Capítulo Onze

Quando o viu de pé no alpendre, voltou a se admirar. Não deixava de ser estranho e ao mesmo tempo maravilhoso que esse homem tão extraordinário a desejasse com tanta paixão. Deixou-se levar por um impulso e correu para abraçá-lo, apertando a face sobre as costas de Sesshoumaru. Esses gestos tão doces e espontâneos o rasgavam. Quis se virar, levantá-la e levá-la a algum lugar onde não tivesse nada nem ninguém salvo eles dois. Mas se limitou a segurar sua mão.

-Não pude me despedir de sua família -disse Rin.

- Voltará a vê-los... se quiser.

- Claro que quero. Eu gostaria de ver a loja de Kanna. Com certeza deve ser incrível. E os cavalos de Suikotsu e Tsubaki. Gostei muito de conhecer seus primos - Rin esfregou o rosto na camisa dele - Tem sorte de ter uma família tão grande. Eu tenho alguns primos, mas vivem muito longe. Não os vejo desde que era uma menina.

Os olhos de Sesshoumaru aumentaram de tamanho: podia ter uma introdução melhor ao que queria lhe dizer?

- Vamos para dentro, Rin. Tenho que falar com você.

Ela deu um passo atrás, confusa. Em vez de girar e abraçá-la, como tinha suposto que faria, tinha falado num tom frio e nem sequer a tinha encarado.

O que tinha feito de errado? - Se perguntou enquanto entravam na cozinha. Tinha falado algo? Tinha...? Fechou os olhos aborrecida consigo mesma. Por que fazia isso? Por que dava sempre por certo que tinha dado uma mancada ou que de algum modo tivesse sido culpa dela?

Negava-se a continuar sendo assim. Nem com Sesshoumaru nem com ninguém, disse-se enquanto se servia café.

- De que queres que falemos? - Lhe perguntou sem rodeios, apesar do medo que lhe atravessava o estômago.

- Sente-se.

- Estou bem de pé - replicou Rin enquanto passava a mão pelos cabelos nervosa. Deu um gole no café e queimou a língua - Se está bravo comigo, diga-me. Não gosto de ter que adivinhar.

-Não estou irritado com você. Por que deveria estar?

-Não tenho nem idéia -Rin preparou uma torrada, ainda que só fosse para se manter ocupada - Mas sua expressão diz outra coisa.

-Não estou.

- Claro que está - insistiu ela, irritada.

-Não, mas peço perdão se parece – desculpou-se Sesshoumaru enquanto se sentava numa cadeira – Levei-a para conhecer a minha família e é sobre família que quero lhe falar. E preferiria que deixasse de dar voltas pela cozinha e se sentasse.

- Estou preparando o café da manhã, se não se importa -respondeu Rin, cheia de coragem.

Sesshoumaru murmurou algo. Depois ergueu as mãos e apareceu um prato com uma torrada na mesa.

-Já está pronto. Ainda que não sei como pode chamar a isso café da manhã. E agora sente-se.

-Posso preparar minha torrada sozinha - respondeu enquanto ia até geladeira pegar a geléia.

- Rin, está pondo a prova minha paciência. A única coisa que estou te pedindo é para que se sente e fale comigo!

- Não me pediu nada, me ordenou. Agora que me pediu, o farei - concedeu Rin, satisfeita com tão pequena vitória - Quer uma torrada? -o provocou.

- Não, não quero - Sesshoumaru suspirou- Obrigado.

Então, Rin suspirou com uma doçura que o comoveu:

- Quase nunca ganho uma discussão -explicou ela enquanto untava a geléia - Sobretudo, quando não sei seu motivo.

- Pois esta ganhou, não?

- Gosto de ganhar -respondeu com os olhos iluminados.

- Eu também - Sesshoumaru riu e pôs uma mão sobre o pulso de Rin - .Não colocou leite e nem açúcar. E eu sei que não gosta de seu café puro.

- Porque não sei faze-lo. Seu café é bom -disse Rin – Dizia que queria falar sobre sua família.

