Capítulo três: Sentimento ou só brincadeira?
Por Kami-chan
Kamui estava escorada na parede, admirando divertida a expressão emburrada do loiro que empilhava caixas e mais caixas com seus pertences. Tudo o que era seu deveria ser tirado do quarto de seu danna e ser levado para o de seu novo parceiro, Tobi.
– Danna un, eu não quero ter aguentar aquele imbecil. Por que tinha que trazer essa daí pra cá? – O loiro resmungava alguma coisa do tipo a cada cinco minutos.
– Você não é exatamente um gênio e eu nunca reclamei desse jeito por ter você como parceiro. E essa daí é minha prima então não refira-se a ela desta forma.
– Você nunca reclamou porque eu... – O loiro continuou, mas Kamui já não era mais capaz de ouvi-lo. Deidara era chato demais.
Ela apenas rolou os olhos, entediada com as discussões sem fim daqueles dois. Deidara era uma criatura manhosa, não entendia como seu primo aguentava aquela pessoa lhe fazendo companhia. Achou que os dois mais pareciam um casal de velhos resmunguentos, isso sim.
Virou-se para se apoiar na soleira da janela e dar uma olhada na manhã ensolarada, desplugando-se das vozes que vinham de dentro do quarto. Aquele lugar era cercado por um belo campo alto e bem no meio dele, sentado entre as flores miúdas típicas daquela vegetação estava Itachi.
O moreno estava meditando, As mechas negras de seus cabelos pareciam tecer a melodia de um dia quente e calmo enquanto dançavam a favor do vento. Ela se concentrou nele, era realmente um homem muito bonito.
O moreno pareceu sentir que estava sendo observado e abriu os olhos. Mesmo à distância soube localizar sua admiradora e encarou a Akasuna por longos minutos até Kisame aparecer e atrair a atenção do moreno.
Não mais interessada, ela voltou à dimensão do ambiente onde e Deidara ainda discutiam dentro do quarto.
– Não se esqueça de levar todos esses cacarecos, essas bombas são realmente um estorvo.
– Danna o que te custa respeitar minha arte pelo menos uma vez na vida un?
– Arte? – Kamui pegou um daqueles objetos estranhos nas mãos olhando como se fosse um ser extraterrestre extremamente grotesco.
– O Deidara insiste em chamar isso de arte.
– É arte – O loiro parecia muito enfurecido – Ah e tome cuidado eu fiz esse especialmente pro danna un. Somos eu e ele em um pássaro.
– Isso é tão tosco que chega a ser um insulto dizer que essa coisa aqui é o Sasori. – Ela disse e simplesmente tocou a pequena escultura na parede.
Sasori se virou para que nenhum dos dois o visse segurar o riso pelo pequeno ato de ciúme. Ó sim, conhecia Kamui desde que eram pequenas e bambas crianças, e aquilo era apenas um pequeno gesto com certeza. Deidara não sabia o quão perigoso estava sendo para si todo aquele show admirador número um de Sasori.
– Ah minha arte um! Eu vou te mostrar o que é grotesco un – Choramingou fazendo um conhecido selo com as mãos.
Sasori se virou imediatamente. Lembrou-se de que Deidara era uma criatura estúpida movida por suas emoções e que nem sempre pesava sua ações, e naquele momento estavam dentro de um quarto fechado cheio daquelas porcarias explosivas do loiro.
– Se explodir o meu quarto vai ser a última coisa a fazer em vida, loiro! – O ruivo ameaçou.
– Danna un, a nossa vida era perfeita até você trazer ela pra cá un. Agora ela nem bem chegou e já tem toda a sua atenção – Ele gritou saindo do quarto.
Sasori apenas o olhou sair e em seguida olhou para a morena. Kamui assistia a cena com uma sobrancelha arqueada.
– A nossa vida era perfeita? – A pergunta era bem direta, o tom de ironia ditava a letra.
– Não começa. – Foi tudo que o ruivo disse.
– Huhuhu – A risada dela era única e preencheu o quarto completamente.
A morena camuflou o medo que invadiu seu corpo diante de algo que poderia estar prestes a descobrir. Algo que não ia gostar nem um pouco.
– Então depois de tudo o que tivemos o todo poderoso Sasori acabou consolado nos braços do loirinho... – Não era uma pergunta, sim uma provocação.
– Em primeiro lugar – Ele começou, mas parou, pois o quarto foi invadido por Deidara que vinha buscar mais uma remessa de suas coisas.
