Capítulo oito: De volta para casa
Por Kami-chan
O dia seguiu e a tempestade os prendera ali por toda uma tarde. Kamui ressonava nos braços de Sasori tal como um recém-nascido no aconchego dos braços da mãe. O barulho do vento batia nas estruturas de madeira da marionete e gritava alto por onde passava, mas ali dentro, ambos os Akasuna dormiam tranquilos e seguros.
O corpo da morena se encaixava perfeitamente no abraço que a mantinha presa ali de maneira delicada e carinhosa. Podia parecer bobo, mas o simples fato de tê-la ali e saber que entre seus braços Kamui não temia o vento e areia já acalmava o monstro interior de Sasori.
Lentamente ela acordou e deixou que os olhos se acostumassem a pouca claridade do local, ficou longos minutos admirando o rosto delicado do primo enquanto o mesmo dormia. Havia algo genético com os Akasuna que parecia os manter íntegros em meio à ação do tempo e tanto Sasori quanto Kamui pareciam mais dois adolescentes inocentes de feições delicadas que os ninjas adultos excelentes e mortais que realmente eram.
Perdida entre os muitos encantos de cada linha de expressão de seu rosto, ela se quer percebeu quando o ruivo acordou. Se pudessem ser vistos dentro da marionete, ninguém negaria que a proximidade e a forma carinhosa como Kamui era abraçada era digna atitude de um casal apaixonado, assim como a forma que se encararam quando os orbes de brilho intenso se chocaram com as recém-abertas de Sasori.
Os atos que os envolveriam ainda mais seguiram por si só, nem Kamui nem Sasori tinham controle sobre seus atos por estarem envoltos em tamanha proximidade. Sasori aproveitou-se da situação para aproximar mais o corpo da morena do seu no abraço que já dividiam ao impasse de uma das mãos que ainda estavam espalmadas no peito do ruivo subiu até seu queixo para guiar os lábios dele em direção aos dela.
Aquele não era o controle que costumava ter, ainda antes de adormecer ali tinha certo em mente que não faria mais isso com o ruivo, uma vez que ele por vontade própria tinha uma história que ela não entendia bem com Deidara. Ainda assim acordar tão próxima dele, tão bem confortável e quente em seus braços podia sim manter esses pensamentos longe de si.
Entretanto, após alguns minutos do beijo quente os pensamentos começaram a fluir novamente em sua cabeça. No mesmo momento se viu sobre o corpo do ruivo sem saber se havia sido ela ou ele que havia estabelecido aquela posição.
Amava Sasori, desejava Sasori e tivera uma vida ao lado do primo que fora montada por si mesma. Por mais prazerosos que fossem aqueles momentos, eles só existiam nos desejos dela, rapidamente Kamui recobrou seu autocontrole e cessou o beijo, retirando-se de cima do ruivo.
– Me desculpe por isso, – ela disse ajuntando a capa que os cobria para vesti-la, Sasori não disse nem fez nada. – Eu sei que isso não deveria se repetir mais e não se preocupe, não vai. – Concluiu de forma informal.
– Eu deveria estar entendendo o que você está falando Kamui? – Ele perguntou no mesmo tom.
– É claro, mas você não tem culpa. Eu que não deveria brincar de seduzir pessoas contra a vontade delas. – A frase de Kamui bateu fundo em Sasori.
"Contra vontade?"
A fala bateu fundo no ruivo que desde o começo apenas temia assumir o que sentia e ser rejeitado pela morena que parecia mais em busca de aventuras que de alguma coisa a mais. Mas nunca pensou que Kamui fazia aquilo pensando que era contra sua vontade.
– Você fez isso comigo sempre desde que te conheço. – O tom pareceu se elevar um pouco mesmo sem que ele percebesse o que fazia.
– Eu posso ser uma pessoa com temperamentos bem momentâneos, mas ainda posso ver o que é certo, ou não. Naquele tempo você também não tinha ninguém então antes somente meu ato era torto, mas se você tem um compromisso seja la com quem o meu erro acaba forçando você a errar também e isso não é legal e nem divertido. – O tom casual passou ao deboche.
– Isso não combina nada com você e não faz sentido nenhum, eu não tenho compromisso nenhum. – Péssimo hábito esse de elevar o tom de voz, Sasori estava quase gritando.
