Capítulo cinco: Ciúme com ciúme se ataca

Por Kami-chan

– Danna não me de as costas um! – O loiro subia as escadas atrás de seu mestre.

– Deidara, não é um bom dia. Me deixe.

– Eu só preciso saber un. Por que as coisas tem que mudar? Que diferença faz ter sua prima aqui

A resposta para aquela pergunta era tão óbvia, tão simples e ao mesmo tempo tão difícil de se admitir. Então a imagem de Kamui olhando para Itachi, encarando-o com "aquele" olhar, aquele olhar que ela deveria direcionar somente para si e para mais ninguém.

– Deidara, por favor, sai daqui. – Disse o ruivo se arrependendo de cada vez que se permitiu usar o corpo do loiro.

– Não até estabelecermos qual é a nossa relação un. – Ele continuou, teimoso.

– Nós não temos uma relação! – Por fim, essa persistência por muitas vezes sabia fazer toda a paciência do mestre ruir.

Sasori basicamente cuspiu as palavras árduas, porém sinceras. Nunca mentiu pro loiro, tão bem como nunca foi especifico quanto ao que tinham, ou pelo que passavam.

– Mas e todas as vezes em que nós... Todas as vezes em que eu me ofereci à você danna?

– Rrrrrrrr – Sasori grunhiu com as mãos no rosto, irritado que estava.

– É por isso que você nunca me toca un, por isso que nunca me deu um beijo se quer. Por isso que mesmo depois de me ter você sempre se recusou até mesmo a dividir o mesmo colchão comigo un. É por isso que...

– É Deidara. É! – Ele simplesmente cortou o outro, quase gritando de raiva.

Por que diabos tinha que discutir essas chatices com o outro? Porque sabia que devia isso ao mesmo. Internamente sabia que tinha se acomodado às facilidades permitidas pelo loiro, não o culpava por ter dúvidas.

O ruivo se virou e escorou a testa quente no vidro gelado da janela. Além do alívio que o ato lhe proporcionava também o privava de encarar Deidara, afinal acabara de admitir que o usara por todos esses anos. Mas seu castigo pelo ato tão frio não tardou a vir e se iluminou em sua mente tão logo seus olhos se abriram.

No lado de fora da casa Kamui estava frente a frente com Itachi. Sua mão descansava no rosto pálido do Uchiha e os orbes delicados se deleitavam sobre o moreno, aliado a um largo sorriso.

Sua reação foi de fechar os olhos imediatamente, preferia não encarar o que se passava diante de seus olhos. Não poderia a culpar afinal, ele mesmo não soube esperar pela morena saciando suas necessidades com Deidara.

Entretanto, estavam juntos novamente e puderam sentir um o corpo do outro no dia anterior. Então por que Kamui dava tanta atenção à Itachi? Por que não poderia ser tudo como era quando moravam em Suna?

Sentiu os braços de Deidara ao redor de si. Sempre submisso ao mestre, apenas escorou sua cabeça contra as costas pequenas do ruivo de rosto jovial.

– Danna un, esquece ta. Mesmo que você não sinta nada, importante para mim é apenas estar com você. Não importa o que o motiva a ficar comigo, desde que me aceite.

Então as mesmas mãos que o cercavam passaram por seus ombros, trazendo consigo a capa da organização. Sasori estava tão fora de si imaginando coisas sobre Kamui e Itachi que nem percebeu o que Deidara fazia.

– Vem danna. – Ele disse puxando o ruivo pelo braço e fazendo-o sentar na poltrona do quarto. – Deixe tudo comigo. – Terminou a frase se ajoelhando entre as pernas do ruivo.

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Kamui subiu as escadas pensativa. Itachi parecia ser um cara legal afinal, aquela seria a primeira vez em muito tempo que usaria novamente sua roupa de batalha.

Entrou no quarto sem fazer barulho. Treinar com certeza preencheria a bagunça mental em que se encontrava, sabia disso simplesmente porque dessa forma pensaria muito mais em si que em Sasori. Ou Sasori e Deidara.

Entretanto o que viu ao entrar seria muito difícil de esquecer. Uma grande parte de seu corpo acreditava que tal tarefa seria de fato impossível.

Sasori estava sentado de olhos fechados, concentrando-se no "trabalho" realizado por Deidara, que também estava de olhos fechados. Ela engoliu seco para tentar combater a gigantesca onda de lágrimas que parecia entalar em sua garganta.