- Sobre família - corrigiu Sesshoumaru - Já sabe o que sucede com a minha.

- Sim - respondeu ela - Sei sobre seus poderes, o legado dos Taisho - adicionou sorridente.

- Exato. E estou orgulhoso de minhas origens. Mas os poderes implicam uma série de obrigações. Não são brinquedos, ainda que também não há que os temer.

- Não tenho medo de você, Sesshoumaru, se é isso o que o preocupa. . .

- É, em parte.

-Não tenho, não poderia -assegurou Rin. Estendeu uma mão para acariciá-lo, para dizer-lhe que o queria, mas Sesshoumaru levantou e começou a dar voltas pela cozinha.

- Você vê tudo como um conto: magia, amor e final feliz. Mas se trata da vida, Rin, com seus embaraços e seus enganos. A vida há que a viver, tem suas exigências.

- Apenas parte disso está certo –disse ela - Não posso deixar de vê-lo como algo mágico e romântico, mas também entendo o resto. Como não vou entender depois de ter conhecido a seus primos e ver a sua família? Isso é com o que encontrei ontem: com uma família. Não com a ilustração de um livro.

- E se sentiu... cômoda com eles?

- Muito - assegurou Rin.

Seu coração batia com força. Notava que era importante para Sesshoumaru que aceitasse sua família. Porque... talvez porque ele também a amava? Porque queria que fizesse parte de sua vida?

-Rin - Sesshoumaru voltou se a sentar - Eu tenho muitos primos. Aqui, na Irlanda, nas Terras do Oeste. Alguns se chamam Taisho, alguns Higurashi. E alguns O'Meara.

-Sim, já me disse que sua mãe era uma O'Meara. É possível que até tenhamos parentes longínquos comuns. E qual é o problema? De alguma forma, estaria relacionada com Kanna e o resto.

Sesshoumaru suspirou, agarrou suas mãos, acariciou-as e as segurou com força.

-Rin, não disse que talvez fôssemos primos, senão que somos. Longínquos, é verdade, mas compartilhamos o mesmo sangue. Um legado.

- Pode ser - concordou Rin, estranhada pela intensidade com que Sesshoumaru a fitava - Mas seríamos primos de muito longe. É curioso, mas... Um momento, o que quer dizer? Compartilhamos um legado? - Adicionou de repente. Rin acreditou que o coração parava de bater. - Sua bisavó, Rin O'Meara era Yokai. Como eu sou. E igual você.

- Isso é absurdo - recusou ela - É absurdo, Sesshoumaru. Nem sequer a conheci e, com certeza, você não que a conheceu.

-Tenho escutado falar dela - disse Sesshoumaru com calma- de Rin O'Meara, nascida em Clare, que se apaixonou e se casou, e abandonou sua pátria e renegou seus poderes. O fez porque o homem que amava pediu. Fez livremente, tinha o direito. E quando deu a luz a seus filhos, não lhes contou nada de seu legado até que fossem maiores.

- Está pensando em outra pessoa - acertou a dizer Rin.

- Por isso diziam que era excêntrica. Não acreditavam nela. Depois, quando seus filhos deram a luz a outros meninos, só comentaram que Rin O'Meara era um pouco esquisita. Carinhosa, mas exótica. E quando a filha de sua filha deu a luz a outra filha, a menina cresceu sem saber o que corria por seu sangue.

-É impossível. Como não iria saber? -Rin separou as mãos e se pôs de pé - Eu notaria de algum modo, sentiria.

- E não sentiu? - Sesshoumaru levantou enquanto tentava de encontrar uma maneira de falar sobre aquilo sem assustá-la - Não notou um calor especial no sangue de vez em quando?

-Não -mentiu Rin conscientemente - Bem, não sei. Mas está enganado, Sesshoumaru. Eu sou normal.

-Viu imagens entre as chamas, seus sonhos foram mais intensos do que os dos demais. Percebeu as vibrações de seu poder sob a pele, na mente.

