Capítulo 15. Amigos

Lembrou-se de quando, inocentemente, rompeu as últimas pequenas distâncias entre ela e Sirius, numa noite insônia e saudade.

Marlene abriu a porta de madeira pesada o mais devagar e silenciosamente que pôde e, como um gato, entrou num passo leve no dormitório masculino do primeiro ano. Buscou com os olhos a cama em que Sirius dormia, feliz por nenhum dos garotos ter fechado as cortinas dos dosséis. Avistou seu alvo à uma faixa de luz lunar, que atravessava o vidro de uma das janelas do quarto, na outra extremidade do cômodo.

Andou na ponta dos pés, o coração acelerado em pensar que um deles poderia acordar a qualquer momento. Satisfeita, notou que Gideon Prewwett roncava sonoramente, abafando qualquer ruído. Parou surpresa à frente de uma cama vazia, até lembrar-se que Remus havia viajado para visitar a avó doente. E em mais alguns passos o viu.

Sirius Black dormia de bruços, pernas e braços jogados para todos os lados, a cabeça oculta por travesseiros e cobertas, as costas nuas brilhando peroladas ao luar. Marlene olhou-o por um tempo, receosa de confundi-lo e acordar quem não queria. Mas já conhecia tão bem aquele garoto. O corpo e até as mãos... só poderiam ser de Sirius, seu mais novo melhor amigo, aquele à quem ela pediria um pouco de conforto nessa noite.

Ela sorriu tênue e sentou-se delicadamente no mínimo espaço que Sirius não ocupava em sua cama.

O garoto se mexeu, mas não acordou. Ela lhe tocou de leve o ombro.

Num só segundo, Sirius virou-se, abriu os olhos e sentou na cama num pulo, desenrolando-se das cobertas e virando o pescoço agitado até enxergar a amiga. Por sorte, Sirius nunca foi do tipo que grita quando assustado. Ficou uns segundos piscando os olhos para Marlene, como se ela fosse um fantasma em sua camisola azul, os joelhos ossudos à mostra e as mãos tampando a boca, mais assustada que ele. O peito nu dele arfava e ele abriu a boca mas nenhum som lhe saiu. Parecia completamente confuso.

Desce comigo. - Ouviu a vozinha da amiga sussurrar, suas mãos pálidas pelo luar agitando-se nervosas.

Sirius parecia incapaz de falar. Ficou mais um tempo olhando Marlene como se nunca tivesse visto coisa igual, até que meneou o rosto lentamente, levantou-se da cama e vestiu um roupão preto e chinelos de couro.

Desceram as escadas ainda em silêncio. Marlene sentiu alívio por não terem acordado ninguém.

Sirius pulou o último degrau a seu encalço, e perguntou no mesmo instante:

O que foi isso?

Isso o quê? - Sussurrou Marlene, insegura.

Por que você me acordou? - Ele seguiu a amiga até a poltrona em frente à lareira e sentou-se. Ela permaneceu em pé, olhando-o ainda assustada.

Só queria conversar. - Respondeu dando de ombros, mas parecendo incerta.

Sirius pestanejou para ela, enquanto deitava a cabeça no braço da poltrona, de modo que mantinha a amiga à vista.

Marlene.

Quê. - Ela sussurrou de volta, sentando-se numa poltrona à esquerda da de Sirius, ainda visivelmente desconcertada.

Pode parar de sussurrar agora.

Ah. - Ela sorriu nervosa. - É.

Aconteceu alguma coisa? - Sirius fitou a amiga preocupado.

Não. - Ela respondeu lentamente.

Hum...

Seguiu-se um silêncio em que Afrodite, a gata de Marlene, apareceu e deitou-se em frente à lareira.

Você 'tá ok? - Insistiu o garoto, confuso.

Marlene acenou o rosto em afirmação.

Então ela mordeu o lábio inferior, pensando com esforço no que dizer.

Como foi a detenção hoje?

Normal. - Sirius respondeu desconfiado. - Sala de Troféus. Eu e James.

Hum.

Mais um tempo de silêncio, Sirius mirava os olhos grandes de Marlene tão intensamente que ela teve certeza que ele estava perguntando "por que diabos você me trouxe até aqui?".

OK. - Disse ela por fim, suspirando e parecendo um tanto envergonhada. E disse do seu jeito rápido, em tom de confissão: - É que toda última lua cheia do outono, eu e papai acampamos no bosque perto da montanha, e hoje É esse dia, e é a primeira vez que não estou com ele.

Ela mirou Sirius como se esperasse que ele fosse rir.

Então você me acordou porque se sentiu sozinha? - Perguntou ele, com uma leve contração no canto dos lábios.

E, de fato, ele riu. Mas não como deboche. Riu como se estivesse gostando muito daquilo. E nem ele mesmo entendeu porque se alegrara em ter sido acordada por uma garota manhosa de pernas finas.

Ela mirou o fogo, corando. Desejou não ter sido tão infantil.

E o que vocês fazem na floresta?

Marlene se surpreendeu ao ouvir a pergunta interessada do amigo, olhou com um sorriso meigo e um brilho nos olhos de menina.

Nós observamos os animais que começam a se preparar pro inverno. Como as mariposas, sabe.

Legal.

O casalsinho sorri um para o outro.

E Marlene, feliz, descreveu suas aventuras, contou sobre seu pai, sobre o modo como ele sempre a protegia na floresta, sobre como ele dava um jeito de ela não sentir frio mesmo quando era madrugada ao ar livre, já quase no inverno.

