O sol brilhava através da janela. Rin afundou o rosto contra o travesseiro para não se acordar. Queria seguir dormindo. Seguir com esses sonhos tão fantásticos e reais, dos que ainda recordava parte.
Nevoeiro, flores. Raios de lua e velas acesas. O vôo de um águia de prata, o suave rolar da água. E Sesshoumaru, com uma bata branca, abraçando-a no centro do círculo de pedras. Ainda podia sentir o sabor quente de sua língua, sentir o ritmo acelerado de seu coração, a tensão de seus músculos.
Queria apenas dormir outra vez para recordar de tudo. Mas não conseguiu retomar o sonho, por mais voltas que deu na cama. Era tão real, pensou enquanto se esfregava a face contra os lençóis. Tão real e maravilhoso... Tinha tido sonhos muito estranhos e palpáveis antes; sobretudo, quando era pequena.
Sua mãe sempre tinha dito que tinha muita imaginação. Mas precisava aprender a diferença entre a realidade e o imaginário. Em muitas ocasiões, teria escolhido viver em seu mundo imaginário. Por medo a preocupar a seus pais, não tinha falado mais disso. E supôs que se agora voltava a ter esse tipo de sonhos era porque tinha tomado a decisão de seguir seu próprio caminho. O que não a estranhava era ter sonhos românticos e eróticos sobre Sesshoumaru.
Rin esticou os braços e tratou de recordar tudo o que pôde. Era semelhante ao jogo de computador no qual estavam trabalhando. Sesshoumaru era o herói e ela, a heroína. Tinha magia, nevoeiro, desejo e rejeição. Um círculo de pedras que sussurrava, um anel de velas cujas chamas não se apagavam apesar do vento. Duas colunas de fogo azul gelo.
Fechou os olhos e tratou de reconstruir as palavras que Sesshoumaru lhe tinha dito. Lembrava-se bem de que a tinha beijado, mas, que lhe tinha dito? Algo sobre saber ou não saber, decisões e responsabilidade. Se conseguisse ordenar tudo, talvez pudesse oferecer-lhe a trama de um novo jogo de computador. Mas o único que recordava com clareza era o modo em que a tinha abraçado, o que tinha sentido dentro dela.
Então se advertiu que sua relação era trabalhista. Pensar nele nesse outro sentido era estúpido e arriscado. A última coisa que queria era enganar-se, imaginando que Sesshoumaru podia apaixonar-se por ela... como ela tinha se apaixonado por ele. Assim que preferiu concentrar-se na satisfação que lhe produzia esse trabalho. Ou na casa que tinha intenção de comprar. Já era hora de que fizesse algo a esse respeito. Ainda que primeiro se levantaria, tomaria um café e daria um passeio.
Jogou os lençóis de lado e ali, sobre a cama, viu um ramo de flores. O coração se lhe subiu à garganta, ficou-se sem respiração. Impossível, impossível, insistia sua cabeça. Fechou os olhos com força, mas seguiu cheirando a fragrância das flores. Era um dos ramos que tinha visto em seus sonhos junto às velas. Mas não podia ser. Tinha sido um sonho, um entre vários que tinha tido desde que tinha chegado a esse lugar. Ela não tinha ido ao bosque pela noite, no meio do nevoeiro. Não tinha entrado no círculo de pedras nem tinha visto a Sesshoumaru.
A não ser que...
Sonambulismo, pensou aterrorizada. Tinha estado andando enquanto dormia? Saiu da cama sem despegar uma olhada nas flores e agarrou a bata. Estava úmida, como se o orvalho se tivesse posado sobre ela.
Cada vez recordava mais detalhes do sonho, com mais e mais clareza.
- Não pode ser verdade -disse sem convencimento.
Vestiu-se com toda pressa e saiu correndo em procura de Sesshoumaru. Ele era o responsável. Era a única coisa que tinha certeza. Talvez tinha jogado algum alucinógeno no chá enquanto ela desenhava.
