N/A: Demorei mais do q esperava!!! Espero não acontecer de novo!

Ah minha mãe disse q em Portugal calcinha é cueca, então se ficar estranho é por isso tá, Marauders'C?

Pra ler a segunda lembrança, é legal sempre pensar que "black" é "preto", entende? Porque fala muito em escuridão e tal...

Boa leitura!

Capítulo 11. Um pequenino morro

Meninas usam calcinha, não cueca.

E desde a grande descoberta, ele passara a investigar as tais calcinhas. Ora, por que eram diferentes e como eram?

Não tinha contato com muitas meninas. As reuniões de bruxos grandes, determinado domingo no mês, vinham algumas famílias. E as primas, as três primas ele via sempre, mas eram bem mais velhas. Viu a calcinha de Ciça, e ela saiu correndo a contar a sua mãe, rendeu um castigo. Viu também a da garotinha que segurava o picolé, no beco diagonal, e da nova bebê dos Harper, a de Marge Pucey também…

Até agora calcinhas eram cuecas curtas e enfeitadas.

Mas havia, tinha que haver alguma diferença maior. Ele sentia isso. Existia um segredo que os adultos não contavam. E ele iria descobrir, levasse o tempo que levasse, custassem-lhe os castigos que fosse.

Era verão e seu pai ainda tinha negócios a resolver. Sempre tinha…

Sua mãe fora para a casa de tio Cygnus com Regulus, e ele não quis ir. Sua mãe não questionou, dizendo que era bom mesmo que Narcisa não precisasse vê-lo por um tempo. Sirius era uma criança ruim, isso ele já tinha entendido.

Mas ele ficou em casa com seu pai, e isso lhe deixava feliz porque talvez hoje fosse um daqueles dias em que seu pai lhe desse um sorriso e dissesse que ele tinha feito alguma coisa do jeito certo.

O problema é que Orion Black sempre tinha muitos negócios a resolver, mesmo no verão.

-- Ora, por que ficou? – disse seu pai, lá do alto, com aquela voz rouca, coçando a barba negra. – Tenho um negócio pendente para resolver com Richard, você terá que ficar com Kreacher.

Odiava Kreacher… Ele não o tratava bem. Era pior que ficar sozinho.

Então disse para o seu pai que seria um garoto bonzinho, pediu, bem sério, do jeito que ele falava que tinha que ser ("homens não devem implorar, nem chorar, nem temer", a voz grave sempre dizia), para levá-lo com ele.

Orion coçou a barba da garganta com as costas das mãos, e olhou o filho pensativo.

-- Certo, garoto. Vamos. – Resmungou tomando sua mão.

Vieram segurando uma chaleira velha, rodopiando. E a casa era muito bonita, a que ele via mais a frente, por trás de portões que ficaram verdes porque eram cobertos por hera. Era grande e tinha um ar antigo. A grama que cobria o extenso espaço entre os portões e a casa crescia rebelde e silvestre, do jeito que ele gostava. Apareceu um homem perto da porta grande, de madeira escura, e seu pai soltou sua mão, e ele pôde correr pela relva.

-- E este é Richard McKinnon! – ele ouviu a voz de seu pai dizer.

-- Olá, Orion. – mais de perto, Sirius viu que o homem era tão alto quanto seu pai, mas seus cabelos eram mais claros, e o rosto era calmo. Ele enxergou Sirius e se abaixou. - Mas olha só! – disse com sua voz simpática - Vejo que trouxe a cria pra passear! Marlene vai adorar!

E Sirius sentiu uma mão grande arrepiar seus cabelos agradavelmente quando ele subiu os degraus da varanda e se aproximou do homem de cabelos castanhos.

-- Walburga saiu e fiquei com o pequeno Sirius.

O senhor simpático os convidou para entrar.

