Capítulo sete: Tempestade no deserto
Por Kami-chan
Essa era a primeira pausa que faziam depois de três dias caminhando sem dividirem uma palavra se quer. Eles atravessaram cidades costurando caminhos no mais sepulcral silêncio.
Kamui estava agora abaixada na encosta de um rio, se refrescando nas águas calmas e de baixa temperatura. Todo aquele silêncio anormal era causado por ela, e estava incomodando profundamente Sasori que preferiu assumir certa distância da prima quando percebeu que o clima entre os dois estava um tanto estranho demais.
Ao invés de tentar se reaproximar de Kamui preferiu se manter fixo em seus pensamentos. Chegou a se questionar se algo mudaria se dissesse para ela como realmente se sentia, mas concluiu que isto serviria apenas para que a morena gargalhasse.
A certeza do silencio vinha também acompanhada da memória dela entrando no quarto que dividiam a o pegando no flagra com Deidara. Como poderia confessar que sempre a amor depois disso? Soaria no mínimo hipócrita.
Sasori a olhava a distância, encostado em uma pedra qualquer. Fingia procurar por algo em sua mochila enquanto descansava e olhava a prima com o canto dos olhos. Não perdendo nenhum detalhe de cada movimento que ela fazia.
Imersa nos próprios pensamentos, Kamui não conseguia parar de remoer o sentimento de perda. Para si era concreto: Sasori tinha concido alguém no tempo em que estiveram longe, e o amava.
Por mais que tentasse, ela não conseguia tirar da mente a imagem que vira ao entrar no quarto que dividiu com Sasori dias atrás. Decidiu então que não era uma boa perdedora, mas tinha que respeitar o espaço do primo.
Se aquela era a escolha dele, mesmo que seus olhos convencessem o ruivo a permanecer ao seu lado, em certa altura aquilo não era mais divertido. Nem correto.
Por outro lado, esse pacote de bom senso incluía a falta de vontade que a morena assumira de fazer certas coisas, entre elas, falar. Olhar para Sasori então era a coisa mais difícil que poderia tentar fazer.
Sempre que o olhava, via a imagem do ruivo sentado em uma poltrona de olhos fechados, concentrado nos carinhos de uma pessoa que não era ela. De que adiantava amar tanto o primo, ter desenhado sua vida em cima da dele para no final tudo terminar assim?
– Kamui? – Ele chamou às costas da morena. – Temos que ir. – Continuou ao ouvir um resmungo qualquer da outra, e logo voltaram a andar.
Caminharam por longas horas. O céu azul claro começou a escurecer, e o sol triunfante abandonava o dia pouco a pouco para se esconder além do horizonte, tingindo o céu de um belíssimo tom alaranjado.
Sem falar nada, os primos pararam de caminhar e repousaram sobre um canto qualquer. Cada um em seu saco de dormir, ambos silenciosos, mas igualmente sem sono algum.
Cansado de todo aquele silêncio, Sasori tentou falar alguma coisa:
– Já tinha feito alguma missão tão longa Kamui? – Perguntou uma coisa qualquer, desejando que a prima o respondesse, mas ainda sem olhar para ela.
– Não fiz tantas missões assim, lembra? Saí da vila muito cedo. – Ela se concentrou em um ponto brilhante qualquer no céu.
– Se arrependeu?
– Não. Embora às vezes me pego imaginando como teria sido minha vida se tivesse seguido um caminho diferente.
– Então você se arrependeu.
– Não. Apenas fico tentando imaginar. Se não tivesse que ir embora de Suna, ia ter sido eu quem iria atrás de você quando você voltou para ir atrás do outro Kazekage, o Sabaku. Então me pergunto se você lutaria contra mim com a mesma destreza com que ouvi dizer que lutou contra a vovó, e coisas assim. – A pergunta estava sublinarmente inserida na frase.
– Você realmente chega a pensar nessa possibilidade?
Ele parecia decepcionado com a morena para quem jurara com sinceridade, etrna proteção. Aquela promessa foi feita antes de terem cometido um crime, havia prometido porque era seu desejo e não porque se sentia na obrigação.
– Não. Fraca como eu sou não teria nem graça pra você. Então minha morte não teria a mesma amplitude que a dela. – Ela disse como que se ao seu lado estivesse um estranho e usava com ele o tom típico sem emoções que costumava confundir todas as pessoas.
