Capítulo 5. O soco e a ruína

--Remus Lupin? Você que dizer o Remus Lupin amigo do James Potter, do Sirius…

--Black e do Peter Pettigrew, esse mesmo. Que outro Remus Lupin seria?

Sirius andava com a capa de James, fora lanchar fora de hora na cozinha. Parou atrás da armadura para ouvir as duas garotas com um solavanco no estômago. Se elas soubessem do segredo de Remus…

--Mas e o Sirius Black? Ela não namorou ele?

--Namorou, você sabe.

--Então é por isso que eles não andam mais juntos?

--Acredito que sim. Ouvi dizer que o Sirius Black deu um soco nele.

Era só fofoca. Teve a impressão de reconhecer uma das vozes… Sentou-se no chão, por algum motivo ele quis saber o que elas diriam do dia catastrófico em que ele dera um soco em um de seus melhores amigos.

--Então foi isso? Eu vi acontecer! Faz um mês eu acho, ou mais… o Black deu um soco de verdade no Lupin, logo depois do jogo. Ninguém entendeu o porquê. Também não prestaram muita atenção porque foi quando a Evans azarou o Potter.

--Uau! E eu perdi tudo isso!

As duas riram. Sirius se sentiu irritado.

--E no sábado passado, depois do jogo de novo os três ficaram pra trás da multidão. Eu vi.

--A McKinnon, o Lupin e o Black?

--É. Primeiro só a McKinnon e o Black, mas eu vi o Lupin voltando também…

--Nossa!

--É!!

Ficaram quietas um pouco, Sirius pensando na propensão que certas garotas tinham para futilidades…

--Bom, uma coisa não se pode negar: a McKinnon tem bom gosto...

--Bom gosto e muita sorte. Pensa só: Black e Lupin em menos de seis meses…

--Uma vaca.

--É, pode até ser. Mas bem que eu aceitaria ser chamada de vaca se fosse pra ficar com aqueles dois…

Sirius segurou o riso.

--Ai, Gladis! Não fala assim!

--Ora, e não é?

--Eu me contentaria com o Sirius Black, sabe…

Mais risinhos...

--O que eles viram nela, afinal?

--Eu não faço idéia! – disse a outra, o tom incrédulo. – Ela é tão grossa! Vive azarando as pessoas pelo corredor…!

--Lembra quando ela deu um soco naquele garoto, no terceiro ano?

Sirius segurou mais o riso.

--E não foi o único! Já vi ela azarando o Joseph Bones.

--Ah, não… aquele garoto lindo que era da Lufa-Lufa?

--Esse mesmo… se formou faz dois anos…

--Por Merlim… garota estranha…

--Briguenta demais.

Ficaram um tempo quietas. Sirius se levantou para ir, ainda risonho, e pôde ouvir mais um pouco das fofocas:

--Você acha ela bonita?

--Ah, não sei. Os garotos dizem que ela é, mas ela é esquisita.

--Não gosto dela.

--Nem eu.

As vozes irritantes morreram quando ele virou o corredor. Lembrou-se do comentado soco…

Aconteceu num dia de outono, mas não chovia. O céu era cinza, sem Sol.

E foi tudo num segundo. Ela ia pegar a bola dele. Ia tomar a bola de Diggory com facilidade e graciosamente, já que o garoto ficou olhando para ela feito besta. Sirius mandou um balaço direto no estômago dele para ver se ele acordava e parava de tentar paquerar sua amiga no meio do jogo. Sua agressividade andava meio que à tona. "Culpa da Marlene". Mas Arnold Bones, o batedor da Lufa-Lufa, não rebateu o balaço que ele mandou em Diggory, porque estava ocupado mandando um em Marlene, para que ela perdesse a posse da goles. A nova batedora, Ogden, da Grifinória, e o tal do Perks pareciam competir entre si pra ver quem ficava mais parado. O jogo estava mesmo bem entediante. Ele assumiu a tarefa, então, pra jogar o tédio pelos ares, de não deixar que o próprio balaço mandado por ele aleijasse Diggory ao mesmo tempo que salvasse Marlene do outro balaço que ia direto para a sua cabeça.

