Capítulo Quatro
O imbecil a tinha jogado para fora da casa, amaldiçoou Rin enquanto entrava na sua. Primeiro a beijava e abraçado com aquele corpo tão viril e fabuloso, e depois a punha no olho da rua. Era tão mortificante! Entrou no salão, ainda irritada, e deu um par de voltas, incapaz de se sentar. Sesshoumaru tinha dado todos os passos, tinha sido ele quem a tinha beijado. Ela não tinha feito nada, maldição!
Tinha se limitado a ficar quieta como uma boneca, reconheceu frustrada e envergonhada enquanto ia à cozinha.
- Sou uma idiota, Rin - disse enquanto se deixava cair sobre uma cadeira - Uma autêntica idiota.
Tinha ido a sua procura, não? Tinha se embrenhado no bosque com um pote de bolachas, como a Chapeuzinho Vermelho, tinha se deixado seduzir pelo lobo. Mas o pior de tudo, era ter entrado em seu território, do que o fato de ele ter permitido que ela partisse. Deus!, Estava tão desesperada que tinha se rendido aos pés de um homem que mal conhecia?
Claro que devia reconhecer que era um homem bonito, atraente...e misterioso. Tinha algo que a cativava e era evidente que ele percebia isso. E quando Sesshoumaru a tinha tocado, ela tinha se entregue... E depois o tinha acossado. Em realidade, também não era tão estranho que a tivesse expulsado de sua casa. Ainda que não tinha motivos para ter sido tão cruel. Disse que não estava preparada para ele, tinha-a humilhado.
- Como ele pode saber para o que estou preparada quando nem eu mesma sei? - pensou Rin em voz alta - Em fim, está claro que ele não me deseja. Então, me ocuparei de não voltar a cruzar com o caminho dele. Vim aqui a despejar minha vida, não para me complicar ainda mais com um ermitão das Terras do Oeste, as quais nem nos livros ouvi falar.
Então, ela decidiu que iria a uma livraria, para comprar alguns manuais com explicações práticas sobre encanamento ou eletricidade, para não ter que recorrer a Sesshoumaru se voltava a surgir algum problema.
Não tinha intenção de lhe pedir ajuda por nada do mundo. Então as arrumaria sozinha. E se Sesshoumaru aparecesse por ali para ajudar, pensou enquanto tomava a bolsa, diria que podia se cuidar sozinha.
Saiu do refúgio, entrou no Ranger Rover, fechou a porta com um baque forte, e pôs em marcha o motor. Graças a isso, pensou precavida, compraria um livro sobre manutenção de automóveis, caso acontecesse algo ao seu.
Avançou com cuidado por um caminho, refreando a vontade de pisar a fundo no acelerador, e justo ao entrar na via principal, viu um ave majestosa.
Um águia, supôs, enquanto pisava no freio para parar e estudá-la.
Ainda que não sabia que existissem águias com uma plumagem prateada, nem se era normal que estivesse quieta sobre uma placa de trânsito, olhando os carros que passavam.
Certamente, a fauna de Tottori era excepcional, pensou Rin. Incapaz de resistir-se, baixou o vidro da janela e colocou a cabeça para fora.
-É muito bonita - disse a ave - E com certeza é muito elegante voando. Pergunto-me o que sentirá cortando o céu... Você sabe, não é?
Tinha os olhos verdes. Um águia prateada com olhos verdes. Por um instante, pareceu-lhe ver um reflexo dourado entre suas plumas, como se levasse pendurado um medalhão. Imaginação sua, decidiu enquanto voltava a subir a janela.
- Cães, gamas e águias. Para que viver na cidade? - se perguntou Rin - Adeus, majestade – se despediu a seguir.
Quando o Ranger Rover se afastou, o águia abriu as asas e se ergueu imponente para o céu.
Voou sobre as árvores do bosque, deu voltas e iniciou a descida. Um redemoinho branco a envolveu, seguido de uma luz azul intensa. Então, aterrissou no bosque com suavidade, sobre dois pés.
