N/A: oi oi oi! geeeente desculpa, nao to tendo muito tempo... mas olha só, pra sorte ou azar de vcs rs, to escrevendo mais tres fics!! nas aulas sobra tempo, sabe, mas aui em casa quase nao fico... daí escrevo, escrevo e nao tenho mucho tempo de digitar... mas é assim, né!! assim q eu terminar de escrever as outras fics vou postando! uma delas, uaaauu, nao é sirius/marlene uahuaauha q incrivel.

entao é isso... espero q vcs gostem!! (é uma lembrança!):

Capítulo 16. Uma carta e uns descontroles

--Você nunca vai colocar uma foto minha no seu quarto, não é mesmo? - disse a garota em seus 15 anos, com um leve ar blasé, a cabeça e as costas apoiadas na parede em que se escorava, uma perna mais à frente e o longo pescoço bem à vista, contornado pelos fios marrom-dourados. Apoiara-se na parede em que estava encostada a escrivaninha do quarto de Sirius, de modo que mantinha o amigo à vista, sentado escrevendo uma carta a James, ela sabia. Ele curvava o tronco já comprido demais para a idade, sobre o pergaminho onde se via uma só linha escrita, quase oculta pelos fios negros agora um pouco mais compridos, caindo displicentes e pesados. Ele ergueu os olhos, tendo que afastar o cabelo com as costas das mãos, e mirou a garota por uns instantes, quase em semblante de tédio. Passou os olhos então pelas paredes de seu próprio quarto, verificando a disposição de seus pôsteres e fotos. E sorriu cínico quando olhou novamente a amiga.

--Se você tirar uma foto de biquíni, eu coloco no lugar daquela – Disse em tom entre irônico e sedutor, apontando para a parede cheia de fotos de mulheres trouxas em trajes de banho. E Marlene se irritou mais uma vez com aquela mania dele de tentar provocar as pessoas, ela principalmente, em sentidos ambíguos. Ela nunca tinha exatamente certeza se ele estava brincando com ela ou se, de fato, tinha intenção de ser sedutor. Estreitou então os olhos, como sempre fazia, numa expressão de ameaça e devolução da ironia.

O garoto sorriu parecendo satisfeito e voltou os olhos para sua carta.

-- Isso não é justo. - Marlene continuou em tom casual. - Todos estão aqui. - Passou os olhos pelo quarto de Sirius, já acostumada com aquela sensação que o cômodo transmitia, de um lugar sombrio mas elegante que fora colorido desleixadamente. - Até essas mulheres trouxas que você nunca viu na vida... e as motochicletes...

-- Motocicletas. - A voz rouca corrigiu, sem que ele erguesse o rosto.

-- Isso. Tudo isso está aqui. Tem até flâmulas da Grifinória, como se você fosse realmente fanático pela nossa Casa. - Ressaltou sarcástica, pensando no pouco caso que ele sempre fizera em nome do que quer que fosse. - É como se eu nem fizesse parte da sua vida, Sirius. - Completou fingindo uma leve mágoa, mais para acabar com o tédio que sentia e atrair a atenção do amigo para si do que por estar de fato magoada.

Sirius a olhou, riu da graça dela e esperou até que ela esboçasse um sorriso, para dizer:

-- Lene, uma foto sua aqui não agrediria ninguém. Eu não sei por que, mas minha família não odeia você. É só por isso. - Completou acenando a cabeça.

Marlene deu um moxoxo de mau humor e se desencostou da parede , vindo sentar sobre a mesa, ao lado da carta que Sirius tentava escrever.

-- E você admite que faz isso tudo só pra provocar seus pais?

-- Admito. - Disse em seu mais comum tom de indiferença.

-- Francamente, Sirius, você é um garoto mimado que se faz de rebelde sem causa. - Ela falou, olhando-o de cima com uma expressão chateada.

-- Sem causa? Tem certeza que é sem causa? - Sirius ergueu as sobrancelhas fitando a amiga com um pouco de irritação.

