Capítulo seis

Rin assistiu ao florescimento da primavera. E com esta, algo pareceu florescer dentro dela também.

Os narcisos embriagavam o ar com sua fragrância. A pequena parreira que se via pela janela da cozinha começava a dar frutos, que dançavam com o vento. Dentro do bosque, as azáleas tomavam tons brancos e rosados, e as dedaleiras se abriam em racimos. Tinha muitas mais flores. Rin prometeu comprar-se um livro sobre a flora de Tottori em sua próxima viagem à cidade. Queria conhecer seus ciclos e aprender todos seus nomes. Ela também estava radiante. Não tinha mais cor em seu rosto? Perguntava-se. Mais luz em seus olhos? Sabia que: sorria com mais freqüência, gostava do fato que seus lábios se curvarem sem um motivo aparente, enquanto passeava ou desenhava, ou simplesmente enquanto estava sentada no alpendre, lendo durante horas.

Já não se sentia solitária pelas noites. Quando o cão a visitava, falava com ele sobre o que estivesse pensando naquele instante. E quando se ausentava, alegrava-se de passar a noite a sós. Não estava segura de que tinha mudado, mas sim de que algo o tinha feito. E de que a esperavam mais e maiores mudanças. Talvez fora sua decisão de não regressar a Osaka, de não seguir dando aulas e não se comprar um apartamento ao lado da casa de seus pais. Nunca tinha desejado nada daquilo. Não tinha sentido a menor necessidade de encher o armário de roupa nem de fazer viagens custosas durante as Férias. Ademais, contava com a pequena herança que tinha recebido de um parente de sua mãe.

Herança que tinha investido e tinha visto dar rendimentos durante os últimos anos. Tinha dinheiro suficiente para pagar a entrada de uma casa em algum lugar. Algum lugar calmo e bonito pensou, enquanto tomava uma xícara de café no alpendre, de pé, para dar as boas vindas a uma nova manhã. Tinha que ser um uma casa. Acabou-se o viver em edifícios. Tinha que ser um lugar no campo. Já não poderia ser feliz com o ruído e o agito de uma cidade. Teria um jardim, aprenderia a plantar flores, e talvez estaria perto de um ribeirão ou um lago. Tinha que estar perto do mar, para poder passear pela orla e ouvir o murmúrio da água pela noite, enquanto conciliava o sonho.

Talvez, só talvez, na próxima viagem à cidade fosse ver algum corretor de imóveis. Só para se informar dos preços. Era um passo muito grande: escolher um lugar, comprar uma casa, mobiliá-la, mantê-la. Mas estava decidida a dar o passo, disse a si mesma enquanto brincava com sua caneta. E encontrar um trabalho goste. Não precisava muito dinheiro. Bastaria com ganhar o suficiente para manter-se enquanto se dedicava a pintar, a cuidar do jardim e consertar ela só as avarias de sua casa. Se encontrasse algo perto, não teria que deixar o cão. Nem Sesshoumaru. Rin negou com a cabeça. Não, não podia contar com Sesshoumaru para o futuro, somá-lo as razões pelas que estava, planejando se estabelecer nessa região. Ele era independente e iria embora quando quisesse.

Igual o cão prateado, disse num suspiro. Depois de tudo, nenhum dos dois lhe pertencia. Ambos eram seres solitários, belas criaturas que não tinham dono. E que tinham entrado em sua vida e tinham contribuído para que esta mudasse, supôs. Ainda que as mudanças maiores dependiam dela. Depois de três semanas na choupana de Kagome, parecia preparada para enfrentá-los. Já estava preparada. Era o momento de dar os passos definitivos.

De repente, pareceu-lhe ouvir um sussurro dentro de sua cabeça. Um sussurro que pronunciava seu nome na distância, suave, mansamente. Sesshoumaru tinha dito que iria reconhece-lo recordou Rin. Que saberia o momento adequado. Pois não tinha melhor momento do que esse, no qual estava tão segura de si mesma.