Era um homem alto, com uma mecha prateada e umas feições angulosas, que poderiam ter sido esculpidas com mármore em alguma colina de Irlanda.
- Foge como um coelhinho assustado - murmurou o homem - e depois joga a culpa na raposa.
- É jovem, Inutaisho - respondeu uma mulher que saiu do nada, de repente, muito bela, de longos cabelos e pele branca, suave como o alabastro - E não sabe o que há em seu interior.
- Precisa manter um pouco mais esse gênio que mostrou quando saiu da casa de Sesshoumaru - observou o homem, sorridente - Você poderia dar uma mão, Izayoi.
A mulher riu e segurou o rosto de seu esposo com ambas mãos. Numa brilhava o anel de ouro de seu casamento e na outra, um rubi vermelho como o fogo.
-Eles estão no caminho certo, Inutaisho. Devemos deixar que avancem a seu ritmo.
-E quem conduziu à garota para o círculo de pedras e depois à choupana do menino? - respondeu ele, erguendo uma sobrancelha.
- Bem, nunca disse que não possamos dar algum empurrãozinho de vez em quando - contestou ela - A garota tem seus problemas e Sesshoumaru... é um homem difícil. Como seu pai.
- Eu acredito que saiu mais a sua mãe - contestou Inutaisho, sorridente.
- E eu acredito que a garota tenha gostado - comentou Izayoi enquanto acariciava a nuca a seu marido – Disse que você é bonito e majestoso. Como é vaidoso...
- Sou bonito. Você mesma me disse muitas vezes - respondeu Inutaisho, sorridente - Em fim, deixaremos ela vontade um pouco mais. Agora vamos para casa. Já sinto falta das Terras do Oeste.
E depois de um redemoinho de nevoeiro branco, voltaram a casa.
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Uma vez de volta no refúgio, Rin esquentou uma sopa enquanto devorava um capítulo sobre noções básicas de encanamento. Anoitecia.
Pela primeira vez desde sua chegada ali, não se deteve para contemplar o pôr-do-sol, ao diminuir a luz, limitou-se a aproximar-se mais às páginas. Tinha os cotovelos apoiados sobre a mesa da cozinha, o chá estava esfriando e quase desejava que estragasse alguma tubulação, para pôr a prova seus recém adquiridos conhecimentos. Sentia-se preparada, de maneira que decidiu abordar os capítulos sobre eletricidade. Mas antes faria o telefonema, aquele que estava adiando. Contemplou a possibilidade de tomar antes uma taça de vinho, mas decidiu que seria um comportamento próprio de uma pessoa de caráter fraco. Tirou os óculos de leitura, fechou-os, introduziu um marca páginas no livro e o fechou. E olhou o telefone.
Era horrível ter medo de ligar para sua família.
Enrolou um pouco mais, com o pretexto de ordenar os livros que tinha comprado. Eram mais de doze e ainda estava surpreendida por ter escolhido tantos sobre mitos e lendas. Com certeza a entreteriam, pensou, e gastou um pouco mais de tempo ainda enquanto escolhia qual levaria para ler na cama. Depois lembrou que tinha que conseguir lenha para a lareira, lavar e secar o prato da sopa.
Saiu a dar uma volta pelo bosque procurando pelo cão, que não tinha visto o dia todo. Quando viu que não tinha nada mais com o que se distrair, pegou o telefone e discou.
Vinte minutos depois, estava sentada sobre as escadas do alpendre traseiro. A luz da cozinha refletia pelas costas. E estava chorando. Tinha estado a ponto de sucumbir à pressão de sua mãe; se render diante o tom ofendido dela. Sim, claro que voltaria a casa. Voltaria a dar aulas, faria o doutorado, se casaria com Kohaku e teria filhos. Viveria numa casa bonita num bairro seguro. Faria o que fosse para fazê-los felizes. Se negar a isso seria muito duro... Mas mais necessário ainda. As lágrimas corriam de seus olhos, mas nasciam no coração. Gostaria de entender por que sempre se sentia empurrada para uma direção que não era a que ela desejava tomar. Estava segura de que tinha outros caminhos, de que algo a esperava além das expectativas de sua família. Quando o cão mais prata que branco apareceu e posou a cabeça sobre suas mãos, Rin o abraçou e apertou a cara contra seu pescoço.