– Danna me desculpe, eu não queria dizer aquilo un. Mas ela também errou fazendo aquilo tudo un.
– Deidara apenas leve suas coisas para o quarto do Tobi em silêncio. – Ele desejou observando a maneira como Kamui mudava várias vezes a expressão em seu rosto a cada palavra do loiro.
– Mas danna...
– Em silêncio – Cortou antes que Deidara falasse mais coisas que fariam Kamui ficar insuportável.
Sasori conseguia ser quase assustador quando dava uma ordem e o loiro obedeceu saindo mais uma vez do quarto. Kamui foi atrás do loiro e fechou a porta, trancando-a na sequencia.
– Mas danna – Ela inclinou a cabeça e imitou o loiro ainda com as mãos na porta.
A cara de bebê chorona fez Sasori estremecer na poltrona onde estava sentado. Sabia que iria sofrer represarias sobre Deidara, mas não porque ela o amava. Era só porque outra pessoa havia pegado o brinquedo que ela não queria dividir, sem pedir.
Apenas truques. Precisou mentalizar, Kamui estava deixando claro que logo ele estaria preso mais uma vez em sua doce hipnose. Mas era apenas um truque, o amor vinha somente de sua parte. Nunca da dela, para Kamui só havia diversão.
Suas mãos já soavam, ele estava nervoso por antecipação. No fundo ele sabia que isso nada tinha haver com os truques da prima, pois ela ainda nem tinha começado a os usar.
Para Kamui, camuflar sentimentos era seu ponto forte. Mas seu íntimo passava a odiar cada molécula daquele loiro que estivera ali ao lado de Sasori por todos os anos em que ela estava sozinha.
Concentrando-se em viver apenas para alimentar as lembranças que tinha do ruivo. Como foi que teve seu amor trocado pelo o de outro homem afinal?
Se é que aquilo era verdade mesmo. Suspeitava que sim pela meia resposta anterior de Sasori.
Ela veio em sua direção e ele não pôde conter o que sentia pela morena, mesmo se quisesse. Era sim verdade que se rendera a felicidade que Deidara parecia manifestar em lhe ceder alguns favores, mas nada e nem ninguém o faria parar de pensar em Kamui. A morena sentou em seu colo e ele fechou os olhos para evitar ver o que ela o faria a seguir.
– Então as noites que tivemos agora pertencem ao loiro. – Mais uma vez, não era uma pergunta.
– Não é o que você está pensando. Ele apenas me cede favores algumas vezes. – Cada palavra de Sasori a deixava mais aborrecida, pois não tinha se quer tentado negar aquela história.
Amava aquele homem. Não podia imaginar tudo que conseguira com ele abalado por Deidara. Sempre abusou de seus dons para fazer Sasori ficar do seu lado, isso era o que doía mais.
Era fácil disfarçar o sentimento usando meios que o primo simplesmente não pudesse ir contra. Iludia-se em sua própria ilusão. Mas no dia em que ele havia a tirado de Suna, realmente acreditou que havia amor vindo da parte dele também.
– Abra seus olhos. – Ela pediu.
Mas Sasori não obedeceu. Ela ergueu então uma das mãos e alisou as filas de pergaminhos muito bem organizados que descansavam sobre a escrivaninha que ficava ao lado da poltrona em que estavam.
– Quantos pergaminhos Sasori-kun, estão tão bem organizados que eu até imagino o que eles guardam. – Pegou um rolo qualquer – Será que uma marionete quebra tão fácil quanto aquela coisa tosca que toquei na parede?
Ele abriu os olhos na mesma hora, ela sorriu. Não quebraria a bela obra do primo, mas conseguiu o que queria.
O brilho mágico dançava assustadoramente sensual na face da mulher em seu colo. Ela conhecia o selamento e abriu o pergaminho, dele saltou a marionete com as fisionomias de um homem importante, o kazekage.
– Veja que sorte, tantos rolos e peguei exatamente o daquele que ajudei você a capturar.
– Não faça isso.
– O que?
– Não o destrua.
– Estava esperando que dissesse não me olhe. Eu não destruiria o causador de isso tudo, tornaria todo o sacrifício inútil. – Disse selando novamente o pergaminho e o guardando.
– Alguma vez em que pedi para que não me olhasse você me ouviu? – Ele emendou a mentira.
Sabia que não havia doce mais saboroso que os lábios de Kamui, estava desesperadamente louvo para tê-los o quanto antes. Os olhos dela se tornavam cada vez mais hipnotizantes, convidando-o para se abrigar no melhor lugar do mundo; os braços dela.
