Era 15hs, tarde fria de domingo e eu já havia passado quase 3 horas de pé, andando de uma lado para o outro no meu quarto, ininterruptamente. Depois do meu surto completamente estranho na noite passada, uma dúvida rondava meus pensamentos: estava louca ou depravada? Sim, porque nem em meus mais íntimos pensamentos, poderia imaginar me exibindo, de roupa íntima, para um garoto. Resultado: não via Jacob desde que ele, com cara de poucos amigos, entrou no chuveiro batendo a porta. Depois disso, fui para o meu quarto dormir e ele desapareceu. Minha primeira reação foi de arrependimento. Eu me senti - Pasmem! - culpada. Juro que é verdade, mas durou pouco. Meu novo "eu" não admitia isso e sabem por que? Porque decidi viver a vida do meu jeito e da maneira mais intensa. Estava disposta a pagar o preço. E se Jacob estava assustado comigo, o problema era dele.

Mas esse não era todo o motivo da minha inquietação. Ficar naquela casa sozinha, sentindo-me ansiosa, me deixava angustiada. O quarto estava apertado e eu precisava de espaço, de ar, respirar. E foi por isso que deixei a aldeia e parti em direção ao centro da cidade. Eu era uma adolescente, com todos os sentimentos de um adolescente, por isso, nada mais justificável do que fazer coisas malucas! (o que, num primeiro momento, não pareceu tão maluco assim.) E lá fui eu.

Caminhei por 20 minutos e, como eu ainda tinha algum dinheiro no bolso (graças ao meu trabalho como babá no verão passado), minha primeira parada foi o ponto de ônibus (lógico que eu não ia andar 5 km até à cidade), mas a porcaria do ônibus não passava e eu já estava ficando angustiada. Cansada, encostei-me em alguma coisa que, provavelmente há muito tempo atrás, tinha se orgulhado de ser poste, mas que, atualmente, não passava de um… toco. Aliás, comigo só estavam ele (o toco), umas poucas árvores sem folhas com galhos retorcidos, alguns flocos de neve me molhando e o vazio.

A rua estava deserta, olhar ao redor me fazia lembrar das cidades fantasmas e eu comecei a sentir medo. Medo do barulho do vento, medo do canto de um pássaro, medo do zumbido de um inseto, medo do silêncio. Qualquer som ou ausência dele me assustava. E o pior, eu me sentia vigiada, as pernas bambas, só esperando alguém sair detrás das árvores, surgir de repente na minha frente, ou pular da calçada para me levar embora. Neste instante, eu percebi que precisava refletir sobre o momento que estava vivendo, e o mais importante, sob uma ótica inteligente e feminina: Era a hora de sair dali!

O vento tornara-se mais forte, a neve aumentara, o frio penetrava meu casaco. Deixei o ponto de ônibus e decidi tomar o caminho de volta para a aldeia. Ao virar-me deparei com uma figura caminhando em minha direção, talvez uns 200 metros de distância. Usava um casaco preto e sua cabeça permanecia abaixada. Algo nela me assutava e por isso dei meia volta e comecei a caminhar na direção contrário. Após alguns passos, olhei com o cantos dos olhos e a figura, que agora podia-se notar ser um homem, estava mais perto do que eu havia suposto. Cada passo que eu dava, o som de outros passos, me seguindo, ecoava em meus ouvidos e eu me sentia fazendo parte de um cenário de filme de terror, só que não era um filme, era vida real. O ápice do pavor aconteceu quando notei uma respiração invisível ao pé do ouvido. Fiquei imóvel, paralítica, embalsamada. Quando consegui recuperar a capacidade física, mal me movi e dois braços pálidos me seguraram e me prenderam pela cintura.

