Disclaimer: FMA não me pertence..caso contrário eu não escreveria fanfics

A/N & Spoiler: esse capitulo pode ser lido como uma trilogia em conjunto com os temas 2 e 4, sendo a ordem certa 4 - 2 - 6 ! os spoilers são do capitulo 39 para frente , a música utilizada é Green Eyes do Coldplay, e pode ser considerada como os pensamentos do Roy ! espero que vocês gostem e DESCULPEM pela demora !


# 6 - Death

Quando Roy abriu os olhos pela primeira vez ainda era noite, madrugada talvez, principalmente pelo silêncio e a escuridão, ele olhou em volta tentando reconhecer onde estava, por alguma razão ele não conseguia se lembrar; Sua mente não parecia se importar com esse fato, a sensação era como se tudo a sua volta fosse algo vago, e então, ele a viu, parada perto de uma porta, ele queria falar com ela, perguntar o que estava acontecendo, mas o seu corpo parecia dormente, como se flutuasse e os seus olhos estavam cansados, ele se sentia cansado, antes que se desse conta já estava dormindo novamente.

A segunda vez que acordou foi por causa da dor, algo estava doendo, muito, o bastante para que ele acordasse, havia mais alguém no quarto (ele supunha que era um quarto), alguém que o tocava e falava (com ele talvez ? era dificil identificar), e ele a viu novamente, desta vez prestando mais atenção, ele sorriu, a dor estava se dissipando e a sensação de flutuar voltava, alguém estava falando com ele, furando seu braço, ele sentia, mas a dor parecia distante o sono voltava e antes de dormir ele conseguiu ver o suspiro de alivio nos olhos dela quando estes encontraram os dele, ela sorriu e ele adormeceu.

Esse ritual foi quebrado na manhã seguinte, quando todo o sono parecia ter se esgotado e o seu corpo parecia sensivel demais, cada movimento parecia causar um extremo desconforto, assim que seus olhos atravessaram o quarto, e ele pode ver Havoc na cama ao lado, os instrumentos hospitalares e o soro pendurado, ele se lembrou de tudo. Isso explicava as dores no corpo e a sensação de dormência, o efeito da morfina provavelmente havia acabado e ele sentia pela primeira vez o impacto que as lâminas daquele homunculos e das suas próprias chamas tinham no seu corpo;

Algo estalou dentro de sua cabeça e ele se lembrou dela, com um movimento um tanto brusco para seu próprio bem, o que causou uma dor excruciante no seu lado esquerdo, ele a viu, parada na mesma posição, perto da porta ( que agora ele podia ver com clareza, parecia ser de manhã bem cedo) da mesma maneira como das outras vezes, desta vez ela sorriu (e ele descobriu que podia respirar tranquilamente de novo) o cansaço evidente na olheiras que se desenhavam embaixo dos olhos avermelhados, a pose ereta e tensa, sinalizando que ela provavelmente estivera ali desde ...desde... ele não sabia, um dia, dois, uma semana, quanto tempo havia se passado desde o incidente com Barry ? há quantos dias ele estava naquela cama de hospital ?

Só havia um jeito de descobrir e seria perguntando a ela, e ele ansiava por isso desde a primeira vez que havia acordado, mas só agora se encontrava lúcido o bastante para sustentar tal conversa, infelizmente (felizmente ? ele não conseguia se decidir) a lucidez trouxera também outras lembraças, agora mais nitidas, daqueles últimos instantes de luta, as ações da primeira tenente somente agora faziam sentido, os olhos se cruzaram e ele sentiu que algo começava a se formar dentro dele, uma mistura de raiva e alivio, e de repente ele estava tão nervoso e bravo que as palavras apenas jorravam da sua boca, sem que ele pudesse parar para pensar. Naquele momento ele queria levantar e chacoalha-lá pelos ombros, e depois abraça-lá sentir que ela estava realmente ali, sólida e viva e que tudo tinha acabado bem, mas não podia, Havoc estava acordado, pessoas andavam pelos corredores e haviam coisas a fazer e pensar, Roy sabia que o máximo que poderia fazer no momento era gritar coisas das quais ele se arrenpederia depois. Um longo dia o esperava pela frente.