Olhou para James. Foram milésimos de segundos. Voou para o balaço de Diggory, sua vassoura vibrando com a velocidade, as arquibancadas parecendo tomar conhecimento da situação pelos gritos que se ouvia. Ele rebateu o balaço então para o balaço de Marene, os dois colidiram e, como previra em seus cálculos, desviaram para longe da cabeça de Marlene.

Mas foram bater no cabo da vassoura dela, na ponta. Marlene desequilibrou-se e caiu da vassoura, a torcida gemeu. Estavam a pelo menos seis metros do chão…

Sirius gritou "não!" ao mesmo tempo que a torcida da Grifinória urrou "James é o vencedor". Ele pegara o pomo. Sirius voou para Marlene, agora a três metros do chão… ele segurou sua mão e a puxou com força para cima, as arquibancadas explodindo… o jogo acabara, mas o espetáculo, não…

Quando James veio com o pomo e Sirius com Marlene foi como se houvesse show e não jogo, e platéia ao invés de torcida. Aplaudiam com entusiasmo. As garotas gritavam alucinadas pelos heróis da Grificinória…

Os mais sensatos chamavam de exibicionismo, mas ainda assim sorriam. Quem estava perto de Lílian Evans a ouviu bufar, indignada porque fora Sirius que colocara Marlene em perigo para então salvá-la. E James só pegara uma bolinha, de um jeito charmoso, ela admitiu internamente, mas só pegara uma bolinha.

Remus correu até eles aliviado, temeu por um momento que Marlene fosse parar outra vez na enfermaria. Abraçou-a aos pulos, sorrindo de lado, a garota radiante gritando "vencemos! Vencemos!" O primeiro jogo dela como capitã do time. Ela pulou abraçando os colegas da equipe, sorrindo radiante. Então voltou-se de novo para Remus, abraçando-o mais uma vez.

Sirius não entendeu… mais um abraço? E não era uma abraço comum, não era mesmo. Foi carinhoso demais… Será que o que Frank confessara suspeitar mais cedo era verdade…?

Ele puxou Marlene dos braços de Remus.

--Ei, eu que te salvei! – disse ilogicamente, gritando para ser ouvido e desviando das garotas que pulululavam a sua frente tentando arrancar atenção.

--Você que me meteu em encrenca. – foi a resposta aguda dela. Mas sorria, sorria daquela jeito esperto dela, que para Sirius só significava uma coisa: ela era sua. Tinha que ser sua.

Mas ela virou-se para Remus e o abraçou de novo.

--Sai.- foi tudo o que Sirius disse. Não entendeu da onde saiu aquela palavra, nem a raiva que que irradiava Remus através de seus olhos. Puxou Marlene de novo. Ela arregalou os olhos para Sirius e ficou tentando entender desde quando ele voltara a ter cinco anos de idade e achara que ela fosse um brinquedinho dele.

--Sirius, a gente tá junto. – Ela pensou que talvez ele não soubesse e por isso agiu assim. Foi a única e parca lógica que encontrou.

Remus os olhava assustado. Seus olhos pareciam obscurecidos por um tipo estranho de tristeza.

"Sirius a gente 'tá junto". É, foi o que ele ouviu. Então era verdade, Frank estava certo… E ele, Sirius, não quis acreditar porque pensou que Remus não fosse capaz de fazer aquilo com ele… Muito menos Marlene… Cerrou o maxilar.

Agiu, então, de um jeito que não agiria com um amigo.

Cerrou os punhos.

Foi muito estranho. Foi o ápice histórico da conhecida impulsividade de Sirius Black.

Ele deu um soco em Remus Lupin.

O garoto caiu no chão.

A sorte foi que havia ainda muito barulho, pensaram que Remus tinha caído por causa da bagunça e o ajudaram a se levantar sem notar o sangue que escorria por sua boca. Além disso, a multidão toda olhava para James, na hora eles nem souberam o porquê.

Não doeu na hora, o soco. Remus achou surreal de tão rápida a cena. O ruim foi o sangue, não dava para respirar direito… A dor mesmo veio porque Sirius era seu amigo. Sentiu gosto de sangue, culpa, medo e decepção.

