Capítulo Cinco

Não a tinha notado, isso o irritava. A visita de sua mãe o tinha aborrecido, razão pela qual se achava bloqueada sua capacidade perceptiva. Só agora, ao voltar-se, aspirou a fragrância de jasmins de Rin. A viu sair do bosque, ainda que esta não conseguisse vê-lo. Sesshoumaru tinha o sol detrás e ela estava olhando em outra direção enquanto subia pelo caminho dos alcantilados. Levava o cabelo para atrás, presos por uma presilha marrom, cujo o vento jogava e levantava. Carregava uma bolsa no ombro e se tinha vestido umas calça cinza desbotada e uma camisa da cor dos narcisos. Vê-la falar consigo mesma enquanto subia na rocha o relaxou e enojou ao mesmo tempo. Depois, ambas sensações ficaram em segundo plano, pois se divertiu em observar como Rin, ao avistá-lo, franziu o cenho desagradado.

- Bom dia - a saudou Sesshoumaru.

Ela assentiu com a cabeça e agarrou a tira da bolsa com ambas mãos, como se não soubesse que outra coisa fazer com elas. Seu olhar era frio, em contraste com essas mãos nervosas.

- Oi. Teria ido para outro lugar se soubesse que estava aqui. Suponho que queira ficar só.

- Não especialmente.

- Pois eu quero - respondeu Rin, para em seguida pôs-se a andar em direção as rochas, afastando-se de Sesshoumaru.

- Está irritada, Rin Murray?

- Está parecendo isso - contestou ela, com orgulho, sem deixar de andar.

- Vai passar logo. Você sabe que não é rancorosa.

Rin encolheu os ombros, consciente de que estava comportando-se como uma menina. Tinha saído para desenhar o mar, os barquinhos que se divisavam no horizonte, os pássaros do céu. Não para vê-lo e recordar o que tinha passado entre ambos, as sensações que tinham acordado em seu interior. Mas também não ia evitar a toda costa, como um ratinho assustado ante um grande gato. Apertou os dentes, sentou-se sobre uma rocha e abriu a bolsa, da qual sacou uma garrafa de água, um caderno e um lápis. Obrigando-se a se concentrar, olhou para o mar e tratou de absorver toda sua beleza. Começou a desenhar, dizendo a si mesma que não o olharia. Porque com certeza Sesshoumaru a seguia. Por que, sentia seus músculos estavam tão tensos e o coração batendo descompassado.

Mas não olharia. Ainda que ao final sim. Ele estava ali, a não muitos passos, com as mãos metidas nos bolsos e a vista perdida no mar. Já era má sorte, supôs Rin, que fosse um homem tão atraente, capaz de estar aí, de pé e despenteado pelo vento, e que seu perfil lhe recordasse ao Lorde Byron. Ou a um cavaleiro antes da batalha, ou um príncipe vigiando seu território. Sim, podia ser tudo isso e mais, tão romântico com vaqueiros e camisetas como qualquer guerreiro de brilhante armadura.

-Não quero brigar com você, Rin – acreditou ter ouvido. Mas era impossível. Estavam demasiado longe para que lhe tivessem chegado essas palavras sussurradas. Assim que supôs que essa seria a resposta que Sesshoumaru daria se ela dissesse o que pensava. Tomou ar, voltou a olhar o caderno e a desagradou comprovar que, sem dar-se conta, tinha começado a desenhar Sesshoumaru. Então, mudou de página.

-Não tem sentido que fique brava comigo... nem consigo mesma.

Nesta ocasião soube que sim, ele tinha falado, ergueu olhar e viu que Sesshoumaru tinha se aproximado dela.

Teve que entrecerrar os olhos e colocar-se o canto da mão sobre a testa, como uma viseira, para que o sol não a cegasse.

Quando ele sentou a seu lado, Rin suspirou. Depois, ao ver que não falava e que parecia disposto a fazer companhia, começou a golpear o lápis sobre o caderno.

- A costa é muito longa. Importa-se em sentar em outro lugar? - terminou dizendo.

- Gosto deste lugar - replicou ele. Rin fez menção de se levantar, mas Sesshoumaru a segurou - Não seja boba.

-Não me chame de boba. Estou farta de que me digam que sou boba – replicou Rin - e você nem sequer me conhece.

- O que você está desenhando? - perguntou Sesshoumaru de repente.

- Agora nada - contestou ela enquanto guardava o caderno na bolsa. Depois voltou a tentar se erguer, mas Sesshoumaru a reteve de novo.