– Eu não a matei. Não pude, por isso fingi minha morte. Lutei apenas porque tive que lutar. Mas se visse você na abertura daquela caverna, disposta a lutar contra mim eu não seria capaz de fingir. – "Morreria por agonia muito antes de ferir você" completou em pensamento, mas não foi capaz de reproduzir as palavras.
Sasori então virou para o lado, mas o que encontrou foi uma morena de olhos completamente cerrados. Ela não poderia estar dormindo, conhecia bem demais a morena pra saber que ela não dormiria uma vez que algo a incomodava tanto que mudara boa parte de sua personalidade.
– Kamui? – Chamou, mas a morena não abriu os olhos nem respondeu ao chamado – Eu sei que você não está dormindo. Por favor, apenas fale qualquer coisa.
Ela virou o rosto na direção do primo e abriu os olhos. Sasori assustou-se com o ato, pois Kamui lhe olhava de forma profunda, mas em seus olhos não jazia o brilho ofuscante que era usado para manipular o livre arbítrio alheio.
Aquele olhar doce do qual ele se queixava ao mesmo tempo em que queria que fosse dirigido somente para si. O olhar doce e poderoso que ela sempre lhe lançava quando queria deixar bem claro quão fraco ele era diante da beleza de seus olhares.
Em seus lábios também não havia nenhum sorriso. Kamui parecia triste, verdadeiramente triste. Mas após uma avaliação geral da situação, Sasori achou que ela estava somente cansada, certamente fazia muito tempo que ela não se esforçava tanto fisicamente. Cego, virou novamente seus olhos para o céu estrelado.
– O que quer que eu diga Sasori? Que eu não seria capaz de ir atrás de você? Que impediria Chyo-baa de seguir o caminho que seguiu? Pois bem, muitas vezes eu já tentei imaginar como seria se eu tivesse escolhido um caminho diferente, mas em todos eles meu pensamento sempre trava quando chega ao ponto em que me veria contra você. Não há espaço na minha mente onde eu me veja contra você. Agora me deixe, eu só quero ficar quieta.
– Crescemos juntos o suficiente para temer-te quando ficas calada Kamui – Dessa vez quem queria a encarar era ele, mas não viu nada além do perfil de seu rosto que ainda encarava concentrado as estrelas.
– Só estou pensando. Pensando na missão. Sou uma Akatsuki a menos de uma semana e já estou indo para um lugar absurdamente longe e sem sequer saber o que vou fazer. – Mentiu, não teria justificativas ou histórias para camuflar o ciúme que sentia e a dor que era a perda da única coisa que fora capaz de amar na vida.
– Você não esteve os últimos três dias pensando somente nisso, Kamui – Não era uma pergunta. – Você não é assim, pensa como vai agir somente depois que conhece o inimigo e o ponto fraco dele.
– Você esteve longe tempo demais Sasori, ocupado demais com outras coisas. Eu me tornei uma pessoa quieta com o passar dos anos. – Cada palavra mostrava o ânimo e a frustração de Kamui, e aquilo o atingia em igual proporção.
– Não, não se tornou não. Você se quer olha para mim enquanto fala. – Ele disse sem perceber, fazendo-a rir de uma maneira que ele não soube identificar.
– Então não é da conversa que sente falta. Estranho pra quem passou uma boa parte da vida me pedindo para parar de ser alvo dos meus olhos.
– Não é disso que eu estou falando, e sim do fato de você estar tão distante do que normalmente é.
– Acho que entrar pra esse grupinho mercenário e treinar com Itachi pode me deixar assim mais séria um pouco. Até porque agora você tem o loiro e não é certo seduzir um homem que tem um compromisso.
– Ah.. – Ele abriu a boca pasmo.
Uma vaga desconfiança de que Kamui poderia estar frustrada daquela forma por causa de Deidara passou por sua cabeça, roubando-lhe os sentidos e as palavras. Mas isso não fazia sentido, era sempre ela que gostava de lembrar que aquilo era apenas diversão.
Rapidamente um pensamento sem sentido invadiu sua mente como o clarão de um raio: A menos que ela mentisse. Kamui era especialista em omitir emoções para permitir que as pessoas caíssem mais facilmente em seus truques, mas nunca imaginou que ela mentiria para si com relação à qualquer coisa.
