Capítulo Dez

A única coisa que Rin tinha certeza era que estava abraçada ao potente peito de Sesshoumaru, com o rosto apoiada num de seus peito. O coração batia a toda velocidade e ouvia o eco do vento dentro da cabeça.

- Bom meio de transporte – disse, arrancando uma risada de Sesshoumaru com o comentário.

-Tem suas vantagens –respondeu enquanto lhe dava um beijo. Por um momento, Sesshoumaru se perguntou se não poderia ter atrasado a viagem um pouco...

-Onde estamos? -perguntou ela, depois de aterrissar.

- No jardim de minha prima Kanna -a informou Sesshoumaru enquanto a rodeava pela cintura - Vive numa das casas mais antigas da família. Rin se lembrou de sua nudez, olhou para abaixo e, com uma mistura de surpresa e alívio, viu que, em vez da camisa, usava jeans e uma camisa laranja.

- Seria muito pedir um pente? - perguntou.

- Gosto de seu cabelo assim – respondeu Sesshoumaru enquanto aproximava a cabeça para cheirá-lo - E tem mais, fica fácil acariciá-lo quando deixa ele solto.

-Ummm! -exclamou Rin ao sentir o cheiro das rosas e das lilases - É maravilhoso. Quem me dera soubesse como ter um jardim tão bem cuidado. Isso é...? - deixou a frase no ar ao ver um lobo que se aproximava deles.

- É um lobo, não um familiar. É de Kanna. E este é seu filho – respondeu Sesshoumaru depois de que um menininho branquinho, de olhos azuis, apareceu e ficou olhando-os com curiosidade. Sesshoumaru notou que o pequeno estava tentando ler os pensamentos - É de má educação olhar sem permissão -lhe disse.

-Está em meu jardim -respondeu o menino, sorridente - É o primo Sesshoumaru.

- E você Shipoo. Encantado – Sesshoumaru deu um passo à frente e lhe estendeu uma mão, com formalidade - Vim com uma amiga. Esta é Rin, e prefere que não espiem em seu cérebro.

O jovem Shipoo, de uns cinco anos, olhou-o nos olhos.

- Tem os olhos bonitos. Podem passar. Mamãe está na cozinha. -Depois deu meia volta e se pôs a correr para anunciar a sua mãe a visita, seguido de perto pelo cachorro lobo.

-É... Yokai? -perguntou Rin. Era um menino muito bonito, faltava um dente em sua boca, mas tinha poderes.

-Com certeza. Seu pai não é, mas seu sangue não pode apagar o rastro dos genes de minha família.

- Entendo - Rin respirou profundamente. Yokai ou não, pensou, iam entrar numa casa sem avisar de sua chegada - Não deveríamos chegar inesperadamente. Sua prima pode estar ocupada

- Seremos bem-vindos.

- Típico de um homem dar por certo... -mas não pôde completar a frase ao ver a casa. Era alta e estava iluminada pelo sol. Tinha torres que subiam para o céu - Parece saída de um conto de fadas. Que lugar mais maravilhoso para se viver!

Então a porta traseira se abriu e Rin ficou muda de inveja e admiração. Era evidente a quem tinha saído o garoto. Jamais tinha visto a uma mulher mais bela. Tinha cabelo branco, longo, ombros largos e olhos lilás. Sua pele era tenra, suas feições, agraciadas. Estava de pé, com uma mão sobre um ombro de seu filho, e a outra sobre a cabeça do lobo, enquanto uma gata branca se esfregava em seus tornozelos. E sorriu.

- Bem-vindo, primo! -exclamou. Chegou perto deles e beijou em ambas bochechas - Fico contente em vê-lo. E a você Rin.

-Se chegamos em mau momento... - começou esta.

- A família sempre é bem-vinda. Entre, nos tomaremos um refrigerante. Shipoo, corre lá acima e diga a seu pai que temos companhia - pediu a seu filho - Não seja preguiçoso, vá. Sobe e avisa - adicionou ao ver que o menino não fazia caso. Shipoo se encolheu de ombros e obedeceu.

- Tem muita potência no olhar – comentou Sesshoumaru enquanto o menino entrava na casa e chamava seu pai aos gritos.

