Capítulo 12:

Tudo fica melhor com um Kir Royale


"A fofoca é o ópio dos oprimidos."

- Erica Jong (1942-), educadora e escritora norte-americana.


História da Moda

MONOGRAFIA DE GINEVRA WEASLEY

As mulheres não eram as únicas interessadas em exibir a silhueta no início do século XIX. Este período registrou a introdução dos "dândis", seguidores do ícone da moda George "Beau" Brummell, um cavalheiro que fazia questão de que suas calças fossem justíssimas, como uma segunda pele, e que não tolerava nem uma única ruga em seu colete. O adereço de pescoço dos dândis consistia em uma gola tão alta que eles nem podiam virar a cabeça de um lado para o outro.

Não se sabe ao certo o número de cavalheiros que encontrou a morte por atravessar a rua na frente de uma carruagem que passava e que não foram capazes de ver.


Porque é óbvio que ele tem namorada. Ele é fabuloso demais para não ter... tirando o pequeno detalhe de não ter me dito logo que era o Harry.

O negócio é que ela realmente parece ser legal. Sem sombra de dúvida é linda, com todo aquele cabelo, os ombros magros bronzeados e pernas compridas igualmente bronzeadas. Ela usa uma camiseta regata preta bem simples e uma saia tipo hippie mais para comprida (nova, não vintage, que também parece cara) com chinelos de dedo incrustados de pedrarias. Com toda a certeza está em clima de férias.

Mas é possível que meu radar de moda esteja meio fraco, porque Dominique Desautels (que é o nome dela), assim como Di, é estrangeira. Ele é canadense. Franco-canadense. Trabalha no mesmo Ministério que Harry, como secretária, em Houston.

E os dois estão juntos há seis meses.

Pelo menos é o que consegui levantar depois do questionamento cuidadoso que fiz com os dois do banco de trás do Mercedes, antes da minha voz morrer.

Porque é muito difícil se concentrar em juntar informações sobre os dois quando estamos passando por paisagens tão lindas. O sol já se pôs, mas a lua nasceu. Então dá para ver os carvalhos enormes, com galhos retorcidos na direção da estrada, formando uma espécie de dossel de folhas por cima de nós. Estamos seguindo por uma estradinha interiorana de mão dupla cheia de curvas que acompanha um rio largo e borbulhante. É difícil saber, a julgar pelo cenário, onde estamos exatamente.

Nem quando estamos. A julgar pela ausência de postes telefônicos e de iluminação pública, poderíamos estar em qualquer século. Não só no XXI. Até passamos por um moinho antigo... Um moinho! Com uma daquelas enormes rodas de pás do lado! Com telhado de sapê e um jardim lindo.

Mas há luzes elétricas nas janelas do moinho, indicando que não estamos no século XIX.

Vejo até, vejo uma família lá dentro, sentada à mesa para o jantar.

Na casa de um moinho!

Passando por paisagens tão pitorescas, é muito difícil me lembrar de que estou deprimida porque o meu namorado revelou ter um problema com jogo.

Então saímos debaixo do dossel de folhas e vejo penhascos enormes avultando-se sobre nós, com castelos no topo e Harry explica que esta região da França (conhecida como Dordonha, por causa do rio) é famosa por seus castelos, já que tem mais de mil deles, além de suas cavernas, sendo que nas paredes de algumas há pinturas que remontam ao ano 15.000 a.C.

Então, Dominique completa que o Périgord, que é a parte da Dordonha em que estamos, também é conhecido pelas trufas negras e pelo foie gras. Mas eu mal estou escutando. É difícil não me distrair com a visão de altos muros fortificados: Harry explicou que pertencem ao antigo vilarejo medieval de Sarlat, e que podemos ir até lá fazer compras se eu quiser.

Compras! Acho que vai ser bem difícil terem brechós por aqui. Mas quem sabe exista alguma loja de roupas de segunda mão... Merlin, imagine os tesouros que devem estar à espera de alguém como eu! Givenchy, Dior, Chanel... vai SABER!

Então saímos da estrada e entramos no que parece ser uma trilha que serpenteia por uma montanha, muito íngreme e coberta de cascalho, tão estreita que mal dá para o carro passar. Aliás, os galhos batem nas laterais do veículo (e quase batem em mim também, até eu me acomodar no meio do assento traseiro).

Dominique repara quando me ajeito e diz:

- Você precisa mandar os empregados podarem as árvores antes de Olimpe chegar, Harry. Você sabe como ela é.