– Kamui eu...
– Estou com sono Sasori, amanhã conversamos mais. Boa noite – Ela se virou no saco de dormir, dando as costas ao ruivo, cortando sua frase com medo que ele abrisse a boca para falar qualquer coisa sobre Deidara.
– Claro. Boa noite Kamui. – Ele ficou olhando os contornos das costas dela.
Naquela noite Sasori não dormiu, ficou apenas pensando sobre todas as coisas que estavam acontecendo. Kamui também não pregou o olho, mas não se moveu de onde estava.
Tentou fazer deitada um exercício de meditação que Itachi tinha lhe explicado rapidamente. No entanto nada tiraria as questões que lhe fazia doer a cabeça.
Sempre fora indomavelmente aventureira, perturbar os sentidos do homem que amava tanto era o que a mantinha aquecida até mesmo nas noites dos longos anos que vivera sozinha no meio de uma floresta esquecida pela civilização. Mas agora que sabia da existência de Deidara, enfeitiçar o primo parecia forçá-lo a fazer algo que ele definitivamente não queria.
Sentiu-se mal por cada vez em que colocou Sasori sob o efeito de seus olhos para que o ruivo ficasse consigo. Com o loiro ele apenas ficava, não havia truques naquilo.
Era apenas algo que os dois desejavam e faziam. Ela se surpreendeu em como tomar conhecimento daquilo era doloroso, e sem maiores manifestações uma grossa lágrima escorreu pelo rosto, fazendo-a fechar os olhos na tentativa de evitar que outras viessem.
.:.
– Bom dia Kamui. – Ele disse quando ela fingiu acordar.
– Bom dia. – Respondeu por hábito, aquele estava longe de ser um bom dia para ela. – Vamos pegar o caminho pelo deserto certo? Acho que é um atalho. – Disse falsamente eficiente sem olhar para o ruivo, não era birra, apenas não conseguia.
– Hai, hai –Disse por dizer – Acho que até metade da tarde chegamos no deserto, então de lá são apenas algumas horas.
– Uhum – Disse indo para a beira do rio, para se lavar.
Ela jogou água no rosto para "acordar", uma mente cansada não a ajudaria em nada. Pouco a pouco ela parecia se sentir cada vez mais curiosa e ansiosa para saber o que exatamente Sasori achava de Deidara.
O ruivo nunca falou nada, toda vez que tentava era interrompido por alguém. Na maioria das vezes ela própria que o cortava por medo de ouvir o dizer sobre Deidara o que ela desejava tanto que fosse dela.
Quando deu por si, já estavam caminhando ligeiros no deserto, onde não colocava mais os pés havia anos. Podia sentir ali um aconchego único como aquele que só se sente no lar da gente.
Quase não acreditou que estava voltando ali ao lado do primo. Sentiu uma vontade imensa de puxar Sasori pela mão e correr entre as dunas traiçoeiras, como faziam quando eram menores.
A lembrança fez um sorriso aparecer em seu rosto e ela sentiu uma mão enroscar na sua. Olhou para o primo ainda sem desfazer o riso sincero.
– Mesmo sendo um atalho, já que conhecemos essa parte do caminho tão bem, não há problemas se formos correndo não é. – Ele sorriu de forma carinhosa.
Sabia que Kamui estava pensando nas mesmas lembranças que ele. E fosse o que fosse que se passava na mente triste de Kamui, eles precisavam de um momento que aliviasse o clima entre ambos. O sorriso da morena apenas se ampliou, apertando sua mão com firmeza contra a do primo e o puxando pelo caminho por onde ela já havia começado a correr.
.:.
Lembranças de Kamui
.:.
– Por que não podemos ir andando? Eu estou cansada. – Ela disse mais ofegando que falando enquanto fazia do braço do primo, muito além de um apoio, um suporte que a puxava duna acima.
– Porque você precisa ficar mais forte, vamos lá. Falta menos da metade apenas. Não vai se arrepender quando chegar lá em cima.
– Mas Sasori, a gente já correu quase todo o deserto. Eu desisti de contar depois da 24° duna.
– Você já foi menos resmungona também, sabia – Ele puxou a prima em sua direção para carregá-la entre os braços.