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Sabia que ela estava a caminho. Tentou não se aproximar dela durante os dias anteriores, ainda que não tinha conseguido se distanciar de tudo, pois o preocupava imaginá-la sozinha no bosque. No entanto, era muito fácil comprovar que se encontrava bem. Não podia negar que adorava quando Rin lhe abria a porta e se agachava para lhe acariciar a cabeça ou o lombo. Não tinha medo do cão, pensou Sesshoumaru. De fato, era mais precavida quando se apresentava diante dela como homem.

Mas agora vinha para ver ao homem. Sesshoumaru acreditava que tinha um bom plano, para os dois. Um plano que lhe daria a oportunidade de que desenvolvesse seus poderes e seu talento... e que lhes daria tempo para ir conhecendo-se melhor um ao outro.

Não voltaria a tocá-la até então. Tinha se prometido. Era muito difícil provar sua doçura e não possuir tudo.

Ainda que pelas noites se permitia entrar em seus sonhos, dar-lhe prazer e deixá-la descansar radiante. Ainda que ele ficava insatisfeito. Em qualquer caso, estava-a preparando para a noite em que esses sonhos se fariam realidade. Para a noite na que seriam suas mãos, em vez de seus pensamentos, que percorreriam seu corpo. Só de pensar sentiu um nó no estômago. Enfurecido por tal reação, ordenou a seu cérebro que se aquietasse, e a seu corpo que relaxasse. Mas se enfureceu ainda mais quando comprovou que seus poderes não bastavam para aliviar toda a tensão.

- Ainda não chegou o dia em que não possa controlar uma atração física por uma mulher meio bruxa - murmurou enquanto entrava em sua choupana.

Porque se negava a esperá-la de pé no alpendre, com olhos ansiosos de apaixonado, aguardando-a. De maneira que dedicou a dar voltas e a amaldiçoar em gaélico, até que ouviu que o chamavam à porta.

Sesshoumaru abriu mal-humorado. E a viu, com o sol iluminando-a pelas costas, com um sorriso radiante nos lábios e o cabelo soltando-se da presilha, segurando algumas flores roxas numa mão.

- Bom dia - saudou Rin - Creio que são violetas, mas não estou totalmente segura. Tenho que comprar um livro.

Ofereceu a flor e Sesshoumaru sentiu que seu coração estremecia. A inocência brilhava nos olhos de Rin, cujas bochechas brilhavam acanhadas. E tinha violetas na mão. Só podia ficar olhando-a. E desejá-la.

- Não gosta das flores? - perguntou ela ao ver que Sesshoumaru não respondia.

- Sim, sim. Me perdoe, estava distraído - reagiu por fim. Por Deus ! Tinha que se acalmar! - Entre, Rin Murray. É bem-vinda, e suas flores também – adicionou, mais amável do que teria gostado.

- Se vim em uma má hora - comentou Rin. Mas Sesshoumaru foi para o lado, para deixá-la passar – Me ocorreu de vir aqui antes de ir até a cidade.

- Para comprar mais livros? - perguntou ele. Deixou a porta aberta, como se oferecesse um caminho para fuga.

- E para falar com um corredor de imóveis. Estou pensando em comprar algo por aqui.

- Verdade? -Sesshoumaru ergueu uma sobrancelha - É este seu lugar?

- Isso parece. Pode ser - Rin encolheu de ombros - Algum tem que ser.

- E se decidiu... como disse antes... como irá ganhar a vida?

- Não exatamente - respondeu ela. A luz de seus olhos se atenuou um pouco - Mas o farei.

Sesshoumaru lamentou ter posto essa preocupação no rosto de Rin.

- Tenho uma idéia a respeito. Vamos à cozinha, ver se encontramos onde colocar as flores.

- Já foi ao bosque? Está lindo com a primavera. E a choupana de Kagome está rodeada de flores. Não conheço nem a metade delas, nem as que têm em seu jardim.

-A maioria são comuns, úteis para uma coisa ou outra - respondeu Sesshoumaru enquanto colocava as violetas num vaso azul.

- Tem mais atrás – comentou Rin depois de olhar pela janela da cozinha - São ervas?

- Sim, são.

