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Antes de mais nada queria agradecer pelos comentários. Eles ajudam realmente muito e dão inspiração.

Nota: É um capítulo um bocadinho (grande) angst mas necessário. As coisas irão melhorar, não sei bem quando mais prometo que irão!

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Capítulo 2

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Quando Sam era pequeno não entendia que a sua família não era uma família normal. Talvez foi uns anos depois que começou a perceber que normal era coisa que a sua família estava longe de ser. E quando se apercebeu disso desejou não fazer parte dela. Queria ser como os seus colegas de escola cuja maior preocupação era ter positiva nos exames. Queria não saber que os monstros existiam e que se não tivesse cuidado acabariam por o matar. Sam queria tanto ser normal que fez todos os possíveis para o conseguir ser. Não foi fácil, muito pelo contrário, foi bastante difícil mas era o que ele realmente queria por isso não desistiu. Iria mostrar a todos que ele poderia ser o que quisesse. O seu pai e Dean teriam de aceitar. Sam não era obrigado a seguir o caminho que eles tinham traçado para ele. Sam era livre e se não quisesse seguir o negócio da família então não seguia. Simples.

Ou tinha pensado que era simples. Não demorou muito tempo para descobrir que mesmo longe do seu pai e do seu irmão continuava a ser tudo menos normal.

E quando ele e Dean chegam à Pensilvânia Sam pensa, pela primeira vez, que se calhar, era bom não ser normal. Era bom ter poderes, com poderes podia matar Lilith. E Sam mal pode esperar por a matar. Cada vez que pensa nisso quase que pode sentir o poder inundar-lhe os sentidos. Sente-se tão forte que talvez consiga matar Lilith com um estalar de dedos.

"Deixa-me ver se entendi. Segundo Ruby, Lilith está aqui na Pensilvânia"

Estão num quarto de motel. Dean sentado numa das camas enquanto come uma tablete de chocolate e Sam sentado num pequeno sofá cheio de mofo e outras coisas que não consegue identificar. Desde a chamada de Ruby e de Sam ter contado o que ela lhe tinha dito, é a primeira vez que Dean fala sobre isso. Passaram toda a viagem em silêncio com um ou outro comentário estúpido sobre os gostos musicais de Sam. Ele sabia que Dean estava a processar o que lhe tinha dito. Dean costumava fazer isso. Talvez pesar os prós e os contras antes de concordar, negar ou contar qualquer coisa ao seu irmão mais novo. E Sam tinha aprendido a esperar. Mais tarde ou mais cedo Dean acabaria por falar, quando já não aguentasse mais.

"Sim, é exactamente isso Dean"

"E como é que ela sabe?"

Sam deixa escapar um suspiro de cansaço.

"Porque não podes ter um bocadinho de fé na Ruby?"

"Como é que posso confiar numa maldita demónio? Ela pertence ao inferno" – E como se estivesse a falar para uma criança de cinco anos acrescenta. – "Ao lado mau da coisa?"

"Tu também estiveste no inferno, Dean. Quer dizer que já não posso confiar em ti?"

Dean olha para ele fixamente e Sam sabe que o seu irmão quer dizer "Estive no inferno por ti, seu desgraçado!". E Sam deseja que Dean o diga em voz alta mas ele não o faz. Sam sente-se culpado porque Dean tem razão e Sam não suporta que Dean esteve no inferno por ele. Que tenha sido torturado durante trinta anos e os outros dez a torturar. E tudo por causa dele, Sam. Sam o abandonou. Deixou Dean ir para o inferno quando prometeu que não deixaria isso acontecer. Dean confiou nele e Sam traíu-o.

"Okay Sammy eu desisto. Vamos só encontrar Lilith, matá-la e irmos embora."

"Dean eu..."

"Não Sam, apenas não." – Dean franze as sobrancelhas passa uma das mãos pelo curto cabelo e levanta-se. – "Vamos comer qualquer coisa. Estou a morrer de fome."