– Aha viu só, você é o meu herói. – Disse se pendurando no pescoço do ruivo enquanto ele continuava subindo.
– Pronto – Ele a largou no topo da duna e se jogou no chão para sentar-se,cansado.
– Nossa, como isso aqui é alto.
– Pro outro lado Kamui, olhe pra trás de você. – Ela o obedeceu.
– Sasori... – A morena admirava encantada a paisagem – Isso é lindo.
Diante de seus olhos o sol começava a cair por trás das dunas, dando ao deserto um efeito de sombras alaranjadas muito lindas, como que se estivessem em chamas. Dunas de todos os tamanhos camuflavam a entrada da vila. Ela terminou de olhar a vista toda e se sentou ao lado do primo.
– E o que é isso, um presente? – Ela perguntou.
– Uma recompensa por ter corrido por todas aquelas dunas. Achei que você não ia chegar na metade.
– Metade? Metade. Sasori, você está tão cansado quanto eu, a diferença é que aguentou meia duna a mais.
– É. E eu ainda estou pensando como vou fazer pra sair daqui. – Disse alisando as pernas doloridas, mas parando para olhar a prima assim que percebeu que ela havia ficado quieta.
O que encontrou foi o brilho traiçoeiro dos olhos de Kamui intensificados pela luz aquecida do sol que se despedia deles naquele dia. Os raios de sol deixavam seus olhos com um ar mais intenso e instintivo, certamente a visão mais bela que ele guardaria em sua memória.
– É muito melhor correr pelo deserto durante as primeiras horas da noite, então acho que devemos esperar o sol se por. – Terminou a frase invadindo o espaço do ruivo, atraindo-o para um beijo que ele cansado, não retrucou nem questionou, apenas correspondeu.
.:.
Fim da Memória de Kamui
.:.
.:.
Uma Memória mais recente de Kamui
.:.
– Kisa-kun, você parece ser o cara que se da bem com todos daqui, não é – Perguntou colocando água para ferver enquanto o azulado preparava os saches de chá.
– Eu tenho fama de mau, quase dois metros de altura, pele azul e dentes de tubarão – Ele parou de fazer o que fazia e olhou para ela – Se não fosse amigável, pelo menos conversando com as pessoas, seria motivo de pânico onde quer que passasse. – Voltou ao trabalho.
– Ainda mais se anda ao lado de um cara como o Itachi. – Ela disse simples e sincera, enquanto pegava duas xícaras no armário.
– É. Principalmente quando se anda ao lado do cara mais boa pinta do lugar, e ao mesmo tempo o mais desinteressado também. – Ele falou rindo.
– Ainda assim, você é o único que tem amizade com todos os membros. Eu vejo todos os outros brigarem entre si, ou simplesmente se ignorando.
– É o problema da ambição de cada um. Aqui cada ninja pensa em si próprio primeiro, com exceção da Konan que só está aqui por causa do líder e o Sasori que não se preocupou em esconder que, acima de tudo, ele queria encontrar você. Ele sempre disse que procurava uma pessoa que deveria entrar na organização também, aha foi mesmo uma surpresa quando ele apareceu aqui com você ahh e tem o Deidara também, é claro, que parece por seu primo acima de qualquer pedestal.
– Kisa-kun, como é essa história entre o Sasori e o Deidara afinal?
– Ninguém sabe. O Sasori nunca foi de falar muito e o Deidara... bom, qualquer coisa que ele falasse teria o Hidan pra curtir com a cara dele. Na verdade, eu nem sei se realmente há algo verdadeiro entre eles, porque o Sasori trata aquele garoto muito mal, tanto que às vezes até da pena.
– Hum.. – Ela disfarçou a curiosidade e a decepção, realmente achava que Kisame seria a pessoa certa para saber de tudo.
– Mas se quer saber a minha opinião, – Continuou o peixe – Bom, você está aqui há pouco tempo, mas vai ver um dia, o Deidara quando se irrita e discute, grita. A casa inteira escuta, e eles estão sempre brigando, inúmeras vezes o loiro reclamou da falta de reciprocidade do Sasori e o ruivo sempre foi indiferente a isso tudo, dando a impressão de que realmente não se importa com o outro ou coisa do tipo. Mas também, do jeito que Sasori é, é bem capaz de esconder esse tipo de coisa por orgulho ou coisa do tipo.
