Capítulo 14. In my tree

"Aqui, tão alto, começo a fugir
Aqui, tão alto, raspo o céu
Estou tão alto, eu seguro apenas um fôlego em meu peito
Como a inocência..."

Sentia falta de uma única coisa na Mansão Black. Uma coisa que, ironicamente, representava sua fuga. Era do velho ébano que se erguia ao topo daquela colina, no quintal dos fundos, de que sentia saudade. Fora ali que tantas vezes de escondeu das desavenças que ele causava na própria família, por ser um garoto "rebelde e inconveniente".

Era lá, sentado entre os ramos, escondido entre as folhas, que se sentira seguro durante a infância difícil. Longe dos gritos, esquecido do desapontamento que sabia ser mesmo no silêncio que lhe remetiam quando dizia coisas "ofensivas à linha sanguínea nobre e impecavelmente pura dos Black".

O tronco do ébano centenário era escuro, tão escuro quanto ele se sentia ao ser um Black pouco Black. Ele lembrava com exatidão as fugas para o topo de sua árvore, intensificadas no verão, quando a família se reunia mais vezes e as brigas eram mais freqüentes. Era quando ele ficava tanto tempo sobre os galhos enegrecidos, que começava a criar diálogos com a árvore. E ele acabava confessando que invejava seu companheiro, porque ele podia viver ali, com suas folhas ao ar, tais quais braços erguidos ao azul do céu do verão. Sempre bonito, sempre protegido pela cortiça dura que envolvia seu cerne. O cerne também era escuro, enegrecido. E ainda assim, indubitavelmente puro.

Isso lhe fazia sentir melhor.

Porque Sirius não era puro lá embaixo. Sua mãe gritava com ele e aquilo só podia significar que ele era, sim, impuro. Como um Black deveria ser. Como ele não queria ser. E pior que ouvir as idéias horríveis que seu pai tinha a respeito daqueles que chamava de sangue-ruim, era ver nos olhos de Regulus o desejo tão forte de ser incluído naquele círculo frio, porém o único que tinham (que seria sua família) a ponto de dizer coisas igualmente ruins, e se desapontar com o irmão mais velho ao vê-lo contradizer seus pais.

Eles eram frios, tirânicos e, no entanto, covardes. E o sangue deles corria em suas veias.

Ele confessou ao ébano que queria outro sangue circulando em seu corpo, um sangue mais limpo e puro, não o sangue-bom dos Black.

Sua árvore se agitou com o vento, como que lhe oferecendo a própria seiva a consolá-lo. E ele aceitou. E, a partir dali, quando escalasse aqueles ramos, ele seria puro. Ele fecharia os olhos sob o céu azul e deixaria o vento erguer seus braços, tais quais as folhas que lhe faziam sombra.

Era sua fuga.

Às vezes Andrômeda fugia com ele. Quando ela era criança e ele, bem pequeno, os dois subiam o ébano juntos. Ele lembrava como era bonito ver os cabelos dela perto da madeira dos galhos: eram da mesma cor. Um marrom enegrecido, um toque brilhante de castanho. Tronco e fios de cabelo sob o céu claro e Sol os aquecendo.

Até que ela completou seus catorze anos, Sirius teria seus sete, mais ou menos, mas lembrava-se muito bem de sua tia Druella vindo a passos longos, os cabelos louros de passar inveja ao Sol. "Andy, desça já aqui", disse ela, "você já é moça para ficar se escondendo aí em cima. Trate de descer ou rasgará seu vestido".

Andrômeda olhou feio para a mãe, como um pássaro quando o colocam numa gaiola. "Desça, Andrômeda", ela repetiu, "e traga essa criança mal criada com você", ela nunca gostou de Sirius. Andy olhou triste para o primo, suspirou e desceu os galhos com destreza nas sapatilhas. Não trouxe o garotinho de cabelos negros que observava tudo com muito rancor, porque sabia que tirar Sirius dali seria como arrancar um leão de seu território: cruel e impossível.

Ela pulou da base imensa do tronco, de onde saía a bifurcação dos galhos mais baixos da árvore, fazendo o vestido e os cabelos espessos, lisos e marrons como o ébano voarem numa lufada. Tia Druella olhou feio para o vestido amarrotado e com uma folha presa ao detalhe em bordado, Andy ficou assustada e alisou com as mãos nervosas o tecido da cor do vinho. Cor de vestido de moça.

Ela nunca mais fugiria com ele. (Fugiu, então, anos mais tarde, com um cara chamado Tonks).

Bellatrix por vezes viera ali também, criticar a ele e a Andy, dizendo-os "fracos demais e Black de menos". Os cabelos dela eram mais escuros que o ébano, quase como os de Sirius. E ela tinha os olhos sempre daquele jeito, pouco abertos, como se a luz dali não lhe agradasse. Ela achava "Black" um elogio, coisa honrosa. Era perfeitamente Black.

Vinha Narcissa também, a mão dada a Regulus, eles sempre se deram muito bem. Os cabelos dela eram da cor do Sol, como os de tia Druella, mas, incrivelmente, não brilhavam. Ela sempre lhe pareceu um espectro, a impressão de uma criança que não estava ali de verdade. Quando não estava em pé ao lado da mãe, as mãos postas às costas ao feitio de boa dama da nobreza, vinha até o pé da colina com Reggy, como o chamava.

