Capítulo 6:

O que o amor (não) faz


Esse capítulo contém cenas de NC17 ou M, impróprias à menores dezessete anos. Obrigada pela compreensão.


"Mas diga a verdade, e toda a natureza e todos os espíritos o ajudarão com incrementos inesperados. Diga a verdade, e todas as coisas vivas ou brutas são prova, e as próprias raízes enterradas do capim parecem se movimentar para lhe prestar testemunho."

- Ralph Waldo Emerson (1803-1882), ensaísta, poeta e filósofo norte-americano.


História da Moda

MONOGRAFIA DE GINEVRA WEASLEY

Pouco se sabe a respeito das vestimentas do período que se estende do século II até uma boa parte do século VIII, graças às invasões bárbaras dos godos, visigodos, ostrogodos, hunos e francos. Sabemos, graças a essas invasões, que pouca gente tinha tempo de pensar em moda, já que o mundo estava ocupado fugindo para sobreviver.

Foi quando Carlos Magno chegou ao poder, no século IX, que começamos a ter algumas descrições detalhadas das vestimentas da época, que incluíam calças com as pernas amarradas com fitas, que ficaram conhecidas como culotes, ou bragas, a peça tão amada por escritores de histórias românticas pelo mundo todo.


O telefone toca cinco vezes antes que eu ouça a voz de Hermione. Durante um minuto, fico preocupada com a possibilidade de minha amiga não atender. E se ela estiver dormindo? Sei que são só nove horas, afinal de contas, no horário da Europa, mas e se ela não se acostumou com o fuso horário tão bem quanto eu? Apesar de Mione estar aqui há mais tempo. Ela deveria ter chegado a Paris há dois dias, passado uma noite em um hotel lá e depois viajado para o château no dia seguinte.

Mas, bom, ela é Hermione: ótima com as coisas da escola, não tanto com as coisas do dia-a-dia. Já derrubou o celular dentro da privada mais vezes do que sou capaz de contar. Vai saber se vou conseguir falar com ela...

Então, para meu alívio, Mione finalmente atende. E fica bem claro que não a acordei, porque tem música tocando bem alto no fundo. É uma música em que o refrão, Vamos a la playa, toca uma vez atrás da outra, com uma batida latina.

- Gin-NY! – Hermione berra ao telefone. – É VOCÊÊÊÊÊ?

Ah, legal. Ela está bêbada.

- Como vaaaiiiii? – ela quer saber. - Como está Londres? Como está o gostoso, gostoso, gostoso do Dean? Como está o buuuuuuuuumbuuuuuuuum dele?

- Mione – digo em voz baixa, Não quero que os Thomas me escutem, por isso abri a torneira. Não vou desperdiçar água. Realmente planejo tomar um banho. Daqui a um minuto. – As coisas estão esquisitas aqui. Esquisitas de verdade. Preciso falar com alguém normal um minuto.

- Espere, deixe ver se acho Ron. – Hermione dá uma gargalhada. – Brincadeirinha! Ai, Merlin, Ginny, você tinha que ver este lugar. Você ia morrer. Parece uma combinação de Sob o Sol da Toscana e Valmont – Uma História de Seduções. A casa é ENORME. Tem até nome: Mirac. Tem o próprio VINHEDO. Ginny, eles fazem o próprio champanhe. ELES FAZEM PESOALMENTE.

- Que maravilha – digo. – Mione, acho que Dean disse aos irmãos que eu era gorda.

Hermione fica em silêncio por um instante e mais uma vez ouço o chamado Vamos a la playa. Então, Mione explode:

- Ele disse isso, merda? Ele disse que você era gorda, merda? Fique onde está. Fique na merda do lugar em que você está agora. Vou pegar aquele trem do canal da Mancha e vou aí cortar o saco dele fora...

- Hermione – digo. Ela está gritando tão alto que eu fico preocupada de os Thomas escutarem. Através da porta fechada. Por cima do barulho da TV e da água da banheira. – Mione, espere, não foi isso que eu quis dizer. Ou seja, não sei o que ele disse. As coisas realmente estão muito estranhas. Cheguei aqui e a primeira coisa que Dean fez foi ir trabalhar. O que, até aí, tudo bem. Quer dizer, não faz mal. Porque a verdade é que – sinto as lágrimas chegando. Ah, que maravilha – Dean não está trabalhando com jovens bruxos. Ele é garçom. Trabalha das onze da manhã às onze da noite. Eu nem sabia que isso era legal. Além do mais, ele nem mora sozinho. Estamos na casa dos pais dele. Com os irmãos menores dele. Para quem ele disse que eu era gorda. E ele também disse para a mãe dele que gosto de abóbora.

