Capítulo quatro: Olhos perigosos
Por Kami-chan
– Danna un, o que temos vai mudar agora que não dormimos mais no mesmo quarto? – O loiro falou baixo na mesa do café, onde apenas os dois já estavam presentes.
– Por Kami-sama, entenda que nunca tivemos nada.
– Nada? – Ele disse incrédulo – E todas as vezes que nós un...
– Foram coisas de momento, eu pensei que você sempre soubesse que era apenas um alívio pras tensões.
– Un? Então por isso que você nunc...
– Bom dia. – A frase de Deidara fora cortada por Kamui que acabara de entrar na cozinha, sentindo-se extremamente incomodada com a proximidade dos dois.
– Bom dia Kamui. – Apenas Sasori respondeu.
Ambos agiram como se nada tivesse acontecido na noite anterior. Deidara apenas escorou a cabeça no braço flexionado sobre a mesa, emburrado. A cena fez Kamui rir.
– Você realmente acha pessoas irritadas algo muito divertido. – Não era uma pergunta e a voz baixa e profunda do belo moreno a surpreendeu.
– E você parece acordar com muito mau humor, bom dia Itachi – Como não era uma pergunta, ela também não se preocupou com a resposta.
– Errou feio! Esse daí não acorda de mau humor, é assim naturalmente o dia inteiro. – Disse Kisame que também entrou na cozinha que se enchia aos poucos.
– Então vou me divertir muito com você. – Disse lhe direcionando um sorriso e um olhar terno.
Não tinha nenhum interesse em Itachi além de fato de acha-lo extremamente lindo, mas isso não passava de uma observação. Entretanto, não podia esconder de si mesma que sentia ciúme em ver Sasori e Deidara aos cochichos na cozinha e achou que o moreno seria um ótimo castigo para o ruivo encher a cabeça de minhocas.
Ela sustentou aquele olhar por alguns poucos minutos. Mas sua atenção foi tomada pelo barulho da cadeira de Sasori, que enciumado ergueu-se com raiva e abandonou a cozinha sem nem mesmo terminar seu café.
– Danna, ainda temos que conversar un. – Deidara saiu atrás do ruivo.
– Bom dia – disse Kakuso que chegara ali com Hidan.
– Cara, esses dois precisam ser mais discretos. – Disse Hidan se referindo à Sasori e Deidara – Ontem foi uma barulheira só e eu juro que o filho da mãe do Deidara tava gritando igual a uma mulher haa.
Kamui ficou sem saber como agir pela primeira vez em toda sua vida. Sentia-se frustrada pela proximidade entre Deidara e Sasori. Arrasada ao saber que fosse lá o que os dois tivessem era tão costumeiro que os barulhos de sua noite com Sasori os fizeram pensar diretamente no loiro.
Pegou sua xícara de café e saiu para apreciar o belo campo do lado de fora da casa. Ela caminhou até o lugar onde vira Itachi meditar no dia anterior e ficou ali parada apenas pensando.
– Então você não tem nenhum problema de seu único parente ter um caso com outro homem? – Ela não precisava nem olhar, conheceria a voz de Itachi mesmo entre uma multidão.
– Por que haveria de ter? Cada um vive a vida que escolheu. E na verdade nós não somos exatamente parentes, eu sou filha do primo do pai dele, mas fomos criados pela mesma avó já que ambos perdemos os pais muito cedo.
– Então não há nenhum problema com comentários como o que Hidan fez à mesa. – Ela apenas fez que não com a cabeça enquanto tomava um gole da bebida quente.
– Sabe que o mais estranho disso tudo é que vi o Deidara dormindo no sofá ontem. Não seria uma novidade, a companhia do Tobi deve deixar qualquer um doido, mas não o imagino deixando o calor do quarto de Sasori para dormir no sofá duro.
Kamui lhe sorriu encantadoramente enquanto lhe estreitava o olhar sedutor. Sabia exatamente onde o moreno queria chegar.