Ela o ignorou e recolheu as pernas para si, empoleirando-se sobre a escrivaninha.

-- Você tem milhares de fotos minhas, Sirius. Por que não coloca uma ali? - A garota apontou o dedo comprido e fino para o espaço que ocupava o pôster de uma mulher loura e curvilínea de vestido branco.

Ele acompanhou a indicação dela e voltou os olhos à carta, meio impaciente, antes de responder.

-- É o lugar da Merilyn, minha preferida. - Usou um tom casual.

Marlene estreitou os olhos para o topo da cabeça curvada do amigo, como se ele pudesse sentir sua indignação mesmo sem vê-la.

-- Sua preferida? - Repetiu ela. - Ela é mais importante que eu, então. - Afirmou com uma veemência que sabia que Sirius encararia como desafio, desviando o quê ciumento da questão.

Sirius mirou os olhos castanhos da amiga, parecendo confuso, e o canto de seus lábios tremeu, como se ele quisesse rir.

-- O que te deu hoje, Lene?

Ela soltou as pernas, deixando-as suspensas ao lado do amigo.

-- Por que você não pode colocar uma foto minha aqui? Sou tão sua amiga quanto os garotos, não foi isso o que você disse? - Ela o olhou inquisidora. Ele sorriu charmoso.

-- Marlene, você não desafia os meus pais, só isso. - Ele apontou a foto da linda mulher loura. - Ela não é mais importante que você.

A garota continuou olhando fundo os olhos cinzentos, como se analisando a verdade do que ele dizia. Ou talvez procurando na própria mente mais um de seus argumentos. Ele não sabia dizer se a amiga realmente pensava ser pouco importante em sua vida, ou se estava só fazendo manha por estar entediada.

-- Mas ela tem uma foto no seu quarto. Eu não. - Ela achara mais um argumento. Ele estava ficando impaciente com a demora por responder a carta de James.

-- Marlene, você é a única garota realmente importante pra mim, O.K.? Ela é bonita e trouxa e meus pais odeiam trouxas. Não significa muita coisa...

-- Então se seus pais odiarem o fato de você pular pela janela, você pula? - Apelou irritadiça, cruzando os braços.

-- A janela não é tão gost... atraente.

Marlene bufou.

Sirius sorriu cínico.

-- Olha, Lene – largou a pena que segurara por tantos minutos sem usar -, você é minha melhor amiga. Isso aí são só... fotos. Não é nada.

Ela desviou o olhar.

-- Tem montes de fotos suas no meu quarto. - Murmurou contrafeita.

-- Você 'tá na TPM, é? - Largou a pena que de novo segurara esperançoso. Marlene o olhou fulminante e ele decidiu amenizar o tom de voz. - Tá certo. Vou colocar uma foto sua.

-- Não precisa. - Marlene respondeu mimada, em voz baixa e cortante, parecia realmente estar com muita raiva. - Arranco as suas das paredes e dos porta-retratos, assim ficamos quites.

-- Não, Lene. Coloco uma sua aqui. - Disse em tom cansado, apontando um ponto mais ao lado, naquela mesma parede em que a amiga se apoiara minutos antes.

-- Não, já 'tá decidido. - Cortou-o, agora mais indiferente.

Ele a olhou uns instantes, sem que ela lhe devolvesse o olhar.

-- Vai tirar as minhas do seu quarto? - Perguntou em incerteza, por trás de seu melhor tom displicente, devolvendo a indiferença.

Ela o fitou de sobrancelhas erguidas: - Vou.

-- Que coisa infantil. - Ele riu pelo nariz. Ela meio que sorriu, porque os olhos dele refletiram receio.

-- Pode ser. Mas me parece justo. - Concluiu a garota.

-- É idiota.

Ela deu de ombros.

-- Já disse que coloco uma sua aqui. - Ele continuou. Ela virara a situação.

-- Não precisa.