- Para cozinhar.

- Para isso... e para outras coisas - Sesshoumaru sorriu - Também vai comprar um livro sobre ervas?

- Provavelmente - contestou ela, rindo - Há tantas coisas às quais nunca prestei atenção. Agora quero descobrir tudo.

- E isso você mesma.

- Suponho...

- E ? - incapaz de resistir, Sesshoumaru brincou com as pontas do cabelo – O que descobriu sobre Rin?

- Que ela não é tão incapaz como pensava.

- E por que pensava isso? - replicou ele, incomodado.

- Bem, não em todos os sentidos. Sei ensinar e sei como aplicar o que aprendo. Eram as coisas pequenas e era com as realmente grandes que nunca sabia o que fazer. Me dava bem no meio termo. Mas não me fixava nos detalhes e permitia que dirigissem minha vida nas decisões mais importantes.

- Vou te dar uma sugestão a respeito disso que chama de coisas grandes. Espero que depois faça o que mais lhe agradar.

- Q que?

- Logo - contestou Sesshoumaru - Antes quero que veja o que tenho estado fazendo - Intrigada, seguiu-o ao escritório. O computador estava ligado e no protetor de tela podiam ver luas, estrelas e alguns símbolos que não pôde entender. Sesshoumaru tocou uma tecla e o texto apareceu no monitor.

- O que parece? - perguntou ele.

Rin se inclinou para ler melhor e, segundos depois começou a rir.

- Acho que não sei decifrar essa mistura de signos e palavras em outro idioma.

Sesshoumaru olhou para o monitor e suspirou impaciente. Tinha estado tão metido na trama, que se tinha esquecido dessa questão. Ainda que podia arrumá-lo. Esteve a ponto de estalar os dedos para que se traduzisse o texto, mas se freou a tempo.

Depois fingiu que digitava um par de instruções enquanto realizava o conjuro mentalmente.

- Aqui está - disse depois de que a tela apagou e acendeu de novo - Sente-se e leia.

Rin obedeceu super feliz e bastaram algumas poucas linhas para compreender:

- É a segunda parte de Myor – disse em alusão ao jogo de computador do que tinham falado da outra vez - É genial. Terminou?

- Continue lendo, e verá por si mesma.

- Sim, sim -Rin voltou os olhos para a tela e se dispôs a aproveitar - Oh!, Seqüestram à protagonista! E o feiticeiro das forças do mal neutralizou seus poderes com um conjuro.

- Bruxo - murmurou Sesshoumaru - Ainda que seja um homem, também é um bruxo - corrigiu.

- Verdade? Pois o bruxo trancou todos os poderes da protagonista numa caixa mágica. Fez isso porque está apaixonado por ela, não é?

- O que?

- Tem que ser por isso – insistiu Rin - Sango é bonita e forte, está cheia de vitalidade. É normal que a deseje, e essa é a única forma que tem para obrigá-la a estar com ele... E aqui está o feiticeiro bom... bruxo, quero dizer, que lutará contra o mau para resgatá-la. É fantástico.

Tinha o nariz colado à tela, já que não levava os óculos de ler.

- Olha quantas armadilhas terá que sortear para chegar até ela. E quando a libertar Sango não poderá utilizar sua magia para sair do castelo – prosseguiu Rin - Terão que explorar sua imaginação e ajudar para saírem juntos. O Vale das Tormentas. Soa ameaçante, apaixonado. É justo o que faltava à primeira parte.

- Como disse? - perguntou Sesshoumaru, mais assombrado do que ofendido.

- Era uma aventura cheia de magia, mas lhe faltava o toque romântico. Alegra-me que o tenha dado desta vez. Miroku e Sango se apaixonarão loucamente enquanto enfrentam juntos todos os perigos - disse Rin enquanto se voltava para olhar a Sesshoumaru - Depois de derrotar o bruxo mau, encontrarão a caixa, e será o poder de seu amor romperá o conjuro, "abra-a e devolva a Sango seus poderes". E viverão felizes para sempre...não? -adicionou, um pouco vacilante ao ver a expressão de estupefação de Sesshoumaru.