O interior era espaçoso e inundado da luz do verão. Atravessaram o hall para entrar numa sala com sofás cor de caramelo, e Sirius viu dali uma escada da mesma cor da porta, um corredor e várias fotos bonitas espalhadas pelas paredes.

-- Sente-se, Orion. – Disse cortês o homem da casa. E depois virou o rosto para o corredor. – Isabelle, pode me trazer aqueles papéis, por favor?

E em um ou dois minutos veio então uma mulher. E Sirius pensou que nunca tinha visto nada que brilhasse mais… Ela tinha os cabelos quase da cor dos de Ciça, mas mais dourados, e a pele não era pálida como a das pessoas de sua família, era rosada e seu rosto era muito bondoso. Sirius cravou os olhos nela, encantado, e se sentou ao lado do pai. Então a mulher sorriu, e a luz que ela emitia pareceu aumentar, e Sirius sorriu também.

-- Céus! – ela disse agradável – Que garotinho lindo! É seu, Black?

Ouviu a voz rouca de seu pai murmurar um "sim", e a mulher se aproximou dele, tocando seu rosto com mãos quentes e carinhosas, e Sirius pensou que ela fosse um anjo.

-- É uma criança linda! – Ela disse de novo, sorrindo para ele. – Qual seu nome, querido?

Sirius nem pôde responder. Nesse momento entrou correndo pela sala mais um pequenino raio de luz, como parte do brilho que vinha da mãe, e ele viu que era uma garotinha sorrindo e pulando.

-- Mamãe, mamãe! – ela falava sacudindo uma batata suja que segurava nas mãozinhas. – Olha, papai! Peguei um! Sou uma caçadora! Eu sou uma guerreira, mãe!

Os olhos de Sirius descravaram-se da mãe, para em sua filha se fixarem para sempre.

-- Lenny! – Exclamou Isabelle, apavorada, tomando a batata suja das mãos da criança. E Sirius olhou o que na verdade era um gnomo. – Olha a sujeira que você ficou! – ralhou com a filha, na bronca mais carinhosa que Sirius já presenciara. - Com licença, Black, vou lavar as mãos desta traquinas…

Mas a garotinha se esgueirou da mãe e andou de costas para perto do sofá onde Orion sentara, pousando uma das mãozinhas sujas na perna dele.

-- Não, não, Lenny! Tire a mão daí. Você está toda suja! Perdão, Black. – ela olhou o pai de Sirius como quem se desculpa. - Venha cá, Lene. - Ela se encaminhou para perto da filha.

-- Espere. – Sirius ouviu seu pai dizer enquanto tomava a mãozinha rosada na sua manzorra pálida. A meninha se virou assustada para ele, como se não o tivesse visto ali antes. – Deixe-me olhar você, garotinha. A filha de um McKinnon com uma Rosier… sim… - ele tocou o rostinho dela e o ergueu pelo queixo. Sirius estranhou, seu pai não costumava se aproximar de crianças.

E de perto ele viu a pele mais rosada que já vira, e fios de cabelo tão finos e dourados como nenhum outro.

-- E você se surpreendeu com a beleza de meu filho, Isabelle? Se fossem os bons tempos poderíamos casar os dois.

Marlene não entendeu do que ou de quem o homem falava, observava com profundo interesse o quão negro eram os cabelos e barba e os olhos dele. E como era diferente das pessoas que já vira.

-- Que me diz, garotinha? Que acha de se tornar uma Black? – falou a voz arrogante do homem de barba.

Marlene não gostou. Ser Black? Ela não queria ser Black. Não gostava muito das cores escuras e nem do tom que aquele homem usava com ela.

-- Não vou ser Black, não! – disse se desvencilhando da mão de Orion com quase tanta arrogância quanto ele.

-- Que gênio! – ouviu o homem dizer, com as sobrancelhas erguidas. Não puxou para você, hein, Richard. – completou fazendo alusão ao que conhecia do temperamento de Richard McKinnon, sempre muito calmo.

