Capítulo Nove

Estava enfeitiçada. Mas não mediante um feitiço, pensou Rin, encantada. Não por meio de nenhum conjuro ou força sobrenatural. Estava apaixonada e essa, supôs, era a mais antiga e natural prova de do que a magia existia.

Nunca tinha sentido tão cômoda nem tão inquieta com outro homem. Nunca tinha sido tão tímida e tão atrevida como com Sesshoumaru. Olhando atrás, analisando seus próprios atos, suas reações, palavras e desejos, compreendeu que tinha se apaixonado por ele ao vê-lo nos alcantilados, quando Sesshoumaru a tinha surpreendido falando sozinha sobre uma rocha.

Amor à primeira vista, pensou Rin. Uma página mais para seu conto de fadas particular. E depois de se apaixonar, tinham desenvolvido uma amizade a qual valorizava muitíssimo. Companhia, tranqüilidade.

Sabia que Sesshoumaru gostava tê-la perto, para trabalhar, para falar, para sentarem calados e olhar as mudanças do céu ao pôr-se o sol. Sabia disso por perceber como sorria ao vê-la ou como lhe acariciava o cabelo distraidamente.

Em ocasiões como essas, notava que a inquietude interior de Sesshoumaru se apaziguava. Não era estranho, perguntou-se, que ela tivesse ido ao bosque a procura de paz e que a tivesse proporcionado a Sesshoumaru? A vida, pensou enquanto se sentava a desenhar junto ao ribeirão, era maravilhosa. E agora, finalmente, estava começando a vivê-la. Era maravilhoso trabalhar em algo que gostava, sentar e desenhar, explorar seu talento, contemplar como se filtravam os raios do sol através das árvores, observar o brilho do água.

Agora dispunha de tempo para tudo isso. Tempo para ela. Já não tinha que madrugar todas as manhãs, vestir uma roupa da qual não gostava, desesperar-se com o trânsito, dirigir sob a chuva com uma valise repleta de papéis. E estar frente a seus alunos, sabendo que não era o suficientemente boa, sem dedicar a atenção que os garotos mereciam. Não teria que regressar a uma casa no fim da tardes que nunca tinha considerado seu lar, nem jantar e dormir sozinha. Salvo as quartas-feiras e os domingos, quando seus pais a esperavam para jantar. Já não teria que ouvir seus conselhos sobre como devia dirigir sua vida. Semana após semana, mês após mês, ano após ano. Não a estranhava que estivessem tão desconcertados com aquela escapada. Como reagiriam se dissesse que tinha traspassado os limites do imaginável e se tinha apaixonado de um Yokai?

A idéia a fez rir. Não, seria melhor não revelar certas questões. Seus queridíssimos pais jamais acreditariam. A ela mesma custava a entender. Não podia negar que era verdade, mas como era possível? Como podia Sesshoumaru fazer o que ela o tinha visto fazer? Tinha-o visto, fazia menos de uma semana. E, desde então, assistiu a uma dúzia de pequenas e inexplicável surpresas. Tinha-o visto acender velas com o pensamento, tirar uma rosa branca do nada... e numa ocasião a tinha despido com um sorriso.

Tudo isso a maravilhava. Mas se fosse sincera, em parte a assustava também. Ele tinha tais poderes...

- E nunca os usará contra você – ouviu Rin dentro da sua mente.

Esta se sobressaltou e o caderno caiu no chão. Ao mesmo tempo em que levava a mão ao coração, viu a águia prateada pousar na frente dela num ramo.

- Oi, sou Rin - se apresentou esta depois de limpar a garganta. Em seguida, o águia abriu as asas, desceu do ramo e transformou-se num homem.

- Sei bem quem é, moça - disse ele com voz musical.

- É o pai de Seshoumaru – aventurou Rin, entusiasmada.

- Sou - Inutaisho sorriu, aproximou-se dela, tomou-lhe uma mão para ajudá-la a se levantar e galantemente lhe beijou - Encantado em conhece-la, jovem Rin.

- Por que está aqui sozinha? Preocupando-se?

- Eu gosto de ficar sozinha algum tempo. E se preocupar é umas das coisas que faço melhor.

Inutaisho balançou a cabeça, estalou os dedos e fez que o caderno de desenhos voasse até suas mãos.

- Não, esta sim que é uma de suas especialidade - respondeu enquanto se sentava sobre o tronco de uma árvore caída, seu cabelo caia pelos ombros como uma cortina de prata líquida. - Tem muito talento... Sente-se, não vou te devorar – afastou-se para lhe dar espaço para que sentasse no tronco.

- É tudo tão... chocante.