-- Não é por que precisa. - Ele disse em tom grosseiro.

-- É por que então?

Ele pestanejou.

-- Porque eu quero.

-- Se você quisesse, a foto já estaria aqui.

Trocaram, então, olhares fundos por alguns instantes. E Sirius, sem deixar de encará-la, abriu a primeira gaveta da escrivaninha e puxou um punhado de fotografias soltas e coloridas, quase todas de verões e feriados de que Marlene se lembrava. Passou a folheá-las em suas mãos grandes e magras, parecendo procurar por uma específica. Separou uma em que Marlene estava sozinha, sentada sobre a madeira do cais de porto que visitaram quando foram à casa dos Potter, a uma semana atrás daquele mesmo verão, que agora acabava. As pernas finas da garota balançavam e tocavam a água azul escura do rio; ela ria de alguma cena que se desenrolava à sua frente, mas que não aparecia na imagem, provavelmente a guerra de algas entre James e Sirius; e seu perfil magro se mexia com as risadas, fazendo refletir o sol na brancura da pele deixada à mostra pelo biquíni azul.

-- Pronto. - Sirius disse suspirando, pensando que quem sabe agora escreveria a carta. Olhou a amiga e viu que ela o olhava com uma sobrancelha erguida.

-- Só por que tô de biquíni?

Ele sorriu maroto. Ela revirou os olhos.

-- Você sempre disse que sou magra demais.

-- E você é. - Ele usou um tom fatídico, meneando a cabeça e a fazendo suspirar de irritação, simplesmente porque nunca entendia se ele a achava bonita ou não. Mas o ouviu completar: - É. Mas tem seu charme. - Concluiu de novo daquele jeito, entre zombeteiro e sedutor, piscando um olho marotamente.

Ela deu de ombros, pegou a foto que o amigo separara e pulou para o chão. Guardou-a na primeira gaveta do criado-mudo ao lado da enorme cama de madeira escura do amigo. Ele a acompanhou com os olhos, o cenho franzindo-se.

-- Mas você disse que queria uma foto sua na parede.

Ela deu de ombros mais uma vez, e voltou a se encarapitar ao lado da carta.

-- Deixa lá, daí você abre a gaveta e olha. Não quero ficar junto com a Merilyn.

-- Eu podia abrir essa gaveta e olhar. - Ele disse confuso, apontando a gaveta ainda aberta de sua escrivaninha.

-- Sirius, deixa assim. - Ela insistiu veemente.

Ele olhou a amiga querendo rir, mas por algum motivo simplesmente contemplou a expressão determinada no rosto de porcelana, o nariz arrebitado refletia, bem na pontinha, a luminosidade que vinha da janela aberta, na parede à esquerda dele.

A tempo de não perder-se em algum devaneio, inclinou-se sobre a carta e molhou a pena no tinteiro. Mas deixou-a no ar.

-- Você vai tirar as minhas fotos do seu quarto? - Lembrou-se de perguntar, mirando a amiga sem na verdade estar preocupado.

-- Não. Só blefei.

-- Certo.

O garoto teve tempo de escrever uma palavra.

-- Blefes funcionam bem com você, Sirius Black. - Ouviu a voz risonha a interrompê-lo. - Você é um tanto bobo, sabe.

Ele suspirou antes de largar a pena mais uma vez e mirar o sorriso maroto de Marlene.

-- Me deixa escrever a carta. - Murmurou mal humorado.

Ela riu.

-- Totalmente manipulável! - Constatou e riu mais.

Ele se irritou e pensou por um momento na grande mudança de humor instantânea da garota, achando-a mais agradável quando nervosa.

-- Marlene, deixa eu escrever. Fica quieta, poxa.

Ela o olhou com as sobrancelhas erguidas, analisando a seriedade do pedido.

-- O.K.

E pôs-se bem quietinha a balançar as persas suspensas, as mãos por sob as coxas.

-- Marlene. - Ouviu o rosnar do amigo, sem que ele erguesse o corpo.