Ele via o sorriso vitorioso nos lábios de Kamui ao vê-lo completamente seu. Não faria nada nem se pudesse lutar contra, desejava cada passo que ela tomaria.
– Sasori, o tempo está passando e eu ainda estou esperando.
O ruivo apertou as costas da morena contra seus dedos com força antes aplicar mais força ainda para trazer o corpo dela contra seu peito. Não hesitou em nada antes antes tomá-la em um beijo vigoro.
Ela passou os dedos pelo cabelo ruivo, envolvendo-os aos fios de sua nuca, forçando a cabeça dele a se inclinar ao som de um sussurro que ele deixou escapar. A morena aprofundava cada vez mais o beijo e o ruivo rendido subiu as mãos pelas pernas que ela deixava à mostra ao mesmo tempo em que ela fazia a capa negra usada por ele cair por seus ombros.
As unhas do ruivo cravaram na pele quente agarrando-se à barra lateral da calcinha enquanto Kamui o beijava e se perdia no aroma do pescoço do amante. As mãos de Sasori pararam espalmadas sobre o bumbum da mulher sobre si erguendo-a e então fazendo o corpo voltar à posição anterior roçando seu corpo ao dela com força, expondo a rigidez precoce à Kamui.
O gemido dela em resposta ao to não teve se quer uma tantativa de ser suprimido. Sasori ergueu-se da cadeira levando a garota consigo e a jogando na cama. A saudade daquele corpo era grande demais, fazia seu corpo arder em um desejo banhado pela excitação da expectativa.
A primeira coisa que ela fez deitada sob o ruivo foi arrancar-lhe a camiseta. O ruivo por sua vez, se deleitou ao descer os lábios pela pele exposta pelo decote do vestido.
Os movimentos sincronizados não encontravam empecilho algum ao exigir e receber mais das carícias alheias. Secretamente ambos presos na mesma saudade, presos no mesmo amor.
Mas o som de dedos sendo chocados contra amadeira da porta do aposento os fez parar momentamente. Alguém estava do lado de fora do quarto e se anunciava pedindo a abertura da folha de madeira.
– Danna, eu ainda não terminei de pegar tudo un. – Sasori chegou a abrir os olhos.
E tudo o que pode ver foi o castanho aveludado dos olhos dela, Kamui não permitiria que a brincadeira acabasse até que ela ficasse satisfeita. Mas aquele não era um desejo só seu, por isso não precisou aplicar muita força quando forçou seu corpo contra o dele, virando os corpos na cama.
– Você quer que eu abra a porta? – Perguntou baixo.
Desceu seus lábios, língua e dentes pelo tórax exposto do ruivo. Seu corpo sedento movia-se lentamente sobre colo desperto do amante, atiçando ainda mais o desejo do ruivo em ter o que ela ainda escondia por baixo dos panos.
– Dana por que trancou a porta un?
O desejo intensificado pela saudade de ter o homem que tanto amava era grande. Mas a maldade de ver a cara de Deidara ao vê-lo na situação que estava por alguns pontos de vista lhe parecia ser muito melhor.
Deu uma longa lambida pelo abdome do ruivo e se levantou ligeira para abrir a porta e deixar o loiro ver Sasori completamente desnorteado e excitado, mas sentiu a cintura ser puxada e o corpo girar com força, e praticamente voar para cima da escrivaninha que o ruivo usava para trabalhar. Suas pernas enroscadas na cintura do ruivo.
– Você provocou isso tudo. Não vou deixar você fugir de mim mais uma vez. – Disse sem se preocupar se com isso assumiria quanto a desejava.
Sentia falta do calor daquele corpo. A última vez que tivera Kamui tinha sido antes de abandonarem a vila natal e cada um tomar um caminho diferente. Não importava como ela ia interpretar a frase, ele estava temporariamente incapaz de refletir sobre seus atos.
A calcinha da morena fora puxada de seu corpo e arrebentou junto com o gemido arfado de sua dona. Ajudou Sasori a descer a calça de moletom e permitiu-se ser tomada pelo ruivo que amava ali, daquela forma.
O desejo tornando o ato prazeroso e memorável. Fez a garota abrir mais suas pernas para sentir a textura aquecida do membro teso a tomando, abrindo delicadamente o interior aveludado sem pressa. Prazeroso demais para ambos.
– Danna que barulho foi esse un?