- Retiro o que disse. Eu não vou até aí. Você é que vem para cá. Compre uma passagem de trem e venha para cá. Não se esqueça de pedir a tarifa com desconto para jovens. Você vai ter que trocar de trem em Paris. De lá compre uma passagem para Souillac. E daí é só me ligar. Nós vamos buscar você na estação.

- Hermione, não posso fazer isto. Não posso simplesmente ir embora.

- Uma ova que não pode – ouço outra voz no fundo. Então Mione está dizendo para alguém: - É Ginny. Aquele merda do Dean trabalha o dia inteiro e a noite inteira e a obrigou a ficar na casa dos pais dele e comer abóbora, merda. E ainda disse que ela era gorda.

- Mione. – Sinto uma pontada de culpa. – Não sei se ele disse isso. E ele não está... aliás, para quem você está dizendo tudo isso?

- Ron disse que é para você colocar o seu bumbum nada gordo em um trem amanhã de manhã. Ele a pega pessoalmente na estação amanhã de noite.

- Não posso ir para a França - digo, horrorizada. – Minha passagem de volta sai do aeroporto daqui. Não posso devolver, nem transferir, nem nada.

- E daí? Você pode voltar para Londres no fim do mês e pegar o voo aí. Vamos lá, Ginny. Nós vamos nos divertir MUITO.

- Mione, não posso ir para a França – insisto, tristonha. – Não quero ir para a França. Eu amo Dean. Você não entende. Aquela noite, na frente do alojamento McCracken... foi mágica, Mione. Ele enxergou a minha alma, e eu enxerguei a dele.

- Como você conseguiu? – Hermione quer saber. – Estava escuro.

- Não, não estava. As chamas do quarto daquela bruxa iluminavam tudo.

- Bem, então talvez você só viu o que queria ver. Ou talvez só sentiu o que queria sentir.

Ela está falando, eu sei, sobre a ereção de Dean. Fico olhando para a água que cai dentro da banheira sem enxergar nada.

O negócio é que, no geral, sou uma pessoa muito alegre. Até dei risada depois que Douglas disse aquela coisa à mesa, sobre eu ser gorda; porque o que mais você pode fazer quando descobre que o seu namorado anda por aí dizendo às pessoas que você é gorda?

Principalmente porque, da última vez que Dean me viu, eu era gorda mesmo. Ou pelo menos tinha quinze quilos a mais que agora.

Tive que rir porque não queria que os Thomas ficassem pensando que eu era algum tipo de esquisitona sensível.

Acho que deu certo também, porque a única coisa que a senhora Thomas fez foi lançar um olhar enviesado para o filho. Daí, como não pareci ofendida, acredito que ela se esqueceu do assunto. Todo mundo esqueceu.

E descobri que Douglas na verdade é bem legal: ele me ofereceu o computador dele para eu começar a trabalhar na minha monografia, e foi o que fiz durante todo o resto do dia, até parar para jantar no restaurante indiano da esquina, que entregava em domicílio, só com os dois Thomas mais velhos, porque os meninos saíram.

O negócio é que eu estava determinada a não deixar que a questão da gordura me colocasse para baixo. Porque, apesar do que os meus irmãos podem pensar (e eles sempre se sentiram muito mais do que contentes de me dizer tudo o que pensavam a respeito do assunto quando eu era criança), peso não importa. Realmente não importa. Quer dizer, importa se você for modelo ou algo assim.

Mas, de maneira geral, estar alguns quilos acima do peso nunca me impediu de fazer o que eu queria. Claro que houve todas aquelas vezes em que fui a última a ser escolhida para o time de Quadribol nos jogos das férias.

E o pavor ocasional de ter que aparecer de maiô na frente de um cara de quem eu gostava no lago ou em algum lugar assim.

E teve também aqueles caras idiotas do time de Quadribol que não olharam duas vezes para mim por eu ser mais gorda do que o tipo de bruxa que eles preferiam.