-- Hum?

-- Pára de balançar.

-- Tá.

Ela ficou entre mirar o quarto e pensar na foto que guardara no criado-mudo, se Sirius a olharia e que ele tinha, sim, um defeito no nariz. Nesse ângulo, com ele abaixado para escrever, dava para ver bem. Ela notou também que ele não acrescentara nenhuma palavra à carta, apenas mantinha a pena a dois centímetros do pergaminho.

-- Marlene. - Ouviu-o resmungar.

-- Oi.

-- Deixa eu terminar essa carta? - Tentou amenizar a irritação na voz, não por não querer intimidar a amiga, mas porque nunca gostara de demonstrar incômodo.

-- Mas eu 'tô quietinha! - Ela disse confusa, mirando ainda o topo da cabeleira negra de Sirius, até que ele a olhasse.

-- Mas eu não consigo me concentrar com você aí! - Mais nervoso, passando uma mão pelos cabelos.

-- Eu não 'tô fazendo nada!

-- Mas fica aí, sei lá, não consigo me concentrar nessa droga. Senta lá na cama.

Marlene revirou os olhos.

-- Francamente, Sirius. Você é muito mimado.

-- Mimado por quem? Você que é. Sai daí e me deixa escrever.

-- Não sou mimada.

-- Então mostra isso e sai daí. - Empurrou sem força o quadril da amiga para o lado. Sentia-se já perdendo o controle do nervosismo.

-- Não sou manipulável como você também. Não vem com psicologia reversa, ou seja lá o que for... - Terminou murmurando, tentando se lembrar se era mesmo esse o caso.

Sirius suspirou cobrindo o rosto com as mãos. Marlene estava especialmente irritante hoje. Empurrou-a de vez, controlando a força, e ela foi parar desajeitada no chão, mas em pé.

-- Sirius! - Exclamou ofendida. - Você quase me derrubou!!

-- Você vive caindo da vassoura. - Argumentou impaciente, como se fosse o suficiente para justificar sua falta de cuidado.

Marlene deu a volta na escrivaninha, não tão nervosa quanto esperava estar, talvez exatamente por ver Sirius irritado assim. E por saber que ela era a responsável. Era como ter um certo poder sobre ele. Ela recostou-se de novo à parede, como de início. E voltou às suas contemplações, entre devaneios e constatações. Afinal, aquele defeito no nariz só servia mesmo para deixá-lo mais bonito.

-- Dá pra parar de olhar pra mim? - Ouviu o resmungo rouco, ele permanecia inclinado sobre a escrivaninha e mais uma vez a mão pálida não escrevera uma só palavra.

-- Não 'tô olhando.

-- 'Tá sim.

-- Você não poderia saber, caso eu estivesse olhando. Não tem olhos no topo da cabeça.

Ele riu e a olhou.

-- Você é muito óbvia. Sei que você 'tava me olhando.

Marlene estreitou os olhos, que flamejaram dourados.

-- Cala a boca. - Disse nervosa.

-- Então pára de olhar e me deixa escrever.

-- Vou olhar pra você se eu quiser olhar! - Disse aguda e um tom acima do normal.

-- Você vai parar de me olhar. - Resmungou rouco, mais baixo um tom.

-- Não, não vou.

-- Vai sim, ou te fecho no meu armário.

-- Duvido!

Sirius se ergueu rápido, a cadeira arrastando-se no chão e quase caindo. Um impulso o atingiu, como um acionar de movimentos mecânicos que esquentava seu corpo, e ele segurou Marlene pelos braços, pondo-se bem próximo dela.

A garota arregalou os olhos, um instante só assustada, até se recompor e empinar o nariz para ele, fazendo questão de pestanejar menos, só para encará-lo sem hesitar.

-- Me larga, Sirius! - Reclamou com firmeza.

-- Então pára.

-- Por que te incomoda tanto? - Teimou.