-Eram imaginações -insistiu. ela - Crianças têm muita imaginação - adicionou. Mas estava sentindo a vibração nesses momentos, em parte de medo.

- Disse que não tem medo de mim - recordou Sesshoumaru com voz suave. - Por que ia temer você mesma?

- Não tenho medo. Simplesmente, sei que não é verdade.

- Então não se importará de fazer uma prova, para ver quem tem razão.

-Uma prova? Qual?

- A primeira destreza que se aprende e a última que se esquece é como fazer um fogo. Você já sabe, leva em seu interior. Eu vou faze-la recordar – Sesshoumaru a segurou pela mão - Eu lhe dou a minha palavra que não acenderei fogo, bem como a peço que não vai bloquear o que quer que saia de dentro de você.

-Não tenho que bloquear nada, porque não há nada - respondeu Rin, tremula.

- Então venha comigo.

-Aonde? -quis saber ela enquanto Sesshoumaru a levava para fora. Mas já sabia.

- Ao círculo - respondeu simplesmente - Não tem controle sobre seu poder e ali será um lugar seguro.

- Sesshoumaru, isto é ridículo. Sou uma mulher normal, preciso de fósforo para acender um fogo.

- Acredita que estou mentindo? - perguntou ele olhando-a aos olhos.

-Acredito que esta equivocado - enfatizou Rin enquanto seguia a passo forçado a Sesshoumaru - Não digo que não tivesse uma Rin O'Meara que fosse bruxa. Seguro que sim, mas não foi minha bisavô. Minha bisavô era uma mulher doce, um pouco alienada, que fazia uns desenhos muito bonitos e contava contos de fadas .

- Alienada? - repetiu ele, ofendido - Quem te disse isso?

-Minha mãe...

-Percebe? - disse Sesshoumaru, como se isso confirmasse suas palavras - Alienada. A mulher renuncia tudo por amor e a chamam alienada. Sim, talvez estivesse um pouco. Talvez teria sido melhor se tivesse ficado nas Terras do Oeste e tivesse encontrado alguém como ela. -Ainda que então nunca teria conhecido Rin, pensou. Não sabia se estava irritado ou agradecido por esse reviravolta do destino. Depois, uma vez no círculo de pedras, colocou-a no centro. Rin estava sem fôlego, pela rapidez com que tinham andado e pelo que sentia boiando no ar.

- Este círculo é sagrado! -exclamou Sesshoumaru - Rin Murray está em eu interior para descobrir seu legado!

Depois de realizar o conjuro, o vento soprou entre as pedras e acariciou o corpo de Rin.

- Sesshoumaru... - o chamou, assustada.

- Tem calma, ainda que seja algo duro para você. Juro que não vai acontecer nada de mal – pegou sua mão e a beijou até que a rigidez de seu corpo diminuiu - Se não confias em você, confia em mim.

- Eu confio em você, mas... tenho medo.

Sesshoumaru acariciou o cabelo e se deu conta de que o que estava fazendo era como iniciar no amor a uma virgem. Devia atuar com doçura e paciência, pensando só nela. - Tome-o como se fosse um jogo, mais singelo do que acredita -lhe propôs, sorridente - Respira fundo e devagar até que ouça a batida de seu coração na cabeça. Fecha os olhos e respire, até que esteja tranqüila.

- Me disse que vá acender um fogo e depois me pedes que esteja calma -protestou Rin. Mas fechou os olhos. Quanto antes pudesse demonstrar-lhe que estava equivocado, antes acabaria com aquilo - Um jogo. Está bem, um jogo. Quando vermos que não sirvo para isso, voltamos a casa e terminamos de tomar café da manhã.

«Recorda o que não lhe disseram, mas está em seu interior», murmurou-lhe Sesshoumaru telepaticamente. «Sente o que sempre sentiu, mas não chegou a compreender. Escute seu coração, confie em seu sangue».

- Abra os olhos, Rin - disse depois em voz alta.

Perguntava-se se isso seria como deixar que a hipnotizassem. Estar tão alerta e consciente e, ao mesmo tempo, sentir-se tão fora de si. Abriu os olhos e olhou aos de Sesshoumaru enquanto, eles se iluminavam.