- Está bem, vamos conversar. Reconheço que tinha a esperança de te encontrar. Senti-me atraída... estou certa de que está acostumado que as mulheres se sintam atraída por você. Queria te agradecer por me ajudar na noite da tempestade, ainda que na verdade era só uma desculpa. Reconheço que te procurei em sua casa, mas foi você quem me beijou.

- Sim foi o que fiz, sim – murmurou Sesshoumaru e queria voltar a beijá-la, nesse instante em que tinha a boca em forma de uma linha e seus olhos brilhavam irritados e cheio de fogo ao mesmo tempo.

-E minha reação foi excessiva - reconheceu Rin, ainda aborrecida. Você tinha todo o direito do mundo de me pedir que fosse embora, mas não daquele modo tão brusco. Ninguém tem direito de ser descortês. Mas, vamos, não me estranha que queira se manter afastado de mim.

- Vamos com calma: sim, estou acostumado que as mulheres se sintam atraídas para mim. O qual me parece perfeito, pois eu também gosto de mulheres - disparou ele - Pode ser que eu pareça arrogante, mas acho que a falsa modéstia é pura hipocrisia. Por outro lado, ainda é verdade que gosto de estar só a maioria do tempo, mas, sua visita me alegrou. E te beijei porque o desejava, porque tem uma boca muito bonita.

Sesshoumaru olhou a face surpresa dela e se deu conta de que ninguém lhe tinha dito isso antes. Negou com a cabeça, incapaz de compreender a estupidez do resto do gênero masculino.

- Te beijei porque seus olhos me recordam aos dos seres que dançam nas colinas de meu país. Porque tem um cabelo brilhante e uma pele tão suave como o água - prosseguiu ele.

-Não - o interrompeu Rin - Não faça isso. Não é justo.

Pode ser que não fosse justo enfatizar a beleza de uma mulher que não estava acostumada a ouvir elogios, mas encolheu de ombros.

- É a verdade. E eu também perdi o controle durante alguns segundos. Por isso fui brusco. Sinto muito, Rin.

- Sente por ter sido brusco ou ter perdido o controle comigo?

- As duas coisas, para ser sincero. Disse que não estava preparado para você e falava a sério.

Ouvir a verdade, sem rodeios, diminuiu a irritação de Rin... e a fez tremer ligeiramente. Ficou em silêncio, com a vista fixa nas mãos, enquanto as ondas chocavam abaixo e as gaivotas dominavam o céu.

- Pode ser que eu te entenda, um pouco. Estou num momento difícil de minha vida - disse Rin por fim - Tenho que tomar uma decisão... Creio que a gente fica mais vulnerável quando chega ao final de algo e tem de escolher o que vai fazer a seguir... Não te conheço, Sesshoumaru, e não sei o que te dizer, nem o que fazer - adicionou, olhando-o no rosto.

Teria algum homem vivo capaz de suportar uma resposta tão sincera e espontânea? perguntou-se ele.

- Me convide para tomar um chá.

- O que?

- Quero me convide para tomar um chá - Sesshoumaru sorriu - Vai começar a chover e será melhor do que nos refugiemos - acrescentou. Depois de tudo, seu pai não era o único que podia fazer mudar o clima em seu proveito, não?

- Chover? Mas o sol... - Rin se calou ao ver que o céu se apagava e se cobria de nuvens de repente.

Em seguida, começou a chuviscar.

- Achei que o céu ia ficar o dia todo - afirmou enquanto metia a garrafa de água na bolsa. Depois se levantou, aceitando a mão que Sesshoumaru tinha estendido.

- Só serão alguns pingos - disse ele enquanto a guiava pelas rochas para o caminho de abaixo - A chuva te incomoda?

-Não, na verdade gosto - contestou ela - O sol continua brilhando.

- Veremos um arco íris – prometeu Sesshoumaru, uma vez abaixo - Bem, então me convida para um chá?

- Acho que sim. - Rin não conseguiu evitar de sorrir.

- Viu? Te falei. Não sabe ficar irritada por muito tempo.

- Só preciso praticar – respondeu ela.

- É provável que eu te dê motivos de sobra para que o faça –respondeu Sesshoumaru entre risos.

- Tem o costume de irritar as pessoas?

- Exato. Sou um homem difícil - respondeu enquanto caminhavam sob as árvores do bosque - Meus pais dizem que não conhecem ninguém mais renitente do que eu.