Ele soltou os braços da amiga, passando as mãos pelos cabelos enquanto andava até a janela e descobria o Sol bem mais baixo. Quanta demora só para escrever uma carta!

-- Sei lá, só quero terminar a carta. - Disse cansado.

Qual era o problema de Marlene naquele dia, afinal? E por que ele estava se incomodando tanto?

-- 'Tá. Vou ficar quieta. - Ouviu a voz da amiga de repente, em tom de bandeira branca.

Estava realmente ficando maluca, aquela garota. Desde quando ela mudava de idéia/humor tão rápido?

-- E sem me olhar? - Perguntou como quem negocia, ainda um tanto incrédulo.

-- Uh-hum.

Ele a olhou desconfiado. Ela sorriu marota e respondeu:

-- Acabei de lembrar que aquele vizinho seu, o trouxa ruivo bonitão, lava o móvel dele de tardezinha. Dá pra ver pela janela.

Sirius a olhou e pestanejou.

-- É automóvel. E ele é muito baixo pra você. - Disse repentinamente indiferente, mirando a amiga se aproximar dele, e da janela.

-- Talvez eu goste de caras baixos. - Ela respondeu casual e deu de ombros, pondo-se a espiar a janela.

-- Você é alta demais pra gostar de caras baixos. - Constatou impaciente.

-- Gosto dos baixos. - Ela concluiu só para irritá-lo, mal prestando atenção no que dizia. Às vezes cansava o fato de Sirius sempre rejeitar suas características declaradamente. Alta demais, magra demais, atrapalhada demais... Ele sempre achava um jeito de destacar algum defeito nela.

Ouviu o amigo rosnar um "certo" e acompanhou-o com o olhar ao mesmo tempo em que sentava-se no parapeito ornamentado da janela. Sirius sentou-se à escrivaninha e molhou a pena no tinteiro. Ela virou o pescoço e viu através da janela, lá embaixo, o ruivo bonitão aparecer com uma mangueira e começar a molhar o tal automóvel. Pensou se Sirius achava Lia Sloper ou Meg Moon, com seus corpos dentro do padrão e rostos sempre sorridentes, boas o suficiente.

Sentiu-se impaciente.

-- Vai demorar com essa carta? - Perguntou, sem se controlar.

A verdade é que Sirius esperava uma deixa. Não conseguira escrever nada.

-- Sai do quarto pra eu me concentrar. - Despejou, nervoso por não entender como podia não conseguir escrever uma simples carta.

-- Ora!! Sai você!!! - Devolveu Marlene, irritada pela grosseria.

-- O quarto é meu.

-- Tão cavalheiro quanto um Slytherin, que gracinha! - Alteou a voz sarcástica.

Sirius ergueu-se rápido, o mesmo impulso de outrora invadindo-o. Segurou a amiga pelos braços, desta vez com mais força, fazendo-a descer do parapeito e encará-lo.

-- Você 'tá doido? O que pensa que 'tá fazendo?! - Perguntou a garota, tentando manter a pose, apesar de sua voz ter saído bem mais aguda que o normal.

-- Trancando você no armário e tornando minha vida mais simples.

Ele realmente a fez andar em direção ao armário escuro.

-- Sirius! Meu braço 'tá doendo! Me larga! Sirius!! - Reclamou aflita. Tinha medo de lugares escuros e fechados.

Ele abriu a porta pesada e a empurrou para dentro, tendo que aproximar seus corpos, porque agora a amiga tentava atingi-lo de alguma maneira, as bochechas avermelhando-se de irritação.

-- Lene, pára! Pára! - Ele tentava segurá-la, mas ela começara a chutar e se debater contra ele. Sabia que Marlene tinha medo de ser fechada em algum lugar, mas não achou que a amiga o fosse levar a sério.

-- Lene, eu tava brincando! Pára! De. Me. Bater. - Finalmente conseguiu segurá-la, contendo com uma de suas mãos os dois pulsos finos dela e com o outro braço, retendo-a meio que em um abraço.

