Capítulo nove: O poder que cega

Por Kami-chan

Não demorou muito até Kamui cair no sono novamente e Sasori logo cair no que descobriu ser mais um encanto de Kamui sobre si: A forma como ela era encantadoramente atraente e natural dormindo.

Era como que se para ela o mundo lá fora pudesse simplesmente deixar de existir enquanto ela estava em plena paz. A roupa limpa que ela vestiu quando chegaram ali não tinha alças, mas os seios fartos da morena eram bem presos pelo top de mesma cor e tecido desse novo macaquinho vermelho e formavam uma fenda entre os seios que ele podia ver somente até certo ponto, pelo motivo de que enquanto ela adormecida, se encolhia.

Tudo em Kamui o atraía: a respiração profunda e pesada, os lábios semiabertos, o corpo jogado de qualquer forma sobre o colchão e os cabelos castanhos avermelhados espalhados ao seu redor, fazendo o aroma de seus fios chegarem até as narinas do ruivo que sentia seu corpo enrijecer diante do.

Não sabia ao certo o que o fazia desejar tanto Kamui dessa forma. Se simplesmente nunca havia parado para vê-la dormir e somente agora descobria esse encanto ou se a forma como ela se afastava de si, torturando-o enquanto o fazia ficar tão próximo de maneira tão diferente da que costumavam. Talvez simplesmente a falta que sentia daquele corpo sobre o seu, agindo como uma criança teimosa e sempre conseguindo tudo o que queria de si.

Sorriu resignado com sua situação, já estava perdido o bastante para ainda encontrar mais encantos em Kamui. Levou as mãos aos cabelos espalhados no colchão, sentindo uma vontade imensa de arrastar o carinho até o corpo perfeito para então puxá-la para si para mostrar-lhe em tamanho e extensão todo o seu desejo.

Afinal foi exatamente este o ponto de reclamação dela, não foi? Que o beijo nunca fora roubado por si, que a iniciativa nunca havia partido dele.

Deixou que seus pensamentos prosseguissem, guiando a mão até o corpo de Kamui. Não era isso que ela queria? Sentir o quanto era desejada.

Sasori deslizou sua mão no espaço, traçando o caminho sobre o corpo dela enquanto decidia se deveria ou não o seguir. Estava prestes a deixar a mão tombar sobre a cintura da morena quando um barulho muito perto deles soou alto na rua.

Sasori recolheu a mão, sentindo a coragem se esvair quando Kamui abriu seus olhos rapidamente, revelando o quão leve era seu sono. Ela virou de bruços no colchão e ergueu a cabeça olhando fixo para a parede na direção de onde vinham as vozes, como se fosse capaz de ver as pessoas através das rochas.

Sasori se arrastou pelo espaço, tomando distância para que Kamui não se tornasse consciente da excitação visivelmente presente em seu corpo. Como a prima, apenas se manteve atento às vozes desconhecidas do lado de fora.

– Mas você tem certeza que eram apenas duas pessoas? – Perguntou a voz masculina.

– Sim sim. Não deixaram nenhum vivo pra contar os detalhes, mas as câmeras de segurança viram bastante coisa. Eram dois, o líder de Suna confirmou que aquelas roupas eram mesmo da Akatsuki

– Mas o que eles podem querer com aquela peça?

– Vai saber. O caso é que todo o mundo Shinobi teme essa tal organização

Sasori e Kamui se olharam em silêncio. Era obvio, mesmo apenas com base no que ouviam dali, que as pessoas no lado de fora eram ninjas da Cachoeira.

– Sasori-kun, – Chamou virando ainda mais sua cabeça na direção do ruivo – Tem alguém ali fora que conhece a gente, será que alguém pode ter descoberto isso aqui com o tempo?

– Não, caso contrário não estaria tudo assim tão abandonado, né?

– Vai saber, eles estão muito perto!

Kamui "caminhou" com os cotovelos até que metade de sue corpo saísse do colchão, ficando com os cotovelos escorados no chão e deixando a outra metade de seu corpo exposto ao olhar observador do ruivo. Sasori achou que aquele tipo de coisa não o ajudaria em sua situação, mas também lhe lembrou que essencialmente, Kamui nunca havia deixado de ser apenas uma menina. A menina por quem ele era apaixonadamente responsável.