Sirius ouviu os pais da garotinha rirem, risadas agradáveis que nunca ouvia em sua casa.

-- É assim desde bebê. – disse o homem.

-- É briguenta, sabe, Orion. Mal sabemos o que fazer com ela, às vezes.

O homem de cabelos negros mirou os olhos da garotinha, agora agarrada às pernas da mãe, por mais um tempo.

-- Seria realmente um bom casamento… se fossem os bons tempos. – falou baixo e rouco.

-- Os bons tempos podem voltar, Orion. – disse Richard num jeito sério e sereno.

-- Claro, claro que podem. – Respondeu Orion mirando os olhos castanhos daquele que um dia dividiu mais negócios com ele, numa cortesia agradável que se mantinha entre suas famílias. Até que o nome Voldemort surgiu numa das conversas, num domingo à mesa do chá, nesta mesma casa. E foi no dia em que Isabelle perdeu o direito à herança dos Rosier, pois finalmente ficou claro que ela era contrária aos conceitos que sua família conservava. – Basta que vocês escolham o lado certo.

Richard suspirou parecendo inquieto. Olhou o Black à frente com um certo incômodo.

-- É melhor não falarmos sobre esse assunto. – Avisou a mulher num tom de voz apreensivo. O tal "assunto" a fizera perder contato com toda a família, exceto sua mãe, que também rompeu laços com os Rosier, incluindo seu ex-marido, no mesmo fatídico domingo.

-- Certo. – disse a voz grave do pai de Sirius, do qual Marlene não tirara os olhos. – Mas é uma pena. – E ele correspondeu o olhar da menininha. – Certamente será uma linha mulher. Tem para quem puxar. – e os olhos negros se voltaram para Isabelle. Ela sorriu, e o ambiente voltou a clarear.

-- Bom, vou levar essa doidinha para o quintal, onde ficam as coisas sujas. - Disse sorrindo. – Com licença.

E tomou a garotinha no colo, virando-se para o corredor.

E foi quando Marlene o viu. Como não o vira antes?

O cabelo dele era da cor do céu nos dias que ela mais gostava, e ele olhava sério com seus olhos cinzentos como nenhuma outra criança que ela já vira. Ela nunca vira igual. Era o menino mais bonito de todos.

-- Mamãe, mamãe! – ela se agitou no colo. – O menino, mamãe! O menino! Chama ele pra mim, por favor!

A mulher bonita olhou de novo para Sirius com seus olhos azuis brilhando.

-- Venha, meu anjo. Vem brincar com a Lenny. – disse em tom bondoso. E Sirius passou a segui-las.

Atravessaram o corredor e uma cozinha com cheiro de canela, e chegaram num quintal coberto pela mesma grama pela qual ele correra minutos atrás. Havia árvores e um pequenino morro adiante.

Isabelle pôs a filha no chão, e ela imediatamente se virou para Sirius, um sorriso enorme no rostinho alegre, aproximou-se dele e segurou sua mão, puxando-o para uma corrida pelo gramado que chegava a seus joelhos.

-- Vamos ser caçadores! – ela falou quase gritando. Sirius a achou mais feliz do que toda criança que já vira. E ele mesmo se sentiu mais feliz do que costumava ser.

Correu com ela atrás dos gnomos que apareciam às vezes, e pensou que sua mãe jamais deixaria que gnomos invadissem seu jardim, e muito menos que ele brincasse de caçá-los. Adorou estar ali.

Com um dos bichos horríveis seguro nas mãos (o segundo que pegara em uns vinte minutos), buscou a garotinha com os olhos, e a viu sobre o pequenino morro, um gnomo nas mãozinhas rosadas, rodopiando feliz, seu vestidinho lilás erguendo-se com o vento que ela mesma produzia por ser tão inquieta.

Dava quase para ver o que ela usava por baixo do vestido.

Sirius sorriu maroto. Largou o gnomo no chão e correu a subir o morro.