.:.
Fim da Memória mais recente de Kamui
.:.
Correr de mãos dadas com o ruivo fez o medo que tinha do que Deidara poderia, ou não, significar entre eles desaparecer. Ela se sentia como a menina que brincava e treinava seguindo o primo por todas as partes do deserto.
– Chotto! Chotto matte Kamui! – O ruivo disse travando em certo ponto, após longos minutos de corrida – Essa última duna me quebrou. – Soltou a mão da morena para alisar as panturrilhas, fazendo-a rir de verdade.
– Yare, trocar a vida no deserto pelo quarto onde fica fazendo bonecos na Akatsuki deixou você molenga. Quando éramos mais novos era sempre eu quem cansava primeiro.
– E quem foi que disse que eu cansei. – Disse ofegante, fazendo-a rir ainda mais.
– Ahh não cansou? Que bom. – Pegou a mão do ruivo mais uma vez e o puxou para a corrida.
Cansado, ele aguentou subir metade da duna em sua frente e suas pernas falharam, fazendo o ruivo cair e sem soltar a mão de Kamui. Ambos acabaram rolando duna abaixo. Até que Sasori caiu fazendo um baque no chão caindo de costas com Kamui por cima de si.
Os rostos muito próximos se encararam mantendo o mesmo desejo contido em cada corpo e ao mesmo tempo despercebido por ambos. Ela desviou o olhar, sabia que se o olhasse demais acabaria por fazer com que ele sucumbisse ao desejo em que seus olhos o guiariam. E ela não queria mais isso, se essa não fosse de fato a vontade dele.
O olhar desceu a face, mas pairou sobre os lábios sob si, o que não a ajudou muito então fechou os olhos e virou a cabeça, abrindo-os novamente apenas quando tinha a certeza que não o veria. Talvez uma sorte sua, embora o que visse fosse muito pior.
– Ahhh droga droga droga! – Disse se levantando depressa
– Hm? – Sasori ficou confuso, triste por não entender o que se passara ali.
Kamui nunca o tinha deixado escapar de uma situação como aquela. Estava ao alcance certo dos olhos dela, mas percebeu que ela evitou o olhar exatamente por este motivo.
– Sasori levanta logo daí. – A voz urgente dela o fez acompanhar para onde ela olhava.
– Tempestade de areia, elas são sempre imprevisíveis! – Disse ainda deitado no chão, estava realmente muito cansado da corrida – Daqui, não tem como fugir dela. – Disse com calma.
– E o que vamos fazer? – Ela se preocupou, nunca imaginou o primo dizendo que não havia saída para alguma situação.
– Sente-se aqui. – Ele disse abrindo as pernas e vasculhando o interior de sua capa.
– Hem? – Ela olhou confusa para o que o primo estava lhe pedindo.
– É sério Kamui, sem palhaçada. Apenas se sente aqui, de costas para mim e segure isso. – Ele abriu um pergaminho.
Ela o obedeceu enfim, e sentou-se entre as pernas do ruivo, de costas para o mesmo, segurando o longo pergaminho aberto diante de seu corpo. Viu o ruivo passar os braços por sua cintura e a cabeça se inclinar até que a testa encostasse em sua nunca, como um sinal de procura por concentração.
As mãos em sua frente fizeram inúmeros selos. A morena preferiu fechar os olhos para não ver a tempestade e os abriu novamente apenas quando Sasori chamou por seu nome. Em torno de si ela pode ver uma vaga cúpula de madeira que ela não soube e identificar o que era.
– Mas que coisa é essa afinal? – Perguntou olhando para o ruivo que dentro daquele espaço apertado estava sentado meio inclinado com as costas na parede de madeira, acomodando Kamui no vago espaço entre suas pernas. As mãos que haviam feito os selos anteriormente agora estavam bem acomodadas sobre o colo da morena.
– O interior da minha marionete mais perfeita. – Respondeu simples ouvindo os gritos do vento.
– Ah não brinca comigo que isso aqui é o interior do Quarto. Ele não era desse tamanho todo.
– Não, este é Hiroku. Você não o conhece, mas é uma marionete perfeita por poder defender e atacar ao mesmo tempo.