Saber que o homem que você ama, eventualmente pôde ter um caso com outro homem é muito dolorido e difícil de se aceitar. Ver esse outro homem sugando e apertando o corpo que você deseja somente para si é tão insuportável que talvez tivesse sido menos doloroso enfrentar o sharingan de Itachi quando estavam no jardim. Pior ainda era quando há menos de doze horas o ruivo estava em seus braços, entregue a si a noite toda.

Se ela sentiu vontade de correr? Sim.

Se ela sentiu vontade de descer aquelas escadas e se jogar nos braços do moreno que estava a esperando, somente para provar a si mesma que não dependia apenas da atenção mendigada de Sasori? Sim.

Se ela sentiu que tudo que conseguiria fazer de verdade era correr e chorar? Sim.

Entretanto ficou exatamente onde estava. Kamui fechou os olhos com força para não se dar ao luxo de derramar uma lágrima sequer das milhares que concorriam entre si para rolar livres sobre sua pele.

Respirou fundo enquanto cada sensação de dor e angústia eram tomadas pela raiva imensurável que tomou conta de todo seu ser. De nada adiantaria usar outra pessoa para afogar o que era causado por Sasori.

Somente o ruivo poderia pagar pela dor que lhe causara. Aos poucos sua mente se acalmou, deixando-a imparcial como costumava ser quando atacava um inimigo qualquer, e simplesmente caminhou, pé ante pé até onde os dois estavam.

A vontade de dava intensidade aos olhos perigosos, era de jogar água fria nos dois, depois bater no loiro inconveniente até matá-lo. Isto sim seria uma coisa sensata a se fazer.

A mão delicada pousou pesada sobre a boca de Sasori. O ruivo abriu os olhos no susto, caindo imediatamente dentro da imensidão castanha de Kamui. Seu rosto empalideceu.

– Shh – Soou muito baixo no ouvido do ruivo para que o concentrado Deidara não a percebesse ali – Sasori-kun, será que deveria entender o significado de todas as vezes que você disse "Não me olhe assim Kamui"? Me diga como é essa sensação? É tão bom como quando grita meu nome? É tão gostoso quanto foi mergulhar dentro de mim pela primeira vez? Ou mesmo como foi ontem enquanto gritava e me beijava?

Ela terminou de falar dando mordidas na orelha do ruivo. Dando-lhe a certeza de que Kamui ainda seria a responsável por o deixar maluco.

De repente ouvindo a voz de Kamui, Sasori não sentia mais Deidara. Diante de seus olhos fechados e a partir do calor do toque de Kamui começou a se formar a visão do melhor aniversário que poderia se lembrar em sua vida.

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Mémoria de aniversário de Sasori

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– Sasori-kun – Ela disse invadindo o pequeno aposento composto por um futton antigo, uma escrivaninha de mogno e um grande baú velho.

– Parabéns Kamui, Chyo-baa-san já me contou que agora você também faz parte do grupo especial dos ninjas de elite. – Ele disse sem tirar os olhos do desenho que fazia.

– Parabéns Kamui... parabéns Kamui... – Ela cantarolava enquanto se sentava sobre escrivaninha de frente para ele.

Esticou as pernas escorando ambos os pés em um dos braços da cadeira em que ele estava sentado. Evidentemente não pode deixar de dar uma atenção especial às coxas da morena que ficavam expostas, há tempos que o sentimento que tinha pela menina que crescera consigo havia passado os limites do fraternal.

– Hoje não de dia de parabéns Kamui. É dia de parabéns Sasori-kun – disse divertida.

– Ah é? – Particularmente aquele dia não tinha nada de especial para ele.

Mas desde que Kamui também se mudara para aquela casa, e ele ganhou uma "prima", a menina sempre inventava alguma coisa que deixava a data com um novo clima. A forma como ela sempre ficava animada mudava completamente o humor do ruivo que costumara ter datas de aniversário apenas como mais uma lembrança de que era um menino sem pais.

– Uhum

Ela se segurou na beirada da escrivaninha jogando o corpo para frente enquanto ria com a cara de encrenqueira que tinha. Isso confessava à Sasori que ela sem nenhuma dúvida havia planejado algo para o dia. Por outro lado, apenas uma fotografia que mantivesse Kamui exatamente como a estava vendo, com a mais pura e sincera expressão de felicidade para sempre, tornaria aquela data eternamente especial para ele se recordar.