– Você tem belos olhos Kamui. Muito poderoso esse seu olhar e seu rosto inocente.
– Muito obrigada! – Disse calma, omitindo a vontade que tinha de bufar de tédio.
– Sedutores, hipnotizantes, arrebatadoramente provocantes. Aposto que consegue tudo o que quer com eles.
– Interpretação brilhante. – Disse um tom mais baixo, como fazia com que sua presa prestasse também atenção nos movimentos dos seus lábios e ela ainda sorriu mais encantadoramente no final.
– Mas devia tomar mais cuidado, não é o único olhar talentoso aqui. Seus truques não irão funcionar em mim. – Sentenciou
– É claro que não. – Concordou com ele.
Imaginava que o moreno quieto fosse mais esperto. Duvidava seriamente da afirmação do moreno, e teve que se conter muito para não rir audivelmente das palavras ditas por ele na sequencia.
– Então estou avisando para não usa-los comigo.
– Como quiser! – Disse sem tirar os olhos do moreno, tendo dificuldade em esconder que achava graça da ideia que ele tinha de advertir que não cairia em seu truque, pedindo para não ser testado.
Pela experiência de Kamui, o moreno já estava quase completamente hipnotizado sem nem perceber. Então as orbes grandes e negras que a faziam lembrar do perfume atraente das doces jabuticabas foram lavadas pelo vermelho vivo. Tão vivo quanto a cor do vestido que ela usava.
O Sharingan de Itachi a surpreendeu. Kamui quis matar seu primo por adverti-la que entre eles havia um odioso Uchiha.
– Tire seus olhos de mim ou vou te mostrar um truque muito divertido, mas que você só vai ser capaz de ver uma vez.
Advertiu com ameaça. Os olhos da morena se arregalaram quase imperceptivelmente, mas se tratando de um Uchiha, ela tinha certeza que ele fora capaz de ver.
– Assustada? – Ele zombou de sua situação, o que serviu apenas de confirmação para Kamui.
Nunca tinha tentado usar seus dons contra o Sharingan, não sabia ao certo se era páreo para ele ou não. Mas acreditou que não morreria por tentar, apesar da ameaça.
Abaixou o rosto em sinal de submissão, erguendo apenas os olhos tão doces e encantadores. Permitiu que o rubor subisse em seu rosto levemente.
– Espantada. – Grunhiu em um tom extremamente rouco.
Ele abriu a boca para responder ao comentário, mas a fisionomia dela o fez esquecer as palavras por alguns segundos:
– É uma reação comum – Disse por fim, mas não mais tão seguro.
– Espantada com tamanha beleza – Voltou então a encara-lo.
Com segurança ao perceber a demonstração de que poderia sim hipnotizar o portador de um importante Sharingan. Permitiu que o rubor tomasse conta de sua expressão antes de retomar a palavra.
– Desculpe, eu sei que... que cheguei aqui ontem e você me advertiu, mas seus olhos são as coisas mais lindas que eu já vi. Mostre-me Itachi – Seus olhos brilharam intensos, com um ar profundamente empolgado e emocionado.
O Uchiha se entregou quando ela levou a ponta dos dedos delicadamente até sua face, pousando-os suaves na pele logo abaixo de seus olhos. Ele não havia percebido a hipnose.
– Por favor Itachi, me mostre o que eles fazem. – Disse num sorriso de mais pura admiração.
A mão pálida levou a de Kamui para longe de seu rosto enquanto o vermelho sangue sumia de seus olhos que voltaram a ser negros e opacos diante a uma expressão que parecia ser tristeza nos olhos de Kamui. Ao seu ver ela estava realmente encantada com o que via, era incapaz de usar o seu sharingan contra a morena.
– Kamui, você realmente não sabe nada sobre minha linhagem sanguínea e nem o que esses olhos fazem? – Perguntou calmo como sempre.
