Capítulo 3:

A dura e maravilhosa vida de Lindsay Lohan


"Qualquer pessoa que tenha obedecido à natureza ao transmitir uma fofoca experimenta o alívio explosivo que acompanha a satisfação de uma necessidade primária."

- Primo Levi (1919-1987), químico e escritor italiano.


História da Moda

MONOGRAFIA DE GINEVRA WEASLEY

Os antigos egípcios, que inventaram tanto o papel como a primeira forma conhecida de controle de natalidade (uma casca de limão com cocô de crocodilo como proteção cervical, que funcionava como um espermicida eficiente, ainda que fedido), eram extremamente higiênicos: preferiam linho a qualquer outro material, já que era fácil de lavar – e isso não é nada surpreendente, ainda mais quando se leva em conta o negócio do cocô de crocodilo.


- Achei que era você! – Dean diz com aquela voz fofa que fazia todas as garotas do alojamento McCracken babarem, apesar de seu sotaque meio forte. – Qual é o problema? Você passou reto por mim!

- Ela achou que você era um sequestrador – o sujeito da cabine do ponto de encontro explica entre gargalhadas.

- Sequestrador? – Dean olha do sujeito na cabine para mim. – Do que ele está falando?

- Nada – pego o braço de Dean e o arrasto para longe da cabine. – Nada mesmo. Ai, Merlin, como é bom ver você!

- É bom ver você também – Dean coloca o braço em volta da minha cintura e me dá um abraço tão forte que as ombreiras da jaqueta entram na minha bochecha. - Você está fantástica! Perdeu peso ou algo assim?

- Só um pouquinho – respondo, cheia de modéstia. Dean não precisa saber que nada de amido, como batata frita ou uma mísera migalha de pão, encostou nos meus lábios desde que ele me deu tchau em maio.

Então Dean repara que estou olhando para um homem careca mais velho que se aproximou de nós e que está sorrindo educadamente para mim. Ele está usando um impermeável azul-marinho e calça de veludo cotelê marrom. Em pleno verão.

Isto não é bom sinal. Estou só dizendo.

- Ah, certo! – Dean exclama. – Gi, este aqui é o meu pai. Pai, esta aqui é Gi!

Ah, que amor! Ele trouxe o pai para me conhecer no aeroporto! Dean deve estar MESMO levando nosso relacionamento a sério para se dar a tanto trabalho. Já o perdoei pela jaqueta.

Bem, quase.

- Como vai, senhor Thomas? – digo e estendo a mão para cumprimentá-lo. – Muito prazer em conhecê-lo.

- O prazer é todo meu – o pai de Dean diz com um sorriso simpático. – E, por favor, pode me chamar de Henry. Não se incomode comigo, sou apenas o chofer.

Dean dá risada. Eu também. Só que... Dean não tem carro?

Ah, mas espere, está certo. Muita gente não tem carro no mundo trouxa porque é caro demais. E Dean está tentado sobreviver com salário de professor...

Preciso parar de ficar julgando tanto as outras pessoas. Acho que é a coisa mais fofa do mundo Dean não ter carro. Mostra que ele se preocupa com o ambiente! Além do mais, ele é um bruxo. Não precisa de carro, só de uma vassoura. E, se bem me lembro, todo mundo aqui vive caminhando, o que é muito saudável. Provavelmente também não há muita gente gorda em Londres. Quer dizer, é só olhar para o Dean. Ele é quase tão magro quanto um palito de dentes.

E, ainda assim, tem aqueles bíceps maravilhosos, do tamanho de grapefruits.

Mas, agora que estou olhando melhor, o tamanho está mais para o de uma laranja.

Mas como realmente saber o que está por baixo de uma jaqueta de couro?

Também é um amor ele ter um relacionamento tão próximo com o pai. Quer dizer, de poder pedir para ele ir até o aeroporto para buscar a namorada. Meu pai sempre está ocupado demais no Ministério para esse tipo de coisa. Mas, bem, o trabalho dele é muito importante, já que estão sempre o chamando porque ele é o chefe da Seção para Detecção e Confisco de Feitiços Defensivos e Objetos de Proteção Forjados. O pai de Dean é professor, como Dean quer ser. Os professores têm férias no verão.