- Estava esperando por você. - A voz era clara e aveludada. Eu sabia que era Lúcios, o vampiro que me perseguia, mas eu não conseguia me mexer. Senti o hálito dele próximo ao meu rosto ao mesmo tempo que tive consciência do que ele queria comigo. Quando uma língua grossa e úmida lambeu meu pescoço, senti uma ânsia enorme de vômito. Por sorte, consegui reter o almoço no estômago. Mas pensando melhor agora, eu deveria mesmo ter vomitado, talvez assim ele teria ido embora com nojo.

- Você cheira tão maravilhosamente bem. Não sabe quantas noites passei imaginando o seu sabor, o seu gemido de dor, a sua pele branca manchada de vermelho, o seu sangue descendo quente pela minha garganta. Mas agora estamos aqui. Enfim sós.

Fechei os olhos e não consegui evitar o tremor do meu corpo.

- Está com medo? Isso é bom... muito bom... – Ele disse, acariciando meu rosto com os dedos pálidos. - Pensei muito no que faria contigo quando estivesse nos meus braços, minha pequena ruiva. E espero, do fundo do meu coração- que não bate mais - que você consiga suportar. Vai ser uma pena se você morrer antes de morder o seu lindo pescoçinho.

Permaneci sem ação, completamente muda.

- Sua voz é tão doce – Ele continuou. - Não sei por que está tão calada.

Eu também não sabia, não entendia o por quê de não gritar, o por quê da minha voz ter desaparecido, o por quê de não conseguir agir. Era minha vida que estava em perigo. Eu tinha que lutar contra isso.

- Me solta. - Pedi, me recuperando, mas o pedido soou tão baixo, que mais pareceu um gemido.

- Soltar você?

- Sim. – Murmurei.

- Você não está em condições de pedir nada, minha querida. Está sozinha comigo. Ninguém para salvar a linda donzela do vampiro malvado. - Ele disse irônico.

Então ele girou meu corpo e pela primeira vez encarei seu rosto perfeito. Os cabelos negros caíam como ondas e a pele era tão brilhante e parecia tão macia, que causaria inveja a qualquer mulher. Jacob disse uma vez que tudo no vampiro foi feito para atrair suas presas, mas quando o olhei, percebi que nada nele me atraía, porque seus olhos não me enganavam, ardiam como fogo. A face de um anjo e a mente de um demônio.

- Fiz longos planos com você e estou ansioso para executá-los. Vamos sair daqui. - Ele sentenciou.

- Não. – Implorei. Minha única e pequena esperança era permanecer onde estávamos.

Mas pedir foi em vão, senti os braços me erguerem e de repente a paisagem, a rua, o ponto de ônibus desapareceram e tudo se resumia a borrões. Ele corria comigo, rápido demais, me levava embora, para longe da aldeia, para longe de Jacob e nunca mais eu o veria, não teria a chance de sentir mais uma vez o seu toque, de ouvir sua voz, de rir com o seu jeito. E a única coisa que eu fazia era ficar calada, meu grito entalado na garganta. Tudo estava se perdendo, como lágrimas na chuva. E pela primeira vez e talvez a última, eu percebi como tinha vivido minha curta vida: pensando demais e sentindo muito pouco. Eu queria uma segunda chance, eu queria viver, fazer tudo que ainda não fiz por falta de tempo ou por achar que tinha tempo ou por achar que não fosse importante: queria beijar Jacob, rever Ruth, agradecer a srª Lyan, rever meus amigos do orfanato, queria andar na chuva, plantar uma árvore, andar de bicicleta, comer sushi, mergulhar no mar, queria ir ao baile de formatura, me formar, perdoar Alyson, conhecer outros países, casar, ter filhos, queria conhecer o amor, sentir o amor, transbordar amor. Queria tanta coisa e percebia que o tempo tinha passado.

Lágrimas molhavam o meu rosto deixando um gosto salgado na boca e uma dor profunda no coração. E eu ainda chorava quando Lúcios me colocou no chão e me vi presa em seus braços, no meio do nada, numa mata escura, sem luz do sol e sem sinal de vida.

