I don't believe you

"No, I don't believe you
When you say don't come around here no more
I won't remind you
You said we wouldn't be apart
No, I don't believe you
When you say you don't need me anymore
So don't pretend to
Not love me at all"

Perdi as contas de quantas vezes o vi correndo atrás de mim, me cutucando, exigindo atenção. Você me impôs sua presença até o ponto de eu me acostumar a ela. E, principalmente, até o ponto de sentir sua falta. E você sabe disso, sempre soube. E foi nessa mesma época que você começou a se oferecer para mim. Ou você realmente acha que eu nunca notei?! Mas, assim como você me cercava, cortejava e fazia promessas mudas, eu o via com um e outro, aqui e ali.

Quantas não foram as vezes em que me senti tentado a tentar? Tentado a permitir que você se aproximasse? Tentado a me permitir tentar? Mas eu tinha medo. E eu nunca acreditei. No fundo, eu jamais acreditei em você, em mim, em nós. Jamais acreditei, de fato, em uma única palavra lasciva que você me dirigiu. Jamais acreditei que você me desejasse, acima de todo o resto. E por isso, por ser imprevisível, por ser potencialmente inseguro ou perigoso, jamais me permiti tentar.

Eu nunca acreditei que você realmente me quisesse. Por outro lado, nunca acreditei que você pudesse, de fato, se estabilizar ao lado de alguém que não fosse eu. Mas isso, é claro, sou incapaz de assumir, mesmo para mim. Só tomei consciência disso ao retornar e vê-lo – quem diria?! – em uma relação prolongada com Saga. Nada mais natural, obviamente. Fui estúpido demais ao acreditar que, depois de dois anos, você continuaria me aguardando ou mesmo que correria, ainda, atrás de mim.

Mas então eu retorno. E você está praticamente casado com Saga. E você me trata com uma estranha distância respeitosa. E você sequer me olha nos olhos, como se isso pudesse, de alguma forma, ser ofensivo. Ou perigoso. E o Milo que eu achava conhecer parecia esconder-se atrás de uma névoa ou neblina.

Só consegui reconhecer algo como um pálido reflexo daquele Milo que conheci quando você veio, parecendo estar na defensiva e desconfortável, me convidar para um drink fora do Santuário. "Para comemorar seu retorno", você disse. Não imaginei que iríamos apenas nós dois, apesar de poder adivinhar que isso aconteceria. E talvez por vê-lo, por reconhecê-lo, acabei por aceitar.

Você se embebedou rápido. Parecia nervoso e tenso por, – quem sabe?! – estar ali, sozinho, na minha frente. O álcool deixou-o mais desinibido e, não sei como, nossa conversa chegou à relação que tínhamos, anos atrás.

- Ora, Camus, é óbvio que eu estava interessado em você quando veio pra cá, uns dois anos atrás.

Eu não te dava mole: eu me derretia por você. Vai dizer que nunca reparou?

- É claro que reparei...

Quando ouvi como minha voz soou aos meus ouvidos e pela facilidade com que ela deixou minha boca, tive plena ciência de que também estava embriagado. E possivelmente foi isso que me deu coragem para fazer o que fiz em seguida.

Eu o segui. E fiquei à porta, observando enquanto você tentava retornar à sobriedade. Não sei o que me fez impedi-lo de deixar o banheiro e não dar ouvidos ao seu aviso. Eu sabia o que você faria a seguir. E, quando você me beijou, me entreguei.

Surpreendeu-me sua entrega, tão total, na qual me convidou a possuí-lo, apesar de ser tão contrário ao que você é ou está acostumado. E eu o fiz. E, sinceramente, não me arrependo disto. Arrependo-me, sim, pelo que houve em seguida, quando não consegui ser sincero diante da sua pergunta. Arrependo-me pelo arrependimento que vi correr por seus olhos naquele momento. Sei que você pensou em Saga. E sei que, se tivesse dito o que realmente penso você o teria deixado sem pensar duas vezes.

Mas eu não tinha o direito de fazê-lo. Não tinha o direito de tirá-lo de Saga. Não podia forçá-lo a alterar sua vida por minha causa.

E, assim, o tive pela primeira vez. E o perdi, pela última vez.

FIM

Mudoh Belial

21h 03min

31.03.2009

N.A.:

C'est fini.

Espero que tenham apreciado.

Agradeço a leitura.

Créditos para a Kaho Mizuki, que não só acompanhou a produção de todos os ficlets, como também betou.
Obrigada, minha querida.