Meu pai teria um ataque de riso se algum dia eu dissesse para ele pedir férias.

Dean pega minha mala, que tem rodinhas. De modo que, na verdade, é a coisa mais leve que carrego. Minha bolsa de mão está muito mais pesada, já que contém toda a minha maquiagem e os meus produtos de beleza. Eu não me importaria muito se a companhia aérea perdesse as minhas roupas, mas morreria, de verdade, se perdesse minha maquiagem. Fico parecendo um animal sem ela. Meus olhos são tão pequenos e apertados que, sem delineador e rímel, fico com cara de porco... apesar de Mione, que me conhece desde meus dez anos, dizer que não é verdade. Hermione diz que eu não precisava de maquiagem se não quisesse.

Mas por que eu não quereria, já que maquiagem é uma invenção tão brilhante e útil para aquelas entre nós amaldiçoadas com olhos de porco?

Ainda assim, maquiagem de fato pesa muito, pelo menos quando se tem a quantidade que tenho. Isso sem falar em todo o meu equipamento para arrumar o cabelo e os produtos. Ter cabelo comprido não é piada. É necessário sempre carregar umas nove toneladas de coisas para poder deixá-lo adequadamente lavado, condicionado, desembaraçado, liso, seco, brilhante e encorpado. Isso sem falar em todos os vários adaptadores que tive que trazer para o meu secador de cabelo e o meu baby liss.

Mas talvez seja melhor Dean só estar puxando a minha mala de rodinhas em vez de carregar minha bolsa de mão. Porque daí, se ele perguntar o que tem dentro e quiser saber por que está tão pesada, vou ter que contar a verdade, e como resolvi que este relacionamento não será baseado em mentiras, como aconteceu com aquele tal de Michael Corner em Hogwarts, que se revelou um cara que fazia Magia Negra.

O problema é que descobri que ele era tarado em gordinhas quando o vi agarrando Amy De Soto na quadra de Quadribol. Ele tentou me dizer que estava sob o domínio de uma Maldição Imperius que o obrigou a ir para a cama com ela.

E é por isso que meu plano é sempre contar a verdade a Dean, porque Michael não me deu nem esse respeito.

Mas isso não significa que eu não vá me esforçar para evitar ter que dizer a verdade, se eu puder. Tipo, não existe absolutamente nenhuma razão para ele precisar saber que o motivo por que minha bolsa de mão é tão pesada é devido ao fato de estar cheia com aproximadamente sete bilhões de amostras de cosméticos da Clinique; um contâiner de corretivo (porque tenho muitas sardas); um frasco tamanho-família de antiácido Tums (porque passo mal no avião muito rápido); um frasco tamanho-família de tabletes mastigáveis de fibra (pelo mesmo motivo); os já mencionados secador e baby liss; as roupas que eu estava usando no avião antes de trocar para o meu vestido mandarim; um Gameboy com Tetris; um livro que Hermione me deu (ainda bem que consegui convencê-la que não caberiam mais livros em minha bagagem); meu mini iPod; três luzinhas de leitura; creme para não deixar meu cabelo ressecado; todos os meus remédios, como aspirina, band-aids para as bolhas que com certeza eu terei (de tanto passear de mão dadas com Dean pelo Museu Britânico, absorvendo toda aquela arte), e os de prescrição médica, como meu anticoncepcional e minha poção contra espinhas; e, e claro, o pergaminho onde comecei a escrever a minha monografia. Precisei colocar meu kit de costura (para consertos emergenciais) na mala, caso precise.

Não há razão, na atual fase do nosso relacionamento, para Dean descobrir que na verdade eu não nasci assim bonita: que preciso de muitos artifícios para ficar assim. E se por acaso ele for um daqueles caras que gostam de beldades naturais de bochechas rosadas como Liv Tayler? Que tipo de chance posso ter contra uma rosa inglesa dessas? Uma garota precisa ter alguns segredos.

Ah, espere. Dean está falando comigo. Está perguntando como foi o meu voo. Por que ele está usando essa jaqueta? Ele não pode realmente achar que esse troço fica bem nele, não é mesmo?

- O voo foi ótimo – respondo.