- Por que? - perguntou ele, realmente surpreso.

- Por que o que? - repetiu Rin ao mesmo tempo em que se sentava junto a um Yokai ao que acaba de conhecer - Pode que você esteja acostumado, mas é um pouco estranho para um simples mortal.

Os olhos de Inutaisho aumentaram de tamanho. Como era possível que o cabeça-dura de seu filho não tivesse falado do legado dela? O que estava esperando?

- Já ouviu lendas, canções que falam de nós, não? - perguntou por fim.

- Sim, claro, mas...

- E de onde acha que provem essas lendas e essas canções? – atalhou Inutaisho - Têm sua origem na realidade. Ainda que seja verdade que em muitas ocasiões a realidade seja alterada com mentiras; como quando inventam que os Yokais se dedicam a comer a meninos inocentes. Por acaso, está pensando que faremos uma pequena ceia com você? - adicionou em tom divertido.

- Não, em absoluto.

- Então deixa de se preocupar - Inutaisho folheou o caderno e sorriu ao ver um par de olhos de uma fada olhavam através de um ramo de flores - Muito bonito, garota. Como é que não usas cores?

-Não me dou muito com cores –respondeu Rin - Eu pensei que poderia incorporar alguns trabalhos em cera, mas não tenho muitas paletas, talvez possa ser divertido.

Inutaisho fez um som de aprovação e seguiu virando páginas.

- É ele - disse sorridente ao chegar a um desenho que parecia com Sesshoumaru – Sabia que você é poderosa? –adicionou depois.

-Verdade? -perguntou Rin, confusa.

-Todas as mulheres têm seu poder, Rin. Só têm que aprender a usá-lo. Peça qualquer coisa a ele.

- O que?

- O que lhe agradar – respondeu Inutaisho – Você me daria este desenho ? Para minha esposa?

- Sim, com certeza - Rin foi arrancá-lo, mas a página desapareceu de repente.

- Izayoi está com saudades- comentou Inutaisho - Que você tenha um bom dia, Rin dos O'Meara.

-Não quer... - mas desapareceu antes que pudesse pedir para que a acompanhasse até casa de Sesshoumaru.

Levantou e seguiu o caminho sozinha.

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Não estava esperando-a. Ou ao menos isso era isso que dizia a si mesmo. Tinha muitas outras coisas com as quais se ocupar. E, com certeza, não estava dando voltas desesperado, desejando a chegada de uma mulher.

Não tinha dito a Rin que não tinha intenção de trabalhar esse dia? Não o tinha dito exatamente porque os dois precisavam se separar um pouco? Porque ambos queriam preservar alguns momentos para ficarem sozinhos?

Mas, onde diabos ela estava? Poderia ter olhado, mas seria o mesmo que reconhecer que desejava sua companhia. E ela tinha deixado bem claro que queria que respeitasse sua intimidade. E ele a respeitaria, certo? Não ia se deixar levar por essa necessidade imperiosa de conferir a bola de cristal e fisgar seus pensamentos, não é?

Maldita fosse!

Podia chamá-la. Deixou de andar como um animal engaiolado e ficou pensando. Isso não poderia ser considerada uma intromissão. E ela era livre para não responder ao chamado caso não quisesse, disse enquanto saía do refúgio.

Mas ela atenderia ao chamado, pensou. Era generosa demais. Se pedisse, Rin viria. E pedir isso seria como confessar sua fraqueza por ela. Só era uma necessidade física, assegurou-se Sesshoumaru.

O desejo de saboreá-la, tocá-la e cheirá-la. Só que dessa vez era mais intenso do que em outras ocasiões, devia-se ao fato de estar se contendo durante muito tempo. Sempre tinha sido delicado com ela. Por mais que seu sangue fervesse a tinha tratado com ternura. Quando o instinto o tinha impulsionado a tomá-la de qualquer jeito, ele tinha se refreado.

Porque ela era uma mulher terna, recordou-se. Tinha a responsabilidade de se controlar a fim de não a assustar enquanto faziam amor. Mas para ele não bastava isso. Sua paixão era mais selvagem. Por que não podia satisfazer seus próprios desejos?

Sesshoumaru meteu as mãos nos bolsos e passeou pela varanda de um lado a outro. Se decidisse, embora ainda não o tivesse feito, aceitá-la como companheira, Rin também teria que o aceitá-lo. Por inteiro. Já estava cansado de lhe dar tempo e tratá-la com tanta tato, pensou cada vez mais agitado.

Sim, já era hora de que soubesse toda a verdade.

