Capítulo 10:

Anjos que preferem Hugo a Hugo Boss


"A maneira de fazer com que um homem se interesse e mantenha seu interesse é falar sobre ele e então, gradualmente, ir levando a conversa para você mesma – e mantê-la por ali."

- Margaret Mitchell (1900-1949), escritora norte-americana.


História da Moda

MONOGRAFIA DE GINEVRA WEASLEY

A "cintura império" – que começa logo abaixo do busto – popularizou-se por meio da esposa de Napoleão Bonaparte, Josefina, que, durante o período do marido como imperador, que começou em 1804, deu preferência ao visual "clássico" da arte grega e emulou as vestes assemelhadas às togas usadas pelas figuras que adornam peças de cerâmica da época.

Para simular melhor o visual das figuras das peças de cerâmica, muitas mulheres molhavam a saia para que as pernas, por baixo do tecido encharcado, ficassem mais aparentes. Acredita-se que o "concurso de camiseta molhada" da atualidade derive desta prática.


Ele não é anjo nenhum. Pelo menos, não se anjos forem nascidos na Inglaterra e depois de terminar Hogwarts tiverem morado em Houston, que é de onde ele vem.

Além do mais, anjos não são formados pela Universidade de Aurores da Pensilvânia, como James é.

Além do mais, anjos não têm seu melhor amigo passando por um divórcio terrível, como o de James está, de modo que quando ele quer visitar seu amigo, precisa viajar até a França, já que é onde fica a casa que James e seu melhor amigo têm (James tirou algumas semanas de férias do escritório onde trabalha para poder viajar).

Além do mais, anjos são melhores para contar piadas. Ele não estava brincando a respeito do negócio da piada. Ele é realmente péssimo com isso.

Mas tudo bem. Porque prefiro estar com um cara que não sabe contar piadas e que se lembra de que não gosto de abóbora a um fraudador do seguro-desemprego que joga e que não se lembra disso.

Porque James se lembra das abóboras. Quando volto do banheiro (que nos trens franceses é indicado com a palavra "toilette"), aonde fui para reparar os danos causados ao meu rosto pelas lágrimas (felizmente, nada que uma nova aplicação de lápis corretivo embaixo dos olhos, batom e pó não pudessem resolver, juntamente com uma penteada no cabelo), já encontro o garçom na nossa mesa, anotando o pedido. É só James que fala, porque, por ser meio francês, ele fala a língua com fluência. E com rapidez. Não entendo tudo o que ele fala, mas ouço "pas de citrouille" várias vezes.

Que até eu, com o meu francês de curso de verão, sei que significa "sem abóbora".

Mal consigo me segurar para não me desmanchar em lágrimas de novo. Porque James renovou minha fé nos homens. Existem caras legais, engraçados e totalmente lindos por aí. É só sabe onde procurar... e, aparentemente, onde NÃO procurar. Que é no banheiro feminino do seu alojamento da faculdade.

Claro, encontrei este aqui em um trem... e isso significa que, assim que eu descer, provavelmente nunca mais o verei.

Mas tudo bem. Está ótimo. Quer dizer, o que eu esperava? Sair direto de um relacionamento e entrar em outro? Certo. Como se isso fosse saudável. Como se, assim, a coisa tivesse oportunidade de durar, já que eu obviamente ainda estou me recuperando de Di.

Além do mais, sabe como é. É como meu irmão diz, não dá para pegar dois pomos de ouro na mesma noite.

Ah, e ainda tem o fato de que contei a ele a respeito da chupada (POR QUÊ? PORQUE EU FIZ ISSO??? POR QUE EU TENHO A MAIOR BOCA DO UNIVERSO INTEIRO???).

Mesmo assim. É que ele é tão... fofo. E não é casado (não usa aliança). Talvez ele tenha namorada (na verdade, um cara fofo desse jeito não pode não ter uma namorada), mas se tiver, com toda a certeza não está falando dela.

O que é bom. Porque, afinal, eu não ia querer ficar aqui sentada ouvindo este superfofo falar da namorada. Quer dizer, obviamente, se ele falasse dela, eu ia ouvir, porque ele escutou com toda a paciência quando fiquei falando de Di.

Mas, sabe como é. Ainda bem que ele não está falando.