- Eu sei, eu sei – Harry vira então para mim e pergunta: - Está tudo bem aí atrás?

- Tudo certo. – Agarro a parte de trás dos assentos à minha frente. Estou sendo bastante jogada de um lado para o outro. A estradinha (se é que pode ser chamada assim) precisa de manutenção.

E, então, quando o carro que anda aos solavancos parece que não irá aguentar mais (e eu começo a imaginar se algum dia vamos chegar ao topo desta colina ou se os galhos vão arrancar nossas cabeças primeiro) atravessamos as últimas árvores e entramos em um platô amplo, coberto de grama, com vista para o vale lá embaixo. Tochas acesas ladeiam a entrada, conduzindo ao que parece ser (se meus olhos não me enganam), a mesma casa em que Mr. Darcy morava na versão de Orgulho e Preconceito do A&E.

Só que esta mansão é maior. E tem aparência mais elegante. Com mais construções ao redor.

E tem luz elétrica, que faz as aparentemente centenas de janelas brilharem forte em contraste com o céu azul acetinado. Além da entrada circular para carros, há um gramado extenso, salpicado de carvalho enormes e elegantes, uma piscina imensa (toda iluminada, brilhando como uma safira no meio da noite) e várias peças de mobília externa branca em ferro batido.

É o lugar mais perfeito para um casamento que já vi. Todo o gramado bem cuidado é rodeado por um muro baixo de pedra. Além do muro, que parece acabar com o ar rarefeito, só consigo enxergar uma enorme extensão de árvores iluminadas pelo luar, bem lá embaixo, e depois, à distância, mais uma encosta como esta em que estamos, coroada com um château bem no topo que poderia ser irmão deste aqui, com suas próprias luzes queimando no céu noturno.

É de tirar o fôlego. Literalmente. Percebo que parei de respirar ao olhar tudo isso.

Harry entra com o carro no caminho circular e desliga o motor. Só escuto os grilos.

- E aí? – ele pergunta, e se vira para trás. – O que você achou?

Estou, pela primeira vez na vida, sem palavras. Esta é uma ocasião histórica, mas acho que Harry nem faz ideia.

Os grilos soam muito altos no silêncio que se segue à pergunta. Continuo sem conseguir respirar.

- É isso mesmo – Dominique sai do carro e se dirige para as enormes portas de carvalho do château, carregando o porta-roupa nos braços. – Este é o efeito que este lugar geralmente causa nas pessoas. É lindo, não é?

Lindo? Lindo? É a mesma coisa que dizer que o Grand Canyon é grande.

- É o lugar mais lindo que vi na vida – digo, quando finalmente retomo a voz, depois que Dominique já entrou e Harry está me ajudando a tirar minhas malas do carro.

- É mesmo? – Harry abaixa os olhos verdes envolvidos pelo luar para mim. – Você acha?

Ele fica dizendo que não sabe contar piada. Mas tem que estar de brincadeira comigo. Não pode existir um lugar mais bonito do que este em todo o planeta.

- Totalmente – digo, mas isso parece não estar à altura do que vejo.

E, então, ouço vozes conhecidas vindas do terraço que dá vista para o vale.

- Será o Monsieur de Villiers, retornando de Paris? – Ron, saindo das sombras de uma das enormes árvores, quer saber. – Ah, mas é sim. E quem o acompanha?

Então, no meio do caminho, Ron para ao me reconhecer. É difícil saber, com a lua nas costas dele (e com a aba do boné da Universidade de Michigan por cima dos olhos, como sempre), mas acho que ele está sorrindo.

- Muito bem, muito bem – ele diz, de um jeito simpático. – Olhem só quem apareceu.

- O quê? – e Hermione surge atrás dele. – Ah, olá, Harry. Você recebeu o...

Daí a voz dela desaparece. E, um segundo depois, ela solta um berro estridente.

- GINNY? É VOCÊ?

Então, já está pulando pelo caminho de cascalho para cima de mim, e diz:

- Você veio! Você veio! Não acredito que você veio! Como foi que você chegou aqui? Harry, onde a encontrou?

- No trem – Harry sorri para o olhar de pânico que eu lanço por cima do ombro de Mione enquanto ela me abraça.

Mas ele não diz nada além disso. Bem como eu pedi.

- Mas isso é fantástico – Ron fala. – Quer dizer, que vocês dois, entre todas aquelas pessoas, se cruzassem...

- Não exatamente – Mione diz, sem se impressionar. – Quer dizer, levando em conta que eles eram provavelmente os dois únicos americanos vindo para Souillac...