Não lhe ocorria outra explicação razoável. E tinha que ter uma explicação razoável. Quando por fim chegou a sua casa, bateu à porta sem demora, apertando com força o ramo de flores.
- O que você fez comigo? - perguntou Rin enquanto Sesshoumaru abria a porta.
- Entre - disse este enquanto se colocava de lado.
- Quero saber o que você me fez. Quero saber que significa isto - Rin lhe atirou o ramo de flores.
- Você me deu flores uma vez - respondeu ele com calma - Sei que gosta.
- Colocou alguma droga no chá?
- Como disse? -replicou Sesshoumaru, ofendido.
- É a única explicação. Alguma droga que me tenha feito imaginar coisas, fazer coisas. Eu nunca iria ao bosque de noite estando em meu perfeito juízo.
- Não me dedico a preparar poções desse tipo - contestou ele, encolhendo os ombros.
-Ah, não! - Rin o olhou aos olhos - que tipo de poções, então?
- Algumas que aliviam a dor do corpo e do espírito. Ainda que não seja... minha especialidade.
- E qual é sua especialidade?
- Se tivesses aberto sua mente um pouco, já saberia a resposta para essa pergunta -replicou Sesshoumaru, impacientado.
Rin se fixou em seus olhos. A imagem do cão prateado lhe veio à cabeça e deu um passo atrás.
- Quem você é?
- Já sabe quem sou. E, maldita seja, dei-te tempo suficiente para que o assimilasse.
- Para que assimile, o que? – repetiu ela, ao mesmo tempo em que lhe fincava o indicador no seu peito - Não estou te entendendo. Não sei o que espera que eu saiba. Quero respostas, Sesshoumaru. Quero-as agora, ou deixe-me em paz. Nego-me que continue jogando comigo desta maneira. Diga-me exatamente o que está acontecendo - adicionou, arrebatando-lhe o ramo de flores.
- Quer saber o que está acontecendo? Quer respostas? - Sesshoumaru estava tão furioso que não conseguiu controlar-se - Pois aqui tem uma resposta.
Ergueu os braços e, de repente, as pontas de seus dedos se iluminaram. Um redemoinho de nevoeiro envolveu seu corpo, deixando visíveis nada mais que seus olhos, claros e brilhantes.
Eram os olhos do cão, os quais cintilavam enquanto os caninos lhe cresciam e a pele ficava prateada. Rin ficou pálida. De longe, podia ouvir a respiração entrecortada de seus pulmões, o grito que só soou em sua cabeça.
Deu um passo atrás, e sentiu que sua vista se nublava. Quando as pernas se dobraram, Sesshoumaru correu para segurá-la antes que caísse no chão.
- Não, não vai desmaiar para me fazer sentir como se fosse um monstro - Sesshoumaru a sentou numa cadeira e colocou a cabeça entre as pernas -Respire profundamente, e da próxima vez, tenha cuidado com o que deseja.
Rin ouvia um zumbido de vespas na cabeça, sentia cem dedos gelados percorrendo sua pele. Balbuciou algo quando Sesshoumaru lhe levantou a cabeça. Teria se afastado, mas ela a tinha bem segura.
- Olhe para mim e se acalme.
Já recuperada, notou que Sesshoumaru se comunicava com ela por meio do pensamento. O instinto a fez tentar bloquear a comunicação, ao mesmo tempo em que o empurrava.
- Não, não brigue comigo. Não vou lhe fazer mau -disse Sesshoumaru.
- Eu ...seu sei -respondeu Rin, inexplicavelmente segura disso - Eu...quero um copo de água.
Piscou ante o copo que não tinha visto até então na mão de Sesshoumaru.
- Só é água - disse ele, incomodado, ao pressentir seu receio - Dou minha palavra.
- Sua palavra - Rin bebeu um gole - É... um lobisomem - adicionou. Era ridículo. Não podia acreditar, mas o tinha visto com seus próprios olhos.
Os olhos de Sesshoumaru se arregalaram de estupefação.