- Estão nas Terras do Oeste?

- Sim - respondeu . Ainda que não podia estar seguro se não olhava. Preferia não saber se estavam escondidos por perto, vigiando-o.

- Sente falta deles?

- Sim, ainda que... estamos sempre em contato - improvisou ele - E você? Sente falta a sua família? - adicionou ao advertir o tom sombrio de Rin ao perguntar.

- Me sinto culpada porque não sinto falta tanto como deveria. Nunca tinha estado só antes e...

- Está gostando – completou Sesshoumaru.

- Muito - Rin riu. Depois tirou as chaves do bolso.

- Não tem o por que se sentir mal por isso... Por que usa tranca? -perguntou ele, surpreso.

- O costume - respondeu Rin - Vou preparar o chá. Esta manhã fiz uns biscoitos de limão, mas se queimaram um pouco - adicionou caminho da cozinha.

Estava limpa, observou ele, e lhe tinha dado seu toque pessoal, para fazê-la mais acolhedora. O conjunto de objetos convertem uma casa num lar. Tinha algumas flores muito bonitas sobre uma garrafa de vidro, a qual tinha colocado sobre a mesa, junto a uma cestinha branca com maçãs verdes. Sentou-se numa das cadeiras, deleitando-se com o manso cair da chuva. E pensou nas palavras de sua mãe. Não, não utilizaria seus poderes. Uma coisa era passar-lhe alguma idéia telepaticamente e outra conferir seu passado sem pedir-lhe permissão.

Igual que ele exigia que respeitassem sua intimidade, devia respeitar a dos demais.

- O que seus pais fazem? – perguntou-lhe por fim.

- São professores na universidade, ali em Quioto - contestou enquanto se esquentava o água do chá - Meu pai é catedrático de Japonês e sua mãe? - quis saber Sesshoumaru.

Enquanto isso, Rin tirou o caderno de desenhos da bolsa, e deixou sobre a mesa.

- Dá aulas de História - respondeu ao mesmo tempo em que jogava a infusão num bule com formato de fada e asas aladas- São muito bons professores. O ano passado nomearam a minha mãe diretora e...

Ficou-se muda ao descobrir que Sesshoumaru estava olhando os desenhos que tinha feito do cão prateado.

- São lindos - assegurou ele sem levantar o olhar, enquanto passava ao seguinte desenho, das árvores e samambaias do bosque. Tinha dado forma alada às folhas, percebeu Sesshoumaru, sorridente. Era sinal de que tinha visto às fadas.

-Não valem nada -Rin desejou arrancar-lhe o caderno e fechá-lo, mas os bons modos a impediram e quando ele a olhou nos olhos, estremeceu-se.

- Por que fala isso, e se esforça em acreditar, quando tem talento e além disso gosta do que faz?

-Só o faço em meus momentos livres...de vez em quando.

Sesshoumaru passou à seguinte página, na que podia ver um lindo desenho da choupana de Kagome.

- E se ofende quando a chamam de boba? - murmurou ele- Pois é boba se não se dedica ao que gosta, em vez de ficar de braços cruzados.

- Isso é ridículo. Eu não fico de braços cruzados - contestou Rin enquanto servia o chá - É um hobby somente. Todos temos algum.

- É seu dom - corrigiu Sesshoumaru - e o tem desprezado.

- Não se vive de fazer desenhos.

- E isso que tem a ver?

- Nada. Só que às vezes se precisa comer, vestir-se, pagar as contas da casa - ironizou Rin - Essas coisas triviais do mundo real.

- Então venda sua arte e converta-a numa forma de ganhar a vida.

- Ninguém vai comprar um desenho a lápis de uma professora de Japonês.

- Eu compro este - Sesshoumaru se levantou e mostrou um dos muitos desenhos que tinha feito do cão, cujos olhos brilhavam com um reflexo desafiante idêntico ao que agora iluminava os olhos dele - Quanto vale?

-Não vou te vender, e nem você vai comprar só para ficar com a razão -replicou Rin - Venha cá, sente-se e tome o chá.

- Então me dê de presente. Gostei dele. E este também - disse Sesshuoumaru, assinalando o desenho das árvores e os samambaias - Seria útil um desenho assim para o jogo que estou programando. Já que não tenho talento para desenhar.

- E quem se encarrega então dos gráficos? - perguntou ela, com a esperança de mudar de tema, ao mesmo tempo em que pegava os doces de limão.