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Sesshoumaru ergueu o olhar e os braços para o céu. Ato seguido, um relâmpago explodiu e o transportou até a varanda da casa de Rin. E soube de imediato que não estava em casa. Amaldiçoou, irritado consigo mesmo, não só por ter cedido ao desejo, demonstrando assim como precisava dela, como irritou-se também com ela, por não estar onde esperava tê-la encontrado.

Mas daria um jeito, claro que sim!

Rin saiu do bosque sorridente. Estava ansiosa para contar a Sesshoumaru que tinha conhecido seu pai. Supunha que se sentariam na cozinha e ele contaria histórias sobre sua família. Era tão bom contando histórias, que podia escutar as ondas musicais subindo e descendo de sua voz durante horas. E agora que tinha conhecido seu pai, teria um pretexto para perguntar se podia conhecer outros membros de sua família. Ele já tinha mencionado alguns primos em outra ocasião, assim que...

De repente engoliu em seco. Kagome. Santo Deus! Não tinha dito em alguma ocasião que Sesshoumaru era seu parente? Não significava isso que ela também era uma....?

- A vida é assombrosa – murmurou Rin entre risos.

Enquanto o dizia, enquanto seu riso ressoava no ar, o vento soprou. O caderno caiu de suas mãos pela segunda vez no dia. Um terremoto? Pensou atemorizada. Sentiu que tudo girava, o vento galopava entre as árvores, luzes brilhantes e cegadoras cintilavam na sua frente. Tentou chamar por Sesshoumaru, mas não conseguiu. E, de repente, estava colada a ele, que a beijou com firmeza enquanto as luzes continuavam girando. Não podia pensar nem respirar. O coração martelava no peito e a cabeça rodava. De repente, tinha os pés no ar, enquanto Sesshoumaru seguia devorando-a, brutalmente. Também tinha invadido seu cérebro, tinha-se infiltrado em seus pensamentos, seduzindo-os com a mesma inexorabilidade com que tinha seduzido seu corpo.

Incapaz de distinguir entre um e outro, Rin começou a tremer.

- Sesshoumaru, espera...

- Aceite o que ofereço – respondeu este. Atirou o cabelo para trás, de modo que Rin pôde ver o brilho aterrorizador de seus olhos - Me deseje como eu sou - e seguiu explorando seu corpo, ao mesmo tempo em que a levava ao cume com o pensamento. Quando Rin gritou, caíram juntos sobre a cama. O cabelo se soltou e se espalhou sobre o colchão enquanto suas pupilas se dilatavam pela paixão e pelo medo.

- Me dê o que preciso.

Quando a mente de Rin disse sim, ele a tomou.

O calor chegou em ondas, as sensações lhe golpearam como punhos. Tudo era uma mistura de sentimentos selvagens e abrasadores. Tinham traspassado os limites do civilizado, Sesshoumaru estava atuando como o cão que levava dentro de seu ser, pensou Rin enquanto ele lhe rasgava a roupa. Ouviu o rugido que saiu de sua garganta antes de levar a boca seus seios. E depois ouviu um grito, seu, glorioso. Não tinha tempo para flutuar nem suspirar.

Só para seguir com ele enquanto cada um de seus nervos vibrava. Mal tinha fôlego, retorcia o corpo a cada nova exigência de Sesshoumaru. Cujas mãos a apertavam, cujos dentes a mordiscavam, produzindo uma dor leve e intensamente prazerosa e Rin pediu mais.

Se ergueu de maneira que ambos ficassem ajoelhados sobre a cama, torso contra torso. Sesshoumaru a percorreu com as mãos, liberado o animal de seu íntimo, e seguiu devorando-lhe os lábios como um depredador. Rodaram sobre o colchão, entrelaçavam-se e se perderam juntos. O desejo tinha dentes e uma voz que uivava como uma besta. Voltou a levantá-la enquanto ela gemia seu nome e lhe fincava as unhas. Lutava por respirar, o ar queimava dentro de seus pulmões e de novo Sesshoumaru conquistou sua boca. Rin se arqueava, agitava a cabeça de um lado a outro enquanto se agarrava aos lençóis, às costas e ao cabelo dele.

Deixou-a louca com a língua e com os dentes, estremeceu quando notou o orgasmo dela, quando o corpo de Rin se elevou como uma chama e depois desceu.

- Venha comigo - sussurrou Sesshoumaru enquanto a levantava, sem deixar de beijar sua pele, ainda tremula. Levantou seus quadris, separou-lhe as pernas e arremeteu.

