Capitulo 05
Planos...
Em um movimento brusco ele se levantou secando o rosto e se virando para o lado com a idéia de ir embora, mas parou estático ao perceber que era observado pela garota, que o fitava com um olhar espantado.
- Weasley!
- Desculpa... – Virginia se apressou em dizer. – Eu não estava espiando...
- Há quanto tempo esta parada aí? – Perguntou rispidamente .
- Eu acabei de chegar... – Respondeu sem saber ao certo o que fazer ou dizer.
- Era tudo o que eu precisava. – Disse amargurado, preparando-se para sair.
Virgínia sempre fora muito boa em decifrar expressões e gestos e enquanto encarava o homem que crescera odiando pode ver sentimentos que nunca pensou em ver naquelas feições. Draco Malfoy estava visivelmente machucado, os olhos cinzentos pareciam chumbo, transbordando sentimentos dolorosos. Os lamentos dele pareciam ricochetear em sua mente, relembrando suas palavras.
Ele obviamente não queria discutir sua vida com ela por isso caminhou a passos apressados para sair dali. Algo gritava dentro dela pra fazer alguma coisa. Não sabia explicar a confusão em que vivia, apenas sabia que não conseguia encarar a dor naqueles olhos sem fazer alguma coisa.
- Malfoy, espera! – Chamou, correndo ao ver que ele já alcançava o corredor.
- O que você quer Weasley? – Ele parou se virando e a encarando, parecia já ter recuperado a postura altiva.
- Por que não me faz companhia? – Foi a resposta desajeitada. Virgínia rapidamente pode ver que havia feito algo errado ao vê-lo crispar os lábios em desgosto.
- Esta com pena de mim Weasley? – Praticamente cuspiu as palavras encima dela. Fazendo as maças do rosto dela ficarem coradas.
- Estou, algum problema!? – Respondeu empinando o nariz. Virgínia queria rir da cara abobalhada que recebeu. Deveria ser a primeira vez que ele escutava algo assim. – E não me venha com nada clichê do tipo "Eu não preciso da sua pena Weasley!" Ora, somos pessoas, bem vindo ao mundo normal! Nos divertimos, rimos, também sofremos, passamos por altos e baixos e sentimos pena! É normal. E pra sua informação, você não é a única pessoa de quem sinto pena essa noite...
- Posso saber de quem mais? – O loiro perguntou divertido. Por algum motivo aquela conversa estranha parecia estar o animando. Não gostava de ver uma Weasley sentindo pena dele, mas gostou de vê-la querer conversar como se ele fosse normal. Aquilo era raro, mais raro ainda por ela ser uma Weasley e ele um Malfoy.
- De mim, não percebeu? – Virgínia debochou de si, se atirando em uma espreguiçadeira e fazendo sinal para ele se acomodar na outra, a seu lado. Virgínia passou a olhar o céu, apenas percebendo com o canto dos olhos esse se acomodar ao seu lado. – Só achei que você precisava de companhia, assim como eu preciso...
- Você reclama demais, sabia? – Draco respondeu exasperado enquanto encarava o céu estrelado.
- E você de menos. – Respondeu fazendo careta. – Dizem que reclamar alivia os problemas...
- Conversa fiada... – Resmungou.
- Conversar com você não é nada fácil, Malfoy. – Virgínia bufou, a vontade que tivera de não deixá-lo ir era passado, queria atira-lo do navio agora.
- Talvez pelo fato de você ser a última pessoa que eu chamaria para um papo. – Respondeu ácido.
- Obrigada. Você me enerva... – Virgínia suspirou, tendo uma idéia. – Olha, o que acha de nos encararmos como inimigos de guerra?
- Inimigos de guerra? – Perguntou sem entender, observando que ela ainda encarava as estrelas.
- Sim. Éramos inimigos de guerra, cada um de um lado, mas agora a guerra acabou, não há mais lados... Não faz sentido continuarmos com essa rivalidade sem fundamentos. Tenho que admitir que ela chega a ser infantil...
- E o que você quer? Ser minha amiga? – Perguntou desdenhoso.
- Se você parar de me tratar como uma leprosa, quem sabe? – Virgínia se sentou, encarando com desgosto o homem a sua frente.
- Você não pode estar falando sério... – Draco encarou os olhos chocolate a sua frente. – Você não quer ser amiga de Draco Malfoy.
