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Capítulo dois

Durante os dias seguintes, Rin se dedicou a procurar pelo cão. Costumava encontrá-lo pela manhã, ou logo antes do crepúsculo, parado entre as árvores. Observando a choupana, pensou ela. Observando-a. E se deu conta de que sentia certa decepção quando não o via. Tanta que começou a deixar comida lá fora, com a esperança de seduzi-lo e convertê-lo num visitante que freqüentasse o que Rin já começava a considerar seu pequeno e novo mundo. Pensava nele com freqüência. Acordava quase todas as manhãs com retalhos de sonhos na memória. Sonhos nos quais o cão se sentava junto à sua cama enquanto ela dormia, que às vezes esticava a mão para acariciar seu pêlo ou sentir seu potente lombo.

De vez em quando, o cão e seu vizinho se misturavam. Nesses dias, acordava trêmula, com uma sensação de frustração sexual que a aborrecia e envergonhava. Quando recuperava a lucidez, recordava-se que Sesshoumaru Taisho era o único ser humano que tinha visto na última semana. Ademais, tratava-se de um homem espetacular, modelo perfeito para alimentar sonhos eróticos. Passava a maior parte do tempo lendo ou desenhando, ou dando longos passeios. E tentando não pensar que já era hora de realizar o telefonema semanal que tinha prometido aos seus pais. Ainda que desfrutasse da paz, da solidão, a falta de obrigações com as quais ocupar o tempo, também tinha momentos em que se sentia dolorosamente solitária. Mas nem sequer quando a alucinava a necessidade de escutar outra voz, ou de estabelecer um mínimo contato humano, reuniu coragem nem encontrou uma desculpa razoável para procurar Sesshoumaru.

Poderia oferecer-lhe uma xícara de café, pensou enquanto o sol se perdia atrás das árvores. Ou convidá-lo para jantar e bater um papo durante um tempo, pensou enquanto brincava com uma colher.

- Será que ele nunca se sente sozinho? - se perguntou - O que ele faz durante todo o dia e toda à noite?

O vento soprou e um trovão soou ao longe. Aproximava-se uma tormenta, pensou Rin enquanto se dirigia à entrada para abrir a porta e saldar o ar fresco. Ergueu a vista, olhou as nuvens negras que se amontoavam no céu e viu o reflexo de um relâmpago longínquo. Pensou que seria muito agradável dormir com o ruído da chuva caindo sobre o telhado. Ou, melhor ainda, aconchegar-se na cama com um livro e ler até bem tarde da noite enquanto o vento uivava e a chuva açoitava.

Sorriu e, de repente, encontrou-se de frente ao cão. Rin deu um passo para trás e levou uma mão à garganta, onde tinha ido parar seu coração. O cão estava muito perto, nunca tinha se aproximado tanto.

-Oi - o saudou depois de tranqüilizar-se, ainda que sem desgrudar da porta, pois se precisasse iria fechá-la.

-Você é muito bonito. Procuro todos os dias por você, mas nunca come o que eu te deixo. Sinto muito, não sou muito boa cozinhando... Mas me alegro de que tenha aparecido. Não lhe farei mal, de verdade...Sabia? Tenho lido sobre cãos, mais munca acho nada parecido com você. Não é estranho que eu tenha trazido um livro sobre você? Nem sequer lembrava de tê-lo colocado na mala, mas eu trouxe tantos livros... Por que está comigo, em vez de correr junto a uma fêmea? - acrescentou enquanto estendia a mão e lhe acariciava a pêlo.

Rin percebeu a expressão sombria do cão e, de repente, sobressaltou-se quando um relâmpago cortou o céu, seguido por um potente trovão. O cão tinha desaparecido. Tinha ficado sozinha. Rin sentou na beirada do alpendre, dobrou os joelhos junto ao peito e contemplou a chuva caindo.

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Estava perdendo tempo demais pensando nela. E isso o irritava. Sesshoumaru se orgulhava de seu autocontrole. Quando uma pessoa possuía um poder, devia saber controlar-se, porque um poder indômito podia corromper e destruir.