Em pé, Remus virou as costas e saiu andando, enxugando o rosto com as costas da mão. Saiu a largos passos, sem saber aonde ia, sem entender… precisa sair dali… Seu grande amigo, seu irmão, seu companheiro… dera um soco nele. Sentiu muita raiva de Sirius. Ele mesmo perguntou mais de uma vez, com certeza, quando o namoro entre ele e Marlene acabou, o que se passava entre os dois. "Somos amigos e só", ele respondia com veemência. Até ria as vezes, como se a pergunta fosse boba… No entanto, agora…

Agora ele enxergara nos olhos de Sirius o que sempre evitara enxergar: ele também queria Marlene. Ele ainda queria Marlene.

Quando o barulho que vinha do campo diminuiu ele pôde ouvir os passos apressados de Marlene sobre a grama, e a passada pesada de Sirius. Marlene chamou por "Remo" duas ou três vezes…

Por algum motivo bem incômodo ele foi parar no lugar que mais o fazia pensar em seus amigos: a frondosa faia à beira do lago. Ela balançava com vento agora… Ele olhou para Sirius e Marlene.

Sirius estava pálido. Com um aperto no peito ele pensou que talvez seu amigo estivesse tão decepcionado quanto ele…

Marlene tinha desespeto no olhar. Nenhum deles falou. Era como se fosse a vez de Remus falar.

Ele se virou de novo para o lago e ficou olhando os desenhos que o vento fazia na superfície da água, o sangue escorria pelo seu queixo… o gosto na boca, o gosto de apanhar de um de seus melhores amigos…

Fechou e abriu os olhos, percebendo que era observado, tentando enxergar razão naquilo mas ela escorregava entre seus dedos. O que conseguiu organizar mentalmente é que aquilo era assunto dele e de Sirius. Marlene não devia estar ali.

--Marlene, deixa a gente aqui. Quero falar com o Remus. – Não, não foi a voz de Remus. Sirius quem disse o que ele pensou.

Marlene o olhou, como que perguntando o que fazer.

--Deixa a gente, Lene.

A garota murmurou um "mas eu…" mas se calou rapidamente. Pareceu entender que estava fora de lugar. Então ela se aproximou de Remus e conjurou um lenço branco sem dizer palavra e sem tirar os olhos dos dele. Ela limpou carinhosamente o seu rosto, olhando-o preocupada, mas não parecia ter pressa. Sirius ficou mirando o lago com uma careta de dor. Quando Marlene disse um "vejo você depois, Rem", Sirius olhou pra ela e seus olhos se encontraram. Os dois desviaram rapidamente, Marlene estremeceu de raiva, Sirius suspirou olhando o chão, parecia completamente arrasado.

Ficaram quietos até que os passos fortes de Marlene não pudessem ser ouvidos e o silêncio recaiu sobre eles pesadamente.

Sirius ergueu o rosto para Remus, que se virou para ele. Sirius estava pálido. Remus tinha um semblante indecifrável.

--Me desculpa, cara. – Sirius começou, a voz vacilante parecendo vir de longe – é muito estranho pra mim. Isso tudo. Ela não me trata como tratava antes, eu… ando… ando meio estranho… E agora… agora vocês dois… - sua voz saiu muito controlada no fim da frase.

Remus fechou e abriu os olhos. Não conseguiu, tentou, mas não conseguiu deixar a raiva de lado.

--Talvez ajudasse se você parar de pensar que ela é sua! – Remus o olhou fundo nos olhos. Sirius franziu a testa para o amigo… estranhou o ataque, não imaginou que veria Remus Lupin atacar assim… atacar ele… Sentiu a raiva novamente obscurecer a razão e apagar a vergonha.

--O que você sabe sobre ela, Remus? Você pensa que sabe mais sobre ela do que eu? – Sirius quase gritou, o impulso já quase o vencendo.

--Tudo indica que eu sei, sim. – Remus exalou raiva pelo olhar, a voz contida.

Tratavam-se como estranhos. Sirius fechava e abria os punhos, o maxilar tremendo de tão fortemente cerrado.

--Você não sabe. – disse ele entre os dentes.