- E algum dia aprenderá a usá-lo bem -respondeu Kanna, algo exasperada - Temos chá gelado... pão, sente-se - disse ao cachorro lobo, ao mesmo tempo que se sentavam na ampla e ventilada cozinha.

- Ele não me incomoda - apressou a dizer Rin, acariciando as orelhas enquanto o animal a cheirava - É estupendo.

-Já imaginava que estaria acostumada aos cães atraentes - comentou Kanna, olhando de soslaio para Sesshoumaru – Continua se transformando em cão, não?

- Isso é comigo.

- Disso não resta dúvida – Kanna olhou para a porta da cozinha.

- Papai já vem -cantou Shipoo, de volta na cozinha - Antes tem que matar uma pessoa.

- Com uma faca muito grande e afiada - adicionou sua irmã também se aproximando.

-Boa idéia -observou Kanna. Depois, ao ver a cara de espanto de Rin, começou a rir - Hakudoshi escreve roteiros de filmes de terror - explicou.

- Ah – Rin disse apenas mais aliviada.

- Podemos comer biscoitos? - perguntaram as crianças ao uníssono.

- Sim, mas sentem-se e comportem-se bem - respondeu Kanna. Ato seguido, uma tigela de cristal cheio de bolachas se elevou da bandeja e voou até a mesa - Midoriku, espera até que tenhamos servido a Sesshoumaru e Rin.

- Sim, mami - contestou a menina enquanto ria travessamente junto a seu irmão.

-Acredito que também vou sentar - comentou Rin - Sinto, não posso... não estou acostumada a tudo isto.

-Não está...? -Kanna interrompeu a pergunta e sorriu - A verdade é que demora um tempo para acostumar com meus filhos.

Depois pôs uns pratos sobre a mesa e se dirigiu a Sesshoumaru de mente a mente:

- Por que não a disse ainda, retardado?

- É assunto meu. Ainda não está preparada.

- Não deve esconder.

- Sei o que faço. Sirva o chá e deixa que eu faça as coisas a minha maneira.

- Burro renitente!

Sesshoumaru sorriu ao recordar que sua prima o tinha ameaçado em convertê-lo num burro durante uma briga de crianças. E o teria conseguido, pois era muito boa nesse tipo de conjuro.

-Me chamo Midoriku, quem é você? -perguntou a menina em voz alta.

- Sou Rin - respondeu esta, mais calma, sorrindo para a pequena, que tinha o corpo cheio de raspões e arranhões - Sou uma amiga de seu primo.

-Não se lembra de mim -disse Sesshoumaru enquanto se sentava - Mas eu sim me lembro de você, Midoriku, e de seu irmão, da noite que nasceu. Foi durante uma tormenta, nesta casa, como nossa mãe, que também nasceu aqui uma noite tormentosa. E nas colinas das Terras do Oeste, as estrelas do céu brilharam para celebrá-lo.

- As vezes vamos as Terras do Oeste visitar nossos avôs no castelo – interveio Shipoo - Um dia terei meu próprio castelo sobre uma montanha alta, junto ao mar.

- Espero que antes aprenda a arrumar seu quarto -disse de repente um homem que entrou com um bebê em cada braço.

- Meu marido, Hakudoshi, e meus filhos, Yura e Abbe. Este é meu primo Sesshoumaru, e sua amiga Rin - apresentou Kanna.

- Encantado de conhece-los. As meninas acordaram do cochilo com os cheiro das bolachas.

Deixou às meninas no chão. Uma montou no pescoço do lobo, que estava sentado sob a mesa, aguardando alguma migalha. E a outra engatinhou até Rin , subiu em sua perna e lhe deu um beijo em cada bochecha.

-Tens uns filhos lindos - disse Rin, fascinada, enquanto acariciava o cabelo macio de Yura.

- Decidimos ficar com eles - comentou Hakudoshi enquanto fazia cócegas em Shipoo e em Midoriku- até que encontremos outros melhores.

- Papi - Midoriku lançou um olhar adoração a Harudoshi, ao mesmo tempo que se movia para evitar que este lhe tirasse a bolacha que tinha na mão.

- É muito rápida - disse Hakudoshi. Voltou a fazer-lhe cócegas e conseguiu arrebatar a bolacha de seus dedinhos - Mas eu sou mais ligeiro.

- Mais glutão. - corrigiu Kanna - Tem cuidado com suas bolachas, Rin. Tratando-se de doces, não pode confiar nele.