Não falo a Dean a respeito da bruxinha na poltrona ao lado da minha, que me ignorou o voo inteiro enquanto eu estava de jeans e camiseta, com o cabelo preso em um rabo-de-cavalo. Foi só depois que terminei de arrumar o cabelo, aplicar maquiagem e colocar meu vestido de seda, meia hora antes de pousarmos que a garota olhou para mim de cima a baixo e, antes que eu me desse conta, ela já estava perguntando, toda acanhada:

- Com licença, mas você é Lindsay Lohan, a atriz?

Lindsay Lohan! Eu! Aquela garota achou que eu era Lindsay Lohan!

E, tudo bem, ela só tinha uns dez anos ou algo assim, e usava uma camiseta de Caco, o Sapo (certamente uma atitude irônica, porque ela não deve assistir a Vila Sésamo, já que está um pouco velha para isso).

Mas, mesmo assim! Ninguém nunca me confundiu com uma atriz na vida! Quanto menos uma magrinha como Lindsay Lohan.

Mas o negócio é que, de maquiagem e com o cabelo arrumado, acho mesmo que me pareço um pouco com Lindsay Lohan... sabe como é, se ela não tivesse exatamente perdido toda a gordurinha de infância. E tivesse franja. E só tivesse um metro e sessenta e cinco de altura.

Acho que não ocorreu à bruxinha que seria bem difícil Lindsay Lohan estar viajando na classe econômica, sozinha, para a Inglaterra. Mas tanto faz.

E, antes que eu conseguisse me segurar, eu já estava respondendo:

- Ah, sou sim. Eu sou Lindsay Lohan – porque, tanto faz, nunca mais vou ver aquela bruxinha na vida. Por que não deixá-la emocionada?

Os olhos da garota praticamente saltaram das órbitas, de tão animada que ficou.

- Oi – ela disse, remexendo-se na poltrona. – Eu sou Marnie, sua maior fã!

- Bom, olá, Marnie – respondi. – É um prazer conhecê-la.

- Mãe! – Marnie se vira para cochichar com a mãe, que estava tirando um cochilo. – É SIM Lindsay Lohan! Eu DISSE que era!

E a mãe da bruxinha, sonolenta, olha para mim, com os olhos ainda inchados de sono, e diz:

- Ah, olá.

- Olá – respondi, imaginando se eu soava como a Lindsay Lohan.

Mas acho que sim, porque as palavras que saíram da boca da bruxinha em seguida foram:

- Simplesmente adorei você em Garotas Malvadas.

- Ah, muito obrigada – respondi. – Considero esse um dos meus melhores trabalhos. Além de Sexta-Feira Muito Louca, é claro.

- Não tenho permissão para ficar acordada até tarde para assistir – Marnie disse, tristonha.

- Quem sabe você não assiste em DVD?

- Você me dá seu autógrafo, por favor? – a bruxinha quis saber.

- Claro que dou – peguei a pena e o guardanapo de coquetel da British Airways que ela me ofereceu e rabisquei: "Tudo de bom para Marnie, minha maior fã! Com amor, Lindsay Lohan".

A bruxinha pegou o guardanapo com reverência, como se não conseguisse acreditar na sorte que teve.

- Obrigada!

Eu sabia que ela levaria o guardanapo de volta para os Estados Unidos quando voltasse das férias e mostraria para todas as amigas.

Foi aí que eu comecei a me sentir mal. Porque, e se alguma amiga de Marnie tiver um autógrafo da Lindsay Lohan DE VERDADE e as duas forem comparar a caligrafia? Então Marnie vai ficar toda desconfiada! E pode até perguntar a si mesma por que Lindsay não estava com a assessora de imprensa e até por que não estava voando em um avião de carreira. E daí vai perceber que eu não era a Lindsay Lohan DE VERDADE, e que passei o tempo todo mentindo. E isso pode abalar a fé que ela tem na humanidade. Marnie poderia desenvolver sérias questões de confiança, do tipo que eu mesma desenvolvi quando meu par da festa de formatura, Adam Berger, me disse que tinha que ir para a casa ajudar o pai doente em vez de me levar para a festa depois da formatura. Mas, na verdade, o que ele fez foi sair com Mellissa Kemplebaum, magra como um pau, depois de me deixar em casa.