Desde do dia de seu nascimento tinham-lhe ensinado as vantagens e as responsabilidades que tinha na vida. A solidão era o modo de escapar desta última, ao menos momentaneamente.

Porque sabia que ninguém podia escapar a seu destino. E o filho de um rei, por mais do que o desagradasse, tinha a obrigação de aceitar o seu legado. Sozinho, em sua choupana, pensava nela, no susto levado ao vê-lo, no temor que tinha assomado seu rosto inclusive enquanto o tinha acariciado.

Ainda que se forçasse para se afastar da mulher, ela tinha uma doçura que o prendia. Rin estava tentando ganhar sua confiança, deixando comida junto a sua porta, falando com aquela voz suave e nervosa ao mesmo tempo. Perguntava-se quantas mulheres sozinhas no meio de um bosque teriam a coragem ou o desejo de falar com um cão daquele tamanho e tentar ganhar sua amizade. E ela acreditava que era uma covarde... Sesshoumaru tinha vistoriado os pensamentos de Rin, um segundo, o suficiente para lê-los. Não tinha nem idéia do que levava mais profundamente, não tinha explorado em demasia, não tinham se permitido. Era uma mulher com um sentido familiar muito arraigado, leal e com uma tendência lamentável a subestimar-se. Sacudiu a cabeça enquanto tomava um gole de café e observava a tormenta. Que, demônios, deveria fazer com ela?

Se a tinham enviado, e ele a aceitasse, não faria senão submeter-se à vontade de um destino que Sesshoumaru não tinha escolhido. Por outra parte, tinha necessidades intensas. Apesar de tudo, era uma bela mulher, vulnerável e um pouco perdida. Não era de se estranhar que se sentisse atraído por ela, mais ainda depois do longo período de solidão que se tinha imposto. Mas os sentimentos que estava experimentando eram mais profundos, potentes e mais exigentes que nunca. E quando os sentimentos eram intensos demais, poderia perder o controle. Sem controle não podia tomar decisões e ele tinha lhe dado esse ano como prazo máximo para tomá-las.

O amor se aproxima.

Apertou os dentes e colocou a xícara de café sobre a mesa.

- Maldita seja, agora estou arrumado! - murmurou ao ouvir aquele sussurro.

- Sempre tão renitente – ouviu a voz de sua mãe dizer - Vai deixá-la partir?

- É melhor para os dois. Ela não é como nós.

- Quando estiver preparado, olhe no coração dela e no seu. Confie no que enxergar ali - recomendou a mãe – Mandarei saudações a seu pai, de sua parte.

- Sim. Diga que eu o amo.

- Ele sabe. Volte logo para casa, Sesshoumaru do clan Taisho. Sentimos sua falta.

Em seguida, um raio iluminou o céu e caiu como uma lança contra a terra. Depois soou um trovão e Sesshoumaru compreendeu que era a voz de seu pai, reforçando as palavras da esposa.

- Está bem, darei uma olhada, e verei como essa mulher sobrevive à tormenta - disse por fim. Virou-se para a lareira, apontou para uma chama e disse:

- Raios de fogo e estrondosos trovões, o que sente Rin eu sentirei também.

Meteu as mãos nos bolsos enquanto o fogo se estabilizava. Uma luz iluminou a lareira e, por fim, pôde ver a Rin entre as chamas. Agarrada a uma vela que iluminava sua pele pálida no meio da escuridão.

Estava mergulhando nas gavetas da cozinha, falando consigo mesma, como tinha costume. Teve um sobressalto quando o raio seguinte rompeu o céu noturno.

Não tinha lhe ocorrido que ela pudesse estar assustada, recriminou-se Sesshoumaru, passando a mão pelo cabelo. Será que Kagome não tinha lhe explicado onde estavam as lanternas nem as luzes de emergência? Parece que não.

Não podia deixá-la assim, tremendo e tropeçando em tudo, podia?

