Capítulo 1
Esta hitória nã omer pertence e sim a Nora Roberts!
Propaganda: No meu profile estão as capas de "vizinho perfeito" e de " a redenção de um yokai". Quem quizer dar uma conferida vai lá! Se puderem deixar comentários Naia-chan e Bek-chan agradecem! A capa de enfeitiçado também será publicada lá em breve, aguardem...
Quando Rin Murray divisou a choupana, sentiu uma mistura de alívio e temor. Aliviada por ter terminado a longa viagem que a tinha conduzido desde Fukushima até aquele refúgio da costa do Tottori. Isso também lhe deu medo. Estava ali. Tinha feito.
O que faria agora?
O mais prático a fazer seria sair do carro, abrir a porta e dar uma olhada no lugar que seria seu lar durante os próximos três meses. Desfazer as malas, preparar um chá e tomar um banho.
Sim, isso era o melhor a se fazer, disse a si mesma, sentada no assento dianteiro de seu novo Range Rover,apertando o volante com força.
Estava só. Absolutamente só.
Era o que queria, o que precisava. O que tinha procurado fazia meses. Por isso, quando lhe tinham oferecido a choupana, agarrara-a como um náufrago a uma tábua. Agora que estava ali, não se atrevia nem a sair do carro.
-Não seja tola, Rin – sussurrou ao mesmo tempo em que fechava os olhos. -Não seja covarde.
Permaneceu sentada reunindo coragem por algum tempo. Era uma mulher baixa, esbelta, de cabelo liso e castanho. O levava preso em um rabo de cavalo por uma presilha. De nariz longo e afilado, tinha uma boca ligeiramente larga para o rosto triangular. Seus olhos, cansados, depois de horas conduzindo, eram de um castanho escuro e profundo...
Olhos de elfo costumava dizer seu pai. Pensando nisso, sentiu brotar algumas lágrimas nos olhos.
Tinha-o decepcionado. E também a sua mãe. A culpa lhe pesava no peito como uma pedra de granito. Não tinha sido capaz de explicar com clareza por que não tinha querido seguir o caminho que, com tanto cuidado, seus pais tinham traçado. Mas cada passo que tinha dado por aquele caminho a tinha feito se sentir infeliz, segura de estar se afastando do lugar em que necessitava estar.
Afastando-a do que precisava ser.
Assim, tinha acabado fugindo. Ainda que não exatamente. Era demasiado organizada para jogar tudo para o alto e correr como uma ladra no meio da noite. Tinha traçado um plano e tinha seguido os passos concretos...que a tinham afastado da casa, da carreira e de sua família. De um amor que a estava asfixiando como se tivesse mãos para lhe tampar o nariz e a boca. Ali, nessa choupana, seria capaz de respirar, de pensar e decidir. E talvez, apenas talvez, conseguiria compreender o que lhe impedia ser o que todos esperavam dela.
Se no final descobrisse que estava equivocada e todos os demais tinham razão, estava disposta a assumi-lo. Mas antes, queria três meses para ela. Abriu os olhos, olhou e relaxou. Era uma paisagem bela. As árvores se elevavam majestosas para o céu, o sol brilhava entre a folhagem e mesmo choupana resplandecia sob o sol. O alpendre parecia ideal para se sentar durante as manhãs preguiçosas ou os plácidos entardeceres.
Além disso, já estava notando os primeiros sinais da primavera.
Ainda que fizesse frio. Kagome tinha recomendado que comprasse uma manta e a tinha avisado de que a primavera demoraria ainda para chegar nesse pequeno pedaço do mundo.
Acenderia a lareira, disse Rin. Um dos lugares favoritos da casa de seus pais era a lareira do salão, sempre crepitante e acolhedora quando o frio caía rigoroso sobre a cidade.
Sim, acenderia o fogo quando se instalasse, prometeu-se Rin. Para dar às boas vindas à sua nova casa. Mais calma, abriu a porta e desceu do automóvel. Quebrou um graveto com as botas e o som a assustou um pouco. Depois se pôs a rir. Moveu as chaves para fazer ruído enquanto se dirigia à choupana. Subiu os dois degraus do alpendre, introduziu a chave na fechadura, respirou profundo, abriu... e se apaixonou.
- Que maravilha! - exclamou sorridente - Kagome, amo você.