– Do que está reclamando Sasori? Se todas as vezes que eu me aproximei de você a primeira coisa que você sempre disse foi "não me olhe assim Kamui" se não fosse por meus truques nunca teria acontecido nada entre nós dois. – O problema é que muitos hábitos são adquiridos pela convivência e Kamui assumia o mesmo timbre elevado de voz.
– Você sempre disse que era por diversão. – Jogou-lhe na cara.
– Pois bem, não é divertido quando você tem um compromisso e acaba envolvendo uma terceira pessoa na história! – A morena seguiu no mesmo nível, se referindo a Deidara.
– Eu não sei de que compromisso você está falando!
– Por quê? Por acaso tem relações com algum outro membro daquela organização além das que mantém com Deidara e todos os outros sabem e comentam? – Agora ela já gritava mais alto que ele.
– Por que insiste em meter o loiro da Pedra em todas as suas conversas? Não me interessa o que diz o Hidan ou qualquer outro membro, eu não tenho nada com o Deidara.
– Ah é claro que não, três dias atrás quando eu entrei no quarto e os vi, Deidara não estava te chupando. Ele provavelmente tropeçou e caiu convenientemente em você. E o fato do Hidan achar tão banal o relacionamento 'não existente' de vocês que os comenta em plena mesa do café da manhã só pode ser intriga dele. – Os gritos altos eram totalmente irônicos.
– Você não parecia se preocupar com isso enquanto fazia amor comigo ouvindo Deidara bater na porta do quarto me procurando e caso não esteja lembrada, os gritos ao qual Hidan se referiu naquela manha, eram seus e de mais ninguém.
– Ainda assim, ninguém achou estranho quando ele acreditou ser do loiro e nem impediu você de menos de doze horas depois estar gozando na garganta do Deidara.
– Ta certo, ta certo! Chega você venceu. Agora, você saber que eu tive uma ou outra relação com Deidara não deveria impedir você de acreditar quando eu digo que não tenho nenhum compromisso com ele, porque não foi nada além de sexo. – Disse vencido, como um desabafo forçado.
– Entendi – Estranhamente o tom muito alto dela havia passado a um sussurro – Eu entendi Sasori, não passa de sexo. Foi por isso que você nunca tentou de fato acabar com as minhas investidas, não é? Porque assim como com Deidara, o que nós tínhamos não passava de sexo.
Kamui fazia sinais afirmativos com a cabeça enquanto falava com a voz falha sem perceber que o fundo de seus olhos haviam se transformado em um raso lago de lágrimas que ela não deixaria cair. Entretanto ele não pode deixar de perceber a formação cristalina que cobria os olhos dela, se arrependendo de cada palavra que havia dito.
– Não foi isso que eu quis dizer Kamui, não pode aplicar a você o que eu digo de Deidara. Não é a mesma coisa, com você...
– É claro que não! – Ela o cortou assumindo o típico tom frio e sem emoções.
Sasori estava começando entender que a grande maioria das vezes que ela usava esse truque, sua frieza queria esconder justamente o oposto de sua força. Kamui encontrava na total falta de emoções uma forma de esconder tudo o que sentia de maneira intensa em seu interior
– Não pode se aplicar de maneira alguma sobre mim sabe por quê? Porque quando você fazia sexo comigo era porque era induzido pelos meus dons e nunca em todas aquelas vezes aconteceu porque você me procurou. Os beijos nunca foram roubados por você, nenhuma iniciativa era tomada por decisão sua. Eram sempre os dons dos meus olhos e a tua boca dizendo, e sempre repetindo "não me olhe" "não faça isso". Mas com Deidara não, ele não tem meus dons e se foi pra cama com ele, com certeza não foi forçado como era comigo.
Diante de cada palavra dita com total clareza por Kamui, Sasori só soube calar. Pode ver com clareza o que era muito novo, cego, inseguro e covarde para ver de verdade enquanto a morena ainda vivia no deserto consigo; Palavras podiam simplesmente não passar de palavras quando formadas por aquela mente brilhante em sua frente e ditas pela boca bem treinada de Kamui.