Sasori parou com ambas as mãos apoiadas no móvel de madeira, sentindo-se acolhido sem restrições pelo corpo da menina que tanto amava. Antes de moverem-se os lábios se procuraram acrescentando outra onda de sensações prazerosas.
Sem desgrudar seus lábios dos do ruivo, Kamui ondulou o próprio quadril em um pedido claro. Apenas estarem daquela forma não era o suficiente, seu interior sensível vibrava apenas com a ideia antecipada do prazer que dividiriam. Mas Sasori não se moveu.
Ao invés disso afastou sua face da de Kamui. Um olhar mudo deixava claro o motivo, muito a contra gosto Kamui virou o rosto para a porta e gritou.
– Deidara, eu acabo de sair do banho, Sasori não está aqui então vá procurá-lo em outro lugar. – Clara e direta, não tinha mais paciência para aquele loiro chato e inconveniente.
Nem bem ela terminou a frase, teve seus lábios tomados. No mesmo instante o ruivo regrediu seu membro de dentro do corpo de Kamui e voltou, dando gosto ao prazer que Sasori lhe dava investindo contra si com tanto desejo.
Eram dois gênios que se amavam e não percebiam ou simplesmente não tentavam perceber. Duas feras se consumindo da maneira mais carnal possível. A egoísta Kamui que acreditava ter os braços de Sasori somente por conta de seu dom, e o inseguro Sasori que era incapaz de admitir e disfarçava o amor pela morena com medo de descobrir que nada do que tiveram passasse de um jogo para ela.
Ainda assim a atração entre seus corpos sempre vencia suas teimosias. Kamui logo passaria a gritar de prazer enquanto sentia seu corpo ser tomado com urgência. Não importava o tempo que durasse, ela sabia que o ruivo a faria sentir como se fossem se perder em outra dimensão da qual desejava nunca mais votar.
Movimentos sincronizados, apressados. Cheios de saudade e vontade acumulados. Sempre antes do que desejam seus fluidos se misturarem ao gozo do ruivo enquanto seu corpo se fechava sobre o dele, tornando definitivo. Era real e concreto o fato de que depois de tanto tempo estavam lado a lado novamente, mesmo que não exatamente da maneira como secretamente desejavam.
– Vou cuidar de você Kamui. – Ele disse ainda ofegante, abraçado ao corpo dela com um braço e entrelaçando seus dedos aos dela com a outra mão enquanto descansava a cabeça em seu ombro. – Eu prometo.
– Já ouvi essa promessa antes – Ela falava baixo com o queixo apoiado no topo da cabeça dele, de olhos fechados para memorizar melhor cada detalhe que gravaria em sua lembrança.
– Agora não há mais nada que possa me fazer ter que abandonar você. Eu não vou mais deixar você sozinha, nunca mais.
– Mais promessas...
– O que eu posso fazer, se você não cuida de você. – A frase fez Kamui abrir os olhos, irritada.
Os minutos pós sexo eram os que Sasori lhe era mais prestativo. Carinhoso a ponto de fazê-la ir fundo na ilusão de que ele lhe amava mais do que suas obrigações fraternais. Mas este Sasori tinha o terrível defeito de sumir depressa demais.
– Eu sei me cuidar muito bem, se você quer saber. Você acha o que, que é mole viver sozinha sem nada no meio de uma floresta – Ela o afastou do abraço que dividiam – E se você está falando sobre os meus problemas em matar, fique você sabendo que tive que matar ninjas pra não ter meu esconderijo descoberto e também... – Ela viu somente o marrom da porta do banheiro do quarto se fechando em sua frente e Sasori sumindo dentro do mesmo – Eu estava muito bem sozinha por lá.
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O primeiro dia de Kamui na Akatsuki foi monotonamente normal. Depois de seu momento com Sasori resolveu conhecer aquele ponto do campo onde Itachi estava meditando pela manha, e descobriu que de lá se tinha um bela vista do bosque sob eles.
A coisa mais próxima de uma amizade que conseguiu ali foi com Kisame que gostava de conversar e parecia não ter muita maldade em seu interior. Konan e Pain saíram cedo do esconderijo, mas ninguém dali sabia onde eles sempre iam e não seria ela quem iria bisbilhotar.
Itachi, quem tinha curiosidade em conhecer parecia viver de luz solar, pois passava o dia inteiro meditando, mudando de lugar de acordo com a posição do sol. Observá-lo era um bom passatempo, mas cansava rápido demais.
