Dois dias haviam se passado e o final de semana bateu à minha porta. Eu me imaginava num lugar maravilhoso, talvez numa das praias famosas do Brasil (Rio de Janeiro estava em alta) ou quem sabe no Caribe, tomando água de côco, nadando no mar e deixando meu corpo tostar no calor do sol (com filtro solar, claro!), rodeada de garotos bonitos, interessantes e, o mais importante, interessados em mim. Mas não... eu estava em Forks, 2ºC abaixo de zero, num frio de matar, curtindo minha fossa e completamente sem vida social. Sem contar que, de uma hora para outra, Jacob tinha simplesmente se tornando uma pessoa adepta do ritual "quanto menos pessoas por perto, melhor", preferindo ficar mais sozinho e não conversava comigo.

Minha única alegria se resumia aos poucos minutos nas madrugadas, quando o lobo vinha me visitar e me levava para passear pela floresta, quando eu podia enterrar minhas mãos em seu pêlo denso, segurá-lo como se ele fosse um cachorro manso, sentir o seu cheiro selvagem e olhar em seus olhos negros. Se eu pudesse me olhar no espelho durante aqueles momentos, provavelmente minha expressão seria igual a da Branca de Neve, quando aqueles pássaros flutuavam sobre a cabeça dela.

Depois de passar um dia completamente sozinha (Jacob desapareceu logo pela manhã e o sr. Bill tinha decidido comprar alguns suprimentos para aldeia na cidade vizinha), decidi pesquisar alguma coisa sobre o meu visitante noturno. Não sei se concordam comigo, mas nós mulheres somos "bicho do capeta", não há nada que não possamos descobrir, reviramos o céu, mergulhamos na profundeza do mar, ou simplesmente entramos na internet. Não é maravilhosa esta invenção? Talvez a melhor do século, quem sabe de todos os tempos! É tão simples. Pelo menos para quem tem computador... No entanto, como eu não sou uma pessoa que desiste fácil, descobri que Jacob possui não somente o computador, como também com acesso à internet.

Problema da internet resolvido, decidi começar logo minha pesquisa. Em um arquivo separado, ia reunindo as informações mais relevantes. A cada nova página aberta eu conseguia ficar mais confusa. Após uma hora, decidi me concentrar nas informações reunidas.

Resumindo:

Lobo: mamífero selvagem, pertencente à família dos canídeos. Vive em grupos familiares liderados pelo macho alfa.

Características: maxilares fortes com dentes afiados; Visão muito boa, audição muito aguçada e olfato apurado; Podem medir 2 metros de comprimento (com a cauda) e pesam até 80kg. Alcançam 60 km/h de velocidade, mas durante pouco tempo.

Respirei fundo. Meu lobo tinha essas características, mas ele era muito melhor. 2m era quase o tamanho de sua altura e não do seu comprimento; pelo seu tamanho, ele não pesava somente 80kg e 60km/h era muito pouco perto da velocidade que ele correu comigo. Não sou muito boa em perceber estas coisas, mas ele corria muito, muito rápido e por muito tempo e quando ele saltava, poderia facilmente pular sobre um prédio de dois andares.

Sem encontrar nada de significante, decidi ler novamente minhas anotações e então notei algo que tinha passado despercebido. Uma palavra: Licantropo. Retornei às minhas pesquisas. Talvez aquilo fosse uma pista. A página de pesquisa abriu e após digitar a palavra, cliquei na primeira opção. O site demorou séculos para abrir e quando comecei a ler, minha primeira atitude foi rir. Licantropo era comumente conhecido como lobisomem. Que piada!!!! Lobisomem não existe! É folclore e todo mundo sabe disso! Meu lobo não era um lobisomem. Ele era apenas um lobo diferente.

Mas o sorriso morreu quando eu terminei de ler: "Lincantropia é a capacidade ou maldição caída sobre o homem que se tranforma em lobo". Continuei a ler, o coração pulsando como louco no peito: "Características: força sobrenatural, tamanho desproporcionou (comumente confundidos com ursos), saltos poderosos, reflexos infalivelmente rápidos, valocidade inimaginável, pele exageradamente quente, na forma humana são fortes, altos e poderosos. Inimigos mortais: vampiros".

Eu me senti em transe. As imagens povoavam e percorriam minha mente com impressionante velocidade. Eram muitas, delineando caminhos, buscando conexões: o pai de Jacob narrando a lenda da aldeia, sua expressão séria, suas palavras misteriosas, o homem que se transformava em lobo; Jacob enfrentando o vampiro no dia que fomos atacados por ele, os espamos estranhos de seu corpo, a conversa no quarto enquanto eu fingia dormir, o que eu não poderia ter visto; O calor estranho de seu corpo e, por fim, os olhos. Como eu não tinha percebido antes? O olhos não me deixavam dúvidas! Por um momento pensei que estaria louca, mas não! As peças se encaixavam com perfeição.

Como sou uma pessoa prática, fiz a primeira coisa que veio à minha cabeça: Xinguei. Burra! Burra! Burra! Jacob ser um lobisomem era o de menos. O mais importante era que os homens eram todos iguais, mentirosos!!! Primeiro ponto: Jacob estava mentindo ou pelo menos me escondendo coisas, fato 1. Segundo ponto: Eu estava afim dele (Pra que negar?), mesmo ele sendo um lobisomem e mentiroso, fato 2. E uma mulher precisa descobrir quem é realmente o cara que ela está afim. Método a ser utilizado: seja indiferente, misteriosa, sonsa, não deixe que ele perceba seu interesse, mas também não se desfaça dele. Tudo muito bonito na teoria, vamos ver na prática.