Pertinho dela, pensou num jeito de fazê-la parar de girar e olhá-lo.

Mas ela logo parou por conta, sorrindo para ele.

-- Quer pra você? – perguntou estendendo a coisa feia para ele.

O sorriso maroto dele se ampliou. Ele fez que não com o rostinho e, num gesto rápido e certeiro, ergueu o vestidinho dela para ver melhor.

Calcinhas eram muito mais bonitas que cuecas.

A menininha puxou o vestido de volta com força, e ele viu que ela olhava assustada e irritada para ele.

-- Seu chato! – ela disse de um jeito que a mãe de Sirius chamava de "maus modos". – Não deixei você fazer isso!

O garotinho a olhou de um jeito despreocupado que a irritou muito.

-- E daí? – ele falou de um jeito esnobe, que a fez se sentir insultada.

Então se aproximou e, com as mãozinhas espalmadas no peito dele, empurrou-o morro abaixo.

E o garotinho se estatelou na grama aos pés do outeiro, olhando surpreso para o rostinho zangado lá em cima. Estranhamente, Marlene notou, ele não chorou, nem fez cara feia, nem disse nenhum "ai".

A mãe de Marlene apareceu correndo atravessando o quintal até eles.

-- O que é isso? Merlim! – ela disse assustada, quando já pegava Sirius no colo. – O que você pensou que estava fazendo, Marlene? – ela subiu o pequenino morro e tomou a filha pela mão, nervosa.

-- Ele não pediu, mamãe! – ela se apressou em se explicar – Não deixei ele fazer aquilo! E ele fez! Tem que pedir permissão, não é? Você e papai disseram… ninguém manda em mim, só vocês e quando eu for grande…

-- Chega, Marlene! Venha comigo, chega de estórias! – E a mulher puxou a filha a andarem em direção à porta dos fundos. – Não se faz isso, Lene! – de novo Sirius a ouviu ralhar de um jeito carinhoso - Você não pode bater assim nas pessoas, querida. É feio. Seja gentil e peça desculpa.

-- Ele que tem que pedir primeiro. Foi culpa dele! – respondeu dando passinhos rápidos para acompanhar a mãe quando já iam subir os degraus da varanda.

-- Peça você. É assim que as pessoas honradas fazem.

-- Mas… - ela ia relutar, porque era injusto, mas ouviu a voz do menininho, e ele a olhava por trás do ombro de sua mãe, lá do alto em seu colo:

-- Desculpa. – ele disse. E a viu erguer um par de olhões castanho-esverdeados para ele. Ela meneou o rostinho.

-- Desculpa. – disse a ele também.

-- 'Tá.

-- Ora, que graça são vocês! – Disse sorridente a mãe de Marlene. – E que garotinho mais bonzinho! – completou apertando Sirius num abraço em seu colo e o beijando.

Fazia tanto tempo que não diziam que ele era um menino bonzinho. Em sua casa ele fazia tudo errado…

Correspondeu o abraço daquela mulher bondosa, ela tinha um cheiro bom. E então chegarem à sala em que tudo começou.

-- Sirius caiu, Orion. – disse Isabelle pousando o garotinho no chão ao lado do pai. - Marlene o empurrou. Mil perdões, não sei o que dá nela… – Ela se abaixou e olhou analiticamente o rosto, as mãos e os braços de Sirius. - Mas ele não se machucou. Nem chorou! É um garoto muito forte e corajoso! – completou acariciando os cabelos negros do garoto. Sirius sorriu feliz com os elogios.

Orion Black rira quando ouviu que Marlene derrubara o filho, e mirava a garotinha que enrubescera e sentara ao lado do pai no sofá à frente.

-- Corajosa é sua filha! – a voz grave dele, mesmo quando falava de algo engraçado, com descontraída intenção, ainda assim era sombria e um pouco arrogante. Marlene se encolheu mais para perto do pai.

