O vento uivava na janela enquanto meu coração pulsava no peito cada vez mais rápido. Ansiosa, olhei o relógio na escrivaninha, que marcava 22:00 horas. Arrumei com cuidado alguns travesseiros sob o cobertor grosso, de modo que se a srª Lyan entrasse no quarto, veria um corpo dormindo tranquilamente na cama.

Ouvi um barulho no vidro e me aproximei com cuidado. Lá fora, Ruth preparava-se para jogar outra pedra, acenei para ela antes que completasse o movimento. Meu quarto era no segundo andar e para sair, precisaria descer pela cerca improvisada que servia de suporte para as trepadeiras. O pior é que eu tinha medo, não, horror, de altura.

Com cuidado iniciei minha descida. Devido a um problema de equilíbrio, esta tarefa pareceu-me ainda mais assustadora. Conforme ia me deslocando, sentia os estalos que a madeira fazia debaixo dos meus pés. Faltando aproximadamente um metro para o chão, pulei aliviada. Ruth se aproximou saltitante.

- Graças a Deus Jen.

- Graças a Deus mesmo. Quero ver na volta quando tiver de subir. – disse limpando o suor de minha testa.

- Isso a gente pensa depois. Vamos – Ruth disse me arrastando pela manga.

A sua casa não era muito longe. Na verdade Ruth morava a duas quadras da minha. Entramos em silêncio pela porta da frente.

Seu quarto era tudo que uma garota adolescente gostaria (pelo menos eu). Era grande, a cama larga e baixa, sem cabeceira, repleta de almofadas coloridas, uma janela ampla com uma vista linda, um guarda-roupa charmosérrimo, elegante, tudo em branco e verde claro.

- Sente-se – Ruth pediu indicando um puff verde, colocado estrategicamente em frente a penteadeira.

- Ah não... o que é agora? – perguntei com medo.

- Vamos ao segundo passo, já que o primeiro, completamos com sucesso.

Sentei no lugar indicado e fechei os olhos. Por isso, não notei a palhafernada que minha amiga tirou de dentro de uma gaveta. Só fui perceber tarde demais... Maquiagem?!

- Bem... – Ruth começou. – Como você é ruiva e tem a pele clara, preciso pensar numa maquiagem não muito forte, já que seu cabelo chama a atenção por si só.

Abri os olhos ofendida. Ruth riu divertida.

- Isso não é uma ofensa. Deixe-me continuar. – disse pegando uma base na bolsinha rosa que estava colocada sobre a penteadeira. – Vou apenas uniformizar sua pele por causa das sardas. Como sua pele é muito delicada, vou usar também um pó claro.

- Ok?! – concordei meio em dúvida.

- Então... – O tom de sua voz estava diferente. – O que você acha do Cristian? Seja sincera! Pode falar e não precisa ter vergonha.

- Que papo é esse? – Perguntei desconfiada.

- Nada! É só que... você sabe... o Cristian é louco contigo e ele não é de se jogar fora. E é muito inteligente também!

- E esquisito, estranho, sem noção. – completei.

- Só um pouquinho Jen. Nem é tanto assim! Ele é legal, prestativo, e está super-afim de você!

- Ah não, Ruth! O que aconteceu com você? Cristian legal?

- Claro! Ele fez as carteiras falsas pra gente. Super-prestativo!

- Que decepção Ruth. Como você pode querer me ver com o Cristian? É claro que não tenho muitas chances com os caras bonitos e tal, mas logo o Cristian? Ele usa protetor de banana! (tipo uma coisa esquisita que é para a fruta não amassar e chegar inteira pra hora do lanche). Você lembra aquela vez que ele nos levou para tomar sorvete e queria pagar com tíquete-alimentação? Sem contar aquele pato de inflar esquisito que ele levou para a festa da turma do ano passado...

- Cisne.

- Como? – perguntei irritada por ter me interrompido.

- Era um cisne e não um pato. – Ruth respondeu segurando o riso.

- Pouco importa! O negócio é que ele tinha uma caixa com um japonês fazendo cara de sexy e o suposto cisne amarrado na virilha e quando a gente apertava o cisne/pato pulava pra fora, inflando instantaneamente. Aquilo era horrível!