– Desculpe. – Ela desviou o olhar cautelosamente. – Não queria o ofender, é que eu apenas vivi todos esses anos escondida em uma floresta, isolada de tudo e todos.. eu não... – Deixou a fala morrer.
Claro que conhecia aquele poder infernal. Quem neste mundo não conhece estes olhos de sangue?
– Tudo bem, tudo bem. Não precisa explicar – Disse pela primeira vez quase arqueando um pseudo sorriso, que lhe caía muito bem, alias.
Daquele jeito ele foi classificado pela Akasuna como "lindo de morrer e poderoso de matar". Mas mais um ser facilmente manipulado por si. Achou divertido quando percebeu que já estava fora do perigo que ele oferecia.
– Por que não gosta de batalhas? – Ele mudou o assunto, uma vez que ela não o olhava mais como antes e olhava sim para o sol cada vez mais alto no horizonte.
– Você é capaz de imaginar o que é enfrentar uma guerra quando todos veem você como um gênio e ninguém se liga que você ainda não passa de uma criança? – Em sua maneira, a resposta de Kamui foi sincera. Itachi não representava mais um risco, não tinha porque prosseguir com a hipnose.
– Você acaba vendo tanto sangue e tanta morte que deseja com toda sua alma nunca mais ver algo parecido. – Ele apenas respondeu. Ambos sinceros, sem entregar a realidade de suas lembranças.
– Foi por isso que aprendeu jutsus médicos?
– Não. Foi a forma que uma mulher que ajudei encontrou de me agradecer.
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Memórias de Kamui
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– SASORI! – A menina gritava apavorada no meio de toda aquela confusão.
– Que saco Kamui, isso é uma guerra. Lute ou pelo menos se defenda não posso ficar protegendo você! – O primo gritou de onde estava matando três ninjas que se aproximavam de sua prima..
– Eu não sirvo para isso... isso é horrível! – Chorava enquanto via as marionetes impiedosas de Sasori agirem.
– Aff – Ele suspirou cansado, Kamui seria um grande estorvo no meio daquela bagunça – Me escute, corre pras montanhas e se esconda lá. Apenas corra, eu vou te dar toda cobertura que precisa.
A morena não esperou ele mandar duas vezes, se levantou do campo onde estava caída e correu tanto quanto suas pernas alcançavam. Já podia ver já a entrada escondida para a caverna onde ela costumava se esconder para brincar com o sulco das raízes proibidas.
A pequena abertura crescia diante de seus olhos, ela olhou para trás uma última vez, Sasori não era mais visível no meio da batalha. Ela se pôs a correr mais depressa. Então uma grande explosão aconteceu atrás de si e Kamui parou exatamente onde estava.
Seus pés travaram ao ver a devassidão daquele ponto do deserto. A explosão consumiu tudo em seu amplo perímetro e seu coração doeu por preocupação, não sabia o quão longe Sasori estava.
Virou-se horroriza com a maldade que acabara de matar com certeza muita gente de uma vez só, a ideia de que Sasori fosse uma dessas a atormentou e sem perceber ela dava passos largos para trás. Sem nenhuma noção de para onde estava indo até que seus pés bateram em algo maciço no chão que a fez tombar em cima de um corpo que agonizava.
Aterrorizada, focou seus olhos no símbolo desenhado na alta bandana. Era um Konoha, um inimigo.
Naquela época as duas nações ainda se odiavam demais, ainda assim ela viu a fonte de sangue que saía da parte interna da coxa direita dele. Estava morrendo e não poderia causar nenhum mal para ela no momento.
Entretanto, a expressão da morte vindo o buscar tocou o mais sensível ponto da morena, poderia ser Sasori naquela situação. Sem pensar no que fazia apertou com força a fonte da vasta hemorragia, evitando assim a perda de ainda mais sangue.
– DAN! – Alguém gritou desesperadamente vindo à direção.