As paredes estavam decoradas com alguns dos quadros pelos quais sua amiga era famosa, a lareira estava limpa e tinha uma pilha de lenhas esperando para arder, o chão estava coberto por tapetes coloridos, os móveis compartilhavam sua beleza e singeleza e havia várias almofadas cor esmeralda, turquesa e rubi. Para completar o conto de fadas, havia estátuas de dragões, magos, cumbucas cheias de pequenas pedras, cristais e flores secas. Rin subiu as escadas, cheia de entusiasmo, e continuou sorrindo ao descobrir os dois espaçosos cômodos no andar superior.
Um deles, muito iluminado, era a sala que sua amiga usava quando ia ao refúgio, como provavam o cavalete, os lenços, pincéis e paletas de pintura que estavam à vista. Tinha candelabros de prata, cristais em vários formatos de estrelas e uma bola também de cristal. O dormitório a encantou. Tinha uma cama enorme, uma lareira pequena para aquecer, uma penteadeira e um armário de madeira. Respirava-se paz. Sim, ali sim podia respirar, pensou Rin contente. Por alguma estranha razão, teve a sensação de que poderia criar raízes naquele bosque. Desejosa por se instalar, desceu as escadas, saiu da choupana e foi para o carro. Tinha agarrado a primeira mala do porta-malas quando a pele da nuca se arrepiou.
De repente, o coração lhe golpeou o peito com força e as palmas se umedeceram de suor. Girou o corpo a toda velocidade e ficou boquiaberta.
O cão era branco, com olhos brilhantes como moedas de ouro. E estava entre as árvores, quieto como uma estátua, observando-a. Rin não podia fazer nada, a não ser olhar ao animal. Por que não gritava? - perguntou-se - Por que não se punha a correr?
Sobretudo, por que estava mais surpresa que assustada? Tinha sonhado com ele? Estava recordando um sonho no qual um cão se aproximava dela no meio do nevoeiro? Mas isso era ridículo. Ela nunca tinha visto um ser daquele em lugar nenhum, pois este tinha um meia lua na testa. E, mesmo assim, tinha certeza que não tinha visto nenhum que a olhasse dessa maneira.
- Oi - o saudou com naturalidade.
Depois riu, pestanejou e, ao abrir os olhos, o animal tinha desaparecido.
Por um momento, teve a sensação de estar saindo de um transe. Quando por fim sua cabeça voltou para o lugar, olhou para as árvores a procura de algum movimento, de alguma sombra ou algum rastro.
Mas, não tinha nada mais que o silêncio.
- Já estou imaginando coisas – reprovou-se enquanto carregava a caixa. Se ali tinha algo, não era mais do que um cachorro. Os cães não eram tão grandes , não eram? Não se aproximavam das pessoas daquele jeito, para ficarem quietos olhando e depois desaparecendo. Mas estava segura que tinha sido um cão. No entanto, Kagome não tinha falado nada sobre um animal como aquele.
Como não tinha dito que possuía algum vizinho por perto. Era estranho, por outro lado, que não tivesse perguntado à ela se não os tinha.
Em fim, era evidente que tinha um vizinho nos arredores e que possuía um cachorro grande e branco, na verdade parecia mais prateado. Supôs que poderiam se manter afastados um do outro.
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O cão demônio olhava pelas sombras das árvores. Quem era essa mulher? Por quê era uma mulher? Movia-se com pressa, um pouco nervosa, lançando algum olhar para trás enquanto levava seus pertences do carro à choupana.
Tinha sentido seu odor a mais de quinhentos metros de distância. Tinha sentindo seus temores, sua ansiedade e seus desejos. E tinha seguido seu cheiro. Apertou os dentes irritado e desafiante. Negava-se a ir até ela. Não podia deixar que essa mulher o mudasse ou mudasse o que queria. Deu meia volta em silêncio e desapareceu entre as árvores.
Rin acendeu um fogo e foi organizando a bagagem enquanto as chamas flamejavam na lareira. Não tinha muitas coisas na realidade. Uma parte do que trouxera era roupas. A maioria das caixas estavam lotadas de livros. Livros dos quais não podia se separar, livros que tinha prometido ler. Livros de estudo e livros de lazer. Tinha desenvolvido um grande gosto pela leitura, por explorar novos mundos por meio das palavras escritas. E era esse amor tão grande o que a fazia questionar com freqüência seu trabalho de professora.
