O amor faz dessas coisas
O amor faz dessas coisas. Ele faz com que a gente mesmo se machuque e pense q foi machucado por algum outro coitado que provavelmente também saiu ferido. Talvez o amor, em si, já seja um machucado.
Andava margeando o lago, sozinho como por vezes escolhia estar, o inverno se fazendo presente, os pensamentos em turbilhão. Remus lembrou a conversa que teve com Sirius, as coisas que ele dissera... o modo como seu amigo agiu, fugindo a tudo que ele considerava saber sobre Sirius Black. Naquele dia cheio de vento, no dormitório enquanto uma garota molhada o esperava.
--Remus. – a voz dele saiu séria, como nunca ouvira antes. Ele olhou para trás, para o dono da voz. Sirius o tinha seguido até o dormitório. Quando seus olhos se encontraram, ambos se surpreenderam. Sirius não esperava que houvesse medo no olhar do amigo, e Remus admirou-se que Sirius parecesse tão sóbrio. Esperou que ele falasse então, paciente como sempre fora.
Sirius estreitou os olhos, era como se ele estivesse começando a entender alguma coisa…
É que agora ele viu, ali nos olhos de Remus, a situação de outro ângulo, o ângulo em que ele, Sirius, não era o centro. Viu a expressão de Remus, sempre serena, os olhos o esperando, sempre sensatos. O medo presente de novo, Sirius sentiu medo também… E se Remus fosse o melhor para ela?
Engoliu em seco.
--Eu não sei. – as palavras que eram mais para si mesmo saíram num sussurro rouco e dolorido.
--Não sabe o quê? – disse Remus, cansado. Cansado de ser tão paciente…
--Não sei se sou mesmo o melhor pra ela – ele fechou e abriu os olhos. – Na verdade – agora ele fez como se sentisse um gosto muito ruim – Na verdade eu sei que você é melhor que eu. – Ele desviou o olhar para um armário ao lado, mas percebeu que Remus o olhava. Firmou o corpo no chão, porque era a hora de encarar os fatos, de parar de sonhar… - O que eu não sei é se tenho coragem o suficiente pra deixar que ela decida entre nós dois.
Pareceu mentira quando ele disse, porque era a última coisa que os dois esperavam que acontecesse. Se alguém ali fosse chamar à razão, seria Remus, o cara sensato da turma. Não Sirius, o impulsivo Sirius.
Mas ele o fez. Talvez por que doesse muito esperar que alguém jogasse a água fria sobre ele, ele mesmo se molhou com ela. Porque de fato, em fatos, era isso. Era deixá-la escolher. Os dois se sujeitariam à escolha dela irremediavelmente, ele sabia.
Olhou Remus. Ele também soube, estava nas mãos de Marlene. Olhava Sirius como se estivesse com dor, o cenho comprimido sobre os olhos cor de mel.
Sirius sentiu uma ardência nos olhos, uma pressão na garganta. Sentiu-se idiota, porque uma coisa lhe pareceu óbvia.
--Ela já escolheu, certo? – a voz rouca dele mal saía. Os olhos negros brilharam refletindo a luz do archote precocemente acendido porque o dia escurecera cedo demais. – Escolheu você, Remus, eu é que fui burro e não percebi.
Ele fez menção de se virar. Mas viu que Remus abrira a boca. Ele não o olhava mais com a admiração e o cenho desfranzira-se. Havia um certo fulgor no olhar dele, como se fosse raiva. Como no dia sob a faia quando Sirius disse coisas sem sentido, só que menos inflamado.
--Não, Sirius. Ela não me escolheu. – ele começou, a voz meio abafada. – ela não 'tá bem, vc tinha razão, ela 'tá confusa. Ela sente falta de você. – ele sacudiu a cabeça, nervoso. – Você é tão burro! – ele quase gritou. – E eu sou ainda mais! Por pensar que eu tivesse chance, por pensar que ela fosse deixar você, de verdade. – ele começou a andar pelo quarto, as mão na cabeça. – agora eu vejo! Os momentos em que ela se chateia, quando ela fica triste ou distraída… - ele olhou Sirius com raiva, o amigo parecia em choque, não mexia um dedo, parecia petrificado. – É VOCÊ! – ele bradou. – É óbvio que é por sua causa!!