- Não sei que fazer.

-Não? -perguntou ele – Liberte-se, Rin. Tenha fé em você, aceita o dom que leva dentro de você.

Só era um jogo, repetiu-se ela. Um jogo que era uma Yokai que desconhecia seus poderes. Para descobri-los só tinha que acreditar em si mesma, desejar e aceitar.

Rin estendeu os braços, olhou-os como se pertencessem a outra pessoa. Tinha as mãos compridas, de longos dedos, sem anel, elegantes. Então ouviu a batida de seu coração na mente, tal como tinha alertado Sesshoumaru. E ouviu sua respiração como se estivesse escutando-se enquanto dormia. Fogo, pensou.

Para dar luz e calor. Confortabilidade. Podia vê-las na cabeça: chamas douradas por dentro e vermelhas pelos bordes. Iam crescendo e subindo como tochas para o céu. Sem fumaça, belas. Fogo, repensou. Para dar luz e calor. Fogo que flameja de dia e de noite.

Sentiu um pequeno enjôo. Sesshoumaru teve que se controlar para não a segurar. Depois jogou a cabeça para trás e o chocolate de seus olhos se intensificou. O ar soprou. Esperou. Sesshoumaru a olhou enquanto ela perdia certa espécie de inocência. O poder a sacudiu como o vento que lhe levantava o cabelo. Rin estremeceu, notou o calor na mente, depois o sentiu descer por seus braços e sair disparado pelos dedos.

Olhou estupefata o círculo de fogo que tinha provocado. Eram chamas pequenas, que lhe esquentavam os joelhos. Quando Rin ergueu as mãos, as chamas cresceram inesperadamente.

- Ai, não!

- Chegue para trás. Ainda não tem controle.

Sesshoumaru fez diminuir a altura das chamas enquanto ela balbuciava:,

- Como... eu? - Rin o encarou - Você.

- Sabe que não fui eu. É sua herança, Rin, e sua é a decisão de aceitá-la ou não.

- Eu o fiz - Rin fechou os olhos e respirou profundamente até acalmar-se um pouco. Tinha sido ela. Já não podia negar. E talvez soubesse durante toda sua vida . Sentia. Via. - Tinha as palavras em minha mente, como se fosse um conjuro. Não sei o que pensar, não sei que fazer.

-Como se sente?

- Assombrada - Rin não olhou as mãos - Encantada. Aterrorizada e entusiasmada, maravilhada. Há magia dentro de mim - acrescentou com os olhos cintilantes, iluminando todo o rosto. Voltou a rir e começou a saltar e dar voltas dentro do círculo de pedras.

Sesshoumaru se sentou sorridente e assentiu, satisfeito de como Rin tinha acolhido seu legado. O poder acentuava sua beleza, pensou.

- Toda minha vida fui uma pessoa responsável , ordinária, tediosamente normal - Rin deu outra volta e depois se atirou ao chão junto a Sesshoumaru e o abraçou -Agora há magia dentro de mim.

- Sempre a teve.

Sentia-se como uma menina com milhares de presentes embrulhados, esperando para ser abertos e descobertos.

- Pode me ensinar mais?

- Sim - Sesshoumaru acariciou uma bochecha - Posso. E farei. Mas não agora. Estamos aqui a mais de uma hora e quero tomar café da manhã.

-Uma hora -Rin piscou enquanto Sesshoumaru se punha de pé e a ajudava a levantar-se - Pareceram-me uns poucos minutos.

- Você demorou a se concentrar. Da próxima vez demorará menos - Sesshoumaru apagou o fogo com a mente - Logo veremos que tipo de poderes tem exatamente depois de tomar café da manhã.

- Sesshoumaru - Rin lhe deu um beijo no pescoço e o olhou aos olhos - Obrigada.

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Aprendia rápido. Sesshoumaru nunca tinha se considerado um bom professor, de maneira que supôs que tinha mais a ver com a aluna.