Ele pede vinho para tomarmos com o jantar, e quando a garrafa chega e nos serve, James ergue o copo e faz um brinde:

- Às chupadas.

Quase engasgo com o pão que estou engolindo. Porque, apesar de estarmos em um trem, estamos em um trem na França, então a comida é incrível. Pelo menos o pão é. Tão incrível que não tem como eu resistir depois de dar uma mordidinha em um pãozinho de uma cesta na mesa. A casca é perfeitamente crocante e o miolo é macio e quentinho. Como posso me abster? Claro, depois vou me arrepender, quando não conseguir fechar o zíper do meu jeans.

Mas, por enquanto, continuo no céu. Porque, para uma pessoa que conta piadas tão mal, James é um cara bem engraçado.

E eu estava com saudade de comer pão. Estava com muita saudade.

- Às chupadas que queremos de volta – eu o corrijo.

- Só posso rezar – James diz – para que não haja nenhuma mulher por aí querendo de volta uma chupada que tenha dado em mim.

- Ah – coloco com cuidado uma camada de manteiga com sal em cima do meu pão e observo enquanto ela derrete –, tenho certeza de que não há. Quer dizer, você não parece ser alguém que usa os outros.

- É, mas você tinha achado a mesma coisa de... como é mesmo o nome dele? O garoto da chupada?

- Di – respondo, corando. Merlin, por que fui abrir minha boca grande para falar desse assunto? – Eu me enganei completamente a respeito dele. Por causa do sotaque. E do guarda-roupa dele. Se fosse americano, nunca teria me apaixonado por ele. Ou pelas mentiras dele.

- O guarda-roupa dele? – James pergunta quando o garçom traz meu medalhão de porco grelhado e o salmão no vapor dele.

- Claro. Dá para saber muito sobre um cara só de olhar para o que ele veste. Mas Di não era americano, então isso atrapalhou tudo um pouco. Quer dizer, até chegar na Inglaterra, eu simplesmente achei que todo mundo usasse camisetas dos Monsters, como Di estava usando na noite em que nos conhecemos.

As sobrancelhas de James se erguem:

- Dos Monsters?

- É isso mesmo. Obviamente, achei que ele estava sendo irônico, ou que talvez todas as roupas dele estivessem sujas. Mas então fui para Londres e vi que ele realmente se veste assim. Não tinha nenhuma ironia na escolha da camiseta. Se as coisas tivessem dado certo entre nós, no fim eu acabaria fazendo com que ele se vestisse direito. Mas... – dou de ombros, o que é uma coisa muito francesa de se fazer, reparei. Todas as outras mulheres do vagão-restaurante também estão dando de ombro e dizendo "ouais", que é a gíria francesa para "oui", ou pelo menos é o que diz o exemplar do guia Let's Go: France, que comprei com Jamal e em que dei uma olhada antes de atravessar o canal da Mancha.

- Então, você está dizendo que é capaz de saber como as pessoas são só pelas roupas que usam?

- Ah, com certeza. – Mando ver no meu lombo de porco, que, devo dizer, está totalmente delicioso, até mesmo para os padrões de comida servida fora de trens. – O que as pessoas vestem revela muito sobre elas. Como você, por exemplo.

James sorri.

- Tudo bem, pode me detonar.

Aperto os olhos para ele.

- Tem certeza?

- Eu aguento – James me garante.

- Bom... então, tudo bem – eu o examino. – Pelo fato de que você enfia a camisa para dentro do jeans... que é Levi's, e duvido que você tenha outros de marca diferente... entendo que você se sente seguro a respeito do seu corpo e que também se preocupa com o visual, mas não é vaidoso. Você provavelmente não pensa muito sobre a sua aparência, mas dá uma olhada no espelho toda manhã para se barbear e talvez para conferir se não sobrou nenhuma parte malfeita. O seu cinto de couro trançado é esporte e simples, mas aposto que custou bem caro, e isso significa que você está disposto a gastar dinheiro com qualidade, mas não quer parecer exibido. A sua camisa é Hugo, não Hugo Boss, e isso significa que você se importa, só um pouquinho, em não ser igual a todo mundo, e você usa mocassins Cole Haan sem meia, e isso significa que você gosta de conforto, mas não fica impaciente quando precisa esperar em uma fila, não se importa se garotas esquisitas que você nunca viu antes se sentem ao seu lado e chorem, e que você não sofre de nenhum tipo de problema glandular odorífero nos pés. Ah, e você está usando um relógio Fossil, e isso significa que é atlético... aposto que corre para manter a forma... e que gosta de cozinhar.