- Um lobisomem? Por todos os santos! De onde você tira essas coisas? Um lobisomem- repetiu ele enquanto dava voltadas pela cômodo - Você não é tola, somente teimosa. É de dia, não é verdade? Ou talvez esteja vendo uma lua cheia? Me atirei para devorar seu pescoço? Por Deus! Sou Sesshoumaru Taisho! E eu sou um Yokai - concluiu este com orgulho, olhando-a na face fixamente.
- Estupendo - Rin soltou uma risada histérica - Isso está muito melhor.
-Não tenha medo - pediu doído ao ver que ela se cruzava de braços, em atitude defensiva – Te dei tempo para que o intuísse, para que estivesse preparada. Não teria te mostrado de um modo tão brusco se não me tivesse pressionado.
- Tempo para que estivesse preparada? Para isto? - Rin alisou o cabelo - Como vou estar preparada para algo assim? Talvez esteja sonhando outra vez... Sonhando! Deus!
Sesshoumaru leu os pensamentos e se obrigou a meter as mãos nos bolsos.
- Não aceitei nada que não estivesse disposta a oferecer-me - lhe disse.
- Você me fez... Vinha a minha cama enquanto estava dormindo e...
- Contatos mente a mente - a interrompeu ele - Não pus as mãos em cima de você... quase.
O sangue tinha regressado a suas bochechas, acendidas agora.
- Não eram sonhos.
- O eram em parte. Teria se entregue, Rin. Nós dois sabemos que é verdade. Não vou me desculpar por meter-me em seus sonhos.
- Meter-se em meus sonhos - Rin ordenou a seu corpo que se levantasse, mas precisou apoiar-se nos braços da cadeira para não perder o equilíbrio - Supõe que tenho que acreditar?
- Sim - contestou Sesshoumaru com um débil sorriso - Isso mesmo.
- Tenho que crer que é um Yokai, que podes converter-te em um cão gigante e prateado e que podes colocar-se em meus sonhos quando lhe agradava.
- Quando nós dois desejávamos - corrigiu Sesshoumaru. Talvez devia insistir nesse aspecto - Suspirava por mim, Rin. Estremecia pensando em mim, e sorria quando te deixava adormecida - adicionou, ao mesmo tempo em que lhe acariciava os braços.
- O que disse só acontece nos livros, nos jogos de computador.
- Também na vida real. Você mesma o comprovou. Eu te levei ao mundo da magia. Sei que se lembras de ontem à noite, vejo-o em sua cabeça.
- Não entre dentro de mim – se opôs Rin, mortificada porque acreditava que seria capaz de fazê-lo - Os pensamentos são uma coisa privada.
- Os teus são tão transparentes que com freqüência, que não preciso entrar. Não o farei mais, se isso a aborrece.
- Me aborrece - Rin se mordeu o lábio inferior - É parapsicólogo?
- Tenho o poder de ver, se está se referindo a isso. De realizar um conjuro, de provocar uma tormenta - Sesshoumaru se encolheu de ombros - O poder de transformar-me a meu desejo.
Um mutante. Deus! Claro que tinha lido a respeito dessas coisas. Em novelas, em livros sobre mitos e lendas. Não podia ser real. E, no entanto, não podia negar o que acabava de ver... o que sabia no fundo de seu coração.
- Se apresentou diante de mim em forma de um cão estranho...- comentou por fim.
- E você não teve medo de mim. Outros teriam se assustado, mas você não. Você me acolheu, me abraçou, e chorou a meu lado.
- Não sabia que era você. Deveria saber... -Rin deixou a frase interrompida, à medida que as recordações se lhe golpearam na cabeça - Viu despir-me! Estava sentado enquanto eu me banhava.
- Tem um corpo lindo. Por que ia se envergonhar que o tenha visto? Só faz algumas horas que me pediu para fazer amor.
- É diferente.
- Peça-me que te toque agora, conscientemente, e será mais diferente ainda.
- Por que não...me tocou ainda? -perguntou ela depois de engolir saliva.
- Precisava tempo para você me conhecer, e eu te conhecer. Não tenho direito de te tirar a inocência, ainda que a ofereça, se não sabe a quem está se entregando.
