N.A.: O capítulo veio mais cedo porque é menor. A minha idéia é que seja um por semana, ou um a cada quinze dias, pelo menos. Ele já vai começar com a continuação da lembrança do Remus, do capítulo passado. Mas quem continua lembrando é o Sirius, porque é a versão dele dessa parte da 'festa'. Só que, como nas outras lembranças, eu acrescento os sentimentos de todos os personagens, pra ficar melhor de entender, mesmo que seja pouco real…

Ah, e isso (o Baile do capítulo anterior, q é pra ser um Baile de Primavera, e essa "festinha prorrogativa") aconteceu no sexto ano deles, quando alguns deles tinham 16 anos e outros já tinham completado 17. Certo? Ok, então lá vai.

Capítulo 7. "É assim que é", por S.B.

Quando os grifinórios chegaram à sua torre, os marotos os aguardavam com uma festa pronta. Havia um efeito de luz, a sala estava escurecida, como se a luz dos archotes e da lareira passassem por algo translúcido antes de serem vistas. Sobre uma mesa havia vários tipos de bebidas que ele vira poucas vezes na vida, em festas de família. Entre elas, o tão famoso entre os alunos: uísque de fogo.

Viu Marlene se aproximar dos garotos, uma música que ele gostava soando alto pela sala enquanto ela a atravessava. Fora ela que enfeitiçara as paredes mais cedo, com o Abaffiato, a pedido dos amigos.

--Beba o uísque, Lene! É muito bom! – Sirius apareceu de repentena frente dela, a boca tão perto de seu ouvido que ela sentiu o ar quente do hálito dele; e um cheiro diferente… como álcool e caramelo misturados. Ele encaixou em uma de suas mãos um copo cheio de uma bebiba amarelada.

A garota segurou o copo que Sirius lhe deu e sorriu em agradecimento. Então notou que Sirius cambaleou. Ele então, de fato, já estava bebendo. Ela riu do amigo.

Foi quando alguém esbarrou nele, fazendo-o cambalear mais, e pender na direção de Marlene a ponto de ter que se segurar nela.

-- Ai! – ele apoiou-se com força nela, mas ela riu, apesar de ser dolorido o esforço que tinha que fazer para não deixar o peso todo de Sirius se estatelar no chão. Aos 17 anos ele era um garoto alto e de porte forte, mesmo que magro.

Ele aproximou o rosto do dela, com um semblante risonho e bobo, já se apoiando nas próprias pernas.

--Lene, o seu riso é tão… tão… - Ele aproximava e afastava o corpo do dela, em completo desequilíbrio. Marlene pensou que aquela bebida devia ser muito forte, porque seu amigo parecia realmente bêbado. Ela ria cada vez mais. – Seu riso é realmente… - ele continuou, a expressão cômica ao ficar sério, as sobrancelhas franzidas sobre os olhos arregalados, fazendo força para lembrar a tal palavra. – bonito. Isso, seu riso é bonito, Marlene McKinnon.

A garota enrubesceu sutilmente e, temendo que o percebessem, fingiu engasgar-se num gole da bebida, o que acabou sendo verdade, porque ela não esperava que fosse tão forte.

--Nossa! Essa coisa queima! – disse tossindo.

Sirius a olhou parecendo levemente desapontado.

--Eu disse que o seu riso é bonito, Lene.

Marlene riu enquanto sorvia três golões seguidos da tal bebida.

--Você 'tá bêbado. – disse ela então, como se isso solucionasse as coisas.

Sirius ergueu uma sobrancelha e desanuviou-se do desapontamento.

--Isso é uísque de fogo. – Ele disse sorrindo em tom de novidade.

--Hum… - murmurou ela enquanto Sirius tornava a encher seu copo. Marlene notou o fato incomum de que suas pernas formigavam.

--É estranho, sabe, Lene. – Disse Sirius mudando de assunto novamente.

--O que é estranho?

--Estar bêbado. – ele disse dando uma risada que pareceu um latido.

Marlene riu e notou que seus lábios sentiam menos o contato com o copo.