Mas quem quer ficar com jogadores de Quadribol metidos? Eu quero ficar com caras que têm mais coisas na cabeça além de onde vai ser a próxima festa com barril de fire wisky. Quero estar com caras que se preocupem em fazer do Mundo Bruxo um lugar melhor, como Dean. Quero estar com caras que saibam que o importante não é o tamanho da cintura de uma bruxa, mas sim o tamanho do coração dela, como Dean. Quero estar com caras que sejam capazes de enxergar além da aparência exterior de uma garota, e que possam ver sua alma, como Dean.

É só que... bom, com base na observação de Douglas, parece que Dean não enxergou dentro da minha alma naquela noite diante do alojamento McCracken.

E tem também a história da abóbora. Eu DISSE a Dean (na verdade, escrevi) que odeio abóbora. Disse a ele que é o único alimento que eu simplesmente não suporto. Até expliquei, em muitos detalhes, como foi horrível crescer em uma casa bruxa e odiar abóboras. Minha mãe estava sempre preparando paneladas de doce de abóbora para o Halloween, entre outros diversos pratos que levavam esse ingrediente em todas as épocas do ano. Ela tinha um enorme pomar de abóboras no quintal d'A Toca, e era minha função tirar as ervas daninhas, porque como eu não encostava naquelas coisas laranjas horrorosas, eu não podia ajudar em nada nas atividades de colheita e limpeza.

Eu contei a Dean tudo isso, não apenas em resposta à pergunta dele relativa a quais alimentos eu gostava, mas também na noite que passamos juntos há três meses, eu de toalha e ele numa camiseta da banda de fantasmas Monsters (devia ser dia de lavar roupa) e a identificação de assistentes dos residentes, sob as estrelas e a fumaça.

E ele não escutou. Não prestou a mínima atenção a uma única palavra que eu disse.

Mas ele tinha dado um jeito de fazer com que a família soubesse que eu era... como era mesmo? Ah, sim: "gordinha".

Será possível que cometi um erro? Será possível (como Mione certa vez sugeriu) que o motivo por que amo Dean não é por causa de quem ele de fato é, mas porque projetei nele a personalidade que desejo que ele tenha?

Será que ela tem razão quando diz que fui teimosa o tempo todo e me recusei a enxergá-lo como é na verdade, porque ficar com ele foi tão divertido (e porque fiquei tão contente com o pênis bem duro dele) que não quero reconhecer que minha atração por Dean era meramente física?

Passei quase duas horas sem falar com Mione depois que ela disse isso, e fiquei tão brava que no fim ela acabou pedindo desculpas.

Mas e se ela tiver razão? Porque o Dean que eu conhecia (ou achava que conhecia) não teria dito que sou gorda. O Dean que conheço nem teria reparado que sou gorda.

- Ginny? – a voz de Mione estala no telefone que aperto contra a bochecha. – Você morreu?

- Não, estou aqui. – Ainda ouço um rock bombando no fundo. Mione, está bem claro, não sofre nem um pouco com a diferença de fuso horário. Também, o namorado dela não está trabalhando. Ou melhor, está. Mas eles estão trabalhando juntos. – É só que... Olhe, preciso ir. Ligo mais tarde.

- Espere – Mione diz. – Isso significa que, no final das contas, você vai comigo para Nova York?

Desligo. Não é exatamente que eu esteja brava com ela. É só que...

Estou tão cansada.

Nem lembro como tomei banho e vesti o pijama e me arrastei até a cama. Só sei que parecem ser um milhão de horas quando Dean me sacode com cuidado e me acorda. Mas na verdade é só meia-noite (pelo menos de acordo com o relógio que ele me mostra quando eu, sonolenta, pergunto que horas são).

Nunca percebi que ele usa um relógio digital do tipo que acende no escuro. Isso é... nada sexy.

Mas talvez ele precise disso. Para ver que horas são quando está trabalhando feito um escravo naquele restaurante escuro, iluminado a velas...

- Desculpe acordar você. – Ele está parado ao lado da minha cama elevada, que tem a altura certinha para ele não precisar se abaixar para falar comigo aos sussurros. – Mas eu queria ter certeza de que estava tudo bem com você. Não está precisando de nada?

Aperto os olhos para ele naquela semi-escuridão. A única luz que há ali é o luar que entra pela janela estreita da lavanderia, que está aberta. Dean, consigo ver, está de jeans preto e camiseta branca (uniforme de garçom).