- Sim, sim - respondeu este. Teria que retocar a trama, mas Rin tinha razão. Mais tarde faria as mudanças – O que acha dos Yoakais da Terra dos Espelhos?

- Yokais?

-Aqui - Sesshoumaru se aproximou e marcou um parágrafo na tela - Leia e me diga o que pensa - adicionou, sussurrando junto ao ouvido de Rin.

Ela teve que se concentrar para não prestar atenção às batidas que deu o coração e se pôs a ler.

- Fabuloso. Simplesmente, fabuloso. Já os imagino fugindo num dos Yokais, voando sobre as águas vermelhas do mar e as colinas tomadas pela neblina.

- Verdade? Me mostre como você vê. Desenhe para mim -Sesshoumaru tirou o caderno de sua bolsa - Eu não tenho a imagem muito clara.

- Não? Não sei como pode escrever isto sem vê-la - Rin agarrou um lápis e começou a desenhar - O Yokai tem que ser majestoso: feroz e belo, de asas douradas e olhos como rubis. Grande, esbelto e potente... Selvagem e perigoso - ia dizendo ao mesmo tempo em que desenhava.

Era exatamente o que queria, pensou Sesshoumaru enquanto o desenho ia tomando vida. Nada de Yokais raros ou domados. Estava-o refletindo à perfeição: uma cabeça feroz e orgulhosa, um corpo grande e poderoso, de largas asas, uma cauda com forma de chicote e aspecto de grande agilidade.

- Faça-me outro -pediu com impaciência enquanto guardava o primeiro - Do mar e as colinas.

- Certo - Rin supôs que ter um esquema do palco poderia ajudá-lo a terminar de construir a história. Fechou os olhos um momento e evocou a paisagem: um mar largo e resplandecente com ondas que rompem contra as rochas, mal visíveis pela bruma, um tênue raio de luz filtrando-se entre as nuvens e a sombra das montanhas ao fundo.

Quando terminou, Sesshoumaru ficou com o desenho e pediu que lhe fizesse um de Naraku, o bruxo mau.

A julgar por seu sorriso, era evidente que Rin estava adorando o que estava desenhando.

Decidiu que tinha que ser atraente. Muito atraente. Nada de gnomos com verrugas e uma corcunda nas costas, somente um homem alto, elegante, com cabelo longo e olhos negros. Vestiu-o com uma túnica longa, preta, como a de um príncipe.

- Por que não o desenhou feio? - perguntou Sesshoumaru.

- Porque ele não é feio - contestou ela com contundência - Se fosse, pareceria que Sango o recusa só por sua aparência, quando é de seu coração que ela não gosta. E essa maldade se vê refletida em seus olhos.

- Mas o herói tem que ser mais bonito.

- Com certeza, terá que ser. Mas não será um desses homenzinhos afeminados com o cabelo encaracolado e dourados - respondeu Rin enquanto iniciava o desenho do bruxo bom - Será moreno, terá valor, mas também algum defeito. Gosto que os heróis sejam humanos. Ainda assim, arriscará sua vida por Sango. Primeiro por uma questão de honra. Depois por amor.

Rin se colocou a rir ao observar o desenho que tinha feito.

- De que ri?

-Se parece um pouco contigo – contestou ela - Mas, por que não? É sua história. Afinal de contas, todo mundo quer ser o herói de sua própria história. E é uma história boa, Sesshoumaur. Posso ler o resto?

-Ainda não - disse ele. Depois de ouvir as idéias da Rin, teria que realizar algumas mudanças, pensou enquanto desligava o computador.

-Ah - disse ela, decepcionada - Só queria ver que passa depois de que saem voando da Terra dos Espelhos.

- Antes eu gostaria que considerasse minha proposta.

- Que proposta?

- Uma proposta de negócios. Desenhe para mim os gráficos. Todos. É muito trabalho. Há muitos níveis e sou muito exigente com os detalhes.

- Quer que eu faça os desenhos da sua história? - perguntou Rin quando se recuperou da surpresa.