--Por que, Sirius? – Remus alteou a voz, a fúria consumindo-o – Por que eu não sei e do que é que eu não sei? – os olhos dele não mais piscavam. O mel revistava o negro e vice-e-versa, sem deslizes, sem piedade.

Sirius o olhou como se fosse enterrar uma espada em seu coração, como se num desafio final.

--A Marlene gosta de mim, Remus.

O ar escapou de Remus. Não que ele acreditou de imediato nas palavras de Sirius, sabia que aquilo era um apelo desesperado dele, a loucura por querer Marlene de volta. Mas porque aquelas palavras refletiam exatamente o medo que vinha sentindo desde que se apaixonara pela garota. Ele tremia agora, de raiva, de medo, de raiva por sentir medo.

Os olhos negro-acinzentados do amigo vacilaram, foi como se ele repensasse a apunhalada final, como se uma sombra de dúvida contorcesse seu rosto. A raiva do medo.

--Ela gosta? – Remus falou baixo, controlou-se para se defender, ainda que se sentisse derrotado só pelo fato de Sirius querer apunhalá-lo. – Então por que ela 'tá comigo, Sirius? Por que ela 'tá comigo e não com você?

Sirius balbuciou e firmou o maxilar ainda mais antes de responder e agora, sem dúvida, Remus enxergou uma sombra pelo rosto bonito do amigo. O medo.

--Por que ela 'tá confusa! – ele cuspiu as palavras mal encarando Remus.

O medo era dono dos dois agora. Eram jovens demais para entender isso. Acontecera cedo demais.

Remus respirou fundo, um suspiro tremido, tentando agarrar a razão que insistia em fugir… em se esconder…

--Só por que você esteve confuso todos esses anos e deixou Marlene escapar das suas mãos, não siginifica que ela sinta o mesmo! – bradou ele.

--Remus, eu sou o melhor amigo dela, eu sei o que se passa com ela! – Sirius não tinha mais ódio no olhar, era desespero.

Remus fechou os olhos. Aquilo não ia levar a nada… ele tinha que se controlar…

--Certo, Sirius. Certo. Você a conhece melhor que eu, pode até ser. – então ele ergueu um braço gesticulando como se tentasse fazer Sirius entender. – Mas ela é minha namorada agora. Você tem que respeitar isso! – Ele já estava alteando a voz de novo. Respirou fundo e mirou os olhos do amigo com mais intensidade. – Sirius, esquece a Marlene.

Sirius pareceu estupefato. Sentiu-se confuso porque pareceu que Remus achava que ele amava Marlene, ou algo assim, assumidamente. Não era verdade, ele até já tinha pensado sobre o assunto, mas decidira adiar. Ele nunca disse aquilo, nunca disse que a amava…

Remus ofegava.

--Eu não amo a Lene, se é isso que você 'tá pensando.- Sirius estava visivelmente confuso.

--O quê? – perguntou Remus em algo que se misturava a cólera alucinada e a total incompreensão.

Mas pudera. Logo aquele assunto, aquele que ele tanto adiava na própria cabeça, vir à tona assim, no meio de uma briga… era de deixar maluco… Como é que ele poderia ser claro? Como Remus entenderia se nem ele mesmo entendia?

--Sirius, larga de ser idiota! – explodiu Remus agora em absoluta cólera. – O que você quer, afinal? Você 'tá brigando comigo pela Marlene mas diz que não a quer…? – ele ofegou e virou bruscamente o rosto para o lago.

--Eu a quero como amiga… - disse Sirius em tom óbvio, a raiva por ser chamado de idiota e se sentir, de fato, idiota.

--Ótimo. – Remo riu de um jeito febril. – Ótimo. Levei um soco porque você quer ser amigo da minha namorada?

Sirius o olhou fulminando, o rosto ficando vermelho.

--Ela era minha namorada há pouco tempo e você não respeitou isso! – ele agitou as mãos ao lado do corpo.

--Então você quer que ela volte a ser sua namorada? – O olhar de Remus ainda lhe pareceu febril.

--Não! – bradou Sirius, mas seu coração vacilou.