– E... – Ele a encorajou a continuar.

Kamui fez surgir entre seus dedos, como que em um truque de ilusionismo, um pequeno e frágil frasco retorcido cujo interior continha uma essência cristalina. Kamui olhava fixa para o frasco que oferecia ao primo enquanto seu sorriso apenas se ampliava.

– É um belo frasco. – Disse irônico aceitando-o – O que é isso? Uma poção pra fazer a Kamui virar uma boa menina?

– Ha-ha-ha baka. Pra você saber essa é minha essência mais bem bolada. Eu fui escondida até o País do Pântano pegar o material preciso que é muito raro, e tudo isso somente para fazê-la para você. Cuide para não se picar enquanto prepara as agulhas, pois é letal – Seria possível admirar Kamui ainda mais?

– E eu mereço tanto?

– Na verdade. – Ela disse tirando o frasco da mão do primo e colocando-o em pé no porta lápis junto com os lápis e grafites – Esse é apenas um dos seus presentes. – Ela o encarou de maneira profunda.

– Não me olhe assim Kamui. – Disse já encantado.

– Não me olhe assim Kamui – Ela repetiu suas palavras – É sempre assim, é sempre isso que você diz e o final é sempre o mesmo.

Ela encostou a ponta dos dedos nos lábios já entreabertos do ruivo, fazendo-o fechar os olhos para sentir o toque da pele dela. Então a morena saiu de cima da mesa para o colo de Sasori para ter seu beijo. Então ela disse com toda doçura em seu ouvido

– Mas hoje eu quero um final diferente.

– Eu acho que não entendi. – Disse largando os braços sobre o colo dela, lhe olhando ainda mais uma vez.

– Os meus olhos não te dizem Sasori? Então deixe que meu corpo te mostre.

A morena se inclinou no colo do ruivo erguendo o vestido pelo tronco até remover toda a peça pela cabeça, expondo cada superfície do corpo nunca antes tocado. Coberto apenas pela pequena peça íntima. Tudo sob os olhos atentos do ruivo que, é claro, havia entendido bem o que ela queria.

O grande problema da situação era acreditar no que via em sua frente. Aprendera a amar a prima tão cedo que nunca se quer teve olhos para mais ninguém.

Apertou-a firme entre seus braços para assegurar-se que nada daquilo passava de uma ilusão. Talvez tivesse inalado o veneno dado por ela por engano e agora estivesse em delírio pelo vestígio do mesmo, mas convenceu-se da veracidade dos fatos à medida que a beijava e descobria cada pedacinho de sua pele.

Excitava-se a cada toque simplesmente por saber que era o primeiro a descobrir cada detalhe de perfeição que ela ainda era capaz de esconder sob o curto vestido. Saber que seus lábios eram os primeiros a experimentar a maciez intocada dos seios rosados, que seria ele o causador de seus primeiros gemidos.

Queria que o seu, fosse o primeiro nome a sair daquela boca com luxúria. Desejando em seu íntimo que pudesse ser também muito além do primeiro, o único.

Entretanto ter a morena seminua em seu colo não era o bastante para o afobamento de sua inexperiência. Logo as mãos pequenas se grudaram na barra da calcinha, prestes a tirá-la.

– Não aqui. – Ela se levantou antes que ele tirasse a única peça que cobria o seu corpo.

Caminhou até a cama e se ajoelhou sobre a mesma. No centro da mesma, voltou a se virar para o ruivo que tirou a camiseta e não tardou a se unir a ela.

– Sasori – Ela miou em seu ouvido entre mordidinhas. – Me ensine.

– O que? – Perguntou sentindo todo o corpo se arrepiar.

Cada um de seus pelos se ergueram contra a gravidade não apenas pela forma como tinha falado ou como estava descendo seus beijos da orelha para o pescoço, mas principalmente pelo rumo que as mãos dela tomavam. Tentando de forma desajeitada e inexperiente abrir-lhe as calças.

– O que você gosta para eu poder agradar você. – Disse descendo os lábios do pescoço para o tórax dele, enquanto as mãos ainda se ocupavam abrindo a calça.

– Você acerta tudo o que eu gosto por extinto.

