N/A: oii! lembrando q esse cap é sobre o presente...

beijo! espero q vcs gostem!

Capítulo 17. Flores e Estupidez

Flores No Deserto

(Herbert Vianna)

Um dia
Posso até pagar por isso
O impossível é meu mais antigo vício
Ou então
Um delírio do meu coração
Que vê as coisas
Onde as coisas não estão

Tão certo
Como flores no deserto
Real
Como as miragens da paixão

Havia
Inocência em seu sorriso
Enquanto caminhava rente ao precípicio
Estava calmo
Por acreditar em perfeição
Tal qual o tolo da colina na canção

Dera um jeito de escapar dela na noite anterior, depois que voltou de Hogsmeade. Evitá-la era a melhor maneira de expressar seu ressentimento. Não por que essa fosse a coisa coerente ou certa a se fazer, mas porque era o que conseguia fazer. Se olhasse aqueles olhos castanho-esverdeados, se sentisse o cheiro ou se simplesmente ouvisse sua voz, cederia.

O que era aquilo, que aquela menina, sua amiga desde o primeiro ano, lhe causava? Ele reunia todas aquelas sensações, sua incapacidade de negar o que quer que fosse àquele sorriso maroto e as reações físicas que Marlene lhe causava e nomeava como amor. O que mais seria? Não contara isso a ninguém, mas dentro dele, sabia que só podia amá-la. Talvez por lhe faltar palavra melhor, talvez por se sentir num labirinto toda vez que mirava seus lábios. Além disso, ele era acostumado a sentir coisas que não entendia, e nomeá-las como queria. Aprendeu um bocado de mistérios cedo demais. Marlene era mais um deles. Mistérios que envolvem, ora fascinam, ora ferem e que sempre foram inerentes à sua própria vida.

E mais: como não se envolver com ela? Como não se apaixonar por aquele conjunto? O jeito ácido, a aparência meiga, o gênio forte e jeito desastrado... Como não amá-la pelo simples fato de ela estar sempre ali, junto deles, como um deles, como parte do que ele mais amou, do que mais o fez feliz na vida. Ela fora uma dentre as pessoas que fizeram de seu problema um segredo, e do segredo, uma brincadeira. Ela era parte do mundo que ele queria para ele. Ele a queria sempre perto.

"Mas ao menos um gelo vou dar", pensou enquanto mirava, por acaso, as garfadas vorazes que James dava em sua omelete, na cadeira à frente.

E então ela veio, e o problema é que ele sentiu a fisgada característica quando a viu atravessar o Salão Principal cabisbaixa, as mãos apertadas nos bolsos da jeans, do jeito tão dela. E ela fez aquele trajeto delicado com os dedos enquanto guiava os cabelos para trás das orelhas, e arqueou as sobrancelhas escuras num jeitinho assustado quando o viu, já ao meio do Salão. De tal forma que, quando ela sentou-se a seu lado, Remus já se sentia aquecido demais para ser frio com quem quer que fosse.

Forçou-se a olhar as torradas que comia.

-- Não fui só eu, a culpada. - Ela disse, num tom um pouco defensivo, mas ele sentiu que ela o olhava de esguelha. - Você foi bem grosso... - Ela continuou, mas ele não a olhou, armadura em pedra que era. Ela suspirou. - Tá certo. - Resmungou só um pouco contrafeita. - Desculpa, Rem.

Ele não conseguiu evitar. Sorriu fazendo surgir rugas no canto dos olhos cor de mel, de um jeito charmoso. Marlene estalou um beijo em sua bochecha, e ele a olhou.

-- Desculpa, também. - Jogou seus planos para o alto e deixou-se sentir a dor confortável que Marlene o fazia sentir quando dava aquele sorriso com os olhos brilhando.

Ela beijou sua bochecha mais uma vez, e ele selou os lábios nos dela, tomando uma mecha de seus cabelos nas mãos e a apertando, como que para gravar a textura, num gesto típico dele.

Ela olhou o sorriso calmo de Remus, aquele sorriso, e sentiu como se encontrasse o equílibrio que vivia perdendo.

-- Eu já 'tava com saudade. - Disse, deixando passar o carinho pelo brilho dos olhos castanhos. Ele a abraçou mais ou menos como pôde, assim sentados à mesa, e sentiu, como um bálsamo, que ela deitara a cabeça em seu ombro.

Quando ela voltou a encará-lo, exibia um meio-sorriso que ele sempre achara sua vitória: como se ele tivesse conseguido fazer virar um anjo um gênio rebelde. Um anjo só dele.