- Não o Malfoy que conheci em Hogwarts. – Virgínia respondeu com um sorriso tímido no rosto. – Por que não me mostra o verdadeiro Malfoy? Se for diferente daquele eu gostaria de conhecer...
Por um momento nenhum deles falou, Virgínia porque aguardava uma resposta e Draco porque absorvia as últimas palavras dela. Ninguém nunca quisera se aproximar dele daquele jeito. Todos imaginavam conhecê-lo e nunca se importaram em imaginar outra coisa, não acreditava que justo uma Weasley parecia ver diferente e por um motivo estranho ele realmente queria convencê-la de que ele o era.
- Tudo bem... – Respondeu simplesmente após um tempo. – Acho que posso esquecer que você é uma Weasley...
- E eu que você é um Malfoy... - Virgínia sorriu ao ver surgir um brilho nos olhos dele, não fazendo idéia do quando aquele comentário o exultou.
- Mas diga-me, você realmente não tem medo? – Draco franziu o cenho com o pensamento. – Imagine o que pensarão se a virem comigo, ainda mais agora que você... bem... você sabe.
- Abandonei o Menino de Ouro... – Virgínia deu um longo suspiro, voltando a encarar as estrelas. – Essa é uma tempestade que esta longe de terminar né?
- Os repórteres fazem um alvoroço sobre tudo relacionado ao Potter. – Respondeu não escondendo a amargura. – Mas estou realmente curioso. Por que você o deixou, afinal?
- Eu não o amava... – Foi a resposta simples, mas cheia de pesar. – Eu o amava, realmente o amava... Não sei dizer quando esse sentimento morreu...
- Quem disse que o mundo é um mar de rosas...? – O loiro respondeu observando uma estrela cadente cortar os céus.
- Quem disse... – Virgínia repetiu fechando os olhos e fazendo um pequeno desejo. "Que tudo fique bem..." implorava.
O silêncio reinou por um longo tempo. Ambos estavam perdidos em pensamentos, gratos pela companhia inusitada.
- Estive pensando... – Ela comentou depois de alguns minutos. – Sobre o que você falou de me virem com você... O que acha que podem dizer?
- Imagine a reportagem... – Draco zombou. – A queridinha de Harry Potter é vista com ninguém menos que Draco Malfoy! A princesa foge com o vilão? Onde esse conto de fadas do avesso irá parar?
Uma risada gostosa e macia cortou o ambiente, fazendo-o encarar a mulher ao seu lado. Virgínia ria com gosto, os olhos brilhando enquanto o encarava. Inesperadamente o coração de Draco bateu mais rápido, um sorriso se instalando seu rosto.
- Obrigada... – Virgínia agradecia, o sorriso ainda aberto em seu rosto. – Eu estava tão tensa nesses últimos tempos... É a primeira vez que rio depois de tudo que aconteceu. – Contou. – Estou mais tranqüila agora... Uma notícia assim se espalhar é tão absurda que ninguém vai levar a sério... Vão achar que é apenas uma tentativa de vender jornais...
- Eu deveria me sentir ofendido agora... – Draco falou, seu sorriso divertido.
- Ah, vamos lá. – Virgínia brincou. – Até você vê o absurdo disso tudo... Afinal, você é você...
- Quem se envolveria com um Malfoy, certo? – Foi a resposta seca.
Virgínia queria se esmurrar pelo deslize.
- Olha, eu sei daquela velha história, Malfoys não devem nada a ninguém... Mas nunca pensou em mudar isso? Quero dizer, ficar lamentando é fácil, difícil é tentar mudar isso... Você não quer que as pessoas parem de te rotular erroneamente?
- Falou a pessoa que encara seus problemas de frente... – Respondeu mal-humorado.
- Eu mereci essa... – Virgínia deu de ombros desanimada.
- Não... Não mereceu. – Draco respondeu para o espanto dela. – Estou apenas jogando minhas frustrações em você...
- Obrigada por admitir. – Virgínia sorriu.
- Você acha que é possível algo assim acontecer? Digo, mudar assim a imagem de alguém? – Draco falou pensativo.
- Claro! – Respondeu com convicção.
- Sozinho não é fácil... – Draco falou em um sussurro quase inaudível.
Pela segunda vez aquela noite Draco Malfoy tocou algo dentro de Virgínia. Ainda mexia com ela ver tal vulnerabilidade em alguém que julgara uma vez ser um completo insensível.