- Odeio magoar os outros.
As lágrimas lhe umedeceram o pescoço. E comoveram o coração do cão, que se esfregou contra ela para confortá-la.
- Se não seguir seu próprio caminho, trairá a sua família - lhe disse Sesshoumaru telepaticamente - O amor abre portas, não as fecha. Uma vez que as tenha transpassado, eles seguirão a seu lado.
Rin suspirou e secou seu rosto numa bochecha do cão.
- Não posso voltar, ainda que uma parte de mim o deseje. Se o fizer, sei que algo em meu interior... se partirá - disse ao cão - Nunca seguiria uma gama branca nem falaria com um águia. Nunca deixaria que um "irlandês" irresistível mal-educado me beijasse, nem faria algo tão divertido e tonto como preparar bolachas de chocolate para o café da manhã. Preciso fazer este tipo de coisas, ser tipo de pessoa que as faz. Isso é o que eles não entendem, sabe? E têm medo porque me amam. - Voltou a suspirar enquanto acariciava a cabeça do cão, com a vista perdida para as sombras do bosque.
- Assim que tenho que conseguir sair por conta própria, para que deixem de ter medo. Em parte me assusta mudar de vida, mas me assusta mais ainda não mudar nada - prosseguiu Rin - Sou uma covarde - Os olhos do cão se engrandeceram, brilharam, um pequeno gemido a fez pestanejar. Tinham as faces muito juntas e Rin podia ver seus letais dentes brancos. Acariciou-lhe novamente com dedos trêmulos. – Está com fome? Tenho bolachas - propôs Rin enquanto se punha de pé.
O cão enorme grunhiu, seguiu-a, e ela foi dando passos para atrás. Ao chegar à porta, pensou em fechá-la inesperadamente. Depois de tudo, era um animal selvagem, não podia confiar nele. Mas ao olhá-lo nos olhos recordou que o cão se tinha enroscado contra ela para consolá-la... e deixou a porta aberta.
- Não acredito que faça parte de sua dieta habitual, mas asseguro que está muito boa - disse Rin enquanto lhe estendia uma mão com uma bolacha de chocolate. Teve que sufocar um grito de prazer quando o cão a comeu, com suma delicadeza, da ponta de seus dedos - Ora, parece que descobrimos que o doce amansa às feras. Pegue outra, mas esta é a última.
Quando o cão se ergueu sobre as patas traseiras, com tanta agilidade como elegância, e pôs as dianteiras sobre os ombros de Rin, esta se ficou sem respiração, olhando-o aos olhos fixamente. Depois ele lambeu o pescoço e a fez rir.
- Que par somos! - exclamou ela.
O cão voltou a agachar, não sem antes abocanhar a bolacha que Rin tinha na mão.
- Isso, muito bem. Sabe? O que preciso é um banho quente e um livro. E uma boa taça de vinho. Não vou pensar mais no que os demais querem. Nem em vizinhos atraentes de bocas voluptuosas. Vou concentrar-me no maravilha que é ter tanto espaço e tanto tempo livre para mim - adicionou enquanto fechava o jarro das bolachas e o colocava sobre a geladeira. Abriu-a, tirou uma garrafa, serviu-se de uma taça e a ergueu como se fora a brindar.
- Para você. - disse ao cão - Por que não sobe e me faz companhia enquanto tomo banho?
O cão arreganhou os dentes e emitiu um som parecido a uma risada que queria dizer: por que não?