Sempre admirou a forma como somente ela conseguia enganar os oponentes mais fortes e inteligentes, fazia Chyo-baa acreditar em suas mentiras mais mirabolantes quando precisava se ver livre de algum castigo. Aquela era a mulher que ainda menina conseguiu manipular a mente de um Kazekage, e dias atrás, de Pain e Itachi.
Tudo isso com meras palavras, com tolas mentirinhas. Sasori não era seduzido pelas palavras, se havia alguém com quem ela passava horas conversando com sinceridade, esse alguém com certeza era ele. Kamui usava somente os olhos e o corpo para confundir seus sentidos, era tão sincera e aberta consigo que não duvidou da palavra da morena nas únicas vezes que mentia também para si. Sempre a mesma mentira.
"Por que faz isso comigo Kamui?"
Ele costumava perguntar toda vez que cansava de perceber o quanto era fraco diante do desejo que sentia pela morena, e já rendido sob o olhar intenso de Kamui a resposta que ouvia sempre, acabara se tornando um mantra que ecoaria em sua cabeça para o resto da vida:
"Porque é divertido"
Com tanta facilidade, ela fez o ruivo acreditar no que era, talvez, a única mentira que ela reservava para si.
Aquele Sasori de Suna, cego pelo medo de admitir o que sentia pela Akasuna, diria que toda a discussão que tivera com Kamui agora seria porque ela poderia estar se sentindo uma péssima perdedora. Tinha-o como um brinquedinho exclusivo e descobriu que com o tempo outras pessoas haviam se aproximado.
Mas diante de tudo que aprendera sobre a mulher em sua frente, ele não tinha uma dúvida mais sequer de que, ou Kamui sempre o amara e definitivamente estava se sentindo trocada, ou que o fato de saber de Deidara havia despertado na morena o verdadeiro significado daquilo que ela chamava de "diversão".
Admitir naquele momento que a amava verdadeiramente soaria como a resposta pronta mais falsa do mundo, ainda mais com Kamui sendo orgulhosa e estando de cabeça quente. Mas agora ele tinha a peça que faltava para completar de vez a história dos dois, havia esperado quase seis anos para reencontrá-la, não custaria esperar aquela missão terminar para fazer o que fosse. Apenas olhou para Kamui sem nada a dizer.
– Como saímos daqui? – Ela perguntou olhando para os próprios pés e Sasori selou a marionete em seu pergaminho novamente.
– Bom, a tempestade nos atrasou um pouco, mas como é noite agora podemos viajar com mais habilidade e rapidez. Talvez a missão como um todo não atrase tanto – Ele parecia ter esquecido que tinham acabado de ter uma longa discussão.
– Hai – E sem maiores comentários seguiram seu caminho.
O sol quase raiava quando haviam cruzado a fronteira secreta da vila da Cachoeira, Kamui não conhecia aquele lugar, então deixou que Sasori fosse à frente guiando o caminho. A morena havia passado o caminho todo até ali pensando na maneira como Sasori havia reagido na noite anterior.
Nunca vira o ruivo ficar quieto diante de alguma coisa, talvez tivesse pegado pesado nas palavras, afinal, ele não precisava sentir culpa alguma por admitir que o que tinham era apenas sexo, se ela mesma passou a vida inteira mentindo para ele dizendo que nada daquilo passava de diversão. Diversão, sexo, qual a diferença? Palavras diferentes para a mesma coisa, a diferença é que ela mentia quando dizia "diversão", ele pareceu desabafar quando disse "apenas sexo".
– Kamui – Ela ouviu o primo a chamar e resolveu prestar atenção.
Era sua primeira missão ali e não queria mais ter que depender tanto de Sasori. Parar de pensar um pouco sobre ele poderia ser um bom começo, uma vez que poderiam deixar de ser amantes, mas nunca deixariam de ser do mesmo clã e provavelmente membros da mesma equipe.
Por mais triste que estivesse no momento, tudo que poderia deixar entrar em sua cabeça eram assuntos relacionados à missão. Olhou para Sasori.
– Sei que tivemos uma discussão ontem, mas se quisermos fazer isso direito vamos ter que agir como equipe.
– Não se preocupe Sasori-kun, nós sempre fomos uma boa dupla, não fomos?
– Sim. Bom, acontece que apenas um de nós pode entrar lá, enquanto o outro vai ter que preparar a saída.
– Uhum.
