Capítulo 8:

...Tudo cai por água abaixo


"A mulher fala porque tem vontade de falar, ao passo que o homem fala apenas quando é levado a falar por algum fator externo a si – como, por exemplo, quando não consegue encontrar meias limpas."

- Jean Kerr (1923-2003), escritora e dramaturga norte-americana.


História da Moda

MONOGRAFIA DE GINEVRA WEASLEY

Apesar de o período elisabetano ser considerado pela maior parte dos historiadores uma época iluminada, que deu origem a gênios como Shakespeare e Sir Walter Raleigh (consulte: capa na lama etc.), não há dúvidas de que Elizabeth, já no fim do seu reinado, começou a agir de maneira imprevisível e caprichosa. Muitos acreditam que isto pode ser creditado às fartas quantidades de base branca que ela usava no rosto para ficar com a aparência que na época era considerada jovial. Infelizmente para a rainha Elizabeth, havia chumbo na maquiagem que utilizava, e isso pode ter causado envenenamento por chumbo e afetado o cérebro.

Elizabeth não foi a única a sofrer com a busca pela beleza (consulte: Jackson, Michael).


Não sei o que me levou a fazer o que fiz.

Em um minuto, eu estava perguntando ao Sr. Williams (o supervisor do homem que tinha nos acompanhado até a salinha) se ele podia me dizer onde ficava o banheiro feminino (só que eles falam toalete, então demorou alguns segundos até eu conseguir fazer as pessoas entenderem o que eu queria) e, no minuto seguinte, eu já estava fugindo dali.

Isso mesmo. Fui embora. Fui embora do Ministério e deixei Dean para trás. Fingi que ia ao toalete feminino.

Mas, em vez disso, peguei minha varinha, saí do prédio e comecei a correr pelas ruas movimentadas de Londres, sem fazer a menor ideia de para onde estava indo, isso sem falar que não faço a menor ideia de como chegar em lugar algum.

Não sei por que fiz isso. Teria dito o que Dean me pediu: que eu tinha me enganado a respeito de ele ter trabalho. Acho que, como Dean recebe ilegalmente, o pessoal do Ministério não tem como conferir se é verdade ou não. Então, até parece que o Sr. Williams pode fazer alguma coisa contra Dean... como mandá-lo para Azkaban.

Aliás, a única coisa que o Sr. Williams estava fazendo quando interrompi para perguntar onde era o banheiro era dar um sermão em Dean a respeito de como é errado que bruxos que na realidade não precisam do sistema de previdência social do Ministério recorram a ele.

Foi quando eu saí.

E nunca mais voltei.

E é por isso que estou vagando pelas ruas de Londres, sem fazer a menor ideia de onde estou. Não tenho guia, nem mapa, nem nada. Só tenho uma bolsa cheia de dinheiro, uma varinha e uma sensação pesada de que Dean não vai ficar lá muito contente de me ver quando eu retornar à casa dos pais dele (isso se algum dia eu tiver coragem de voltar lá).

Talvez eu devesse ter ficado. Foi errado da minha parte sair daquele jeito. Dean tem razão, realmente é difícil para quem estuda pagar todas as contas...

Mas usar todas as suas economias para jogar também não ajuda em nada.

E o dinheiro? Prometi a ele vinte galeões para pagar a taxa de matrícula, e daí simplesmente... fui embora. Como é que pude sair daquele jeito? Se Dean não pagar a taxa de matrícula, não vai poder voltar para a universidade no início do ano letivo. Como é que pude simplesmente dar as costas a ele desta maneira?

Mas como é que eu poderia ter ficado lá?

Não é o dinheiro. Não mesmo. Daria cada nuque que tenho a ele, e ficaria feliz com isso. Porque a verdade é que eu consigo suportar o fato de que ele me achava gorda.

E consigo suportar o fato de que ele parece ter reclamado da minha gordura para a família dele.

E consigo suportar a jogatina, e até mesmo o fato de que ele fingiu que não conseguiu gozar para eu dar uma chupada nele.

Mas fraudar os pobres? Porque isso é basicamente o que faz uma pessoa que recebe seguro-desemprego enquanto tem um emprego.

Isso eu não consigo tolerar.

E ele quer ser professor. PROFESSOR! Dá para imaginar um homem assim moldando a mente de jovens bruxos impressionáveis?