Tive que largar o garfo para olhar para ele.

- Como me saí? Acertei?

Ele fica olhando para mim por cima da cestinha de pão.

- Você concluiu tudo isso – James diz, incrédulo – só por causa das minhas roupas?

- Bem – tomo um golinho de vinho –, tudo isso e ainda que você não sofre com sentimentos de inadequação sexual, porque não está usando perfume.

- Paguei dez galeões no meu cinto, Hugo Boss não cai bem em mim, meias deixam meus pés quentes, corro cinco quilômetros por dia, odeio perfume e faço a melhor omelete de queijo e alho-poró que você já comeu na vida.

- Não tenho nada a acrescentar. – Ataco a salada de folhas sortidas que o garçom acabou de trazer. Está lotada de queijo roquefort e de amêndoas carameladas.

Hummm, amêndoas carameladas.

- Mas, falando sério, como foi que você fez isso?

- É um talento – respondo, cheia de modéstia. – É algo que sempre fui capaz de fazer. Só que, obviamente, nem sempre dá certo. Aliás, parece que sempre falha quando eu mais preciso... se um cara é ambivalente em relação a sua orientação sexual, não sei dizer, de jeito nenhum, pela roupa. A menos, sabe como é, que esteja usando algo meu. Mas, como contei para você, Di não era totalmente americano. Isso me confundiu. Da próxima vez, não vou cometer o mesmo engano.

- Com o próximo bruxo britânico? – James pergunta, erguendo as sobrancelhas mais uma vez.

- Ah, não. Não vai ter mais bruxo britânico nenhum. A menos que seja integrante da família real, é claro.

- É uma estratégia prudente.

Ele me serve de mais um pouco de vinho e pergunta o que tenho planejado para quando voltar aos Estados Unidos. Digo a ele que planejava ficar em Ann Arbor e esperar Di se formar. Mas, agora...

Não sei o que vou fazer.

Então me vejo contando a ele – a este estranho que me convidou para jantar – minhas preocupações em relação a ir para Nova York com Mione para depois ela me dispensar para morar com meu irmão, já que Ron pretende jogar para o time de Quadribol de lá, e então vou ter que dividir apartamento com pessoas totalmente desconhecidas. E também que, na verdade, ainda não me formei, porque não terminei (aliás, nem comecei) a minha monografia, então provavelmente nem vou conseguir um emprego no campo que escolhi, se é que existe algum emprego para um bruxo formado em história da moda, e provavelmente vou acabar trabalhando na Gap, minha ideia pessoal de inferno na terra. Todas aquelas camisetas com manguinhas soltas, cada uma exatamente igual à outra, e as pessoas misturando as lavagens dos jeans. Realmente, isto pode me matar.

- De algum modo, não consigo imaginar você trabalhando na Gap.

Olho para o meu vestidinho Alex Colman:

- Não. Você tem razão. Acha que sou louca?

- Não, gostei desse vestido. Ele é meio... retrô.

- Não. Estava falando de como eu estava planejando ficar em Ann Arbor até Di terminar o mestrado e ficar morando na casa dos meus pais. Mione diz que estou comprometendo meus princípios feministas ao fazer isso.

- Não acho que querer ficar perto de uma pessoa que você ama de verdade seja comprometer seus princípios feministas.

- Tudo bem, mas o que vou fazer agora? Quer dizer, é uma loucura me mudar para Nova York sem ter trabalho nem lugar para morar primeiro.

- Ah, não. Não é loucura. Você parece ser uma garota bastante corajosa.

Corajosa? Quase engasgo com o meu gole de vinho. Ninguém nunca me chamou de bastante corajosa antes.

E, ao lado de fora do vagão-restaurante, o sol continua se pondo (o céu fica claro até tão tarde na França durante o verão!), transformando o céu além das colinas e dos bosques verdejantes por que passamos a toda velocidade em um cor-de-rosa envolvente e exuberante. Ao nosso redor, os garçons passam com pratos de queijos sortidos, trufas de chocolate e copinhos de digestivos, e na área dos fumantes nossos companheiros acenderam seus cigarros e estão se deleitando com uma fumada pós-refeição, sendo que esta fumaça de segunda-mão, neste cenário romântico, não cheira nem de longe tão mal quanto cheiraria se estivesse saindo, digamos, das narinas do meu ex-namorado.

