Capítulo 7:

Como um castelo de areia se desmanchando...


"Guarde seus próprios segredos e espalhe os dos outros."

- Philip Dormer Stanhope, quarto duque de Chesterfield (1694-1773), estadista britânico.


História da Moda

MONOGRAFIA DE GINEVRA WESLEY

As cruzadas não se tratavam apenas de uma cultura tentando impor suas visões religiosas sobre outra. Tratavam também de moda. Os cruzados que voltavam para casa levavam consigo, além de ouro dos inimigos vencidos, também dicas de beleza do Oriente, incluindo depilação dos pelos púbicos (algo de que não se falava na maior parte da Europa desde o início da dominação do Império Romano).

Se as senhoras inglesas adotaram ou não esta prática devido a suas irmãs do Extremo Oriente fica a cargo da imaginação do leitor, mas sabemos, devido a retratos da época, que algumas delas levaram a questão um pouco longe demais, depilando e raspando todo o cabelo e os pelos faciais – inclusive cílios e sobrancelhas. Como a maior parte delas não sabia ler nem escrever na época, não é de se estranhar nem um pouco que tenham entendido errado a mensagem.


Acordo com um sentimento de contentamento profundo e total, apesar de estar dormindo sozinha, já que Dean foi para sua própria cama depois de tentarmos dormir juntos na cama estreita de MDF, sem conseguir, nem de longe, graças às pernas compridas dele e à minha tendência de dormir com as pernas coladas no peito.

Ainda assim, ele saiu agradecido e contente. Eu dei conta. Posso ser novata, mas aprendo rápido.

Enquanto me estico, vou repassando a noite anterior na cabeça. Dean é um amor. Bem, não exatamente um amor, porque não dá para dizer que um cara é um amor. Mas é um doce. Toda aquela preocupação a respeito de ele achar que eu era gorda... Não acredito que perdi tanto tempo com uma coisa tão boba! Claro que ele nunca pensou que eu era gorda, nem disse nada a respeito disso para a família. O irmão dele deve ter me confundido com alguma outra garota.

Não, Dean é o namorado perfeito. E logo vou fazer com que ele se livre daquela jaqueta vermelha. Talvez, para recompensar, eu até compre uma nova para ele quando sairmos hoje para fazer compras no Beco Diagonal (porque foi o que Dean prometeu que faríamos hoje, durante nossa conversinha depois da transa ontem à noite). Vamos fazer compras e visitar os pontos turísticos da cidade (depois que ele fizer uma coisa que precisa fazer lá).

Claro que o que mais me interessa ver (além de Dean, é claro) são as lojas de roupas de segunda mão da Morgana's, onde dá para encontrar alguns tesouros escondidos, e talvez a Obscure, que, na verdade, não temos em Michigan, mas, pelo que ouvi falar, claro, é uma Meca para quem gosta de moda.

Só que não digo isto para Dean, porque é óbvio que quero parecer mais intelectual do que isso. Eu deveria estar interessada na história trouxa, que é incrivelmente rica e remonta a muitos milhares de anos... ou pelo menos a duzentos anos, que é até onde se estende a moda que me interessa. Dean é um doce. A família dele tem sido tão amável, sem contar a observação de que eu era gordinha... gostaria que houvesse algum jeito de eu demonstrar como aprecio toda a gentileza deles...

Então tenho uma ideia, enquanto estou me depilando na banheira, um pouco mais tarde. Dean ainda não acordou e o restante da família parece ter ido fazer o que tem que fazer. Vou agradecer com comida! Hoje à noite, vou demonstrar meu agradecimento à família Thomas por toda sua hospitalidade com o famoso espaguete due da mamãe! Tenho certeza de que provavelmente eles têm todos os ingredientes em casa: é só macarrão, alho, azeite, queijo parmesão e pimenta-vermelha em flocos, afinal de contas.

E se estiver faltando alguma coisa (como uma baguete bem gostosa e crocante, que realmente é necessária, para aproveitar toda a gordura deliciosa), Dean e eu podemos dar uma parada no caminho de volta do nosso passeio e comprar!