--Dentro da minha cabeça – continuou Sirius – eu vejo as coisas de um jeito mais simples. Como se tudo fosse muito claro e fácil… - ele olhou para o teto sonhadoramente. Marlene riu com gosto.

--É? – ela falou com graça.

--É. Por exemplo… - ele fez seus olhos passearem pelo rosto de Marlene por um momento. – durante o dia eu me pergunto quem é você na minha vida, por que eu me incomodo tanto com certas coisas que você faz, entende… fico me perguntando isso e… é chato… é confuso… - ele olhava Marlene agora com os olhos entreitados e o cenho franzido.

Marlene segurava o copo à altura da boca, num gesto paralisado de quem teme o caminhar das coisas. Sirius relaxou o rosto de repente e sorriu.

--Mas agora, agora fica mais claro, Lene… bêbado é mais fácil saber quem é você… Você… você… - ele parecia se esforçar para se concentrar – você é a garota mais… mais linda deste… desta… - Marlene virava o copo guela a baixo - Droga, como é a palavra? Ah, dane-se! Você é realmente bonita, sabe… é o que o álcool simplificou pra mim.

Ele sorriu de um jeito bobo para ela, os olhos passeando não só pelo seu rosto, mas também pelo seu corpo, expressando algo que Marlene associaria a fome.

Ela realmente não sabia qual seria sua reação àquelas palavras e muito menos àquele olhar se Sirius não estivesse tão engraçado, ali, todo desgrenhado, confuso, oscilando. Em sua cabeça, agradeceu ao uísque por, realmente, simplificar as coisas. Ela mesma já sentia tal efeito e agora só sorria para Sirius, apesar de estar bastante corada.

Mas Sirius não parou de falar com seu silêncio e, enquanto tornava a encher o copo da amiga, continuou:

--Esse seu vestido… – agora o olhar dele estava mais parecido do que nunca com fome, e ele havia erguido um dedo em risto, à frente do rosto, o que fez Marlene jogar os cabelos para trás numa gargalhada.

--Adoro quando você ri assim – Sirius sorriu o que seria um sorriso maroto, não fosse aquele olhar… Então ele tocou o pescoço dela com as costas da mão.

Marlene tirou a mão dele, um pouco assutada. Ele pareceu nem perceber.

--Como eu ia dizendo – ele ergueu o dedo de novo. – esse seu vestido… - o olhar com que ele perpassou o corpo de Marlene a fez se sentir completamente exposta. – Ele é… é… caramba, como eu odeio as palavras! Eu não consigo lembrar delas! Mas tudo bem… o que eu quero dizer mesmo é que você 'tá uma gostosa, Marlene. É isso. Pronto. – Ele sorriu tentando mirar os olhos dela, apesar do desfoque que o uísque lhe causou.

Marlene estava de olhos arregalados, os lábios cobertos com uma das mãos, como quem diz que se deve calar.

Ela gaguejou, tentou dizer algo em sua defesa, atacar Sirius por usar aquela palavra vulgar com ela. Como não deu certo, ela só chegou a balbuciar uns "Sirius, seu…", tentou dar um tapa no rosto dele. Mas Sirius segurou sua mão no ato, o que ela achou significar que já estava bêbada, porque os reflexos de Sirius, a esse nível alcoólico, deviam ser os de uma lesma.

--Não me bata, gata. – ele disse largando a mão dela, riu e piscou um olho. Então abriu os braços numa espécie de dancinha. – Rimou! – ele riu mais.

A garota fez menção de sair, virou as costas. Ele a segurou pelo braço.

--Não se preocupe. – ele disse, sem sorriso, só olhando-a bem de perto. – Eu não quero namorar você – Completou ilogicamente bem quando Remus se aproximava dos dois.

--James disse que Sirius ia cair a qualquer momento. Vim ver. – Ele sorriu daquele jeito calmo, o que tornaria as coisas engraçadas, certamente, não estivesse Marlene tão nervosa. Remus olhou-a porque achava certo ouvir seu riso, nem que fosse baixinho, depois do comentário. Viu que ela estava muito vermelha e expressava fulgor.

--Que foi? – perguntou.

--Ele 'tá louco! – Marlene gritou esganiçada.