A noite veio, fria e chuvosa, acolher cada ser tão diferente que morava naquela casa no aconchego de uma boa cama. Os ninjas tinham hábitos pouco sociais, o que levava cada um para seu respectivo quarto cedo á noite.
– Como pode chover assim depois de um dia tão bonito? – Kamui se perguntou em voz alta enquanto olhava a noite escura da janela de vidro do quarto.
– Aqui é assim meio estranho mesmo, não se preocupe, provavelmente teremos uma bela manhã amanhã de novo. – O ruivo a respondeu enquanto preparava sua cama para dormir.
– Tomara. Aqui é sempre assim Sasori? – Ela disse indo até onde estava o primo e se sentou na cama que ele ajeitava.
– Como assim?
– Ah, cada um na sua e ninguém nem aí pra ninguém. Itachi só medita, Kisame só fala, o Tobi...sem comentários. O Kakuso eu nem vi. Por outro lado, eu juro que vi o Hidan dentro de um círculo de sangue pelo menos umas seis vezes durante a tarde. Deidara parece que só vai ficar satisfeito quando conseguir fazer essa colina ceder com tantas explosões, e você ficou aqui o dia inteiro só cuidando de suas marionetes. – O ruivo parecia rir das observações da prima.
– É. É basicamente assim, pois cada um tem um interesse pessoal e se foca somente em si e em seu êxito – Disse sentando ao lado da prima.
– Isso é chato! – Ela disse entediada
– Foi só o primeiro dia. – Ele riu – Aqui, se você quiser vai sempre ter tudo o que precisa para seus antídotos, pode criar coisas novas. Faça como todos e gaste seu tempo fazendo o que você faz de melhor. Mas agora vai pra tua cama, eu quero dormir.
– Estou na minha cama – Ela disse como se fosse o obvio.
– Vai querer dormir comigo?
– Não. Aquela – Ela apontou para sua própria cama – É, a sua e esta a minha. – Disse já se enfiando para debaixo dos cobertores bem arrumados pelo ruivo.
– Nem pensar, não vai ficar com a cama que eu arrumei.
– Você que arrumou a cama errada! Boa noite Sasori.
– Não mesmo, eu levei uma eternidade pra arrumar essa cama do jeito que eu gosto e não abro mão dela – Disse se enfiando pra debaixo dos cobertores junto de Kamui, fazendo-a rir de maneira vitoriosa. – Por que você está rindo desse jeito? – Ela o encarou até o fundo das íris castanho avermelhadas.
– Você acabou de invadir a minha propriedade sabia, vai ficar sob minha jurisdição agora. – Disse procurando o abraço do ruivo sob os cobertores.
– Pare Kamui. Isso não é certo – Disse virando a cabeça para tentar não olhar para a prima, mas a única coisa que conseguiu com isso foi facilitar o acesso da morena ao seu pescoço.
– Hum, escuta só essa chuva lá fora. – Disse guiando a mão pelo tecido da camiseta desbotada que ele usava para dormir – Não faz você desejar ter um lugar quentinho pra passar a noite – Ddisse divertida, sem dar espaço ao ruivo responder e invadindo sua boca com o beijo possessivo, o primeiro detalhe de uma noite que não terminaria tão cedo.
Não havia motivos para não se render aos seus desejos, sabia que Kamui sempre conseguia o que queria. Sem receio, deixou as mãos passearem livres pelo corpo que se movia lentamente sobre si apenas para provocar. Sentiu as mãos delicadas erguerem lentamente a camiseta e Kamui abandonou seus lábios.
– Você sabe por que está aqui hoje? – Perguntou baixo enquanto deixava uma forte mordida no abdome do ruivo, que fez seu corpo se contrair involuntariamente.
– Desde quando você precisa de um motivo? – Perguntou displicente.
Ela ergueu sua camiseta e ele guiado pelo desejo no corpo que logo possuiria, subiu os braços para facilitar o trabalho. Mas ao ouvir aquela resposta do ruivo Kamui parou e ao invés de tirar, usou da mesma para prender suas mãos acima de sua cabeça. Deixou-lhe de propósito mais uma mordida forte, desta vez em seu tórax.
– Itai – Desta vez ele gemeu baixo.
– Sabe por que está aqui hoje? – Ela repetiu a pergunta impedindo que o ruivo ficasse com seus braços livres, mesmo ele tentando se livrar.
– Não. – Respondeu sentindo todo corpo se arrepiar com o olhar que ela lhe lançou.