Imagine como o senhor e a senhora Thomas vão ficar alegres e surpresos ao voltar para casa depois de um longo dia de trabalho e encontrar o jantar pronto!

Mais que animada com o meu plano, aplico a maquiagem e estou passando uma camada extra de óleo secante nas unhas dos pés (já que vou caminhar pela cidade de sandália e quero proteger meu esmalte à francesinha) quando Dean finalmente desce a escada aos tropeções esfregando os olhos, todo sonolento. Fazemos uma bela sessão de amor matutino na cama de MDF antes que eu coloque meu vestidinho divertido da Alex Colman da década de 1960 com estampa de folhagem (tenho um suéter de cashmere que combina... graças a Merlin que peguei para trazer no último minuto; afinal, vou precisar) e peço a Dean que se vista logo para darmos início às nossas muitas atividades do dia. Ainda preciso trocar meus galeões, e ele tem o compromisso no Beco Diagonal.

Meu primeiro dia de verdade na minha terra natal (ontem não conta, porque eu estava com tanto sono que mal me lembro do que aconteceu) já começou bem (café-da-manhã sem abóbora, um banho relaxante, sexo) que eu nem posso achar que vai ficar melhor, mas fica: o sol está brilhando e está quente demais para Dean vestir sua jaqueta de dançar break!

Saímos da casa dos Thomas de mão dadas; Geronimo fica olhando para nós com tristeza através do vidro ("Aquele cachorro gostou mesmo de você", Dean observa. Oba! Conquistei o bicho de estimação da família ao dar-lhe comida de maneira sorrateira! Será que a família de fato seguirá em breve o exemplo do animal?) e vamos para o metrô.

E nem temo que haja uma bomba no metrô porque, se deixarmos que esse tipo de medo tome conta da gente, é o mesmo que deixar os terroristas vencerem.

Ainda assim, fico de olho em rapazes (e moças... é tão errado ter preconceito em relação ao sexo quanto à raça) usando casacos volumosos em um dia tão lindo. Enquanto procuro por terroristas, não posso deixar de notar como todos em Londres se vestem melhor do que as pessoas de Ann Arbor. Isso é algo terrível de se dizer a respeito do próprio lugar onde se mora, mas parece que aqui eles simplesmente se preocupam mais com o visual do que as pessoas da minha cidade. Não vi ninguém (tirando Douglas, que, afinal de contas, é adolescente) usando uma calça de moletom nem mesmo calça com cintura de elástico.

Também é preciso dizer que eu havia esquecido que ninguém aqui parece estar tão acima do peso quanto muitos nos Estados Unidos. Por que aqui são tão magros? Será que é por causa de tanto chá?

E os anúncios! Os anúncios nas paredes da estação de metrô! São tão... interessantes. Em muitos casos, nem consigo entender o que estão anunciando. Mas isso pode ser porque nunca vi mulheres de seios de fora vendendo suco de laranja antes.

Acho que Hermione tem razão. Os britânicos são muito menos inibidos em relação ao próprio corpo (apesar de vesti-lo melhor) do que os americanos.

Quando finalmente desembarcamos rapidamente, caminhamos um pouco e atravessamos o Caldeirão Furado, Dean dá uma batida com sua varinha em um certo tijolinho da parede do fundo do bar e quando saímos de novo para o sol... fico totalmente sem fôlego.

Estou no Mundo Bruxo! Na Inglaterra, minha terra natal! No lugar onde tantos acontecimentos históricos importantes, tanto para os bruxos quanto para os trouxas, se passaram, inclusive o início do movimento punk (onde estaríamos hoje se Madonna não tivesse usado aquele primeiro bustiê, e se Seditionaries de Kings Road não tivesse apresentado o mundo a Vivienne Weastwood?) e onde a princesa Diana (que na época ainda era simplesmente lady Diana) usou aquele vestido preto de noite em sua festa de noivado?

Mas antes que eu consiga absorver toda aquela magia, Dean me arrasta para o Gringotes, onde fico na fila para trocar alguns de meus galeões por sicles e nuques. Quando chego à bancada, o duende pede para ver minha varinha e meu passaporte e eu entrego, e ele vê minha foto do passaporte com desconfiança.