- Não há ninguém fixo - Sessshoumaru provou um dos doces. Ainda que era inegável que estavam um pouco queimados por embaixo, o resto estava deliciosos - Seus pais desenham?

-Não - contestou Rin. Só de pensar começou a rir. Não podia imaginar seus pais sonhando com um lápis frente a uma folha em branco - Me matricularam numa academia quando era pequena e eu gosto. Minha mãe tem emoldurado um desenho no escritório da universidade, desde quando era adolescente.

- Ou seja, valoriza seu talento.

- Ou seja, gosta da sua filha - corrigiu Rin depois de tomar um gole chá.

- Então, suponho que também gostará que sua filha desenvolva seus talentos e aptidões - replicou ele - Talvez algum de seus avôs fosse artista?

- Não, meu avô por parte de pai era também professor. E sua esposa era o que poderia chamar uma mulher de seu tempo. Ainda cuida da casa.

- E por parte de mãe?

- Meu avô está aposentado. Vivem em Tókio. Minha avó faz algumas coisas de crochê muito bonitas.

- Suponho que se pode chamar de arte – concedeu Rin - Agora que estou pensando... sua mãe sim era pintora. Temos algumas aquarelas dela. Creio que minha avó e seu irmão têm as demais. Era... excêntrica - adicionou sorridente.

- Em que sentido?

- Não cheguei a conhecê-la, mas meus pais dizem que lia a mão e falava com os animais... tudo na contramão da vontade de seu marido. Se não me engano, era um Japonês muito pragmático. E ela uma irlandesa sonhadora.

- Então ela era da Irlanda - Sesshoumaru sentiu uma vibração pela medula - Como se chamava?

-Eh... O'Meara -respondeu ela depois de mergulhar na memória. Depois deu outro gole de chá, relaxada, enquanto Sesshoumaru escutava com o coração disparado - .Minha mãe me deu o nome dela. Suponho que foi por isso que ela me deixou seu medalhão. É muito antigo. Dourado, com bordas prateadas.

- Ou seja, se chamava Rin O'Meara - disse ele, ao mesmo tempo em que deixava de lado o chá.

- Exato. Creio que há uma história muito romântica, se não a inventaram, sobre como conheceu meu bisavô: uma vez ele foi de férias à Irlanda. Ela estava pintando os desfiladeiros, em Clare. É curioso. Não sei por que me lembro de que era nesse condado - comentou Rin - O caso é que foi um amor à primeira vista, e ela deixou sua casa e a sua família para ir para a Inglaterra com ele. Depois emigraram para Japão e acabaram assentando-se em Ozaka.

Rin O'Meara, de Clare. O destino tinha dado uma volta para preparar uma nova armadilha. Sesshoumaru bebeu um gole de chá para limpar a garganta.

- Meu segundo sobrenome, o de minha mãe, é O'Meara informou Sesshoumaru - Sua bisavó foi uma prima distante da minha. O que quer dizer que você e eu somos primos.

- Está brincando comigo!- exclamou Rin, radiante, assombrada e feliz ao mesmo tempo.

- Quando a assunto é família nunca brinco.

- Com certeza, o mundo é pequeno - Rin riu e ergueu sua xícara – Prazer em conhecê-lo, primo Sesshoumaru.

Por todos os santos! Pensou enquanto brindava com Rin. A mulher que lhe estava sorrindo com esses olhos chocolates, tinha sangue de yokai e nem sequer o sabia.

- Olhe, já apareceu o arco íris - avisou ele. Não tinha olhado pela janela, mas sabia que o colorido arco já estava sulcando o céu. Não por ele. Tinha sido seu pai quem tinha feito a magia.

- Que bonito! - exclamou Rin depois de levantar e olhar pela janela - Vamos lá fora. É lindo!

Saiu correndo, desceu as escadas do alpendre e olhou para acima. Nunca tinha visto um arco íris tão nítido e bem definido. Destacava em contraste com o céu e banhava as copas das árvores com cada um de suas cores.

- Nunca tinha visto um tão bonito - assegurou.

Quando ele a alcançou, Rin estendeu uma mão e bastou esse leve contato para desconcertá-lo e comovê-lo. Com tudo, enquanto olhava o céu, prometeu-se que não se apaixonaria por ela a não ser que assim o desejasse.

Negava-se que o manipulassem, a que o destino o manejasse como se fosse um pião.

Tomaria sua própria sua decisão. Mas isso não queria dizer que, por enquanto, não pudesse dar-se algum capricho.