Senti sua mão segurar meu braço e apertá-lo tão forte que pensei que o quebraria, mas ele aliviou o aperto por alguns segundos e passou a unha sobre minha pele, deixando um corte profundo e dolorido. O sangue jorrou em seguida.

- O vermelho fica tão bem em você. – Ele sussurrou muito próximo.

Uma dor cruciante queimou e se irradiou em todas as direções. Mesmo apavorada, tentei me soltar, mas em vão. Desesperada, vi os olhos do vampiro vidrados no machucado e o sangue manchando minha pele. A expressão no seu rosto era assustadora: fome, desejo e maldade.

Lúcios curvou sua cabeça e sua língua tocou o machucado. Ele estava me provando, provando meu sangue, deliciando-se com meu gosto, com meu aroma. Sentia a língua áspera contornar o corte, limpar a pele, me sugar. A dor desapareceu como num passe de mágica, como se a saliva tivesse o poder de anestesiá-la. Pensei que a morte tinha chegado e que morreria sem graça e virgem.

- Delicioso. - Ele disse lambendo os lábios.

Nessa hora eu acordei completamente do meu estado de choque e gritei, empurrei, soquei, mas fui silenciada por um sonoro tapa no rosto.

- Melhor calar essa linda boquinha.

Desesperada, senti ele me beijar, passando os lábios frios sobre minhas buchechas, meus olhos e minha boca. Suas mãos agarraram-me pela cintura, apertando, machucando. Os olhos voltaram-se para meu pescoço e, de repente, me vi sendo torturada pelos seus dentes afiados, raspando minha pele, ameaçando-me. A cada dor eu gemia por medo de ser realmente mordida.

Então algo se moveu e uma imagem preencheu meu campo de visão: um lobo, meu lobo, Jacob. Diante da presença poderosa, o vampiro colocou-me à sua frente e contornou os braços sobre meu pescoço. O tempo parou. A cena era surreal, lobo e vampiro se encarando, inimigos mortais e eu no meio deles. A expressão de Jacob era de fúria, ele rosnava e mostrava os dentes afiados. Senti novamente a língua nojenta de Lúcios lambendo meu rosto, num gesto claro de desafio. Jacob nos encarava, na sua forma animal, os olhos profundos transformados pelo ódio, esperando alguma falha do vampiro ou alguma abertura para atacá-lo.

Eu sabia que tinha que fazer algo, que tinha que me livrar do abraço de Lúcios e por isso não pensei duas vezes quando minha mão alcançou um galho partido que jazia ainda preso nas árvores e o finquei na sua barriga, com toda minha força. O galho entrou muito pouco na pele, mas o suficiente para provocar-lhe dor. Me libertando, ele atingiu meu ombro com seu punho e fui jogada à 30 metros de distância. Quando minhas costas atingiram um tronco enorme, senti o ar faltar nos pulmões e pensei que fosse meu fim.

Jacob se jogou sobre Lúcios, os dentes cravando-lhe no braço. A luta era terrível e assustadora. Um combate mortal sendo travado a poucos passos de mim. Chorava desesperada e morta de medo; não por mim, mas por Jacob. Eles se debatiam pelo chão, árvores eram derrubadas, galhos voavam para todos os lados, a floresta se reduzia a escombros e destruição. Em meio a um estado de choque, não vi quando um tronco enorme voou em minha direção. Fechei os olhos esperando pelo pior, mas senti um forte puxão e me vi arrastada para longe. Jacob abandonara a luta para me salvar e Lúcios, aproveitando a distração, desapareceu por entre a mata. Por instantes pensei que Jacob o seguiria, mas ele se voltou para mim e olhou preocupado.

Eu estava acabada, horrível e completamente dolorida, e mesmo assim, olhar meu lobo me trouxe paz.