E me sinto como se estivesse num filme. Esta aqui não é Ginevra Weasley, a sétima filha de Arthur Weasley e Molly Weasley, recém não-formada na faculdade, que nasceu em Londres e se mudou aos dezessete para Ann Arbor, em Michigan, e que só saiu com três caras na vida (sem contar Di e James).

Esta é Ginevra Weasley, bem corajosa (!), viajante mundial, cosmopolita e sofisticada, jantando no vagão-restaurante de um trem com um cara que me é perfeitamente desconhecido (e que também, por acaso, é perfeito!), comendo um prato de queijos sortidos (queijos!) e bebendo uma coisa chamada Pernod enquanto o sol se põe sobre a paisagem francesa que passa a toda pela janela... E, de repente, no meio da descrição de James sobre a monografia dele, que tem a ver com guerras bruxas e dos duendes (estou tentando não bocejar... mas também, é provável que história da moda também não fosse deixá-lo nada animado), meu celular toca.

Pego bem rápido, achando que deve ser Mione, finalmente.

Mas o identificador de chamada diz Número Desconhecido. O que é estranho, porque nenhum Desconhecido tem o meu celular.

- Um momento, por favor – digo a James. Então abaixo minha cabeça e atendo. – Alô?

- Gi?

A estática estala. A ligação está horrível.

Mas, sem dúvida nenhuma, é a última pessoa no mundo com quem quero falar.

Não sei o que fazer. Por que ele está me ligando? Que horror. Não quero falar com ele! Não tenho nada a dizer para ele. Ai, Merlin.

- Só um minuto – digo a James e saio da mesa para falar na área aberta ao lado da porta de correr para o próximo vagão de trem, onde não vou incomodar o resto dos passageiros.

- Di? – digo para o celular.

- Ah, encontrei você! – Di parece aliviado. – Não sabe como estou feliz de escutar a sua voz. Não recebeu minhas ligações? Passei o dia inteiro ligando para o seu celular. Por que você não atendeu?

- Desculpe, você ligou? O telefone não tocou nem uma única vez. – É verdade. Telefones não funcionam no canal da Mancha.

- Você não faz ideia do que passei quando saí daquele lugar horroroso e não encontrei mais você – Di prossegue. – Durante todo o caminho de volta para casa, só ficava pensando: e se ela não estiver lá? E se aconteceu alguma coisa com ela? Vou dizer, devo amar você de verdade, não é? Por que, se fiquei assim com tanto medo de ter acontecido alguma coisa!

Dou uma risada fraca. Apesar de não estar com vontade de rir.

- É, vai ver que sim.

- Caramba, Gi – Di continua. Agora ele parece... tenso. – Em que merda de lugar você se enfiou? Quando vai voltar para casa?

Ergo os olhos e vejo o que parece ser, com os raios inclinados do sol, um castelo na encosta de uma colina. Mas isso, é claro, é impossível. Castelos não ficam no meio do nada. Nem mesmo na França.

- Como assim, quando eu voltar para casa? – pergunto a ele. – Você não leu o meu bilhete? – Deixei um para a senhora Thomas e o restante da família de Di, agradecendo pela hospitalidade, e outro separado para Di, explicando que eu sentia muito, mas tinha recebido um chamado inesperado e não o veria mais.

- Claro que peguei o bilhete. Só que não entendi nada.

- Ah – digo, surpresa. Escrevo muito bem. Mas estava chorando tanto que talvez minha letra tenha ficado mais trêmula do que pensei. – Bem... como eu disse no bilhete, Di, realmente sinto muito, mas precisei ir embora. Realmente sinto...

- Olha, Gi. Sei que o que aconteceu hoje de manhã no Ministério deixou você chateada. Mas você não ia ter precisado mentir se, para começo de conversa, tivesse ficado de boca fechada.

- Isso eu sei – respondo. Ai, Merlin, isto é um horror. Não quero fazer isto. Não agora. E certamente não aqui. – Sei que a culpa é toda minha, Di. Espero que não tenha se encrencado com o senhor Williams.