- Não é uma tarefa simples. Precisarei de centenas de esquemas, todo tipo de palcos e ângulos.

- Não tenho experiência.

- Não? - Sesshoumaru lhe mostrou o desenho do Yokai.

- O fiz de repente - replicou Rin, tratando de controlar os nervos - Sem pensar.

- É assim que funciona? Pois então. Não pense, apenas desenhe.

Rin se levantou. Não podia acreditar, não podia quase nem respirar.

- Não está falando sério.

- Isso é muito sério – assegurou Sesshoumaru – Não era você que dizia que queria se dedicar a algo que a fizesse feliz?

-Sim... - Rin se levou uma mão ao peito.

- Então, se quiser, trabalhe comigo nisto. Ganhará o que precisa para viver. Minha empresa se encarregará disso. Em fim, depende de você, Rin.

- Espere, espere um momento – pediu. Depois deu meia volta e avançou para a janela. O céu seguia azul, observou, e o bosque, verde. E o vento soprava com a mesma suavidade de antes. A única coisa que iria mudar era sua vida. Se aceitasse. Ganharia a vida fazendo algo que a alegria? Seria possível? Poderia ser real?

Então compreendeu que não era medo o que a aterrorizava , e sim uma imensa insegurança.

- Acredita de verdade? Acha que meus desenhos podem ser úteis para seu jogo?

- Se não fossem, não teria te proposto. A decisão é sua.

- É minha - repetiu ela num sussurro. Ficou em silêncio alguns segundos, para assimilar as conseqüências daquela oferta, até que, por fim, seus olhos se iluminaram

- Então sim, eu gostaria muito. Adoraria trabalhar você. Quando começamos?

Sesshoumaru tomou a mão que ela lhe estendeu e a estreitou com firmeza.

- Já começamos.

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Mais tarde, quando estava Rin na cozinha de sua choupana, celebrando sua decisão com uma taça de vinho e um sanduíche de queijo, tratou de recordar se alguma vez tinha sido mais feliz. Acreditava que não.

Ao final não tinha ido à cidade para comprar livros nem para ver o corredor de imóveis, mas depois iria.

A mudança tinha aberto a porta de um novo trabalho. Um trabalho que a entusiasmava. Tinha uma oportunidade, uma oportunidade ao alcance da mão, de mudar rumo.

Não é que agradar Sesshoumaru Taisho fosse fácil. Ao invés, pensou enquanto se lambia o queijo dos dedo era um homem exigente, de caráter forte e muito, muito perfeccionista. Teve que fazer doze desenhos dos Gnomos da Ria até que Sesshoumaur o aceitasse e tinha manifestado aceitação com um rosnado acompanhado por um movimento afirmativo da cabeça.

Tudo bem. Não precisava que lhe dessem palmadinhas nas costas nem receber grandes afagos. O que importava era o fato dele esperar bons resultados dela e de pensar que juntos podiam formar uma boa equipe.

Uma equipe. Abraçou a palavra com o coração. Isso a fazia sentir parte de algo. Depois de tantos anos desejando, ajudaria a contar histórias. Não com palavras, pois nunca tinha tido talento para elas; mas sim desenhando, o que mais gostava do mundo, ainda que somente agora tivesse percebido isso como um desejo.

Contudo, era uma mulher prática, de modo que tinha deixado de lado sua alegria por uns instantes para discutir com ele as condições de trabalho.

Mesmo assim ainda não foi capaz de dissimular a cara de assombro que tinha posto ao ouvir o valor que Sesshoumaru tinha oferecido pagar.

Não teria o menor problema para comprar uma casa, pensou sorrindo enquanto se servia uma segunda taça. Poderia comprar mais livros, plantas, antiguidades para mobiliar a nova casa e viver feliz para sempre, se brindando consigo mesma.

Sozinha.

Sacudiu a cabeça diante do pensamento. Já estava se acostumando à solidão.

Acostumando-se a desfrutá-la. Pode ser que seguisse sentindo-se atraída por Sesshoumaru, mas compreendia que não teria nenhuma relação pessoal entre ambos agora que trabalhavam juntos.