Sam levanta-se também e sente uma vontade incontrolável de chorar, ajoelhar-se e suplicar ao seu irmão que o perdoe. Ele está sempre a magoar Dean e o seu irmão sacrifica tudo por ele, sempre sacrificou. Dean esteve sempre ali para ele, nos bons e nos maus momentos e como é que Sam lhe paga? Magoando o seu irmão quando sai de casa sem ao menos se despedir dele, quando o abandona porque não quer caçar criaturas das trevas, quando o acusa de estar sempre do lado de John Winchester e nunca o defender perante este...

Mas a única coisa que se ouve dizer é:

"Acabaste de comer uma tablete de chocolate inteira como é que podes estar a morrer de fome?"

Dean olha para ele e sorri de lado.

"Estou a crescer Sam, preciso de me alimentar."

Sam retribui o sorriso.

"Paraste de crescer à muitos anos atrás, Dean"

Dean faz cara de indignado e coloca as mãos sobre o coração, teatralmente.

"Obrigado por destruíres as minhas esperanças. Aliás porque tinhas de ficar mais alto do que eu? Eu sou o irmão mais velho era suposto ser o mais alto!"

Sam encolhe os ombros. O ambiente sente-se outra vez leve sobre eles mas é uma leveza forçada e tão frágil que Sam tem consciência que uma palavra em falso e a sensação acaba.

"Lembras-te de eu dizer que queria ser tão alto quanto tu e tu dizeres que se eu comesse os legumes todos seria? Pois, parece que resultou"

"Eu não dizia isso a sério! E não ficaste tão alto quanto eu, ficaste mais alto ainda. Gigante!"

"Eu sei que as verdades doem, Dean"

E as verdades são realmente dolorosas, sem piedade e cheias de espinhos. A verdade é que Sam sente-se tão desesperado quando se trata do seu irmão mais velho que não sabe o que fazer. Ele quer Dean todo para ele, quer abraça-o e levá-lo para bem longe. Onde nada o possa ferir. Quer ser o irmão mais velho por uma vez, porra!

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SPN

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Dean acorda a meio da noite. Na cama ao lado Sam dorme profundamente e sentado no sofá onde o seu irmão tinha estado horas atrás encontra-se Castiel. Quieto, cabeça meio inclinada, imperturbável, um observador distante, como quem está a assistir um filme. Dean não gosta quando Castiel aparece, quando Castiel aparece é porque alguma coisa se passa. Como nada de bom costuma acontecer na vida de Dean ele sabe que não vai realmente gostar do que Castiel lhe vai dizer.

"O que foi agora?"

Dean tenta manter a voz baixa.

"Acho que sabes, Dean"

Dean puxa os lençóis para o fundo da cama de uma só vez, levanta-se e começa a andar de um lado para o outro. Os olhos de Castiel seguem os seus movimentos com curiosidade e Dean apercerbe-se de que Castiel tem razão, Dean tem um ideia do porquê do anjo estar ali. Trata-se de Sam. Sam, Sam, Sam sempre Sam e Dean tem medo do que vá acontecer a Sam.

Veste o casaco por cima da t-shirt e dá uma olhada na direcção do seu irmão. Ainda está a dormir.

"Vamos. Não quero acordar o Sam"

Castiel assente e ambos saem do motel. Não vão muito longe. Dean pára o impala perto de um parque e fica em silêncio a olhar para o parque deserto e mal iluminado. Precisa de pensar no que vai dizer. Nas desculpas que vai arranjar. Como convencer Castiel de que o seu irmão é bom. Porra, o seu irmão é a pessoa mais bondosa que ele conhece. Sam quer sempre salvar toda a gente. Porque é que os anjos não conseguem ver isso? Não era suposto os anjos serem criaturas compreensivas? Pelo que Dean já viu, os anjos não diferem muito dos demónios.

"Sam é um perigo. Os seus poderes estão a aumentar e à velocidade a que isso está a acontecer, não há muito que se possa fazer para o salvar."