Mas daí eu disse a mim mesma que não fazia mal, porque nunca mais veria Marnie. Então, que diferença faria?

Ainda assim, não menciono o incidente a Dean porque tendo em vista que ele está fazendo mestrado em educação, duvido muito que ele seja favorável a mentir para crianças.

Além do mais, a verdade e que estou me sentindo um tanto sonolenta, apesar de serem oito horas da manhã em Londres, e eu estar aqui imaginando se o apartamento de Dean fica muito longe, e se existe alguma possibilidade de ele ter Diet Coke por lá. Porque uma latinha cairia muito bem.

- Ah, não é nem um pouco longe – é o que o pai de Dean, o senhor Thomas, diz quando pergunta a Dean se a casa dele é longe do aeroporto.

É meio estranho o fato de o pai de Dean ter respondido, e não Dean. Mas, bem, o senhor Thomas é professor, e responder perguntas é basicamente seu trabalho. Ele provavelmente não consegue se segurar, nem mesmo quando está de folga.

Realmente é muito bom o fato de existirem homens como Dean e o pai dele, dispostos a assumir a educação dos jovens. Os Thomas realmente são uma raça em extinção. Fico feliz de estar com Dean e não com, digamos, Ron, que preferiu ser jogador de Quadribol. Como é que isso vai ajudar as futuras gerações?

Apesar de Dean ter escolhido de propósito uma carreira que nunca vai lhe render muito dinheiro, pelo menos ele vai garantir que as mentes jovens não deixem de ser formadas.

Esta, por acaso, não é a coisa mais nobre que você já escutou na vida?

O carro do senhor Thomas está muito, muito longe. Precisamos passar por um monte de corredores em que, ao longo das paredes, há anúncios de produtos de que nunca ouvi falar. Ron tinha reclamado que, da última vez que tinha ido visitar seu amigo do château, tinha achado Londres muito americanizada, que não dava para ir a lugar nenhum sem ver um anúncio de Coca-Cola.

Mas não estou vendo americanização nenhuma aqui. Até agora. Não vi nada americano, nem de longe. Nem mesmo uma máquina de Coca-Cola.

Não que isso seja ruim. Só estou comentando. E, sinceramente, uma Diet Coke não cairia mal agora.

Dean e o pai estão falando sobre o clima e sobre como tive sorte de chegar em um período em que o tempo está tão bom. Mas, quando saímos do prédio e entramos no estacionamento, percebo que deve estar fazendo uns quinze graus, no máximo, e que o céu (o pedacinho que dá para ver no final do andar da garagem) está cinzento e encoberto.

Se isto é tempo bom, o que eles consideram ruim? E, tudo bem, dou o braço a torcer, está frio o suficiente para usar jaqueta de couro. Mas isso não exime Dean de culpa por estar usando uma. Certamente existe alguma regra por aí (como a que determina que não se usa calça branca depois do fim do verão) a respeito de usar couro em agosto.

Estamos quase no carro (um modelo compacto pequeno e vermelho, exatamente o que eu esperaria de um professor de meia-idade) quando ouço um berro e vejo a bruxinha do avião parada ao lado de um jipão com a mãe e um casal mais velho que, só posso imaginar, devem ser os avós dela.

- Lá está ela! – Marnie fica berrando, apontando para mim. – Lindsay Lohan! Lindsay Lohan!

Continuo caminhando com a cabeça abaixada, tentando ignorá-la. Mas tanto Dean quanto o pai estão olhando para ela, com sorrisos confusos no rosto. Dean se parece um pouco com o pai. Será que ele também vai ficar completamente careca quando chegar aos cinquenta anos? Será que a calvície é transmitida pelo lado da mãe ou pelo do pai? Por que não fiz nenhuma cadeira de biologia quando estava delineando meu currículo? Eu poderia ter feito pelo menos um semestre...

- Aquela criança está falando com você? – o senhor Thomas me pergunta.

- Eu? – Olho por cima do ombro, fingindo reparar pela primeira vez que tem uma garota gritando para mim do outro lado da garagem.

- Lindsay Lohan! Sou eu! Marnie! Do avião! Está lembrada?