- Não sou virgem. Já estive com outros homens.
Algo escuro e intenso brilhou nos olhos de Sesshoumaru. Algo selvagem. Ainda assim, conseguiu falar com serenidade:
-Não tocaram em sua inocência, não a mudaram. Mas eu sim o farei. Se eu me deitar com você, Rin, será como a primeira vez. Te farei sentir um prazer com o qual arderá...
Não seguiu falando. Deslizou um dedo pelo pescoço de Rin, a qual se estremeceu. Mas não se interrompeu.
Fosse quem fosse ou o que fosse, esse homem a comovia.
- E você o que sentirá? - perguntou ela.
- Prazer, desejo, necessidade - murmurou Sesshoumaru enquanto lhe roçava as bochechas com os lábios- A paixão que procurava e não encontrou nos outros homens. Desespero. Eu sinto isso por você, quer queira, quer não. Tem muito poder sobre mim. Parece suficiente?
-Não sei, ninguém sentiu algo assim por mim...
-Eu sim - Sesshoumaru desabotoou os dois primeiros botões da -me vê-la, Rin, aqui, às claras.
-Sesshoumaru - nomeou ela. Era uma loucura. Não podia ser real. E, no entanto, seus sentimentos eram intensos demais como para que fossem fictícios. Não, nada tinha sido mais real em toda sua vida, compreendeu assombrada- Acredito nisto... quero que me possua -adicionou com uma mistura de temor e desejo.
-Eu também - assegurou ele. Os dedos deixavam um rasto de fogo pela pele de Rin, à medida que desabotoava sua camisa e a tirava de seus ombros- Esta manhã saiu com pressa - adicionou com voz rouca ao ver que não vestia o sutiã.
Deu-se o prazer de passar a ponta de um dedo sobre seus seios, sobre os mamilos.
- Sabe que não posso detê-lo -disse Rin, rendida.
- Sim pode - Sesshoumaru continuou acariciando-a com suavidade - Basta uma palavra. Ainda que espero que não o faça, porque ficarei louco se não fizer amor com você agora. Quer que eu lhe toque?
- Sim - respondeu ela.
- Uma vez disse que não queria uma relação simples - recordou Sesshoumaru enquanto desabotoava o botão das calças - Não será. Para nenhum dos dois - acrescentou enquanto introduzia os dedos sob a roupa íntima de Rin.
- Por que quer que ocorra? –perguntou esta.
- Porque está em minha cabeça, em meu sangue - respondeu Sesshoumaru.
O que era verdade, ainda que tentava de se convencer de que podia fechar as portas do coração. Por que resistir? Por que não aceitar, inclusive celebrar, essas sensações fabulosas, o calor de seu ventre e o tremor de seu pulso?
Sesshoumaru era o que queria, com uma fome que não tinha sentido por nenhum homem.
Assim devia se entregar, fosse qual fosse o preço que tivesse que pagar. Com tudo, as mãos lhe tremeram ligeiramente enquanto se desfazia da camisa dele. Depois, maravilhada, posou-as sobre seu peito. Potente, cálido. Uma força a ponto de descontrolar-se. Ela sabia, mas não quis deixar de acariciar-lhe os ombros, de baixar as mãos pelos músculos de seus braços. Ouviu um gemido felino, imaginou que se tratava do cão, mas depois compreendeu que tinha saído dela mesma.
- Já fiz isto antes... em sonhos - sussurrou Rin, olhando-o aos olhos.
- E agora? -perguntou Sesshoumaru com delicadeza, apesar da urgência que o assolava - Dará um passo além de seus sonhos? Deitará comigo, Rin?
Esta subiu nos pés de Sesshoumaru a modo de resposta, para poder estar mais perto de sua boca.
- Abraçe-me - pediu ele, emocionado por esse gesto tão belo.
Rin sentiu que o ar tremulava, ouviu que o vento soprava. Teve a sensação de que se elevava, de que tudo dava voltas. Antes de chegar a ter medo, de repente, estava deitada sobre Sesshoumaru, sobre uma cama tão suave como um colchão de nuvens.