O coração de Dean ameaça saltar-lhe do peito. Como é que os anjos podem querer matar Sam? Sam, logo Sam que sempre teve fé em Deus, que sempre acreditou na existência deles? Com tantos demónios para enviar de volta para o inferno, com Lilith a espalhar o mal sobre a Terra porque querem matar logo o seu irmão?

"Sam tem sangue de demónio e ele continua a usar os seus poderes. Tu sabes que sim, Dean"

"Não. A culpa é de Ruby! Sam não vai andar por aí a matar pessoas! Ele é meu irmão, eu conheço-o"

Pela primeira vez Dean vê algo mais do que vazio nos olhos de Castiel. Qualquer coisa como pena. Dean não quer ver emoções em Castiel, não quer que lhe diga que Sam tem de morrer. Porque se Sam morrer o que é que Dean fará? Não suporta a ideia de ficar sem o seu irmão.

Os seres que Sam mais admira são os seres que lhe querem enviar para debaixo da terra. Merda de ironia!

"Lamento, Dean"

Dean dá um murro no volante. Nem pensar.

"Não vou deixar. Sam não fez nada de mal, ele não escolheu beber sangue de demónio!"

"Não penso que possas fazer alguma coisa"

Dean dá uma gargalhada amarga, evolvida em ácido. Sente os seus olhos a ficarem húmidos. Merda ele não vai chorar!

"Há sempre qualquer coisa que eu possa fazer! Por favor, tem de haver qualquer coisa que eu possa fazer. Sam não merece que até o Céu esteja contra ele, depois de tudo o que ele fez, Sam não merece mesmo."

"Sam irá para um lugar melhor"

Dean olha para o anjo ao seu lado com toda a sua raiva. Para um lugar melhor? Dean odeia quando dizem isso. Se houvesse comerciais a promover a morte seriam assim, com pessoas a cantarem: "Vamos para um lugar melhor!". Não, Dean não acredita num lugar melhor. Acredita no inferno mas quanto ao paraíso tinha certas dúvidas.

"Um lugar melhor e uma merda! Sam não irá a lugar nenhum"

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SPN

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Sam tinha fingido estar a dormir. Não era difícil saber o motivo de Castiel ter estado ali. Compreendia que os anjos quisessem livrar-se dele mas primeiro havia Lilith para matar. Não pode deixar Dean sozinho com Lilith a ponto de provocar o apocalipse.

Sam não quer morrer mas sabe que isso seria o mais certo. Ele tem sangue de demónio, poderes sobrenaturais que, por vezes, são tão fortes que Sam tem medo de perder o controlo. Perder o controlo pode originar uma tragédia e Sam não pode viver assim. Com medo que esse dia chegue e ele se transforme no que costuma caçar com Dean.

Só queria ter vivido mais. Se ter dedicado mais a Dean. Vai sentir tanta falta de Dean! Com quem é que ele vai dizer piadas? Com quem? Às vezes sente que ele e Dean são um só, que são almas gémeas. Nunca tinha dito a Dean, se o fizesse seria gozado, humilhado e muitas outras coisas, mas Sam sente que eles são. Que fazem parte um do outro, que estão conectados de uma maneira tão intensa que mais ninguém além deles aguentaria estar. É um amor muito forte, tão forte que o consome. É um amor que sempre sentiu. Dean era e é tudo para ele. É normal os irmãos se sentirem assim um pelo outro?

Quando estava com Jessica ele era feliz. Ele tinha amado Jessica mas não havia dia em que não pensasse em Dean. O que Dean estaria a pensar, o que estaria a fazer, estaria Dean bem? Ele nunca podia abandonar Dean completamente. Era como se houvesse uma espécie de corda invisível que o prendesse ao seu irmão. Uma corda impossível de ser cortada.

Foi afastado dos seus pensamentos pela porta a ser aberta. Dean entra, manda as chaves para cima da mesa ao lado do sofá e deixa-se cair literalmente em cima da outra cama. Dean nem repara que Sam está acordado e cobre a cara com as mãos. Isso faz Sam ficar preocupado.

