Capítulo 8. Uísque de Fogo

((continuação))

No momento em que o retrato se fechou, ela começou a chorar. Ela fechou os olhos e tentou não comprimir o rosto, mordeu o lábio com força. Lágrimas escorriam silenciosas pelo rosto vermelho que expressava dor ou raiva, ele não soube dizer. Então fechou os olhos, engoliu em seco, absorvendo o que aquela imagem e o que ouvira do amigo e mais tudo o que sentia dentro de si poderiam significar. Marlene parecia tão magoada… talvez Sirius a afetasse mais do que ninguém, talvez ela sentisse por ele mais do que sentia pelos outros amigos…

E talvez ele, Remus, sentisse por ela mais do que amizade, porque vê-la ali, derramando lágrimas silenciosas com o rosto tão atormentado, era uma tortura. Ele quis abraçá-la, protegê-la do que quer que fosse que a deixasse assim.

Quem a deixou assim foi Sirius, pensou. Talvez porque a quisesse tanto, e tão perto, que a fez chorar sem querer. Pois quem Sirius realmente atacou foi ele, dizendo aquelas coisas. Dizendo que ele olhara Marlene, que ele o viu cobiçá-la, mas que ela já tinha dono. Franziu o cenho. A vida inteira aqueles dois lhe pareceram irmãos de alma, e chegava a ser bonito ver o modo como eles se tratavam, a exceção das várias brigas. A vida inteira ele admirou a amizade e o carinho dos dois. No entanto agora… agora ele vira Sirius fazê-la chorar baixinho. Agora ele se viu desejando levar Marlene para longe, onde ele, somente ele, Remus Lupin, poderia tocá-la. E ele a protegeria de todo o mal…

não fosse ele o próprio mal…

Não sabia o que fazer, então bebeu um gole do uísque que tinha em mãos, antes de se aproximar da garota que mantinha os olhos fechados, respirando fundo e baixinho, umas lágrimas cortando o rosto bonito. Ele tocou a pele dela tentando ser amigável, e só amigável, para interromper o rolar de mais uma lágrima.

Marlene não entendeu como uma bebida podia embebedar tão rápido, porque sóbria ela não choraria assim, por causa de Sirius, na frente de um dos melhores amigos dele, sem nem saber por que aquilo a incomodara tanto. Talvez fosse só o cansaço de fingir que não incomodava…

--Você é um bom amigo, Rem. – disse ela com a voz embargada, olhando-o entre os cílios úmidos.

Ele sorriu com o canto dos lábios, os olhos cor de mel brilharam quase à altura dos seus.

--Obrigada por vir comigo. – ela acrescentou.

--Tudo bem. Também precisava sair. – Ele baixou os olhos, lembrando que também teve motivos para querer sair.

--Não fica mal pelo que o Sirius disse. Ele vai ver. Vou dar um gelo nele. – A garota disse secando o rosto com as costas das mãos e empinando o nariz.

Remus continuou quieto. Marlene só não se sentiu constrangida ou desconfortável, ali, de frente para Remus de olhar baixo, depois de tudo que Sirius disse, porque sentia seus pensamentos leves e suas dores amortecidas pelo álcool.

"Graças a Merlin que inventaram esse tal de uísque de fogo, coisa dos deuses…", ela pensou. E, contrariando todo a mágoa interna mas indo de acordo com os efeitos entorpecentes, riu de si mesma.

--Do que você 'tá rindo? – Remus finalmente ergueu os olhos para ela, parecia aliviado com a idéia de que eles poderiam mudar de assunto.

--Nada… - ela fez um gesto de desinteresse com a mão. – E então? – perguntou se desencostando da parede e abrindo um sorriso tímido. – O que vamos fazer? Fugir?

Remus deu seu, tão seu, sorriso calmo.

--Pode ser… Vamos até o pátio do próximo corredor. Acho que o Filch não nos pega lá. Ainda 'tô com o mapa.

--Certo. – disse Marlene pensando no pátio com ameias do corredor Sul. – Vai estar frio lá. – concluiu olhando Remus de esguelha enquanto andavam.

--Ah, é… Toma aqui. – ela o olhou. Ele se referia à capa que colocara sobre as vestes, e que agora tirara e estendia para ela. – Eu não costumo sentir muito frio.