Eu sou a maior idiota. Não acredito que caí nesse papo todo de "quero ensinar jovens bruxos a arte da magia". Obviamente, não passava de uma representação para ele conseguir tirar minha calcinha (e, depois, ainda meter a mão na minha carteira). Por que eu não enxerguei os sinais? Quer dizer, que tipo de bruxo que quer ensinar jovens bruxos (de verdade, com sinceridade) também manda cartas com fotos do próprio bumbum para bruxas jovens e inocentes?

Eu sou tão idiota. Como é que pude ser tão cega?

Hermione tem razão, é claro. Eu estava na seca. Tem que ter sido isso. Fiquei completamente encantada de ter um cara para ser meu namorado. Era simplesmente tudo o que eu queria.

Mas agora eu sei que, só porque um cara aparece na sua vida igual ao Spider Man, isso não quer dizer que vai AGIR como ele. Por acaso o Spider Man receberia seguro-desemprego enquanto ele tem trabalho? Claro que não.

Ai, Merlin, e de pensar que eu queria me CASAR com ele!!! Queria casar com ele e apoiá-lo para o resto da vida. Queria ter filhos com ele (Dean Jr., Virgínia, Maya e Luke). E uma coruja! Como era mesmo o nome da coruja?

Ah, tanto faz.

Eu sou a maior idiota do Mundo Bruxo. Possivelmente do Mundo Trouxa também. Merlin, eu gostaria de ter percebido tudo isto antes de dar aquela chupada nele. Não acredito que fiz isso.

Quer saber de uma coisa? Quero aquela chupada de volta. Dean Thomas não é digno de receber uma chupada minha. Aquela chupada foi especial. Foi a minha primeira. E era para ter sido em um professor, não em um fraudador do Ministério!

Ou fraudador do seguro-desemprego. Ou sei lá qual é o nome desta coisa.

O que vou fazer agora? Só se passaram dois dias da minha visita ao meu namorado e já resolvi que nunca mais quero vê-lo. E estou hospedada na casa da família dele! Até parece que posso evitá-lo ali.

Ai, Merlin. Quero ir para casa.

Mas não posso. Mesmo que tivesse dinheiro suficiente para isso (mesmo que eu pudesse ligar para casa agora mesmo e pedir para me comprarem uma passagem, já que bruxos não podem aparatar em longas distâncias), ia ficar ouvindo falar sobre o assunto para o resto da vida. Meus irmãos... meus familiares... até a minha mãe... todo mundo. Nunca iriam me deixar esquecer. Todos me disseram (TODOS ELES) que não era para eu fazer isso, que não era para me deslocar até Londres para visitar um cara que eu mal conhecia, um cara que, tudo bem, salvou minha vida...

Mas é bem provável que eu não fosse morrer. Quer dizer, uma hora eu repararia na fumaça e teria saído de lá sozinha.

Nunca vão me deixar esquecer do fato de que eles tinham razão. Merlin! Eles tinham razão! Não dá para acreditar! Eles nunca tiveram razão a respeito de nada. Todos disseram que eu nunca iria me formar... Bem, me formei.

Bom, tudo bem, quase. Só preciso escrever uma monografia de nada.

E todos disseram que eu não perderia a gordura que carregava desde criança.

Bem, perdi. Tirando aqueles últimos dois quilos. Quase ninguém além de mim repara neles.

Disseram que eu nunca conseguiria emprego nem apartamento em Nova York... bem, vou mostrar que eles estão errados a este respeito. Espero. Na verdade, nem posso pensar sobre isso agora, ou vou vomitar.

Só sei que não posso voltar para casa. Não posso permitir que eles pensem que estavam certos a respeito dessa história.

Mas também não posso ficar aqui! Não depois de sair daquele jeito: Dean nunca vai me perdoar. Quer dizer, eu simplesmente fui embora. Foi como se meus pés tivessem saído caminhando, tentando colocar a maior distância entre Dean e eu.

A culpa não é dele. Não exatamente. Quer dizer, jogo é um vício! Se eu fosse uma pessoa decente, teria ficado para tentar ajudá-lo. Eu lhe daria o dinheiro para que pudesse voltar à universidade no início do ano letivo para começar tudo do zero... Eu lhe daria apoio. Juntos, poderíamos ter resolvido tudo...

Mas, em vez disso, eu simplesmente fui embora. Ah, belo trabalho, Ginny. Mas que boa namorada você é.