– A peça que Pain quer está sob o solo e o único meio de chegar até lá é por um túnel subterrâneo que tem a entrada em uma gruta submersa.
– Nadar, entrar na gruta, achar o túnel, passar por ele e pegar a peça – Ela repetia os pontos importantes para não esquecer.
– O grande problema é o diâmetro desse túnel – Ele pode observar ela o olhando de maneira mais atenta – Eu não passo por ele, precisa de alguém menor e com mais elasticidade.
– Pera aí você quer dizer que EU vou ter que nadar, entrar na gruta, encontrar o túnel, passar por ele e pegar a peça. E pior, voltar pelo mesmo apertado túnel com a peça nas mãos?
– É. Mas eu sei onde fica a abertura do túnel, vou passar as coordenadas todas e a peça você pode selar em um pergaminho e trazer no bolso.
– E onde você vai estar enquanto isso?
– Preparando a sua saída, assim que você remover a peça o sistema de segurança vai acionar.
– Isso é loucura!
– É, você sabe que certamente terá que matar uma ou duas, ou dez pessoas antes que te matem não é mesmo?
– Certo, como vamos fazer então?
.:.
– Você é novo nesse cargo, mas logo vai se acostumar com a paz que é isso aqui embaixo. Como é o seu nome mesmo? – Disse o mais alto dos três homens.
– Shun. Pelo salário que oferecem, eu me acostumo com qualquer coisa. – Disse o novato – Há quanto tempo estão aqui?
– Ah eu estou aqui já há três anos e o Arima aqui – Apontou para o terceiro homem – Há mais ou menos uns quatro, não é Arima? Arima está me ouvindo?
– Hei Jiro, olhe aquilo. – Arima disse apontando para algo – Não parece que tem algo boiando lá?
– Boiando? Só se algum incompetente quis se livrar de um corpo no lugar errado. – Disse olhando para onde o outro apontava – Mas realmente, você tem razão, vamos ver o que é aquilo.
– Não é que é um corpo mesmo? – Disse Shun olhando para o dorso do corpo vestido de negro que boiava sobre a água, aparentemente sem vida – Será que está morto?
– Só pode... seria impossível chegar a essa profundidade toda a nado, aposto que foi jogado e a correnteza arrastou até aqui. – Disse Jiro
– Então devemos recolhê-lo, pode conter indícios de quem o matou ou algo parecido. – Concluiu Arima e os três juntos tiraram o corpo da água.
– Mas é uma mulher.. – Disse Shun assustado enquanto deitavam o corpo desacordado sobre o chão de pedra. – Está mesmo morta?
– Não, tem batimentos – Concluiu Arima.
– O que devemos fazer? – Perguntou o novato.
– Alguém tem que levá-la para superfície, Arima você é o único que pode subir à superfície sem problemas, avise ao líder da aldeia e volte com um transporte. – Ordenou Jiro e o colega o obedeceu.
Assim que Arima estava longe o suficiente, a mulher acordou em um engasgo, tossindo goles de água e aparentando muita falta de ar, resultado do susto com uma larga pitada de medo expressa no rosto. A primeira coisa que ela fez foi levar as mãos ao rosto e chorar compulsivamente.
– Hei hei, oi.. como é o seu nome? Está sentindo alguma coisa? – Shun, parecia muito comovido com a reação da mulher que mais parecia uma jovem menina. Em sinal de gentileza ele estendeu a mão até o ombro da jovem, mas ao mínimo contato de toque e morena pulou em um espasmo involuntário que a fez parar sentada abraçando as próprias pernas desesperadamente e chorando ainda mais. – Jiro, o que isso significa? – Perguntou assustado.
– Acho que nossa visitante foi vítima de um abuso Shun, deve ter ficado inconsciente e o agressor achou que tinha morrido, por isso a jogou aqui. Acho que essa menina tem muita sorte, isso sim, por ter chegado aqui viva.
Nesse momento ela parecia não dar atenção ao que falavam, parecia muito confusa em relação de onde estava, enterrou o rosto no vão entre as pernas, no que parecia ser para controlar o choro, mas na verdade era para controlar o sorriso cínico. Aquilo havia sido muito mais fácil do que pensara.
Um homem chamado Jiro que parecia se achar um grande sabichão e outro chamado Shun que parecia ser genuinamente de bom coração. A impressão que Kamui tinha era de que aquilo seria mais fácil do que quando era pega matando aula na academia.