Abriu os olhos e viu raios de luz que se filtravam por um teto de madeira.
- Como?
- Tenho muita magia para te presentear, Rin - disse ele enquanto lhe beijava o pescoço - Mais da que possa imaginar. Deu-se conta de que estavam na cama de Sesshoumaru. Num abrir e fechar de olhos, tinham passado de um ambiente para outro. E agora, suas mãos...como era possível que o simples atrito da pele contra pele despertasse sentimentos tão profundos?
- Deixa-me entrar em seus pensamentos - lhe pediu ele sem deixar de acariciá-la - Deixa-me que os toque e que te mostre.
Rin abriu a mente e, de repente, não só sentiu o calor carnal, mas também se viu junto a Sesshoumaru, unidos sobre uma cama iluminada pelo sol.
Cada sensação se refletia como se tivesse milhares de espelhos frente a seu coração. Sesshoumaru precisou só um beijo para levá-la até a cume. Rin gemeu, viu um crisol colorido, sentiu os lábios de Sesshoumaru sobre os ombros. Não tinha preço. Rin era um tesouro. Era franca, tinha-se aberto a ele por completo.
Por fim podia percorrer seu corpo com as mãos, saboreá-la com a boca.
O animal que batia em seu sangue queria devorá-la, empurrar até chegar ao final. E ela não se oporia. Mas Sesshoumaru não queria perder o controle, tinha que tratá-la com ternura. Rin se movia sobre dele, suspirava e se esticava elevada no prazer. Acariciava-o com toda liberdade, provocava incêndios em sua pele.
Sesshoumaru separou a cabeça, olhou-a nos olhos e ela sorriu.
- Levei toda a vida esperando sentir-me assim - confessou Rin enquanto lhe acariciava o cabelo - Ainda que não soubesse o que estava me esperando.
O amor se aproxima.
Sesshoumaru recordou as palavras, como se fossem um aviso, um sinal, um sussurro. Preferiu não lhes dar atenção e voltou a afundar a boca nos seios de Rin, a qual se ergueu e deu um pequeno grito. Depois gemeu e atraiu a cabeça de Sesshoumaru, pedindo-lhe que se colasse a ela mais e mais. Notou uma explosão de calor em seu âmago. Sesshoumaru a atormentou com a língua e ela se abandonou a ele, tremula, enquanto o corpo e a mente ascendiam por uma espiral de prazer. Ninguém a tinha tocado assim jamais. Parecia que Sesshoumaru sabia melhor do que ela seus próprios segredos e desejos. O coração não lhe pertencia mais, abriu-se por completo para dar-lhe as boas vindas ao amor e se agarrou a ele sem parar de pronunciar seu nome, enquanto rolavam loucamente sobre a cama, enquanto os corpos se umedeciam de desejo e as mentes se ofuscavam de prazer.
Rin era... uma glória, pensou Sesshoumaru enquanto atingia picos de prazer e emoção que jamais tinha compartilhado com nenhuma outra mulher. Tinha os cinco sentidos embriagados pela fragrância, o sabor, a textura de sua pele. Rin lhe dava tudo o que ele lhe pedia, abrindo-se como uma flor, pétala a pétala. Beijo a beijo ia incendiando-lhe os ombros, o peito, de novo sua boca ávida, enquanto arqueava a cintura contra Sesshoumaru e notava a umidade cálida que já cobria sua feminilidade.
Gemeu, teve um espasmo de prazer que a deixou tremendo, elevou levemente o corpo para fincar-lhe as unhas nas costas... Até que Sesshoumaru agarrou suas mãos, tombou-a contra o colchão e esperou que Rin abrisse os olhos e a olhasse:
- Agora.
A palavra retumbou como um juramento enquanto a penetrava. Permaneceu ali, quieto, observando a mirada de êxtase de Rin, enquanto se consumia com a excitação de estar dentro dela.