"Dean? O que aconteceu?"

Dean não responde nem sequer retira as mãos da cara. Sam tem um mau pressentimento. Sai da cama e aproxima-se do irmão.

"Hei Dean, estás a assutar-me"

Outra vez nada. Dean não responde e continua na mesma posição como se Sam não estivesse ali a falar com ele. E depois, de repente, ouve o som de soluços e vê as costas do seu irmão a movimentarem-se. Dean está a chorar, Dean está mesmo chorar e Sam não sabe o que fazer. Nunca se sentiu tão indefeso. É primeira vez que vê o irmão assim. Porque está Dean a chorar? Dean quase nunca chorava e nunca, nunca soluçava. O que tinha acontecido para afectar o seu irmão assim? Nem quando estava a ponto de ser devorado pelos cães do inferno Dean tinha chorado.

"Dean?"

Sam não sabe o que fazer e nem precisa. Os seus braços parecem ter vida própria e envolvem o seu irmão. E Sam quer ficar assim para sempre com Dean nos seus braços. Ter Dean assim faz Sam sentir-se como se ainda houvesse esperança para eles os dois. Ele pode cuidar de Dean também. Podem cuidar um do outro.

Ficam assim durante uns minutos.

"O que fez Castiel para ficares dessa maneira?"

Dean afasta-se um pouco dele e lhe olha com uma sobrancelha erguida.

"Como é que..." – a compreensão parece atingi-lo. – "estavas acordado"

Sam assente com a cabeça.

"Eu penso que eles têm razão, Dean."

Dean afasta-se completamente e olha para ele como se lhe tivesse crescido mais duas cabeças. Como se Sam tivesse dito a maior barbaridade do mundo.

"O quê?!"

"Eu tenho sangue de demónio e os meus poderes estão a aumentar, eu sinto que estão. Lembra-te do que o pai disse: mais cedo ou mais tarde..."

"És idiota? Querem matar-te e tu ficas bem com isso?"

"Não é bem assim mas..."

"Não é bem assim hã?

Sam passa uma mão pelo cabelo e fecha os olhos. Porque é que Dean não entende que é melhor assim? Que é melhor ele não estar ali? Que era melhor se ele nunca tivesse existido. Tudo aquilo começou por causa dele. Morreram por causa dele! Mas Dean não entende, não entende.

"Dean, por favor. Tens de compreender, eu não quero matar ninguém... Tenho sangue de demónio, se eu me descontrolar eu..."

Desta vez é Dean a abraça-lo e abraça-o com tanta força que Sam quase que não consegue respirar.

"Que se lixem os demónios, que se lixem os anjos que se lixe se tens sangue de demónio. Sam, tu és um Winchester. Um Winchester não se rende."

Sam quer sorrir. Dean está ali com ele apesar de tudo o que está a acontecer. Dean que prefere desafiar os anjos a deixá-lo morrer.

"Dean?"

"O que foi agora Sam? Sim é verdade que os anjos te querem morto mas porra Sammy! Há tantas coisas que nos querem ver mortos!"

"Não é isso"

Dean olha para ele com as sobrancelhas franzidas e com os olhos brilhantes, talvez das lágrimas. Dean tem medo, camufla isso com fúria mas Sam conhece-o demasiado bem e Dean tem medo.

"O que é então?"

Sam não responde apenas cai em cima do seu irmão e junta os seus lábios com os dele. Não é fácil, a primeira reacção de Dean é empurrá-lo mas passado uns instantes fica paralisado, cristalizado. Os lábios de Dean são quentes e macios e parecem envolvê-lo desde o fundo do seu ser. Fica com os lábios imóveis sobre os do seu irmão. Tem medo de ser rejeitado. Ele não devia estar a beijar Dean, Dean é seu irmão. Todavia, não tem tempo de pensar mais sobre o facto de Dean não responder porque no momento seguinte isso é exactamente o que Dean faz. As mãos de Dean acariciam-lhe o pescoço enquanto as suas línguas batalham desesperadamente uma com a outra. Sam quer se fundir em Dean. Beijam-se desesperadamente tentando não chocar dentes, nunca tendo o suficiente.