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- É só uma tempestade, vai passar logo - repetia Rin enquanto acendia mais velas. A escuridão não lhe dava medo, mas o raio tinha caído tão próximo do refúgio... Se não tivesse ficado sentada lá fora, sonhando acordada enquanto a tormenta se aproximava, teria tido tempo de acender a lareira, e teria luz e calor e estaria desfrutando de um ambiente acolhedor. Mas tinha ficado sem eletricidade, os telefones não funcionavam e a tormenta parecia estar descarregando justo sobre sua choupana. Tinha dúzias de velas, isso sim. Velas brancas e velas azuis, velas vermelhas, verdes. Era como se Kagome tivesse pensado em montar uma loja. Reservou as mais bonitas. Depois de tudo, já tinha acendido umas cinqüenta, as quais proporcionavam luz suficiente e uma maravilhosa mistura de aromas que lhe apaziguava os nervos.

- Tudo bem - disse a si mesma enquanto prendia uma última vela e esfregava as mãos - Com isto vejo suficiente para acender a lareira. Depois me sentarei no sofá e esperarei a que a tormenta passe.

Mas antes de se agachar junto à lareira, o vento soprou com força. A porta da choupana se abriu inesperadamente e a metade das velas se apagou. Rin levantou de imediato, deu meia volta... e gritou.

Sesshoumaru estava a uns poucos passos, com o cabelo enredado e o reflexo das velas dançando nos olhos.

- Parece que voltei a assustar você - disse ele com suavidade- Perdoe-me.

- Eu... Deus! - Rin suspirou e deixou o corpo cair em uma cadeira - A porta...

-Estava aberta -Sesshoumaru se virou, e fechou-a, deixando lá fora o vento e a chuva. Rin estava segura de que a tinha fechado antes de se trancar no refúgio. Mas era óbvio que estava enganada, pensou enquanto se esforçava para que o coração batesse num ritmo mais normal.

- Imaginei que poderia estar em apuros... Pela tempestade.

- Acabou a luz - disse Rin simplesmente.

- É o que notei. Está com frio? –Sesshoumaru se aproximou da lareira e pegou um par de lenhas e alguns fósforos. Podia tê-la acendido por outros meios menos convencionais, mas imaginou que Rin já tinha tido bastante surpresas por uma noite.

- Sim... Queria iluminar isto um pouco antes de fazer acender a lareira. Kagome tem muitas velas.

- Natural - comentou ele enquanto as chamas consumiam as lenhas - Em seguida chegou o calor. Há um gerador na parte traseira. Se quiser posso colocá-lo em funcionamento, ainda que não acredito que a tormenta dure muito.

Ficou quieta, com a luz da lareira dançando em seu rosto, olhando-o. Rin se esqueceu da chuva e da escuridão. Perguntou-se se o cabelo de Sesshoumaru seria tão suave como parecia... e por que estava imaginando que Sesshoumaru se aproximava dela e aproximava sua boca até deixá-la a um suspiro de seus lábios.

- Está sonhando acorda outra vez, Rin.

- O que? -perguntou. Piscou ruborizada e sacudiu a cabeça – Perdoe-me, é a tempestade... Quer um pouco de vinho? Tenho um italiano muito bom. Em seguida volto - adicionou, fugindo rápida para a cozinha. Por todos os santos!, murmurou Rin enquanto tirava a garrafa da geladeira. Por que ficava tão nervosa com a proximidade de Sesshoumaru? Já tinha estado a sós com homens atraentes em outras ocasiões. Era uma mulher adulta, não era?

Encheu de vinho duas taças. Quando se voltou, com uma em cada mão, deparou-se com Sesshoumaru ás suas costas.

-Sempre tem que ser tão silencioso!? - replicou Rin sem consegui se controlar.

Depois observou o súbito e fabuloso sorriso de Sesshoumaru, brilhante e cegante como um raio.

- Suponho que não.