Quente, rígido, veloz. Seus corpos e suas mentes ascenderam juntos. Sesshoumaru se afundou nela profundamente, ao mesmo tempo em que lhe mordia os ombros. Rin se agarrava a ele, abandonada àquele êxtase escuro e perigoso. Seu corpo palpitava de energia e seus movimentos eram tão ferozes como os dele. O sangue chamou ao sangue e o coração ao coração. E num último empurrão, com um grito selvagem e violento, esvazio-se dentro dela. E Rin o acolheu.

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Estava espantado demais para falar, aturdido demais para mover-se. Sabia que seu corpo era muito pesado para Rin, que ainda seguia tremendo embaixo dele; que ainda respirava com dificuldade. A tinha usado sem controle. Propositalmente, egoistamente. Era evidente que tinha anteposto suas próprias necessidades, a tinha maltratado. Tinha sacrificado aquela relação por um instante apaixonado, a doçura por uma satisfação física passageira e agora tinha que enfrentar as conseqüências: o medo de Rn e a traição de seu juramento mais sagrado: não fazer dano a ninguém.

Rodou para um lado da cama se afastando dela. Ainda não estava preparado para olhá-la nos olhos.

Imaginou que estaria pálida e que seus olhos brilhariam aterrorizados.

-Rin.., -sussurrou. Mas as desculpas que lhe ocorriam tinham menos consistência que o ar que os envolviam.

- Sesshoumaru - suspirou ela. Quando se voltou para abraçá-lo, Sesshoumaru se separou bruscamente e levantou para ir até a janela.

- Quer água?

-Não -o corpo ainda tremia enquanto sentava na cama. Não pensou em se cobrir com os lençóis, como costumava fazer, e sim que os deixou enroladas sobre as pernas. Ao ver que Sesshoumaru lhe dava as costas, seu esplendor começou a apagar. Chegaram as dúvidas – O que fiz de errado?

- Como? - Sesshoumaru se deu a volta.

Viu seu cabelo, prateado e revolto ao redor dos corpo nu; viu seu corpo, suave e branco, com as marcas de suas mãos.

- Pensava que... mas está claro que não... Não tenho experiência nisso que acaba de acontecer -disse Rin com um fio de voz - Se fiz algo errado, ou não fiz algo que esperava que eu fizesse, ao menos poderia dizer.

-Está louca? -perguntou Sesshoumaru, assombrado.

- Estou perfeitamente sã - respondeu ela. Tanto, que queria esconder a cabeça no travesseiro e começar a chorar. E gritar - Pode ser que eu não saiba muito sobre a prática do sexo, mas sei que sem comunicação e sinceridade fracassam todas as relações.

-A mulher está me dando uma lição - murmurou ele, ao mesmo tempo em que passava a mão sobre os cabelos - A esta altura, está me dando uma lição.

- Certo, não me escute – contestou Rin, insultada e magoada, enquanto saía da cama - Fica ai olhando pela janela. Eu vou para casa.

-Está em casa -disse Sesshoumaru - Em sua choupana, seu dormitório, na cama sobre a qual lhe devorei.

-Mas... -Rin olhou ao arredor, confundida, e comprovou que estava em seu dormitório. A cama o separava de Sesshoumaru, que seguia de pé frente à janela - Então saia você - adicionou com a pouca dignidade que lhe restara.

- Tem o direito de está irritada.

- Com certeza - assegurou Rin. E não ia começar a chorar diante dele, totalmente nua. Assim foi ao armário e se pôs uma camisa.

- Lhe peço perdão, Rin, ainda que não acredite que sirva para alguma coisa, depois do que lhe fiz. Dei minha palavra que não a machucaria e a quebrei.

Rin girou o corpo, desconcertada, enquanto cobria os seios com a camisa.

- Como assim a quebrou?

- A desejava, e não pensei... Propositalmente não pensei no depois. Consegui o que queria e lhe machuquei.

Rin notou que não era irritação o que via em seus olhos, e sim culpa.

- Não me machucou, Sesshoumaru.

- Fiz marcas em seu corpo. Tem uma pele delicada, Rin, e eu a marquei. Isso eu posso arrumar facilmente, mas...

-Espera, espera -Rin levantou uma mão quando Sesshoumaru avançou em sua direção. E ele se deteve no mesmo instante, mortificado.

- Não pretendia tocá-la, e sim apagar as marcas.

- Deixa as marcas em paz - respondeu ela enquanto vestia a camisa - . Está irritado porque me desejava?

-Porque te desejava tanto que perdi a cabeça.

-Verdade? -respondeu ela, sorridente, ante a perplexidade de Sesshoumaru - Pois eu estou encantada. Ninguém nunca me desejou tanto para perder a cabeça. Em toda minha vida. E jamais imaginei o que poderia suceder. Talvez me falte imaginação, mas não importa, porque vi. Sei - adicionou. Agora foi ela a que se aproximou de Sesshoumaru.