Metros acima dali, Arima se quer tinha conseguido chegar à superfície, Sasori o esperava em uma marionete e consumiu com o corpo do homem. Lá embaixo, os dois homens viram a bela morena levar uma das mãos até o abdome, enquanto acrescentava leves gemidos de dor aos prantos de choro ainda parecendo muito confusa.
– Shun, fique aqui e tente acalmá-la, mas não toque nela. Eu vou descer até nossa sala comum e ver se tem algum quite de primeiros socorros e fazer um chá.
– Hei moça, olhe pra mim. Não se preocupe está segura aqui, meu nome é Shun e não vou fazer mal algum a você – Ele começou a falar e aos poucos a morena pareceu se acalmar um pouco, muito devagar parecia parar de chorar e ergueu o rosto muito lentamente para encará-lo.
– Onde...onde eu estou? – Disse chorosa
– Na vila da Cachoeira, não se lembra?
– Cachoeira? Não, eu estava no deserto, voltando para minha casa... então..então eles surgiram das dunas e... – Kamui trocou as palavras por mais lágrimas do falso choro.
– Não não, calma, por favor se acalme. Está segura aqui. Como é o seu nome?
– Kamui – Disse muito baixo, erguendo somente seus olhos de surpresa e fisgando os dele no ato onde ele ficaria preso muito antes de perceber o que se passava ali.
– Kamui – Repetiu como uma obediente marionete – Você é uma bela menina Kamui, não devia chorar.
– Ainda assim, as pessoas me obrigam... – Disse ajoelhando-se, sentando sobre o dorso das pernas. Enquanto Shun não era mais capaz de desviar o olhar da beleza rara que era liberada da combinação daqueles olhos extremamente quentes, aliada a boca que se movia suave, deixando-a com ar levemente triste.
Entrou em um transe onde sabia que Kamui estava falando algo, mas tudo que entrava em sua mente era o movimento de seus lábios. Sem perceber que na posição em ela estava, fazia um discreto selo com a mão, a beleza de Kamui lhe roubava atenção, enquanto o jutsu o enfraquecia. Até que Shun viu seus movimentos todos ficarem muito lentos e Kamui finalmente erguer sua mão a uma altura que ele pudesse ver, mas foi apenas para arremessar nele as pequenas agulhas com veneno, que escondia entre seus dedos.
Assim que o corpo de Shun tombara, Kamui o jogou na água e com um pequeno jutsu de elemento ar fez surgir na água um pequeno redemoinho que subiu pelas águas, era uma aviso à Sasori que estaria entrando. Correu imediatamente até o ponto em que Sasori havia lhe descrito, não foi nada difícil achar a entrada do túnel e nada fácil passar pelo buraco apertado que o primo lhe descreveu como sendo o dito túnel infernal.
As coisas não melhoraram no final, onde Kamui teve que esticar todo braço para conseguir pegar a porcaria da peça, dar uma ré no túnel para conseguir selar esta em um pergaminho e sair dali igualmente e ré. Sabia que o alarme tinha sido dado apesar de não haver nenhum sinal sonoro e sua missão agora era esperar Sasori ali até que fosse seguro sair.
Porém antes de qualquer coisa, correu pelo local em busca do que seria a sala comum, onde Jiro disse que iria. Assim que o encontrou não teve nenhuma dificuldade em confundi-lo da mesma maneira como havia feito com Shun e da mesma maneira também, depois de matar o homem com o veneno arrastou o corpo e o jogou na água, só então se sentou e aguardou por Sasori.
Dentro da água, Sasori permanecia bem dentro de uma marionete, não demorou muito após o sinal de Kamui até que visse os guardas vindo. Ou Kamui tinha sido muito rápida, ou algo tinha dado errado.
Os guardas desciam com máscaras especiais e as bolhas de oxigênio liberadas por elas os impediram de ver as finas linhas de chakra na água. Assim que foram cruzadas, os ninjas da Cachoeira se viram surpreendidos por cerca de cem marionetes que ao comando do ruivo lançaram suas armas em todas as direções. Assim que o ruivo teve certeza que todos haviam sido mortos desceu até Kamui.