- Bem, não vou mentir, Gi. Foi por pouco. Por muito pouco. Mas... Espere um segundo. Por que está me chamando de Di?

­- Porque é o seu nome – respondo, saindo da frente para dar espaço para algumas pessoas que acabaram de chegar de outro vagão e estão procurando uma mesa vaga.

- Você nunca me chama de Di. Você sempre me chamou de Dean.

­- Ah... Bem, sei lá. Agora você está com mais cara de Di para mim.

- Não sei se estou gostando muito desta conversa – Di diz em tom arrasado. – Olha, Gi, sei que estraguei tudo... Mas você não precisava ir embora. Posso consertar, Gi. De verdade. As coisas entre a gente não começaram com o pé direito, mas todo mundo está arrasado com isso, principalmente eu. Não vou mais jogar Texas Hold'em... juro. E Doug abriu mão do quarto dele. Disse que nós podemos ficar lá juntos. Ou, se você quiser, podemos ir para outro lugar... algum lugar onde possamos ficar sozinhos. Aonde mesmo você queria ir? À casa de Charlotte Brontë?

- Jane Austen – eu o corrijo.

- Certo, à casa de Jane Austen. Podemos sair agora mesmo. É só me dizer aonde você está e vou buscá-la. Vamos nos acertar. Vou recompensar você... por tudo... juro.

- Ah, Di. – Sinto-me tomada pela culpa. James, lá na nossa mesa, está pagando a conta para abrir lugar para os passageiros que acabaram de chegar. – É só que... quer dizer, não vai da para você vir me buscar. Porque estou na França.

- Você O QUÊ??? – Di parece um pouco mais surpreso do que seria necessariamente lisonjeiro. Acho que ele nem me considera corajosa, ao contrário de James. Pelo menos, não corajosa o bastante para ir à França sozinha. – Desde quando você está aí? Onde você está? Vou até aí.

- Di. – Que horror. Detesto confrontos. É tão mais fácil simplesmente ir embora, em vez de ter que explicar para alguém que você nunca mais quer vê-lo. – Eu quero... eu preciso ficar sozinha um pouco. Preciso de um tempo para pensar.

- Mas, pelo amor de Merlin, Gi, você nunca esteve na França. Você não faz a mínima ideia do que está fazendo. Isto não é engraçado, sabia? Estou preocupado de verdade. Diga onde está e eu vou...

- Não, Di – digo baixinho. James está vindo na minha direção, com ar preocupado. – Olhe, não posso falar agora. Preciso desligar, mesmo. Di, mas... como você disse, cometi um erro.

- Eu perdoo você! – Di fala. – Ginny! Perdoo você. Só... escute. E o dinheiro?

- O... o quê? – Fico tão atordoada que quase derrubo o telefone.

- O dinheiro – Di repete, com urgência na voz. – Você ainda pode me mandar o dinheiro?

- Não posso falar sobre isto agora. – James está bem ao meu lado. Reparo que ele é bem alto... ainda mais alto do que Di. – Sinto muito mesmo. Tchau.

Desligo e, por um segundo ou dois, minha visão fica embaçada. Não achei que fosse possível ter sobrado alguma lágrima. Mas parece que sobrou.

- Está tudo bem? – escuto (já que não consigo enxergar) James perguntar com gentileza.

- Vai ficar – garanto a ele, com mais segurança do que realmente sinto.

- Era ele? – James quer saber.

Assinto. Está ficando um pouco difícil respirar. Não sei se é por causa das lágrimas que mal consegui segurar ou se é pela proximidade de James... que, levando em conta como o balanço do trem faz o braço dele roçar no meu, é considerável.

- Você disse a ele que estava aqui com o seu advogado – James quer saber – e que ele estava ocupado redigindo seu pedido formal de devolução de chupada?

Fico tão chocada com isso que até esqueço que não consigo respirar. E, vez disso, me pego sorrindo... e as lágrimas secam misteriosamente dos meus olhos.

- Você informou a esse cara que, se ele não devolver sua chupada imediatamente, você não terá outra escolha além de processá-lo?

Agora, as lágrimas nos meus olhos são de tanto rir.

- Você disse que não sabia contar piada – digo em tom de acusação, quando consigo parar de rir e recuperar o fôlego.