Bom, e porque não olharia? Eu pesava quinze quilos a mais quando aquela foto foi tirada.

Quando ele me devolve o passaporte, Dean pede para ver e dá boas risadas com a foto.

- Não dá para acreditar que você era assim tão gorda. Olhe só para você agora! Parece uma modelo. Ela não parece modelo? – ele pergunta ao duende.

O duende resmunga:

- Bem... É – de maneira a não se comprometer.

Sempre é bem legal, claro, ouvir que você parece uma modelo. Mas não posso deixar de me perguntar: será que eu era assim tão feia antes? Quer dizer, quando Dean me viu pela primeira vez, na noite do incêndio, eu estava com quinze quilos a mais do que agora, e mesmo assim ele ficou a fim de mim. Eu sei. Senti o pênis dele ficar duro.

E, tudo bem, eu só estava usando uma toalha, porque os bombeiros não queriam nos deixar entrar no prédio. Mas, mesmo assim.

Estou distraída pensando em todas essas coisas quando o duende finalmente me entrega meu dinheiro... e é tão bonito! Muito mais bonito do que os nuques e sicles velhos dos Estados Unidos que eu tenho. E ainda por cima, essas moedas novas parecem joias na minha mão.

Estou completamente animada para sair e gastar um pouco do meu dinheiro novo, então peço a Dean que se apresse e acabe logo com seu compromisso para que possamos ir passear.

Dean diz:

- Então, vamos.

E, de mãos dadas, Dean e aparatamos até um prédio velho em uma ruazinha despovoada, que me traz muitas lembranças. O Ministério, pensei feliz. Aquele lugar me lembrava tempos muito distantes em Hogwarts. Onde estaria todos da AD? Neville tinha ido para a Escócia fazer faculdade de Herbologia. Luna assumiu a revista do pai, O Pasquim, e continuava morando perto de Devon. E Harry... Passaram-se seis anos desde o término do nosso namoro. Tenho certeza que ouvi algo de ele estar na França...

Entramos na cabine em frente ao prédio, onde tenho que deixar de lado meus devaneios para me identificar. Depois de passar pelo Átrio e deixar minha varinha, nos dirigimos até o elevador, onde descemos no Nível Um.

Então Dean entra em uma fila comprida com muitos outros bruxos porque, ele explica, precisa "se inscrever" para o trabalho, ou algo assim.

Eu me interesso muito por todas as coisas do Ministério, é claro, porque uma vez que Dean e eu nos casemos, este pode vir a ser o local de trabalho de nossos filhos (isso se eles não quiserem ajudar a humanidade e virarem professores como o pai deles), então presto atenção aos cartazes por que passamos enquanto a fila vai andando. Os cartazes dizem coisas como: "Pergunte-nos a respeito de novas oportunidades para quem procura emprego – Parte do Departamento de Transportes Mágicos" e "Já pensou em trabalhar na Cooperação Internacional de Magia? Pegue informações aqui".

E fico pensando em como é estranho o fato de, no próprio Ministério, eles estejam oferecendo trabalho, como se fosse uma agência de empregos ou algo do tipo. Deve estar incorreto.

E agora o bruxo detrás do balcão está perguntando a Dean se ele tem procurado emprego, e Dean responde que procurou, mas não encontrou nada.

O quê? Do que ele está falando, que não encontrou trabalho? Essa é a única coisa que ele tem feito desde que eu cheguei aqui: trabalhar.

- Mas, Dean – ouço a mim mesmo exclamar. – E o seu emprego de garçom?

Dean fica pálido. O que é um feito e tanto para ele, já que tem a pele tão branca. De um jeito sexy... Como Hugh Grant.

- Ah – Dean diz para o homem detrás do balcão –, ela está brincando.

Brincando? Do que ele está falando?

- Você foi lá ontem – lembro a ele. – Das onze às onze.

- Gi – Dean diz, com a voz nervosa. – Não fique fazendo piada com este bruxo simpático. Ele está ocupado com o trabalho dele, não percebe?

Claro que percebo. A pergunta é a seguinte: por que Dean não percebe?