-- Não faz mais isso, Lene. - Deixou escapar enquanto temia sentir de novo o que sentira no dia anterior quando ela atravessara a porta.

O sorriso todo frescor de antes deu lugar àquela expressão pseudo-determinada que ela sempre fazia quando não tinha controle sobre a situação.

-- Remus... - Ela começou. E ele não a deixaria terminar. Conhecia o discurso "não me diga o que fazer, não é como se fosse uma escolha, pare de pensar nessas coisas", com um quê filosófico que ela dava. Conhecia, mas não queria saber...

Porque já sabia, sabia mais do que a própria Marlene fingia não saber.

-- Eu tenho que disciplinar você. - Interrompeu-a em tom de brincadeira, apesar do olhar triste.

Marlene riu e deu um tapinha em seu braço.

-- Essa sua disciplina me deixa maluca, Lupin. - Ela entoou com as sobrancelhas erguidas e uma mão na cintura. E ali estava tudo no mundo que fazia Remus se perder: aquele conjunto de cintura fina, com olhar maroto e rosto meigo. Aquele jeito maroto encoberto por corpo de garota. Remus suspirou como que para espantar a pontada que sentira no coração, se aproximou de Marlene e mordeu seu lábio inferior, tentando controlar impulsos. Ela riu daquele jeito doce e se voltou para a mesa, procurando provavelmente café e alguma coisa doce. Tão alheia a tudo aquilo que o fazia sentir...

E num momento Remus lembrou-se por tudo que a namorada passara, as brigas na família de sua mãe, a morte recente do pai, os conflitos com Sirius... Era sempre estranho pensar na delicadeza e inocência dela em meio a toda àquela aridez da guerra. Era mais ou menos tão impossível quanto o impulso que o fazia tentar segurá-la para ele, sabendo que era só uma questão de tempo, que logo, logo, teria que encarar o deserto, assumir as miragens. "Crescer não é muito bonito", pensou. E fitou mais uma vez Marlene. Viu-a tentando limpar a boca com um guardanapo, e havia açúcar em seu queixo. "Tem coisas que são lindas sempre". Afinal, existem flores no deserto.


Ela andava pelos corredores frios e vazios, estava no limite do toque de recolher daquele domingo. Ficara na biblioteca mais tempo, estudar era uma boa desculpa para que ninguém achasse estranho o fato de ela querer ficar sozinha. Não entendia bem o porquê, não via mais razão nas coisas. Ela tinha um bom motivo, claro, seu pai sempre fora seu alicerce, toda sua estrutura. Mas não era só isso. Ele tinha lhe deixado um legado: a força, a decisão. De certa forma, essa agora era sua estrutura: a lembrança do rosto de seu pai lhe dizendo que, fosse como fosse, ela tinha que ter força quando fazia escolhas, ela tinha que fazer escolhas. Será que era isso? Havia alguma decisão que ela não tomara, uma escolha mal feita?

Marlene se perdia pensando isso. Não sabia mais o que eram escolhas e o que era já era certo por si só. Talvez nada fosse certo por si só, talvez suas próprias regras internas não estivessem certas, talvez ela estivesse fazendo tudo errado... E talvez a saudade que sentia de Sirius fosse um sinal, talvez as palavras dele fossem sinais...

Desde quando ela acreditava em sinais? Sirius a fazia se perder mais, sempre. Ela se achava nele (e isso não era se perder?), se confundia com ele, e não entendia como isso poderia contribuir para a construção da independência que agora precisava ter. Os muros do castelo iam se abrindo aos poucos, a guerra vinha chegando, seu pai se fora... "Força, Marlene. Força", pensava.

Próximo ao fim do corredor ouviu uns risinhos. Virou-o e avistou Sirius "brincando" com uma garota com um lindo rabo-de-cavalo negro e encaracolado. Sentiu a sensação à qual se acostumara, aquela de quando via seu amigo com suas muitas garotas. Percebeu que fazia tempo que não via Sirius assim, porque chegou a reparar na sensação, coisa rara, já que se acostumara realmente a vê-lo com outras.

-- Vai lá com suas amigas, amanhã a gente se vê na aula. - Ouviu a voz rouca de Sirius, num tom sedutor que ela sabia ser assim para despistar a garota do fato de que ele a estava dispensando. Marlene conhecia cada tática dele, tantas vezes o vira aplicá-las; algumas para que ele fosse aprontar alguma com James, outras para ir passear com Marlene em algum novo lugar dito proibido.