Seus pais sempre a tinham animado a ser professora. Ela sempre tinha tido facilidade para aprender. Tinha tirado boas notas na escola, tinha se graduado na universidade e depois tinha realizado um mestrado em Didática e Pedagogia. Aos vinte e um anos, já estava há seis ensinando. E o fazia bem, pensou enquanto bebia um pouco de chá em uma xícara. Localizava os pontos fortes e fracos de seus alunos, sabia captar seu interesse e fazê-los participar, desafiá-los.
Mas mal avançava com o doutorado. Acordava cada manhã vagamente insatisfeita e regressava a casa descontente todas às tardes. Porque não amava o ensino. Quando tinha tentado explicar as pessoas que a amavam, essas tinham ficado perplexas. Seus alunos a apreciavam e respeitavam, os colegas do colégio também a valorizavam. Por que não se doutorava, casava-se com Kohaku e levava uma vida ordenada como devia?
Era isso mesmo se perguntava Rin. E a única resposta que tinha estava em seu coração.
Decidiu sair a dar um passeio para relaxar e fazer uma idéia de onde estava. Queria ver os rochedos que Kagome tanto tinha falado. Prendeu a porta com tranca, respirou fundo e aspirou à fragrância dos pinheiros e do mar. Recordou o desenho que sua amiga tinha feito da choupana, do bosque, das encostas de onde se podia ver o mar. Pôs de lado suas dúvidas e seus nervos e começou a andar.
Nunca tinha vivido fora da cidade. Crescer em Fukushima não a tinha preparado para a amplidão do bosque de Tottori, para seus cheiros e seus sons. Ainda assim, pouco a pouco conseguiu relaxar. Os pinheiros se erguiam acima dela, a erva crescia tépida e o solo se povoava de coníferas.
Por todas as partes podia observar samambaias, algumas pequenas e delgadas como espadas, outras transparentes... como fadas que dançam pela noite, pensou Rin. A água de um ribeiro corria mansamente até cair por uma pequena cascata, fria e limpa. Seguiu o curso da água e relaxou com seu som. Havia uma curva mais acima e, quando a cruzasse, encontraria o toco de uma velha árvore que parecia a cara de um ancião.
Era um bom lugar para sentar e ver o bosque placidamente. Então, ao ver a crosta da árvore que, efetivamente, parecia a cara de um ancião, deteve-se. Como tinha sabido da existência desse tronco? Não fazia parte do desenho que Kagome tinha feito; assim...como o tinha adivinhado?
- Porque ela deve ter mencionado. Deve ter me dito em algum momento - concluiu Rin - É o tipo de coisa que Kagome gostaria de contar e eu devo ter esquecido. Mas Rin não se sentou. Tinha a sensação de que o bosque estava vivo, cheio de alegria, quase encantado. Estava no bosque encantado com o qual todas as meninas sonhavam, onde as fadas dançavam e o príncipe espera para resgatar à dama. Para libertá-lo do feitiço de um bruxo malvado. Não tinha que temer nada. Estava sozinha no bosque e ninguém a repreenderia se ela ficasse fantasiando sobre contos de fadas. Seus sonhos lhe pertenciam. Sim, se tivesse que contar um conto a uma menina, seria sobre um bosque encantado. Caminhava entre as árvores a procura de seu verdadeiro amor. Estava enfeitiçado, pensou Rin, convertido num cão branco. Até que a donzela aparecia e o salvava graças a sua coragem, sua astúcia e seu amor. Rin suspirou e lamentou não ter mais talento para inventar os detalhes de um bom livro. Dedicava-se a ler e admirava a quem tivesse talento escrevendo.
Ouviu o sussurro do mar e virou para a esquerda em uma bifurcação. O que a princípio tinha sido um sussurro foi convertendo-se num rugido. Rin apertou o passo e estava quase correndo quando saiu do bosque e chegou aos rochedos.
Enquanto ela escalava às rochas, o vento soprava. Soltou uma sonora gargalhada, entusiasmada ao atingir a rocha mais alta. Sem dúvida, era uma vista fabulosa. Quilômetros de oceano azul que acabavam se arrebentando contra as rochas, o sol da tarde reluzia e se espalhava sobre aquele tapete ondulante.