Ela sorriu em agradecimento e pôs a capa sobre os ombros, notou que era maior do que o seu tamanho, porque as barras arrastavam-se pelo chão de pedra escura. Olhou Remus de novo, não lembrava que ele fosse tão maior que ela. E não era… Não em altura, porque ela sempre fora meio alta demais para uma garota. Mas certamente que ele vestia roupas bem maiores, pensou, porque os ombros dele eram largos. Ela notou o jeito que ele tinha de andar, e a postura dele… tinha um ar de garoto tímido por cima das formas bonitas e discretas.

--Por que você 'tava usando a capa? – ela perguntou, mais para quebrar o silêncio durante a curta caminhada.

--É que antes da festa fiquei na passagem que vai para Hogsmeade dando cobertura aos garotos enquanto eles traziam as bebidas. É meio frio lá.

Eles logo chegaram à torre. Uma noite fria para ser de Primavera, mas as estrelas compensavam… o céu estava lindo.

Eles se sentaram a um canto que não se via da entrada do pátio, recostados à parede de pedra, à vista das ameias e das estrelas e nada mais. Marlene virou-se para Remus e viu que ele segurava uma garrafa cheia do líquido âmbar que bebiam. Ela arregalou os olhos para ele como quem pergunta da onde veio.

--Estava dentro da capa. – ele explicou simplesmente.

--Bom. Que bom. – ela riu.

Ele a olhou e foi a vez dela de responder a pergunta calada dele.

--É q tá meio frio.

--Ah. – Ele sorriu e serviu o copo da amiga. Então a olhou de um jeito indecifrável e acrescentou: - O Sirius te afeta bastante. – Inseriu o que lhe incomodava tanto. – Quero dizer, você chorou.

Marlene o olhou meio mal humorada, meio curiosa.

--Chorei de raiva. – respondeu rápido, um certo rancor na voz. Empinou o rosto sobre o pescoço longo, como fazia desde criança, sabia Remus, quando sentia o orgulho ferido.

--O Sirius é difícil às vezes. – continuou Remus sondando impenetrável. E olhou no fundo dos olhos dela. – Mas você também é.

--Não sou como ele. – A garota pareceu levemente irritada. – Vocês dizem que somos iguais. – ela fez um gesto como quem tenta espantar um inseto. – Se fôssemos mesmo, não brigaríamos tanto… não nos desentenderíamos tanto. – Ela o olhou desafiante. – Não sou como ele. – frisou.

Ele sorriu para o rosto nervoso da amiga.

--Eu sei. – Disse plácido.

Ela o olhou como se não esperasse que ele fosse dizer aquilo. Seus olhos brilharam por um segundo.

--Você sabe, não sabe? – ela sorriu. – Sou diferente dele.

Remus admirou um pouco o jeito ingênuo dela de se aborrecer e se surpreender, antes de dizer:

--O que ele te disse hoje que te deixou assim, tão nervosa?

Marlene franziu levemente a testa.

--Nada. Besteira, como sempre. – respondeu brusca. – O Sirius não tem limites, é arrogante, você sabe. Acaba magoando.

--Mas acho que não é por mal. – disse o garoto suspirando e lembrando do que o amigo lhe disse, da mágoa que sentia.

--Ele é egoísta. – acrescentou Marlene, não querendo que defendessem Sirius.

--Ele gosta muito de você. – Remus olhou Marlene como se esperasse o efeito do que dissera.

--Sirius Black só sabe gostar dele mesmo e de James Potter. – A garota falou zangada, olhando as ameias. Remus sorriu de novo. – Mas isso não importa. Não quero nem saber!

Remus viu seus olhos brilharem ligeiramente, eram resquícios de lágrimas. De raiva ou tristeza? Ele não saberia dizer… Marlene tratou logo de mudar o assunto.

Esqueceram então Sirius, esqueceram a festa. Conversaram muito, sobre bobeiras e coisas sérias, rindo mais por causa do uísque do que pela graça do que diziam.

Eles deitaram-se lado a lado sobre o chão frio de pedra. Marlene só não batia o queixo porque o álcool a aquecia.

Depois de lembrarem um caso particularmente engraçado em que ela e os marotos enganaram Filch, o zelador, eles riram tanto que um momento de silêncio e reflexão se seguiu.