-- Bom, então ficamos assim, Richard. – O homem de cabelos negros de repente se ergueu do sofá. – Era nosso último negócio pendente. – disse fixando sem piscar os olhos do pai de Marlene.

A mãe dela olhou os dois homens um pouco tensa.

Orion Black estendeu a mão a Richard McKinnon, que a apertou com firmeza depois de se levantar também.

-- Vamos, Sirius. – disse para seu filho, depois de soltar a mão do homem a sua frente, indicando a porta.

Sirius imediatamente olhou para Marlene. A garotinha se ergueu do sofá, pulando para o chão.

-- Não leva ele, não, senhor. – Ela pediu olhando bem para cima, depois das barbas negras. – Deixa ele aqui.

Orion franziu o cenho. Sirius olhava o pai como se temesse sua resposta. O homem olhou Richard.

-- Podemos deixá-los brincar, Orion. Pode trazê-lo aqui sempre que puder. – ele respondeu sereno ao olhar.

-- Não quero meu filho com idéias ruins na cabeça. – resmungou num tom muito grave, o Black.

Isabelle o olhou irritada.

-- E você acha que vamos conversar com ele sobre essas coisas, Orion? Francamente!

O homem coçou a barba enquanto voltava os olhos para Isabelle, sério e analítico, fixou os olhos nos dela por um tempo antes de responder:

-- De qualquer forma, teríamos que nos ver a cada visita, e isso é o que combinamos de parar de fazer. Para que não conversemos mais sobre o tal assunto. – Seu olhar foi significativo. – E seria complicado manter esse acordo nos vendo muitas vezes. É melhor deixar assim, e manter o que restou da boa conduta entre nossas famílias.

Isabelle revirou os olhos.

-- Certo, Orion, mas é realmente uma pena. – disse o pai de Marlene olhando a filha e seu novo "amiguinho". Os dois se olhavam apreensivos, como se temessem se aproximar e não quisessem se separar, sem entender bem o porquê.

-- Também acho uma pena. – disse se dirigindo até o filho e pousando as mãos pesadas em seus ombros. – Como disse, seria um casamento excelente.

-- Não precisa ser um casamento, Orion. – disse Isabelle já um pouco irritadiça. – São só duas crianças querendo brincar.

-- São crianças agora. – disse daquele jeito arrogante. - Além disso, como já disse, eu apoiaria o casamento se fossem os bons tempos. Merlim sabe o quão puro seria o sangue do filho dos dois, e quão bonito também…

Richard contraiu o rosto.

-- Não fale em "sangue-puro", sim, Orion, por favor?

O homem fez uma leve reverencia com a cabeça em concordância cortês com Richard e guiou o filho para o hall da casa.

-- Mamãe, não deixa ele ir! – Marlene se manifestou de novo, andou em direção à mãe, já chorosa. Não entendeu bem a conversa, mas parecia que nunca mais ia ver o menininho bonito e corajoso.

Isabelle olhou a filha com indulgência, antes de dizer:

-- Fique para o jantar, Orion.

O homem parou à porta, virando-se com o filho. O garotinho olhou Marlene com aflição.

-- Os bons tempos acabaram, minha cara. – Ele respondeu. E o olhar compenetrado dele fez as lágrimas rolarem pelo rostinho de Marlene, porque ela entendeu que ele não ia voltar. Ele não ia trazer o menininho de volta.

Abraçou as pernas de sua mãe.

-- Adeus, Richard, Isabelle, pequena Marlene. – disse a voz rouca.

-- Tenha um bom fim de tarde, Orion. Cuide bem desse garotinho lindo. – respondeu a voz fina de sua mãe.

-- Adeus, Orion. – o pai de Marlene parecia pesaroso.

Sirius viu a garotinha chorando, silenciosamente, como se chora quando se sabe que não há jeito. Eles iam se separar.