Então, Rin começou a mover-se. Subiu os quadris e ele obedeceu sua súplica, começou a deslizar-se por seu interior, muito lentamente uma e outra vez. Só via os olhos de Sesshoumaru, dourados, mais e mais intensos à medida que se aproximavam do lugar secreto onde o ar acariciava como se fosse veludo.
Abraçou-o sem deixar de olhá-lo enquanto o coração batia com potência e parecia que iria estourar a qualquer momento. Quando chegou a explosão, apertou-se contra ele e gritou seu nome como se fosse um conjuro. Sesshoumaru desabou sobre ela e repousou a cabeça contra ela.
Sesshoumaru permanecia com a cabeça entre seus seios e respirava lentamente. Rin fechava os olhos para preservar a sensação de queda. Jamais tinha sentido uma harmonia semelhante com seus desejos nem com um homem. e nunca tinha desejado tanto entregar-se desse modo. Um pequeno sorriso lhe curvou os lábios enquanto acariciava o cabelo de Sesshoumaru. Estavam desfalecidos, nus, úmidos e enredados. Perguntou-se quanto tempo passaria até que ele quisesse tocá-la de novo.
- Já quero - contestou Sesshoumaru com voz rugosa. Lambeu a lateral de um seio e Rin estremeceu.
- Os pensamentos são privados.
Era tão doce compartilhar com ela o crepúsculo do amor. Ergueu uma mão, acariciou-lhe os seios em seguida apertou um mamilo.
- Já estive dentro de seus pensamentos -respondeu Sesshoumaru enquanto o desejo acordava nela novamente - Tenho estado dentro de você. Já não têm sentido os segredos.
- Os pensamentos são privados - repetiu Rin ao mesmo tempo em que gemia de prazer.
- Como queira - Sesshoumaru saiu de sua mente ao mesmo tempo que voltava a introduzir-se dentro dela.
Devia de ter ficado adormecida. Não recordava nada depois dessa segunda viagem ao paraíso. Esticou-se na cama e viu que estava só. O sol da manhã tinha dado lugar para uma tarde chuvosa. A monotonia das gotas a convidavam a fechar os olhos e voltar a dormir.
Mas a curiosidade era mais forte. Estava na cama de Sesshoumaru, em sua casa. Alisou o cabelo, sorridente, e olhou ao redor.
A cama era incrível. Um lago de plumas coberto por lençóis sedosos, com um dossel de madeira negra com incrustações de estrelas e símbolos e letras que não era capaz de decifrar. Também tinha uma lareira frente à cama. De uma espécie de pedra verde, decorada com cristais coloridos. Um triângulo de velas ocupava um dos lados.
Tinha uma cadeira alta, com estrelas como as do dossel. Um dos braços estava enfeitado com desenhos de luas crescentes. Dois lustres com forma de sereia dominavam as mesas que tinha em ambos lados da cama. Fascinada, acariciou suas incrustações de bronze. Tinha poucos móveis, observou Rin, mas era óbvio que tinha bom gosto.
Levantou-se, esticou o corpo e jogou o cabelo para trás. A chuva lhe produzia uma agradável sensação de prazer. Em vez de procurar a roupa, abriu o armário de Sesshoumaru com a esperança de encontrar alguma camisa.
Encontrou-a... e sentiu um pequeno calafrio. Uma camisa longa e branca, de mangas largas.
Tinha-a usado a noite anterior. No círculo de pedras. Sob o luar. Era a bata de um bruxo. Fechou o armário a toda pressa, deu meia volta e procurou sua roupa. Recordou que estava no andar debaixo. Sesshoumaru a tinha despido no andar debaixo e depois...
O que estava fazendo? Em que estava pensando? Tudo aquilo tinha acontecido ou estava ficando louca? E se tivesse acontecido, se a magia não pertencia somente aos livros, será que Sesshoumaru a tinha utilizado para seduzi-la? Na falta de outra coisa, cobriu-se com um lençol... justo quando a porta do dormitório se abriu.
Sesshoumaru ergueu uma sobrancelha ao vê-la, deu um passo à frente e notou a desconfiança de Rin.