Sesshoumaru decidiu que tinha direito a dar-se algum capricho, assim, sem deixar de olhá-la nos olhos, ergueu a mão delicada, inclinou a cabeça e a beijou. Por sua vez, Rin só conseguiu emitir um pequeno gemido.

-Obrigado pelo vinho - disse então, ao mesmo tempo em que tomava uma das duas taças – Você tem um rosto lindo, Rin Murray. Não parei de pensar em você desde a última vez em que a vi.

- Verdade?

-Acreditava que não pensaria em você?

Era tão óbvio seu desconcerto que se tornava tentador aproveitar-se dela. Pensou em dar um passo adiante e lhe acariciar o pescoço com um dedo. Contornar sua pele suave, cálida e frágil. Depois unir suas bocas e provar seus lábios, misturados com o sabor do vinho. Seria incapaz de deter-se e interromper algo tão singelo e inocente.

-Vamos para a lareira – propôs Sesshoumaru por fim - Estaremos mais aquecidos.

Rin identificou a dor que notava em seu interior. Era a mesma dor com a qual acordava sempre que sonhava com ele.

- Só vim aqui para tranqüilizá-la - continuou Sesshoumaru – Estava me dando pena. Sente-se e acalma-se um pouco. A tormenta passará em seguida... e eu também não ficarei muito - adicionou depois de ambos entrarem no salão.

- Gosto que me acompanhe. Não estou acostumada a ficar sozinha tanto tempo.

Rin se sentou e sorriu. Mas ele continuou de pé junto à lareira, olhando-a. Com uma olhar que lhe recordava o do...

-Não tinha vindo para isso? - perguntou Sesshoumaru para interromper-lhe os pensamentos, antes que ela descobrisse algo para o qual ainda não estava preparada - Para dar-se tempo e ficar só?

- Sim, e gosto. Mas é um momento único. Fui professora vários anos. Estou acostumada a estar rodeada de pessoas.

- Você gostava?

- Dos alunos?

- Não, das pessoas - corrigiu Sesshoumaru - Em geral.

- Claro... sim gosto -Rin riu e se recostou sobre a cadeira - E você, não?

- Não especialmente - Sesshoumaru bebeu um gole do vinho - Muitas são exigentes, egoístas, egocêntricas. E ainda que isso não seja um problema em si, com freqüência se magoam.

-Não creio que a maioria se magoe de propósito - respondeu Rin - Não entendo por que é tão negativo.

- Se não acredita é porque é uma romântica, além de ingênua - contestou ele - O que a torna muito doce.

- Devo sentir-me ofendida ou elogiada? - se perguntou Rin em voz alta, sorrindo calma, ainda que...

Sesshoumaru sentou-se na poltrona que tinha frente a dela.

- É a verdade, pode aceitá-la sem tomá-la como uma ofensa nem como um insulto. Simplesmente, é a verdade – afirmou Sesshoumaru. Pausa - O que você ensina?

-Literatura... ou fazia isso.

- Isso explica que tenha tantos livros - comentou em alusão a vários volumes que tinha sobre a mesa.

- Ler é um de meus maiores prazeres. Me encanta entrar na trama de um conto ou de uma novela.

- Mas isto... - Sesshoumaru esticou um braço e agarrou um livro que tinha sobre a mesa - História dos cães demônios. Isto não é um conto precisamente.

- Não, comprei-o um dia levada por um impulso e o incluí entre os demais sem dar-me conta. Mas me alegro de tê-lo feito - Rin acariciou uma mecha do cabelo, num gesto típico dela - Com certeza já viu o cão branco, na verdade prateado, que anda por esta região - adicionou.

Sesshoumaru a olhou nos olhos enquanto bebia um novo gole de vinho.

- Não posso dizer que não o tenha visto.

- Eu o encontro quase todos os dias. É lindo, e não parece fugir das pessoas. Esta mesma noite, pouco antes de começar a chover, ele veio até minha porta. E às vezes o ouço . Você nuca ouviu?

- Eu estou mais perto do mar - contestou ele - Isso é o que eu ouço. Os cães deste tipo são animais selvagens, Rin, como estou certo que tenha lido em seu livro. E os solitários são os mais selvagens de todos.