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Estava fascinado. Não era uma sensação cômoda, mas não podia tirar da cabeça. Esforçava-se para não esquecer que ela era uma mulher normal, com noivo inclusive, com a qual jamais poderia ter futuro. Mas simplesmente, não conseguia se separar dela. Acreditou que tinha conseguido se livrar dela ao jogá-la de sua casa daquele modo tão brusco. Mas gostou de assistir àquele arranque de gênio que tinha vislumbrado nos olhos de Rin. Em qualquer caso, tinha-o feito para não pensar nela durante uns dias. Era o mais inteligente e o mais seguro a fazer.
Mas a tinha ouvido chorar. Enquanto programava um jogo frente ao computador, na sala, tinha ouvido o pranto de Rin, o qual tinha rasgado o coração. Sentiu-se culpado e, incapaz de ficar de braços cruzados, foi a seu encontro para consolá-la. Depois se irritou ao ouvi-la chamar a si mesma covarde. E aí o que tinha feito a covarde quando um cão selvagem tinha posto a rosnar? Oferecer-lhe uma bolacha de chocolate. Uma bolacha de chocolate, por todos os santos!
Ela era absolutamente adorável. Depois tinha se entretido e torturado vendo-a despir-se. Aquela mulher tinha uma forma de tirar a roupa capaz de enlouquecer qualquer um. Depois, vestida com um roupão vermelho que não se deu ao trabalho de fechar, tinha enchido a banheira com um gel borbulhante com cheiro a jasmim.
Acendeu algumas velas e colocou música a um volume sedutoramente baixo. Sesshoumaru reparou que ela estava sonhando acordada enquanto tirava o roupão, e se conteve para não se tocar em sua cabeça e descobrir o que a estava fazendo sorrir.
Tinha um corpo precioso, esbelto e suave, de curvas delicadas. Ossos frágeis, pés pequenos e tímidos seios rosados. Queria saboreá-los, percorrê-los com a língua... e lhe tinha custado um enorme esforço não morder o traseiro, firme e nu, quando Rin tinha se inclinado para fechar a torneira da água quente. Ao mesmo tempo que se sentia irritado, a admirava pelo fato de não ser vaidosa. Que não tivesse consciência de sua beleza e que falasse com ele sobre tolices. Tinha entrado na água lentamente, para que seu corpo fosse se acostumando à temperatura, enquanto o vapor subia e as borbulhas brincavam sobre seus seios.
Tinha vontade de meter-se na banheira convertido em homem.
Rin tinha rido quando o cão tinha se aproximou para cheirá-la. Tinha limitado a acariciar-lhe a cabeça com ar ausente enquanto agarrava um livro com a outra. Conceitos básicos de eletricidade e encanamento para inexperientes e amadores.
- Aqui diz que se deve ter sempre algumas ferramentas mínimas a mão. Creio que vi algumas na despensa, mas será melhor fazer uma lista para confirmar. A próxima vez que acabar a luz, eu arrumarei sozinha. Não preciso que ninguém me resgate, e muito menos Sesshoumaru Taisho - tinha comentado ela.
De repente, meteu sua língua de cão no copo de vinho.
- Não! Isso é um sauvignon! - tinha exclamado Rin, afastado a copo - e agora está falando de como trocar um cabo. Não é que eu tenha a intenção de fazê-lo, mas não parece muito complicado. Sou boa em seguir instruções... e isso pode ser um problema. Estou muito acostumada a seguir as instruções dos outros. Por isso se surpreendem tanto quando tomo uma decisão por minha conta. - Depois deixou o livro, e levantou uma perna da água e esfregou a coxa. – e eu mesma me surpreendi. O quanto estou gostando esta aventura – continuou Rin enquanto as borbulhas subiam e baixavam sobre seus seios – Porque tudo está sendo uma grande aventura.
Seu cheiro ao sair da banheira, meia hora depois, tinha-o seduzido por completo. E não lhe tinha parecido menos excitante vê-la pôr o pijama. Ao ajoelhar-se para acender a lareira do dormitório, tinha-se esfregado contra ela e, de repente, tinham começado a brigar de brincadeira sobre o tapete.
Ela lhe coçava a barriga e ele lhe lambia as bochechas.
