai, depois você pode mostrar até a espinha que tem perto do umbigo para ele!
- E depois eu sou a chata, não é? – ela ri – Quer parar? Eu tenho cara de palhaço? O povo olha para mim e ri!
- Mas você fala coisas engraçadas, que culpa a gente tem? Agora – vira-me -, vai até lá e convida ele.
- Eu tenho que convidar? Não deveria ser ao contrário?
- No momento, quem tem que resgatá-lo é você! Se ele aceitar se casar tudo bem, se não vamos ter que levá-lo!
- Certo...! – ela me empurra e acena com um sorriso – "Vamos lá! Calma, ele é só mais um...!"
- Aceita uma bebida senhor? – um garçom o oferece, esticando a bandeja. Ele pega duas taças e o espanta só com um balanço de mão.
- "Se ele fizer isto comigo, juro que vou parti-lo em dois!" Príncipe Edward! – ele estica o sorriso mais falso.
- Olá, condessa! Como está se sentindo hoje? – oferece uma das taças.
- Ótima! - seguro o copo - Não aceitei beber nada ainda para não correr o risco de desmaiar! – rimos.
- Eu não posso dizer que seria um prazer carregá-la!...
- "Se não for por forças maiores, ele descobriu que sou eu! Esse sorriso está me assustando, mas entre no jogo!"
- O que está achando do baile? – oferece seu braço. Coloco meu braço entre o seu, com o mesmo sorriso.
- Está maravilhoso, o melhor que já vi, mas ainda acho que está faltando algo!
- O que seria? Os empregados esqueceram algum quitute, a bebida não está ao seu gosto?...
- Não. Mas o dono do baile não está dançando! – ele sorri mais uma vez, desta vez com ar vitorioso, entrega as bebidas a um garçom e me leva até o meio do salão, segurando minha mão e se curvando.
- Me daria a honra desta dança? – uma termina e os instrumentistas começam outra. Engulo em seco, todos estão olhando. Mas devolvo o sorriso e também me curvo.
- Será um prazer! – acho que pela surpresa, eu preciso tomar a iniciativa de colocar sua mão na minha cintura.
Todos nos dão mais espaço para nos movermos. Do trono posso ver Roy acenar, já com roupas reais e ao lado de minha mãe usando a peruca da Izumi. A mesma está observando junto dos outros em um canto mais visível entre as colunas, e Hughes e os homens estão rindo. Se não tivesse sido educada para jamais começar uma briga, iria parar tudo, pegaria a flauta do músico e enfiaria goela abaixo da Mei! Ela começou com a história de que eu deveria me disfarçar e conquistá-lo com outra identidade falsa, como se não tivesse tentando fazer isso antes e tudo fosse simples!
Quando a dança termina, eu pego as bebidas de volta e puxo Edward para a sacada, onde ficávamos brincando antigamente. As árvores estão derrubando flores pelo chão todo, assim como antes! Ele olha para cima, observando as folhas se movendo. Continua com a expressão de idiota ingênuo. Esse é o jeito mais simples dele dizer que finge não saber de tudo sobre alguma coisa que ninguém quer que ele descubra, ao menos até o momento certo! Sorrio e levanto mais a taça com as duas mãos.
- Príncipe, você já tem uma escolhida para esposa? – ele suspira.
- Não...! E achei que você tivesse entendido que eu não me casarei com você!
- Eu me lembro de cada palavra grossa da noite passada. – solto o copo encima da pedra e cruzo os braços – Mas poderia pelo menos me dar um bom motivo para que não me torne sua noiva?
- Claro: a senhorita é a criatura mais arrogante que eu conheço! Na verdade, é muito atirada também!
- Então está insinuando que eu não estou a sua altura, quando o senhor também retém os mesmos defeitos?
- Não! Apenas digo que não quero passar minha vida aturando minha cópia!
- E se tivesse? E se fosse obrigado a ter que aturar pelo resto de sua vida sem reclamar?
- Então eu partiria em um navio e nunca mais voltaria! – ri.
- O senhor é o sujeito mais rude, cabeça-dura e sem coração a quem eu tenho o prazer de informar que desisto de ser a pretendente favorita! – dou as costas – Passar bem! – empino o nariz. Escuto-o rir e apresso o passo.
Pela manhã escuto algo parecido com o despertador e lembro de que passei a noite no castelo como cortesia do rei, que na verdade estando nessa maldita armada o tempo todo só pôde fazer nada mais do que o mínimo! Uns minutos em seguida alguém começa a gritar no meu ouvido e me levanta pelos ombros dormentes. Abro os olhos com velocidade, e quando vejo por um breve momento que é a Peace volto a fechar os olhos. Ela me sacode.
- Que coisa Peace, me deixa dormir! Tive um dia terrível ontem!
- Mas é sobre isto que eu quero falar! Acorda, se arruma!
- Por quê? Quem morreu? – ela bate na minha testa.
- Deixa de pensar em tragédia, ninguém morreu! Muito pelo contrário. Começa a se trocar que eu vou contando! – obedeço e procuro com muita lerdeza algo no guarda-roupa – Sheska conversou com o Breda e ele disse que a tia estava falando com o Roy e ele comentou de uma surpresa para ela e você. Ai eu disse "Mais como assim?", e ela falou que o Breda perguntou o mesmo para o Falman, de quem ele soube e que ouviu da Izumi, e ai o Falman disse para o Breda que a tia se confundiu e começou a conversar com os empregados da razão de não terem tirado os enfeites do baile de ontem e só estarem trocando alguns enfeites. É uma festa!
- Sabia que eu nunca me acostumei com este seu jeito de contar tudo? – paro um momento – Você disse festa?
- Sim! Ai a gente se tocou: é o seu aniversário e o da sua mãe amanhã! Roy e Ed estão preparando a surpresa!