- Natural - disse Sesshoumaru enquanto tomava uma bolacha do prato de Rowan - Tudo bem com Kikyou e Suikotsu, e seus filhos?

-Julgue por você mesmo – Kanna decidiu convidar a seus outros dois primos e a suas respectivas famílias - Esta noite jantaremos todos juntos para dar as boas vindas a vocês.

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A magia podia ser desconcertante, e podia ser cotidiana, descobriu Rin.

Podia ser assombrosa ou natural como a chuva.

Rodeada dos Taisho, embriagada pelas fragrâncias que vinham do jardim de Kanna, começou a acreditar que podia existir poucas coisas mais normais. O marido de Kanna, Hakudoshi, seu primo Suikotsu e o marido de Kikyou, Bankotsu, discutiam sobre o melhor método para acender a grelha. Kikyou estava sentada numa cadeira de vime, amamentando a seu filho pequeno enquanto os outros três corriam com os outros meninos e os cachorros, todo alegria entre risos e alaridos.

Kanna preparava canapés e batia um papo com a esposa de Suikotsu, Tsubaki, sobre os filhos, o trabalho, os homens, os típicos temas dos que qualquer família fala durante uma festa agradável.

Rin tinha a sensação de que Sesshoumaru estava um pouco distante, e se perguntava por que. Mas quando uma das meninas de Kikyou jogou os braços, Sesshoumaru sorriu e a subiu a ombros com naturalidade. Os observou com atenção enquanto ele estava com a pequena no colo, escutando com grande interesse o que esta falava. Gostava de crianças, pensou Rin, entusiasmada. Aquilo era um lar, disse-se. Fossem Yokais ou não, era um lar com meninos que riam e se insultavam, caíam e choravam como todos os meninos do mundo. E os homens discutiam de esportes, e as mulheres falavam de bebês e todas eram lindas.

Kanna, uma beleza morena inigualável; Kikyou, delicada e adorável; Tsubaki, mais sedutora que nunca com sua segunda gravidez. E os homens... eram todos deslumbrantes: Hakudoshi podia ser estrela de qualquer filme de Hollywood, Suikotsu tinha um ar romântico e travesso, e Bankotsu era alto e robusto, e Sesshoumaru, com certeza, com esse reflexo dourado que iluminava sempre seus olhos.

Podia ter evitado apaixonar-se por ele? Não, de jeito nenhum. Teria sido impossível por mais do que tivesse tentado.

-Senhoritas -disse Suikotsu - os homens precisam de cerveja para levar a cabo seu trabalho.

- Pois seja um homem e pegue-as da geladeira – replicou Tsubaki.

- E bem mais divertido quando nos servem -Suikotsu acariciou o ventre protuberante - Está nervosa, quer se deitar?

- Estamos bem - Tsubaki afastou a mão. Mas logo depois ele se inclinou e sussurrou algo ao seu ouvido que a fez sorrir e seu rosto se iluminou - Ora, Taisho, vai pegar sua cerveja e prossiga jogando com seus amigos...

- Ele baba pelos bebês. Quando Hiten nasceu, Suikotsu anunciou como se ele tivesse dado a luz – adicionou depois, uma vez que ele saira para pegar as cervejas.

- É um pai maravilhoso – comentou Kikyou enquanto colocava seu bebê sobre um ombro e dava umas palmadinhas nas costas.

-Eu posso segurar ele? –perguntou sua enteada, Urasue – Ficarei com ele na até que durma e colocarei ele no berço sobre a sombra. Não se preocupe, mamãe, terei cuidado.

- Sei que terá, Urasue. Tome, cuide de sua irmãzinha.

Rin ficou olhando à menina, que devia ter uns dez anos. Se era enteada de Kikyou, e Houjo não era bruxo...

Ayumi também não o era. E, no entanto, não parecia que a menina se sentisse fora de lugar entre seus primos.

- Quer mais vinho, Rin? – Kanna encheu uma taça sem esperar que aquela respondesse.

-Obrigada. Sinto por ter dar tanto trabalho e chegar sem avisar.

- O prazer é nosso. Sesshoumaru não aparece com muita freqüência – contrapôs Kanna num tom cálido e amistoso - Por que não nos conta como conseguiu trazê-lo até aqui?