-Não pretendo domesticá-lo. Mas creio que temos uma curiosidade recíproca - Rin olhou pela janela e se perguntou se o cão teria encontrado algum lugar seco onde se proteger - Não caçam por prazer nem por crueldade. Caçam para alimentar-se. Na maioria das vezes vivem em grupo, protegem uns aos outros, regem-se pelo instinto natural e... - deixou a frase pendurando, sobressaltada por um novo relâmpago.

- A natureza é violenta. Pode ser generosa ou cruel - observou Sesshoumaru, devolvendo o livro à mesa.

- Basta ter cuidado -respondeu ela.

Estavam muito juntos, seus joelhos se roçavam. Rin podia sentir a fragrância masculina dele, quase animal e, com certeza, muito perigosa.

- Exato. Convém ter cuidado com os instintos – disse Sesshoumaru com um sorriso enigmático - Vou ligar o gerador. Ficará mais calma com um pouco de eletricidade.

- Sim, suponho que tenha razão - Rin se pôs de pé. Perguntava-se por que lhe batia tão forte o coração.

Não tinha nada que ver com a tormenta de lá fora... e tudo com a que se tinha desatado dentro dela.

- Obrigada pela ajuda.

- Não há de que - contestou Sesshoumaru - Só será um segundo... É verdade, muito bom o vinho - adicionou pouco antes de sair para a cozinha, deixando atrás Rin, que tinha ficado parada no salão uns segundos.

Quando entrou na cozinha, as luzes se acenderam. Rin deu um grito, depois riu de si mesma, ainda que se perguntasse como era possível que Sesshoumaru se movesse tão rápido. A cozinha estava vazia e as luzes acesas. Mas era como se nunca tivesse estado ali. Abriu a porta traseira e fez uma careta de desagrado quando o vento e a chuva lhe golpearam o rosto.

-Sesshoumaru? - o chamou. Mas não tinha ninguém ao redor - Não se vá. Por favor, não me deixe sozinha -lhe pediu tremendo, enquanto a tormenta lhe empapava a camisa.

Em seguida um relâmpago iluminou todo o bosque... e lhe permitiu ver o cão, parado de frente à porta.

- Deus! - sussurrou Rin. Acendeu as luzes do alpendre da porta dos fundos e pôde vê-lo com mais clareza. Estava molhado e a estava olhando - Deveria entrar e proteger-se da chuva.

Sentiu um arrepio quando o cão subiu as escadas do alpendre para se aproximar. Rin não reparou que estava contendo a respiração até que o animal lhe roçou uma perna.

- Bem, parece que tenho um cão gigante em casa. Um cão muito bonito – murmurou ela. Depois o convidou a passar dentro de casa e fechou a porta dos fundos - Aqui estaremos mais aquecidos. - Rin ficou assombrada e fascinada quando o animal começou a andar em direção a sala, onde se acomodou frente à lareira. Depois girou a cabeça, como se a estivesse esperando.

- Bom garoto - disse ela enquanto se aproximava com precaução. Ergueu a mão e, quando viu que o cão não latia nem rosnava, atreveu-se a posá-la sobre o lombo do animal- Possui algum dono? Não, com certeza você é livre.

Acariciou-lhe o pescoço com suavidade e os olhos do cão se engrandeceram. Rin o interpretou como uma expressão de prazer.

- Gosta? Eu também. Acariciar é tão agradável como ser acariciado, ainda que faça muito tempo ninguém me acaricie de verdade.. Mas você não quer que eu lhe conte minha vida. Não é muito interessante - murmurou Rin - Acredito que a sua deva ser. Deve ter um montão de histórias incríveis que contar.

Ele cheirava a bosque e a chuva. A animal selvagem. E, curiosamente, a algo familiar também. Seguiu acariciando-lhe o lombo, os flancos, a cabeça, cada vez mais confiada.