Uma aluna receptiva, ansiosa e inteligente.

Não precisaram muito tempo para determinar que a magia era um de seus fortes, como no caso de Kanna. Em alguns dias perceberam que, apesar disso não era boa em adivinhar os pensamentos. Podia transpassar seus pensamentos para Sesshoumaru, mas não podia ler os seus, a não ser que ele os mandasse a sua mente. E ainda que não conseguisse transformar a si mesma, inclusive depois de uma hora de concentração, tinha convertido uma pá em uma roseira, rindo, maravilhada. Kikyou tinha dito que lhe ensinasse as vantagens, recordou Sesshoumaru. Mas compreendeu que era Rin que estava ensinando a ele a gozar de seus poderes, ao vê-la dançar pelo bosque, convertendo botões de flor em ramos coloridos. As rochas se transformavam em cristais luminosos e o ribeirão do bosque passou a ter um elegante cascata de um azul luminoso.

Não a freou. Merecia se deleitar com a magia que tinha dormido tantos anos em seu interior.

As responsabilidades e as decisões chegariam em seu momento. Logo.

Por enquanto, Rin estava dando forma a seu próprio conto de fadas. Via-o com clareza e queria fazê-lo real. Queria conseguir sua casa no bosque, com um jardim, com água, com vento e com Sesshoumaru.

Virou-se para ele, alheia ao quanto estava atraente com os cabelos soltos e estendeu os braços enquanto seus olhos se iluminavam.

- Só por hoje. Sei que as coisas não podem ser assim sempre, mas eu costumava sonhar que estava num lugar como este, com água e o vento soprando, e flores enormes. E o aroma... - Rin se deteve ao dar-se conta de que, efetivamente, tinha sonhado com esse preciso instante, e com Sesshoumaru Taisho saindo de um alpendre e aproximando-se a ela. Agachava-se para recolher uma rosa branca e a oferecia – Sonhava com você quando era pequena - repetiu.

Sesshoumaru se agachou para recolher uma rosa branca e a ofereceu.

-Que mais sonhava, Rin Murray?

- Isto.

-Só por hoje, seu sonho será realidade.

-Eu usava com um vestido azul, uma túnica na realidade. E você levava uma negra - Rin riu ao notar a carícia da túnica que de repente a envolvia – Eu fiz isso ou você?

- O que importa? É seu sonho, Rin, ainda que espero eu a beijasse nele.

- Sim - Rin suspirou e se lançou em seus braços - O tipo de beijos que povoam os sonhos.

Sesshoumaru roçou os lábios, com suavidade ao princípio. Foi esquentando-os, amaciando-os, até que os separou. Depois aprofundou o toque enquanto a rodeava com um braço e lhe acariciava o cabelo preguiçosamente.

Enquanto o fazia, algo tremeu na memória de Sesshoumaru também. Algo que tinha visto ou desejado alguma vez. E começou a planar em sonhos junto a ela e a apertou mais ainda. Começaram a dar voltas juntos, dançando com elegância ao compasso de seus corações. Os pés de Rin já não tocavam o solo. Os sonhos de uma menina romântica se foram adaptando às necessidades de uma mulher adulta. O corpo foi esquentando ao mesmo tempo em que o abraçava com mais força, como querendo introduzi-lo em seu coração. E lhe ofereceu mais. Ofereceu-se por completo. Tinha visto no sonho. Dúzias de velas, aromáticas, brancas, acesas sobre candelabros de prata. E uma cama iluminada por elas à que Sesshoumaru a conduziu.

O sol já se ocultava, envolvendo seus corpos com nuances de fogo e pintava o céu de mil cores.

Os pássaros cantavam nos ramos à luz do crepúsculo.

- És linda - disse Sesshoumaru.

Não teria acreditado normalmente. Mas nesse momento se sentia preciosa. Sentia-se poderosa. Amada. Só por um dia, pensou enquanto voltava a beijá-lo. Sesshoumaru lambeu seus lábios, como o mais raro vinho tomada em uma tala de ouro, com sede mas sem ânsia. Abraçou-a sem desespero. Podiam ir devagar. Suas línguas se uniram e enlaçaram num baile lento e íntimo, os hálitos se uniram, os sussurros se fundiram.