– Tirando a falta de espaço.
– Ele foi feito para um. – Justificou – E por que estava de olhos fechados afinal?
– Ahh bem, eu.. eu só.. – Sasori riu enquanto ela se perdia nas palavras.
– Ainda tem medo de tempestades de areia Kamui? – Perguntou a apertando mais contra si enquanto.
Permitiu-se lembrar das noites em que ela saía de seu quarto, pé ante pé para não acordar a avó, para dormir com ele nas noites em que a areia e o vento unidos castigavam a vila Suna. Sem nunca dizer nada, ele apenas abria espaço para ela, somente para que ela se ajustasse em seu abraço e ele pudesse dormir com a falsa sensação que a prima era uma peça muito frágil que se ajustava perfeitamente bem ao seu lado na cama, enquanto ele dormia sentindo o cheiro exalado dos cabelos dela.
O único vestígio que ela deixaria ali, seu cheiro no travesseiro, até que viesse outra tempestade e ela fosse se refugiar em seus braços mais uma vez. Sasori achava engraçado como Kamui poderia temer algo tão parecido com ela própria.
– Fazia muito tempo que não via uma assim tão de perto. – Ela disse abrindo a capa igual á de Sasori, que Pein havia lhe pedido para usar.
– Uhum – Sasori apenas a observava tirar a peça e dispor sobre as pernas como um cobertor. – Peço desculpas pelo péssimo hotel que te arrumei.
– Em meio a uma tempestade dessas, eu não aprendi a dormir em nenhum outro lugar. – Ela se arrumava de lado no vago espaço, ajeitando a cabeça no peito de Sasori enquanto o abraçava.
O ruivo descansou o queixo no topo da cabeça dela, enquanto os braços a mantinham segura entre si. Pouco a pouco o perfume que ele sentia sempre que ela se acomodava em sua cama começou a invadir suas narinas, fazendo-o fechar os olhos para se concentrar mais.
Já dormindo, Kamui se mexeu em seu colo e a mão que jazia tranquila sobre o peito de Sasori desceu até metade de seu abdome, desconcentrando-o um pouco. Agora ele tinha consciência de cada parte de pele dela que tocava a sua, inclinou um pouco a cabeça para observá-la, sentindo o desejo o invadir pouco a pouco.
A expressão de Kamui dormindo dava a qualquer um que a olhasse, a impressão de que era o ser mais frágil e delicado do planeta. A forma com ela se espremia no abraço de Sasori realçava o par de seios no decote que se movimentava lento pela respiração pesada de quem dorme.
Já se sentindo tomado pela vontade que tinha sobre o corpo da prima, sentiu o próprio corpo enrijecer diante da imagem sedutora que ela tinha mesmo dormindo. Inclinou o corpo para o lado, fazendo o corpo dela pender em um de seus braços enquanto a outra mão pousou no rosto as morena.
"E se a acordasse aos beijos agora, se me aproveitasse dela da mesma forma como ela sempre brincou comigo? E se a tomasse de seu sono para acordar em meio ao meu desejo"
A mão pequena do ruivo desceu, em meio aos pensamentos, infiltrando-se por entre a alça do macaquinho. Conseguindo fazer a mesma descer pelo ombro de Kamui com facilidade.
"E se deixasse claro de uma vez que Deidara foi só um objeto, uma válvula de escape enquanto não a encontrava, a única dona de meus pensamentos. Não precisava admitir que a amava, apenas que tinha desejo sobre o corpo perfeito, em pró a tudo que ela havia feito consigo durante anos".
Sasori fechou os olhos com força. E em um movimento que exigiu toda sua força de vontade, trouxe a alça da peça de roupa junto consigo de volta para o devido lugar.
"Isso apenas criaria mais uma cadeia de mentiras e tornaria a mulher que amava tanto em um objeto tanto quanto Deidara"
Ele puxou a capa que ela havia estendido sobre as pernas até o pescoço da morena. Apertou o abraço com um dos braços enquanto a outra mão mexia em seus cabelos.
"Se for para ter Kamui mais uma vez, que seja na sinceridade".
1: Esse Kisame está muito fofoqueiro pro meu gosto
2: A expressão Chotto; Chotto Matte quer dizer: Espere!