- Aqui se secará disse. E, de repente, franziu o cenho e ficou pensativa - Sesshoumaru não estava molhado. Tinha chegado no meio da tormenta, mas ele não estava molhado - adicionou desconcertada.

Olhou pela janela enquanto seguia acariciando a pelagem do cão, tão patreada como o cabelo de Sesshoumaru. .

- Como é possível? – prosseguiu Rin - Ainda que tivesse vindo de carro, tinha que sair até chegar à porta.

O cão chegou mais perto dela e esfregou a cabeça contra uma das pernas de Rin. Esta voltou a acariciá-lo, sorrindo, e o gemido prazeroso do cão lhe pareceu muito humano e masculino.

- Talvez também se sinta sozinho.

Depois ficaram em silêncio; fazendo companhia, enquanto a tormenta avançava para a praia, os trovões se afastavam e a chuva tornava num débil zumbido.

Não estranhou que o cão a seguisse pela casa como se fosse a coisa mais normal do mundo. Rin apagou as velas e as luzes, subiu as escadas, entrou no dormitório e acendeu a lareira deste.

- Eu gosto - sussurrou ela enquanto se sentava na cadeira em frente às chamas crepitantes - Inclusive quando me sinto sozinha, como me sentia esta noite, gosto de estar aqui. É como se sempre tivesse precisado vir a este lugar.

Girou a cabeça, esboçou um débil sorriso e se olharam. Olhos chocolates frente a olhos dourados. Passou a mão sob a mandíbula do cão e lhe acariciou o pescoço.

- Ninguém acreditaria. Ninguém acreditaria se contasse que tenho estado numa choupana em Tottomi, sozinha, falando com um cão branco e precioso... E pode ser que esteja sonhando. Isso me cai muito bem - murmurou Rin enquanto se punha de pé - Mas todos temos o direito de sonhar, não? Por outro lado, suponho que é lamentável que os sonhos sejam mais interessantes de nossas vidas. Não posso seguir assim. E não significa que tenha que subir uma montanha nem saltar em pára-quedas de um avião...

Deixou de escutá-la. Tinha prestado atenção em todo o momento, mas agora, enquanto falava, Rin tirou a malha e começou a desabotoar a camisa. Quando ela ficou de sutiã, ele nem sequer ouvia suas palavras.

Era baixa e esbelta. Quando levou a mão ao botão da calça, o homem que tinha dentro do cão ficou sem saliva. Seu sangue ferveu e seu coração disparou enquanto Rin baixava as calças.

Quis saborear a carne, sentir a maciez de suas pernas, introduzir a língua sob a lingerie branca até faze-la estremecer. Rin se sentou para tirar os calçados. Depois, quando desabotoou o sutiã, o cão grunhiu. Imaginou-se abocanhando esses pequenos morros tenros, esfregando seus mamilos rosados, inclinando a cabeça até...

- Deus! - exclamou ela de repente, surpreendida por um novo relâmpago -Pensei que a tempestade já tinha passado - adicionou.

Então se fixou nos olhos brilhantes do cão e, num gesto instintivo, cobriu os seios com os braços. Tinha um olhar tão humano e faminto pensou Rin, assustada.

- Por que me sinto de repente como Chapeuzinho Vermelho? - tratou de caçoar - Sou uma tonta – afirmou. Mas não pôde disfarçar o tremor das mãos enquanto vestia a parte de cima do pijama. De fato, deu um pequeno gritinho quando o cão a tirou de uma das suas mãos com os dentes.

Rin riu e atirou-se também sobre o pijama. A luta a fez rir.

- Acha bonito? - perguntou ao cão- Acabo de comprá-lo. Pode ser que você não goste, mas abriga muito; assim, pare, solte-o já. - O cão obedeceu de imediato, o qual a desconcertou sobremaneira. – Você gosta de brincadeiras, é? – comentou Rin enquanto examinava o estado do pijama - Bem, ao menos não o rasgou.