Suas previsões se provaram certas, extenuantemente certas, no decorrer do dia tudo foi devidamente explicado, Havoc estava paraplérgico, o Fuhrer poderia estar envolvido com os homunculus, ele deveria ficar uma semana de repouso, a cura para Havoc era inexistente, ainda não haviam noticias de Xing ou Breda, tudo isso somado ao fato que a sua primeira tenente não estava contribuindo para melhorar a situação só tornava o cansaço pior.

Hawkeye não saira do seu lado o dia inteiro, agindo como uma sombra, sem falar ou descansar um minuto, ele odiava isso, ele não a vira comer em nenhum momento durante o dia inteiro, o Sargento Fuery havia comfirmado suas suspeitas, de que ela não saira do seu lado desde o incidente, ou seja, durante dois dias inteiros ela havia se recusado a ir para a casa, descansar ou dormir um pouco e ele sabia o por que, muitas pessoas consideravam-na indecifravél, mas para ele, ela era como um livro aberto, e ele sabia que ela ainda estava assustada, o medo e desespero daqueles momentos ainda frescos demais, ela não iria sequer sentar antes de verificar se ele estava bem, seguro e a salvo. Era como se ela estivesse esperando uma confirmação, que só ele poderia dar. Ironicamente, apesar de tê-la do seu lado o dia inteiro, não houve um único momento que eles pudessem conversar após o sermão que ele havia lhe passado pela manhã.

E agora ele estava novamente no quarto, já era bem tarde,o horário de visitas tinha acabado há algum tempo, os corredores do hospital se encontravam silenciosos, a luz estava apagada e as únicas fontes de luz vinham da lua encoberta pela cortina e do pequeno abajur na mesa. Jean, na cama ao lado, dormia pesado, como ele podia perceber pelo sonoros roncos, ele também havia passado por um longo dia. ainda agora era dificil olha-lo, a culpa e a tristeza o impediam.

Como um Oficial superior e ameaçado lhe fora permitido um acompanhante e uma equipe de segurança reforçada no andar do hospital, além do mais, havia essa amiga de Alphonse que podia "sentir" homunculus vigiando os arredores em caso de ataque, somente depois de todas essas medidas que ele finalmente conseguiu que Riza saisse por alguns minutos para cuidar de si mesma, ela concordara.

Mas não haviam se passado nem trinta minutos quando ela voltou ao quarto, com a aparência muito melhor, mas ainda sim terrivelmente cansada. o cabelo preso no coque, o uniforme limpo que Fuery lhe trouxera. Roy a observava atentamente, como, após checar se Havoc estava realmente dormindo (uma gentileza dos tranquilizantes, ele imaginava), se a porta havia sido trancada, e as janelas fechadas, ela finalmente relaxou, os ombros cairam e a jaqueta militar foi abandonada em uma cadeira próxima a cama onde ela se sentou, os olhos evitando os dele.

Eles ficaram assim por algum tempo, ambos se preparando para o que viria, a razão dessa conversa ter sido adiada mais evidente naquele momento, principalmente por que não era uma conversa com palavras, entre eles elas nunca eram.

De repente, ele quebrou o silêncio, se mexendo para criar um espaço na cama no seu lado direito, ele chamou:

"Riza !"

Sem hesitar ela se levantou e se acomodou naquele pequeno espaço, os braços envolvendo-o, o rosto escondido entre o seu pescoço e peito.

A mão enfaixada dele lentamente tirou a presilha que prendia os cabelos loiros, deixando-os livres para que ele pudesse acariciá-los enquanto ele beijava e apoiava sua cabeça neles, os braços a segurando apertado como se ela fosse a única coisa que o mantinha no lugar.