Sabia que a garota entenderia a fala de Sirius como um "te vejo logo", quando ele queria dizer "já que você está no papo, vou subir e aprontar alguma com o Prongs".

A garota selou os lábios nos de Sirius e se virou para Marlene.

-- Olá, McKinnon! - Cumprimentou animada, um sorriso bobo estampado no rosto.

Marlene lhe deu um meio-sorriso em resposta e andou até Sirius, que viu-a pouco antes de fazer menção de virar-se, e parou para esperá-la.

-- Mais uma coitada. - Marlene entoou em um tom falsamente preocupado, quando passaram a andar lado a lado. E cruzou os braços, enrijeceu os ombros e enrugou a testa, numa clara imitação de Remus. - Quando é que você vai tratar as garotas com sinceridade, Padfoot? - Engrossou e abaixou a voz.

Sirius riu da imitação dela, pôs as mãos nos bolsos e deu de ombros.

Ela o olhou de esguelha.

-- Não era você o maroto que ia casar e ter cinco filhos?

Ele a olhou.

-- Prongs veio com essa coisa mulherzinha de número cinco, eu só falei que teria filhos. Um dia.

Às vezes as coisas pareciam que iam voltar a ser como sempre: Marlene conversando solta matreira ou risonha, e Sirius com suas respostas vagas, em tom displicente raramente afetado por uma risada súbita e escandalosa, que parecia um latido.

A diferença era que Sirius ultimamente, ria menos. E Marlene tinha aquele tom triste nos olhos.

-- Você me falava que ia achar uma garota e ia casar com ela, lembra? - Marlene o olhou, lembrara-se de repente, e saudosamente, de Sirius lhe dizendo isso à beira do riacho perto de sua casa, a voz dele meio falhada pela puberdade.

-- Lembro. - Ele não a olhou. Podia ver os raios de sol que o chorão filtrava fazendo reflexo nos cabelos de uma Marlene mais menina, num dia em que conversaram sobre isso. É claro que se lembrava.

-- Tratando todas elas assim, não vai dar certo.

Ele ergueu uma sobrancelha e a olhou.

-- É claro que vai. - Disse. - Já viu alguma resistir?

Ela revirou os olhos e ele sorriu seu sorriso mais famoso.

-- Um dia você vai ter que parar com isso, Sirius. Essa falta de... sinceridade.

-- Quando eu achar que devo, talvez. - Seu tom voltou à indiferença, e ele fitou uns quadros conhecidos. - Ou talvez eu nunca pare.

-- Daí vai trair a sua esposa?

Ele a olhou, ela estava com aquele ar esnobe de apatia, que ele sabia não ser tão apático assim, porque a palavra "traição" era carregada de significado para os dois. Juntos. E ele teve certeza que ela pensara nisso quando Marlene desviou o olhar para frente por um momento. Depois ela o viu dar de ombros em resposta à sua pergunta.

-- Você não vale nada. - Ela disse.

-- Olha quem fala.

Ela franziu o cenho para ele e o esperou fitar de volta.

-- Por que 'tá falando isso? - Perguntou um pouco fria.

O olhar que ele lhe deu foi gelado, e, doloridamente, o mais sincero até ali.

-- Me respeita, Sirius.

Já que as coisas finalmente ficavam reais na conversa, Sirius desfez a indiferença:

-- Você traía seus namorados, e ficava com eles só por ficar. Não vem se fazer de... donzela. - Ele soltou a última palavra como quem não encontra uma melhor. Viu que Marlene já respirava mais rápido.

-- Eram outros casos, e você não tem o direito de me dizer isso! - Ela se irritou, alteando a voz e o olhando com raiva. Ele não tinha o direito de dizer aquilo, e ele sabia por que não tinha.

-- Então não vem querer lembrar as coisas, não vem com esses assuntos, não vem me falar em achar... a garota! Como se... como se fosse a solução! E como se não fosse importante pra você! - A voz dele ficava mais rouco quando tentava falar mais alto.

-- O quê? Eu não disse, não era isso que...! - Ela parou de andar, ele parou de frente para ela.

-- Era sim! Se você não falou, você pensou. Você esquece o quanto eu te conheço, Marlene. Você não é boazinha assim!

Ela o olhou boquiaberta. O que ele queria dizer com aquilo? Como ele se atrevia a falar sobre isso desse jeito grosso, como se ele não estivesse envolvido, como se não soubesse... tudo?

-- Por que você me desdenha tanto, Sirius? - Resolveu-se por perguntar algo que entalara-se em sua garganta há anos.