– O que está fazendo Kamui? – A morena deu uma olhadinha pra trás com um sorrisinho arteiro brilhando na face.

Suas pernas se ergueram até encontrar um ponto de equilíbrio para o corpo, assim que os cotovelos se ergueram do chão para as mãos trabalharem livres em selos.

– Desta tempestade de Areia você não tem medo não é? – Disse em tom zombeteiro a fazendo rir novamente, dessa vez do comentário dele e fez novos selos. – E agora?

– A entrada da caverna é muito pequena, mas se ainda assim alguém fosse capaz de encontrá-la... – Voltou para cima do colchão – Não vai mais. Sabe, eu acho que aprendi a me virar enquanto morava sozinha. – Disse se aproximando de Sasori.

– Isso assusta! – Ele disse se levantando antes que ela chegasse perto demais, preferindo ficar sentado no colchão. – Descanse mais um pouco até termos certeza que podemos seguir adiante – Levantou-se da cama sem olhar para trás.

– Aonde vai?

– Ocupar minha cabeça. – Disse quase na escrivaninha.

Já sentado diante da velha mesa de trabalho que fora colocada em um ponto estratégico onde a iluminação não era tão precária, bateu os cotovelos na madeira e levou as mãos no rosto. Soltou um longo suspiro enquanto ouvia vozes falarem em sua cabeça.

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Início das memórias de Sasori

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– Eu vou tomar um banho. – Kamui disse baixo deixando os homens para trás.

– Kisame – Sasori começou, assim que Kamui já estava longe o suficiente para não ouvir – Pode me dar licença eu preciso falar com Itachi.

– Eu preciso de um banho e você tem uma missão. – O Uchiha deu de costas.

– Não vou demorar. – Ele caminhou até o lado do moreno.

– Então me enganei, achei que ia querer falar sobre Kamui. – Itachi olhou para o ruivo que apenas tinha guiado o olhar para os próprios pés sem dizer nada.

O moreno suspirou antes de continuar a falar:

– Não se preocupe, eu não vou machucá-la. Você viu o treino, eu peguei leve e além do mais, a guria se defende bem. – As cabeças se inclinaram ao mesmo tempo e na falta de palavras do ruivo o moreno fez algo que acontecia muito raramente, riu. – Mas não é com isso que você está preocupado.

– Kamui é muito diferente de qualquer outra kunoichi. – Ele escolhia as palavras. – Itachi eu sei que você não tem problemas com as mulheres, mas o que eu quero dizer é que Kamui é indomável, os dons que ela possuem estão diretamente ligados a um canal dissimulado, ela não planeja ser assim. Apenas é. Ela se diverte com isso tudo e com a forma com que camufla a si mesmo usando as emoções como ponto fraco nas pessoas, ela vive por impulso, brincando como uma eterna criança e...

– Hey Sasori – O moreno o cortou – Seja direto, edita a história e diz logo o que quer.

– Não se aproxime dela. Eu sei que é difícil quando ela resolve te encarar e usar seus dons por qualquer bobagem, mas você pode ter a mulher que quiser. É só apontar o dedo, então eu não... eu não quero que a machuque.

– Eu não tenho esse interesse em Kamui – Disse sério e calmo como era sempre – Ela é linda sim e tem poderes impressionantes, mas é como você disse, ela é uma criatura indomável que não liga nem segue regras. Mesmo que estivesse em busca de interesses carnais, Kamui não é o tipo pra mim. Mas ela é uma boa menina, espero que com treinamento coloco alguma coisa naquela cabeça aventureira. Quanto aos olhos... eu realmente queria poder vê-los bem, ela manipulou Pain com uma facilidade incrível e mantém você tão bem pego que queria poder ver como é esse poder que ela exerce. Sei que brilham, mas meus olhos estão cada vez mais apagados e você sabe disso.

– Ela não sabe nada das regras Shinobi, chegou a ir à academia, mas não teve o mesmo tipo de treinamento especializado como você ou eu. Ela saiu da vila muito antes disso, cresceu e se desenvolveu completamente sozinha e ahh.. você está querendo me dizer que não cai verdadeiramente nos truques dela?

– É eu até que tento, mas não consigo. Vejo que brilham, mas não sou capaz de dizer com que intensidade. São bonitos?