Não sei o que me leva a fazer isso. Talvez seja porque me senti tão solitária e deprimida a noite toda. Talvez seja porque estou meio dormindo.

Ou talvez seja porque eu realmente o ame. Mas, antes que eu me dê conta, estou sentada com os dedos entrelaçados na parte da frente da camisa dele e sussurrando:

- Ah, Dean, tudo está um horror! O seu irmão Douglas... falou alguma coisa a respeito de você ter dito que eu era gordinha. Não é verdade, é?

- O quê? – Dean está rindo no meu cabelo enquanto acaricia meu pescoço com o nariz. Ele gosta muito de passar o nariz no meu pescoço, estou descobrindo. – Do que você está falando?

- O seu irmão, Douglas. Ele ficou chocado quando me conheceu, porque você tinha dito a ele que eu era gorda.

Dean para de acariciar meu pescoço com o nariz e olha para mim sob o luar.

- Espere – ele diz. – Ele falou isso? Você está zoando com a minha cara?

- Não estou. Mas, sim, ele disse que achava que eu era gorda. "Gordinha", foi a palavra que ele usou.

Percebo, um pouco atrasada, que Dean possivelmente pode ter ficado um pouco incomodado com o fato de o irmão ter dito aquilo... principalmente porque não é verdade. E não pode ser mesmo, certo? Dean nunca diria algo assim...

- Ah, Dean, sinto muito. – Coloco os braços em volta do pescoço dele e lhe dou um beijo carinhoso. – Não acredito que toquei neste assunto. Esqueça que eu disse qualquer coisa. Douglas com certeza estava fazendo piada comigo. E eu caí. Vamos simplesmente esquecer tudo isso, certo?

Mas Dean não parece disposto a esquecer. Os braços dele se apertam mais em volta de mim e ele usa alguns adjetivos muito bem escolhidos para descrever o irmão, que sussurra contra os meus lábios. Então ele diz:

- Acho que você está maravilhosa, merda. Sempre achei. Claro que, quando a gente se conheceu, você era um pouco mais cheinha do que agora. Quando vi você saindo da alfândega no aeroporto com aquele vestidinho chinês, não a reconheci. Não conseguia parar de olhar. Fiquei imaginando quem era o sortudo que iria buscar aquela gostosa.

Só fico olhando fixo para ele. De algum modo, suas palavras não são assim tão incentivadoras quando ele espera que sejam.

- Então, quando ouvi me chamarem pelo alto-falante, me aproximei e vi que você era... bom, você... percebi que o sortudo era eu – Dean prossegue. – Sinto muito por as coisas estarem confusas até agora... o apartamento do meu amigo que não deu certo, você com essa cama improvisada, o idiota do meu irmão e a merda do meu horário de trabalho. Mas você precisa saber – ele sacode o braço em volta da minha cintura – que estou muito feliz por você ter chegado. – É quando ele se abaixa e dá mais uns beijos no meu pescoço.

Eu assinto. Por mais que esteja apreciando os beijos no pescoço, ainda tem alguma coisa pesando na minha cabeça. Então, digo:

- Dean, só mais uma coisa...

- Sim, o que é, Gi? – ele quer saber, quando seus lábios se aproximam da minha orelha.

- O negócio, Dean, é que... – digo devagar. – Eu realmente... eu...

- O que foi, Gi? – Dean pergunta de novo.

Respiro fundo. Tenho que fazer isso. Tenho que dizer. Se não vou ficar com essa nuvem em cima da cabeça durante toda a viagem.

- Eu realmente odeio abóbora – digo, apressada, para acabar logo com o assunto.

Dean ergue a cabeça e fica olhando para mim sem entender nada. Então joga a cabeça para trás e ri.

- Ai, Merlin! – ele sussurra. – É verdade! Você me escreveu isso! Minha mãe perguntou o que você mais gostava de comer, para ela oferecer no seu café-da-manhã de boas-vindas. Mas eu não lembrava. Sabia que você tinha dito algo a respeito de abóbora...

Tento não levar para o lado pessoal o fato de ele lembrar que eu tinha dito algo sobre abóbora, mas não O QUE eu tinha dito sobre eles. Tipo que eu odiava esse troço mais do que qualquer outra comida no mundo.

Dean agora está morrendo de rir. Fico feliz por ele achar a situação tão hilária.

- Ah, coitadinha. Não se preocupe, vou dar a dica para minha mãe. Venha aqui, deixe-me dar mais um beijo em você... – E ele me beija. – Você é realmente um bom partido, não é?