Meu peito parece apertado. Acho que pode ser que eu esteja tendo um ataque de pânico. Isso nunca aconteceu comigo, mas Brianna Dunleavy, lá do alojamento, costumava tê-los o tempo todo e ia parar na enfermaria, onde lhe davam uma licença para não fazer provas.

Não posso ter um ataque de pânico no meio da rua. Não posso! Estou de saia! Imagine se eu cair e todo mundo ver a minha calcinha? É verdade que é uma calcinha fofa, de bolinhas e com lacinho, da Target. Mas mesmo assim. Preciso me sentar. Preciso...

Ah, uma livraria. Livrarias são ótimas para ataques de pânico. Pelo menos, espero que sejam, já que nunca sofri disso.

Passo rápido pelos lançamentos e pelo caixa e vou para o fundo da loja. Daí avisto uma poltrona de couro perto da sessão de autoajuda (evidentemente, os bruxos normais não sentem muita necessidade de recorrer à autoajuda. O que é bem ruim porque alguns deles, especificamente Dean Thomas, realmente estão precisando), afundo-me nela e coloco a cabeça entre os joelhos.

Então, respiro. Inspiro. Expiro. Inspiro. Expiro.

Isso. Não. Pode. Estar. Acontecendo. Não. Posso. Estar. Tendo. Um. Ataque. De. Pânico. Em. Um. Lugar. Que. Não. Conheço. Meu. Namorado. Não. Pode. Ter. Perdido. Todo. O. Dinheiro. Que. Tinha. Para. Pagar. A. Pós. Graduação. Jogando. Texas. Hold'em.

- Com licença, moça?

Ergo a cabeça. Ai, não! Um dos vendedores da livraria está olhando para mim, cheio de curiosidade.

- Oi.

- Olá – ele parece bem simpático. Está de jeans e com uma camiseta preta. Os dreadlocks são muito limpos. Não parece o tipo de pessoa que expulsaria uma mulher tendo um ataque de pânico de sua loja. - Está tudo bem com você? – ele quer saber. Uma plaquinha na roupa dele informa que se chama Jamal.

- Está – soltou um guincho. – Obrigada. É só que... não estou me sentindo muito bem.

- Você não parece bem – Jamal confirma. – Quer um copo de água?

Percebo então como estou morrendo de sede. Uma Diet Coke. É disso que eu realmente preciso. Será que não existe uma Diet Coke neste país?

Mas respondo:

- Seria muito legal da sua parte.

Ele assente e se afasta, com expressão preocupada. Que rapaz simpático. Por que não namoro Jamal em vez de Dean? Por que tive que me apaixonar por um cara que AFIRMA querer ensinar crianças a ler, e não por alguém que de fato o faz?

Mas, tudo bem, Jamal não trabalha no departamento de literatura infantil.

Mesmo assim. Aposto que já entraram crianças nesta loja que ele incentivou a ler.

Mas talvez eu só esteja fazendo uma projeção. De novo. Talvez só esteja acreditando no que quero acreditar a respeito de Jamal.

Da mesma maneira que eu queria acreditar que Dean é de fato um Dean e não um Di. Quando, na verdade, ele é o maior Di que já conheci.

Não que haja algo de errado com o nome Di. É só que...

E, de repente, percebo exatamente do que eu preciso, e não é água.

Não quero. Realmente não quero. Mas percebo que preciso escutar a voz da minha mãe. Simplesmente preciso.

Com dedos trêmulos, disco o número da minha casa. Não vou contar nada sobre Dean para ela, resolvo, nem como ele se revelou ser um Di. Só preciso ouvir uma voz conhecida. Uma voz que me chame de Ginny em vez de Gi. Uma voz...

- Mãe? – exclamo quando uma mulher atende o telefone na outra ponta da linha e diz alô.

- Que diabos você está fazendo, ligando para nós que nem uma trouxa? – tia Muriel quer saber. – Não sabe mais o que é pó de Floo?

- Tia Muriel – fecho os olhos. Meu peito continua apertado. – Mamãe está por aí?

- Que diabo, não – titia responde. – Ela está no hospital. Você sabe que ela vai ajudar na cozinha de lá às terças.

Não discordo, apesar de não ser terça-feira.

- Bom, papai está, então? Ou algum de meus irmãos?

- Qual o problema? Eu não sirvo para você?

- Não – respondo. – Você é ótima, mas é que...

- Parece que você está doente. Pegou uma daquelas febres-de-dragão por aí?

- Não – respondo. – Titia...

E é aí que eu começo a chorar.