– Demais. Uma vez que se é pego pelos olhos dela não se quer olhar para mais nada.

– E você não deixou de olhar nem mesmo durante os anos que ela passou longe de você.

– Do que está falando? – O ruivo se fez de desentendido.

– Que treinar foi uma ideia que alegrou Kamui após um mal entendido, por assim dizer. Então ela saiu correndo daqui empolgada com a ideia e voltou tão irritada que eu pensei que ela tentaria me matar de verdade – Os olhos de Sasori se arregalaram ouvindo o Uchiha. – Ela voltou do quarto de vocês.

– Agora é sua vez Itachi, edita e vai direto ao assunto.

– Se gosta tanto de Kamui, por que não diz isso de uma vez para ela? – Disse e se virou para seguir para dentro da sede.

– Porque nada disso passa de diversão pra ela. – O dogma era obsoleto na cabeça do ruivo.

– Hum...– Itachi se virou no meio do caminho – Pare de olhar um pouco para a superfície atraente de Kamui – Retomou seu caminho – Depois o cego do grupo sou eu – Disse muito baixo para si mesmo, surpreso com o fato de ter pensado em algo irônico, riu para dentro enquanto caminhava. Talvez Kamui fosse capaz sim de mudar as coisas ao seu redor, não precisava apenas dos olhos para isso.

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Fim das memórias de Sasori

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– Sasori-kun – Ele sentiu a mão da morena em seu ombro e tirou as mãos de frente do rosto, se quer tinha percebido o gesto autodefensivo. – Está tudo bem?

– Uhum – Disse sorrindo para a prima.

– A tempestade de areia que criei deve ter feito aquelas pessoas pararem pra se proteger, mas ela não ataca quem a comanda. Podemos aproveitar ela para nos dar cobertura e ir agora se você quiser.

– Então vamos! – Sasori disse e logo se levantou para se misturar à tempestade lá fora.

Chegava a ser engraçado como a areia voava em todas as direções, mas não tocava neles enquanto vestiam o manto negro da Akatsuki. Kamui parecia tentar se orientar para onde deveriam caminhar, até ser salva por Sasori que apontava a direção certa após os longos minutos em que ela ficou girando no mesmo lugar sem se achar. Ela aceitou a indicação do primo e antes de seguirem tomou-lhe a mão para caminharem.

– Tem tanto medo assim de tempestades que não suporta nem as criadas por você? – Debochou.

– Tempestades são sempre tempestades Sasori. Mas como essa em questão está garantindo a segurança da nossa volta, eu não posso correr o risco de ficar sem chakra – Disse simples – Não vou de mãos dadas por medo, mas porque vou usar o seu chakra também.

– Ah sim. É claro. – Disse em birra, gostava mais quando Kamui tinha medo e usava sua força contra as tempestades.

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– Vamos Itachi, eu prometo que isso nem vai doer. – Ela disse impertinente sentada de frente para o sério Uchiha e também de Kisame que ria da situação.

– Desiste Kamui, esse aí é caso perdido! – O azulado não parava de rir.

– Um – Ela mostrava um dedo ao homem em sua frente – Só um sorriso Itachi e prometo que te pago uma rodada de Dangos.

– Esquece! – Ele apenas pegou xícara de chá sobre a mesa e bebeu do líquido quente.

– Ah tudo bem! – Ela se ergueu da cadeira mantendo as mãos espalmadas sobre a mesa. – Kisame, plano B. Eu forço o queixo enquanto você prende a respiração dele.

– É pra já! – O azulado largou sua inseparável Samehada sobre a mesa ainda rindo.

– Hã.. Kamui?

Havia cerca de três horas que tinham chegado ali e Kamui tinha se metido no banheiro para tomar um banho antes de qualquer coisa e então foi esperar o ruivo tomar o seu, enquanto isso ela desceu para conversar com alguém. No momento, era claro que Sasori havia acabado de sair do banho, vestindo um agasalho cinza escuro, e estava ali para por um fim de uma vez na situação dos dois.

– Sasori! – Ela apenas virou a cabeça na direção da porta sem erguer seu corpo de cima da mesa fazendo, com o ato inocente, Sasori ter uma ampla visão das curvas de seu quadril, enquanto ela estava quase completamente debruçada sobre a mesa.