Ele a viu sorrir enquanto descia a língua por seu abdome e lhe tirava as últimas peças de roupa. Seu corpo estava exposto e não sentia vergonha da morena, não temia a ereção que podia lhe parecer precoce.

Kamui pareceu completamente satisfeita com o estado em que o outro estava. Inexperiente, agarrou-se ao desejo nato de agradá-lo para encontrar coragem e esconder a rigidez latejante dentro da pequena boca, envolta por toda sua umidade e maciez, fazendo-o imaginar como seria entrar de vez no corpo bem distribuído de Kamui.

– Ah Kamui isso. – Aprovou após puxar o ar entre os dentes.

Sim, havia algo que era ainda melhor do que saber que seria o primeiro a usufruir de tudo que Kamui dispunha. Havia acabado de descobrir que era o fato de ser ela a primeira a buscar os pontos mais sensíveis de seu corpo. Ele sentiu a pressão de seu prazer se alterar e afastou a morena no momento exato para evitar que a boca de Kamui se enchesse com seus fluidos.

Sasori a puxou novamente para próximo de si. Deitados um de frente para o outro ele a beijou e se colocou sobre seu corpo, sentindo a pele sob si se arrepiar quando tocada em certos pontos do pescoço.

As mãos desceram pela pele lisa e macia, infiltrando a mão por dentro da calcinha, deslizando os dedos por entre o órgão úmido. Somente então largou os lábios da morena para ter liberdade e descer os seus pelo corpo que ela lhe oferecia.

Ambos tão inexperientes e afobados, tremiam a cada novo toque. O rubor tomava conta de seus rostos diante da perspectiva dos fatos. Deveriam ser mais honestos com aquele sentimento mutuamente mudo.

Após escorregar suas mãos por todo corpo de Kamui e ocupá-las em sua intimidade, Sasori as subiu por suas coxas. Passou por seu tronco e as posou entrelaçadas com as mãos dela.

Kamui mantinha os braços rendidos pelo peso dos dele, ao lado de seus corpos. Os lábios ainda ocupados com os seios inchados sorriam cada vez que conseguiam arrancar dela algum suspiro mais profundo.

Sentiu o corpo se arrepiar mais uma vez quando passou a descer muito lentamente beijos pela superfície do abdome liso, porém firme. Os músculos daquela região do corpo dela ainda não eram completamente definidos, mas isso não impedia o ruivo de sentir a contração dos mesmo sob a pele tocada por seus lábios.

A sensação prazerosa lhe deixando curioso sobre como seria a reação dela se a tocasse em um ponto ainda mais sensível. Sem hesitações, afundou a língua em sua intimidade, encharcando-a ainda mais com seus carinhos.

– Sasori – Ela o chamou dando leve puxadinhas no ruivo através das mãos que ainda se mantinham unidas.

Ouvindo o pedido ele voltou para sobre o corpo que era ainda menor que o seu.

– Você tem mesmo certez...

– Shh – Pousou a mão agora livre sobre os lábios dele antes que pudesse terminar a pergunta.

Encarou-o uma última vez, escondendo a ponta de medo com o brilho dos olhos que o encantava e cegava para todo resto. Intensificou o brilho de seus olhos para ter certeza que o primo a obedeceria.

– Eu não quero mias esperar. – Terminou puxando o queixo dele em sua direção.

A entrada foi dolorida tanto para ele quanto para ela, mas com um pouco de paciência os jovens se adaptaram àquela situação e descobriram um no outro um novo mundo de prazeres no ato que seria repetido ainda mais vezes dali por diante. A primeira vez terminou rápida e o corpo de Kamui tremia entre os braços de Sasori que mantinha seus olhos fechados, tentando evitar a "verdade" de que a morena apenas se divertia com aquilo tudo, tentando criar em sua mente uma imagem de como seria se pudesse pedir para ela ficar para sempre ali, protegida dentro de seu abraço.

– Eu preciso sair. – Ela disse num sussurro.

Sentindo seu entusiasmo minguar, o ruivo quis perguntar o motivo pelo qual era já o abandonaria. Sem coragem para dar voz ao pensamento, apenas a soltou sem abrir os olhos.

– Chyo-baa já deve estar chegando e vai vir direto até seu quarto. Esse é o único lugar que eu tenho pra morar, imagina só se ela me pega aqui e me põe pra fora. – Ela riu da própria frase, mas ainda assim falando sério.