- Claro. Tipo, ontem você estava ocupado com o emprego de garçom que teve que arrumar porque aquele negócio na escola não pagava bem. Está lembrado?

Será que Dean está chapado? Como é que ele pode não se lembrar do fato de que, no dia em que retornei para a minha terra natal, ele estava trabalhando?

Uma olhada no rosto dele, no entanto, revela que, além de se lembrar muito bem, ele não parece estar chapado. Não se o olhar que ele me lança (um olhar daquele tipo que é capaz de lançar um "Avada Kedavra" em alguém) serve de indicação.

Bom. Está claro que fiz algo errado. Mas o quê? Só estou dizendo a verdade.

Então, perguntou a Dean:

- Espere. O que está acontecendo aqui?

É aí que o bruxo detrás do balcão pega sua varinha, aponta para o pescoço e, com a voz ampliada, diz:

- Senhor Williams, venha até o setor B do Nível Um, por favor.

Então coloca uma plaquinha de "fechado" a sua frente e diz:

- Venham comigo, por favor, senhor Thomas, senhorita – enquanto ergue a divisão do balcão com a varinha, para que possamos passar.

Então ele nos acompanha até uma salinha no fundo do escritório do Nível Um que está vazia: só tem uma mesa, algumas prateleiras sem nada em cima e uma cadeira.

A caminho de lá, dá para sentir o olhar de todo mundo em cima de nós (tanto do pessoal que está na fila quanto de quem trabalha nesse andar), queimando a minha nuca. Alguns bruxos cochicham. Outros dão risada.

Isso dura uns bons cinco segundos, até que eu finalmente percebo o por quê.

E quando percebo, minhas bochechas ficam tão vermelhas quanto as de Dean tinham ficado pálidas um minuto antes.

Porque então percebo que fiz de novo. É isso mesmo. Abri minha boca idiota e grande, quando deveria tê-la mantido bem fechada.

Mas como é que eu ia saber que no Ministério havia um serviço onde os bruxos vão para receber o seguro-desemprego? Meu pai nunca havia mencionado isso!

E, aliás, o que Dean está fazendo, recebendo seguro-desemprego, se ele NÃO ESTÁ DESEMPREGADO?

Só que Dean aparentemente não enxerga a coisa assim... sabe como é, como ilegal. Ele não para de abrir a boca para soltar:

- Mas todo mundo faz isto!

Mas não é bem assim que as pessoas do Ministério parecem pensar, se é que podemos considerar o olhar que o homem nos lança antes de ir chamar seu "superior" como indício.

- Olha, Gi – Dean me diz no minuto em que o homem do Ministério sai da sala. – Eu sei que não era sua intenção, mas você ferrou completamente com tudo para mim. Mas vai ficar tudo bem se, quando o homem voltar, você simplesmente dizer que cometeu um erro. Que tivemos um pequeno desentendimento e que eu não estava trabalhando ontem. Certo?

Fico olhando para ele, confusa.

- Mas, Dean... – Não acredito que isso está acontecendo. Tem que haver algum erro. Dean, o MEU Dean, que vai ensinar jovens bruxos a fazer feitiços, não pode estar enganando o sistema de previdência social. Isso simplesmente não é possível. – Você estava trabalhando ontem. Quer dizer... não estava? Foi o que você me disse. Foi por isso que me deixou sozinha com sua família o dia inteiro e boa parte da noite. Porque estava trabalhando de garçom. Certo?

- Certo – Dean concorda. Reparo que está suando. Nunca vi Dean suar antes. Mas há um brilho definitivo ao longo do cabelo dele. Que, reparo, está recuando só um pouquinho. Será que ele vai ficar tão careca quanto o pai algum dia? – É isso mesmo. Mas você precisa contar uma mentirinha para mim.

- Mentir para você? – digo, confusa. É como... percebo o que ele diz. Compreendo as palavras.

Só não acredito que Dean, o MEU Dean, está dizendo aquilo.

- É só uma mentirinha inofensiva – Dean elabora. – Quer dizer, não é assim tão ruim quanto você está pensando, Gi. Garçons aqui ganham uma MERDA, não é como nos Estados Unidos, onde eles têm garantia a gorjeta de quinze por cento. Juro para você que todos os garçons que conheço também recebem auxílio-desemprego...