– Tudo certo? – Perguntou
– Uhum
– Agora é que vem a parte difícil que é nadar isso aqui pra cima – Disse jogando pra ela uma das máscaras de oxigênio roubadas dos finados ninjas eliminados por Sasori e vestindo outra.
– Não seria muito mais fácil usar marionetes?
– Elas são pesadas demais, pra descer até aqui tudo bem, mas pra subir seria quase impossível.
– Hum..tah. Perdeu alguma? (marionete)
-Não. Eles estavam realmente muito mal preparados.
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-Sasori, por favor... – Ela choramingou quando já estavam mais uma vez no deserto.
– Quanto mais rápidos formos, mais rápido chegamos.
– Quanto mais rápido corremos, mais cansada eu fico. Por favor, nadamos aquilo tudo, corremos até aqui e eu ainda tive que me espremer naquele buraco.
– Tudo bem. Agente para em um hotel, você toma seu precioso banho, descansa um pouco, almoçamos e partimos. Está bom assim?
– Hai hai – Disse abraçando o primo – Eu vou voltar para Suna! – Disse enérgica.
– Pelo menos por meio dia... hei hei hei, onde vai?
– Suna, não era o combinado?
– Sim, mas se entrar com essa capa em Suna, vai ser a última coisa que vai fazer em vida Kamui. Esses caras odeiam a Akatsuki e acham que Akasuna no Kamui e Akasuna no Sasori estão mortos, lembra?
– Então tenho uma ideia melhor. Será que aquele esconderijo ainda está por lá?
– Tem certeza que quer voltar lá?
– Mas é claro!
.:.
O ruivo e a morena estavam parados lado a lado olhando cada detalhe do lugar abandonado, que tinha cada canto complementado de belas lembranças que só os dois conheciam. Com exceção é claro do último dia em que ela passara ali e dos últimos dias que ele usara o esconderijo para se esconder antes de fugir.
Sasori viu Kamui levar ambas as mãos ao rosto para secar duas pequenas lágrimas que haviam lhe escapado. Aquele lugar era um santuário de boas lembranças, momentos de amor que tinham vivido ali, tantas essências proibidas ela havia desenvolvido e estudado enquanto o ruivo se prendia na criação das marionetes mais bem equipadas.
Tantas brincadeiras, encrencas, fugas. Fora ali também que num gesto de gratidão aprendeu jutsus básicos de medicina que lhe foram muito úteis durante toda a vida. Aquele lugar representava todas as boas coisas das vidas que eles tiveram na vila da areia.
– Muitas lembranças? – Ele perguntou a vendo secar as lágrimas.
– Não, muito pó – Mentiu – Vou tomar um banho.
– Acha que a fonte ainda está lá?
– E por que não estaria? Eu já volto.
Sasori ficou onde estava. Ainda tinha muitos projetos antigos ali que estavam inacabados, mas não pôde levar consigo quando fugiu. Olhou seus últimos desenhos com gráficos, cálculos, estatísticas e até uma mini Kamui, desenhada no canto de várias das folhas do bloco de desenho. Sorriu ao lembrar-se do velho hábito de desenhá-la quando cansava de calcular ou precisava de uma nova ideia, mostrando claramente o que era que ocupava sua mente genial em todos os momentos do dia, fechou o bloco e o guardou na mochila para levar junto para a sede. Ficou brincando com alguns bonecos quase acabados até a morena voltar.
– Vamos sair para comer? – O ruivo perguntou sem olhar para o vulto que havia feito a claridade do esconderijo se alterar.
– Não, vamos só descansar. Podemos comer no caminho, o que acha?
– Ótimo, estou sem fome mesmo. Vou tomar um banho também. – Disse em poucas palavras e escapuliu do ambiente.
Quando Sasori voltou até onde estava Kamui, a encontrou dormindo sentada na cadeira em frente à escrivaninha que ele usava para desenhar seus projetos de marionetes. Pegou-a no colo com delicadeza para levá-la até o colchão que eles ainda adolescentes haviam colocado confortavelmente em uma abertura na parede, entretanto ela acordou com o movimento.
– Nossa, eu acabei dormindo. – Disse com a voz pastosa.
– Foi pra isso que paramos, eu vou pra cadeira.
– Não. – Ela acabou dizendo por impulso – Fica aqui comigo...