- O que aconteceu agora, que eu já não tenha explicado? – perguntou incomodado enquanto colocava a bandeja com o café da manhã sobre uma das cabeceiras.
- Como pode explicar o inexplicável?
- Sou o que sou – respondeu Sesshoumaru - Um Yokai descendente de uma família de Yokais, nascido com poderes especiais.
Não... não tinha outra opção além de aceitar. Tinha-o visto, tinha-o sentido.
- Usou esses poderes comigo, Sesshoumaru? - perguntou Rin com voz serena.
- Você me pediu para não entrar em sua mente. Dado que respeito seus desejos, tente especificar um pouco sua pergunta - replicou ele, irritado, enquanto se sentava a um lado da cama. .
- Me senti atraída por você desde o primeiro momento. Comportei-me com você como não me tinha comportado com nenhum outro homem. Acabo de me deitar com você e senti coisas... -Rin respirou profundo, olhou-o na face e acreditou ver um brilho triunfal em seus olhos – Você me enfeitiçou para me levar para a cama?
O brilho se escureceu e o triunfo se converteu em fúria num instante. Rin retrocedeu um passo para trás, por instinto. Sesshoumaru deixou a xícara de chá que tinha começado a beber e um trovão soou não muito distante.
- Se refere a alguma poção de amor? - perguntou - Sou Yokai, não um estuprador. Acredita que abusaria dos meus poderes, que mancharia meu nome para conseguir sexo? Eu não te persegui, mulher. Não sei que terá influído no destino, mas é você a que veio para este lugar, para mim, por sua própria vontade. E é livre para ir embora como veio - adicionou furioso.
- Como quer que não estranhe? - replicou Rin - Supõe que tenho que dar os ombros e aceitar tudo? Ah, Sesshoumaru é um Yokai. Coisa que eu nem sabia que existia! Que bom! Pode se transformar em um cão e ler meus pensamentos e me transportar de um ambiente para outro num abrir e fechar de olhos, que curioso! Sou uma mulher culta, que de repente se vê no meio de uma espécie de conto fantástico. E farei as perguntas que me dê vontade!
- Eu gosto quando se aborrece - murmurou Sesshoumaru - Por que será?
- Não tenho nem idéia - contestou ela -e eu não me irrito, de verdade. Eu nunca grito, ainda que esteja gritando agora. Como não costumo despir-me antes de chegar à cama e não me dedico a discutir com um homem coberta só com um lençol. Por isso te perguntei se me fez algo para que me comportasse assim. Acredito que seja lógico.
-Pode ser que seja. Ofensivo, mas lógico. A resposta é não – contestou com voz cansada enquanto voltava a sentar-se na cama - Não te enfeiticei, Rin. Em minha família há uma lei inquebrantável: não podemos usar nossos poderes para manipular ninguém. E eu não te magoarei. E não só por isso, mas porque meu orgulho me impede manipular seus sentimentos por mim. O que você sente, é porque você o sente... Suponho que queira se vestir -adicionou. Moveu um dedo e a roupa de Rin apareceu sobre a cadeira.
- E espera que eu não me assuste com estas coisas, não é? –Rin soltou uma risada - Espera muito de mim, Sesshoumaru.
Ele a olhou e pensou nos genes que corriam pelo sangue dela. Era óbvio que ela ainda não estava pronta para descobrir isso, decidiu, desagradado por sua própria impaciência.
- Sim, suponho que sim. Espero muito de você, porque tem muito potencial, Rin. Deveria confiar mais em si mesma.
-Ninguém nunca teve fé em mim - respondeu ela, mais calma, aproximando-se a Sesshoumaru - Isso me parece mais mágico que todos seus truques. Começarei confiando no seguinte: o que sinto por você é verdadeiro. Parece suficiente?
Sesshoumaru ergueu uma mão e tomou a que segurava o lençol de Rin.
- Suficiente - aceitou, comovido por uma ternura infinita - Sente-se, o chá está esfriando.
-Não quero chá - recusou Rin. Excitava-a ser tão descarada, afastar o lençol sem recato - E não quero me vestir. Mas quero você.