Quando o oxigénio começa a faltar Sam é obrigado a separar-se de Dean. Sente o coração a bater a duzentos e a respiração irregular. Dean tem os lábios vermelhos sangue e os olhos verdes profundos e famintos. Como um predador.

"Então é assim que as mulheres sentem-se ao beijarem Dean?". Agora percebia porque era o seu irmão tão irresistível entre as mulheres. Não só entre as mulheres mas Sam recusava-se a pensar que Dean tenha beijado alguém do seu mesmo sexo. Okay acabou de o fazer mas pronto... Sam não consegue pensar muito bem. O beijo e as sensações ainda demasiado vivas dentro de si.

"Eu... eu... Foi estranho não foi?"

"Um bocado Sammy."

"Nós somos irmãos."

Dean começa a rir.

"Yeah eu sei. Vá lá Sam até parece que é a primeira vez que beijas alguém"

Dean tem aquela cara de zombaria. Sam atira-lhe a almofada à cara.

"Bem desculpa mas é a primeira vez que beijo o meu irmão" – E vendo Dean erguer uma sobrancelha, acrescenta. – "Ou um homem Dean ou um homem!"

"Está bem Sammy se tu o dizes."

Dean suspira e levanta-se.

"O beijo foi..."

"Não precisas de concluir a frase, Sam. Eu sei que sou bom, ossos do ofício, acho."

"Yeah..."

"Vou tomar um duche"

"O-okay"

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SPN

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Dean fica no duche durante algum tempo. O cair da água quente sobre a sua pele é relaxante e Dean fecha os olhos e encosta a testa no azulejo gelado. Quente e gelado. Ao mesmo tempo. Foi o que sentiu quando Sam o beijou. Sam o beijou e Dean tinha gostado. Era diferente de beijar uma mulher e não foi propriamente o beijo mais espectacular que já deu mas Dean gostou.

Não estava certo, aquilo não estava certo. John Winchester nunca aprovaria algo assim. Dean bate com a testa no azulejo. Não sabia o que fez Sam o beijar ou porque ele próprio respondeu mas na altura isso não importou. Na altura nada importou. Só aquele momento. A necessidade primitiva de estar o mais perto possível de Sam. Sim, foi estranho. De tudo o que lhe aconteceu aquilo devia ter sido o mais estranho.

Talvez tivesse respondido porque sentia medo de perder o seu irmão. Dean realmente não sabia. Era confuso. Não ia pensar muito sobre isso. Eles beijaram-se, não podiam voltar a trás. O que estava feito estava feito. Nada mudava.

Quando volta ao quarto Sam está no portátil. Deve ser perto das 8 horas e a luz do sol ainda fraca entra pela janela iluminando tudo com uma luz suave. Promete ser um dia cheio de sol mas Dean sabe que não vai ser um bom dia. Têm de encontrar Lilith e poderá ser o fim deles e mesmo se não for Dean não sabe o que fazer para evitar que os anjos lhe roubem o seu irmão.

"A ver pornografia logo pela manhã Sammy? Pensei que não chegasse o dia"

Sam olha para ele, abana a cabeça e revira os olhos.

"Temos de falar sobre o que aconteceu, Dean"

"Porquê?"

Dean pergunta com cautela. Não podem simplesmente fingir que não aconteceu?

"Porque hum... eu não quero que... eu não quero que as coisas fiquem estranhas entre nós"

"Mais estranhas ainda?"

Dean dá uma gargalhada mas cala-se quando Sam não o acompanha.

"Isto é importante, Dean"

"Nós somos Winchesters, nós não falamos sobre as coisas limitamo-nos a agir"

Sam retira o portátil de cima das suas pernas e olha para ele com atenção.