- Ah, não me venha com mais um de seus discursos filosóficos a respeito da natureza da aleatoriedade – Ron diz a Mione, que o ignora, soltando-se de meu abraço. – POR FAVOR. – Para mim, ele exclama: - Mas por que você não ligou? Nós teríamos ido buscar você na estação.

- Eu liguei. Umas cem vezes. Mas só caía na caixa postal.

- É impossível – Mione tira o celular do bolso do short. – Estou com o meu... Ah. – Ela aperta os olhos para enxergar a tela ao luar. – Eu me esqueci de ligar hoje de manhã.

- Achei que você tivesse derrubado na privada – digo.

- Desta vez, não – Ron coloca o braço em volta dos meus ombros para me dar as boas-vindas. Ao fazê-lo, ele sussurra: - Tem alguém lá na Inglaterra que precisa levar uma surra? Porque, com Merlin como testemunha, vou até lá e chuto o bumbum pelado dele para você. É só me dar o sinal verde.

- Não – garanto a ele, dando uma risada um pouquinho magoada –, está tudo bem. Mesmo. A culpa é tanto minha quanto dele. Eu deveria ter escutado você. Tinha razão. Sempre tem razão.

- Nem sempre – Ron deixa o braço cair. – Só que às vezes em que o erro não ficam registradas na sua mente com tanta clareza quanto as que acerto. Ainda assim, pode pensar que sempre tenho razão, se quiser.

- Pare de torturar a Ginny, Ron – Mione diz. – Além do mais, quem se importa com o que aconteceu na Inglaterra? Agora ela está aqui. Tudo bem se ela ficar, certo, Harry?

- Não sei – Harry diz, em tom de piada. – Ela é uma garota esforçada? Não precisamos de mais nenhum folgado por aqui. Já temos este aqui. – Ele dá um tapinha no ombro de Ron.

- Hey – Ron retruca –, estou ajudando. Estou testando todas as bebidas alcoólicas para conferir a pureza antes de Madame Maxime chegar.

Hermione balança a cabeça para o namorado:

- Você é impossível. – Para Harry, diz: – Ginny continua ótima. Bem, melhor costurando. Se você tiver algum trabalho para costureira...

Harry parece surpreso de saber que sei costurar. Eu nunca contei a ele isso e a maior parte das pessoas se surpreende. Hoje em dia, existem poucos bruxos que sabem fazer isso bem.

- Pode ser que tenha – ele responde. – Vou conferir com, bem... Olimpe, quando ela chegar, amanhã. Mas, neste momento, acho que temos preocupações mais urgentes... Precisamos ajudar Ron a testar o álcool.

- Por aqui, senhoritas e cavalheiro – Ron indica, com uma reverência cortês, o caminho até o bar externo que ele aparentemente montou.

Mione e eu seguimos os rapazes pela grama fresca e levemente úmida. Ao nos aproximarmos do muro baixo de pedra, dou uma olhada na paisagem que se estende lá embaixo, no rio (bem como Ron prometeu) que reluz ao luar como uma longa cobra de prata. É tão lindo que sinto um nó na garganta. Sinto-me como se estivesse atordoada. Ou sonhando.

E não sou só eu.

- Não dá para acreditar nisto – Mione sussurra, ainda pendurada no meu braço. – O que aconteceu? Sei que estava bem bêbada da última vez que falei com você, mas achei que tivesse dito que ia tentar resolver as coisas com Di.

- É – sussurro em resposta. – Bom, tentei. Mas então descobri... ah, é uma longa história. Conto depois, quando – faço um sinal com a cabeça na direção de Harry e Ron – eles não estiverem por perto.

Mas é claro que Harry já conhece a maior parte da história.

Tudo bem, a história inteira.

E quero dizer inteira.

- Desculpe, Ginny. Eu deveria ter a avisado que estávamos na casa do Harry, mas como vocês são ex-namorados, achei que seria melhor você o evitar. Ele já causou muita dor a você. – Mione diz com culpa. Depois pergunta, cheia de preocupação, enrugando o bonito rosto: – Está tudo bem com você?

- Estou ótima – garanto a ela. – Mesmo. Antes, não estava, mas... – dou mais uma olhada na direção de Harry. – Bem, achei um ombro muito solidário para chorar. Foi bom encontrá-lo novamente.

Os olhos castanhos de Mione seguem os meus. Vejo as sobrancelhas dela se erguerem por baixo da franja cacheada. Fico imaginando o que ela deve estar pensando. Espero que não seja: Ah, coitadinha da Ginny, só falta ela estar apaixonada novamente pelo ex-namorado...