***

Jacob caminhou para o que restava da floresta, desaparecendo por alguns instantes, Surgiu logo em seguida, vestindo sua calça de moletom e novamente sem camisa, mas me sentia tão debilitada, que não me era possível apreciar o momento. Sentou-se ao meu lado e pude ver seu rosto. Estava sério, suado, mas parecia tranquilo. Com cuidado ele me colocou em seus braços, os dedos passearam pela minha testa, acariciando meus cabelos, limpando minha pele. As mãos também tocaram meu corpo, examinando cada machucado, tentando descobrir algum osso quebrado. Tentei dizer algo, mas ele me silenciou.

- Não fale agora.

- Eu sinto muito. - Insisti.

- Não, Jeniffer. Descanse primeiro.

- Só um minuto, por favor.

Jacob olhou em meus olhos e seu rosto se iluminou com um breve sorriso.

- Quase morre e mesmo assim não escuta o que eu falo.

- Só quero pedir uma coisa.

Eu estava decidida. Faria a pergunta para meu total desespero. Decidi instantes depois de perceber que, desta vez, estava salva. Tinha consciência da minha quase morte. Não poderia deixar passar. Não me importava se, caso ele aceitasse, fosse por pena, eu só queria sentir, saber como era. O amanhã ninguém sabia e era preciso viver o agora.

- O quê? - Ele perguntou.

- Eu pensei que morreria e não quero morrer sem fazer isto antes. Sei que não sou como as outras garotas, que não sou tão bonita como a Alyson...

- Você é linda. - Ele me interrompeu.

- Por favor Jacob, me beije. - Pedi completamente constrangida.

O tempo parou, mas desta vez foi com uma sensação boa. Jacob não respondeu, mas se colocou tão próximo a mim, que me concentrei em seus lábios semi-abertos. Eram tão tentadores. Seus olhos encaravam os meus com carinho e sentia-me caindo, despencando num abismo profundo e sabia que lá no fundo, eu encontraria algo maravilhoso, fantástico e muito, muito prazeroso.

Então, a poucos centímetros de sua boca tocar a minha, Jacob parou. Os olhos voltaram-se para a floresta e relutantemente ele se afastou. Quando me preparava para perguntar sobre o que tinha acontecido, seis lobos surgiram entre a escuridão. Novamente fomos interrompidos.

***

Oi, e aí, gostaram???? Não me matem!!!!!

Novamente os agradecimentos: Obrigada a quem leu pela primeira vez e a quem já me acompanha: , chris black, BeBeSantos, sweet present of nature, Valentyna Black, Nat Black, leh lima, Gabytenorio, Bunny93, pixel, Veronica D. M., Elleen Black, Nessa Clearwater, Vanee, Biaa, Dupla Marota, Caa3, bah black, karlla cullen, - bells. 3' e a todo mundo que lê essa fic doida.

Nat Black: Não consegui ver seu e-mail, mas em todos os casos te respondo: Não sei! Rsrsrsrsr. Me desculpe, mas as idéias vão surgindo e eu vou escrevendo e postando. Por isso não posso te responder. Um dia ela chega ao fim. Pode demorar ou pode ser quando menos esperarmos. Beijos e espero que não desista.

Veronica D. M.: Te confesso uma coisa: NÃO TENHO MSN!!!! BUÁ... BUÁ... BUÁ... Falando sério: não tenho mesmo. MSN é uma coisa que não me atrai, mas tenho e-mail. Se tiver interesse é só entrar em contato comigo. Não sei se vai aparecer alguma coisa aqui, porque eles não deixam passar endereço de e-mail, mas vou tentar: .

Outra coisinha: ando um pouco com falta de tempo e por isso não estou lendo fic nenhuma no momento, mas assim que as coisas se aliviaram, vou ler algumas fics, principalmente das meninas que me acompanham e que andei olhando, escrevem super-bem.

Obs.: Talvez o próximo capítulo demore um pouco mais. Vocês sabem... época de festas... Natal... Fim de ano... Logo volto firme e forte! Então, FELIZ NATAL PRA TODO MUNDO E BOAS FESTAS!!!! Que ano de 2010 traga muita saúde, dinheiro e romance!!!