- Eu sei... mas, no fundo, ele tem suas qualidades...

- Bom... isto é... pode ser, mas se tem, estão muito bem escondidas e trancadas à chave. E fala sério! È melhor procurar outra profissão porque cupido não serve pra você!

- Jen! – Ruth reclamou escandalizada.

- E continua aí, porque já estou saindo.

Em seguida senti a esponja bater delicadamente no meu rosto. Fiquei em silêncio enquanto Ruth trabalhava no meu rosto. Ela só podia estar louca e eu só queria descobrir de onde ele tinha tirado essa idéia.

- Agora vou passar um rímel e um batom vermelho.

- Vermelho não! – Supliquei.

- Por que não? – ela perguntou chateada.

- Porque não. Não gosto.

- Mas com ele você vai parecer mais velha.

- Não importa Ruth. Batom vermelho eu não gosto.

- Mas... – ela ainda tentou.

- Não. – cortei. – Por favor... – supliquei

- Está bom. Vou passar então um marrom clarinho, o que acha?

- Que tal um cor de boca? – perguntei esperançosa.

- Não. Marrom claro e não se fala mais nisso.

Sabendo ter perdido, aceitei. Antes marrom do que vermelho.

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A fila não estava muito grande e conforme ia aproximando da entrada, sentia minhas pernas bambas e meu coração acelerado. Tentei fazer o que Ruth tinha me dito: pensar positivamente. Enquanto caminhava, ia recitando mentalmente o mantra: "Vou conseguir entrar. Vou conseguir entrar. Vou conseguir entrar".

- Essa fila está enorme! – Ruth falou chamando minha atenção.

- Pois é. Bem que podíamos voltar pra casa e quem sabe fazer uma festa só para nós. Que tal uma festa de pijamas? – perguntei esperançosa.

- Claro que não! Eu entro neste clube nem que tenha que esperar até amanhã.

Suspirei desanimada.

O celular de Ruth tocou nos assustando. Com curiosidade, ela olhou a tela antes de atender e sorriu.

- Quem é? – perguntei curiosa.

- É o Cristian. Acho que ele conseguiu entrar. Me dê um minutinho, tá Jen?

Enquanto Ruth conversava com Cristian no celular, quatro rapazes passaram cortando a fila. Senti então Ruth me cutucando as costelas (que mania chata!) e olhei exasperada.

- O que foi?

- São eles. – ela disse com os olhos arregalados.

- Eles quem?

- Os caras mais lindos da escola. – disse apontando os rapazes que sumiam na entrada.

- É? Que coisa!

- Não me diga que não está reconhecendo?

- Não – disse cruzando os braços.

- Eles são daquela aldeia na saída da cidade. Dizem que são descendentes de lobos.

- Podem ser descendentes de lobo, urso, onça parda, formiga e luva-deus, mas tinham que entrar na fila! – exclamei chateada. Eu aqui, plantada há uma hora e eles simplesmente entram assim, como se fossem os donos?! Que mundo mais injusto! - E além do mais, o que têm eles?

- O que têm eles? Eles estudam na nossa escola desde o ano passado e são os mais populares e bonitos. Todas as meninas são apaixonadas por eles, inclusive Verônica.

- Como sabe de tudo isso? – perguntei curiosa.

- Ora, você chegou atrasada na escola hoje. Eu não.

- Por favor... os documentos. – alguém nos interrompeu.

Com todo esse alvoroço acabei me esquecendo do mantra e agora estava lá, diante do segurança. Tentando fazer minha mão não tremer, entreguei o documento para ele que nos examinou de cima a baixo. Então, o segurança passou minha identidade pela maquininha e suspirei aliviada quando ela não detectou nada. Os minutos pareceram horas e senti o coração parar quando ele olhou bem nos meus olhos.

- Tem alguma coisa errada. – ele disse com autoridade.

Pronto. Ele me pegou. Eu sabia que isso ia acontecer!

- Você não tem 18 anos.

Diante de tal afirmativa, o jeito era manter a calma e confirmar a mentira (nem sob tortura eu contaria que tinha 15 anos). Engoli seco antes de retrucar.

- Tenho sim.