- Não sei – James diz com ar grave. – Esta piada foi horrível. Não acredito que você deu risada.

Continuo rindo quando me jogo na poltrona ao lado dele, sentindo-me agradavelmente satisfeita e mais do que um pouco sonolenta. No entanto, me esforço para ficar acordada, olhando para a janela na outra ponta do vagão. Bem atrás da cabeça de James, onde o sol (que ainda não desapareceu completamente) parece estar delineando mais um castelo. Aponto para ele e digo:

- Sabe, é muito estranho, mas parece que tem um castelo ali.

James vira a cabeça.

- É porque é um castelo.

- Não é – respondo, sonolenta.

- Claro que é – James diz com uma risada. – Você está na França, Ginny. O que esperava?

Não estes castelos à vista, para qualquer um que passa de trem ver. Não este pôr do sol de tirar o fôlego, enchendo nosso vagão com sua luz rosada. Não este homem perfeitamente gentil, perfeitamente adorável, sentado aqui ao meu lado.

- Não isso – murmuro. – Não isso.

E então fecho os olhos.


N/A:

Olá, gente!

Miiiiiiiiiiil perdões para todo mundo que deixei esperando com essa fic. Sim, eu sou uma avoada de cabeça de bomba de bosta e não merecia a atenção de pessoas tão legais quanto vocês. Sorry, de verdade. Mas a bem verdade é que eu estou um pouco cansada de fics - de fics, não de escrever. Mas mesmo assim isso me deixa com preguiça de atualizar A Rainha e já até pensei em desistir, mas como diz minha grande amiga (ainda, espero) Padma, se eu comecei a fic, vou terminá-la. Mas para isso, bem que vocês poderiam mandar coments para eu saber como está indo a fic - se é que alguém ainda a lê.

Portanto, menos de 3 reviews e eu não atualizo! E vocês sabem que sou capaz disso. (:

E agora vou responder as pessoinhas fantabulosas que mandaram reviews para mim:

oOLivia McCartneyOo: OMG, sim, você é uma fênix! (risos) Que bom que você passou por aqui, meu amor! Eu também estou doidinha aqui, ainda mais depois que vi que Filles Séduisantes, uma de minhas fics preferidas, parou de atualizar para sempre (LUTO XO). Prometo que não farei o mesmo. Mas que bom que a Ginny está fazendo você dar risada! Espero que tenha curtido esse capítulo! Próximo promete muitas revelações... estarão os leitores preparados? Valeu, flor! xD

Juli-chan: Tudo bem, flor, está desculpada! Sorry também pela demora! Falta de tempo é o mal do século. Mas espero que tenha curtido o capítulo. O próximo está ótimo também. Quem sabe não posto um pedaço dele como bônus? Enfim, espero que você tenha curtido, querida! Continue comigo! Beijos! ;)

Danda Jabur: Hey, Danda, sem conclusões precipitadas! Tudo pode acontecer nessa fic! Mas a Ginny fala demais mesmo, hein... eu não teria coragem de falar metade das coisas que saem da boca dela. E tem muito gato de olhos verdes por aqui mesmo (queria poder pegar um pra vida real, huahuahuahua). E não precisa me matar, juro que a fic agora sai! Putz, dou muita risada contigo, garota! Continue comigo também! \o/


Bônus: Cenas do próximo capítulo:

Alguém ao meu lado limpa a garganta. Viro para trás e dou de cara (quase literalmente) com James. Que está parado atrás de mim. Com um enorme sorriso no rosto.

- Oi de novo – ele diz.

- O quê... (...) O que você está fazendo aqui? Esta aqui não é a sua estação!

- Como é que você sabe? Você nem perguntou pra onde eu ia.

Isso é bem verdade, percebo, estupefata.

- Mas... mas... – gaguejo. – Você viu minha passagem. Sabia que eu desceria em Souillac. E não disse que você também ia descer aqui.

- Não – James responde. – Não disse.

- Mas... por quê?

- Ginny. (...) A razão pelo qual não contei a você que eu desembarcaria em Souillac... além do fato de você não ter perguntado... é porque não sou um desconhecido qualquer que você conheceu em um trem.


Agora todo mundo matou a charada, certo? xD

Até o próximo capítulo, mas é para mandar reviews, okay?

Amo vocês!

Afetuosamente,

LL.