- Isto não significa mais nem menos do que o outro.

- O que?

- Isto - Sesshoumaru emoldurou a face de Rin com as palmas das mãos, inclinou-se e posou os lábios sobre os dela. - Suaves como a seda, delicados como a chuva que ainda cai sob o sol.

Deixaria que o beijo fosse terno, pensou ele. Era melhor para os dois frear o instinto selvagem que rugia em seu interior. Mais seguro, mais inteligente. Bastava-lhe provar a inocência de seus lábios. Faria o possível para que não se apaixonasse por ele, tinha medo de lhe magoar. Mas quando Rin apoiou uma mão sobre um de seus ombros, quando começou a devolver-lhe o beijo, Sesshoumaru sentiu que seu instinto lhe fincava as garras, lutando por se libertar.

Rin estava se entregando, não estava reservando nada, seguia beijando-o, ao mesmo tempo em que lhe acariciava os ombros.

Sesshoumaru se separou antes que o desejo nublasse seu juízo por completo. E quando Rin o olhou nos olhos com os lábios ainda entreabertos, soltou-a:

- Suponho que é a química - comentou ela quando encontrou a voz.

- A química pode ser perigosa - respondeu Sesshoumaru.

- Não se pode descobrir nada se não faz experimentos - replicou Rin.

Surpreendeu-se em ouvir sair de sua boca um comentário tão sedutor; mas, de alguma maneira, pareceu-lhe natural convidar a Sesshoumaru que seguisse adiante.

- Neste caso, é melhor do que conheça os elementos da mistura. Pergunto-me até que ponto está disposta a descobri-los.

- Vim aqui para descobrir todo tipo de coisas - Rin suspirou - Não esperava te encontrar.

-Entendi, primeiro quer encontrar à verdadeira Rin Murray - disse ele - Se agora entrássemos em casa, se nos deitássemos juntos, descobriria em seguida uma parte dela. É isso o que quer?

-Não - contestou Rin, apesar de que seu corpo o desejava aos gritos - Porque então seria simples revolução, como você diz. E não quero me conformar com algo simples.

- Ainda assim, creio que voltarei a te beijar quando eu quiser.

- Acho que te deixarei que me beije quando eu desejar também - respondeu ela com um sorriso desafiante.

- Tem um pouco dessa mulher irlandesa - afirmou Sesshoumaru, devolvendo-lhe o sorriso.

- É possível - disse Rin, super feliz - Talvez deva inteirar-me mais das coisas.

- O fará - comentou ele, já sem sorrir - E quando o fizer, espero que saiba como reagir. Escolha um dia da semana que vem e venha me visitar. Com o caderno dos desenhos.

- Para que?

- Me ocorreu uma idéia.

Mal não podia fazer, pensou Rin. e lhe daria um pouco de tempo para pensar em tudo o que tinha passado nessa manhã.

- De acordo, mas tanto faz o dia. Tenho todos os dias livres.

-Você saberá o dia adequado quando ele chegar - contestou Sesshoumaru enquanto lhe acariciava o cabelo – Como eu saberei.

- E isso o que é? Uma espécie estranha de telepatia irlandesa?

- Não imagina como – murmurou Sesshoumaru - Que você tenha um bom dia, prima Rin.

Ele fez uma carícia no rosto e depois deu meia volta e se foi. Bem, pensou ela, por enquanto, o dia não ia nada mal.

oOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOo

E quando voltou a encontrar-se com Sesshoumaru, em sonhos, deu-lhe as boas vindas. Quando este se introduziu em seu cérebro, seduziu-a, excitou-a, fê-la suspirar, almejar, gemer. Tremeu de prazer, sussurrou seu nome e, de alguma maneira, teve a certeza de que ele era tão vulnerável como, ela. Ainda que só fora por um segundo, soube que Sesshoumaru não seria capaz de negar nada do que pedisse.

Mas não sabia o que pedir. Inclusive enquanto se satisfazia com seu corpo e deixava voar a imaginação, uma, parte dela pensava: o que deveria perguntar? O que precisava saber? A escuras, com uma meia lua derramando sua luz de prata através da janela, acordou, sozinha. Afundou a cabeça no travesseiro e escutou os uivos do cão, também solitário.


Um ótimo Natal a todos!!!

1000 bjs e que Deus ilumine todos nós!

espero que curtam esse cap super familia!

posto em breve

bjs e

FELIZ NATAL!!