Sirius se divertiu com as histórias dela, observando o jeito que ela tinha de deixar as coisas heróicas e o modo como descrevia coisas simples cheia de empolgação, abrilhantando toda frase, fazendo sorrisos em palavras, fazendo-o se sentir quente por dentro.

E, uma vez, papai e eu dormimos no telhado! - Disse risonha, como se aquela fosse a idéia mais genial do mundo.

Sirius riu. Mas por um momento lembrou-se de seu pai, e de sua família. Antes que ele pudesse se controlar, uma sombra perpassou seu rosto e ele bufou de leve:

Meus pais nunca fariam isso.

Marlene olhou-o com atenção, seu olhar tornando-se algo que Sirius chamaria de "companheiro". Ela se ergueu de sua poltrona e, então, fez algo que Sirius jamais esperaria de alguém, porque ninguém interpretaria o aborrecimento de um Black daquela forma, como ela interpretou. Ninguém acharia que ele, Sirius Black, desse tal liberdade, tal aproximação, nem na infância, nem nunca. Mas Marlene McKinnon o fez: ela se levantou, andou e se se deitou ao lado dele na poltrona, com tal naturalidade que Sirius não sentiu desconforto com essa raríssima intimidade. Sentiu o braço dela roçar o seu e o corpo magro se ajeitar a seu lado, como se fosse para ser assim mesmo, as pantufas roxo-gritantes dela a se colocar ao lado de seus próprios sóbrios chinelos de couro. Ela jogou os cabelos castanhos para trás do braço do sofá onde apoiavam as cabeças, lado a lado, de um jeitinho displicente e cuidadoso ao mesmo tempo, e olhou o amigo com um sorrisinho no rosto infantil, dizendo claramente algo que ele devia saber traduzir.

Ninguém mais teria feito o que ela fez, ele sabia. Por mais que ele estivesse se tornando popular, por mais que falasse alto, sorrisse com segurança, conversasse com naturalidade com todos no castelo, Sirius sempre fora do tipo misterioso que raramente se aproxima de verdade de alguém. E, no entanto, lá estava aquela garotinha. Mirando o teto e pensando talvez em campos verdes e noites estreladas, pelo brilho que ela tinha nos olhos, alheia à toda a suposta intimidação que Sirius carregava. Como se fossem feito da mesma coisa.

Sirius sentiu um repentino calor nas veias, como se seu sangue fosse aquele que tornasse as bochechas de sua amiga rosadas. Como se ele fosse quente como ela. E quem lhe dissera que ele realmente não era? Ali em Hogwarts, ali, com ela, ele era assim. Feito da mesma coisa que aquela menina quentinha.

Pedi ao papai que me levasse pra póxima Copa de Quadribol! - Ouviu a voz dela animada. - Ele disse que acha que vai dar certo!

Seu pai parece legal.

Ele é.

Sorriram juntos para o teto escuro da Sala Comunal.

Seus pais vão te levar pra Copa? - Ela perguntou.

Provavelmente. - Sirius respondeu desanimado demais, sentindo o olhar perplexo de Marlene se voltar para ele.

E você não 'tá feliz?

Sirius a olhou um pouco sério. Poucas vezes Marlene via aqueles olhos cinzentos, assim, tão neblinados. Ela sentiu que era mesmo tristeza o que tinha tinha sob as sobrancelhas negras e contraídas do amigo.

Meu pai não é como o seu. Não posso contar com ele pra me divertir ou pra... qualquer coisa.

Ela o olhou por um tempo, pensando se dava a mão para ele ou se traduzia o que queria dizer em palavras. Viu-o voltar a mirar o teto, compenetrado, triste ou bravo...

Bom, qualquer coisa, - ela começou a dizer, seu tom natural e doce – pra qualquer coisa você tem a mim. E a gente pode ir juntos na Copa.

Fora o que ele ouviu? Tentou não sorrir tão explosivamente como o que sentira dentro de si, sem muita explicação. Mirou os olhos dela, ali pertinho dele, e inaugurou um sorriso só para ela, vindo direto do sangue quente que corria nas veias dele, e dela.

A verdade é que a vida era maravilhosa.

Eu e James quase fizemos Madame Pince surtar hoje à tarde. - Ele disse, quase rindo, uma inspiração repentina.

Ela riu, se era possível, ainda mais alegre.

O que vocês fizeram?

Ele lhe contou, falou sobre suas aventuras, sobre como a vida dele ali, era mesmo perfeita.

Ele tinha Marlene.

N/A: atrasada, atrasada, culpada! puxa, me enganaram, viu? falaram q facul era moleza... não, não, nao!! isso aqui é puxado!!!!!! to bem sem tempo... mas, já disse, a fic tá pronta! sempre q der, e até quando não der!, venho aqui e update, ok?

espero q vcs gostem!

ai, tô louca pra ler fics novas... veeemmm feriado!!!!!! q eu vou fazer a festa auqi no fanfiction hauhauahua

comentem POR FAVOR!! sei q to relapsa rs e talvez os cap estejam piorando, mas entao me falem!!! me digam!!! deixem reviews!! serve pra me inspirar e pra me corrigir, sério mesmo!! por favorzao...

bjao gente.

ah sim... vou falar um tempo assim, do passado... ok? espero q vcs gostem de verdade.