Este acariciou seu cabelo sem dar-se conta de quanto desejava fazer essa carícia. De quanto precisava.

- Me apoderei de seus pensamentos quando você me disse que não queria que fizesse.

- E você me entregou os seus. Dessa vez não me queixarei -retrucou Rin, segurando seus os cotovelos , os braços cruzados encarando-o - O que acaba de passar foi emocionante, maravilhoso. Me fez sentir desejada. Escandalosamente desejada. O única coisa que me faria mau é que se arrependesse.

Sesshoumaru compreendeu que Rin era mais forte do que tinha suposto, e que talvez suas necessidades não fossem tão delicadas.

- Então não me arrependo nem um pouco - assegurou ele. Ainda assim, levantou-lhe a camisa - Mas me deixe apagar essas marcas. Não quero que tenha marcas. É importante para mim.

Deu um beijo na ponta de seus dedos e o coração de Rin quase parou. Depois, à medida que deslizava os lábios por sua pele, os arroxeados foram desaparecendo.

- Acredita que acabarei me acostumando?

- A que?

- À magia.

-Não sei -respondeu Sesshoumaru. «O saberias se olhasses», pensou.

-Tive um dia mágico -comentou ela, sorridente - Ia ver-te quando você... mudou o ponto de encontro. Queria te dizer que conheci seu pai.

-Meu pai?

-Estava desenhando no bosque e apareceu. Primeiro em forma de águia, mas me dei conta em seguida. Já o tinha visto antes - explicou Rin - . Também em forma de águia. Sempre leva um medalhão dourado no peito.

-Sim -disse Sesshoumaru. O medalhão que ele tinha que aceitar ou recusar.

- Depois se transformou e ficamos conversando. É muito bonito e muito amável.

-De que falavam? –perguntou Sesshoumaru, intranqüilo, enquanto se vestia.

- De meus desenhos, mais do que nada. Pediu-me do que lhe presenteasse um que tinha feito de você, para tua mãe. Espero que goste.

- Com certeza. Me ama muito.

- Me disse que ela sente sua falta, mas acredito que também falava dele. Em realidade, pensei que talvez vinha vê-lo - Rin olhou o estado dos lençóis e sorriu - Ainda bem que não veio, né?

- Ele não se transporia em meu dormitório para fazer-me uma visita -disse Sesshoumaru, mais relaxado, com um sorriso pícaro - Isso já faço eu.

- Mas também gostará de vê-lo.

- Estamos em contato - disse ele, enquanto desfrutava vendo-a fazer a cama. «Perde seu tempo, Rin. Não vamos demorar muito em voltar a usá-la», pensou Sesshoumaru.

- Está orgulhoso de você, e acredito que está mesmo. Disse-me... que pedisse algo a você - comentou enquanto arrumava os travesseiros.

- Sim? - Sesshoumaru riu e se sentou na cama - E daí vai pedir-me , Rin Murray?, Que quer que eu te consiga?, uma jóia para combinar com teus olhos?, diamantes para enfeitar seus pés? Se quer que eu lhe faça um favor não tem que fazer mais nada a não ser pedir- adicionou gracejando.

- Gostaria de conhecer sua família - disse Rin sem pensar-se duas vezes.

- A minha família? - Sesshoumaru piscou.

-Sim, bom... já conheci seu pai. E Kagome... disse-me que eram parentes, ainda que não sabia que fosse... Ela é?

-Sim -respondeu Sesshoumaru, distraído - Prefere isso a alguns diamantes?

-Que vou fazer com diamantes? Suponho que vai parecer uma tolice, mas gostaria de ver... como vive sua família.

Sesshoumaru ficou pensando e começou a considerar as vantagens e um modo de apresentá-la.

- Seria mais fácil compreender nossa magia, nossa vida.

- Sim, ao menos isso acredito. Tenho curiosidade - reconheceu ela - Mas se não estiver de acordo...

- Tenho alguns primos que não vejo faz tempo.

- Na Irlanda?

-Não, nas Terras do Oeste -respondeu Sesshoumaru. Estava tão concentrado planejando o encontro, que não percebeu a desilusão de Rin, que estava desejando ir a Irlanda - Faremos uma visita -decidiu, ao mesmo tempo em que se punha de pé.

- Agora?

- Por que não?

-Porque... -Rin não tinha previsto que Sesshoumaru fora se empolgar tão rapidamente - Bem, tenho que me vestir, não?

Sesshoumaru riu e lhe agarrou uma mão.

- Não seja tola- disse.

E ambos desapareceram.