Porque eu não estou. Apaixonada por ele, quer dizer.

Mas a única coisa que ela diz, é:

- Bem, fico feliz por isso. Então não está mais com o coração partido?

- Sabe – respondo, pensativa –, acho que não. Só um pouco machucada, nada mais. Tudo bem, mesmo, eu ter vindo para cá? E o que é essa coisa que Ron falou a respeito de Madame Maxime chegar amanhã? A última vez que a vi ela foi quando estava no terceiro ano de Hogwarts, no Torneio Tri-Bruxo.

Mione faz uma careta.

- Ah. Longa história. Bem, Sirius há muito tempo atrás deixou Mirac para Harry, que deu metade da casa à Hagrid, para cuidar dela enquanto ele ia estudar nos Estados Unidos. Madame Maxime e Hagrid se casaram há uns seis anos atrás. Aí, não me pergunte o por quê, se desentenderam e resolveram se divorciar. Mas parece que ela, Madame Maxime, prometeu à sobrinha, há muito tempo, que ela poderia se casar em Mirac. Então, ela, Madame Maxime, quer dizer, vai chegar amanhã com a irmã dela, a sobrinha, o noivo... a família toda. Vai ser uma festa e tanto. Principalmente levando em conta que Madame Maxime e Hagrid mal se falam e Harry fica no meio da confusão toda. De acordo com Ron, Madame Maxime é uma espécie de megera.

Faço uma careta, lembrando do aviso de Dominique a respeito de que Harry precisa mandar podar os arbustos da entrada antes de Madame Maxime chegar.

- Então, eles não vão querer que eu fique aqui – sussurro, para me assegurar que Harry não escute. Eu digo "eles", mas na verdade quero dizer Harry, é claro. – Quer dizer, não quero invadir...

- Ginny, não tem absolutamente problema nenhum – Mione diz. – Este lugar é enorme, e tem lugar de sobra. Mesmo com a família inteira de Madame Maxime aqui, tem quarto de sobra. E vai ter muita coisa para fazer. Na verdade, é bom você estar aqui. A gente vai precisar de ajuda. Parece que esta sobrinha... Vicky... é algum tipo de socialite texana. Ela já obrigou Harry a fazer toda a viagem de ida e volta a Paris para buscar o vestido na costureira chique dela, e ainda nem chegou. Além do mais, parece que convidou metade de Houston para o casamento, inclusive a banda de garagem do irmão, que acabou de assinar algum tipo de contrato com uma gravadora que vai ficar muito famosa. Então, não vai ser exatamente um casamento só para íntimos.

- Ah, se é assim... Porque realmente não consegui pensar em mais nada além de vir para cá. Eu não podia voltar para casa...

- Claro que não – Mione diz, em tom horrorizado. – Seus irmãos iam fazer a festa!

- Eu sei – respondo. – Então, simplesmente achei que... bem, você disse que estaria tudo bem se eu viesse para cá.

- Fico tão contente por você ter vindo... Quer dizer, olhe só para os dois. – Mione faz um sinal com a cabeça para o namorado e Harry, que se afastaram até uma mesa de ferro batido e estão misturando algum tipo de fórmula em taças compridas de champanhe. – Parecem gêmeos separados no nascimento. Só falam, falam e falam sobre todos os assuntos imagináveis: Aurores, Quadribol, cerveja, conhecidos que não viram mais, os bons tempos da escola. Antes eu não me importava, mas ando me sentindo totalmente como se estivesse segurando vela – ela me abraça. – Mas agora tenho a minha própria amiga para ficar conversando.

- Bem – digo, com um sorriso –, você sabe que sempre estou a postos para uma conversa. Mas e a namorada de Harry, Dominique? Não dá para conversar com ela?

Mione faz careta.

- Claro, se você quiser conversar a respeito de Dominique.

- Ah, eu tive levemente essa impressão, por causa dos chinelos de dedos.

- É mesmo? – Mione parece um pouco interessada. Porém, ela nem sempre valorizou minhas análises de moda. – Você captou uma vibração ruim entre eles?

- Não – apresso-me em dizer. – Não foi nada disso. Mas parece que ela está se esforçando demais. Tudo bem, ela é canadense. Acho que o meu radar não funciona muito bem quando a pessoa é estrangeira.

Mione faz outra careta.