– Eu quero conversar com você. – Ele disse movendo os braços de maneira desordenada, como que se estivesse em algum lugar de seu inconsciente buscando outro foco que não a performance que ela desenvolvia sem perceber o quanto poderia estar sendo erótica. Expondo com o ato um pedaço de tecido florido que tinha nas mãos.

– Hey, isso vai ficar uma graça em você! – Kisame riu do comentário da morena.

– Que bom que você gostou, pois é você quem vai usá-la. Vem aqui – Ele a chamava movendo as mãos e ela foi, percebendo com espanto, somente na última hora, que ele usaria aquilo para encobrir seus olhos.

– Ah mas o que... Sasori eu não gostei dessa brincadeira!

– Ah mas sem isto não há surpresa! – Disse já pegando uma das mãos da morena enquanto a outra a guiava pela cintura.

– Acabo de descobrir que eu não gosto de surpresas.

– Veremos. – Disse olhando para os outros dois homens presentes, dispensando comentários enquanto levava a prima "cega" para fora da cozinha.

– Itachi-san – O azulado começou assim que os Akasuna saíram – É a família em geral ou as mulheres que fazem grandes gênios como Sasori ficarem tão...bobos?

– Kamui não é exatamente prima dele e ele "matou" a avó não foi? – O moreno se dignificou a responder.

– Ah como eu pensei, são as mulheres mesmo! – O tubarão disse bebendo do líquido de sua xícara, vendo por trás do vapor o arco que se formava no rosto do Uchiha, mas logo sumiu. – Malditas mulheres! – Disse muito baixo se referindo ao evento raro que o comentário referente à Kamui conseguira gerar.

– Kisame tem algo para fazer agora? O moreno disse assim que retornou à seriedade costumeira.

– Isso depende do que essa mente insana vai sugerir. – Disse no tom típico

– É que quando a Kamui falou nos Dangos me deu uma vontade de...

– Não! – O azulado o cortou. "Maldita Kamui" – Itachi-san comemos aquelas porcarias já na semana passada...

– Pois então, já faz quase sete dias.

– Erc... mas aquilo é ruim demais, Itachi-san que acha de bom naquilo?

– Ah são Dangos...você sabe... – Ele olhou sério pra Kisame que fazia caretas incompreensíveis ao ver o Uchiha explicar admirado sua adoração pelos piores doces que já inventaram – Levante logo essa bunda daí Kisame, nós estamos de partida. – Disse mudando para o tom autoritário de sempre, enquanto fechava a cara e os olhos pra se levantar da mesa.

– Unf– Kisame suspirou pesado – E eu lá tenho escolha?

– Que bom que entende! – Ele disse enquanto o outro colocava a velha espada nas costas e seguiram rumo à rua.

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– Se era pra me vendar de qualquer jeito mesmo, não podia ser depois de subirmos as escadas? – Disse quando, depois de muito tempo, conseguiu alcançar o último degrau.

– É, poderia. Mas assim foi mais divertido, esse é o último. – Disse a guiando – Vem por aqui.

– Nossa, todo esse suspense pra me trazer até o nosso quarto? Eu tava apavorada achando que você ia me fazer pular do telhado! – Disse brincando.

– Desapontada? – Disse no mesmo tom.

– Com certeza – Ela riu.

– Não conta com a vitória não, eu ainda posso de jogar pela janela. Aqui está bom. – Disse fazendo-a parar – Mas quer saber, eu também estou um pouco desapontado. Eu te vendei e deixei tonta na escada e você soube exatamente onde estamos só de botar os pés aqui dentro.

– É, eu não entrei em nenhum outro quarto da casa, mas eu acharia estranho se sentisse esse cheiro de mistura de essências que eu mesma faço no quarto de outra pessoa. Mas não fique desapontado eu ainda estou apavorada com o que pode ser a sua ideia de surpresa.

– Então tá. – Disse se parando frente para ela pegando as duas mãos de Kamui – Antes de qualquer coisa, como resumiria a forma como está se sentindo agora?

– Ah eu já disse...

– Não. Apavorada não conta aqui.

– Ah não...bom, eu acho que é meio óbvio que eu me sinto absolutamente cega.