Eu não achava que ele tivesse alguma dúvida sobre essa questão.

Mas sei o que ele quer dizer.

Ou acho que sei, pelo menos. É difícil saber ao certo o que eu sei quando ele está me beijando, a não ser Oba! Ele está me beijando!.

E então passamos um tempo sem sussurrar nada, enquanto nos beijamos.

E dá para ver que o irmão de Dean está errado: ele não acha que eu sou gordinha... a menos que ele queira dizer gordinha de um jeito legal. Ele gosta de mim. Ele gosta de mim MESMO. Dá para sentir que gosta pela coisa que se pressiona contra o meu corpo sob a calça de garçom dele.

Que eu senti ser minha tarefa ajudá-lo a remover. Porque parece muito apertada.

Quando ele sobe para a minha cama elevada comigo, dando risada (graças a Merlin ela aguenta; ou devo dizer, graças à senhora Thomas, muito obrigada), e nós dois nos abraçamos de novo, vejo por quê. Quer dizer, vejo por que a calça parecia tão apertada.

- Dean – eu sussurro –, você tem camisinha?

- Camisinha? – Dean sussurra a palavra de volta, como se fosse estranha. – Você não toma pílula? Achei que você tomasse pílula.

- Bem – eu digo, pouco à vontade. – Eu tomo. Mas... sabe como é, a pílula não protege contra doenças.

- Você está sugerindo que eu tenho alguma doença? – Dean quer saber; e dessa vez, seu tom não é de piada.

Ai, Merlin. Por que é que nunca consigo ficar de boca fechada?

- Bem... – respondo, pensando rápido. O que é difícil de fazer, já que estou tão cansada. E com tesão. – Não. Mas, ih... pode ser que eu tenha. Sabe-se lá...

- Ah – Dean fala com uma risada. – Claro. Você? Nunca. Você é fofa demais. – E volta a acariciar meu pescoço.

O que é muito gostoso. Mas ele ainda não respondeu à minha pergunta.

- E aí? – questiono. – Você tem ou não?

- Pelo amor de Merlin, Gi – Dean diz, sentando-se. Ele remexe nos bolsos da calça, jogada na ponta da cama, e tira uma camisinha Trojan. – Está feliz agora?

- Estou – respondo, porque realmente estou. Feliz, quer dizer. Apesar de o meu namorado ir trabalhar com uma camisinha no bolso, o que pode fazer com que a gente se pergunte, caso se tenha uma natureza desconfiada (o que não é o meu caso), o que ele exatamente planejava fazer com tal camisinha. Quer dizer, levando em conta que a namorada dele está em casa, e não no seu local de trabalho.

Mas este não é o ponto. O ponto é que ele tem uma camisinha, e agora a gente pode mandar ver.

O que fazemos sem mais delongas.

Só que...

Bom, as coisas se desenrolam da maneira como acredito que deveriam se desenrolar, levando em conta que a minha experiência se limita a uns amassos desajeitados em uma cama comprida do alojamento com Jeff, o único namorado com quem fiquei bastante tempo (três meses), com quem saí nos segundo ano de faculdade e que depois, mais para frente, no mesmo semestre, me confessou, com os olhos cheios de lágrimas, que estava apaixonado pelo seu colega de quarto, Jim.

Mesmo assim, já li edições suficientes de Cosmos para saber que cada mulher é responsável por seu próprio orgasmo... da mesma maneira como cada convidado é responsável por sua diversão em uma festa... nenhuma anfitriã pode controlar TUDO! Quer dizer, a gente realmente não pode deixar esse tipo de coisa a cargo dos caras. Ele só vai estragar tudo, ou pior, não vai nem se dar ao trabalho de tentar (a menos, é claro, que seja como Jeff, que se interessava muito pelos meus orgasmos... da mesma maneira que se interessava pelos meus escarpins Herbert Levine da década de 1950 com fivela de strass, como descobri quando o peguei se admirando com eles nos pés).

Mas, ao passo que eu aparentemente dei um jeito de tratar da minha própria diversão, Dean parece estar tendo um pouco de problema com a dele. Parou abruptamente o que estava fazendo e se jogou de costas na cama.

- Eh... Dean – eu digo, cheia de preocupação. – Está tudo bem?

- Não consigo gozar, merda – é a resposta romântica dele. – É essa merda desta cama. Não tem espaço.

