Assim que as aulas terminaram, Jacob e eu subimos na moto sem sequer trocar um olhar e muito menos algumas palavras. O sol desaparecia no horizonte quando deixamos o estacionamento da escola em direção a aldeia. Cada célula do meu corpo tremia com a lembrança da tarde, quando ele me segurou em seus braços e beijou minha nuca. As poucas palavras sussurradas em meu ouvido vibravam em meu interior toda vez que eu fechava os olhos. Eu sabia que estava fazendo papel de boba, que tudo não passava de um plano para ninguém desconfiar de nada, mas eu não conseguia resistir. Era forte demais.
Jacob dirigiu por algum tempo e quando estávamos na estrada ele parou a moto no acostamento. Descemos em silêncio e então eu o olhei, preocupada com o que estaria acontecendo ou se ele tinha visto algo suspeito. Ele pegou o capacete da minha mão, prendendo-o em seu braço. Não entendo nada, esperei ansiosa por algum sinal.
- Você quer guiar? - A pergunta me pegou de surpresa.
Ouvir sua voz pela primeira vez depois do que tinha contecido na escola foi de tirar o fôlego. Por isso, demorei um pouco para responder.
- Guiar?
- Sim.
- Mas eu não sei...
Como saberia? A última vez que pilotei alguma coisa com rodas foi o meu velotrol!!!
Mas ele não se importou...
- Eu te ajudo. - Foi sua última resposta.
Já que ele insistia...
Jacob passou suas pernas sob a moto deixando um espaço para mim à sua frente. Um pouco envergonhada, mas sem sequer pensar em desistir, sentei, deixando meu corpo na mesma posição que estávamos quando ele me abraçou na escola. Senti novamente suas coxas no meu quadril, o toque de sua mão na cintura, sua respiração na minha nuca. Com cuidado ele deu partida na moto e saímos bem devagar. Minhas mãos seguravam o guidão com certo receio. Conforme relaxava, a velocidade foi aumentando e o vento chicoteava no meu rosto roubando-me o ar. Eu me sentia voando, perdida na imensidão do céu, numa sensação inimaginável de liberdade.
- Segura você sozinho. – gritei, girando a cabeça e me fazendo ser ouvida.
Jacob obedeceu prontamente e tomou a direção da moto. Livre, ergui os braços para alto aproveitando cada momento, como seu eu fosse a Rose do Titanic e a dona do mundo. O corpo masculino era forte e tão quente que eu não resisti e apóie minhas costas totalmente em seu peito. O calor me aqueceu como brasas, correndo pelas veias e pela primeira vez eu me senti mulher, não uma menininha ridícula. E foi pela primeira vez também que eu decidi aproveitar tudo, todos os momentos, quebrar todas as regras, mesmo por apenas mais alguns instantes dessa sensação.
***
Deixar o calor dos braços masculinos foi difícil, mas como tínhamos entrado na aldeia, não restava mais nada a fazer. Jacob estacionou a moto e seguimos juntos para sua casa. Enquanto caminhávamos, discutíamos de brindadeira quem seria o primeiro a tomar banho. Em nenhum momento nossas mãos se tocaram, mas estávamos tão próximos que eu me arrepiava quando sentia os pêlos do seu braço roçarem o meu.
- Olá.
A voz do pai de Jacob chamou nossa atenção.
- Oi, Sr. Bill.- Respondi.
- E ai, como foram as aulas? – Ele perguntou sem desviar os olhos da TV.
- Tudo bem.
- E você Jacob, algum problema?
- Não.
- Bela esteve aqui. – O Sr. Bill disse para o filho que parou repentinamente diante da porta do banheiro.
- O que ela queria?
- Falar contigo.
Jacob me olhou e caminhou até onde eu estava.
- Quer tomar um banho primeiro?
- Tanto faz. – Respondi sabendo que na verdade ele queria ficar sozinho com o pai.
- Pode ir então.
- Então tá. (tinha alguma opção?)
Enquanto seguia para o banheiro, minha mente fervilhava e eu só conseguia resmungar: "Idiota, pensa que eu não percebi que ele queria conversar sozinho com o sr. Bill. Mas o que será que essa garota, Bella, está querendo com ele?" Eu pensava enquanto arrancava minhas roupas e enfiava o corpo debaixo do chuveiro. "Bella... a garota que Jacob estava apaixonado..."