– Ótimo.

– Ótimo?

– É sim. Isso é ótimo, era exatamente o que eu queria.

– Ah é, por quê?

– Porque eu quero mostrar pra você justamente o que o poder desses olhos – Ele passou os dedos por cima da venda – Deixou você cega para.

A forma séria com que ele falou não deixou dúvidas nela de que aquela não era uma frase para ser retrucada, nem respondida. Sentiu-se completamente estranha quando percebeu que tudo o que tinha a fazer era escutar o que o ruivo a diria.

Não podia fazer nada, Sasori havia encoberto sua única maneira de se defender de qualquer coisa. Entretanto, havia algo no timbre baixo da voz que a fez tremer.

Das mãos que seguravam as suas com delicadeza, ela sentiu o calor percorrido pelo toque que subiu de suas mãos até a nuca, segurando-lhe firme a face para um beijo breve e delicado. O beijo que ela em um minuto de descontrole admitiu, mesmo sem perceber sua pequena confissão, queria que pelo uma vez tivesse sido roubado por ele.

– Porque eu tenho que dizer pra você que mesmo que tenha existido outro corpo, nunca houve outros lábios a serem beijados. – Então selou seus lábios nos dela mais uma vez de forma rápida. – E mesmo depois do que fosse físico, nunca houve outro corpo que dividisse comigo a mesma cama. – Continuou, terminando sua frase novamente com um selar de lábios. – A pessoa que esteve comigo nunca se queixou da ausência de qualquer forma de carinho e até mesmo de palavras, mesmo sem saber que existia uma pessoa com quem eu gostava de dividir todas essas coisas.

Outro beijo. Era estranho e difícil falar daquela forma de Deidara com Kamui, mas era preciso. Se aquilo era um novo recomeço, as coisas deveriam ficar todas claras, então prosseguiu:

– Uma pessoa que foi embora muito cedo. Nós éramos muito jovens, Kamui. Jovens demais até para o que fazíamos e eu acreditei sempre em tudo que você me falou – Outro beijo. – E se naquele tempo não houve beijos que fossem roubados por mim, iniciativas tomadas por mim, era pelo simples medo de transcender o limite do que era diversão pra você.

Sasori encostou sua testa na dela apenas brincando, roçando seus lábios nos dela enquanto falava. Jogando logo novas palavras para que ela não retrucasse da forma como estava começando a demonstrar querer fazer.

– Cada vez que você dizia que era só diversão eu me prendia mais na ideia de não poder deixar transparecer que era mais para mim. E não roubava beijos, mas ficava sempre à espera da hora em que você iria se entediar de algo para ir roubá-los de mim, ou então que o fazia pra deixar claro quão fraco eu era diante dos teus olhos. Mas estava sempre lá, no lugar onde eu desejava que você estivesse, acreditando cegamente que se me esquecesse disso e acabasse me excedendo às vontades como a de simplesmente te abraçar e cuidar de você pudesse acabar afastando você. – Disse por fim, inclinando a cabeça da morena em sua direção para então beijá-la de maneira mais profunda.

Kamui sentiu o gosto dos lábios que tanto gostava, mas dessa vez, eles tinham algo a mais que a fez se entregar inteiramente ao carinho oferecido. Tinha várias coisas para dizer à Sasori, mas naquele momento percebeu que o primo já sabia de todas elas, então apenas abraçou o corpo do ruivo que levava as mãos calculadamente até pontos do seu pescoço.

Assim que o gesto teve fim, ela ergueu as mãos para remover a fita de seus olhos e poder olhar para o rosto do ruivo, mas sentiu suas mãos serem paradas:

– Não. – Disse a voz baixa, meio pastosa depois do beijo intenso – Hoje vai ser tudo por minha conta. Quero que você tenha certeza que tudo aqui não é nada além do que meu desejo por você e não por causa de um truque em que caio por você.

Kamui calou e apenas abandonou a ideia de remover a venda de seus olhos, deixando que sua mão caísse ao lado de seu corpo. Por tantos anos eles se consumiram e se amaram em um desejo ardente em que ela acreditava ser a única fonte da química que tinham. Pela primeira vez a morena se sentia completamente entregue, não era capaz de se lembrar de nada tão bom quanto essa sensação de ser completamente desejada.