A mãe dela a tomou no colo e a abraçou, e Sirius podia vê-la acariciando os fios dourados da filhinha quando olhava repetidas vezes para trás, a manzorra de seu pai guiando-lhe para através dos portões verdes de tanta hera.

Sua mãe nunca deixaria a hera crescer assim, livre.

Não queria voltar para casa.

Seu pai murmurou algumas coisas enquanto procurava a chaleira velha que largara na grama, algo como "casamento perfeito", "sangue puríssimo". E rodopiaram de novo. De volta à casa dos Black.

Abriu os olhos. O dormitório ainda estava pouco iluminado pelos primeiros raios de Sol do dia. "Sonhar com lembranças reais é normal?"

E fora tão nítido… Ele nem lembrava de tudo aquilo… dos detalhes, ele erguendo o vestidinho dela…

Abafou um riso no travesseiro. Não lembrava que fazia isso.

E ela chorou… Lembrava mesmo, tinha a imagem do rosto dela, os olhos grandes cheios de água… seu pai o forçando a andar. Seu pai…

Já na época era como sempre foi. Arrogante, esnobe…

Tudo o que ele fez para o próprio filho e ainda assim pensava que era honrado. Honra. O que eles entendiam por honra era a coisa menos digna que havia.

E ele se culpando, a infância quase inteira, por ser indigno de ser Black.

Lembrou-se do seu velho armário. E de uma situação em especial, alguns meses depois da lembrança que tivera em sonho.

Por mais que pensemos que crianças não refletem sobre a vida, isso não é verdade.

Ele sentia medo quando ouvia dizer que a infância é a melhor parte da vida. Se tudo ia piorar, por que continuar com isso? Por que não acabar logo com tudo? Como é que os adultos suportavam viver se para eles era ainda pior?

Estava de novo trancado no armário, entre as roupas, o fujão covarde que era. No escuro ele não se enxergava, escondia-se de si mesmo, do garoto fracassado que era.

Foi sua mãe que disse, seu pai que concordou. Defender a garotinha trouxa fora estúpido. Apanhar do garoto que ia bater nela fora ridículo. Cômico para papai. Vergonhoso para mamãe.

"Apanhar de um trouxa imundo para defender outra ralé! Sempre fazendo tudo errado! Você não parece um Black!"; às vezes ele odiava a voz de sua própria mãe.

Um Black. Ele se acostumara com o escuro do armário, mas era tão escuro que ele não via a si mesmo; e isso era bom. "Você não parece um Black".

Por que tudo tinha que ser tão sombrio?

Na família todo mundo era honrado, foi o que lhe disseram, os legítimos Black. "A melhor família bruxa", era como se descreviam os Black. O sangue mais puro, os homens mais bem sucedidos, as mulheres mais belas, as pessoas mais ambiciosas, a magia mais poderosa. Eles adoravam repetir que isso era ser Black, legítimos Black. E de novo, e de novo, citando incansavelmente o nome "Black". Como se fosse melhor que dizer "Merlim". Os régios Black.

Era tão importante assim?

"Mamãe diz que é".

Mas ainda era tudo muito escuro.

Não sorriam quase nunca. As vozes eram todas graves, ou estridentemente agudas demais. Só o tio Alphard dava tapinhas em suas costas quando ele fazia coisas legais. Havia poucas janelas pela casa.

Era tudo muito escuro. Black demais.

Por que defender a garotinha fora errado? Ele não entendia… Por que fora humilhante? Por que ele tinha que se sentir tão mal com isso? Devia saber. Devia saber que era errado. Mas quando viu a garotinha, na rua com aquele brinquedo esquisito, e viu o garoto tão maior que ela se aproximar e empurrá-la, pensou que seria honrado não permitir que ela se machucasse. Honrado não é como são todos os Black?

Ele errou. Devia saber. Não era honrado, era vergonhoso. Ele errada de novo, de novo. "Você não faz nada certo", papai tinha razão. E Regulus o olhava triste nessas horas, porque não podia se orgulhar dele.