-- Seu doido! - Ela insistiu, tentando inutilmente se debater, mas parando aos poucos. - Nunca mais faz isso! Grosso! - A voz dela parecia um pouco embargada.

-- Calma, Lene. - Ele falou preocupado.

Ela o olhou séria.

-- Eu coloco fogo no seu cabelo se você tentar isso de novo.

Sirius deu uma risada que pareceu um latido. E soltou os pulsos dela.

-- Você é muito chata às vezes, Lene. - Disse e começou a fazer cócegas na amiga, como uma maneira de se redimir. Ela imediatamente começou a rir e a se contorcer, mais vulnerável que antes, quando presa por força entre os braços dele. Sentia a mistura conhecida de aflição com relaxamento que as cócegas lhe causavam, e tentou, como sempre tentava, fazer cócegas no amigo também. Mas perdeu o controle, como era de se prever, e deixou-se somente rir e tentar se esgueirar para algum lado, ora distanciando o corpo do amigo, ora indo se chocar com ele, encaixando-se entre seus braços como quando crianças. Fazia tempo que Sirius não lhe fazia cócegas? Porque agora estava diferente. Não soube como, mas foram entrando mais no armário escuro, Sirius impiedoso lhe fazendo cócegas, ela perdendo o controle entre o riso e os braços dele.

Ele ria também, como se aquilo fosse a coisa mais divertida do mundo. Sempre achara maravilhoso o processo que se desenvolvia entre e por suas mãos quando fazia cócegas em Marlene. Era como ter o vento fechado num pote só para ele ver. Mas o vento completo, não só o ar preso. O movimento, o balançar que ele causava nas folhas das árvores, o cheiro que exalava. Como ter Marlene, aquela menina doidivanas, presa num pote, mas assistindo o movimento do cabelo dela brilhar dourado, o sorriso explodir liberdade, e o cheiro de maçãs exalar ainda mais. Era, de fato, maravilhoso.

Mas difícil de controlar. Ela sempre perdia o controle e acabava se jogando na parede ou caindo encolhida no chão, rindo-se de quase sufocar. E foi assim, mais uma vez. Suas pernas falharam em sustentá-la e Sirius tentou segurá-la, mas Marlene se afastou temendo as cócegas e acabou escorada na parede interna do armário, encurralada pelo amigo que, bem como ria de vê-la rir, seguiu seu corpo e assim ficou: a segurá-la entre seu peito e a parede, os rostos tão próximos quanto poderiam estar.

Os risos viraram sorrisos. E de novo estavam num armário. Só não tinha o cheiro de pó e produtos de limpeza que tinha da primeira vez. E tinha o aumento exponencial da beleza dela, e tinha a intensificação da atração dele.

Sirius ergueu os braços num movimento que lembrava o de um tigre, e a acolheu mais, deixando uma das mãos escorregar até a cintura dela, pela segunda vez na vida daquele jeito, sentindo aquela necessidade de tocá-la. E mais ainda do que no quintal da casa de sua avó, mais forte, mais intenso.

Ela rira tanto que agora não conseguia respirar, talvez fosse esse o motivo do descompasso do ar que entrava e saía de seu pulmão, o coração acelerado demais para ter algum ritmo controlado. Ela sentiu a firmeza de suas pernas ir embora outra vez, e precisou se apoiar, de novo. Dos olhos de Sirius, encarando-a sem pestanejar e respirando como se tivesse corrido uma maratona, ela só via o brilho prateado, já que ele estava contra a luz, e bloqueando a luminosidade com seu corpo assim, tão perto e forte. Não sabia o que fazer, queria se aproximar, mas não sabia como, ou talvez soubesse que não devia. Então baixou o rosto e apoiou o corpo no do amigo, suas pernas não aguentavam mais aquele repentino torpor. Sentiu que Sirius suava sob a camiseta branca.