Tinha alguns de veleiros ao longe, cavalgando as ondas, e uma pequena ilha brotava da água. A seus pés se acumulavam os mexilhões, negros e brilhantes. Rin apoiou a queixo sobre as mãos e observou o mar até que os veleiros desapareceram e no mar restou apenas o vazio.
- A primeira vez em muito tempo que não faço nada durante toda à tarde - murmurou olhando ao céu - Que delícia.
Suspirou contente, se levantou, esticou os braços, deu meia volta...e esteve a ponto de cair das rochas. O teria feito se ele não tivesse se movido tão rapidamente; tanto, que Rin não tinha percebido o movimento. Mas suas mãos a estavam segurando com firmeza para que recuperasse o equilíbrio.
- Fique quieta - disse ele.
Podia ser o príncipe sonhado por qualquer mulher. Ou o anjo escuro de suas fantasias mais secretas. Seu cabelo era prata como uma noite com lua e caía solto ao redor do rosto, iluminado pelo o sol. Um rosto de nuances contundentes, com uma boca firme que não sorria, transbordante de beleza masculina. Era alto, mas foi seus olhos que a hipnotizaram. Porque tinha os mesmos olhos do cão que acreditava ter visto, de uma cor âmbar, intenso, sob sobrancelhas pratas como o cabelo. Olhava-a fixamente, sem soltá-la ainda, e Rin percebeu impaciência e curiosidade naquele rosto tão atraente.
-Eu... me assustei. Não ouvi você - balbuciou Rin.
O homem compreendia a surpresa da intrusa. Podia ter feito se notar de modo gradual. Mas ao vê-la sorrindo sobre a rocha, olhando com o olhar perdido o mar, o tinha deixado aturdido.
-Não me ouviu porque estava sonhando acordada - respondeu ele por fim- Conversava com você mesma - adicionou.
-Sim... tenho esse mau costume... de falar sozinha.
- Por que está tão nervosa?
-Não estou... não o estava – sussurrou Rin. Deus! Ia começar a tremer sem parar se aquele desconhecido não a soltasse logo. Fazia muito tempo que não ficava tão próxima de um homem que não fosse Kohaku. E ainda mais, que seu corpo não reagia desse modo tão violento e perturbador. Tinha até estado a ponto de cair na água!
- Não estava - o homem deslizou as mãos até captar-lhe a pulsação em seu pulso - Mas agora está.
- Já disse a você que me assustou - respondeu ela - É uma boa queda - argumentou.
- Verdade - o homem a retirou da encosta alguns passos - Melhor?
- Sim... Bem, me chamo Rin Murray, vou ocupar a choupana de Kagome Higurashi por uma temporada – ela se apresentou. Teria oferecido a mão para estreitar a dele, mas era impossível, dado que ele continuava algemando-a pelos pulsos.
- Taisho, Sesshoumaru Taisho - se apresentou.
- Mas não é da aqui.
- Ah, não?
-Quero dizer, seu acento. É da parte oeste do Japão. - Quando Sesshoumaru sorriu e os olhos se iluminaram, Rin conteve a vontade de suspirar como uma adolescente frente a seu ídolo de rock.
- Sou das terras do oeste, mas vivo aqui faz quase um ano. Minha choupana está a menos de meio quilômetro da de Kagome.
- Então a conhece?
- Mais ou menos - contestou Sessshoumaru. Tinha deixado de sorrir e olhava-a nos olhos- Ela não me avisou que teria companhia.
- Deve ter esquecido. Também não comentou comigo que tinha um vizinho por perto - respondeu Rin. Por fim a tinha soltado, mas ainda sentia o calor de seus dedos - Que faz por aqui?
-O que quero em cada momento. Suponho que você veio com a mesma intenção. Vai lhe cair bem, para variar.
- Como disse?
- Você não faz o que tem vontade com freqüência, não é mesmo, Rin Murray?
Rin sentiu um arrepio e enfiou as mãos nos bolsos. O sol estava desaparecendo no horizonte e a sensação de frio era justificada.
-Acredito que será melhor que eu tenha cuidado com o que eu digo a um vizinho discreto e desconhecido.
- Estamos a meio quilômetro um do outro, fique tranqüila. Eu gosto de ficar sozinho – respondeu ele - Não vou incomodá-la.