Por quê? POR QUÊ??? Estou mesmo muito brava por estar chorando. Já disse isso a mim mesma!

- Para que tantas lágrimas? - Titia quer saber. - Perdeu seu passaporte? Não se preocupe, mesmo assim vai poder voltar. Deixam qualquer um entrar aqui. Até mesmo as pessoas que querem nos explodir até o fim do mundo.

- Titia, acho que... – É difícil sussurrar quando estou soluçando, mas tento. Não quero incomodar os clientes da livraria e ser chutada para a rua. Sei que Jamal vai voltar com a minha água a qualquer momento. – Acho que cometi um erro ao vir para cá. Dean... ele não é a pessoa que achei que era.

- O que ele fez? - Tia Muriel quer saber.

- Ele... ele... disse à família dele que eu era gorda. E ele joga. E está fraudando o Ministério. E ele... ele... ele disse que eu gostava de abóbora!

- Volte para casa. Volte para casa agora mesmo.

- Esse é o problema. Não posso voltar para casa. George e Percy... todo mundo... eles me disseram que isto iria acontecer. E agora aconteceu. Se eu voltar para casa, simplesmente vão ficar dizendo que me avisaram. Porque avisaram. Ah, titia... – agora as lágrimas estão caindo mais rápido. – Eu nunca vou conseguir um namorado! Um namorado de verdade, quer dizer, que me ame por quem eu sou, e não por causa das minhas economias.

- Não diga besteiras.

Surpresa, eu respondo:

- O-o quê?

- Você vai arrumar um namorado. Só que, ao contrário de seus irmãos, você vai escolher a pessoa certa. Não vai se casar com o primeiro idiota que aparecer para dizer que gosta de você e logo a engravida.

Este foi um resumo muito acalentador dos relacionamentos de meus irmãos. Tem o efeito de secar minhas lágrimas imediatamente.

- Titia, quer dizer, falando sério. Não está sendo um pouco severa demais?

- Então, esse aí se revelou um panaca – tia Muriel prossegue. - Que se dane. O que vai fazer? Ficar com ele de qualquer jeito até seu avião partir?

- Não sei que escolha tenho. Quer dizer, não posso simplesmente... abandoná-lo.

- Onde ele está agora?

- Bem, ele está no Ministério, acho.

Será que saiu para me procurar?

É, claro que sim. Estou com os vinte galeões dele.

- Então, você já o abandonou. Olha, não sei qual é o problema. Você está na Inglaterra. E é bruxa. Bruxos vão à Inglaterra sem um nuque no bolso há séculos. Use a cabeça, pelo amor de Merlin. E a sua amiga, Hermione? Ela não está em algum lugar por aí?

Mione. Tinha me esquecido completamente dela. Mione, que está logo ali, do outro lado do canal da Mancha, na França. Mione, que de fato me convidou, na noite passada mesmo para ficar com ela em... Como chama mesmo? Ah, certo: Mirac.

Mirac. A palavra me parece tão mágica neste momento que pode muito bem significar paraíso.

- Titia – digo, saindo da poltrona. – Você acha mesmo... quer dizer... será que eu devo?

- Você disse que ele joga? - titia pergunta.

- Parece que tem uma queda forte por Texas Hold'em.

Tia Muriel suspira.

- Igualzinho ao seu tio Septimus. Aliás, fique mesmo com ele se quiser passar o resto da vida tentando pagar as dívidas dele. Era o que sua tia Olive fazia. Mas se você for inteligente, e acho que é, vai sair daí agora mesmo, enquanto pode.

- Tia Muriel – digo, e engulo as lágrimas. – Acho... acho que vou aceitar o seu conselho. Obrigada.

- Bem - titia diz, impassível –, esta realmente é uma bela ocasião. Um de vocês realmente resolveu me dar ouvidos, para variar. Alguém precisa abrir uma garrafa de champanhe.

- Eu faço um brinde a você daqui, titia. E, agora, é melhor eu ligar para Hermione. Muito obrigada. E, não conte a ninguém a respeito desta conversa, está bem, titia?

- E para quem eu contaria? - tia Muriel resmunga e desliga o telefone.

Eu também desligo e, apressada, disco o número de Mione. Mione. Não acredito que não pensei em HERMIONE! Mione está na França. E ela disse que eu podia ficar com ela. O canal da Mancha. Ela não disse alguma coisa de pegar um trem e atravessar o canal da Mancha? Será que dá mesmo para eu fazer isto? Será que devo fazer isto?