--Uma graça assim nervosa. Uma graça. – Sirius sorria completamente alheio ao estado da amiga, parecia fazer uma observação. Poderia estar falando do clima, não fosse o dedo levantado em riste.

Remus riu.

--Do que estais a rir, Remus Lupin? Eu sei. – Sirius riu. – eu sei… Eu vi os seus olhares pra Marlene hoje, lá no baile, eu vi tudo! Eu sei de tudo! – os olhos negros dele brilharam, ele ria debochado. Marlene olhou Remus, desesperada tamanha a raiva contida. O garoto não correspondeu seu olhar, mirava Sirius sem piscar.

--Eu vi como você olhou pra ela. – ele repetiu do mesmo jeito, mirando os olhos de Remus.

Então o riso debochado de Sirius cessou, ele ficou repentinamente sério e segurou a gola das vestes de Remus com força.

--Mas ela já tem dono, Remus. – Sirius sussurrou, o brilho no olhar dele era meio alucinado.

Remus pareceu se irritar, mas conteve-se. Desvencilhou-se de Sirius com facilidade e o olhou nos olhos, calmo.

--Vamos, Remus Lupin – o rosto de Sirius era novamente iluminado por um sorriso bobo. – Quer duelar por ela? – ele riu e logo em seguida enrijeceu o maxilar, como sempre fazia antes de arrumar confusão.

Marlene a essa altura tinha o queixo beirando o peito, os olhos arregalados, a incompreensão tomando o lugar da raiva. Virou-se para Remus e viu o peito do garoto arfar.

--Vamos sair daqui, Rem. – ela disse a ele. E olhou para Sirius: - Vê se se joga da janela, Sirius, quem sabe você sabe voar, já que de repente sabe tanta coisa. – ela lhe disse num irritadiço sarcasmo.

Ela segurou uma das mãos de Remus para levá-lo embora dali e notou que ele tinha os punhos cerrados, o braço todo tremendo.

A garota se assutou, era bem estranho ver Remus afetado, com raiva, mas manteve sua mão sobre a dele, procurando com os dedos cada dedo dele. Ao toque de Marlene, ele se obrigou a acalmar-se. Desprendeu os dedos do punho sólido que havia formado e deu-lhe a mão. Porque lhe parecia pecado negar aquele toque, lhe parecia doer não acalentar aquela mão delicada quando ela assim pedisse.

Ele virou as costas para Sirius, para puxar Marlene para outro lugar, mas notou que ela resistiu. Olhou para trás e viu que Sirius a segurava pelo braço, um aperto forte, à altura do peito. Ele não dizia nada, só olhava em seus olhos, os rostos tão próximos que o nariz comprido e fino de Sirius quase tocava o de Marlene, ele ainda cambaleando sutilmente.

--Sirius, 'tá doendo. Me larga. – Marlene já estava lenta por culpa do uísque, não conseguia pensar… Não entendia Sirius, não sabia como reagir, então o enfrentava com o olhar. Sentia a mão de Remus apertar a sua, como que lhe chamando para evitar que ela se afogasse no mar negro a sua frente.

--Você vai com ele? – A voz de Sirius saiu firme pela primeira vez em meia hora. A garota engoliu em seco.

--Vou. – disse com voz firme também.

Ele engoliu em seco.

--Certo. – A voz já não tão firme, Sirius afrouxou a mão que a segurava. Ela deu um passo, mas ele não a soltou, só afrouxara o aperto…

Ela olhou para trás e viu que ele acompanhara o passo que deu, e seu rosto já estava bem próximo de novo.

--Posso conseguir qualquer uma que eu queira. – ele sussurrou, o hálito quente de caramelo.

Remus não olhava, parecia um pouco perturbado.

Marlene aproximou ainda mais o rosto, uma única resolução na mente confusa pelo álcool e pelo hálito de Sirius assim tão perto. Ela aproximou seus rostos para sussurrar uma resposta, mas não aproximou seus lábios do ouvido dele, aproximou os lábios dos lábios dele, porque sabia que era assim que ele entenderia. Ela sabia disso. Sabia lidar com isso, talvez cedo demais.