Os dois olhando o céu. Os cabelos dela se espalhavam pelo chão, alguns fios eram da cor do mel dos cabelos dele. E quando vinha um vento leve e frio, ele misturava alguns cheiros, e Marlene fechava os olhos e poderia se imaginar em outro lugar, em qualquer lugar. E nesse lugar, Remus estaria a seu lado, porque era o cheiro dele aquele por trás dos outros, como colônia antiga. E ela quis dividir todos os pensamentos bobos com ele, pelo simples fato de ele estar ali… Quem sabe se ela conversasse, ele se aproximasse e ela sentiria melhor o cheiro dele, tão bom…

Ela involuntariamente aspirou o ar longamente antes de falar.

-- Remus?

O garoto rolou a cabeça sobre a pedra fria do chão.

Ela notou que agora ele a olhava.

-- Pensa só – começou – Qual a diferença de fazer ou não fazer se ninguém lembrar que foi feito?

-- Quê? – ele disse risonho e confuso.

-- Será que a impressão que as coisas deixam no mundo, a memória que se tem delas, é mais importante que a coisa em si?

Remus riu para o céu estrelado.

-- Você 'tá bêbada.

-- Ah, Rem. Filosofe comigo! - Ela riu e se sentou no chão, olhando-o de cima. – Me diz o que você pensa: se eu não me lembro que fiz, que diferença faz eu ter feito?

Remus franziu o cenho enquanto colocava os braços sob a cabeça, erguendo-a um pouco.

-- Você quer mesmo falar sobre isso?

-- Por que não falar? – disse ela simplesmente. Ele sorriu.

Então olhou o céu de um jeito contemplativo.

-- Também penso nisso. – ele começou. – Algo do tipo… como se… assim: que diferença faz o que eu sou por dentro se por fora eu expressar outra coisa, se eu deixar outra impressão?

Então se ergueu e se sentou ao lado dela, agora ambos recostados à parede.

-- Isso! – A garota fez um gesto gracioso com a mão de quem se ilumina por uma idéia. Seus olhos brilharam na direção dele, uma bêbada feliz em achar que entende do mundo pelas coisas mais simples. – A impressão que eu deixo é mais importante do que o que eu sou? Porque, efetivamente, é o que eu sou, é o que as pessoas acham que eu sou. É como eu faço ou deixo de fazer a diferença. E é isso o que os outros podem ver.

-- É. Nem sempre vêem, mas podem ver.

-- Isso. – ela concordou.

-- Então, no fim das contas, será que somos o que somos por fora? – ele pareceu desanimar, apesar do semblante sempre sereno.

Ele sentiu a mão dela tocar a sua. Ela sabia que o assunto para Remus não era tão simples. Literalmente, periodicamente, ele era um monstro.

Os olhos dela analisaram os dele por um instante e então ela falou em tom de professora que faz uma corriqueira correção:

-- Não, Rem. Não é assim que se vê. O que se vê e o que se diz é que o importante são nossas ações, porque elas efetivamente são a impressão que deixamos. – E olhou para o céu parecendo satisfeita consigo mesma. – É isso.

Remus ficou olhando a amiga, o jeito de filósofa descobridora, como se tivesse acabado de pensar sua melhor idéia. Ele riu, fazendo-a sobressaltar-se.

-- Lene, isso é o que nos dizem há séculos.

Ela pareceu se aborrecer.

-- Não importa. Eu só fui entender, de verdade, agora. E por causa de você.

Ele riu mais. Marlene ali, falando pelos cotovelos, coisas sem sentido, o ar de heroína que ela tinha.

-- Por causa do uísque de fogo, isso sim.

Ela remeteu um de seus olhares perigosos a Remus. Ele se forçou a parar de rir, tarefa muitíssimo dificultada pelo álcool que por seu corpo circulava.

-- Por causa de mm, você disse? – ele tentou consertar as coisas. Ela o olhou desconfiada, mas respondeu:

-- É, porque você disse aquilo que eu sempre pensava: será que somos o que aparentamos ser? Mas agora enxerguei a diferença, porcausa de você. Porque você não aparenta ser o que é. Quero dizer, não absolutamente. – A palavra "absolutamente" na voz de Marlene e sob o poder do uísque era engraçada. Remus riu de novo. Mas os olhos dela se estreitaram tanto na direção dele que logo ele se engasgou com mais um gole da bebida.

