Capítulo dois: No mesmo espaço
Por Kami-chan
– Está tudo pronto. Você pode entrar – O ruivo a chamou diante da porta que acabara de abrir.
Ela então se ergueu do banco de carvalho onde esperava. Sasori identificou na ação de alisar as coxas do vestido vermelho, um pequeno sinal de insegurança.
Única. Kamui era completamente de todos os demais ninjas.
Ele não se preocupou em disfarçar a forma como a olhou desde as pontas das sapatilhas bicudas vermelhas, subindo pelas pernas à mostra até a barra do vestido igualmente vermelho e pregado que batia na metade de suas coxas para depois se ajustar à finíssima cintura. Ali jazia calma a bandana lisa, sem símbolo de vila nenhuma.
O decote do vestido seguia pela haste larga de tecido que se amarrava em um nó atrás de seu pescoço e era camuflado pelo cabelo castanho avermelhado. Alguns fios de suas mechas se destacavam em cor de cobre, lembrando o brilho intenso que se esconde no fundo dos olhos perigosos de Kamui.
– O que devo dizer? – Perguntou ao ruivo.
– Se te perguntarem alguma coisa, responda o que acha que lhe melhor lhe convém. – Ele respondeu dando de ombros.
Ela então apenas passou por ele com a cabeça baixa, presenteando-o apenas com o olhar erguido que fez o corpo do ruivo se arrepiar antes de fechar a porta atrás de si e a seguir. Recuperando suas forças na lembrança de que era apenas um truque que a divertia bastante. Nada mais.
A primeira visão que ela teve daquela sala foi completamente incômoda, mas como já estava acostumada a fazer, não demonstrou nada do que sentia. Ali havia uma grande mesa retangular e ao redor dela faces de todos os tipos, sentados de maneira displicente como se estivessem em uma reunião do grêmio estudantil. Escolheu olhar para todos num olhar rápido e despejar sobre todos seu sorriso mais encantador no exato momento em que Sasori parou ao seu lado.
– Eis Kamui – Ela ouviu o primo dizer.
Ela sabia que ele se dirigia ao ruivo de cabelos quase laranjas e pele muito clara e cheia de pircings, pois este era o ninja que sentava na ponta da mesa. Assumindo uma posição de destaque obvio.
No momento em que seu nome foi dito o tal ruivo escorou o cotovelo na mesa para apoiar seu corpo e a encarou com certo interesse, certamente esperando pelo o que Sasori diria a seu respeito. Kamui aproveitou e deleitou seu olhar sobre o ninja de olhos cinza e arqueou mais seu sorriso.
– Bem vinda Kamui – Ele disse e ela concordou com a cabeça – Fale mais sobre sua prima Sasori.
– Kamui é mais um gênio do clã Akasuna, além de algumas habilidades únicas – Ele preferiu não falar nada sobre o dom atípico dela – Ela é a melhor alquimista que Suna já teve, suas químicas deram origem a muitos antídotos, medicamentos e principalmente, Kamui é a dona dos venenos que eu mesmo uso. Ela também aprende as coisas muito depressa, foi capaz de aprender em apenas três dias ninjutsus básicos de medicina.
Kamui aproveitou a explanação do primo para olhar bem para as outras pessoas ali:
Um mascarado tentando fincar um garfo em um escorregadio ovinho de codorna, um loiro de traços delicados que parecia fazer um esforço muito grande para compreender tudo que Sasori dizia, um cara de ombros quase largos que prestava atenção em um símbolo triangular na ponta de uma correntinha que pendia entre seus dedos. Ao lado dele um homem que só deixava aparecer os olhos muito verdes e parecia prestar atenção em Sasori apenas porque aquilo fazia parte dos "negócios".
Havia também um moreno de cabelos longos que certamente era o homem mais belo que já tinha visto em vida e que parecia não estar nem aí pra nada, pois estava de olhos fechados. Um cara completamente azul com olhinhos redondos e apertados que deixou de prestar atenção no ruivo quando se viu observado e lhe lançou um sorriso amigável que a fez o responder da mesma maneira, ao lado deste estava uma criatura muito estranha, meio homem meio planta com duas faces e havia também uma mulher de aparência muito frágil e delicada de cabelos e maquiagem azul sobreposta aos olhos âmbar que se mantinham imparciais a tudo e a todos ali além do ruivo na ponta da mesa.