Beijou o pescoço de Rin, a incitou até que ela inclinasse a cabeça deixando a vontade para tocar aquele ponto onde seu pulso latejava.

Depois tirou a blusa, leve como o ar. E quando se apoderou de sua pele com as mãos e a boca, Rin se arqueou. Suspirou com ele, moveu-se a seu ritmo enquanto o ar flutuava carregado de fragrâncias e o vento acariciava seu corpo nu. Abandonou-se ao prazer, rodou com Sesshoumaru e se levantou sobre ele. Seu corpo era esbelto, branco como o mármore. Tinha o cabelo enredado pelo vento e os olhos cheios de segredos. Cativado, Sesshoumaru lhe acariciou as coxas, o torso, e juntou as mãos sobre seus peitos e notou que o coração lhe palpitava com a mesma violência que o seu.

- Rin - murmurou ele enquanto os segredos seguiam aflorando nos olhos - É uma Yokai em todos os sentidos.

Ela não sorriu triunfalmente. Agachou-se para apoderar-se de sua boca e, de repente, Sesshoumaru percebeu que seu sangue ardia, como o fogo que tinha acendido Rin horas antes.

Esta também sentiu a mudança, e soube que era ela a causadora. Soube que tinha esse poder. Desceu o corpo até acolhe-lo em seu interior, jogou as costas para trás e viu as estrelas girarem no céu

Sesshoumaru agarrou seus quadris e acreditou que o ar lhe faria explodir os pulmões. Rin o eletrizava com cada movimento, como se seu corpo fosse um relâmpago, um chicote selvagem de energia que o empurrava e o arrastava com ela. Chegou até a borda da loucura, transpassou-a e ainda foi mais, sem deixar de mover-se sobre Sesshoumaru. Este a chamou, pronunciou seu nome quase sem alento enquanto ambos se extravasavam. E enquanto subiam voando, Rin viu que os olhos de Sesshoumaru se iluminavam e depois se nublaram de paixão. Gemeu triunfante e tombou sobre ele.

Nunca tinha permitido que uma mulher tomasse o controle. Agora, enquanto Rin jazia sobre ele, deu-se conta de que não tinha sido capaz de evitá-lo. De dete-la. Tinha muitas coisas que não tinha podido evitar com ela. Virou a cabeça para o cabelo de Rin e se perguntou que ocorreria a seguir.

Quando ela falou segundos depois, soube-o.

- Te amo, Sesshoumaru -disse com calma, com os lábios sobre o coração dele – Amo você.

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Sesshoumaru chamou responsabilidade ao pânico que o invadiu.

- Rin...

-Não tem que me corresponder. Mas não agüentava mais guardar isso dentro de mim. Antes me dava medo - mudou de posição e o olhou - Não acredito que volte a ter medo de nada, nunca. Assim o repito: amo você, Sesshoumaru.

- Ainda não sabe tudo que deve saber, assim não sabe o que pensa nem o que sente. Nem o que vai querer -advertiu Sesshoumaru enquanto se sentava junto a ela - Tenho que explicar mais coisas, ensinar-lhe mais coisas. Será melhor irmos para minha cabana.

-De acordo - Rin tentou de sorrir com naturalidade, apesar do medo que invadia seu coração, anunciando-lhe que a magia tinha acabado por esse dia.


Novo post e obrigada a todos que leram!

Individual do mal- Eu sei que eu ando demorando muito pra postar! mais prometo que vc não esperará muito!Bjs

Naia Reidel: Amor! Tu sabe que se o teu livro fizer o sucesso que eu sei que fará, nós vamos fazer o filme e ficar famosas! kkkkkkkkkk o Osacar é meu msm! bjs

Sandramonte- Que bom que vc ta amando! E vou te adiantar uma coisa: a história está em sua reta final...Bjs