Com certeza, ele não tinha mostrado o menor interesse nesse sentido. E ainda que lhe ferisse um pouco o seu orgulho, também estava acostumada a isso. Durante o último ano no instituto, tinha se apaixonado perdidamente pelo diretor da sala de aula de debate. Podia recordar as cócegas no estômago cada vez que o via. E como tinha desejado ser mais aberta, mais bonita e ter mais confiança em sim mesma, como a garota com a que ele saía.

Depois, na universidade, tinha posto seus olhos num professor de inglês, um poeta de olhar triste e espírito pessimista da vida. Tinha estado segura de que ela poderia inspirá-lo e animá-lo. Ao cabo de seis meses a perseguí-lo e duas semanas saindo juntos, acabaram fazendo amor... depois do qual a abandonou por outra mulher. Mas não se arrependia. Depois de todo, tinham sido duas semanas apaixonadas, dignas da melhor novela romântica e tinha entregado sua virgindade ao homem com certa sensibilidade, ainda que escassa noção de monogamia.

Não demorou muito em descobrir que não o tinha amado. Na verdade, amava a idéia que tinha formado dele. Depois disso, deixou de sofrer por aquela brusca ruptura. Simplesmente, os homens não a achavam... interessante. Nem sexy, nem misteriosa. E, por desgraça, esse era o tipo de homens que mais a atraíam a ela.

Certamente, Sesshoumaru era tudo isso e mais.

Kohaku, ao contrário, não respondia a esse padrão. O doce, sensato e constante Kohaku. Ainda que o quisesse, sabia desde o momento em que começaram a sair que jamais sentiria uma excitação selvagem por ele, uma necessidade imperiosa e alucinante.

Tinha tentado. Seus pais tinham se apegado a ele, e ela tinha imaginado que acabaria se apaixonando por ele e vivendo feliz ao seu lado.

Mas não tinha sido essa perspectiva ou de uma vida cômoda e sem graça que a tinha feito fugir ao final? Agora estava segura de que agido certo ao fugir. Teria sido um erro conformar-se com menos de... ninguém, supôs. Conformar-se com menos do que estava encontrando agora: seu lugar, seus desejos, suas carências e seu talento.

Ao princípio não a compreenderiam, mas acabariam fazendo-o. Estava convencida disso. Uma vez a vissem em sua casa, ganhando a vida desenhando, a compreenderiam. E talvez, só talvez, sentiriam orgulhosos dela. Olhou para o telefone, vacilou e desistiu. Não, ainda não. Ainda não ligaria para seus pais para contar o que ia fazer. Não queria ouvir suas dúvidas, sua preocupação, sua impaciência dissimulada no tom de voz, e estragar esse momento. Era um momento tão maravilhoso... Assim que quando bateram à porta, levantou-se de um pulo. Era Sesshoumaur, tinha que ser Sesshoumaru, o qual era perfeito.

Viria com mais trabalho e poderiam sentar na cozinha e bater um papo a respeito. Prepararia um chá, talvez tomariam uma taça de vinho. Tinha tido outra idéia sobre a Terra dos Espelhos e sobre o reflexo do mar vermelho quando Sango volta a casa.

Ansiosa por contar, correu a abrir a porta. E sua expressão sorridente deu passo a outra de estupefação.

- Rin, não deveria abrir a porta sem perguntar ante quem é. É confiante demais.

Com a brisa da primavera soprando a suas costas, Kohaku entrou na choupana.


Momentos de tesão, ôpa, quero dizer, de tensão! kkkkkkkkkk

Se bem que o cap foi quente!

Bom, quero agradecer a todos que leram e aos que comentaram!

Naia-chan- amor! eu sei que postei tarde, mais tá ai, espero que goste! posta tu fic logo vissi? bjao e BOM ANO NOVO (salve Deus)

Pequena Rin- gostou? espero que continue acomapnhando e comentando! Feliz ano novo!!! bjao

Rin Taisho Sama- que bom que vc continua comentando!! valeu pelo apoio e espero que vc goste! bjao e feliz ano novoooo!!!