- Eu posso ajudar. – Virgínia espantou ambos com a afirmação. Ela podia sentir a impulsividade em cada pensamento que tinha.
- Me ajudar? – Reforçou incrédulo.
- Porque não? – Falou se empolgando. – Eu não estou exatamente com um roteiro com tudo planejado para os próximos dias... Bom, se você quiser, é claro.
- Eu... – Malfoy não respondeu, apenas não sabia o que falar passando uma das mãos pelos cabelos enquanto pensava. Os cabelos agora negros eram refletidos pelo luar, pareciam gritar "confusão!" para todos os lados. Draco sabia que deixar aquela mulher entrar em sua vida seria problema na certa, mas a visão dos últimos anos, da solidão em que vivia, parecia mandar o bom senso para o espaço. – Bom este navio vai para Corfu, na Grécia, mas minha mãe esta ciente que cedo ou tarde irei aparatar de volta pra casa... Estaria disposta a ir comigo? Passar alguns dias na Mansão Malfoy? Você e eu? – A descrença era evidente.
Por um segundo ela não se achou capaz de consentir. Não por ele, mas pela casa que sabia ser o palco de inúmeros acontecimentos ruins. Não sabendo para onde guiar seus pensamentos ela voltou a olhar o homem que encarava. Podia haver descrença ali, porém Virgínia também via esperança. Sentiu-se incapaz de tirar aquele brilho daqueles olhos.
- Tenho que admitir que ir até a Mansão Malfoy será uma provação... – Falou dando de ombros. – Mas tenho que te lembrar que não sou de mentir. Se quero te ajudar é porque acredito no que estou fazendo.
- E você acredita mesmo? – Draco franziu o cenho, desconcertado.
- Você não esta aqui? Conversando comigo? – Virgínia sorriu. – Quer prova melhor? O Malfoy que pensei conhecer estaria me insultando até agora...
Dizendo isso ela se levantou, alongando o corpo enquanto dava uma última olhada no céu.
- O sono finalmente bateu... – Murmurou contendo um bocejo. – Antes de dormir irei escrever uma carta para casa... Eu ser covarde não quer dizer que irei matar eles de preocupação...
- E o que pretende dizer? – Draco também se levantou, ambos agora seguiam em direção aos quartos.
- Que estou bem e tranqüilizá-los, aquele jornal insinuar que fugi com alguém deve ter no mínimo atiçado a imaginação de todos... – Suspirou resignada.
- E vai falar o que vai fazer nos próximos dias? – Sondou.
- Não há problemas em perguntar as coisas, sabia? – Virgínia riu. – Se quer saber se vou falar de você a resposta é não. Eles vão subir pelas paredes se eu mencionar um terço de qualquer coisa...
- Faz sentido...
- Bom, esse é meu quarto... – Virgínia disse abrindo uma porta e parando na entrada. – Estou entregue...
- Boa noite Weasley...
- Hm... – Virgínia estendeu a mão. – Vamos começar como colegas, o que acha?
- Tudo bem... – Draco apertou a mão estendida, ambos se afastando meio desajeitados com o toque de mãos. – Nesse caso o que acha de me chamar de Draco?
- E você pode me chamar do que quiser, Gin, Ginny, Virgínia...
- Feito. Eu venho amanhã acordá-la para irmos... – Draco falou já se afastando. – Boa noite, Virgínia.
Virginia ficou observando ele se afastar antes de fechar a porta e se atirar na cama. "Eu não acredito no que fiz!" Pensava surpresa enquanto encarava o teto. "Me tornei uma espécie de amiga e ainda disse que ia ajudá-lo! Mas como??" Não sabia nem por onde começar e a confusão parecia instalada em sua mente.
Sabia que não poderia ser vista nem fotografada nos próximos dias. Não com Malfoy e sem ter falado com sua família. Os cabelos agora pretos iriam ajudar, um pouco de maquiagem e um óculos escuro seria perfeito. Refletindo sobre o que fazer ela retirou sua mala de baixo da cama e a abriu, vasculhando até achar os óculos escuros que havia ganhado de Hermione há um ano. Junto com os óculos havia um pequeno aparelho, não demorou muito para Virgínia lembrar que era um celular, também presente da amiga. Ao apertar suas teclas ela pode ver a enxurrada de chamadas não atendidas seguidos do nome Hermione.
Virgínia não poderia sentir-se mais culpada!