Remus passou a mão pelos cabelos nervosamente. Quando olhou Sirius, tinha assumido um olhar compreensivo e imparcial que se parecia com o que assumia quando tinha que opinar sobre o mau comportamento dele e de James. A razão parecia finalmente ter voltado para ele, a raiva deixara poucos resquícios no tom de voz:

--Sirius, nem você mesmo sabe o que quer, então não vem brigar comigo por algo que você não entende. Não vem querer me bater sem antes saber quem é o culpado.

Remus se virou e foi andando em direção ao castelo. Era isso. Sirius teve medo quando viu Marlene com outro, porque não sabia mais o que sentia por ela. Como sempre, então, ele seguiu o primeiro impulso que sentiu: o impulso de culpar alguém pelo sentimento de perda. O impulso de dar um soco nele.

Sirius largou um urro de raiva e chutou a faia. Seu pé latejou, ele se jogou sob a árvore, recostado, a raiva o fazendo tremer. Pensou em Remus e que ele conseguira se acalmar no fim da briga. Pensou em como ele mesmo jamais teria essa capacidade. Lembrou-se que, inclusive, deu um soco no seu calmo amigo. Sentiu-se sujo, culpado… "Nem mesmo você sabe o que quer", ele falou. Culpado…

Como é que ele fora tão burro e por tanto tempo? "Eu não amo a Lene". Quando? Quando ele não a amou?

Quando ele não sabia que se chamava amor.

Óbvio, absolutamente claro.

Como votar atrás? Segurar Marlene forte em seus braços, para que ela nunca mais fosse embora…

Tarde demais… Ela se apaixonara por Remus Lupin, o Remus, o Moony.

"Pede perdão pra ele", foi o que James lhe disse cedo no dia seguinte, o rosto sério e preocupado. Então Sirius disse que já pedira desculpas, mas James insistiu "pede perdão pra ele, cara. Você bateu nele, bateu no Moony."

Então ele estava indo pedir perdão. E não só porque James pedira… Não importava se Remus o tivesse magoado também, ele mal se lembrava… Lembrava-se só da sujeira que sentiu em seu corpo quando o tratou daquele jeito… era o Remus, era o Moony. Tinha que consertar as coisas.

A senha era "acromântula", e ele entrou pelo retrato. Lembrou que a Sala Comunal estava cheia, Remus sentara-se a um canto com Marlene, ele parecia estudar, ela olhava a janela daquele jeito distraído dela.

Ele conseguiu ir até lá e pedir perdão. Conseguiu dizer que não devia ter batido nele, nunca. Que estava muito arrependido. "Você é um dos meus melhores amigos, cara." Remus sorriu daquele jeito cansado dele e disse que o perdoaria, e que aquilo era claro, porque ele também era um dos seus melhores amigos.

Sirius conseguiu até blefar que não ía mais atrapalhar a vida dele com Marlene. "Vou deixar vocês em paz, não sei onde 'tava com a cabeça…"

Foi quando Marlene emergiu da vista da janela e ergueu os grande e brilhantes olhos castanho-esverdeados para ele, num jeito de susto que ele não conseguiu descrever. Ele se pegou pensando depois, no que ela dissera por aquele olhar, no que ela pensara quando o viu tentando desistir dela. Porque aquele maldito olhar não permitiu que o fogo que ardia em seu peito, queimando pelo nome dela, se apagasse. Aquele maldito olhar foi como lenha para as chamas…

E ele até tinha dito que ia deixar os dois em paz…

Ele padeceria eternamente. Um dia ele ia padecer, a ruína recairia sobre ele… Marlene e seu maldito olhar

Quando chegou a Sala Comunal naquela noite, ela estava lá… Olhou-o e fingiu não ver. Desde a última conversa dele com Remus, no dormitório, a garota o evitava. Ela o considerava culpado, como sempre, pelo erro das coisas. Por esse jeito impulsivo dele… Mas para ele que a culpa era do olhar dela, que dizia bem o oposto do que ela falava.

N.A.: tá meio bagunçado, né? prometo q vou melhorar... mas IMPLORO por reviews!! como é q eu vou saber se alguém pelo menos tá lendo isso??