Ela deitou a cabeça em seu ombro e ficou lá, meio que tremendo, meio que descansando daquele ritmo cardíaco. Sirius abraçou-a e tentou pensar. Pensar, pensar, pensar... Aquele armário era muito quente no verão, ele não conseguia pensar. Por que estavam no armário? Por que Marlene estava tremendo se estava tão quente? Por que se sentia excitado a um simples abraço?

Tocou o rosto da amiga e o ergueu para olhar os olhos castanho-esverdeados, agora não mais que um brilho oliva-dourado. Quem sabe ela sabia por que estavam ali. Quem sabe ela conseguia pensar.

Desde quando seu amigo era essa armadilha toda? Era a segunda vez naquele verão... Ele só lhe fizera cócegas, afinal, como tantas outras milhares de vezes. Qual era o problema dela?, e de suas pernas, e de seu coração, e da saliva que aumentava em sua boca... Aninhou-se ainda mais com o corpo do amigo, alheia aos próprios pensamentos, como se seu corpo agisse por si. Sentiu a mão ossuda de Sirius tocar seu rosto, e seus lábios.

Ele tateou a carne avermelhada como que para compreender o magnetismo, a vontade louca que ele tinha de se afundar ali.

Marlene, sem poder esperar mais um segundo, tirou a mão de Sirius de seu rosto e à devolveu a sua cintura. Sirius pareceu levar um choque. Colou os lábios nos dela de uma vez, segurando sua cabeça com força, puxando os fios finos entre seus dedos. Ela o abraçou também com força, empurrando mais o corpo contra o dele, sentindo um volume anormal lá embaixo. Achou que se assustaria com aquilo, não fosse a impossibilidade de pensar em outra coisa além da necessidade que tinha de beijar Sirius.

Mas alguém bateu na madeira maciça da porta, fazendo um barulho grave soar alto e os assustar. O resto do mundo ainda existia.

Marlene tentou empurrar o amigo pelos ombros, mas ele a segurou com mais força. E ela não resistiu, beijando-o mais.

-- Mano! - Ouviram a voz de Regulos baixa, por que estava atrás da porta, ainda.

-- Sirius... - Marlene murmurou entre um beijo e outro. - é melhor... Sirius... pára... seu irmão... - tentava dizer, mas acabava por beijá-lo.

-- Sirius! - Ouviram mais alto.

Marlene o empurrou e Sirius se afastou, o peito arfando tanto quanto o dela. Ele pasou a mão pela testa e os olhos por Marlene, parecendo um tanto intrigado e afobado. Marlene o olhava assustada.

-- Eu... vou lá. - Ele disse. E saiu do armário, com ela atrás.

Parou em frente à porta, respirou fundo por um momento, a cabeça olhando para baixo.

-- Sirius, você 'tá aí? - Regulus insistiu mais alto.

Sirius abriu a porta.

-- Fala. - Ele disse numa tentativa de parecer indiferente, soando meio sério.

Marlene viu que Regulus pareceu analisar o irmão por um momento.

-- É... a mãe perguntou se a Marlene vai ficar pro jantar.

-- Não, nem eu.

-- Você 'tá O.K.? - Regulus franzia as sobrancelhas fartas.

-- Tô. - Sirius fez menção de fechar a porta. Não costumava ser tão impaciente com o irmão, mas ele era esperto, podia perceber alguma coisa.

Regulus segurou a porta e encarou o irmão ainda mais curioso, e percorreu os olhos pelo quarto, ficando na ponta dos pés para ver por cima do ombro de Sirius, indo parar o olhar em Marlene. Fitou-a como se ela fosse um novo objeto de decoração do quarto, uma expressão compenetrada, antes de voltar a olhar Sirius.

-- Pra onde você vai? - Perguntou, a displicência dele não era charmosa como a de Sirius e, talvez por isso, não disfarçava bem suas intenções.

-- A gente vai jantar na casa do James. Quer ir?

-- Você sabe que não.

-- Certo.