Ela riu.

-- Não sou o que pareço ser? – ele conseguiu dizer entre as tossidas.

-- Não absolu... não totalmente. – ela fez cara de mau humor para ele, esperando que ele risse mais. Remus ficou vermelho, mas não riu.

-- Você é mais forte e corajoso do que muita gente percebe. E mais emotivo também.

Ele permaneceu mirando o rosto dela por quase um minuto inteiro, pensando no que ela disse, nos momentos em que ela poderia ter enxergado força nele.

Pensou e acabou lembrando da maneira doce que ela desfez o nó em que se transformara seu punho, dedo por dedo, horas atrás, na Sala Comunal. Lembrou que após todo lua cheia, desde quando ela soube do seu segredo, a amiga vinha perguntar sobre seus ferimentos, se estava tudo bem, se ele queria um curativo. "Minha tia manda montes desses, ela acha que sou desastrada… Se quiser preparo um pra você", ela dizia.

Sem ter consciência, e sem que ela percebesse, ele se aproximou. Seus joelhos se tocaram, o verde musgo das vestes dele, o violeta róseo, ou algo assim, do vestido dela. Olharam-se todo esse tempo sem trocar palavra. Marlene tinha o canto dos lábios perfurando levemente as bochechas, num ligeiro sorriso.

-- Além disso, - inacreditavelmente, e ao contrário de Remus, ela não perdera o fio da conversa. – você não é um lobo por dentro.

Ele ergueu uma sobrancelha e sorriu de lado.

-- É. Não sou.

Voltaram a mirar as ameias à frente. O horizonte era também muito estrelado.

-- Ou talvez eu seja. – ele a olhou, irônico. E ela, ingenuamente bêbada, franziu o cenho pensando ser sério o que o garoto falara. – Gosto de carne mal passada.

Ela revirou os olhos, rindo.

-- Vou ter que beber mais três copos de uísque depois dessa. – disse ela em tom mal humorado, passando o braço por cima das pernas dele e inclinando o corpo para olhar o outro lado do garoto, onde estaria a garrafa de bebida.

O movimento fez Remus sentir o cheiro dela, e foi como se o álcool abandonasse seu corpo e a noite, o céu. E ele estava mais sóbrio do que nunca, num campo bonito com macieiras em flor.

-- Quê? – ela disse esganiçada e aguda. – Acabou o uísque?!

A noite voltou quando ela se pôs de volta a seu lado e lhe olhou zangada.

-- Não é minha culpa. – ele foi logo dizendo e rindo. – Você bebe como um homem, Lene.

Ela riu.

-- Droga! Que será de nossas vidas agora, sem o álcool a nos esquentar? – ela disse dramática. – A desgraçada recaiu sobre nós!

E sorriu aquele sorriso maroto que ela dava quando fazia comentários exagerados. Os lábios dela estavam muito vermelhos… talvez pelo frio, talvez pelo uísque…

Recostados à parede, seus ombros se tocaram, ele notou, e se pegou pensando que a capa que ela usava os separava muito.

Então notou que ela o olhava. E que falava alguma coisa, ele ouvia a voz dela, mas não assimilava suas palavras. Era o uísque, seu efeito… ou talvez a imagem entorpecente do canto dos lábios dela.

Quando ela sorria, formavam-se covinhas ali, como reentrâncias na superfície macia e rosada de um pêssego. E enquanto ela falava, as covinhas eram feitas e desfeitas, e ele queria filmar aquilo.

Notou que ela ergueu um dedo, e agora falava profeticamente, feito Sirius mais cedo. Sirius… Seria pecado o que estava pensando? Seria pecado o que estava louco para fazer? O que Sirius tinha com Marlene?

Ouviu um trecho de uma frase, algo como "eu disse para ela que não". Então ela contava alguma história. Ele sorriu. As histórias de Marlene… Ela segurava platéias falando daquele jeito.

Os lábios dela estavam tão vermelhos…

Sentiu um beliscão no braço. Gemeu de dor e susto.

-- Você não prestou atenção numa palavra do que eu disse! – Ela falou irritada, e ele assimilou, porque seu braço ainda doía. – Devo ser muito chata mesmo!