- Mesmo assim – digo. Não acredito que isso está acontecendo. Simplesmente não consigo acreditar. – De qualquer forma, não é certo. Quer dizer, continua sendo... meio desonesto, Dean. Você está tirando dinheiro de gente que realmente PRECISA.

Como é que ele não percebe isso? Ele quer ensinar jovens bruxos desprivilegiados... as mesmas pessoas para quem o dinheiro da previdência social se destina, e ao qual ele parece achar ter tanto direito. Como é que ele não pode saber disso? A mãe dele é assistente social, pelo amor de Merlin! Será que ela sabe como o filho dela arruma um dinheirinho extra?

- Preciso do dinheiro – Dean insiste. Agora está suando mais, apesar da temperatura do escritório estar bem agradável. – Sou uma dessas pessoas. Quer dizer, preciso viver, Gi. E não é fácil achar um trabalho com um salário decente quando todo mundo sabe que você vai mesmo embora dali a uns meses para estudar...

Bom... quanto a isso ele tem razão. Quer dizer, o único jeito por que consegui subir até subgerente da Vintage to Witches é porque moro na cidade o ano todo.

E também porque sou muito boa no que faço.

Mas, mesmo assim...

- E não fiz isso por mim, sabe? Eu queria que você se divertisse enquanto estivesse aqui – ele prossegue, lançando um olhar nervoso para a porta aberta da sala. – Para levar você a lugares legais, comer bem. Talvez até levar você para... sei lá. Um passeio de barco ou algo assim.

- Ah, Dean. – Meu coração incha de amor por ele.

Como é que eu posso ter pensado... bom, o que eu pensei a respeito dele? Ele pode ter feito as coisas do jeito errado, mas as intenções dele estavam no lugar certo.

- Mas, Dean, tenho um montão de dinheiro guardado. Você não precisa fazer isso por mim... trabalhar tanto assim, e... eh... receber seguro-desemprego, ou sei lá o quê. Tenho bastante dinheiro. Para nós dois.

De repente, ele já não parece tão suado.

- Tem mesmo? Mais do que trocou hoje no Gringotes?

- Claro – respondo. – Estou guardando o que recebo na loja há séculos. E fico feliz em compartilhar. – Digo isso de coração. Afinal de contas, sou feminista. Não tenho problemas em sustentar o homem que amo. Problema nenhum.

- Quanto? – Dean se apressa em perguntar.

- Quanto tenho? – fico olhando fixo para ele. – Bom, uns cem galeões...

- Sério? Maravilhosa! Então posso pegar um pouco emprestado?

- Dean, já te disse, fico mais do que feliz em pagar pelas coisas quando a gente sair...

- Não, quero saber se posso pegar um pouco emprestado adiantado – Dean quer saber. Ele parou de suar, mas o rosto ficou meio tenso. Ele não para de olhar para a porta onde o supervisor do atendente deve aparecer a qualquer momento. – Sabe, ainda nem paguei minha taxa de matrícula da universidade...

- Taxa de matrícula?

- Pois é – agora ele está dando um sorriso meio acanhado, parecido com o de uma criança que é pega roubando biscoitos. – Sabe, eu me enrolei um pouco antes de você chegar aqui. Você já foi a alguma das sextas-feiras de pôquer no alojamento McCracken?

Minha cabeça está rodando. É sério.

- Sexta-feira de pôquer? Alojamento McCracken?

Do que ele está falando?

- É, tinha um grupo de residentes que jogava Texas Hold'em toda sexta-feira à noite. Eu costumava jogar com eles, e comecei a me dar bem...

Ron tinha falado sobre alguém... alguém que, agora percebo, era Dean. Aquele que organizava partidas ilegais de pôquer no sétimo andar.

- Era você? – Estou olhando fixamente para ele. – Mas... mas você é Representante dos Alunos. Jogar a dinheiro nos dormitórios é ilegal.

Dean lança um olhar incrédulo para mim.

- É, bem... talvez seja, mas todo mundo fazia...

Se todo mundo de repente começasse a usar ombreiras você também usaria? Faço menção de perguntar... então me detenho, bem a tempo.