"Eu vou ligar pra ela..." Pensou aflita. Relembrou o que a amiga havia ensinado sobre aquele aparelho trouxa e depois de algumas tentativas conseguiu ligar.
- Alô?? – Hermione falou depois do terceiro toque, para alívio de Virgínia ela não parecia estar dormindo.
- Por favor, finja que não sou eu! – Implorou.
- Claro Tia Angêla. –Hermione falou apressada. – Eu não estava dormindo, não precisa se preocupar. Os fusos-horários ainda confundem a senhora né?
- Obrigada... – Virgínia agradeceu. – Onde você esta?
- Estou na casa dos Weasleys, lembra do meu marido Rony? – Virgínia queria gritar de alegria, a amiga era ótima em dissimular. – Estamos com alguns problemas, sabe? Eu estou com a família dele vendo o que podemos fazer...
- Você consegue ficar sozinha?
- Me dá um minuto. – Virgínia pode escutar a movimentação enquanto Hermione se levantava. – Minha tia quer discutir alguns problemas financeiros comigo, eu vou lá pra fora pra não atrapalhar vocês...
Virgínia pode escutar algumas vozes concordando, inclusive a de Harry, o esforço para conter as lágrimas era intenso. A culpa era imensa. A voz dele parecia tão desprovida de alegria e a culpa a corroia, a minutos atrás estava rindo com um Malfoy!
- Pronto titia... Pode falar... – Hermione falou após alguns segundos.
- Ah Mione... Eu sinto tanto... – a voz saiu estrangulada enquanto Virgínia tentava se conter.
- Esta tudo bem... – A voz soou compreensiva. – Por que não me diz o que aconteceu?
- Eu... Eu fiz o que você aconselhou... – Virgínia começou. – Eu pedi que ele me beijasse Mione... Mas não senti nada... Absolutamente nada. Era como se eu estivesse prestes a me casar com um irmão!
- Oh... – Foi a resposta surpresa que obteve.
- Eu sei... – Virgínia suspirou. – Não tive coragem de ficar Mione... De estragar a felicidade que eu via em todos... Em Harry... Eu sou uma covarde né?
- Oh minha querida, isso não é verdade... – Hermione a consolava. – A gente não manda no coração. Antes você fugir do que ficado e se casado sem amar. Seria um casamento infeliz e Harry sairia muito mais machucado...
- Eu sei... – Virgínia limpou as lágrimas que caiam. – Por favor, diga a todos que eu estou bem... Que sinto muito, mas quero ficar sozinha nos próximos tempos... Diga a Harry que escreverei...
- O que pretende fazer nos próximos dias? – Hermione perguntou aflita.
- Bom... Eu conheci alguém. – Hermione arfou do outro lado e Virgínia correu para consertar o deslize. – Não da maneira que esta pensando! Céus, por Merlim! È alguém que precisa de ajuda... Vou ajudá-lo... É melhor do que ficar sozinha, remoendo tudo que esta acontecendo... Assim que minha ajuda não for mais necessária eu volto... Prometo.
- Eu confio em você... – Hermione respondeu resignada. – Eu vou tranqüilizar a todos, Rony ainda acha que você fugiu com alguém... Não se preocupe, eu vou segurar as pontas por aqui até você voltar...
- Obrigada Hermione... – Virgínia agradeceu e com uma breve despedida desligou o telefone. Estava arrependida de ter ligado, deveria ter apenas escrito a carta e se poupado de escutar as vozes abatidas do outro lado.
Silenciosa ela se deitou sentindo as lágrimas rolarem. No fundo sabia que tinha feito o certo. De qualquer forma teria magoado a todos com sua decisão, a diferença era que agora não encararia os olhares que sem dúvida a estariam condenando.
Pela primeira vez desde seu primeiro ano em Hogwarts Virgínia sentiu-se sozinha e em meio as lágrimas que caiam ela adormeceu...
***
-Alohomora! – Draco falou irritado, já era a quinta vez que batia na porta da mulher e ela ignorava. A passos rápidos ele entrou antes que fosse visto nos corredores.
Virgínia estava esparramada na cama, a mesma roupa do dia anterior. Enquanto se aproximava, os olhos do loiro percorriam o corpo delgado da ruiva. Ela podia estar toda bagunçada, mas ainda sim Draco a achava bonita. Por mais que tentasse não conseguia visualizar a Weasley de seus tempos em Hogwarts. Aquela parecia ser outra, menos tímida e apática, agora mais sensual e charmosa.