– ...Contudo – Ela voltou a fisgar o que o primo falava – Ela não é uma grande ninja em campo, não é a melhor escolha para ataque. Por outro lado, não há neste mundo ninguém mais indicado para investigação, colhimento de informações e no que diz respeito á químicas.
– Como você me trás uma ninja que não é boa em frente de batalha? – O líder desviou os olhos para encara-la sem saber que fazendo isso ia acabar se dando mal.
– É que apesar de não ser tão excepcional em lutas, também não houve tantas ocasiões assim em que ela precisasse lutar. – Sasori tentava explicar.
– Eu temo não ter entendido exatamente o que você quis dizer. – O então líder disse sem perceber que já não era mais capaz de deixar de admirar a beleza exótica no olhar dela.
– O que meu primo quer dizer tão elegantemente é que não gosto de lutar sem um bom motivo, mas isso não faz diferença alguma uma vez que eu sempre consigo o que eu quero muito antes de ter que iniciar uma batalha para isso. – Disse no tom mais baixo e grave, que era direcionado especialmente às suas vítimas.
– Eu imagino. – Ele disse hipnotizado, fazendo até mesmo Itachi abrir seus olhos. Incrédulo com a reação do líder.
– Sasori, que palhaçada é essa? – Disse Konan muito além de irritada.
Sem demonstrar o quanto também não gostava nada daquela situação, Sasori apenas se parou na frente da prima impedido-a de brincar com Pain. Kamui apenas se sentou na cadeira vaga na frente de Konan, rindo silenciosa da cara irritada da azulada, expressando extrema diversão com isso.
Sentiu um peso anormal sobre seus ombros, sabia que estava sendo observada. Rolou os olhos até encontrar o moreno de olhos negros que a observava, mas desviou seu olhar para os ruivos assim que o feixe de seus olhos se cruzou.
– É um bom conselho evitar olhar diretamente para os olhos e sorrisos dela. – Sasori disse muito baixo para que o resto da mesa não o ouvisse, embora fosse ouvido pela prima – Pois...
– Pois Sasori se considera o único dono deles. – Disse se inclinando na cadeira, entrando novamente no campo de visão do ruivo das aspirais e olhando novamente para o primo que lhe fechava a cara diante do corte quando sua tola habilidade seria revelada.
– Sasori, por favor – Disse fazendo um gesto com a mão e o ruivo parou-se em pé atrás da cadeira da prima.
Na medida em que apertava a madeira do encosto contra seus dedos, Sasori fixou novamente o mantra que jamais deveria esquecer: Não era amor, apenas não conseguia deixar de cair nos truques dela. Ela usaria qualquer um, pois era apenas diversão.
– Kamui, aquele ser mascarado é Tobi – Ao ouvir seu nome mencionado, a criatura patética acenou para a morena – Ao lado dele está Hidan e então Kakuso e Konan. Na frente de Tobi está Zetsu, ao lado dele Kisame, Itachi, Deidara. Trabalhamos em duplas e como Zetsu tem feito um excelente trabalho fazendo dupla com ele mesmo, você vai trabalhar com Tobi. – Nesse momento os olhos dela se arregalaram e procuraram os de Sasori.
– Sasori-kun... Você me disse.. Eu só aceitei vir porque você prometeu... – O ruivo lhe lançou um olhar que dispensava comentários.
– Pain, eu acabo de dizer a você que ela não é boa em lutas e você quer que ela ande por ai com o idiota?
– Ela está entrando para uma organização criminosa, se quisesse segurança era melhor ficar escondida seja La onde você a encontrou e não tivesse...
– Por favor, não gaste saliva. – Ela cortou a azulada – Já me convenceu, eu não entro. – Kamui disse se levantando.