Eu mereço isso? Digam para mim: eu mereço???? Hã? Gostar de um cara que gosta de outra, que não gosta dele e que está comprometida? Mas o que ela queria com ele então? Droga! PRECISAVA DE UM CONSELHO!!! POR FAVOR!!! URGENTE!!! Mas eu estava sozinha. O que fazer?
Primeiro pontuei minhas opções:
a) Esquecer esse pastel que atende por nome de Jacob e dedicar mais meu precioso tempo em tentar salvar minha vida;
b) Pegar o Cristian e jurar pra tudo mundo que ele é o meu amor platônico;
c) Sair com os amigos, conhecer outras pessoas; (isso me deixava ainda mais depressiva... que amigos?)
d) Aproveitar que a outra tem namorado e partir para o ataque;
e) Usar todo meu poder de sedução (que é muito pouco) e fazer o pastel comer na minha mão;
f) Cair fora. Ele pode me usar para tentar conquistar a outra.
g) Matar a outra! (rsrsrsrsr... brincadeirinha....)
h) Nenhuma das alternativas acima.
Oito alternativas e nenhuma solução. Minha situação era mais do que complicada. Talvez devesse seguir a letra "a" mesmo e me preocupar mais com o vampiro louco que queria chupar meu sangue.
Bom... era isso mesmo... eu estava decidida... Nada de fantasias com um moreno lindo alto e sensual, nada de joguinhos de sedução e muito menos nada de me envolver com o meu namorado falso. Eu seria uma profissional, sem emoção, fria, uma barra de gelo...
Depois da decisão, consegui aproveitar a água quente e relaxei os músculos. Ao terminar o banho, percebi que, no meio da pressa para deixá-los sozinhos, acabei esquecendo minhas roupas. Enrolei-me na toalha, olhei para o corredor para ver se via alguém e entrei no meu quarto. Quando fechei a porta e respirei fundo, quase gritei ao ver que Jacob aguardava sentando na minha cama.
- O que você está fazendo aqui? - perguntei assustada.
- Queria falar contigo.
- Não poderia ser outra hora?
- Não. Quanto antes melhor.
- Então dê o fora que eu vou trocar de roupa. - Pedi segurando a toalha mais forte no corpo, como se ela pudesse se soltar de repente. - Daqui a pouco você volta.
Jacob se levantou e parou na minha frente. Ergui os olhos e me afastei para dar-lhe passagem, no entanto ele teve a mesma idéia e saiu para o mesmo lado. Após alguns segundos ele sorriu para mim.
- Você tem certeza que precisa trocar de roupa?
- Claro!
- E se eu te pedir para ficar assim?
- Assim como?
- Enrolada na toalha.
- Claro que não. Mas por que isso?
- Porque é bom ficar te olhando assim. Aguça a imaginação...
- Jacob! – Repreendi. – Não seja tão cafajeste. Estou semi-nua aqui.
Jacob deixou os olhos vagarem por meu corpo.
- Pensando bem é melhor se trocar. – Ele disse deixando o quarto.
E eu fiquei sem saber se ele estava falando sério ou brincando. Minha decisão de seguir a alternativa "a" foi para o saco.
***
Assim que me vesti, Jacob entrou e sentou, sem cerimônia, na minha cama. Tudo bem que o quarto era da irmã dele, mas no momento eu o estava usando. Será que ele não poderia ser mais educado?
- Bom Jeniffer... eu queria conversar contigo.
- Isso eu já tinha percebido faz tempo. - resmunguei.
- É o seguinte... - ele demorou a falar. - Bella esteve aqui.
- Alguma outra novidade? - Perguntei sarcástica. (Eu estava chateada!)
- Ela veio me contar sobre Lúcios.
Demorei um pouco para perceber o que ele estava falando. Para ser sincera, eu estava um pouco ocupada xingando mentalmente a "Beeeellaaaaa".
- Quem? - Perguntei distraída, tentando recordar o nome.
Jacob me olhou exasperado.
- Lúcios.
- Ah! O que tem ele?
- Jeniffer! O que está acontecendo?