- Não tem não! Essa porcaria está com problema – Disse batendo na máquina e passando novamente o documento.

Ouvi murmúrios atrás de mim reclamando da demora enquanto o segurança chamou outro mais adiante. O novo segurança tomou o documento em suas mãos e passou pela terceira vez na máquina.

- O que tem de errado aqui?– o outro perguntou sem paciência.

- Ela não tem 18 anos. - o outro retrucou.

- De acordo com o documento, tem sim. – o segundo respondeu.

- Mas...

- Chega Donald. Deixe a garota passar que já está atrasando a fila.

Com isso, o segurança abriu espaço e entrei acompanhada de Ruth, que no meio da confusão, nem precisou mostrar a identidade.

- Estamos dentro! – ela exclamou.

- Graças a Deus!– disse respirando agora com mais tranqüilidade.

- Bem que eu falei para usar o batom vermelho. – Ruth não podia deixar passar.

- É, você estava certa. – concordei. - Mas foi por pouco viu?!

- Que nada! Estamos aqui não estamos?

- É, estamos. – respondi aliviada.

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As luzes piscavam freneticamente enquanto corpos dançavam no meio da pista. Acompanhando Ruth, segui até um canto mais escuro e ficamos observando o movimento por alguns minutos.

- Uau, que massa!!! – Ruth não conseguia fechar a boca. – É simplesmente per-fei-to!

- Acho que estamos loucas. – falei um pouco assustada.

- Que nada Jen. Vamos andar por ai. - Ruth falou, me carregando para a pista de dança.

Após vários minutos com Ruth em estado de deslumbramento, ela recuperou a consciência (quer dizer, mais ou menos).

- Vamos beber alguma coisa. – ela sorriu, os olhos brilhando pelas luzes.

- Acho melhor não. – disse cortando o barato.

Com o canto dos olhos vi Cristian se aproximar visualmente alcoolizado. Cutuquei Ruth que sorriu divertida.

- Jeniffer! – aproximou colocando os braços sobre meus ombros. – Demoraram muito para entrar.

- Pois é – Ruth respondeu. – Quase pegaram a Jen.

- Sério? – perguntou cambaleando.

- Seriíssimo, mas agora está tudo bem.

- Que bom! Então Ruth? Cumpriu o meu trato? – Cristian falou me olhando descaradamente (que cara de pau!).

- Ainda não! – ela respondeu e eu meio que vi ela chutando Cristian disfarçadamente.

- Vou pegar uma bebida. – Falei apressada.

- Mas pensei que não queria. – Ruth teve que retrucar.

- Mudei de idéia. Fique aqui com o Cristian que eu já volto. – disse piscando um olho.

- Mas... – ela tentou me segurar.

- Nada de mas. Fica aqui e não discuta. – falei brava.

Só Ruth mesmo para pensar que eu ainda não tinha percebido qual era a parte dela no trato com o Cristian: eu!

Ela sorriu sem graça.

- Espera que vou contigo. – Cristian falou.

Vendo meu desespero, Ruth intercedeu:

- Não Cristian, preciso conversar contigo. Depois você fala com a Jeniffer. – Ela falou firme.

Cristian, provavelmente pensando que era alguma coisa a meu respeito, decidiu ficar e eu sorri agradecida.

- Então gente, vou lá tá?

- Pode ir. – Ruth sorriu.

Saí respirando aliviada em direção ao bar. Chegando ao balcão, olhei o garçom e fiquei imaginando o que fazer. Esperei algum tempo para ouvir o que os outros pediam e tão fiz meu pedido:

- Me vê duas doses de whisky. – O garçom se afastou para pegar. – Puro e com bastante gelo. – completei gritando após uma garota pedir o mesmo.

Peguei o copo e cheirei a bebida. O odor fez arder minhas narinas, mas já que estava ali, não custava nada experimentar. O primeiro gole desceu queimando e por pouco não cuspi tudo para fora. Engoli fechando os olhos, tossindo como uma louca até ser interrompida por um comentário sarcástico.

- Quer que pegue um babador?

Olhei a garota esnobe, uns 15 centímetros maior do que eu, loira, bastante maquiada, salto alto e bolsa cor de rosa, que estava do meu lado acompanhada de mais três amigas, rindo da piada sem graça. (Mas que cruz essa minha viu?! Pelo amor de Deus!)