Agora pareceu óbvio para ele, Marlene escolheria Sirius. Ela só não sabia como dizer isso a Remus, não sabia como largar seu orgulho e ir falar com Sirius. A história dos dois sempre fora complicada… E ele inventou de se meter… como se tivesse chance…
Como ele podia ser tão burro? Como ele pôde pensar que Marlene escolheria ele ao invés de Sirius? Um lobisomen, um monstro, ao invés de um garoto perfeitamente normal que todos sabiam amá-la mesmo quando ele não admitia?
Como Sirius podia ser tão burro em temer isso? Como ele podia ficar lá parado, dizendo que Marlene escolheria ter uma vida ao lado de um monstro?
--Sirius você é um imbecil! – Remus bradou de novo, a raiva e o medo…
Sirius sentara numa cama, olhando Remus como se fosse de outro mundo, respirando fundo. Ele não soube o que dizer, então mandou Remus calar a boca. Porque ele tinha mesmo que calar… deixar Sirius ali sozinho, com a verdade que ele tinha que encarar, ele tinha que ir embora com as mentiras dele… Porque a verdade é que Marlene o deixara. A verdade é que Marlene foi embora com Remus, e ele tinha que deixá-lo sozinho, como ele já se sentia.
E ele o deixou. Remus fechou a porta com força ao sair. Sirius molhando os lençóis com o uniforme, o rosto contorcido pela confusão, pela raiva, pela loucura que era aquilo tudo… tudo por causa de uma garota.
Remus desceu as ecadas, pisando de dois em dois degraus… pensando que teria que dizer adeus para Marlene… pensando que teria que fugir dela… encarar a verdade e a real solidão…
Um pedaço dele estava meio morto. Marlene era a melhor parte, ela o escolhera, enfim, mas tinha aquele pedaço meio morto. Ficar com ela era maravilhoso, inacreditável de tão bom. Mas alguma coisa foi tirada dele… ou ele só percebeu que nunca teve essa coisa agora, com ela ali do seu lado, toda completa, toda perfeitinha.
Ele era um lobisomen.
Não foi culpa de Sirius que ele se sentisse assim. Ele devia ter se sentido assim antes, antes de se apaixonar por Marlene. Para não se apaixonar por ela.
Será que ele teria conseguido evitar?
Marlene achou que era culpa de Sirius ele querer fugir dela, e Remus aceitou que ela o culpasse, ele não a desmentiu naquele dia perto da passagem secreta. Traiu seu amigo. De novo. Porque já o traíra quando fingiu para si mesmo que Sirius não amava Marlene.
Mas é que ele a queria tanrto… Tanto que ele fez coisas ruins. Ele perdia a cabeça, perdia o controle. Quando ele percebeu isso, jurou nunca mais amar ninguém a ponto de perder o controle. Um lobisomen simplesmente não pode perder o controle.
Ele jurou solenemente.
E fracassou quase que agressivamente, porque nem mesmo conseguiu deixar de amar quem já o fizera perder o controle. Marlene… ela pensou que era culpa de Siriua e ele, descontrolado, não a desmentiu. Ele nem mesmo fugiu como pretendia. Ele continuou com ela, um lobisomen totalmente fora do controle…
Lembrou-se de uma noite de primavera longa e descontrolada que no fim ele conseguiu controlar. Às vezes, ele era abençoado.
Ele tal qual uma foto em preto e branco, as vestes negras como tudo o que não era branco nele. Ela a seu lado, toda cores, um vestido entre vermelho e violeta, os cabelos numa trança longa entre dourado e castanho. Tão linda… o cólo e os ombros a mostra, umas pintinhas cor de caramelo aqui e ali.
Os dois conversavam absortos, próximos à mesa de bebidas, a uns seis metros de onde ele os observava por trás de seu copo.
Viera com ela ao baile, ele a convidou com a desculpa de não querer convidar, como sempre acabava fazendo, uma das amigas das acompanhantes de James ou de Sirius. Pouco depois do início do baile, Sirius já a tirara para dançar, agora conversavam…
Ela mexia sutilmente os ombros ao som do blues que a banda tocava. Até vista, assim, de longe, entre os goles que sorvia de Hidromel, disfarçadamente, era simplesmente… apaixonante.
Viu Sirius executar a velha mania que tinha de segurar o antebraço dela, perto do cotovelo, para que se aproximasse e ele sussurrasse alguma coisa em seu ouvido. Sentiu um aperto no estômago, como falta de ar. Talvez Sirius gostasse dela…
Uma mão grande e magra apoiou-se em seu ombro com força, ele virou o rosto para ver James, os olhos castanho-esverdeados bem abertos.
--Cara, olha a Evans!