- Está falando do Di? É, bem, sempre fiquei me perguntando o que você viu nele. Mas não está errada a respeito de Dominique. Aqueles chinelos? São Manolo Blahnik.

- Não! – Sei, por causa das minhas leituras de Vogue, que chinelos de dedo Manolo Blahnik podem custar mais de quarenta galeões. – Merlin. Sempre fiquei imaginando quem comprava isso...

- Hey, você duas. – Ron atravessa o gramado iluminado pelo luar na nossa direção. – Não vão fugir de suas tarefas. Temos álcool para ser inspecionado.

- Espere – Harry está um passo atrás dele. – Estou aqui com a primeira amostra de teste para elas – e entrega para cada uma de nós uma flûte de champanhe cheia de um líquido borbulhante. – Kir Royales – ele diz –, feitos com champanhe produzido aqui mesmo, em Mirac.

Não sei o que é um Kir Royale, mas estou disposta a experimentar. Dominique aparece e exige um copo também.

- Ao que vamos brindar? – ela pergunta, erguendo a taça.

- Que tal aos acasos do destino? – Harry sugere.

Sorrio para ele à distância da grama que nos separa.

- Para mim, parece bom – digo, e todos nós brindamos. Então, tomo um gole.

Parece que estou bebendo Felix Felicis. Os sabores misturados de fruta silvestre, luz do sol, ouro líquido e champanhe dançam na minha língua. Acontece que Kir Royale é champanhe misturado com algum tipo de licor... de cassis, Mione explica, que é um tipo de frutinha silvestre.

- Agora, fale uma coisa para mim – Mione diz, quando termina seu comentário relativo ao cassis.

- O quê? – A esta altura, estou praticamente convencida de que isto tudo é um sonho e alguma hora vou acordar. Mas, até que o momento chegue, planejo me divertir.

- O que Harry quis dizer com aquele brinde? De acasos do destino e tudo o mais?

- Ah – dou uma olhada para ele, no lugar onde está dando risada com Ron –, não sei. Nada.

Hermione aperta os olhos para mim.

- Não venha com esta de nada para cima de mim, Ginny. Pode contar. O que aconteceu naquele trem?

- Nada! – exclamo, rindo um pouco para mim mesma. – Bem, quer dizer, eu estava chateada... sabe como é, por causa do Di. E chorei um pouco. Mas, como eu disse, ele foi muito solidário.

Mione apenas balança a cabeça.

- Tem mais coisa nessa história. Tem alguma coisa que você não está me dizendo. Eu sei.

- Não tem – garanto a ela.

- Bem, se tiver, sei que vou acabar descobrindo. Você nunca conseguiu guardar um segredo na vida.

Só dou risada para ela. Existem, sim, alguns segredos que consegui guardar dela até agora. E não planejo entregar tudo no futuro próximo.

Mas a única coisa que digo é:

- Sério, Mione, não aconteceu nada.

O que é, basicamente, a verdade.

Um pouco depois, caminho até o muro baixinho de pedra e fico lá parada, tentando absorver tudo aquilo: o vale, a lua subindo por cima do telhado do château na frente do nosso, o céu noturno estrelado, os grilos, o cheiro adocicado de alguma flor que desabrocha à noite.

É coisa demais. Isto tudo é demais. Sair daquela salinha horrorosa do Ministério para vir parar aqui, tudo em um único dia...

Ao meu lado, Harry, que de algum modo conseguiu se desvencilhar de Ron e Dominique por um minuto, pergunta baixinho, enquanto me entrega outro copo de Kir Royale:

- Está melhor agora?

- Estou chegando lá – respondo, bebendo um golinho. Sorrio para ele. – Não tenho como agradecer por me deixar ficar aqui depois de tudo. E obrigada por... sabe como é. Não ter contado nada para eles.

Ele parece verdadeiramente surpreso.

- Claro que não. Para que servem os amigos?

Amigos. Então é isso que agora somos.

E, de algum modo, ali sob aquele luar, brindando com Kir Royales? É mais do que suficiente.


N/A:

Olá, leitores!

Agora, já na França, nova fase! Atualizei rapidinho dessa vez, não? xD

Obrigada as minhas companheiras fofas e que me dão apoio moral para continuar firme aqui: Danda Jabur, oOLivia McCartneyOo e Bibiska Radcliffe! Amo vocês, garotas. Continuem firmes aqui!

E obrigada a quem leu aí! Deixem seus coments para eu atualizar de novo, pois só vou se comentarem, okay?

Boa semana, pessoas!

Afetuosamente,

LL.