A bebida ainda queimava minha garganta, dificultando pensar numa resposta decente enquanto as quatro saíram rindo como hienas.

Peguei o resto de minha dignidade e saí a procura de Ruth.

- Cadê a bebida? – Ruth me perguntou assim que me aproximei.

-É... hum... é que... não... é...

- Tudo bem Jen. Aconteceu alguma coisa? – perguntou preocupada.

Minha língua coçou, mas com o Cristian logo atrás, o assunto teria que ficar para depois.

- Nada não. E então? O que está fazendo?

- Contemplando a paisagem. – Ruth cochichou apontando a pista de dança.

Virei rapidamente e então vi a garota "engraçadinha" dançando sem um pingo de pudor. Olhei para minha amiga desconfiada.

- Estou falando é do Deus grego atrás dela.

Fixei meus olhos novamente na pista de dança e então o vi.

- Quem é ele? – perguntei.

- Seu nome é Jacob. Ele também é daquela turma que encontramos na entrada. Lindo não?

- É lindo sim... mas não faz meu tipo não. – falei contorcendo a boca.

- Como assim? Lindo, gostoso, alto e forte e não faz seu tipo? Você só pode estar louca.

- Não. – respondi cruzando os braços.

- Então o que faz seu tipo? Baixinho, magricela e branquelo? – disse apontando o Cristian com a cabeça.

- Não!!! Claro que não, mas, sei lá... ele é meio metidinho, não? Tipo aqueles mauricinhos. – falei olhando mais uma vez.

- Bom... é. Ele parece meio metido mesmo. Mas é gostoso demais! Ah se Deus me desse uma oportunidade de ter um desses do lado... nem sei o que eu faria... – Ruth se abanava.

- Não faria nada. Cão que ladra não morde... – respondi rindo.

- Sei... eu não faria nada? Então você faria tudo?

- Eu não! Já falei que não faz meu tipo.

- Sei...

Preferi não responder.

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Confesso que não foi lá grande coisa o clube. Depois daquela conversa, ficamos ainda uns 30 minutos antes de sair. Do lado de fora o frio estava cortante e quase não havia movimento. O vento varria folhas e lixo pela rua, um cão corria solitário desaparecendo na esquina. Engoli em seco. Voltar sozinha com Ruth e a essa hora... tão perigoso. Becos, vagabundos, ruas desertas, escuridão... Droga!

- Minha irmã já deve estar chegando... – Ruth falou.

- Quem?

- Minha irmã, ora.

Suspirei aliviada.

- Sua irmã é uma santa.

- Que santa Jen?

- Claro que é! Já estava aqui pensando como que a gente ia fazer para chegar em casa.

- Lucy é legal, né? Não vai contar pra mamãe onde eu estava e ainda por cima vem me buscar...

- Pois é.

Lucy é 10 anos mais velha. Convenhamos que, para deixar a irmã de 16 anos ir num clube proibido para menores e ainda por cima não contar para ninguém e vir buscá-la... só pode ser santa, além de louca, claro.

Ficamos em silêncio até o celular de Ruth tocar e me fazer quase ter uma taquicardia.

- Calma, Jen. Você está meio paranóica ultimamente viu?!

- Que seja... – respondi.

- É Lucy, o que será que ela quer?!

Apenas revirei os olhos em resposta enquanto ela se afastava um pouco. Distraída, decidi olhar em volta e foi então que vi um casal se agarrando entre as árvores, a uns 300 metros de mim. Sem nada para fazer, decidi observá-los discretamente. O homem era alto e forte; a garota, muito pequena, quase sumia no abraço. Era um casal meio estranho...

Olhei Ruth mais uma vez, que ainda no telefone, gesticulava feito louca. Provavelmente estava ensinando o caminho para irmã. O jeito era voltar a observar o casal. Não que eu adorasse ficar observando os momentos íntimos e de amassos de alguém, mas eu não tinha nada pra fazer mesmo, eles estavam ali e pareciam não ligar (claro que não era uma coisa muito legal de se fazer, ainda mais que a minha vida sentimental era praticamente nula). Mas foi quando eu percebi que tinha algo errado. Não sei, mas parecia que a garota estava tentando se soltar, mexia os braços para cima e para baixo freneticamente... Chamei minha amiga.