Reparou surpreso que Kamui havia se despido da camisola que vestia em algum momento quando se infiltrou propositalmente sob seus edredons. E não havia nada mais além do lingerie cor de pêssego que pouco cobria de seu corpo.
– Ahh Kamui – Grunhiu ao sentir os lábios que já alcançavam e mordiscavam seus lábios e tinham caminho certo até sua orelha.
– Porque você foi muito abusado hoje pela manhã achando que poderia simplesmente me puxar pra onde bem entendesse e me ter da forma como melhor lhe fosse. Esse direito é inteiramente meu – Disse baixo em seu ouvido enquanto ainda se movia sobre o corpo rijo do primo.
– Ahh Kamui me solte. – Ele fechou os olhos para apenas sentir o "castigo" da prima.
– Olhe pra mim enquanto falo com você! – Ela ordenou e ele automaticamente obedeceu, admirando-a com o olhar inebriado – Você merece ser castigado Sasori-kun.
A morena alisou o corpo seminu com a mão que estava livre enquanto tornava a o beijar. Aproveitando-se do ato para deslizar a mão até a lateral da última peça do corpo que explorava, descendo-a até onde seu braço conseguia ir sem soltar os braços do ruivo e simplesmente afastando a borda de sua calcinha
– Sem falar, é claro, na audácia de passar a tarde toda preso aqui nesse quarto. – Disse voltando a se mover da forma como fazia antes, mas agora fazendo com que seus corpos se roçassem.
– Kamui, por favor pare com isso. – Disse sentindo cada centímetro da intimidade dela atiçando ainda mais a sua com o calor da umidade que ela espalhava sobre sua superfície.
– O que? – Ela perguntou guiando o membro de seu amado fazendo com que a parte mais sensível do mesmo deslizasse provocantemente por toda sua região sem penetrá-la. – Eu não ouvi o que disse.
– Por favor, não me faça esperar mais.
– Ah, mas estamos apenas no começo. – Disse permitindo que apenas a glande de seu pênis a invadisse e parando por ali – Poderia inventar jogos pelo resto da noite só pra ver seu rosto assim, gênio todo poderoso do clan Akasuna.
Nesse momento, Kamui se referia aos lábios entreabertos que ajudavam o ruivo ofegante na reposição de ar enquanto em seus olhos escuros jaziam belos espelhos d´água que davam à face enrubescida e aos fios de cabelo bagunçados um ar duplamente sexy. Agonizante, o ruivo mordeu o próprio lábio inferior e impulsionou seu quadril para cima, escorregando para dentro de Kamui de vez.
– Itai – Gemeu alto mais uma vez ao sentir a nova mordida forte da morena
– No castigo você não escolhe Sasori, apenas sofre.
– Você já me torturou o suficiente, me solte. – Implorou.
– Hum – gemeu começando a se mover sobre o ruivo, ouvindo os baixos gemidos que ele não se preocupava em omitir.
Lenta, prosseguiu com sua pequena torturinha, compensando cada doce gemido do ruivo com os seus próprios bem proferidos ao ouvido do mesmo. Com apenas um erro provocado pela necessidade de seus corpos por mais, Kamui soltou os punhos do primo para poder usar as duas mãos para puxar o ruivo pelos ombros, forçando-o a se sentar sobre a cama.
Aproveitou-se dessa pequena distração, não para se livrar do pano que prendia seus punhos, mas para girar os braços do jeito em que estavam para trás do corpo de Kamui e então dando uma volta a mais do tecido em cada pulso, deixando-o firmemente esticado no dorso da menor a puxando assim com força para si, prendendo-a entre seu corpo e a "cinta" feita com a camiseta. Uma vez que estava preso a ela seu corpo teve força e suporte para mover-se contra a morena que se movimentava em seu colo, fazendo-a gemer alto, perdida em longos gritos.
Os guiando juntos pelo mesmo caminho de insanidade e prazer, Sasori se agarrou firme à fina cintura e jogou Kamui na cama. Ainda se aproveitando do suporte que o insignificante pano preso entre seus braços, ficou de joelhos sobre a cama e puxou as pernas e o quadril de Kamui para si, dando continuidade às investidas, usufruindo da paixão pela morena.
Escondendo-se atrás da falsa ideia que tudo que tinham não passava de mera diversão para ela. E seu sentimento era protegido da prima pela igualmente falsa ilusão de que a centelha de seus desejos provinha somente do dom único de Kamui.