Remus riu da cara de bobo do amigo, vislumbrado com a ruiva que passava a frente deles agora, de fato muito bonita. Ele largou uma emburrada Dorcas Meadowes sua acompanhante, ao lado da frustrada Rose Frobrisher, acompanhante de Sirius, para ir desembestado atrás de Lílian Evans.
Frobrisher pareceu se ofender ainda mais porque segurou Dorcas pelo braço e andou na direção de Sirius a passos pesados.
Ele olhou o casal de novo. Bem na hora, como se tivesse sentido o seu olhar, como se ouvisse o chamado de seus pensamentos, Marlene o olhou. Ela sorriu.Remus sentiu como se algo dentro dele derretesse, ou como se suas pernas ficassem mais frágeis de repente.
Então viu-a sobressaltar-se com o súbito aparecimento de Rose Frobrisher, viu Sirius passar a mão pelos cabelos nervosamente. Quando a garota e sua amiga começaram a encurralar Sirius contra a mesa, Marlene lançou um olhar de quem ridicularizava a cena a sua frente, e passou a andar na direção de Remus, rindo baixinho.
--Ele é tão bobo. – Ela disse se postando a seu lado, olhando Sirius quase que carinhosamente. Remus sentiu aquela mesma falta de ar, como uma pressão no peito… "Ciúmes?"
--Tem bombons de avelã. – Foi ela quem falou de novo, interrompendo seus incômodos pensamentos e apontando a mesa à frente. Remus sorriu e voltou a se sentir absolutamente confortável..
--Seus preferidos?
--Não sei… amo os de morango… é uma escolha dura… - Aquele jeito pensativo dela, mordendo o lábio inferior. Remus reprimiu um suspiro.
E se ele a tocasse como Sirius faz? E se ele sussurrasse alguma coisa em seu ouvido? Ela se surpreenderia? Acharia ruim? Notaria?
--Que foi, Rem?
--Quê? – ele falou emergindo do ligeiro devaneio.
--Você 'tá com uma cara estranha… tava fazendo careta… - ela sorriu.
--Nada, nada. – ele se apressou em dizer.
--Cara… Nossa!! – Marlene estancou olhando por cima do ombro de Remus. – Olha o que a Lílian fez no James! – Ela apontou, Remus se virou.
Um James muito assustado corria em direção às escadas,as mãos na boca tentando cobrir uma coisa branca e estreita que descia até o seu pescoço; Madame Pomfrey desembalada atrás dele.
Algumas pessoa riam, outras tentavam entender. Remus pôde ouvir a voz de Lílian:
--Isso é pra ele parar de distribuir aquele sorrisinho idiota para a primeira que aparece!
Remus e Marlene riram.
--O James vai acabar obsecado pela Lílian. – disse Marlene entre risos.
--Ele sempre teve uma certa inclinação masoquista. – falou Remus em tom sério e diagnóstico. Marlene gargalhou. O garoto sorriu feliz, sentia-se tão bem quando a fazia rir… Era como ouvir no rádio sua música preferida…
James voltou em uns vinte minutos, sem nenhum vestígio de vergonha. Não se aproximou mais de Lílian Evans, mas a olhou durante o resto do baile, aquele sorrisinho maroto no rosto.
Pouco antes da meia-noite, horário de encerramento do baile, os marotos espalharam entre os Grifinórios que haveria uma "prorrogação festiva" na Sala Comunal. Então os quatro se retiraram mais cedo que os outros alunos, inclusive Remus, que disse a Marlene ir "para cobrir o tráfico de bebidas via Hogsmeade-Hoqwarts". A garota riu de novo, e ele se separou dela desgostoso. Não queria perder suas risadas… A quem ela as daria sem ele ali?
"Se você quiser, alguém pra ser só seu
É só não se esquecer: estarei aqui."
((continua))
N.A.: oi!! eu sei q era caso de parar de escrever, pq ninguém comentou e tal... mas eu realmente gosto dessa idéia desse triângulo... rs.. me sinto meio boba já... alguém comenta, POR FAVOR!!
ah e a história desse baile aí é bem longa, então eu dividi em tres cap...
o trechinho é de uma música da Legião Urbana, que se chama "Eu era um lobisomen juvenil". :)
eee... se alguém leu, notou q eu passei a usar os nomes da versão em inglês. era pra eu ter arrumado, mas qnd vi já tava tudo aqui, aí achei melhor só explicar. é q eu acho os nomes deles em inglês mais legais...
por favor, REVIEWS!! só pra eu saber... sei lá... se tá ruim pode falar tb!!
é isso, beijos!