-Não pretendia ser rude – Rin esboçou um sorriso e lamentou ter sido tão descortês - Sempre vivi na cidade e...
- Mas não gosta - murmurou Sesshoumaru.
- O que?
- Da cidade. Não gosta de lá, ou não estaria aqui, não é verdade? - explicou Sesshoumaru.
Mas o que lhe importava se ela gostava ou não da cidade? Perguntou-se desconcertado. Essa mulher não seria nada em sua vida a não ser que assim o decidisse.
- Eu... só queria dar um tempo.
- Isso é o que mais têm neste bosque. Sabe voltar?
- O que? À choupana? Sim, pego o caminho da direita e depois sigo reto.
-Não se entretenha muito – Sesshoumaru deu meia volta e começou a descer das rochas- A noite cai muito rápido nesse período do ano e é fácil se perder na escuridão - adicionou, girando a cabeça para encará-la.
-Não, não demorarei em voltar... Sesshoumaru?
Ele se deteve e lhe lançou o olhar tão transparente que para Rin não foi difícil perceber a sombra de impaciência que neles continham.
-Sim?
-Me perguntava... onde está seu cachorro?
Esboçou um sorriso fugaz e radiante que o fez sorrir para ela também.
-Não tenho cachorro - contestou Sesshoumaru.
-Mas eu acredito que... há mais choupanas por aqui?
-Há algumas à uns quatro quilômetros daqui. Aqui só estamos nós... e o que vive no bosque -disse ele - Não tenha medo, não há nada que temer. Desfrute de seu passeio e do resto do dia - adicionou para tranqüilizá-la, ao perceber certa inquietude na expressão de Rin.
Antes que lhe ocorresse outra pergunta com que iria retê-lo, Sesshoumaru tinha saltado por uma rocha e tinha se perdido entre as árvores. Foi então que se lembrou da advertência. Estava escurecendo, fazia frio e o vento soprava. Deixou de lado seu orgulho, desceu as rochas e o chamou.
- Sesshoumaru? Importa-se de esperar? Irei com você um momento.
Mas só obteve a resposta do eco. Rin avançou às pressas, com a garganta seca, convicta de que o tinha visto entre algumas árvores. Mas não conseguiu encontrá-lo. - Além de discreto, rápido - murmurou enquanto respirava fundo - Está bem, aqui não há nada que não estivesse quando estava iluminado. Volte por onde veio e deixe de se comportar como uma idiota - disse a si mesma.
Mas à medida que se aprofundava no bosque, mais sombrio este se tornava e maior era o nevoeiro que envolvia o caminho. Teria jurado que ouvia música, como se fossem sinos... ou talvez uma risada.
Harmonizava com o som do riacho e o farfalhar das folhas agitadas pelo vento.
Um rádio, pensou Rin. Ou uma televisão. Os sons se transmitiam de modo estranho em alguns lugares. Sesshoumaru teria posto um pouco de música e, por qualquer razão, ela podia escutá-la. O curioso era que parecia proceder de sua própria choupana. O vento fazia esses truques.
Suspirou aliviada quando por fim, divisou o refúgio... mas ficou estática ao ver um par de olhos cintilantes entre as sombras. Um segundo depois, algumas folhas se moveram à frente e o animal desapareceu. Rin apertou o passo e não o reduziu até atingir a choupana. E não voltou a respirar com normalidade até estar em seu interior e ter fechado a porta com tranca.
Acendeu todas as luzes do térreo e, já mais calma, serviu um copo de vinho de uma das garrafas que tinha levado consigo. Ergueu o copo e, antes de engolir o líquido, brindou:
-Pelos começos estranhos, aos vizinhos misteriosos e aos cachorros invisíveis.
Depois, para sentir-se mais cômoda, esquentou uma sopa de envelope e a tomou de pé, sonhando, olhando pela janela da cozinha, como costumava fazer em seu apartamento da cidade.
Mas os sonhos de agora eram melhores, mais claros. Sonhos com árvores gigantes, água e ondas de cristas brancas, crepúsculos. Sonhos sobre um homem bonito de olhos dourados que a salvava de cair no mar e a olhava sorridente. Suspirou. Preferia ter reagido de outro modo, ter encontrado um modo de flertar com ele, de lhe falar com naturalidade, para que a tivesse olhado com interesse, em vez de com impaciência.