Se encararam mais um pouco, Marlene viu a sombra de um riso nos lábios finos do caçula Black, antes de ele girar nos calcanhares exatamente como vira Sirius fazer milhões de vezes.

O garoto fechou a porta e suspirou, ainda de costas.

Então encarou Marlene. Um tanto surreal era essa coisa de se pegar com a melhor amiga no armário do quarto e depois vê-la assim, como sempre, as mãos espremidas nos bolsos da bermuda, as canelas finas, e o olhar assustado que ele via desde os onze anos.

Ela parecia pensar o mesmo, porque baixou os olhos e balançou a cabeça como quem se incomoda com um inseto. Depois começou a rir com as mãos cobrindo o rosto.

Sirius começou a rir também, e andou até ela.

Puxou as mãos de seu rosto e, num movimento, puxou-a para perto dele, ela deixando a cabeça pender para trás, rindo divertida, e indo parar bem de encontro ao corpo dele. Bem no momento em que o riso dos dois cessou.

Marlene fitou-o enigmática por um instante; ele a achou criança demais para ser capaz de uma expressão tão misteriosa.

-- É melhor nã- - Ela começou a dizer, mas Sirius a beijou. Só um selo.

E dessa vez foi ela quem não o entendeu. Sirius Black era capaz de algo tão pouco impulsivo e tão carinhoso quanto aquele selo simples e gentil?

Olharam-se por um tempo, de repente não se conheciam tanto assim.

-- A gente não pode... ficar fazendo isso. - Ela disse por fim.

-- Eu sei. - Soltaram-se.

Ela afirmou com a cabeça.

-- Mas não tem exatamente um motivo lógico pra gente não fazer. - Ele disse lentamente, fazendo esforço para não tocá-la de novo.

-- É, mas... se todo mundo diz que não dá certo, deve ter um bom motivo.

-- Deve... - Ele disse sem prestar atenção, tendo que concentrar esforço em se controlar.

-- Mas a nossa amizade não é tão comum assim, nem todo mundo tem um amigo como você, ou como eu. - Ela lembrou.

-- É. - Ele disse sorrindo, e tocou o braço dela, num gesto contido.

Ela baixou o rosto e mordeu o lábio.

-- Mas pode significar se meter em encrenca à toa. - Ela disse.

-- Não é à toa... - Ele a fez abrir um sorriso enorme. E se aproximou para beijá-la outra vez.

-- Mas é... - Ela se afastou. - Não é... Não 'tá certo, Sirius. Eu acho.

-- E daí? - Ele perguntou impaciente.

-- Eu sei lá, a gente pode se meter em encrenca...

Ele sorriu.

-- E daí? - Repetiu.

Ela riu.

Bateram na porta outra vez.

Sirius respirou fundo antes de virar-se e abri-la.

-- Quê. - Era Regulus.

-- O Potter 'tá lá na lareira querendo saber por que vocês não responderam a carta e falando pra vocês irem logo pra lá que o jantar já tá quase pronto. Vai logo que a mãe já começou a brigar com ele. - Disse tudo num mesmo tom entediado, virou-se e saiu.

Sirius olhou por cima do próprio ombro. Trocou um olhar "terminamos o papo depois" com Marlene, e ela veio em seu encalço para descerem até a lareira.

N/A: e aí? foi legal? enoooorme foi né, hauhaua. digam oq acharam, por favor!!! por favor!! será q ainda adianta eu pedir? pelo jeito nao muito né... bom, espero q tenham gostado!

sera q é bom eu aumentar a restrição? tipo tá em K+. vai ter uns cap mais... saidinhos mais adiante... será q eu mudo? acho q sim, né...

cap q vem tem coisa do presente! mas essas lembranças sao muito importantes pra eu tentar passar como eu vejo a historia dos dois, entende? minha amiga falou q o sirius e a marlene ficam se pegando e brigando hauhaua pq ela é de touro e ele é de escorpiao ¬¬ tá bom né.

bjaozao, gente