Ele era um irmão mais velho, isso era importante. Tinha que ser bom, tinha que dar motivos para Regulus se orgulhar. Tinha cinco anos, já estava na hora de entender que era errado defender garotinhas trouxas. Ele tinha que ser bom…

Bateu com a mãozinha na própria cabeça, num castigo involuntário que fez doer bastante, pois bateu onde o garoto batera.

O garoto era tão grande… Devia ter uns oito anos. Como não querer defender a menina? Ele ia acabar com ela…

Pensou na menininha da casa da grama silvestre, a que o empurrou do morro. Pensou que se a visse em apuros não ia conseguir deixar de repetir seu erro.

Como eles conseguiam ser Black?

Como não querer impedir que uma coisa tão injusta acontecesse?

Se fosse a menininha do pequeno morro, talvez ela mesma batesse no garoto.

Sorriu pela primeira vez no dia. Ela era engraçada.

Fazia ele se sentir… engraçado. Ela ria tanto.

Será que ela era sangue-puro? Será que ele poderia defendê-la se a visse em apuros? Será que mamãe deixaria?

Ele quis que deixasse. Porque senão, teria que se esconder de novo no armário. Se esconder no escuro por ser tão pouco Black.

Porque ele não ia deixar aquela menininha se machucar… Não conseguiria. Ela era tão bonita. Ela não tinha nada, nada, nada de Black. Ela brilhava no sorriso e no cabelo. E tinha um riso que o fazia se sentir feliz.

Como se por um segundo ele fosse outra pessoa.

Como se ele não tivesse que ser um Black.

Como eles conseguiam ser Black?

Pensou que a menininha nunca estaria escondida num armário. Ela era livre. Rindo como ria, ele sabia que ela era livre. Devia estar rodopiando feliz ao ar livre, muito longe de armários escuros.

Às vezes dava sono, dentro do armário. Era muito escuro.

Vai ver por isso todos eles pareciam sempre tão aborrecidos, entediados… Era muito escura, a casa dos Black.

Descansou a cabeça na parede do móvel, até a madeira era fria ali, era muito escuro…

Lembrou da casa da menininha. Era tão clara…

Tinha um monte de janelas, e fotos do sorriso dela.

Fechou os olhos e bocejou.

Quis estar lá. Quis que ela desse a mão para ele agora, e o levasse para o pequenino morro do quintal.

Adormeceu.

Ele voltou muitas vezes depois para o pequenino morro no quintal da casa de Marlene. Algumas vezes com ela segurando sua mão. Nuns dos momentos bons da sua vida, os momentos com seus amigos, fora da casa dos Black.

A infância não fora a melhor parte da vida de Sirius, felizmente. Foi um pedaço da sua história que ele ainda tentava superar.


N/A: sinto fazer vcs esperarem tanto... e nem ta muito legal... quer dizer, eu gosto. Tenho uma queda pela infância deles... rs Mas acho q nem todos têm, né!

Bom, to indo de acordo com o potterish. Segundo ele, Narcisa é a prima mais nova e é 5 anos mais velha q sirius. Queria incluir bellatrix na história, tive q substituir o nome dela nuns capítulos já escritos, mas é até bom q ela não entre mesmo! Megera maldita!

Essa coisa do Sirius e das calcinhas... huahuahau tenho um primo q fazia isso quando era criança, e hoje é o maior garanhão da família... minha tia diz q ele sempre teve um interesse muito grande por mulheres... rs daí pensei no Sirius.

Tenho a intenção de ir por ondem cronológica agora, com as lembranças. Então por um tempo serão lembranças infantis. Se vcs acharem meio chato, e quiserem coisa mais pra frente e tal, é só falarem q dá tempo de mudar, de acrescentar ou misturar...

Obrigada zizi blue e Marauders' C por esperarem!!! Tomara mesmo, mesmo, mesmo q vcs gostem! Beijuuus!