Ah, não. Cai na caixa postal. Onde ela está? No vinhedo, esmagando uvas com os pés? Mione, cadê você? Preciso de você!

Deixo um recado: "Oi, Mione? Sou eu, a Ginny. Preciso muito falar com você. É muito importante, de verdade. Acho... tenho bastante certeza de que Dean e eu vamos terminar".

Penso na expressão que ele tinha no rosto enquanto me falava do amigo que consegue mandar dinheiro para os Estados Unidos sem pagar taxa nenhuma.

Meu coração se contorce.

Prossigo: "Bem, aliás, acho que terminamos com toda a certeza. Então, será que você pode me ligar? Porque provavelmente vou ter que aceitar a sua oferta de me receber na França. Então me ligue. Logo. Tchau".

Dizer as palavras em voz alta de repente faz tudo parecer bem mais real. Meu namorado e eu vamos terminar. Se eu tivesse simplesmente ficado de boca fechada a respeito do trabalho de garçom dele, nada disso teria acontecido. É tudo por minha causa. Por causa da minha boca grande.

Realmente, já pisei na bola na vida. Mas nunca tanto assim.

Por outro lado... se eu não tivesse dito nada, será que ele teria me contado? A respeito do jogo, quer dizer? Ou será que teria tentado guardar segredo de mim pelo resto da nossa vida juntos? Como parece que ele fez, com muito sucesso, durante os últimos três meses? Será que nós teríamos acabado como tio Septimus e tia Olive: amargos, divorciados, enterrados em dívidas e morando em um bar e num subúrbio, respectivamente?

Não posso deixar que isso aconteça. Não permitirei que isso aconteça.

Não posso voltar à casa dos Thomas. Simples assim. Quer dizer, é óbvio que preciso voltar, para pegar minhas coisas. Mas não posso dormir lá hoje à noite. Não na cama de MDF, a mesma cama em que fizemos amor... a cama que dei aquela chupada nele.

A chupada que quero de volta.

E então percebo que não preciso dormir lá hoje à noite. Porque eu tenho, sim, lugar para ir.

Eu me levanto tão apressada que chego a ficar meio tonta. Estou cambaleando e segurando a cabeça quando Jamal volta com um copo de água para mim.

- Moça? – ele diz, todo preocupado.

- Ah! – exclamo, ao ver a água. Pego o copo da mão dele e viro todo o líquido de uma vez só. Minha intenção não é ser grosseira, mas minha cabeça lateja. – Muito obrigada – agradeço quando termino de beber. E entrego o copo de volta para ele. Já estou me sentindo melhor.

- Posso telefonar para alguém para você? – Jamal quer saber.

De verdade, ele é muito gentil. Tão atencioso! Quase parece que voltei a Ann Arbor. Tirando o sotaque inglês.

- Não – respondo. – Mas tem uma coisa com que você pode me ajudar. Preciso saber como atravessar o canal da Mancha.


N/A: Oi, queridos!

Desculpem a demora, de verdade! Tive alguns probleminhas, mas agora já está tudo bem. Espero que curtam o capítulo, com essa volta por cima da Ginny. Também, já estava na hora de ela reagir a esse canalha, concordam?

Obrigada para todos que acompanham a fic! Agradecimentos especiais para Padma, Danda Jabur e Lady Malfoy, as garotas que tornaram minha vida muito mais feliz. Obrigada, queridas. :)

E para agradecê-las, aí vai um trechinho do próximo capítulo, que se chama "Quando a sorte dá uma reviravolta". Sugestivo, não? ^^

"(...)Ai, Merlin. Uma poltrona! Uma poltrona vazia! Virada para o lado certo! Em um vagão de não-fumantes! E ao lado de uma janela!(...)

Ai, Merlin. Uma poltrona ao lado de um cara que parece ter mais ou menos a minha idade, com cabelo escuro meio grande, grandes olhos verdes e camiseta social enfiada na calça Levi's desbotada nos lugares certos. Que ele usa com um cinto de couro de dragão trançado.

É possível que eu tenha morrido. Que desmaiei no corredor do trem e morri de fome, desidratação e desgosto.

E que isto é o céu."

Aguardem mais emoções no próximo capítulo! Mas vocês já sabem, não é? TRÊS reviews ou nada de próximo capítulo. Trato é trato!

Bom, espero que tenham curtido o capítulo. Tudo de bom para vocês e até a próxima!

Afetuosamente,

Lucy Lovering.