Sem saber que havia respondido as questões mudas de Sasori, Kamui apenas se movimentou na cama dando ação ao plano. Era um bom motivo para ela lhe abandonar, Sasori concordava que a avó não iria aceitar aquilo de forma alguma.

Mesmo assim o ruivo preferiu se manter de olhos fechados, desde aquele tempo aquele já era seu mecanismo de defesa contra o que Kamui despertava em si. Mas sentiu o calor úmido já conhecido dos lábios dela sobre os seus e correspondeu ao beijo que lhe foi oferecido. Então não conseguiu evitar abrir os olhos.

– Uma última lembrança caso depois disso você passe a me evitar. – Disse com a mão ainda espalmada na lateral do rosto dele.

– Eu não seria capaz disso. – Ele falou sério

– É. Acabo de me lembrar: esse é irmão deste. – Ela disse rindo apontando para os próprios olhos, o comentário acabou fazendo até mesmo Sasori rir.

– Não é isso. Eu sempre protegi você e sempre vou proteger sob qualquer circunstância.

Kamui apenas lhe sorriu após a resposta e se soltou. Vestiu-se rapidamente e saiu do quarto deixando-o ali sozinho com as lembranças e as provas da loucura que tinham acabado de fazer.

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Fim das Memórias de aniversário de Sasori

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– É como quando nós fazemos Sasori? – Ela continuava em seu ouvido.

Então como um feitiço, lhe veio em mente a sensação que fora ter Kamui na manhã anterior. Pode sentir em pele tudo o que tinham vivido quando seus corpos se uniram ferozmente após tantos anos de saudade.

– Ahh – O ruivo simplesmente não aguentou mais.

Não lembrava mais de Deidara nem do que o loiro fazia com seu corpo no momento. Lembrava-se apenas de Kamui em seu ouvido e da intensidade que era estar com a morena. Sem perceber esvaziou-se completamente na garganta de Deidara sem aviso.

– Ahh Kamui... – A morena sorriu tão mascaradamente quanto costumava ser.

Ela ficou olhando diretamente nos olhos azuis quando os mesmos se abriram. O prazer em ver a angústia dele bastava naquele momento. O loiro estava quase chorando por ouvir o ruivo usar um nome que não era o seu no ápice do prazer.

– Dann..o...o que... – O loiro se viu sem palavras.

Parecia completamente confuso e envergonhado enquanto tentava falar qualquer coisa olhando de Sasori pra Kamui e de Kamui para Sasori. O mestre apenas se manteve em silêncio, já havia recobrado a consciência e mantinha o rosto atrás das mãos, pensando em tudo que acabara de fazer.

– Danna un.. – Ele ia começar a falar, mas olhou com cara feia para Kamui.

– Ah desculpe – Ela disse com a maior cara de pau – Vocês precisam conversar, eu só vou levar cinco minutos.

Ela passou a mão em uma mochila e entrou no banheiro. Minutos depois saiu de la em um macaquinho preto e justo, as mesmas sapatilhas vermelhas e terminando de ajustar as luvas de meio dedo que vestia. Encontrou os dois ninjas a encarando. Um deles já tinha visto aquele uniforme antes.

– Pronto, o quarto é todo de vocês. – Disse largando a mochila onde estava antes e caminhando em direção à porta.

– Aonde você vai assim? – Sasori estava espantado em ver ela dentro do uniforme.

– Treinar com Itachi – Respondeu triunfante – Ele me convenceu de que eu deveria estar pronta para me defender melhor sozinha caso você esteja... – Ela fez gestos com os braços que envolviam os dois homens sugestivamente – Ocupado! – Ainda usou da ironia na última palavra, deixando bem claro que ela queria dizer.

– Treinar? Com Itachi? Uchiha Itachi? – Ele dizia incrédulo.

– Nossa, isso é mesmo raro um. Itachi-danna deve ter gostado muito de você, normalmente ele evita qualquer tipo de contato com todo mundo un – O loiro disse sem saber o peso que suas palavras tinham para Sasori.

– Tchau Sasori. – Disse seca sem nem mesmo olhar o ruivo.

O loiro e o ruivo se olharam. Um queria respostas para perguntas que o outro não sabia como responder. A verdade era clara, Sasori usou Deidara e a solução já devia ter sido tomada há muito tempo, entretanto a ocasião tornava tudo mais confuso e difícil.