- Me alegro tanto de que você esteja aqui! É bom ter um amigo que não espera outra coisa que amizade – tinha dito Rin de repente, enquanto lhe acariciava o lombo. Depois tinha enrodilhado frente à lareira olhando para o fogo - Sempre gostei de fazer isso. Quando era pequena, tinha certeza de que via coisas nas chamas. Coisas mágicas, bonitas. Castelos, nuvens, alcantilados. Príncipes enfeitiçados e colinas encantadas. Costumava pensar que iria até lá, envolvida num redemoinho, transportada para um mundo mágico... Onde estão agora todas essas coisas?
E adormeceu. Uma vez dormindo, Sesshoumaru se permitiu transformar-se em homem, e acariciar-lhe os cabelos enquanto olhava o fogo que Rin tinha acendido.
- Eu posso lhe ensinar como se transportar a um mundo mágico envolvida num redemoinho. Mas só você pode decidir isso, Rin - disse Sesshoumaru enquanto ela suspirava em sonhos - Deve ter pressa. Apresse-se e descubra o que é que deseja e para onde quer ir. Se decidir vir comigo, Rin Murray, eu te ensinarei um mundo de magia - tinha finalizou.
Depois se ergueu e levantou-a em seus braços para levá-la à cama e deu um beijo na sua testa. Saiu da choupana como um homem e se adentrou na escuridão da noite como um cão prateado e magestoso.
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Ela passou a semana seguinte impulsionada por uma vitalidade que a animava a encher cada minuto de cada dia com alguma novidade. Percorreu os bosques, adentrou-se nas colinas e desenhou tudo que lhe era agradável à vista. À medida que a temperatura aumentava, as flores começavam a aparecer. De noite seguia fresca, mas a primavera já estava disposta a reinar. Durante essa semana só viu o cão.
Era raro que este não a acompanhasse ao menos uma hora ao dia. Passeando entre as árvores, esperando com paciência enquanto ela observava uma flor ou um charco com rãs. O telefonema semanal a seus pais a incomodou, mas se sentia com forças e não demorou em recuperar-se. E também escreveu uma longa carta a Kohaku, mas não disse nada de regressar. Acordava contente todas as manhãs e todas as noites se deitava satisfeita. Sua única frustração era que ainda tinha que descobrir o que devia fazer. A não ser, pensava em ocasiões, que o que devesse fazer fosse viver só com seus livros, seus desenhos e o cão.
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Sesshoumaru não acordava contente todas as manhãs. Nem se deitava satisfeito todas as noites. Jogava a culpa em Rin, ainda que sabia que era injusto. Se esta tivesse sido menos inocente, teria aproveitado a oportunidade que ela lhe tinha oferecido. Teria satisfeito a necessidade física... e provavelmente emocional. Negava-se a aceitar o que queira que o destino lhe tivesse reservado, até não ter ele pleno controle sobre seu próprio corpo e sua mente. Estava de pé, olhando para o mar durante uma tarde ensolarada, de vento suave e cheio de fragrâncias primaverais. Tinha saído para respirar. Não conseguia se concentrar no trabalho. E ainda que soubesse que era só uma diversão, orgulhava-se muito dos jogos que programava. Tocou o cristal que tinha colocado no bolso. Deveria tê-lo tranqüilizado, mas sua cabeça seguiu tão revolta como o mar que contemplava. Notava a impaciência no ar. Impaciência dele, mas também de outros. No entanto, fosse qual fosse o destino que o aguardasse, os passos para chegar a ele ou afastar-se eram coisa sua. Não o surpreendeu ver uma gaivota branca no céu, de olhos brilhantes como os dele.
- Oi, mamãe - a saudou depois de que a gaivota pousou sobre uma rocha.
- Oi, minha vida - respondeu Izayoi, sorridente, depois de transformar-se em mulher.
- Senti sua falta – disse Sesshoumaru ao mesmo tempo em que a abraçava - Cheiras a casa.