--Mas você não pode me conseguir. – Foi a resposta dela. E era a resposta que atingiria Sirius, não pelas palavras, mas porque ele sentiu o cheiro do hálito dela, sentiu o ar quente saindo da boca dela e vindo parar sobre seus lábios, porque ele viu os olhos dela brilharem em convicção e fulgor, o jeitinho matreiro… Ele quis intensa e loucamente beijá-la, mas simplesmente não pôde, porque ela fez do jeito certo. Ela disse do jeito certo. Ficou parado, vendo sua longa trança balançar, a viu apontar o quadro da Mulher Gorda, os viu sair. Viu ela ir embora depois de dizer que ele não ia consegui-la.

E não foi atrás dela. Porque ele ainda não sabia o que fazer. Foi atrás de uma garota, uma garota qualquer das que ele podia conseguir. Não doeu fazer isso. Não doeu ver Marlene atravessar o retrato. Talvez fosse o uísque de fogo, talvez fosse o jeito impulsivo dele de corrigir um erro com outro, por pura precipitação… De qualquer forma, ele estava amortecido até que o álcool deixasse de circular em seu sangue. E as conseqüências disso ele veria depois. E talves elas não doessem… talvez Marlene não o olhasse daquele jeito que fazia doer… Talvez amanhã ele soubesse o que fazer.

Ele abriu os olhos. Sonhara.

Sonhara com lembranças reais, aquilo era bem estranho.

O quarto estava mergulhado em breu, só se ouvia os roncos de Peter e os uivos do vendo que pareciam dizer que o invero desse ano ia chegar cedo demais.

Marlene disse que ele não podia consegui-la, aquela vez. Mas aconteceu tanta coisa depois daquilo… tantos dias bons e tantos erros… Tudo estava mudado.

Lembrou-se da Marlene que ele conheceu, a que lhe dizia que, não importavam as voltas que o mundo dava, não importava se o céu chegaria a desabar ou o chão se romper, ela seria sua amiga. E, no entanto, onde ela estava agora?

"Deitava em sua cama, talvez pensando em Remus…"

Ele socou o travesseiro.

Sentia tanta saudade da companhia dela! Dos comentários sarcásticos, do sorriso matreiro, do jeitinho pomposo dela…

Ela estava enganada. Se tinha uma coisa que Sirius sabia sobre o mundo era que Marlene gostava dele, era que Marlene deveria estar sempre com ele. Ela disse que estaria sempre com ele.

Talvez ele devesse fazê-la lembrar-se disso. Talvez ele devesse lhe dizer como as coisas eram, como sempre foram e como deveriam continuar a ser.

Adormeceu planejando o dia em que pediria trégua à Marlene, pediria para que parassem de brigar. Porque daí então ela voltaria para ele. E quem sabe o mundo voltava a girar do jeito certo.

O jeito certo é que ele e Marlene deveriam estar juntos.

Isso era fato, não era egoísmo. Não. "É assim. É como as coisas são", concluiu no último segundo acordado.


N.A.: é o jeitinho egoísta do Sirius, né, fazer o q? nao deixa de ser charmoso... ;)

espero colocar o próximo capítulo logo. e se alguém não estiver entendendo algo, é só perguntar. Acho q vou tentar deixar mais claro essa coisa do presente... por enquanto vou dizendo q o primeiro dia do presente é o primeiro capítulo, num dia de jogo, era outono, chovia e tal... vcs viram... daí de lá pra cá passou poucp tempo, tipo uma semana, dá pra perceber pela conversa entre as duas fofoqueiras do cap 5. daí é isso, atualmente a Lene tá com o Remus e tá todo mundo meio brigado... mais coisas vão acontecer durante o presente... mas sempre vai ter muita lembrança!

espero mesmo q quem leia goste! e gostaria demaaaais de uma reviewzinha...

Obrigada, Serena, por ler a minha estória!! espero q vc goste...

e Jarmila Linda: eu realmente nao entendi e realmente acho q vc tá zombando com a minha cara... :P mesmo assim, obrigada por comentar! seja lá o q tenha sido...

bjus!