- Só um minutinho Jen.

Ruth ainda conversava no celular e não olhava para o meu lado. Encarei novamente a cena. O homem desceu o rosto para o pescoço da garota e então pude vê-la melhor. Estava apavorada, os olhos muito abertos, a boca num grito mudo.

- Ruth!

- Espera aí. Estou ocupada. – disse ainda sem me olhar. – Pode falar Lucy. É só a Jen aqui do meu lado.

Droga! Tinha que fazer alguma coisa, mas não tinha ninguém além de mim e de Ruth.

Juntando toda a coragem caminhei me aproximando do casal. Alguma coisa no meu coração dizia para ficar no meu lugar, virar as costas e fingir que não vi nada. O que eu poderia fazer com os meus 1,60 de altura? Mas eu não podia fingir. A garota precisava de ajuda.

- Ei!!! – gritei olhando o casal.

O homem virou o rosto em minha direção e então tudo parou. Tinha os cabelos muito oleosos, a pele muito pálida, quase branca e sangue escorria por dois caninos alongados. Mas o que mais me assustou foram seus olhos vermelhos, ardentes, famintos. Ele me encarava, segundos pareceram horas, seus olhos cravados em mim.

- Ai meu Deus. – murmurei apavorada.

Ele largou a garota que fraca, desabou no chão. Vi que caminhava em minha direção e então fiz a única coisa que poderia.

- Socorro!!!!!

Ruth virou apavorada e seguranças saíram pela porta de entrada do clube, assustados com meu grito. Estranhamente, os "intocáveis", apelido dado por mim aos "caras mais lindos da escola", surgiram não sei de onde, todos com os olhos confusos e alertas, saindo, em seguida, atrás do homem que já tinha desaparecido na escuridão.

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A ambulância preparava para sair em direção ao hospital levando a garota desacordada enquanto eu era entrevistada pela polícia.

- Eu já disse que era um vampiro. – confirmei pela quinta vez.

- Olha, senhorita...

- Jeniffer. – completei.

- Todos sabem que vampiro não existe. – o policial falou, chateado com a situação.

- Era o que eu pensava também até uns 20 minutos atrás. – respondi.

- Desse jeito não vamos chegar a lugar nenhum.

Suspirei. Estava com raiva porque ninguém acreditava em mim. Mas eu não estava louca, sabia muito bem o que tinha visto. Quer dizer... eu nunca tinha visto um vampiro nos meus 15 anos de vida, mas eu posso jurar que aquele homem era um. Qual é? Não é todo mundo que tem caninos compridos escorrendo sangue por ai. E o fato dele ter fugido e sem contar as duas perfurações no pescoço da garota, isto era prova mais do que suficiente.

- Provavelmente ela está bêbada, sargento. – Outro policial que se aproximava comentou em tom de gozação.

- Deixa pra lá... melhor esperar pra ver se a moça recupera a consciência. – o primeiro policial falou guardando a prancheta e os papéis. - Você está liberada.

- Mas policial eu tenho certeza do que vi...

- Vá para casa menina e agradeça por eu não levá-la ao juizado de menores viu? Só esses seguranças para acreditarem que você tem 18 anos.

-Droga! – Exclamei.

Desanimada, me aproximei de Ruth que me aguardava junto com a irmã no carro.

- Então Jen? Como você está?

- Estou bem, mas eu sei o que vi.

- Mas estava bem escuro Jen. Pode ser que você tenha se enganado.

- Não. Eu tenho certeza. Quer dizer... sempre pensei que vampiros existiam apenas nas histórias e naquela minissérie "Buff – a caça vampiros". Mas eu estava enganada...

- Jen – Lucy falou pela primeira vez. – Será que você não imaginou coisas?

O que eu teria que fazer para alguém acreditar em mim?

-É... pode ser. – Decidida a encerrar a assunto, acabei concordando.

Entrei no carro e enquanto Lucy contornava, procurei fechar os olhos e esquecer o por quê de eu não estar na minha cama, quentinha e agasalhada, longe de toda essa confusão.