Porque, é claro, já sei a resposta.

- Mas, bem – Dean continua –, me envolvi em um jogo aqui, não faz muito tempo... bom, as apostas eram um pouco mais altas do que as com que eu estou acostumado, e os jogadores são um pouco mais experientes, e eu...

- Você perdeu – eu digo, na lata.

- Eu contei a você, estava um pouco confiante demais e achei que poderia ganhar direito o jogo em que entrei... mas, em vez disso, levei o maior pau e perdi o dinheiro da minha matrícula do próximo semestre. É por isso que estou trabalhando tanto, percebe? Não posso contar para os meus pais o que aconteceu com o dinheiro deles... eles são completamente contra o jogo, e provavelmente iriam me expulsar de casa... Eu mal tenho uma cama lá, como você bem sabe. Mas se você puder me emprestar... bom, daí fica tudo uma beleza, certo? Não vou ter que trabalhar, e daí podemos ficar juntos o dia inteiro. – Ele estica o braço, envolve minha cintura e me puxa para perto dele. – E a noite inteira também – completa, com uma levantada sugestiva das sobrancelhas. – Não seria maravilhoso?

Minha cabeça continua rodando. Apesar de ele ter explicado, de algum modo, nada disso faz sentido... ou melhor, faz sim...

Mas acho que não estou gostando nada do sentido que está fazendo...

Fico olhando fixo para ele.

- Algumas centenas de galeões? Para pagar a sua taxa de matrícula?

- Uns vinte galeões, mais ou menos – Dean responde. – O que dá... Quanto? Uns trezentos e cinquenta sicles? Não é tanto assim se você pensar que é tudo para o meu futuro... o nosso futuro. E vou recompensá-la. – Ele abaixa a cabeça e leva até o meu pescoço, para me acariciar. – Não que passar o resto da vida recompensando uma garota como você vá ser algum sacrifício – ele completa, no meio do meu cabelo.

- Bem – respondo –, acho que posso emprestar... – No entanto, dentro da minha cabeça tem uma voz que grita algo completamente diferente. – Nós podemos... enviar o dinheiro para a universidade assim que sairmos daqui.

- Certo – Dean diz. – Mas, olha, a respeito disso... talvez seja melhor você simplesmente me entregar o dinheiro e eu mandar. Tem um cara no trabalho que eu conheço que consegue mandar sem nenhuma taxa nem nada.

- Você quer que eu lhe dê o dinheiro vivo? – repito.

- É – Dean responde. – Vai sair mais barato do que se mandarmos o dinheiro aqui da cidade. As taxas são de matar... – É aí que ouço passos no corredor que leva à salinha e ele diz, apressado: - Olhe, diga para este idiota, quando ele entrar aqui, que você estava enganada a respeito de eu ter emprego. Que você não tinha entendido bem. Certo? Você pode fazer isto por mim, Gi?

- Ginny – respondo, meio tonta.

Ele olha para mim sem entender nada.

- O quê?

- Ginny. Não Gi. Você sempre me chama de Gi. Ninguém de chama assim. Meu nome é Ginny.

- Certo – Dean diz. – Tanto faz. Olha, ele está chegando. É só dizer para ele, pode ser? Diga que você se enganou.

- Ah, digo sim.

Mas o engano, percebo, não tem nada a ver com a situação empregatícia de Di.


N/A: Olá, gente! ^^

Demorei para postar, não é? Mas a culpa não é somente minha: eu disse que só postaria com, no mínimo, três reviews. Então... there you go!

Porém, continuo com chantagem: TRÊS REVIEWS ou nada de capítulo, okay? Obrigada para quem comentou! Amo vocês! ^^

Sobre o capítulo... Merlin, coitada da Ginny! É como disse a fofa da Padma Ravenclaw: Dean é tremendo canalha. Mas calma, antes de matarem o Dean (ou pior: eu!) esperem o próximo capítulo, que promete uma reviravolta na vida da nossa protagonista.

Querem saber o quê? Hummm... uma dica está no fim do capítulo...

Então... REVIEWS!

See you! ;)

Afetuosamente,

Lucy Lovering.