- Simples, disse que queria conhecer alguns de seus parentes.

- Simplesmente disse – Kanna trocou uma olhada cúmplice com Kikyou - Concorda que é... interessante?

- Espero que fique uns dias - Kikyou apertou a mão de sua prima por baixo da mesa - Conservei minha antiga casa para quando a família nos visita ou algum amigo. Ficaria honrada que ficassem lá

- Obrigada, mas não trouxe nenhuma muda de roupa - respondeu Rin. Olhou para si mesma e lembrou que tinha saído de Tottori com somente uma blusa sobre o corpo e tinha aterrissado completamente vestida no quintal de Kanna - Ainda que imagino, isso não seja um problema, né?

- Logo se acostumará - Kikyou riu e mordeu uma cenoura - Ou quase isso.

Rin não estava muito certa a respeito daquilo, Mas se sentia a vontade ali, me meio aquelas pessoas. Bebeu um gole de vinho e olhou para Sesshoumaru, que estava conversando com Bankotsu. Fica feliz por ele poder conversar com sua família, que eles o entendessem e o apoiassem.

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-Deus, como você é uma mula! - disse Bankotsu.

- É assunto meu.

- Sempre igual - Bankotsu deu um gole de cerveja - Nunca mudará, Sesshoumaru.

-Por que teria que fazê-lo? -respondeu.

Sabia que era uma contestação infantil, mas Bankotsu costumava pô-lo na defensiva.

- O que acha que quer demonstrar com isso? Foram feitos um para o outro.

-E mesmo assim continua sendo minha decisão -contestou Sesshoumaru.

Bankotsu teria rido se não fosse a inquietude que via nos olhos de Sesshoumaru.

- Se é isso que sente – adivinhou aquele - por que não disse?

- Já lhe falei quem sou – disse Sesshoumaru - Eu demonstrei. Ela esteve a ponto de se desfalecer...Educaram-na para não acreditar em magia- acresceu.

- Mas acredita. Leva-a dentro de si. Até que não diga a ela, não poderá fazer sua escolha em aceitá-la ou não. E não é a capacidade de decisão que você mais valoriza?

Sesshoumaru encarou Bankotsu e seu sorrisinho superior.

Desde pequenos, sempre tinha competido com seu primo mais velho. Sempre tinha tentado ser tão rápido e preparado como ele. Ainda que a rivalidade existisse, sempre o considerara seu herói.

Mesmo agora, um homem adulto, desejava contar com o respeito de Bankotsu.

- Quando ela estiver preparada poderá decidir, o fará..

- Quando você estiver preparado - corrigiu Bankotsu - Tem tanto medo assim?- provocou o outro.

-Não é medo, é sensatez –replicou Sesshoumaru - Quase não teve tempo de assimilar o que já lhe disse. Seu legado está tão enterrado que mal se vislumbra em sua cabeça. Foi manipulada por sua família toda a vida, acaba de descobrir sua identidade como mulher. Como vou pedir para que aceite seus poderes? «ou que me aceite », adicionou para si , irritado pero mero fato de ter pensado nisso.

Bankotsu deu-se conta de que Sesshoumaru estava apaixonado por ela. Estava apaixonado e era cabeça-dura demais para reconhecer.

-Pode ser que você a esteja subestimando, Sesshoumaur - disse olhando para Rin, sentada junto a sua esposa - É encantadora.

- Ela acredita que é comum, simples. e não é em absoluto -Sesshoumaru não se virou para ela. Podia vê-la na cabeça se quisesse - Mas é terna e delicada. Não quero lhe pedir mais do que esteja preparada para dar.

Não raciocinava, pensou Bankotsu, que tinha experimentado o mesmo estado de alienação ao conhecer Kikyou. E provavelmente teria cometido erros similares.

-Não acredito que tenha alguma mulher que esteja preparada para viver com você - o espetou Bankotsu - Fico até com pena dela por ter que vê essa cara feia sua, dia após dia.

-E como sua mulher te agüenta, primo? - replicou Sesshoumaru.

- Ela é louca por mim.

- Engraçado, para mim ela sempre me pareceu uma mulher inteligente.

- É aguda como um punhal - comentou Bankotsu, olhando sorridente para Kikyou.

- Pois então suponho que teve que fazer uso de toda sua magia para enganá-la e que se apaixonasse por você.