Observou-a se vestir. Inclusive isso lhe parecia erótico. E antes que ela vestisse as calças, deu-se o capricho de deslizar a língua desde seu tornozelo até a parte traseira do joelho.

Rin sorriu e se agachou para acariciar-lhe as orelhas, como se tratasse do cachorro da casa.

-Eu também gosto de você - lhe disse.

Depois soltou a presilha e, enquanto escovava os cabelos, o gigante cão saltou sobre a cama e deitou na beirada .

- Ah, não! Você não pode ficar aí - exclamou enquanto deslizava a escova por seu cabelo.

O cão a olhou sem pestanejar. Rin teria jurado que ele estava sorrindo. Suspirou, deixou a escova, aproximou-se de um lado da cama e, com a voz que empregava com seus alunos, ordenou-lhe que descesse da cama e ficasse no chão.

-Não vai dormir na cama - Rin lhe deu um empurrão, mas ao ver que o cão lhe mostrava os dentes, desistiu - Está bem, por uma noite não acontecerá nada.

Assim, olhando-o precavida, introduziu-se sob os lençóis. O cão se limitou a apoiar a cabeça entre as patas dianteiras. Como não se movia, Rin pôs os óculos, acomodou-se sobre o travesseiro e se dispôs a ler um pouco.

Segundos depois, o cão se aproximou e deitou junto a ela, repousando a cabeça sobre seu colo. Rin o acariciou e começou a ler em voz alta. Leu até que as pálpebras lhe pesaram e, mais uma vez, voltou a dormir com um livro entre os braços e a luz acesa. A brisa soprou e o cão se transformou em homem. Sesshoumaru lhe acariciou a testa, pegou o livro, tirou os óculos e o colocou tudo sobre a mesinha de cabeceira.

Depois levantou-lhe a cabeça para tirar os travesseiros e a recostou sobre o colchão.

- Durma, Rin - murmurou Sesshoumaru enquanto roçava uma face com os dedos. Sua fragrância, sedosa e feminina, bastava para deixá-lo louco. Cada vez que ela respirava com os lábios entreabertos parecia estar convidando-o para que a beijasse. Agarrou-lhe uma mão, entrelaçou os dedos de ambos e fechou os olhos - Sonhe comigo, pois dormir não é só dormir. Dê-me o que preciso e terá o que deseja de mim – acrescentou.

Rin gemeu. Moveu-se. Levantou o braço esquerdo e separou os lábios. O pulso de Sesshoumaru se revolucionou enquanto lhe fazia amor com a mente. Saboreou-a, tocou-a com os pensamentos. Entregou-se a ela.

Perdida em sonhos, aqueciam o corpo, tremendo sob as mãos de uma fantasia. Cheirou-o, percebeu essa fragrância meio animal que já a tinha excitado em sonhos mais de uma vez. Imagens, sensações e desejos se misturaram em sua cabeça. Deu-lhes as boas vindas, murmurou seu nome, abriu-se a ele em corpo e alma.

A onda de pensamentos fogosos a fizeram estremecer. Rin ouviu seu nome, repetido por Sesshoumaru com desespero e reverência, várias vezes, até serem arrastados ambos pelo prazer.

Depois chegou o silêncio. Sesshoumaru se sentou, com os olhos ainda fechados e sem soltar-lhe a mão. Ouviu a chuva e a respiração de Rin. E, temeroso de não poder resistir à tentação de deitar-se junto a ela, levantou-se, apagou a luz... e, desapareceu.

OH! Sem comentários =O

O capítulo está perfeito não é meninas? Ai meu coração de velha!

Bem, bem, nossa querida autora está padecendo de um mal terrível que assola a todas nós mulheres: Cólica! E pediu para mim, sua beta querida (e metida 8D) postar o capítulo! Prazer me chamo Naiara, mas, podem me chamar de Naia^^ Pois bem, ela responderá as reviews depois está bem? Mas ela agradece à todas vocês por terem comentado! E agradece também àqueles que não comentam, mas que lêem a fic^^

Beijos à todas!

E como dizem por aí reviews não matam 8D