Ele sorriu.

-- Não é chata, não… - respondeu, e sua voz saiu rouca, porque ele não queria falar… queria fazer outra coisa…

Ela o olhou desconfiada.

-- Vou repetir a história, porque quero que você diga se a Mary 'tá certa, ou se sou eu. E preste atenção dessa vez, Remus Lupin, ou me desfarei de você! – ameaçou graciosamente.

E recomeçou.

Ele ouvia, ele prestava atenção nela, claro. Mas o que ela queria dizer com aquelas palavras? Ele balançou a cabeça para ver se entendia. A voz dela estava frenética, talvez fosse uma boa história… É, devia ser, porque os lábios dela se mexiam de um jeito muito bonito…

Havia uma pintinha no canto daqueles lábios vermelhos, quase oculta por eles. Era pequena e se escondia… só dava para ver se chegasse bem perto.

Ele estava bem perto…

Os lábios dela pararam de se mexer, estavam entreabertos, como num susto.

-- Remus… – ele ouviu a voz doce que parecia vir de tão longe…

Não dava para responder o chamado da voz, o rosto dela pedia toda a atenção. E ele o tocou. Acompanhou com os olhos o toque. Deslizou a ponta dos dedos e foi parar na pintinha.

Olhou os olhos dela e os viu doce e inocentemente assustados. Como se não fosse um susto, só uma nova observação.

Ele só queria segura-la em seus braços…

Ele não soube como se aproximou tanto, porque acabou por beijar a pintinha. Beijou o canto dos lábios dela.

Ela murmurou alguma coisa, como um suspiro manhoso e depois encaixou a boca na dele. Ele envolveu o lábio inferior dela com os seus, e foi a melhor das sensações…

Tinham o gosto caramelado do uísque e uma suavidade lasciva.

Abraçou-a, as mãos frias dela envolveram sua nuca.

Não se beijaram muitas vezes, foram poucos e intensos, os beijos.

Logo ele a fez deitar entre seus braços, na tentativa de aquecer as mãos dela. E ela adormeceu.

Remus carregou a amiga nos braços, sem uso de magia.

Mágico mesmo foi sentir o peso e a temperatura dela em contato com seu corpo.

Deixou-a no sofá, em frente à lareira. Ela não acordou, o uísque lhe deu um sono profundo e tranqüilo, pela suavidade de seu rosto.

Estava convicto de que ela não se lembraria de nada. E desejou não se lembrar… Desejou esquecer que a queria tanto…

Ao mesmo tempo em que sonhava secreta, mas intensamente, com tê-la só para ele, de novo, sob as estrelas ou em qualquer lugar.

"Luz e sentido e palavra

Palavra é que o coração não pensa.

(…)

Qual foi a semente que você plantou?

Tudo acontece ao mesmo tempo

Nem eu mesmo sei direito o que esta acontecendo

E daí, de hoje em diante

Todo dia vai ser o dia mais importante.

Se você quiser, alguém pra ser só seu

É só não se esquecer: estarei aqui.

Não digo nada, espero o vendaval passar

Por enquanto eu não sei

(…)"

Ele jamais esqueceria um só segundo daquela noite.

Olhou pela janela do Salão Comunal, por cima do livro de DCAT, desejando que dali desse para ver o campo de Quadribol. Nesse momento ela devia estar sobre sua vassoura, brava com a chuva, séria com o frio…

Ele gostava tanto dela que doía… Era como sentir saudades de alguém que nunca saiu do seu lado.

E ela estava sempre do lado dele.

Às vezes o mundo era imensamente bom com ele.


N.A.: demorou mais do q eu pensei!! foi mal, gente... o pc chegou ontem e eu tô cheia de prova... o cap já tava muito grande, então não coloquei quase nada do presente. semmpre escrevo o presente pouco antes de postar, e tô meio sem tempo agora, então desculpa se ficou pior q o de costume... eu tinha falado q iam ser 3 partes dessa mesma lembrança, mas acho q vão ser 4. tem mais um pedaço!!

a música é outro trecho daquela "Eu era um lobisomen juvenil", Legião Urbana.

acho q vou fazer uma promessa pros céus! pra ver se alguém deixa recado!! eu queria tanto!! POR FAVOR!

enfim... espero q gostem!

bjus