-Usei muita menos do que terá que empregar para que sua bela amiguinha fique com você – respondeu Bankotsu ao mesmo tempo em que o agarrava pelo pescoço.

- Vá para o... - Sesshoumaru se debateu tentando se libertar de seu primo, que tapou sua boca com as mãos - Esta você me paga -adicionou.

Mas o pequeno Hiten apareceu e se colou a uma perna do pai, de modo que Sesshoumaru teve que deixar a vingança para outro momento.

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Era tarde quando deixou Rin dormindo na casa de Kikyou. Estava intranqüilo, estranhando a dor que envolvia seu coração. Pensou em correr pela orla, ou em voar sobre o mar até acalmar-se e pensou em Rin , a qual estaria placidamente adormecida. Finalmente, caminhou entre as sombras e os aromas do jardim de Kikyou, a procura de paz espiritual. Depois passou sob o arco de rosas, cruzou pela grama e subiu o alpendre da casa ao lado, onde Kikyou vivia com sua família. Sabia que sua prima o esperava ali.

- Deveria estar dormindo – disse.

- Imaginei que quisesse falar comigo – Kikyou respondeu simplesmente estendendo uma mão.

Sesshoumaru a tomou, sentou junto a ela e ficou calado. Não tinha ninguém com quem se sentisse mais a vontade em silêncio que com Kikyou.

Acima, as nuvens cobriam e expunham a lua, as estrelas brilhavam. A casa que Rin dormia estava a escuras, cheia de sonhos.

-Não me dei conta das saudades que sentia até ver vocês.

- Precisava ficar sozinho algum tempo - respondeu Kikyou, apertando sua mão com afeto.

- Sim. Não me isolei porque não me importava -assegurou Sesshoumaru – Muito pelo contrário.

-Eu sei, Sesshoumaru -Kikyou acariciou a face e absorveu a dor de seu primo - Está muito preocupado. Por que sempre se atormenta tanto??

- Sou assim - respondeu ele, subitamente relaxado, graças ao poder empático de Kikyou - Tem uma família maravilhosa, e um lar estupendo. Bankotsu é perfeito para você. E seus filhos são uma delícia. Nota-se que é feliz.

- Igual se nota que você não é. Não deseja criar uma família você também?, que o fizesse feliz ?

Sesshoumaru a olhou, sabendo que ia dizer coisas a ela que nunca diria a nenhuma outra pessoa.

- Talvez não esteja capacitado para formar uma família –falou devagar.

-O que lhe faz pensar isso? -perguntou Kikyou, consciente de como seu primo era exigente consigo mesmo.

- Estou acostumado a pensar em mim. Acostumado a fazer o que mais me apetece em cada momento. E gosto - Sesshoumaru sorriu - Sou um Yokai egoísta e o destino está me pedindo que assuma a responsabilidade de aceitar o medalhão que meu pai levou com tão bom juízo; que me una a uma mulher que só compreenderá em parte o que isso significa.

- Não se valoriza o suficiente. E a ela também não -retorquiu com um tom impaciente, eficaz pelo uso econômico que fazia dele.- Sempre foi renitente e orgulhoso, mas não egoísta. O que acontecesse é que quer levar a responsabilidade sobre tudo. E por isso não as aproveita como devia... Tenho certeza que Rin compreenderá muito mais do que você acredita – adicionou depois de dar um suspiro.

- Gosto de seguir meu próprio ritmo .

- E ainda mais quando está no comando, não? – Nesse momento Kikyou caiu na risada.

A lógica se tinha voltado na contramão de Sesshoumaru e este tinha posto um gesto de contrariedade graciosísimo .

- Sabe, uma das coisas que mais admirei em você, sempre? Sua tendência a questionar e analisar tudo. É uma qualidade fabulosa e irritante. E isso se deve pelo fato de se preocupar muito com os demais, mesmo que não queira admitir.

- Kikyou, o que você faria em minha situação?

-Para mim é muito simples -respondeu ela com um suave sorriso - Escutaria meu coração. Sempre faço. E você fará o mesmo quando estiver preparado.

-Não são todos os corações que falam tão claro quanto o seu - replicou Sesshoumaru, de novo intranqüilo – Disse quem sou, mas não lhe esclareci o que isso pode representar para ela. Fiz dela minha amante, mas não lhe dei amor. Apresentei-a a minha família sem lhe falar da sua. Como não vou ficar preocupado?