- Nós também sentimos sua falta - respondeu ela - Parece cansado. Está com problemas para dormir.
- Sim, não parece estranho?
- Não - Izayoi negou e lhe deu um beijo na bochecha de seu filho. Depois olhou ao mar - Este lugar que escolheu é lindo. Sempre soube escolher, Sesshoumaru, e sempre terá essa opção... Rin é adorável, e tem um grande coração -adicionou, olhando-o nos olhos.
- Você que a enviou?
-O dia em que ela foi te visitar? Sim, ensinei-lhe o caminho - Izayoi deu os ombros e se sentou sobre a rocha sobre a qual tinha aterrissado - Mas não a enviei aqui, ao bosque. Há poderes superiores alheios aos nossos que assim o dispuseram...a achou atraente, verdade?
- Por que não ia achá-la?
- Não é o tipo de mulher que costuma te atrair, ao menos para você levá-la à cama.
- Sou adulto -replicou Sesshoumaru - Não tenho por que falar de minha vida sexual com minha mãe.
- O sexo que vai unido ao respeito e ao carinho, é muito saudável – insistiu ela - E é normal que me preocupe pela saúde de meu único filho, não? Não se deitou com ela porque tem medo de que seja algo mais do que sexo.
- O que quer que eu faça! Durmo com ela e depois a deixo de coração partido? - contestou ele, irritado.
- Por que tem certeza que vai magoá-la?
- É inevitável.
- Sempre é inevitável magoar -respondeu Izayoi - Você acredita que seu pai e eu não nos magoamos nunca nestes anos?
- Ela não é como nós – respondeu Sesshoumaru - Se permitir que sintamos mais do que já sentimos o um pelo outro, terei que dar as costas a minhas obrigações. Obrigações que devo enfrentar. Sei que papai quer que ocupe seu posto.
- Não tão rápido - contestou Izayoi, rindo - Mas sim, quando chegar o momento, espera-se que você assuma a direção da família Taisho.
- É um poder que posso transferir a outro membro. Tenho direito.
- Verdade - concordou a mãe - Tem o direito a abrir mão e a deixar que seja outro que leve o amuleto. É isso o que deseja?
-Não sei - respondeu Sesshoumaru, frustrado - Eu não sou como papai. Não me relaciono com as pessoas como ele. Não tenho sua prudência, sua paciência nem sua compaixão.
-Verdade, mas tem suas próprias virtudes - replicou Izayoi - Está capacitado para assumir essa responsabilidade.
- Já pensei nisso. Mas sei que se me comprometer com uma mulher que não tem sangue de Yokai, terei que renunciar à direção da família. Se me permitir amá-la, darei as costas a minhas obrigações com a família.
- Por todos os santos! Por que não olhou ainda? - exclamou a mãe, crispada – Se tem alguns dons são para usá-los!
- Os usarei se quiser! Sou livre!
- O que você é, é um cabeça-dura - replicou a mãe- E não me levante a voz, Sesshoumaru Taisho.
- Já não tenho cinquenta anos – contestou este.
- Tanto faz que tenha quinhentos anos ou cinquenta. Sou sua mãe e tem que me mostrar respeito.
- Sim, senhora - replicou Sesshoumaru.
- Assim está melhor. E me faça o favor de parar de se torturar com o que o destino te reserva e olhe de uma vez. E se os seus princípios não te permitem, pergunte pelo menos pela família de sua mãe - Izayoi suspirou e acariciou o cabelo de Sesshoumaru - Venha cá, e me dê um beijo. Rin vai vir em seguida - adicionou sorridente.
Deram-se um beijo e, de repente, bateu as asas brancas e ergueu o vôo.
Bom, como prometido ai está mais um cap!!
Eu to com pressa, por isso 1000 desculpas a
Ana Spizziolli;
Kuchiki Rin.
Não vou poder responder as reviews, mais o cap é dedicado à vc e MUITO OBRIGADA!!!
Nai, tb te amo e parabêns pra tio MURILO (é o pai da naia-chan gente)!