Sorrio e aceno para Marnie. Ela fica toda vermelha de alegria e agarra o braço da mãe.

Marnie acena mais um pouco. Aceno de volta enquanto Dean se debate para enfiar minha mala no porta-malas pequeno, xingando um pouco. Como ele só estava puxando a mala o tempo todo, não se deu conta de como ela era pesada até se abaixar para erguê-la.

Mas, falando sério, um mês é muito tempo. Não sei como eu poderia ter trazido menos que dez pares de sapatos. Mione até disse que estava orgulhosa de mim por ter tido a sensatez de não levar minha plataforma de amarrar. Mas consegui enfiá-la na mala no último minuto, antes de sair.

- Por que aquela criança está chamando você de Lindsay Lohan? – o senhor Thomas quer saber, já que ele também acena para Marnie, cujos avós, ou sejam lá quem forem, ainda não conseguiram fazê-la entrar no carro.

- Ah – respondo, sentindo que minhas bochechas começam a corar –, nós sentamos uma do lado da outra no avião. Era só uma brincadeira que fizemos, para passar o tempo do voo.

- Quanta gentileza sua – o senhor Thomas acena com mais energia ainda. – Nem todos os jovens percebem como é importante tratar as crianças com respeito e dignidade, em vez de condescendência. É importantíssimo dar um bom exemplo para a geração mais nova, principalmente quando se leva em conta como as unidades familiares de hoje são instáveis.

- É verdade mesmo – digo em um tom que espero ser respeitoso e digno.

- Caramba. – Dean acaba de tentar pegar minha bolsa de mão. – O que você trouxe aqui, Gi? Um cadáver?

- Ah – respondo, com meus modos respeitosos e dignos começando a ruir –, apenas algumas necessidades.

- Sinto muito por meu veículo não ter mais estilo – o senhor Thomas diz, abrindo a porta do motorista. – Certamente não é a isso que você está acostumada, tenho certeza, lá nos Estados Unidos. Mas eu mal uso, já que vou a pé para a escola onde dou aula na maior parte dos dias.

Fico instantaneamente encantada pela imagem do senhor Thomas caminhando por uma ruazinha, como a que ficava em frente d'A Toca, cheia de árvores com seu paletó em espinha de peixe com cotoveleiras de couro (e não com o impermeável extremamente sem inspiração que está usando agora) e talvez um ou dois cocker spaniels saltitando a seus pés.

- Ah, está ótimo – digo, a respeito do carro dele. – O meu não é muito maior.

Fico me perguntando por que ele simplesmente está ali parado ao lado da porta, e vez de entrar, até que ele diz:

- Você entra primeiro, ih... Gi.

Ele quer que eu dirija? Mas... eu acabei de chegar! Nem conheço as ruas!

Daí percebo que ele não está segurando a porta do motorista coisa nenhuma... é o lado do passageiro. A direção fica do lado direto do carro.

Claro. Estamos na minha terra natal. Londres. Dãã.

Dou risada do meu próprio erro e me sento no banco da frente.

Dean bate a tampa do porta-malas, dá a volta e me vê sentada no banco do passageiro. Ele olha para o pai e diz:

- O quê? Eu vou ter que sentar atrás?

- Olhe a educação, Di – o senhor Thomas diz.

Parece tão estranho ouvir Dean ser chamado de Di. Ele tem tanta cara de Dean para mim... Mas, evidentemente, não para a família dele.

Apesar de que, com aquela jaqueta, ele tem mais cara de Di do que de Dean.

- Senhoras no banco da frente – o senhor Thomas continua, com um sorriso para mim. – Cavalheiros, no de trás.

- Gi, achei que você era feminista – Dean diz, em um resmungo quase ininteligível. – Você vai aceitar esse tipo de tratamento?

- Ah, é claro. Dean deve sentar na frente, as pernas dele são mais compridas...

- Não quero nem ouvir – o senhor Thomas diz. – Você vai amassar seu lindo vestido chinês com tanta movimentação.

E então ele fecha a porta do carro do meu lado, com firmeza.

Antes que eu me dê conta, ele já deu a volta até o lado direito do carro e está segurando o banco do motorista deitado para que Dean entre atrás. Há uma breve discussão que não entendo muito bem, e então Dean aparece. Não conheço outra palavra para descrever a expressão no rosto de Dean além de birra.