Kamui se abaixou ao lado do corpo sem deixar de apertar o seu ferimento. Com sorte, não a veriam ali
– DAN! – Ela gritou mais perto.
O homem que ajudava gemeu algo incompreensível que a fez compreender que era a pessoa por quem aquela kunoichi chamava desesperadamente.
– DAN?! – O grito fora praticamente dentro de seus ouvidos.
Kamui sentiu seu corpo ser puxado pela loira. Ela pouco parecia ligar para si, apenas chorava desesperadamente vendo o estado do ninja. De suas mãos uma fonte de puro chakra iluminou a escuridão do deserto com uma leve luz verde.
– Me.. me desculpe senhora, eu apenas o encontre. Não sabia o que fazer para ajudá-lo então apenas fiz isso – Quis se justificar antes que a inimiga a matasse.
No entanto a loira apenas olhou para ela sem se importar com o símbolo do deserto que carregava. Voltou a focar seu olhar no que fazia antes de se pronunciar.
– Apenas não solte a perna dele. – Disse sem perder o foco.
Obediente, Kamui tentou não se chocar com o desespero da loira em sua frente. Ou no estado claro de morte do homem, o corpo sob seu toque se tornava gélido. Mas a loira parecia não querer ver.
Era praticamente impossível ignorar toda aquela destruição, aquela dor que muitos estavam pagando pelos feitos de duas autoridades incapazes de se resolver. Nunca era nas famílias dos Kages que as consequências das guerras eram refletidas. Kamui viu então o céu estrelado de Suna se encher de nuvens e o primeiro pingo da chuva cair em seu rosto.
– Dan... Dan... DAN – A médica chorava tanto que não via mais nada além do borrão de sangue que tingia suas mãos e colo.
O sangue de Dan. Kamui se sentiu extremamente mal com essa cena, o bolo em sua garganta queria gritar e chamar por Sasori. Onde ele estaria naquele momento?
– Acabou senhora. – Ela precisou dizer.
– Não! – Ela chorava compulsivamente olhando para as mãos como se tivesse sido a culpada por aquela morte.
No momento muitas bombas explodiram ao mesmo tempo em sequencia. Mesmo de longe ela viu os pedaços de corpos despedaçados que haviam sido afetados, a batalha estava cada vez mais próxima. E era anunciada com pedaços de guerreiros mortos.
– Precisamos ir senhora, temos que sair daqui se quisermos permanecer vivas.
– Não! – Ela se agarrou ao corpo sem vida.
– Fez tudo o que podia senhora. Precisamos sair daqui! – Disse se erguendo e puxando o corpo da mulher consigo.
Ela estava tão desnorteada que perecia nem sentir que estava sendo carregada. Kamui se enfiou para dentro da caverna e viu com um grande aperto no coração a mulher se encolher no mesmo lugar onde fora deixada, definhando em lágrimas. A morena se sentou de frente para a loira e tentou afastar aquelas imagens todas de sua mente, se acalmando enquanto esperava a Konoha fazer o mesmo.
– O que faz no meio de uma guerra menina? – A Konoha perguntou muito tempo depois, quando já havia se acalmado olhando para o corpo miúdo sentado em sua frente.
– Eu pertenço ao exercito, mas não sirvo para batalhas. – Disse sincera.
– Como alguém que não luta bem está no exército?
– Eu não disse que não luto bem, disse que não sirvo para batalhas. Não consigo tirar vidas assim a sangue frio e sem motivos como em uma guerra. Não posso odiar uma pessoa simplesmente por ser de outra nação. – Admitiu.
– Então devia treinar para fazer o oposto, não acha? Não seria muito melhor poder ajudar seus aliados a não se ferirem?
– Como você tentou fazer com aquele homem?
– Sim, como eu tentei fazer com aquele homem – Disse triste – Me diga, você controla bem seu chakra?
– Sim, meu clã é o melhor nisso. Eu e meu primo somos os melhores do clã.