Os cabelos de seu irmão também eram mais escuros que o ébano. E os dois, Cissy feito uma garota afogada e Regulus feito uma cópia opaca de Sirius, se sentavam a contrastar a grama verde com suas peles descoradas, brincando talvez de oferecer chá às bonecas da prima.

Ele lembrava que, às vezes, Regulus erguia os orbes azul-cinzentos, o jeito curioso de irmão mais novo se deixando revelar. Cissy repreendia-o, dizia que ignorasse o "garoto problema" da família, enquanto passava os dedos nos cabelos. Ela sempre o tratara como se ele fosse perigoso, ainda que fosse bem mais novo que ela.

Sirius não se importava. Estranho mesmo era ver o cabelo dela perto do ébano. Era tão forte o contraste que ele despendia minutos olhando, admirado. Pensava que se Narcissa sorrisse mais, traria um pouco de luz, como prometiam os fios de seus cabelos, amarelo-gualdos. Mas sem brilho algum.

Então Sirius ficava lá, fugido, foragido. E gostava de refletir que se mesmo escura, tão escura e enegrecida, aquela árvore tocava a pureza do vento, talvez ele também pudesse.

E um dia Sirius Black foi para a escola, e seus amigos, sangues "bons" ou "ruins", eram puros. Ele conheceu uma menina que de tão pura e livre poderia ser um raio de luz. Ela falava feito Cissy, o tom cheio de arrogância; tinha o porte parecido com o de Bella, altivo; e olhava como Andy, entre susto e desafio. E ele comparou bem assim, porque as três primas foram as únicas garotas que conheceu direito durante a infância. Mas poucos minutos observando-a viu que ela também era diferente de tudo que lembrava ter visto. Coloridamente diferente.

Ela sentou na mesma cabina que ele, no Expresso. Tão metida… Arredia como alguém que ele talvez já conhecesse. Mas ela tinha tanta luz. Seus cabelos balançavam muito, porque ela estava agitada, e isso fazia refletir o pouco de Sol que podia se ver por trás das vidraças naquele primeiro dia de aula. Os olhos eram grandes, e ela os abria tão completamente que as pupilas esverdeadas brilhavam douradas. Quando ela soube de seu afamado nome (os Black eram muito conhecidos, claro), viu-a empinar o nariz e ficar pescoçuda, porque era contra essas coisas obscuras. Ora, é óbvio que era. Previsível, legível em sua pequenina testa rosada e pura.

Ele simplesmente não conseguiu tirar os olhos dela.

E um dia ele pensou em levá-la até sua árvore, como um jeito de provar a realidade da luz que ela emanava. Ele confessou ao ébano que Lene, essa nova amiga, dava vontade de sorrir. E os galhos se balançaram, deslizando pelo vento, como se o ébano dissesse que está ansioso por conhecê-la.

Ela veio. Os cabelos dela tinham algumas das cores do ébano, o marrom do córtex e as listras castanho-queimadas de seu cerne (dava para ver naquele galho quebrado), e umas do Sol.

Ela disse que adorou a árvore dele. Lá em cima, sentada a seu lado no galho mais alto que agüentava o peso dos dois, ela sorriu. E foi como se Sirius fugisse para tão longe que voasse, porque estava sobre seu ébano, o céu estava claro, as folhas se agitavam num vento morno, e os olhos dela brilhavam o dourado que era a luz que ele procurava.

Nesse dia, um feriado qualquer aos doze anos enquanto esperavam a chegada dos outros amigos, ele segurou a mão dela, lá em cima. Para levá-la com ele a fugir.

E o ébano balançou com o vento, como se prometesse que Sirius um dia seria muito feliz.


N/A: huummm.... pouco diálogo, né? talvez fique chato de ler... na verdade esse nao era pra ser o cap... mas o outro (q eles se encontravam no primeiro dia de aula, etc) ficou bem pior q esse aí... ele nao é exatemente uma lembrança, o q foge um pouco do normal da fic, mas acho q dá pra entender...... é menor que os outros tbm, mas isso é pura falta de tempo - era pra eu escrever mais um lembrança no mesmo cap (virá no próximo).

me digam por favor o q acharam!!! é muuuuuuuito importante!!! ajuda a escrever os próximos, a saber o q eu preciso explicar, entende? ajuda muito mesmo. além de me deixar nas nuvens, pulando de felicidade! rodopiando de alegria!!

bom, agora vem mudança (facul, tals o/) daí acho q vou demorar um pouco pra update....... queria pelo menos escrever uma short... tomara q dê!!

assim q eu me estabeler ham ham, no meu novo lar rs, eu compenso vcs!!

reviewssss!! plliiiiiisssssss meus queridos leitores!!

Fearne M. B.: to honradíssima com o q vc disse!! ^^ brigada!!

Thaty: uma revíew só pra mim, isso faz mta felidade!! huahuaha

Allyson M. Black: tbm nao entendo bem, mas sou doida pelo casal!! deve ser a intensidade do sirius........ **

LMP3: ixi, esse cap fala de novo da infancia dele... q q vc achou?? dá tristeza, né... mas tem seu lado.... hum... profundo... rs

zizi: ziziiiii hauhauhaua brigada, brigada, brigada de novo!

na próxima respondo pro email... agoura tá complicado...... brigada!!

****música do Pearl Jam, "in my tree", me inspirou

beijos! digam se gostaram!