Fico, para colocar as coisas de maneira branda, aturdida. Nunca ouvi falar de um homem que não conseguisse gozar. Mas eu sei que, se para algumas pessoas, um homem de pênis duro pode ser um presente dos céus, para mim não passa de uma inconveniência. Já cuidei da minha própria diversão, como a Cosmos aconselhou. A verdade é que não sei por mais quanto tempo aguento isso. Estou começando a ficar esfolada.

Ainda assim, é errado ficar pensando em si mesma quando a pessoa que está ao seu lado está sofrendo tanta agonia e dor. Não posso nem imaginar como Dean deve estar se sentindo.

Sentindo-me péssima por ele, dou-lhe um beijo e pergunto:

- Bom, tem alguma coisa que eu possa fazer para ajudar?

Logo fico sabendo que tem sim. Pelo menos pela maneira como Dean começa a empurrar minha cabeça para a direção sul, para dar uma indicação.

O negócio é que nunca fiz isso antes. Nem tenho certeza se sei fazer... apesar de aquela bruxa do meu andar no alojamento, Brianna, ter tentado me ensinar uma vez, com uma banana.

De qualquer forma, não foi desse jeito que eu imaginei nós dois consumando nossa relação.

E, ainda assim, existem certas coisas que se fazemos para as pessoas que amamos quando elas precisam.

Mas faço ele trocar de camisinha primeiro. Não amo ninguém TANTO assim; nem mesmo Dean.


N/A: Olá, queridos!

Queria agradecer à:

- Padma Ravenclaw: garota, você não faz noção de como admiro você! Obrigada por tudo, mais ainda por aturar meus e-mails enoooormes e me incentivar!

- Lara Lynx Black: obrigada, flor, pela curiosidade sobre os próximos capítulos. O Harry vem, sim! Aguarda só mais um pouquinho, okay? Valeu! ;)

- Mari Pompadour: querida, obrigada por estar acompanhando a fic! Mesmo! É, eu acho que deixei mesmo confusa a fic com relação ao Universo. Então é assim: Harry e Ginny se conhecem, sim. Já foram até namorados, como no sétimo livro, só que terminaram. O que deixei meio escondido foi o motivo pelo qual eles se separaram (por quê? Segredinho...). Vou tentar deixar mais claro as coisas de agora em diante. :)

Sobre o sexto capítulo... prefiro não acrescentar nada. Dean é mesmo um canalha? Será?

E Ginny? Deveria acreditar nele?

Só vamos saber mais no próximo capítulo! Mas... para que isso aconteça, eu quero saber o que vocês pensam, críticas, perguntas, elogios, REVIEWS! Menos de 3 reviews e não posto nada. Isso aí. Sem reviews, sem capítulo.

Vocês querem ler o próximo ou não? XP


Só para deixar vocês com vontade...

Cenas do próximo capítulo:

"(...)E agora o bruxo detrás do balcão está perguntando a Dean se ele tem procurado emprego, e Dean responde que procurou, mas não encontrou nada.

O quê? Do que ele está falando, que não encontrou trabalho? Essa é a única coisa que ele tem feito desde que eu cheguei aqui: trabalhar.

- Mas, Dean (...) E o seu emprego de garçom?

- Ah – Dean diz para o homem detrás do balcão –, ela está brincando.

Brincando? Do que ele está falando?

- Você foi lá ontem – lembro a ele. – Das onze às onze.

- Gi – Dean diz, com a voz nervosa. – Não fique fazendo piada com este bruxo simpático. Ele está ocupado com o trabalho dele, não percebe?

(...)

Porque então percebo que fiz de novo. É isso mesmo. Abri minha boca idiota e grande, quando deveria tê-la mantido bem fechada.

Mas como é que eu ia saber que no Ministério havia um serviço onde os bruxos vão para receber o seguro-desemprego? Meu pai nunca havia mencionado isso!

E, aliás, o que Dean está fazendo, recebendo seguro-desemprego, se ele NÃO ESTÁ DESEMPREGADO?"

Ginny e sua grande boca estão numa fria. E agora?

Capítulo surpreendente...

Mas só posto se mandarem reviews nesse botãozinho meio verde aí embaixo. ;)

Espero que tenham se divertido, mas por hoje é só!

Até a próxima atualização!

Afetuosamente,

Lucy Lovering.