– É mesmo? E o que exatamente vocês fazem, controle perfeito de chakra permite ao ninja muitas qualidades.
– Meu primo pode controlar dezenas da marionetes, minha vó sempre diz que ele ainda chega a manipular mais de cem ao mesmo tempo. – Disse sorrindo ao falar de Sasori – E eu uso minha habilidade com alquimia, desenvolvi alguns antídotos e essências sozinha.
– Antídotos? Você diz que criou remédios?
– Sim, e também a cápsula que permite os soldados de Suna sustentar seu chakra quando ele está no fim. Isso permite que eles tenham força para se esconderem e se recuperarem.
– E o que a sua avó diz de você?
– Nada. Só que sou uma ótima observadora e aprendo tudo muito rápido. Você vai me ensinar a fazer aquilo com meu chakra? – Perguntou se referindo ao Jutsu de cura.
– Sim. Mas você ainda não me disse o seu nome.
– Akasuna no Kamui.
– Sou Senju Tsunade e tenho habilidades de cura. Kamui, mesmo você aprendendo as coisas rapidamente, quero que entenda que isso não significa que vai conseguir aprender o que tenho a lhe ensinar.
– Eu vou me esforçar – Disse no tom ávido da bela pré-adolescente confiante e prepotente que era.
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– Eu não tenho palavras pra descrever isso tudo Kamui. Você é uma ninja excelente.
Três dias depois de terem se abrigado naquela fenda, Tsunade estava pasma na forma como a morena havia aprendido tudo o que lhe passara. Kamui aprendera o básico do básico em apenas três dias com extrema perfeição.
– Se você fosse comigo à Konoha eu poderia te ensinar tudo o que sei, você pode ser uma ninja médica excepcional.
– Não vou deixar Suna! – A expressão feliz no rosto da menina mudou, e suas palavras ganharam um tom extremamente assustador.
– Não precisa. Será apenas por algum tempo.
– Eu sei do ódio que liga nossas vilas, se eu for não vão me deixar voltar.
– Será nosso segredo Kamui. Eu devo isso a você, se não fosse você Dan já estaria morto há muito tempo, e eu se quer poderia me despedir dele.
– Já fez muito me ensinando isso tudo, me sinto satisfeita.
– Kamui...
– Você já parou pra pensar que sua vila está massacrando a minha. Vvocê perdeu um homem enquanto que por culpa de Konoha eu posso ter perdido o que resta de minha família. – Apesar da pouca claridade, Tsunade podia ver o brilho que irradiava dos olhos dela e ele era assustador. – Saia daqui agora. – Ordenou atirando seu olhar na loira.
– Kamui, o que há com você? Nós estávamos nos dando tão bem.
– Tudo tem uma razão de ser Tsunade. A razão de nosso encontro já foi concluída, ambas aprendemos algo com isso tudo. Acabou quando você colocou na cabeça de me levar com você. – Tsunade olhou incrédula de como um rosto tão belo, delicado e inocente podia dizer coisas de uma maneira tão fria – Este aqui é o meu esconderijo, logo estarão vindo aqui me buscar e te matarão sem piedade simplesmente por você ser de Konoha.
– O que?
– Já estamos aqui há três dias, se essa batalha durar não será por muito tempo mais, volte para o seu batalhão e esqueça o que tivemos, eu por outro lado vou lhe ser eternamente grata pelo que me ensinou, mas não passará disso.
– Kamui – A voz masculina parecia vir do interior do lugar.
– Há mais que uma entrada nesse esconderijo, saia por onde entramos e tudo estará bem – Ela disse indicando o ponto de luz no local e sem esperar para ver quantos Sunas apareceriam ali saiu da caverna.
– Kamui, você esta bem? – Perguntou o ruivo.
– Sim. Mas você não. – Disse reparando no braço do primo.