-Tudo isso pode mudar. Está em suas mãos.

- Sim, nos voltaremos esta mesma manhã, quando ela acordar. E lhe ensinarei o que dorme em seu interior. Com respeito ao restante, ainda não decidi nada.

-Não a ensine só as obrigações, Sesshoumaru. Mostre a ela também as vantagens -Kikyou se pôs de pé - O bebê está com fome. Me despedirei de todos por você, amanhã, se quiser.

- Eu agradeceria - Sesshoumaru levantou. e lhe deu um abraço – Amo você, prima.

- Não demore a nos visitar - Kikyou deu um beijo em cada lado do rosto e em seguida caminhou até a entrada. Depois, parou no umbral da porta, virou-se e sussurrou - O amor se aproxima.

Se aproximava, pensou Sesshoumaru quando se aconchegou na cama ao lado de Rin. Aproximava-se em sonhos, certamente.

Mas se espantaria quando no dia seguinte quando falasse com ela? Como uma princesa de um conto de fadas, que era acordada com um beijo, ele teria que acordar a consciência de Rin. O fato de ele ser , de certa maneira, um príncipe, o fez sorrir. O destino, pensou, podia ser irônico.

Esses e outros pensamentos o mantiveram acordado a noite, esperando que amanhecesse. Com a primeira luz do dia, Sesshoumaru ergueu os braços e ambos regressaram à cama de Rin. Esta murmurou e mudou de posição.

Sesshoumaru se levantou, vestiu-se, contemplou-a dormindo. Depois baixou as escadas com sigilo e preparou café.

Pensou que os dois iriam precisar. Como tinha a cabeça sintonizada com a dela, soube no instante preciso em que Rin acordou. Saiu até a varanda. Ela sairia para procurá-lo, para fazer perguntas.

Acima, Rin piscou assombrada. Tudo tinha sido um sonho? Não parecia ser possível, pois recordava tudo com enorme nitidez. O céu azul de Monterrey, o jardim de Kanna, os melodiosos risos dos meninos. As cálidas boas vindas. Tinha que ser real. Depois sorriu e apoiou o queixo sobre os joelhos, apertadas contra o peito.

Levantou e se dispôs a experimentar um novo dia mágico.


Pessoal!!!

Voltei

1000 desculpas por eu não ter postado durante esse tempão, por isso aqui vão esse capitulos pra vocês!

Um feliz 2009 para todos (ainda dá tempo)

Hoje vou começar com uma nova fic!

É muito engraçada!

Muito obrigada pelos reviews!

sandramonte: Que bom que você gostou da história! Fico muito feliz! E ai, gostou desses capítulos? Bjs

Ana Spizziolli: KKKKKKKKKKKKKKKK amei a sua definição para o cap, é UAU MESMO!!!! BJAO

PATY SAORI SHINZATO MORITA: Nossa deve ser ótimo morar ai! E como foi o ano novo? Espero que muito bom! Gostou do cap? preometo não demorar mais pra postar! bjão!

Kuchiki Rin: Você sabe que eu simplismente amo suas reviews não é? Um ótimo 2009 pra vc também!!! E ai, que nota tu dá pra desenvoltura do garoto eih? Bjao

Naia Riedel: Meu amorrr!!! E ai, vai me mataR NÃO, né? Amanha eu posto mais!!! Bjao

Rukia- hime: Feliz 2009 pra você tmabém! que bom que tu gostou das capas! Os créditos são de Naia! Prometo tentar postar as outras fic logo, mais por enquanto, gostou desses capitulos? bjão!

Meyllin: Te doui logo três de presete, ta bom? prometo postar logo ( é que eu tava viajando)! bjão e espero que curta a continuação dessa história maravilhosa!

BJS PARA TODOS QUE LERAM E COM ESPECIAL CARINHO PARA OS QUE DEIXARAM AS REVIEWS! SÃO VOCÊS QUE ME APOIAM A SEMPRE CONTINUAR BUSCANDO NOVAS HITÓRIAS.

VIZINHO PERFEITO E A REDENÇÃO EM BREVE EU POSTO MAIS ALGUNS CAPÍTULOS, CERTO?

BJS