– Kamui sente-se! – Ordenou Sasori recebendo em troca um olhar muito zangado da bela morena que lhe deu as costas e saiu andando pela sala em direção à porta seguida pelo outro Akasuna.
– Kamui, por favor, Pain é o líder e é ele quem decide. Você não deve dar ouvidos à Konan nem a ninguém antes dele decidir – Disse apenas para a morena.
– Eu só vim pelo o que me prometeu e só fico se forem cumpridas suas palavras.
– Sasori, nós não temos o dia todo. Kamui fica ou não? – Perguntou Pain.
– Pain além da questão de que ela não luta e do Tobi ser um saco, Kamui tem um gênio muito difícil de lidar, Tobi daria motivo suficiente para que ela fizesse com que ele aparecesse envenenado em menos de uma semana.
– Líder-samaaaa Tobi não quer ser morto. – A voz aguda grunhiu por trás da máscara.
– E o que vocês sugerem afinal?
Sasori desviou o olhar de Pain e ele e Kamui se entreolharam:
– Bom... – O ruivo começou.
– Ahhh não não não... e em mim ninguém pensa não, un? – Deidara se manifestou cortando o companheiro antes mesmo que Sasori pudesse dizer alguma coisa, prevendo exatamente o que seria.
– E no que a sua opinião deveria contar Deidara?
– Bom, se deixarem ela com o danna, com quem eu vou trabalhar un?
– Você vive me chamando de burro, mas já imaginou se tivesse pego o Deidara pra ser sua dupla haa Kakuso. – Hidan dava cotoveladas no colega.
– Deidara-sempai Tobi vai adorar fazer companhia pro sempai. Tobi vai ser um bom garoto. – O mascarado parecia muito empolgado com a nova ideia.
– Sasori... – O ruivo dos pircings deu um longo suspiro. – Isso está virando um circo.
Sasori então venceu a distância entre si e o líder. Precisava falar sério com o ruivo e expor a gravidade das situações que Kamui poderia causar. Sem se importar com o olhar invejoso de Konan sobre si com o ato, abaixou-se até ter certeza que apenas o líder ouviria sua voz baixa.
– Pain-sama o temperamento de Kamui é muito pior de lidar do que pôde ver nesta sala. Responda-me pouco tempo atrás enquanto ela estava olhando para você, teria negado alguma coisa a ela, mesmo que ela lhe pedisse tara beber um frasco de veneno ou algo parecido?
Pain olhou de longe para a morena que ainda estava no mesmo lugar perto da porta. Ela olhava uma breve discussão que havia se iniciado entre Tobi e Deidara, divertida, como se ver pessoas irritadas fosse a melhor comédia a se assistir.
– Só eu vou saber lidar com ela Pain, isso é inegável.
– Espere só até sairmos dessa sala seu imbecil, eu vou fazer você virar pedacinhos de moléculas un.
– Chega Deidara, mude-se para o quarto de Tobi. Fique com seu primo Kamui.
– Arigato Pain-sama – Kamui fez a reverência com um belíssimo sorriso.
Lançou também um olhar completamente seu na direção de Sasori antes de virar as costas e sair da sala. Os dois ruivos ficaram olhando o vácuo do espaço onde ela estava até tão pouco tempo, completamente encantados. Mas então a discussão dentro da sala os acordou.
– Sempai, eu prometo que o sempai vai adorar. Tobi vai ser um bom garoto e...
– Eu mato você seu imbecil un
– Deu.. Vão todos fazer o que costumam fazer, chega por hoje – Pain disse saindo da sala também, seguido por Konan.
Sasori também logo saiu para mostrar a Kamui onde ficavam os quartos.
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– Você poderia ser um pouco mais sensata às vezes, faz com que algumas coisas sejam menos complicadas – Disse.
– Não sou sensata e nunca vi as coisas de modo fácil. Sasori você tem certeza que eu não vou trazer problemas pra você? – Ela perguntou pensando o quanto seu temperamento poderia exigir do ruivo.
– Você é o meu problema favorito. – Encerrou o discurso abrindo uma das portas de madeira no segundo andar da casa. – É aqui.