-- Foi você quem começou! - Ele disse impaciente, abrindo os braços.

-- Não! Não 'tô falando só de agora! Você sempre foi assim comigo! Me critica em tudo, me desvaloriza. Você acabou de dizer que eu sou... fácil!! a voz dela ficou mais aguda e ela abriu bem os olhos para ele, muito nervosa.

-- Ora, mas você foi quando quis, não foi? - Ele devolveu o olhar aberto, dizendo com os olhos tudo o que não saía em voz alta, tentando arrancar uma certa resposta dela.

-- CALA A BOCA! Não é você que me conhece?! Você conhece cada caso de traição, você... conhece! - Ela não queria ser mais clara, seus olhos tentavam arrancar dele o sentido real da conversa. Ela não abriria mão de seu orgulho agora, não daria a resposta que ele queria. - Você sabe que não era questão de ser fácil, coisa nenhuma!

Sirius abriu e fechou a boca, o peito arfando. Sentia raiva e ao mesmo tempo ansiava pela resposta dela, queria deixá-la falando sozinha e ao mesmo tempo desejava mais que tudo que ela dissesse...

-- Era questão de quê, então? - A voz tão rouca quase fazia reverberar. Marlene respirava cada vez mais rápido, o rosto dela estava corado e os olhos grandes bem abertos, apesar da testa enrugada de tensão. A escuridão do corredor destacava a sombra que se fazia em seus lábios, e Sirius sentiu ódio. Segurou seu braço à altura do peito, com força. - Responde, Marlene!! Era questão de quê!?

Ela tremeu de raiva. Não daria a resposta. Não daria.

-- De infantilidade, talvez! - A voz saiu aguda de um jeito cortante, que era para ser frio, mas pareceu frágil por ser tão pouco sincera.

Sirius riu baixo, sem sombra de alegria.

-- Sim, e agora você é tão madura! - Ele ficara mais pálido que o normal, olhava-a em completo desgosto. Tanto que quase encobria a tristeza e o brilho dos olhos poderia ser só de raiva, ela não sabia dizer.

-- Eu amadureci! - Escorreram lágrimas pelo rosto dela, raiva e algo vazio, meio como tristeza. - Você é que não amadureu! Continua lidando com as pessoas como lidaria com seu reino Black!

Ele estreitou os olhos, o ódio ainda mais estampado no rosto e na força com que ainda segurava o braço de Marlene. Ela fez uma expressão de dor, mas não o fez soltar, mesmo sabendo que ali ficariam as marcas dos dedos dele, com certeza.

-- Presta atenção no que você 'tá fazendo, Marlene. As coisas mudaram, e você continua brincando por aí. - Se ela não soubesse exatamente do que Sirius falava, certamente acharia incoerente ouvi-lo dizer isso, já que era um maroto. Mas doeu ouvi-lo, porque tinha medo desse assunto, dos erros que, de fato, talvez estivesse cometendo. - Você ainda é uma garotinha mimada. - Completou baixo e cortante.

Ela puxou o braço e Sirius o soltou, porque as lágrimas que rolavam pelo rosto dela aumentaram, e ela mordia os lábios para não chorar de verdade. Ele nunca lidou muito bem com o choro dela.

-- E você, Sirius – Ela conseguiu dizer, e cravou as unhas nas próprias mãos. – Você não tem idéia do que fala! Você é... é um... - Ela mordeu os lábios novamente e meneou o rosto, esfregando o braço que Sirius segurara e o olhando com ódio.

Ele sentiu um ímpeto muito forte de empurrar Marlene contra a parede, cerrou as mandíbulas com força para se controlar. Mirou os pulsos finos dela como quem analisa a vulnerabilidade do inimigo. Respirou fundo e girou nos calcanhares. Andou sem olhar para trás, mesmo quando ouviu o grito de Marlene:

-- ESTÚPIDO!

Ela assistiu as costas largas de Sirius se distanciarem, chorando de raiva e de medo.


N/A: e aí? gostaram? digam, PLEASE! deixem recadinhos... fico tao feliz...! ficou mais reflexivo assim, espero q nao tenha ficado chatinho... eu gosto de brigas hauhuahau

a musica tem a ver com as duas partes, dá pra captar a mensagem? rs espero q sim!

obrigada zizi, caramelo e yuufu! de coração!! o melhor de tudo sao os comentários sobre a hist, o sirius, etc huahauhaua de verdade!

cap q vem é lembrança bonitinha. q o presente só tem drama, né? rs

bjaozaozao!