– Esquece, isso não é importante. Descobriram o que fizemos com o corpo do Kazekage e estão atrás de mim e de você.
– Shh, para quieto e veja! – A morena pousou as mãos no braço fino do ruivo e a luz verde o envolveu fazendo o ruivo perceber a melhora na hora.
– O que foi que você...
– Longa história. Foi uma troca de gentilezas.
– Você aprende as coisas muito rápido mesmo, jutsus medicinais são dos mais difíceis.
– Uhum – Ela disse o ignorando – E o que você tava dizendo mesmo?
– O que fizemos com o Kazekage... foi descoberto. Há apenas rumores, mas você foi vista com ele; a última pessoa que esteve com ele.
– Antes de você – Ela completou – Eu apenas o levei até la, você o matou.
– Shhh, eu sei. Mas só sabem de você por enquanto. Você tem que fugir, eu vou apenas terminar a marionete do corpo dele e vou sair daqui também.
– Você é completamente louco, está correndo o risco de ser morto por esse crime e quer ficar aqui terminando a prova dele?
– Sim, a marionete está em uma das fendas desse esconderijo. Só nós o conhecemos.
– Então por que eu não posso ficar aqui e sair junto com você?
– Porque se algo der errado eu quero que você já esteja longe, eu sei me virar e me livro fácil de quantos guardas vierem atrás de mim. Com você...
– Entendi. Sse você tiver que cuidar de mim ainda, isso tudo vai ficar muito mais difícil. Você não quer o estorvo aqui.
– Em grossas palavras... é por aí mesmo.
– Eu vou ver você de novo?
– Chega a ser engraçado como uma guerra deixa você tão emotiva. Se fosse apenas mais um dia como outro qualquer você ia acabar comigo, dizendo que tudo isso é minha culpa e ainda era capaz de fazer esses olhinhos brilharem na minha direção só por vingança.
– Culpar você não vai mudar o fato de que eu fiz o Kazekage ir até lá para você mata-lo. E antes que pergunte, os meus motivos para ter concordado com essa loucura não te interessam. Vou ou não ver você novamente?
– Toma, peguei pra você no caminho – Disse estendendo o estojo de couro com os materiais que ela usava em suas químicas, evitando assim a resposta.
– Boa sorte.
A falta de palavras dele a fazia compreender que talvez não o veria mais. Pegou o estojo das mãos dele o puxando para um beijo, a surpresa fez com nem precisasse o encantar para isso. Então tirou sua bandana e jogou nos pés dele.
– Não vou mais precisar disso, se não sou capaz de lutar por uma nação, também não devo pertencer a nenhuma.
– Vê se cuida por onde anda, vou seguir você até o limite da vila para garantir que não será seguida nem atacada.
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Fim das memórias de Kamui
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– Kamui?
– Hm? – A voz de Itachi a trouxe de volta à realidade.
– Você ficou meio aérea. Está tudo bem? – Ela o encarou assim que o Uchiha terminou suas palavras, com um sorriso sincero.
– Tudo ótimo. – Então voltou a encarar o sol.
– Você devia treinar pelo menos pra se defender em uma batalha.
– Eu sei fazer isso, não sou uma ninja ruim. Não teria problemas em matar você se me desse motivos, apenas acho que guerras são genocídios mal justificados. Além do mais, só vou sair daqui com Sasori e ele me protege.
– E vai ficar dependente dele pra sempre? E se algum dia ele não estiver lá? Ou se ele cair antes de proteger você?
– Onde está querendo chegar?
– Acho que de todos os ninjas aqui, eu sou o que pode lhe ensinar mais sobre defesa.
– Como ass... – A pergunta dela fora cortada pelo som das shurikens que muito rápidas cravaram no troco da grande árvore. – De onde veio isso?
– Daqui. – O moreno disse balançando os dedos. – Então, vamos treinar?
– Você espera cinco minutos? Eu só vou lá dentro trocar o vestido por algo apropriado para lutar.