Mas me sinto mal até de pensar que Dean pode ter ficado de birra porque ganhei o banco da frente. O mais provável é que ele esteja com vergonha de não ter um carro próprio para ir me buscar. É, deve ser isso. Coitadinho. Deve estar pensando que o avalio de acordo com os padrões capitalistas dos Estados Unidos! Vou ter que encontrar algum jeito de dizer para Dean que acho a pobreza dele extremamente sexy, tendo em vista que todos os sacrifícios que ele faz são em nome dos jovens bruxos.

Não por Dean Jr., Virgínia, Maya e Luke, claro. Estou falando dos jovens bruxos do mundo, os que ele vai ensinar algum dia.

Uau. Só de pensar nas pequenas vidas que Dean vai melhorar com os sacrifícios da profissão de professor, fico com um certo tesão.

O senhor Thomas acomoda-se no assento do motorista e sorri para mim.

- Está pronta? – pergunta, todo animado.

- Pronta. – Sou tomada por uma onda de animação, apesar do fuso horário. Londres! Estou de volta para casa! Logo serei conduzida pelo campo, até a casa de Dean! Quem sabe vou até ver uns carneiros!

Antes que possamos sair do estacionamento, um jipão se coloca atrás de nós e a janela de trás se abaixa. Marnie, minha amiguinha do avião, debruça-se para fora da janela para gritar:

- Tchau, Lindsay Lohan!

Abaixo minha própria janela e aceno.

- Tchau, Marnie!

Então o jipão se afasta, com Marnie toda radiante no banco de trás.

- Quem diabos – o senhor Thomas pergunta – é essa tal de Lindsay Lohan?

- É só uma atriz americana qualquer – Dean diz antes que eu possa responder.

Só uma atriz americana qualquer? Só uma atriz americana qualquer que por acaso é igualzinha à sua namorada! Tenho vontade de gritar. Tanto que bruxinhas no avião pedem autógrafo para ela!

Mas consigo ficar com a boca fechada uma vez na vida, porque não quero que Dean se sinta inadequado por saber que está saindo com a sósia de Lindsay Lohan. Isso realmente podia ser intimidador, sabe como é, para um cara. Até mesmo para um bruxo.


N/A: Olá, gente!

Tenho recadinho meio triste... Muito provavelmente não postarei mais capítulos da RF no 3V. Sinto muitíssimo por isso, mas as coisas complicaram. Ter que sinalizar toda vez que vamos encerrar o parágrafo é demais para meu bom senso. Quem escreve lá sabe muito bem sobre o que estou falando.

But don't worry, guys! Para quem lê aqui nada muda, continuo postando quase toda semana! Mas eu quero REVIEWS!!

Um "muito obrigada!" especial para Juli-chan (valeu, flor!) e para Jane Ravenclaw, minha autora preferida! Beijo, garotas! ^^

Esse capítulo foi bem gostoso de se adaptar, pois estava louca para fazê-lo. A ideia de comparar a Ginny com Lindsay Lohan não é lá muito nova, já que tirei de muitas fics onde na capa as pessoas preferem colocar a atriz ao invés da Bonnie Wright. Acho que as pessoas não gostam tanto assim da Ginny da Warner...

E como esse capítulo não teve nada TÃO importante assim e foi só de continuação, vou mandar um trechinho do próximo, só para vocês ficarem com vontade:

"(...)

- Dean – sussurro, virando para trás, já que ele vem subindo as escadas atrás de mim. – Você mora... com os seus pais? (...)

(...) Por quê? Isto é um problema?

Isto é um problema? ISTO É UM PROBLEMA? (...)

- Mas... (...)

- Agora, vamos – Dean diz. – Preciso me apressar. Tenho que trocar de roupa para trabalhar. (...)

- Trabalhar? Você tem que trabalhar? Hoje?

- Tenho. (...) Mas não é nada de mais, Gi, só preciso fazer o turno do almoço e do jantar...

- Você... você é garçom?"

Hummm... Muitas descobertas no próximo capítulo de RF! Até lá! ;D

Afetuosamente,

Lucy Lovering.