Honey you are a rock
Upon which I stand
And I come here to talk
I hope you understand

Foi um ato instantanêo, no momento que eles sentiram um ao outro, uma barreira invisivel quebrou, e as lágrimas da primeira tenente sairam em um soluço, enquanto ela o abraçava mais forte, molhando a frente da sua roupa, seu pescoço, seus rosto, enquanto ela susurrava palavras assustadoras, até mesmo para ele.

" Eu tive tanto medo Roy ... eu acreditei que você ..."

Mesmo agora, ela não conseguia dizer em voz alta.

The green eyes
Yeah the spotlight
Shines upon you
How could
Anybody
Deny you?

Vendo-a chorar assim, de um jeito tão triste e solitário, Riza Hawkeye, a mulher que conseguiu mantê-lo firme durante toda uma guerra, que entre os dois era a o ponto de equilibrio e razão, chorar, duas vezes, por ele, era algo insuportável.

I came here with a load
And it feels so much lighter
Now I've met you
And honey you should know
That I could never go on
Without you
Green eyes

E ele queria dizer que ele nunca poderia ir sem ela, que morrer, deixa-lá não era uma opção, afinal ela era a razão para que ele continuasse em frente, mas as palavras não saiam. estavam presas, como um bolo na garganta. Os únicos barulhos no quarto eram os soluços dela. o choro camuflado pela sua pele.

Honey you are the sea
Upon which I float
And I came here to talk
I think you should know

Os eventos dos últimos dias passavam como um filme, desde o momento da emboscada de Barry, o ataque do homunculus a Riza, Havoc quase morrendo, Alphonse salvando a vida que chorava agora nos seus braços, a vida que ele quase perdeu por duas vezes na mesma noite, o pânico que ele sentiu ao ouvir a linha muda do outro lado, ouvir a voz fria da mulher se distanciando para matar seus companheiros, o som das inúmeras balas e gritos e depois o choro e a declaração da mulher que ele amava, dizendo que queria morrer...a sensação de desespero que ele sentiu naquele momento...o bolo na garganta piorou...e Roy fez algo que não fazia desde a morte de Hughes...ele chorou.

The green eyes
You're the one that
I wanted to find
Anyone who
Tried to deny you
Must be out of their mind

As lágrimas dele caiam silenciosas, se perdendo na massa de cabelos loiros, enquanto ele acariciava-os e susurrava:

"Shh...Eu estou bem... eu estou aqui ...Shhh..."

Aos poucos os soluços foram cessando, e ela finalmente o encarou, os olhos vermelhos por causa do choro, mas com a mesma expressão determinada de sempre, a mão que apertava a frente de sua camisa se soltou para envolver a sua face, os dedos secando as lágrimas que ainda teimavam em sair, o rosto tão próximo que era possivel sentir a respiração um do outro, lentamente ela se aproximou e os lábios se encontraram em um beijo delicado, duas pessoas que tentavam assegurar que apesar de tudo, elas estavam ali, vivas e era isso o que importava.

De um beijo delicado, ele passou a algo apaixonado e intenso, como um último beijo de despedida, onde cada parte quer memorizar a outra, lábios, mãos, corpos, tudo ao ritmo da mesma melodia.

'Cause I came here with a load
And it feels so much lighter
Since I've met you
And honey you should know
That I could never go home
Without you

Eles separam-se, ofegantes, não havia mais nada o que conversar, tudo tinha sido expressado em gestos e olhares, eles estavam cansados, Riza se acomodou entre os braços dele, enquanto ambos caiam no sono, aproveitando os preciosos momentos que restavam, tendo em mente que apesar de tudo pelo qual haviam passado, só havia uma coisa a qual eles não poderiam superar, a perda um do outro.

Honey you are a rock
Upon which I stand...

Fim !


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Obrigado Luh Norton, Miluka, Pink-chan2, Fabi Washu, Dóris Bennington, Priscila, Dead Lady, Harumi, Bárbara Lee Hawkeye, Lady Mary, Riza Potter e a todos que leram !

Desculpem novamente pelo atraso ! Próximo tema : Crime and Punishment