- Nada não! E aí? Alguma notícia? - Perguntei mudando minha postura para alguém mais preocupada com a vida.
- Parece que ele desapareceu. Edward e os outros não conseguem perceber sua presença. Talvez seja um plano.
- É o que você acha?
- Sim. Precisamos ficar mais atentos.
- Ok, então. Era só isso que queria falar comigo? - Perguntei na esperança de que, quem sabe, ele tenha vindo se declarar, dizer que descobriu que não vive sem mim, que eu sou tudo que ele sempre sonhou.
- É. - Ele me respondeu. - Foi por isso que Bella esteve aqui. Ela... é... estava preo.. preocupada.
Pronto. Começou a gaguejar...
- Ela mexeu contigo não foi?
- Como?
- Mexeu contigo.
- Não!
Sei... por mais triste que fosse para mim, eu conhecia isto: ele ainda estava na fase da Negação. (O cara está gostando da garota, TUDO MUNDO SABE, mas o pastel insiste em negar). Depois vem a Negociação (o cara promete correr pelado na rua se realmente estiver apaixonado); logo em seguida e por último é a Aceitação (que é quando ele some de vista e depois aparece com a novidade: "estou namorando!" - Nada de novo para ninguém, mas para ele era segredo de estado). Estão vendo como é facil traçar o perfil masculino? Terrível! Quais eram as minhas opções mesmo? Bom... melhor escrever e carregar comigo na carteira para o caso de esquecer.
***
A noite caiu jogando seu manto negro sobre a terra, a lua abraçava o céu, os amantes se encontravam de novo, a paixão acontecia sem pudor e lá estava eu, no meu quarto, deitada na minha cama e sozinha. Depressivo...
Sem dormir, decidi me levantar e olhar pela janela. Parecia que algo me chamava e eu não conseguia resistir. Sem medo, abri a cortina sabendo o que me esperava. E ali estava ele, grande, forte, misterioso e olhando diretamente para mim. O lobo estava parado no mesmo lugar da noite passada e num acesso de loucura, abri a janela e pulei para fora, na sua direção. O animal se colocou em alerta, mas não se afastou.
Mantive firme minha decisão e também não recuei. Ele era enorme, bem maior do que eu, mas não fiquei com medo. Aproximei lentamente e estendi minha mão. Deixei os dedos entrarem no pêlo espesso, sentindo a textura, o calor. O animal me olhava e eu sabia estar segura ao seu lado. Era mágico. Estávamos sozinhos e a névoa da madrugada, como um manto branco, nos protegia de outros olhos. Eu me sentia dele e sentia também que ele era meu. Não tinha como explicar o que acontecia naquele momento.
O lobo, que tinha permanecido até aquele momento parado, se ergueu nas quatros patas e tocou meu braço. Como que me guiando com seu fucinho, ele me empurrou até seu enorme corpo, erguendo uma das minhas pernas. Quando tomei ciência do que ele queria, me senti completamete eufórica. Agarrando seus pêlos, ergui uma perna e montei em seu lombo. Ele então começou a correr.
Quando o vento cobriu meu rosto e a sensação tornou-se maravilhosa, eu pensei que estava sonhando. A velocidade era inimaginável e seu corpo quente não me deixava sentir frio. As árvores estavam muito próximas e quando eu pensava que iríamos bater, ele desviava no último segundo. As patas gigantes mal tocavam o chão, era como se flutuássemos. Chegamos a um abismo e tive a terrível sensação que iríamos cair, mas ele soltou como um felino e pousou suavemente.
Eu me sentia exatamante igual quando estive com Jacob mais cedo, na volta da escola. Se eu pudesse escolher uma sensação melhor, seria simplesmente impossível.
O tempo passou rápido e quando percebi, estávamos de volta à aldeia. Coloquei o pé no chão, sentindo um vazio no peito. Assim que consegui me firmar, passei as mãos pelos cabelos bagunçados e dei uma ajeitada na roupa. O lobo me olheu mais uma vez e com seu fucinho, me empurrou de volta para a janela. Obediente mas frustrada, entrei na segurança do quarto e então vi o animal se afastar e desaparecer.
*******
Mais um capítulo... O que acharam da historia? Está muito lenta???