***

Só depois de tormar um banho e ir para o quarto que a ficha caiu. Tipo assim... Jacob podia se tranformar em lobo! E isso era... fantástico!!! Quer dizer... um pouquinho estranho, surreal... mas se existiam vampiros, por que não lobisomens??? Como isto acontecia? O que ele sentia? E os amigos dele? Também eram? Como ele poderia manter contato com os vampiros? Muitas perguntas e poucas respostas, mas eu sabia do porquê ele ter acreditado em mim. E eu não estava com medo! Afinal, meu visitante noturno jamais poderia ser perigoso... pelo menos para mim. Eu acho.

Depois de elaborar planos e mais planos para fazer Jacob confessar que ele era um lobisomem, decidi me deitar. Apesar do frio, a janela estava aberta e somente a luz do abajur estava acesa, o que de certa forma, me fazia sentir mais protegida. De pé, diante da cama, me desfiz do agasalho e me livrei da calça jeans. Quando estava desabotoando a camisa de baixo, senti a presença do lobo (Jacob?), no mesmo lugar dos outros dias, do lado de fora da minha janela. Ele viera mais cedo e me fitava duramente. Se aqueles olhos, na forma animal poderiam ter alguma expressão, eu diria, com certeza, que ele me olhava com um olhar malicioso, o que me deixou completamente sem ar. Imaginar que era Jacob me observando foi afrodisíaco. Por apenas alguns segundos pensei em me cobrir, mas então um plano totalmente pirado se formou na minha cabeça. Era hora de deixar a timidez de lado. Eu me sentia diferente. Estes últimos dias me fizeram amadurecer, gostar mais de mim, me deram coragem para viver e aproveitar.

Respirando fundo e fingindo não ter notado sua presença, continuei a desabotoar minha camisa e, devagar, a retirei completamente, jogando-a para longe. Com o canto dos olhos, observei ele se afastar um pouco e seus olhos buscarem a escuridão. Gelei com a possibilidade dele ir embora naquele momento. Mas não foi e eu fiquei ali, me exibindo de lingerie e me imaginando uma deusa da sedução. Só depois eu percebi que deveria ter vestido uma coisa mais sexy. Calcinha e sutiã de algodão era tão sem graça! Mas eu não tinha nada melhor e lobo/Jacob não parecia se importar.

Decidida a olhar diretamente para ele, virei meu corpo em sua direção e nos encaramos por vários minutos. Eu não me sentia envergonhada, eu me sentia poderosa. Eu não via o lobo, eu via Jacob. Tirando forças não sei de onde, saltei pela janela do jeito que estava. A primeira rajada do vento frio fez meu corpo paralisar, mas então ele veio até mim e eu senti seu calor preencher meu corpo. Quem me visse agora provavelmente me internaria num hospício com o argumento: garota louca de calcinha e sutiã, do lado de fora à noite, num frio congelante e agarrada a um animal estranho e enorme. Mas eu não me importei.

O mais impressionante eram os olhos. Estavam fixos em mim e me aquecia mais que seu calor. O fucinho comprido se aproximou do meu pescoço numa carícia estranha, tocando minha pele, sentindo meu cheiro, me fazendo lembrar de quando Jacob beijou minha nuca na escola. Afundei meu rosto no mar de pêlos e desejei correr com ele de novo pela floresta.

Mas então ele se afastou. Mais uma vez desapareceu na floresta, mas não sem antes lançar seu olhar novamente para mim, deixando-o passear pelo meu corpo.

***

Após alguns minutos, quando minha respiração e meu coração se normalizaram, decidi ir até à cozinha para tomar alguma coisa. Minha mão tremia e apesar disso eu não conseguia parar de rir. Tinha feito uma loucura e eu estava orgulhosa de mim mesma. Só desejava não estar enganada, porque fazer streptase para um lobo era o cúmulo do absurdo!

Quando descansei o copo sobre a mesa, ouvi a porta dos fundos se abrir e ao me virar, dei de cara com Jacob sem camisa e completamente vermelho.

- O que vc está fazendo aqui. - Ele me perguntou um pouco rude.

- Bebendo água. - respondi tentando esconder um sorriso. O lobo desaparece e então surge Jacob. Aquilo era uma boa prova. - E você, o que estava fazendo do lado de fora?

- Precisei sair. - ele respondeu fechando a porta.

- Onde você esteve o dia todo?

- Resolvendo algumas coisas. Por que está tremendo? - Ele me perguntou e só então persegui que meu corpo ainda não tinha se controlado. Escondi a mão atrás das costas.

- Nada não.

- Está assustada?

- De forma alguma.

Muito pelo contrário. Eu estava excitada com o que tinha feito, pensei sozinha.

- Você também está tremendo! - Não deixei passar. - Fica andando sem camisa com o frio que está fazendo lá fora.

- O pior foi você! - Ele disse se afastando.

- Como? - Perguntei me fazendo de boba. Uma alegria inexplicável tomando conta do meu corpo.

- Nada não!

- O que está acontecendo? Além de tremer, sua respiração está acelerada. - Eu o estava instigando.

- Você... quer dizer, quase fiquei louco lá fora.

- Por que?

- Por nada! Droga! Preciso de um banho frio!

- Jacob, está sentindo alguma coisa?

- Claro que estou!!!! Mas você não pode fazer nada com relação a isso. Nada! - ele disse como se estivesse convencendo a si mesmo.

- Você está me deixando preocupada! - Menti descaradamente.

- Me deixa sozinho, Jeniffer. Antes que eu faça alguma coisa e me arrependa depois.

Não precisava de mais prova. A verdade estava ali, para quem quisesse ver. Jacob era um lobo... o meu lobo.

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E ai? Gostaram? Me desculpem os erros de português.

Beijo para todo mundo.