Crescera ouvindo seu pai destilar veneno sobre a família dela. O que podia fazer? O que o pai dizia era como se fosse a verdade absoluta na época. Mas sua mãe estava certa, as amarras foram cortadas. Lúcio Malfoy estava morto e não havia sentido em continuar guardando aqueles pensamentos rancorosos. Draco realmente queria mudar.
Sem perceber o que fazia Draco retirou os cabelos que cobriam o rosto adormecido. Seu coração bateu mais rápido ao ver os traços delicados, Virgínia sem dúvidas chorara, as maças do rosto estava rosadas, os lábios vermelhos. Ainda sim, linda. Constatava desolado. Em uma noite ela passou de um Weasley a uma mulher com quem ele, pelo visto, se preocupava. Era inacreditável.
Virgínia acordou sentindo um arrepio no corpo, sabia que era observada. Sonolenta, abriu os olhos, encontrando um par de olhos cinzentos que a observavam.
- Eu já estava pensando em qual feitiço maligno usar em você... – Draco falou, um sorriso debochado escondendo seus pensamentos anteriores. – Você dorme que nem pedra sabia?
- Já ouvi coisas parecidas... – Resmungou, analisando se suas roupas estavam cobrindo tudo devidamente. – O que faz aqui?
- Já é manhã. – Esclareceu. – Eu esmurrei a porta varias vezes, ninguém se dignou a abrir a porta então entrei. Não ia ser visto no corredor só porque você dorme muito.
- Desculpa... É que foi difícil dormir...
- Percebi... – Virgínia levou a mão ao rosto com o comentário, esfregando-o na tentativa de tirar qualquer vestígio. – Ouça, porque não vai tomar um banho enquanto arrumo esse quarto? Podemos aparatar daqui mesmo quando estiver pronta.
- Draco Malfoy vai arrumar meu quarto? –Virgínia brincou. – Quero ver, posso? Depois vou tomar banho. Essa é uma cena que vou guardar pra história!
- Weasley, suma! – Draco falou divertido. Ambos sorrindo. Virgínia rapidamente pegou uma calça e uma blusa e correu até o banheiro do outro lado do quarto.
- Wingardium leviosa! – Draco sacudiu a varinha em direção a mala aberta, levitando um sutiã em renda azul. A excitação inesperada que o atingiu fez com que ele rapidamente guardasse o objeto na mala, arrumando-a – Pack! – os objetos espalhados pelo quarto voaram até a mala, que se fechou em um estalo.
- Limpar! – Falou novamente girando a varinha, a cama se ajeitou enquanto o quarto se organizava. – Reducio. – Reduziu a mala ao tamanho de uma caixa de fósforos, a guardando em seu bolso.
Não precisou esperar muito para Virginia sair do banho, agora vestindo uma calça jeans simples, uma blusa de mangas longas da cor vinho e os cabelos negros, que antes iam até abaixo do ombro agora estendiam ate um pouco acima da cintura. O rosto também havia mudado, as sardas estavam escondidas pela maquiagem e os olhos cor de mel estavam em um tom azul, chamativo pelo contorno negro da maquiagem.
- E então, como estou? – Virgínia perguntou enquanto dava uma volto, os cabelos novos esvoaçando com o movimento.
- Diferente... – Draco se limitou a dizer, não falando em voz alta a admiração pela beleza dela.
- Vamos, ao menos diga que estou bonitinha. – Virgínia fez uma careta. – A gente precisa ouvir às vezes pra não morrer sabia?
- E seu irmão me chamava de fútil. – Draco entortou o nariz enquanto retirava do bolso uma caneta. – Preferi criar uma chave de portal ao invés de aparatarmos, vamos?
- Tudo bem... – Virgínia revirou os olhos, resignada. Suspirando ela estendeu a mão e tocou a caneta. Um arrepio percorreu seu corpo ao sentido o conhecido puxão no umbigo, em poucos segundos o mundo girava e voltava ao normal. Ambos indo parar em frente a uma grande construção que lembrava um palacete romano.
- Uau... – Virgínia exclamou ao encarar a grande construção. Não parecia com nenhuma das fotos que vira sobre o local. – não é o que eu esperava ver...
- A mansão era antiga. – Draco deu de ombros. – Depois que meu pai morreu minha mãe resolveu transformá-la em algo que não lembrasse um mausoléu...