O que era uma estupidez, pois era certo que Sesshoumaru Taisho não estaria perdendo o tempo pensando nela. Sem dúvida, era inútil abandonar-se nesse tipo de fantasia. Pegou o prato que tinha usado e subiu as escadas. Uma vez lá em cima, deu-se o capricho de encher a banheira com água quente e borbulhas perfumadas, e se deixou afundar em seu interior com um livro e um segundo copo de vinho.
Em seguida deu-se conta que aquele era um luxo que não costumava a se permitir.
-Mas isso vai mudar - disse enquanto recostava as costas e gemia de prazer- Como tantas outras coisas.
Quando a água ficou morna, levantou-se para se secar e estrear um dos dois pijamas de lã que tinha comprado. Depois acendeu a lareira do dormitório, tombou sobre a cama e se acomodou, disposta a prosseguir com a leitura de seu livro. Dez minutos depois estava dormindo, com os óculos de perto escorregando sobre o nariz, as luzes acessas e o vinho esquentando no copo.
Sonhou com um cão branco e ágil que entrava na ponta das patas no dormitório e a observava com curiosidade enquanto dormia. Tinha os olhos dourados e parecia falar-lhe telepaticamente:
-Não estava procurando por você - lhe dizia o animal- Não quero o que vai me oferecer - Volte para seu mundo, Rin Murray. O meu não é para você.
- Só quero tempo – contestava ela em pensamento - Preciso de um pouco de tempo.
O cão se aproximava da cama, de modo que Rin quase podia tocar sua cabeça com a mão.
- Se procurar o que busca aqui, poderemos ficar presos um ao outro. Para sempre. Está disposta a correr o risco?
- Já é hora de me arriscar - respondia Rin enquanto acariciava o pêlo do animal. Então, o cão se convertia num homem e se aproximava dela.
- O que aconteceria se eu lhe beijasse agora, Rin? - perguntava.
Rin gemia e esticava os braços para lhe dar boas vindas.
- Durma - adicionou Sesshoumaru ao mesmo tempo que lhe tirava os óculos e os colocava sobre a mesinha de noite. Depois apagou a luz, meteu as mãos nos bolsos para não cair em tentação de tocá-la e suspirou.
-Maldita seja - se lamentou - Não quero o que me oferece. Não a quero.
E desapareceu.
Depois, muito depois, Rin sonhou com um cão branco como a lua cheia sobre os rochedos.
Erguia a cabeça ao céu e uivava à lua que nadava no mar.
Bom pessoal, esse é o primeiro capítulo.
Espero que vocês gostem e estou impressionada com a quantidade de pessoas que leram e as que se sentiram a fim de escrever uma review!
Por isso aqui vai meus cumprimentos:
Naia-chan: kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk que bom que vc gostou meu amor! É claro que ela deve ser dedicada a vc. Primeiro por que vc foi a que me fez ta aki hj postando fic (vc sabe o quanto eu sou fanática por fic) e outra: essa fic é muito seu estilo, deu pra perceber? PS: QUERO A CAPA DELA TAMBÉM!!! Bjs te amo feia!! Amei o almoço de hj!
Rin Taisho sama: E ai, matei um pouco da sua curiozidade???? kkkkkkkkkkkkk espero que vc tenha gostado tanto quanto eu to gostando!!!! Sesshy ta bem era feldal misturado com alterative world, não acha? Espero que vc acompanhe e ssa história! bjao
K-tute: AAAAhhhh que bom que eu agradei vc!!!! Espero que vc continue acompanhando (pelo menos lendo) hehehe que ja me deixa muito feliz! Não sei se a história daria um bom RPG mais muita água vai rolar, isso eu garanto! bjs
Kuchiki Rin: AAAAAAAAHHHHHHHH vc é quase de casa!!! eu simplismtne AMO seus comentários! Saiba que eles são uma verdadeira injeção de ânimo e incentivo para eu continuar!!! Ai se pelo menos o Sesshy fosse real...! E ai, gosotu do cap? Sesshy ainda mais fodão!kkkkkkkkkkkkkkkk bjao!
Individual do mal: E ai, gostou do primeiro cap, espero que vc continue achando interessante pra ler o resto da história! bjs
