Disclaimer: Roy Mustang não me pertence (infelizmente ) FMA também não

A/N: Este tema se provou um dos mais complicados, prncipalmente por se tratar da uma visão de um personagem complexo sobre uma situação complicada, o que tornou o tema um tanto quanto angst e dramatico, espero ter conseguido interpreta-lo direito e espero que vocês gostem !!! Spoilers capitulo 15 do mangá


# 4 - Grave

Pela janela do quarto era possivel ver a lua, pálida e quase invisivel, mascarada pelas luzes da Central, sendo confundida com as luzes de emergência que eram acesas em torno do quartel general, mas mesmo assim ela conseguia iluminar o quarto, lançando sobre as figuras deitadas na cama uma luz azul e sobrenatural.

Chovia forte aquela noite, os pingos chocando-se contra o vidro, causando pequenas sombras pelo quarto, o barulho incessante como uma canção de ninar. Talvez fosse essa a razão pela qual ele não conseguia dormir.

Ele estava deitado na cama, seus braços envolvendo a mulher deitada ao seu lado, os longos cabelos loiros espalhados pelo travesseiro as costas nuas escostadas sutilmente nos seu peito, as mãos caidas languidamente próximas ao seu rosto. O ritmo da sua respiração coordenando a de ambos.

Roy se encontrava perdido em suas lembranças e pensamentos para notar quanto tempo já havia se passado desde que ele havia chegado no apartamento; Um ritual que era seguido religiosamente por ambos desde o final da guerra: Sempre após as dez. Sempre no apartamento dela. Sempre nas noites de folga. Sempre que possivel. Era o único momento no qual eles não eram Coronel e Tenente, após as dez, após as boas vindas e formalidades, após o casaco pendurado atrás da porta e as brincadeiras com Hayate, eles eram somente Roy e Riza, e nessa hora tudo mudava, os sentimentos afloravam, as necessidades e angústias, os medos e desejos, a intimidade e o amor, tudo voltava a correr, como se alguém decidi-se que a música deveria voltar a tocar.

Geralmente aquelas eram as noites nas quais ele realmente dormia, as culpas e preocupações eram abandonados na porta, para serem recolhidos somente pela manhã, quando, antes que a cidade acordasse ele partia; Mas não essa noite, ele estava incomodado, ele voltara de uma visita a familia hughes, Elysia e Gracia. Não foram mais que cinco minutos mas a visita havia de algum jeito, trazido a tona coisas as quais ele preferia deixar esquecidas no fundo da mémoria.

Usualmente essas coisas envolviam Riza.

Após encontrar com a viúva de Maes, Roy pode notar como as coisas haviam mudado para aquela mulher, ainda era visivel o vazio que ela sentia, mas ela voltara a viver, ela havia superado a dor da perda, e Roy assustava-se ao pensar que ela o havia feito antes que ele mesmo o fizesse.

Como se pudesse ler sua mente, Gracia respondera a sua pergunta silenciosa dizendo que ela havia superado graças a Elysia, aos amigos, a familia, graças as lembranças que ela e Maes compartilharam; Sem poder argumentar sobre o assunto Roy apenas concordou.

Mas agora, prestando atenção nos intrincados desenhos que a chuva formava na pele de Riza, ele não podia parar de pensar, se ao invés de Maes, ele houvesse morrido, assasinado brutalmente pelo inimigo, sem chances de se despedir, de dizer adeus ?

O que aconteceria com ela ?

Com certeza haveria um Funeral, com a presença do alto escalão militar, com direito a salva de tiros e a bandeiras hasteadas, o Fuhrer estaria presente, seus subordinados estariam presentes, ela estaria presente. Mas, diferente de Gracia, ela não poderia lhe dizer o último adeus, atirar flores durante a cerimônia, a bandeira que se encontrava em cima do caixão não seria dada a ela como lembrança, nem suas medalhas e seu uniforme.

Ela não seria consolada e suas lágrimas não seriam interpretadas corretamente, ela não seria mencionada no discurso de despedida, ela não teria alguém a quem chorar, ela não seria tratada como viúva, como esposa, ou mesmo amante, ela seria tratada como um soldado, que por respeito presta continência diante do camarada abatido na batalha.

Ela iria para casa, e não haveriam parentes, não haveriam amigos ou desconhecidos que se ofereceriam para partilhar a dor da perda, não haveriam filhos para abraçar e representar aquilo que havia sido perdido, não haveria uma prova além de suas lembranças as quais ela poderia se agarrar e mostrar ao mundo que ela era mais, muito mais.

Parecia que alguma força invisivel apertava seu coração quando estes pensamentos o afrontavam como verdades amargas. Riza não tinha ninguém, somente ele.

Ele não se importava em saber que a sua própra vida era dela, em saber que ele não poderia viver sem ela. Mas saber que a vida dela se resumia a ele, saber que essa mulher havia dedicado sua vida sem que ele houvesse pedido, seus objetivos, sonhos, ambições, ela havia lhe oferecido tudo, para que ele pudesse lhe retribuir tão pouco

Roy sabia o quanto egoistas estes pensamentos eram, e isso o matava por dentro, saber que se ele partisse ela ficaria só, saber que se ele morresse estaria levando uma parte dela consigo.Ter a consciência de que Riza era frágil, poder olha-lá por dentro e ver aquilo que todos se recusavam a ver, que ela era humana, que ela amava e se machucava, que ela também sentia medo e desespero, que ela também sofria.

E nessas horas ele queria tudo diferente, queria ser apenas um cidadão comum, queria poder casar, ter filhos, queria parar de se esconder e faze-la feliz.

Porque no seu intimo, ele sabia que ela nunca iria superar, e isso o aterrorizava mais que tudo.

Na escuridão do quarto, ele não conseguia ler as horas, mas sabia que logo seria a hora de voltar a vida real, Riza continuava a dormir nos seus braços, a chuva havia parado e o quarto se encontrava em mais perfeito silêncio, em um susurro quase inauldivel ele disse entre as mechas loiras

- Riza, eu vou estar sempre com você... - uma certeza para ele mesmo, uma necessidade de provar a si próprio que aqueles palavras eram reais.

- Eu sei - Foram a resposta que ele pensaria ter imaginado se não fossem os dedos que se entrelacaram aos seus para provar o contrário

Ele não iria deixa-lá, não sem antes realizar os desejos de Hughes.

FIM !


Muito Obrigado: Nielita, Fabi Washu, Elizabeth Von Bathory, Lady Mary. Priscila, Luh Norton, Eduu Elric, Dark Faye, Riza-chan, Barbara Lee Hawkeye, Renatomik , Dead Lady e a todos que leram !!!

Por favor deixem uma review , criticas, sugestões, comentários e elogios são muito bem vindos !

Próximo tema : Heiki (weapon) & Heiki (fine)