- Sua mãe tem um gosto incrível... – Virgínia olhava o ambiente admirada. A Mansão parecia isolada do mundo, por toda a extensão do jardim havia inúmeras espécies de flores, das mais variadas cores, sentia um desejo impulsivo de correr e se atirar entre elas, absorvendo seus perfumes.
- Vamos entrar? – Draco a tirou de seus devaneios. Fazendo correr apresada para alcançá-lo.
- Jovem Malfoy! – Um elfo doméstico gritou animado enquanto abria a porta de entrada. – Não esperávamos tão cedo!
- Tome. – Draco ignorou as exclamações do elfo, jogando a mala encolhida a mão da criatura. – Teremos uma hóspede. Prepare um quarto na ala norte para ela e mande prepararem o café da manhã, o quero pronto na sala de descanso para os próximos cinco minutos!
- Sim senhor! – O elfo exclamou fazendo uma enorme reverência, os olhos curiosos voltados para a mulher ao lado do patrão. Em um segundo o elfo havia desaparecido.
- Você precisava ser tão rude com a criatura? – Virgínia ralhou desgostosa.
- É apenas um elfo... – Draco disse com descaso, fazendo sinal para ela acompanhá-lo. – Nem adianta querer vir com aquela história de direito das criaturas mágicas. Só vai te dar dor de cabeça por que não aceito tal discussão.
- Prepotente... – Resmungou para si, recebendo um olhar torto em resposta. – E então, como sua mãe reagiu quando disse que ia voltar pra casa? – Resolveu mudar de assunto.
- Ficou irritada. – Balançou a mão em sinal de descaso. – Mas desistiu quando viu que eu não mudaria de idéia. Nada demais...
Draco abriu uma grande porta de carvalho e entrou em uma grande sala, a decoração era rica em tons vermelhos e dourados, com poltronas macias em vinho a um canto perto de uma janela que ia do chão ao teto, dando uma linda visão dos jardins floridos. Em frente às cadeiras havia uma mesa redonda, repleta de doces, pães e sucos.
- Eles são rápidos... – Virgínia comentou enquanto passava a língua sobre os lábios. O estômago reagindo ao estímulo visual.
- Eles gostam de caprichar... – Foi o comentário divertido enquanto ele se sentava, observando ela devorar com os olhos o pequeno banquete.
- Vai fazer alguma piadinha sem graça se eu comentar que nunca vi tanta coisa gostosa reunida? – Virgínia perguntou desconfiada.
- Seria força do hábito... – Foi a resposta divertida e ao mesmo tempo culpada.
- Vou lembrar disse antes de te chamar de fuinha sem querer... – Virgínia se segurou para não mostrar a língua como uma criança enquanto se sentava e começava a se servir. O suco de morango parecia delicioso e sem resistir era virou um copo inteiro de uma vez. – Eu sou apaixonada por suco de morango...
- Jamais iria descobrir se não tivesse comentado. – Draco comentou debochado enquanto enchia um copo com suco de manga. – E então, agora me diga, o que pretende fazer para começarmos a mudar minha imagem?
- Algumas coisas passaram pela minha cabeça... – Comentou passando requeijão em uma fatia de pão caramelado, tirando caretas do rapaz. – Acho que podemos começar com algo bem básico... Estava pensando em leva-lo para adotar um cachorro...
- Um cachorro?? – Draco falou com nojo, quase derrubando o suco na mesa. – O que diabos um cachorro tem haver com isso?
- Santa paciência que eu não tenho... – Virgínia comentou torcendo a boca. – As pessoas que gostam de animais geralmente são taxadas de boas. Cachorros têm boa intuição para julgar caráter... Agora vamos rezar pra encontrar um animal sonso que não perceba o dono que esta ganhando... – Provocou com um sorriso maroto.
- Muito engraçadinha... hahahaha... – Respirou fundo para não retrucar. Só queria ver aonde aquela história iria levá-los...
Continua...
Oi gente! Mais um capitulo de uma das minhas fics atualizado ;D
Espero que tenho gostado dele, eu ainda estou na duvida porque não saiu exatamente como eu tinha planejado ao começar a escrever rsrsrs
E peço desculpas pela minha imensa demora eu voltarrr =/ não vai se repetirrr, já tomei tanto puxão de orelha que aprendi a lição rsrsrsrs obrigada pelo carinho e comentem please ;D é quase um combustível para o motorzinho da criatividade funcionar ;D
Beijoosss a todosss! Até mais =**