"Mas Dean..."

Alguém bate à porta e tanto ele como Sam desviam o olhar para ela. Ninguém sabia que estavam naquele motel. Nem mesmo Bobby.

"Importam-se de abrir a porta?"

Ruby. É a voz de Ruby. Porque estava ali Ruby? Dean olha novamente para Sam exigindo uma resposta mas Sam limita-se a encolher os ombros. Dean abre a porta.

"O que estás aqui a fazer?"

"Olá também para ti, Dean"

Ruby passa por ele com superioridade e Dean tem de controlar todas as fibras do seu corpo para não a enviar de novo ao inferno.

"Ruby, passasse alguma coisa? Lilith continua aqui na Pensilvânia, certo?"

"Continua por isso é que eu vim. Podes precisar de reforços"

Sam assente.

"Temos de nos apresar, Sam. Não falta muito para ela reunir todos os 66 selos. Se o fizer está tudo perdido"

"Tens razão. Lilith tem de morrer e quanto mais rápido melhor"

Dean senta-se no sofá e olha para eles. Cada vez que pensa no que podem ter feito enquanto ele esteve no inferno tem arrepios. Ruby é manipuladora e apesar de Sam nunca ter sido de se deixar manipular parece que com Ruby não se apercebe de que é apenas uma marioneta. Sam confia em Ruby e Dean realmente não consegue perceber porquê. O que é Ruby além de uma maldita demónio? Já foi humana e então o quê? Continuava a ser uma demónio!

"Vais conseguir pará-la Sam. Só tu podes."

Dean não sabe se se esqueceram dele ou simplesmente já não se preocupam de que ele esteja ali a ouvir, mas a maneira como Ruby diz aquilo revira as entranhas de Dean.

"Do que é que estão falar?"

Dean olha para Sam fixamente. Sam está a pensar em usar os seus poderes? Depois de tudo o que Dean lhe disse? Das vezes que lhe disse para não usar os seus poderes. Depois de Dean lhe dizer que os anjos não concordavam com o quer que seja que andava a fazer? De que os anjos o queriam ver morto? Aquilo não está acontecer. Dean não quer acreditar que está mas com o olhar determinado de Sam sabe que não vai conseguir impedir o seu irmão de fazer o que quer.

Sam sempre fez o quer. Nunca ninguém o conseguia convencê-lo do contrário. Não conseguiu evitar as brigas entre Sam e John Winchester ou que o seu irmão o abandonasse para ir para Stanford. Quando Sam tinha aquela determinação no olhar Dean sentia que ficava sem ar.

"Do que é que ela está a falar Sam? Estás a pensar usar os teus poderes para matar Lilith?"

"Sim"

"Não podes!"

"Não preciso da tua permissão, Dean"

Dean sente-se desesperado. Porque é que Sam não raciocina. Sam é suposto ser o inteligente!

"Se o fizeres não conseguirei fazer nada para impedir que os anjos te matem!"

"O que queres que faça então, Dean? Que fique aqui sentado enquanto Lilith destrói mais um selo?!"

Ruby só olha para Sam.

"Encontraremos outra maneira de a matar"

Sam ri-se.

"Ela é demasiado poderosa e tu sabes Dean. Não há outra maneira.

"Claro que há"

"Não há Dean e eu vou fazer isto quer tu concordes ou não. Ela mandou-te para o inferno!"

Dean sabia. Dean estava farto de saber que foi Lilith que o mandou para o inferno mas isso não interessava quando o seu irmão mais novo iria cometer uma grande estupidez.

"E então achas que a maneira mais correcta de te vingares é usares os teus poderes para a matar? É isso Sam?"

"Sim é isso. Nem sempre tens razão Dean, às vezes eu também posso ter"

Dean respira fundo.

"Faz o que quiseres"

E Sam sai do quarto seguido por Ruby deixando Dean sozinho. Outra vez.

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Continua...

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Obrigada por terem lido!

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