A/N & Spoilers: Esse tema é meio dark, faz menção a violência e vocabulário mais pesado e está escrito de uma maneira confusa propositalmente pois ele pretende retratar a mente do Roy. Spoilers dos capitulos sobre Ishbal. A diferença de iadade entre o Roy e a Riza nessa fic é de 2 anos. Espero que vocês gostem, e desculpem pela demora !

Disclaimer: Fullmetal Alchemist NÃO me pertence! Eu me contento em pegar emprestado um certo alquimista de vez em quando!


# 13 - Betrayal

"Você começou a se lembrar ?"

"Como eu poderia esquecer !"

Faziam 4 anos, e mesmo assim levara menos de 10 segundos para que ele reconhecesse aquela voz.

Roy Mustang nunca acreditou que pessoas pudessem mudar ao ponto de tornarem-se irreconhecíveis. Seis meses no fronte de batalha transformariam suas concepções para sempre.

O inferno construído sobre areia quente e árida de Ishbal tinham mudado-o de tantas maneiras que tudo o que restou foi o vazio; O garoto idealista, o cientista incansável, o alquimista altruísta, perderam-se um a um em meios a tempestades de areia e estalar de dedos, tudo o que restou foi o instinto e as ordens a serem seguidas.

Em meio a guerra não existia tempo para sofrimento, culpa, tristeza ou saudade, todos os sentimentos era arrancados pelas atrocidades diárias e a única ordem permitida era sobreviver.

"Nós lutamos porque não queremos morrer".

Dia a dia milhares de soldados lutavam motivados por esse simples acordo, e mesmo que ele se recusasse a aceitar, ele também via-se obrigado a segui-lo. Contestar trazia apenas mais sofrimento

A voz era a mesma, mas todo o resto deixara de existir.

Bastavam somente dias para que os corpos apodrecidos e frescos parassem de chamar atenção a beira das estradas, horas para que o cheiro de pele e roupas queimadas e sangue deixasse de se fazer notar, em poucas semanas um soldado tornava-se incapaz de impressionar-se. Soldados eram peões, e humanidade era algo dispensável.

O impacto causado pela voz de alguma maneira acordou a pessoa que um dia ele fora.

Não porque era uma voz feminina, ou porque vinha de um garota que ate outro dia era uma criança, mas porque era errado, as notas frias e duras soavam erradas por que elas não pertenciam a aquele lugar sujo e impuro. Elas deveriam ter ficado lacradas nas memorias que a guerra ainda não conseguira arrancar e que ele guardava tão bem escondidas.

Lembranças não deveriam tornar-se reais, era contra a ordem natural, o passado não deveria parecer solido e vivo e sujo e diferente. Como ele poderia escapar para os tempos onde ainda existia ansiedade e risadas e segredos quando a voz, daqueles tempos voltava mudada pelas mesmas coisas que tinham levado o menino embora para sempre. Com que direito ela manchava o único escape em meio a tanta destruição.

Naquele momento, ele odiou aquela voz e a si mesmo ao mesmo tempo.

Era egoismo puro, mas que merda que ela estava fazendo ali? Tomando aquela água suja e atirando em pessoas e salvando a vida de pessoas que deveriam morrer ? Seguindo ordens escrotas e hipócritas? Garotas de dezenove anos deveriam casar, estudar, rir...viver...não matar pessoas, não tornarem-se atiradores. Tudo estava tão errado! Ela...merda!...Ela não deveria estar aqui.

Por maior que fosse a vontade de se sentir responsável, ele não tinha esse direito. Riza Hawkeye nunca fora fraca, se o exercito tinha sido a escolha dela, não importando o motivos, era presunçoso demais se considerar um deles.

Mas negar sua parcela de culpa era como negar sua alquimia, seu poder.

Nunca havia ocorrido para ele o pensamento mais obvio.

Ele tinha a abandonado.

E fazendo isso ele tinha traído tudo que o trouxera até este momento, o Sensei, no final, havia lhe deixado o poder da alquimia, e muito mais, ele havia lhe deixado ela. Sua filha, pedido que ele cuidasse dela e ele havia falhado. Falhado porque duas semanas após sua morte, nascia o Flame Alchemist.

Ele tinha confessado seus sonhos, seus planos, ambições, e ela, feito o que ninguém havia feito antes, ela havia confiado, depositado seus sonhos nos deles e permitido que ele se tornasse o homem que sempre sonhou, apoiando-o ao mesmo tempo que permitiu que ele penetrasse nos seus segredos.

Mas o que ele havia feito em troca? Explorado as costas nuas da garota por noite a fio, enquanto despejava todos seus planos para ouvidos sempre prontos a escutar, mas nunca prontos para serem ouvidos.

A resposta dada no tumulo do pai tinha sido suficiente ? Saber que uma garota de quinze anos arranjaria algum jeito de sobreviver fora o bastante? Ele precisou de anos para perceber o quanto ingenuo e cego pela chance de tornar-se um alquimista poderoso ele havia sido. Ela esteve lá durante anos e nenhuma vez ele havia perguntado se existiam planos e sonhos e ambições. E mesmo depois da morte do Sensei, sabendo que não haviam ninguém além dele ele tinha ido embora, deixando para trás apenas a promessa que iria escrever mandando noticias.

Ele tinha sido um idiota, um garoto que se achava tão culto, mas não passava de um jovem superficial como todos os outros. As cartas que ele escrevera eram curtas, sucintas e frias, seria uma piada chamá-las de cartas quando na verdade não passavam de duas pequenas mensagem.

As respostas pararam de chegar depois de meses seguidos de cartas não respondidas. E mesmo agora, esforçando-se para lembrar do seu conteúdo era quase impossível.

Ela mencionara o exercito? Pedira conselhos? Xingara ou reclamara? Pedira ajuda? Ele nunca saberia..Ele não sabia nem ao menos se estaria vivo para voltar a vê-las.

A voz de Riza Hawkeye conseguira mudar duas coisas naquela noite, um homem e um ideal.

O ideal de uma vida inteira. Aquela noite Roy Mustang jurou proteger e confiar a ela tudo aquilo que um dia ela o havia confiado. Ele tinha as costas dela, e ela teria a dele. Ele não mais lutava para sobreviver. Mas sim para mudar aquela guerra, o governo, o exercito, a vida daqueles que nele confiavam, e a vida daqueles que não.

E talvez a mudança maior e de maior importância.

A voz mudara o homem, não por que lhe concedeu novos ideais, mas sim porque conseguira resgatar a humanidade que ele havia perdido talvez para sempre.

As pessoas mudavam. Mas nunca totalmente.


Obrigado: Riiza, Lika Nightmare, Fabi Washu, Luh Norton, Miluka Alchemist, Srta Hawkeye, Hugo, Riza Potter, Dead Lady, Pinky-chan2, Dóris Bennigton e a todos que leram ! Criticas, comentarios, elogios, ameaças, sugestões são sempre bem vindos!!! Reviews altamente apreciadas !

Proximo tema: Covered eyes (e se a vida deixar, sem o atraso de 1 mês)